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Quando decidi vir para o outro lado do mundo, preocupei-me com muita coisa: as saudades de casa, o preço dos vôos, tornar o meu apartamento acolhedor, assegurar meios de subsistência suficientes, mentalizar-me de que estar sozinha não significa estar só, conseguir tratar do visto e da permissão de trabalho - e, dentro desta lista infindável de tarefas físicas e mentais, ainda outra...

Apalpar terreno para uma relação à distância.

 

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Para 2017, quero menos resoluções

por BeatrizCM, em 06.01.17

Já vamos no sexto dia de 2017, mas deu-me uma epifania e decidi vir aqui escrever sobre resoluções. Este é apenas o assunto mais badalado da blogosfera, mas estas resoluções são diferentes, porque são as minhas.

 

Aliás, eu só tenho mesmo uma resolução: que 2017 seja menos do que 2016.

 

Pelo amor da santa, aconteceram-me tantas coisas em 2016 que por cinco aninhos gostaria que não me acontecesse nada de surpreendente, só quero sopas e descanso. Enquanto escrevia esta última frase, lembrei-me que provavelmente teria escrito qualquer coisa sobre resoluções de ano novo há 12 meses atrás, e eis isto.

 

O meu pós-licenciatura foi, no mínimo, turbulento. Ser aceite num estágio do outro lado do mundo; ter de apresentar o projecto final da licenciatura muito mais cedo do que os meus colegas (por causa do estágio do outro lado do mundo); uma semana depois de chegar ao outro lado do mundo, dizerem-me que eu deveria mas é ficar nesse lado e não naquele donde vim; ter a oportunidade duma vida, duma carreira, de me tornar professora numa universidade (pública) aos 21 anos; desistir do mestrado em Portugal; candidatar-me a outro mestrado em Bangkok; mudar-me para o meu próprio apartamento; viver longe da família e dos amigos; colocar em risco a minha relação de quatro anos; ir a casa no Natal; passar o Ano Novo sozinha.

 

Esta lista pode ser avaliada dum ponto de vista mais positivo ou mais negativo. Eu tento ver o copo meio cheio e esquecer-me de que ele se pode tornar meio vazio a qualquer momento. Sou uma afortunada e devo reconhecer que nem sei o que fiz para merecer esta experiência tão gratificante.

 

Tenho o melhor emprego e a melhor chefe de sempre, entrei ao trabalho durante a fundação da faculdade para a qual trabalho, já me envolveram em projectos até 2018, os meus colegas mimam-me, levam-me a almoçar e a jantar fora, dão-me presentes, vivo no centro da cidade num condomínio, num país onde nunca é Inverno, tenho alunos que me adoram (e que eu adoro) e que não têm vergonha de mo virem dizer, ganho bem e vivo bem, faço o que me apetece dentro do meu orçamento, Bangkok é linda, os tailandeses sáo lindos por fora e por dentro, cheiram bem, arranjam-se para ir para o trabalho, estão sempre a sorrir... 

Por estas e por outras, a balança vai permanecendo equilibrada e eu vou gostando de cá estar, mesmo que custe estar longe de quem eu gosto. Mas, por agora, já chega de mudanças bruscas na minha vida, mudanças inesperadas. 

 

Quero sossego, quero estabilidade emocional, quero que me aconteçam coisas previsíveis. Quero fazer bem o meu trabalho, ter boas notas no mestrado, manter a ponte Portugal-Tailândia em funcionamento e ter dinheiro para ir a casa de 3 em 3 meses, ir ao cinema, comer Pizza Hut, comprar livros e alimentar-me como deve ser. Não peço muito. Para 2017, só quero que me deixem em paz. Quero que os argumentistas da minha vida parem de inventar coisas à toa.

"Ah, hoje queres ir trabalhar para França. Mas amanhã vão-te dizer que te pagam o melhor mestrado do país desde que continues a ser boa aluna, que isso de ir para França é demasiado radical."

"Ah, queres ser professora. Então, vão-te conceder um estágio curricular no colégio onde estudaste."

