Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Na companhia de Anna Karenina

Por vezes, é preciso termos presente a ideia de que existe uma adaptação cinematográfica de um romance antes de nos aventurarmos a ler as suas cerca de mil páginas. Funciona como um incentivo, pelo menos para mim, que adoro comparar a história original ao filme que lhe corresponde, produzido mais de um século depois de ter sido escrita. Adoro os clássicos criados entre o fim do século XIX e o início do século XX e sinto-me um pouco fascinada pela literatura dessa época. A minha autora preferida da altura é, até agora, a Jane Austen, capaz de tornar uma descrição exaustiva num deleite para o coração e de construir personagens como poucos conseguem. Há uns dias, quando soube que "Anna Karenina", de Liev Tolstói, já foi adaptado e está quase a estrear nos cinemas, peguei, finalmente, no exemplar do romance que existe na biblioteca da minha escola e comecei a lê-lo. Surpreendi-me bastante: a escrita é relativamente simples, o vocabulário não é muito exigente e há grande destaque para a descrição das emoções e das relações entre as personagens. Poderia tratar-se de algo escrito em pleno século XXI, apenas retratando tempos passados! Entretanto, vou continuar a ler o livro, para depois ver o filme e cumprir a minha mania das comparações.

Vão levar com a "igualdade de oportunidades" no c... no rabinho!

Não sei se sabem mas... poderá começar a ser obrigatório pagar propinas no ensino secundário.
Orgulhamo-nos de viver num país ao nível dos mais desenvolvidos da União Europeia ou até do mundo, de haver igualdade de oportunidades para todos dentro da comunidade... mas, no fim de contas, igualdade de oportunidades só se for para os ricos.
Não nos venham encher a cabeça com porcarias, como se fôssemos todos burrinhos, nomeadamente nos livros de Geografia - eu sei do que falo. Ainda hoje, no século XXI, tentam fazer com que os jovens   acreditem numa data de mentiras, uma autêntica lavagem cerebral ao "povinho" - que nós é que mandamos, que o poder parte de nós, que as estatísticas provam o nosso grau de desenvolvimento relativamente ao resto do mundo, etc e tal.
Contudo, esta nova ideia constitucional vem provar exactamente o contrário, e só lhe ficará indiferente quem quiser. O acesso ao ensino, um dos direitos fundamentais de qualquer pessoa, está-nos a ser claramente negado. Já não chegava os nossos pais pagarem impostos exorbitantes, nem as "taxas simbólicas" que pagam no início de cada ano lectivo, nem o ensino superior estar cada vez mais caro, porque agora também pensam em cobrar umas propinas quaisquer no ensino secundário, sinónimo de mais despesas. E isto pouco tempo depois de ter sido instituída a escolaridade obrigatória até ao 12º ano! Sim, sim, esperem por essa. Se o panorama económico, financeiro e, consequentemente, social de Portugal permanecer como se encontra neste momento (já nem falo em piorar), voltaremos à cepa torta, em que as pessoas só conseguem estudar até ao 2º ou 3º ciclo, se tanto, à semelhança de há cinquenta anos atrás, quando éramos um país "retardado" (retardado sem aspas é aquele em que vivemos agora). Neste momento, há quem tenha dificuldade em ter dinheiro para comer, quanto mais para ir à escola!
Começo a acreditar piamente que não estamos a passar por uma mera época de austeridade. O que observo é a decadência de um país até à morte. Há quem consiga fugir, há quem esteja de pernas e mãos atadas. Os "sobreviventes" são uma minoria, a classe média entrou em vias de extinção e não existe governante nenhum que conserve o mínimo de respeito pelos seus compatriotas.
Enquanto estudante, esta notícia deixou-me revoltada. Não digo que o tenha ficado por mim, dado que estou prestes a terminar a "escolaridade obrigatória", mas não deixei de o ficar por todos os jovens que vivem e viverão em Portugal enquanto esta realidade vigorar. O que poderá parecer uma mera notícia, é mais um passo gigante para o desespero.
Espera-se sempre que um país progrida com o decorrer dos anos. Portugal está a regredir.

