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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

A ciência da trivialidade

Os telejornais da televisão portuguesa já são suficientemente maus num dia normal, em que se pode falar da so called política que neste país se pratica, mas, no dia de reflexão antes das eleições... a produção de conteúdos acerca das compotas da Ti Marília e do cão do vizinho Chico (entre outros) ganha uma outra dimensão, muito, muito mais avançada, como que elevada à categoria de ciência!

Lluvia, ¿porqué no te vas?

Hoje, iniciei a minha rotina matinal, às 6h da manhã, analisando a roupa que escolhi ontem para vestir. Não servia - demasiado fresca e permeável. Troquei de conjunto. E outra vez. E outra. E outra. Depois veio o drama dos sapatos. Que sapatos??? Ténis, pensei. Haveria de ser a escolha mais sensata, dada a carga de água que caía lá fora e as poças que fazia. Porém, à custa destas "escolhas sensatas", passei um calor dos diabos durante todo o dia e, mesmo agora, a circulação dos meus pés ainda não regressou ao seu estado normal (morre, meia-estação, morre!).

Como uma desgraça não vem só, o chapéu-de-chuva que a minha tia me emprestou estava, afinal, avariado e os ex.mos senhores automobilistas juntaram-se à conspiração e decidiram que as passadeiras à saída do Metro da Cidade Univerisitária só servem para enfeitar. O quê??? Uma mocita aflita, em pleno confronto com um chapéu-de-chuva defeituoso, com uma mochila e uma lancheira enormes e pesadíssimas às costas??? 'Bora mas é fazer-nos à estrada, que pelo menos o pessoal vai aqui dentro do carro e a chuva é para os parvos. Escusado será mencionar o estado em que cheguei à faculdade.

Por fim (não finalmente, que nem dez horas da manhã eram), a seguir à aula de Espanhol, chegou o meu salvador (uma salva de palmas para os namorados atenciosos!), que respondeu ao meu apelo de socorro e me levou UM CHAPÉU-DE-CHUVA DECENTE. AAAH!!! E é de frisar que, apesar de quase ter sido derrubada por várias rajadas de vento ao longo do resto do dia, NUNCA MAIS VOLTOU A CHOVER, CANECO.

Com isto, apenas quero concluir que gosto muito de chuva, mas só quando me encontro sã e salva debaixo do tecto da minha rica casinha, a ouvi-la cair no telhado e nada mais.

Harry Potter e a Idade e o Uso Não Perdoam

Todos os meus livros estão extremosamente bem estimados. Tenho-lhes muito, muito amor. A minha roupa está quase sempre amarfanhada e deixada ao deus-dará nos armários (desculpa, avó!), tenho bugigangas espalhadas por tudo quanto é sítio e, no geral, sou uma desarrumadora compulsiva (até ao momento em que me revolto comigo mesma e decido levar a cabo uma reviravolta de arrumação e limpeza milimétrica, para aí de três em três meses). Mas, como eu vos estava a contar antes deste breve devaneio, procuro deixar os meus livros o mais imaculados possível enquanto os leio. Não os enfio ao calhas nas mochilas, não escrevo em cima delas, não os abro até vincar a lombada e evito dobrar-lhes os cantos às capas. Ah, e raramente os empresto, não se vá dar o caso...

No entanto, agora que ando a reler todos os livros do Harry Potter (actualização: 4 lidos em 7), ao fim de algum tempo sem lhes pegar, começo a reparar e a relembrar como os tenho deixado ao longo dos anos. Sim, são livros que têm muitos anos... E que têm tido uma existência deveras atarefada, muito lidos e remexidos, sem descanso em certas alturas! Ainda por cima, a qualidade do papel e das capas deles não é a melhor - pelo menos, as versões originais em português que eu tenho, não se tratam dessas novas edições todas pimpolhas que decidiram lançar há coisa de uma dúzia de meses.

O que se encontra em pior estado é o "Harry Potter e o Cálice de Fogo". Acabei de o ler ainda agora e tem a capa dobrada, os cantos maltratados e o exterior das páginas um bocado amarelado (apesar de, no interior, se encontrar branquinho de neve... ai de mim...!). Os restantes, na sua maioria, estão praticamente como se tivessem acabado de sair do escaparate do supermercado, tirando um ou outro, que a idade toca a todos, mesmo aos livros.