"Ah, tens pena de acabar a licenciatura sem teres feito Erasmus. Toma lá um estágio extracurricular no Sudeste Asiático. Candidata-te."

"Ah, tens de preparar a tua candidatura em três dias durante a época mais atarefada do semestre, escrever uma carta de motivação, fazer passaporte, suplicar por todos os documentos em Inglês aos serviços académicos da tua faculdade, que ainda trabalham a vapor. Dão-tos em Português, mais os três biliões de certificados que tens no CV, pagas ao teu namorado para ele os traduzir. Esforças-te para além das tuas forças, mas és aceite."

"Ah, estavas a poupar para comprar um carro. É com esse dinheiro que vais embarcar para o outro lado do mundo."

"Ah, querias voltar para Portugal. Nem por isso, vamos-te proporcionar a tua profissão de sonho 2 meses depois de te licenciares."

"França era radical. Toma a Tailândia."

 

Fonix, uma pessoa fica cansada.

Feliz.

Mas, por favor, cansada.

 

 

Eu até gosto de trabalhar aqui...! xx I kind of enjoy working here...! 😊👌 #jobgoals #teaching #kmitl #bangkok

Uma foto publicada por Beatriz Canas Mendes (@beatrizcanasmendes) a

 

 

[Felizmente, 2016 não me aconteceu só a mim! Numa segunda-feira a meio de Setembro, enquanto estive em Portugal, fui com o meu namorado à faculdade onde estudei (FLUL) e de onde ele tinha feito drop out há uns anos. Perguntámos, por curiosidade, o que é que ele tinha de arranjar para voltar a matricular-se. Responderam "venha cá na quinta-feira e tratamos de tudo". Começou as aulas na segunda-feira seguinte.]

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O que é que significa "comer bem"?

por BeatrizCM, em 27.11.16

Desde que vim viver sozinha, tenho tirado bastante proveito da nova liberdade no menú diário. Adoro cozinhar (mesmo não sendo grande cozinheira) e adoro ainda mais ir ao supermercado e escolher o que vou comer nos próximos dias (uma grande fatia do meu salário vai para a comida, sem dúvida). Tenho muito gosto em preparar a minha lancheira com o almoço e os snacks todas as manhãs e fazer sopa todos os Sábados ou Domingos para os jantares do resto da semana.

Gosto particularmente da parte de poder decidir o que é "comer bem" para mim. Para a minha avó, comer bem é comer muito, sem olhar muito para os rótulos e sem comer muitos fritos nem muita comida rápida. Para mim, comer bem significa comer um pouco de tudo, olhar para os rótulos à procura da quantidade de açúcar e poder equilibrar os doces, a comida rápida e os fritos com alimentos mais saudáveis.

Se à noite me vai apetecer comer um bolo, durante o dia limito-me a comer "coisas saudáveis", sem açúcar - mesmo que me apeteça comer um bolo todos os dias. Acho parvo e bastante inútil privarmos o nosso corpo e a nossa gula daquilo que nos satisfaz. Se eu gosto de comer os donuts da cantina lá da faculdade, por que raio me hei-de estar a censurar? Para mim, a chave é o equilíbrio. Talvez escreva de boca cheia, porque nunca tive problemas de excesso de peso (muito pelo contrário), mas parece-me haver sempre alguma forma de restabelecer o equilíbrio. Quanto mais nos proibirmos, pior. Mais vale enchermo-nos daquilo de que gostamos e ficarmos bem durante mais tempo do que andarmos a fazer olhinhos àquela pizza e acabarmos a comer essa mesma pizza, só que depois de já termos comido outras brincadeiras que achámos mais inofensivas na altura.

Faz-me impressão quem anda por aí na blogosfera ou nas redes sociais a comer saladas e vegetais cozidos todo o santo dia. E depois é as papas de aveia. E as panquecas fit. E o café sem açúcar. Mexe-me com os nervos. Comer deve ser um prazer, não uma rotina sem graça. Eu não como muito, mas quando como faço-o com todo o gosto e várias vezes ao dia.