SAY WHAT?

Um gigantesco e sonoro "vão-se lixar!" para quem me garantiu que o 12º seria mais fácil que o 10º e, principalmente, que o 11º ano. Balelas. Esses amigos da onça... E eu, ingénua, acreditei de boa fé! Convinha-me acreditar e acabei assim: desiludida. Seria fácil, seria - cinco disciplinas de estudo, incluindo a melhoria. Canja de galinha, frango, perú. Seria açorda, pronto. Mas a minha realidade não é essa: estudo o dobro do tempo com o triplo da intensidade do ano passado (que já era mais do que no anterior) e não vejo resultados proporcionais. As notas baixam, o ego retrai-se e uma pessoa tem de aprender a conviver com o facto de que, ainda por cima, lhe calharam os professores mais picuinhas - nem sempre num bom sentido. Bolas... pois eu é que me lixo, enquanto esses parolos já se bamboleiam pela universidade, "que espertos que eles são".

Algo que poderá fazer de mim uma má pessoa

Quando alguém meu "amigo" no Facebook actualiza o seu estado para «numa relação» ou «casado», eu penso "não vai durar um mês até voltar a estar «solteiro»".
Quando ele/ela actualiza, como previsto, o seu estado para «solteiro» ao fim de duas semanas, eu penso "não vai durar dois dias até se reconciliarem".
Quando voltam a estar «numa relação»/«casados» trinta horas depois, eu penso "após mais incidentes destes, o namoro não vai sobreviver ao quarto mês".
Quando, ao fim de seis semanas e meia, é actualizado um «solteiro» definitivo, eu penso "LOL, só não adivinho no Euromilhões".

Sinto-me ligeiramente culpada por ter pensamentos destes a deambularem-me na cabeça, esses bichos. Porém, acabo por ter alguma razão, o que ainda me deixa mais aparvalhada, porque do que eu gosto realmente é de paz e amor... mesmo que seja no Facebook, e não que as minhas expectativas (cada uma mais negativa que a anterior) se concretizem.

"Para Sempre, Talvez"

Há uns dias, o filme "Para Sempre, Talvez" foi transmitido na TVI e eu, naturalmente atraída por histórias com títulos lamechões, ainda mais se forem protagonizados pelo Ryan Reynolds (que, além de ser um trintão gostoso, também é um excelente actor de comédias românticas) e pela Isla Fisher (umas das actrizes mais bonitas de Hollywood) tive mesmo de o gravar para o poder ver mais tarde. Esse "mais tarde" foi hoje à hora do lanche e soube-me mesmo bem enrolar-me na manta a comer torradas e a reflectir sobre a ficção que em tanto aldraba a vida real.
Mas como por vezes a ficção, desde que não em doses excessivas, não faz mal ninguém, lá me alapei no sofá, como se a minha vida sentimental fosse um caco (não é) e não houvesse nada de mais útil para fazer em casa (mentira).
Para variar, o Ryan Reynolds não conseguiu conquistar-me no papel de pai, dada a sua aparência demasiado juvenil para quem já está mais perto dos quarenta que dos trinta. Lá tive de fazer um esforço e imaginar que a Abigail Breslin era filha dele. Contudo, não deixei de gostar do seu desempenho, pois é humanamente impossível alguém ter outra opinião. Quanto à Isla Fisher e às restantes actrizes, a Rachel Weisz e a Elizabeth Banks, também estiveram bem, principalmente a Rachel, que eu já conhecia de outros filmes. O enredo podia não ser genial, mas não se pode dizer que um romance lamechas cinematográfico exija muito. Estava no ponto. Nem demasiado previsível, nem demasiado elaborado, envolvendo um conflito engraçadito (amigos que passam anos e anos a tentarem ser mais do que isso, acontecendo sempre algo que os impede) e, como eu também não sou uma espectadora demasiado rígida, assim passei uma boa hora e meia. Recomendo, 4/5.


