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A ciência da trivialidade

por BeatrizCM, em 28.09.13

Os telejornais da televisão portuguesa já são suficientemente maus num dia normal, em que se pode falar da so called política que neste país se pratica, mas, no dia de reflexão antes das eleições... a produção de conteúdos acerca das compotas da Ti Marília e do cão do vizinho Chico (entre outros) ganha uma outra dimensão, muito, muito mais avançada, como que elevada à categoria de ciência!

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Lluvia, ¿porqué no te vas?

por BeatrizCM, em 27.09.13

Hoje, iniciei a minha rotina matinal, às 6h da manhã, analisando a roupa que escolhi ontem para vestir. Não servia - demasiado fresca e permeável. Troquei de conjunto. E outra vez. E outra. E outra. Depois veio o drama dos sapatos. Que sapatos??? Ténis, pensei. Haveria de ser a escolha mais sensata, dada a carga de água que caía lá fora e as poças que fazia. Porém, à custa destas "escolhas sensatas", passei um calor dos diabos durante todo o dia e, mesmo agora, a circulação dos meus pés ainda não regressou ao seu estado normal (morre, meia-estação, morre!).

Como uma desgraça não vem só, o chapéu-de-chuva que a minha tia me emprestou estava, afinal, avariado e os ex.mos senhores automobilistas juntaram-se à conspiração e decidiram que as passadeiras à saída do Metro da Cidade Univerisitária só servem para enfeitar. O quê??? Uma mocita aflita, em pleno confronto com um chapéu-de-chuva defeituoso, com uma mochila e uma lancheira enormes e pesadíssimas às costas??? 'Bora mas é fazer-nos à estrada, que pelo menos o pessoal vai aqui dentro do carro e a chuva é para os parvos. Escusado será mencionar o estado em que cheguei à faculdade.

Por fim (não finalmente, que nem dez horas da manhã eram), a seguir à aula de Espanhol, chegou o meu salvador (uma salva de palmas para os namorados atenciosos!), que respondeu ao meu apelo de socorro e me levou UM CHAPÉU-DE-CHUVA DECENTE. AAAH!!! E é de frisar que, apesar de quase ter sido derrubada por várias rajadas de vento ao longo do resto do dia, NUNCA MAIS VOLTOU A CHOVER, CANECO.

Com isto, apenas quero concluir que gosto muito de chuva, mas só quando me encontro sã e salva debaixo do tecto da minha rica casinha, a ouvi-la cair no telhado e nada mais.

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Harry Potter e a Idade e o Uso Não Perdoam

por BeatrizCM, em 26.09.13

Todos os meus livros estão extremosamente bem estimados. Tenho-lhes muito, muito amor. A minha roupa está quase sempre amarfanhada e deixada ao deus-dará nos armários (desculpa, avó!), tenho bugigangas espalhadas por tudo quanto é sítio e, no geral, sou uma desarrumadora compulsiva (até ao momento em que me revolto comigo mesma e decido levar a cabo uma reviravolta de arrumação e limpeza milimétrica, para aí de três em três meses). Mas, como eu vos estava a contar antes deste breve devaneio, procuro deixar os meus livros o mais imaculados possível enquanto os leio. Não os enfio ao calhas nas mochilas, não escrevo em cima delas, não os abro até vincar a lombada e evito dobrar-lhes os cantos às capas. Ah, e raramente os empresto, não se vá dar o caso...

No entanto, agora que ando a reler todos os livros do Harry Potter (actualização: 4 lidos em 7), ao fim de algum tempo sem lhes pegar, começo a reparar e a relembrar como os tenho deixado ao longo dos anos. Sim, são livros que têm muitos anos... E que têm tido uma existência deveras atarefada, muito lidos e remexidos, sem descanso em certas alturas! Ainda por cima, a qualidade do papel e das capas deles não é a melhor - pelo menos, as versões originais em português que eu tenho, não se tratam dessas novas edições todas pimpolhas que decidiram lançar há coisa de uma dúzia de meses.

O que se encontra em pior estado é o "Harry Potter e o Cálice de Fogo". Acabei de o ler ainda agora e tem a capa dobrada, os cantos maltratados e o exterior das páginas um bocado amarelado (apesar de, no interior, se encontrar branquinho de neve... ai de mim...!). Os restantes, na sua maioria, estão praticamente como se tivessem acabado de sair do escaparate do supermercado, tirando um ou outro, que a idade toca a todos, mesmo aos livros.

Os meus Harry Potters são os meus filhos pródigos, os meus mais-que-tudo, que podem não ser as melhores obras literárias do mundo, mas que têm um significado pessoal e emocional para esta que vos escreve e que não se iguala ao sentimento que reserve para outro livro qualquer. Podem ter um aspecto rafeiroso, mas não é à falta de estima, muito pelo contrário. Essas máculas são a prova de como saíram imensas vezes das prateleiras, de que nunca deixei de lhes arranjar um propósito na minha vida e de que precisei deles. Da companhia deles, ponhamos a situação nestes termos. Foram os primeiros livros por que me apaixonei - ou a minha primeira grande paixão, antes de qualquer outro marmanjão pelo qual tenha estado embeiçada nos primórdios da minha adolescência. Lembro-me de ter andado a juntar mesadas para os comprar, lembro-me de a Inês ter os dois primeiros livros e de mos ter dado porque não os apreciava, lembro-me de o "Harry Potter e a Ordem da Fénix" estar esgotado em todo o lado e de tê-lo andado a procurar incansavelmente, lembro-me de ter tido uma gripe terrível e de a minha avó me ter oferecido o "Príncipe Misterioso", lembro-me de andar ansiosa durante semanas pela saída dos "Talismãs da Morte", porque a Cassandra me tinha emprestado a versão inglesa, mas eu ainda não dominava a maior parte das palavras e tornava-se difícil entender tudo.

 

Ou seja, quanto mais "bato" aos meus Harry Potters, mais gosto deles. Cheios de vincos, mas desmesuradamente preciosos e adorados.

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What if the world lost oxygen for 5 seconds?

Retirado daqui.

Acho que nenhum de nós alguma vez imaginou que os resultados destes breves cinco segundos chegassem a ser tão catastróficos!

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O terror dos nossos dias

por BeatrizCM, em 24.09.13

Já não me chegam as maratonas de oito e dez horas de aulas às terças e quintas-feiras, não me chega ir trabalhar dia sim, dia não, não me chega o calor de sauna que faz dentro das salas da FLUL (mesmo antes das oito da manhã) e ainda tenho de aguentar com os transportes públicos! Eh pá, pronto, em Julho e Agosto aguentou-se a situação - o pessoal andava em férias e a afluência nos autocarros, nos comboios e no metro foi menor - mas a partir da segunda semana de Setembro deixei praticamente de poder mexer um músculo mal entro nos ditos cujos. No autocarro, tenho sempre de ir em pé. No comboio, é o salve-se quem conseguir chegar primeiro e puder arranjar um lugar a correr. No metro, como saio logo na estação seguinte, limito-me a encostar-me à parede e acabou. Chego a levar noventa minutos de viagem, caneco! É obra! (Fora o tempo que gasto à espera que os transportes cheguem.)

Eu nem sou das pessoas mais refilonas quanto ao assunto em questão, consigo viver pacificamente com esta mágoa que me afecta o sistema nervoso no meu dia-a-dia, mas hoje tive de passar vinte minutos do meu regresso a casa sentada nas escadas do comboio, toda encolhidinha e conformada com a minha sorte de não ser uma das outras pessoas que me esmagavam e que tinham de ir em pé.

Fertagus... why do you do this to me? Why do you do this to us?

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