 

Exemplo do meu menú para um dia normal de trabalho:

6h45 - pequeno-almoço: leite de soja com mistura de cacau e cereais e pão barrado com queijo Philadelphia a acompanhar OU cereais num iogurte natural sem açúcar light. Mistura de muesli de chocolate com cereais de trigo integral com fibra (razão: como chocolate logo pela manhã, pouco mas que faz logo a diferença, com cereais e proteína a rodos, que me saciam até chegar ao trabalho, uma hora e meia depois, ou de preferência até meio da manhã).

9h - snack ocasional: levo algum tempo a chegar ao trabalho, porque tenho de andar 10 minutos de casa até à estação de comboios, esperar pelo comboio nacional que pode chegar a horas ou não, fazer a viagem de 45 minutos e andar mais 10 até à faculdade. Assim, caso me dê a fome, como fruta, bolachas de coco, cereais integrais ou pão.

10h30 - snack obrigatório: é inevitável ter fome a meio da manhã, por isso como a tal dose de frutas, bolachas, cereais integrais ou pão. Por vezes, levo para o trabalho uma combinação de dois desses elementos.

12h - almoço: esta refeição varia muito e não me preocupo se estou a comer "mal" ou "bem". No entanto, o estrago nunca pode ser grande, porque nunca levo batatas fritas (muito menos de pacote) e, na verdade, o único alimento que frito além de batatas é a carne... com óleo de coco ou azeite, gorduras consideradas aceitáveis.

15h - lanche: a mesma variação que o lanche da manhã.

17h-20h - jantar: janto mal chego a casa, o que pode acontecer entre as 17h e as 20h. Tenho sempre sopa preparada no fim-de-semana, por isso posso comê-la sem mais nada quando tenho menos apetite ou acompanhar com carne ou fruta. Quando me dá na gana, frito batatas, só pela goludice.

22h-00h: snack antes de dormir ocasional: quando vou para a cama, dá-me por vezes vontade de voltar a comer. Normalmente, escolho bolachas ou leite de soja.

 

Ao comer várias vezes, nunca chego a ter muita vontade para me encher de gulodices. No entanto, como sempre uma por dia, nem que seja bolachas.

Comer bem torna-se fácil, porque "comer bem" náo significa só comer alimentos verdes, carne grelhada e fruta. Basta habituarmo-nos a comer pão integral, cereais sem uma grande dose de açúcar e a misturarmos gulodices com acompanhamentos "limpos" para vivermos um bocadinho mais felizes, ou não? Mais uma vez, esta é a minha teoria. Se me apetece comer um Toblerone inteiro numa noite, como-o e pronto, ou não? Se me lembrar de emborcar 200 gramas de gelado de chocolate, faço-o, ou não? Se me apetecer comer um bife de porco com ovo estrelado e batatas fritas, é só pegar na frigideira, ou não?

 

Deixo também uma enorme dica sobre como fazer sopa: abrir o frigorífico, pegar nos vegetais, tomate e cebola que aparecerem, cozer tudo, adicionar sempre um "elemento surpresa" (bacon, fiambre, carne, peixe, delícias do mar), truturar e guardar sempre sopa no frigorífico para mais refeições. Basicamente, tudo o que é vegetal faz bem, mas o "elemento surpresa", mesmo que seja só uma salsicha, dá sabor à mistura e motiva-nos a comer os vegetais. Com tudo triturado numa sopa, até nem nos apercebemos da quantidade de coisas verdes que estamos a consumir.

 

E agora, ainda há razão para termos uma alimentação pouco variada? 

 

Já agora, nem me venham com cenas de "comer bem é comeres coisas saudáveis a semana inteira e teres um dia de descanso". Por favor, eu não consigo viver sem bolos, bolachas e bifes! Antes com mais 5% de gordura no corpo do que sem esses 5% de gordura mas a bater com a cabeça nas paredes de fome! Todos os dias são de desbunda, se todos os dias também nos comprometermos a comer um bocadinho de tudo na roda dos alimentos - foi o que me ensinaram na primária e olhem que ainda hoje me lembro disso.