Argumentação, falácias e discussões do arco da velha

Em Filosofia, temos andado a estudar o domínio da argumentação e da retórica, pelo que a professora decidiu mandar-nos fazer trabalhos de grupo sobre alguns temas da actualidade, para que os pudéssemos discutir em aula, explorando e praticando a matéria em questão. Infelizmente, existem sempre uns tantos unicórnios (não sabia o que mais lhes havia de chamar sem parecer ofensivo) que adoram dar exemplos da sua vida pessoal ou outros sem cabimento para exporem a sua opinião. E esses exemplos até poderiam ser aceitáveis, desde que fossem adequados à aula. Na de hoje, duas colegas minhas chegaram a expressar convictamente o quanto querem ser mães, pois é o seu maior desejo!!! Mas quem quer saber dos desejos delas?! Queremos é discutir o aborto, minhas caras! São apenas miúdas de dezassete ou dezoito anos que já de si andam um bocado perdidas, quanto mais pensando em bebés! Ninguém falou em instintos maternais apurados precocemente. Ninguém vos perguntou se há um ano pensavam que estavam grávidas e o quanto se estavam borrifando se vos olhariam de lado ou não! No entanto, não foi surpresa nenhuma que essas minhas colegas descambassem em exemplos demasiado pessoais, visto que já nas duas aulas anteriores de apresentação de trabalhos tiveram que dar o seu parecer, fazendo-se de coitadinhas quando abordámos a crise ("a minha mãe e o meu padrasto estão desempregados!") ou o tráfico humano ("eu conheço esta e aquela mulher que vai ali à recta de Coina trabalhar porque o marido a obriga!"; "há uma miúda ao pé da minha casa que se prostitui porque a mãe quer que ela o faça!" - porque elas conhecem TODA a gente) e esquecendo-se de ser minimamente racionais e objectivas. No fundo, elas gostam é de armar peixeirada com o resto da turma. Até já cheguei a temer que, a certo ponto, ainda acabassem agarrados aos pescoços uns dos outros. Sempre quero ver o que me reservam para a apresentação do trabalho do meu grupo...
Agora, é a minha vez de opinar: isto não é Filosofia, não é estudo cívico, não é retórica - isto não é nada senão a prova do histerismo adolescente que reina nas escolas secundárias. Tenho dito.

oh não, é "true love"


Já existem vídeos sobre "amor verdadeiro" no Youtube, protagonizados por pré-púberes de catorze anos (sem miolos, por sinal)! À laia da experiência, decidi ver este e, sem surpresas, achei a coisa mais deprimente de sempre. Aquilo que mostra não é amor verdadeiro: são apenas dois adolescentes patetas, exibicionistas e sem nada para fazer que, querendo mostrar ao mundo o quão felizes são durante a primeira semana de namoro, resolveram filmar alguns momentos previamente encenados e ridiculamente parvos, descontextualizados. Porém, como a estupidez é pouca, os amigos ainda acrescentam comentários de comoção ao vídeo, para melhorar a festa. Sim, o amor é lindo e eles ficam tão fofos juntos. Ai, que inveja que eles têm do casalinho maravilha! Ai, tanta partilha no Facebook, "também quero, também quero!".

Oh gente, o amor não é isso, 'pá. O amor não é ser-se jovem e palerma, dar-se beijinhos, ter-se contacto físico e dizer-se "amo-te" porque fica bem, muito menos fazer de conta que tudo são rosas para iludir outros tantos palerminhas com falta de mimo. Não é fazer promessas de paixão eterna a alguém aos 14 anos, nem esperar que fiquem juntos para todo o sempre. 

Eu não faço a mínima ideia do que significa "amor verdadeiro", mas há pessoas que ainda sabem menos do que eu.

Pág. 1/11