 

Comer bem tem de ser, acima de tudo, criarmos os nossos limites, conhecermos o nosso corpo e as nossas necessidades, de acordo com a nossa estrutura corporal e as exigências do nosso dia-a-dia. Tanto há dias em que dou aulas das 9h às 16h, quanto há dias em que fico 7 horas sentada a uma secretária a preparar conteúdos. Como é óbvio, não vou comer exactamente o mesmo nesses dias, se é que me entendem.

 

#amigosdoaçúcarunited #abaixoopeixecozido #abaixoasopaaborrecida #eucomooquemedernagana #boloseverywhere #oreoscomfruta #antescom30porcentodegorduranolomboqueescravadaproteína #movimentodelibertaçãodasbatatasfritas #dietadoeuéquesei

 

Disclaimer: a autora deste blogue é professora de línguas, por isso qualquer conselho ligado à nutrição por ela produzido deve ser entendido como experiência do senso comum e não um dado científico.

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O Verão mais longo da minha vida

por BeatrizCM, em 21.11.16

Biologicamente, tenho-me sentido super confusa.

Para mim, tem estado calor non-stop desde Junho. Há quase seis meses que vivo num Verão eterno.

É o que dá ter vindo morar para um país de clima tropical. Há a estação seca e a estação molhada; ora faz um calor abafado, ora faz calor. Conseguem imaginar o puzzle que aqui vai dentro quando escrevo uma data de Novembro e estou de vestido de manga curta e lá fora estão 30ºC, com sol? E quando, depois do trabalho, chego a casa e vou para a piscina??

Ainda por cima, eu detesto frio... e há uns dias fui ao IKEA e, no meio dos artigos de decoração para a sala, trouxe uma manta, para pôr o ar condicionado a bombar e fazer de conta que estou no Inverno europeu... ou, no máximo, no Outono. E a existência de artigos de decoração natalícia nos centros comerciais (sim, até num país budista)? E fazer videochamadas com gente embiocada em cobertores e camisolas de lã, quando nem calças eu consigo vestir?

Tenho, mais ou menos, saudades da estação fria. Fria, tipo 10ºC (também não exageremos, não é?). Esta experiência da pseudo-imigração está-me a subverter os meus valores e preferências! HELP!

 

 

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Gosto de pessoas agradecidas pelo que têm na vida, por isso eu mesma gosto de dar graças pelo que tenho, material e imaterialmente. O Dia de Acção de Graças americano já passou, mas todos os dias são dias de reconhecer que, muitas das vezes, o que nos acontece de bom pode ter tanto de mérito pessoal quanto de mérito colectivo, ainda que não se veja de imediato até que ponto isso acontece.

O que eu quero dizer é que não vim parar a Bangkok só porque sim. Na altura em que fui aceite como estagiária, não tinha verba nem para as viagens, nem para a comida do primeiro mês e muito menos para andar a conhecer a cidade. A minha família aconselhou-me a não desistir e que, se fosse necessário, alguma coisa haveria de surgir até ao último momento para que eu pudesse sustentar-me. Bem dito, bem feito: mesmo antes de ter de comprar as viagens, recebi um prémio simbólico por ser a melhor aluna do meu curso, caído do céu. No entanto, continuava a precisar de mais dinheiro. E a minha família, com enormes sacrifícios que só eles saberão o quão custosos foram, disponibilizou-me o restante.

Quando fui contratada como leitora na universidade onde estava a estagiar, tive de escolher deixar o país para viver a 13 000 km de distância. Antes de mais, eu podia ter escolhido não aceitar o convite, agradecer educadamente e seguir a minha vida. Poderia ter pesado os prós e os contras de deixar a minha família, o meu namorado poderia não ter aceite bem a ideia, podia ter dado ouvidos a alguns dos nossos amigos que acharam que me estava a precipitar, e eu poderia até ter ficado cá a trabalhar com todas essas condicionantes, logo sem qualquer apoio. 

Contudo, depois de mil e uma conversas à distância e presenciais quando estive em Portugal por três semanas, depois de chorarmos e de nos preocuparmos por antecipação com aquilo que poderia vir a suceder, os três núcleos mais importantes da minha vida (família, namorado, amigos) ficaram em paz com a minha decisão. Principalmente, eu fiquei em paz com a minha decisão.

 

No primeiro mês depois de me mudar definitivamente para Bangkok, tive imensos problemas a pagar a renda e o depósito do apartamento, de repente surgiram três milhões de despesas imprevistas ligadas à emssão dum visto e à minha legalização na Tailândia e eu, que já tinha um orçamento curto para os primeiros tempos, entrei em desespero. Felizmente, quem é que mais me ajudou na altura? A minha família. Sem eles, eu teria passado muito mal - ou não tratava dos meus assuntos ou não comia. Foi também um período de adaptação para o meu namorado e houve alturas em que a nossa relação e a nossa amizade foram testadas, por isso tivemos de estabelecer novas maneiras de nos mantermos à distância. Mas, no final do dia, a nossa relação continua saudável, não há discussões nefastas, não há dramas, só muita compreensão. Por outro lado, os meus amigos não se queixaram da minha falta de vontade para conversar e só agora é que começo a dar-lhes atenção outra vez. O que mais poderia eu desejar?

 

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 Faculty of Liberal Arts, King Mongkut's Institute of Technology Ladkrabang

 

Mas por que é que eu senti necessidade de escrever isto?

 

Quando me dão os parabéns pelo que consegui, a maioria das pessoas só vê o que está à frente, que sou eu a ser convidada para trabalhar noutro país a fazer aquilo que tinha estebelecido como meta para a próxima década, só que logo que acabei a licenciatura. Só me vêem a ser leitora numa universidade aos 21 anos.

A maioria não vê que muito do que consegui só se tornou possível por causa do trabalho dos bastidores. Por uma questão de justiça divina, decidi partilhar a minha (a nossa) situação, para que outros se possam sensibilizar quanto à importância das pessoas que nos rodeiam.

Raramente é possível fazermos seja o que for sozinhos, por nossa conta. Se enchermos a nossa vida de gente positiva e que nos faça bem, acabamos por criar uma rede por baixo dos nossos pés, que nos há-de amparar as quedas e fazer-nos saltar mais alto. Se não for a família, que seja a cara-metade. Se não for a cara-metade, que sejam os amigos. Se não forem os amigos, que sejam os colegas de trabalho. Provavelmente, falo de boca cheia, mas falo de boca cheia com muita gratidão e humildade perante a minha condição.

Trabalho todos os dias para provar que mereço o emprego que me deram, tenho sempre tido uma dose de sorte e felizes acasos que me dão uma ajudinha, e calhou-me ter nascido numa família cheia de vontade de me ajudar a concretizar as minhas ambições e ter conhecido os professores, os amigos e o namorado certos ao longo dos anos.

Sinto que quando me elogiam também elogiam, sem saberem, quem está por trás a manter tudo em ordem. Poder partilhar a minha felicidade e os meus feitos com outras pessoas é uma bênção. O "meu" mérito é de muita gente em simultâneo.

 

Espero que também vocês tenham quem vos apoie desta forma e a quem possam agradecer por serem parte da vossa identidade. Rodeiem-se de amor, esqueçam o que é tóxico e acreditem no que são capazes de fazer, tanto quanto quem vos garante que sim, vocês são capazes. Não tenham vergonha de ter falhas nem de pedir ajuda, desde que mais tarde possam pagar na mesma moeda, caso seja necessário. É para isso que as comunidades, desde os mais pequenos núcleos familiares até às sociedades e às nações, existem - para que nos possamos ajudar mutuamente.

Pode parecer que vos estou a encher a cabeça de clichés, que daqui a nada este blogue vira página lamechas, mas não me levem a mal: neste momento, sinto que tenho motivos de sobra para assumir a voz mais pseudo-motivacional de sempre. Não se preocupem, isto passa.

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