Os meus Harry Potters são os meus filhos pródigos, os meus mais-que-tudo, que podem não ser as melhores obras literárias do mundo, mas que têm um significado pessoal e emocional para esta que vos escreve e que não se iguala ao sentimento que reserve para outro livro qualquer. Podem ter um aspecto rafeiroso, mas não é à falta de estima, muito pelo contrário. Essas máculas são a prova de como saíram imensas vezes das prateleiras, de que nunca deixei de lhes arranjar um propósito na minha vida e de que precisei deles. Da companhia deles, ponhamos a situação nestes termos. Foram os primeiros livros por que me apaixonei - ou a minha primeira grande paixão, antes de qualquer outro marmanjão pelo qual tenha estado embeiçada nos primórdios da minha adolescência. Lembro-me de ter andado a juntar mesadas para os comprar, lembro-me de a Inês ter os dois primeiros livros e de mos ter dado porque não os apreciava, lembro-me de o "Harry Potter e a Ordem da Fénix" estar esgotado em todo o lado e de tê-lo andado a procurar incansavelmente, lembro-me de ter tido uma gripe terrível e de a minha avó me ter oferecido o "Príncipe Misterioso", lembro-me de andar ansiosa durante semanas pela saída dos "Talismãs da Morte", porque a Cassandra me tinha emprestado a versão inglesa, mas eu ainda não dominava a maior parte das palavras e tornava-se difícil entender tudo.

 

Ou seja, quanto mais "bato" aos meus Harry Potters, mais gosto deles. Cheios de vincos, mas desmesuradamente preciosos e adorados.

O terror dos nossos dias

Já não me chegam as maratonas de oito e dez horas de aulas às terças e quintas-feiras, não me chega ir trabalhar dia sim, dia não, não me chega o calor de sauna que faz dentro das salas da FLUL (mesmo antes das oito da manhã) e ainda tenho de aguentar com os transportes públicos! Eh pá, pronto, em Julho e Agosto aguentou-se a situação - o pessoal andava em férias e a afluência nos autocarros, nos comboios e no metro foi menor - mas a partir da segunda semana de Setembro deixei praticamente de poder mexer um músculo mal entro nos ditos cujos. No autocarro, tenho sempre de ir em pé. No comboio, é o salve-se quem conseguir chegar primeiro e puder arranjar um lugar a correr. No metro, como saio logo na estação seguinte, limito-me a encostar-me à parede e acabou. Chego a levar noventa minutos de viagem, caneco! É obra! (Fora o tempo que gasto à espera que os transportes cheguem.)

Eu nem sou das pessoas mais refilonas quanto ao assunto em questão, consigo viver pacificamente com esta mágoa que me afecta o sistema nervoso no meu dia-a-dia, mas hoje tive de passar vinte minutos do meu regresso a casa sentada nas escadas do comboio, toda encolhidinha e conformada com a minha sorte de não ser uma das outras pessoas que me esmagavam e que tinham de ir em pé.

Fertagus... why do you do this to me? Why do you do this to us?

Manifesto de uma universitária recém-nascida

Gosto mesmo de ser universitária, gosto muito! É certo que só o sou há cerca de dois dias, mas acho que já foram suficientes para me deixarem entender que isto já não se compara ao ensino secundário – decadente, desencorajador, ineficiente na real aprendizagem e desenvolvimento do espírito crítico, prestando-se mais a empinanços de matérias e mais matérias, umas sobre as outras, segundo critérios de avaliação rígidos, pouco propícios ao cultivo de capacidades como as da imaginação ou da reflexão.

Já tive uma aula de cada cadeira deste semestre. Cada professora (todas as cinco são mulheres) há-de ter, eventualmente, os seus defeitos enquanto docente, mas, até ao momento, a motivação que mostram já me deixou também bastante receptiva aos três meses que se seguem.

Essa é outra – apesar de se chamarem semestres, os dois períodos universitários são constituídos, aproximadamente, por três meses. Os restantes seis meses do ano são preenchidos ou por avaliações ou por férias. Temos um tempo muito limitado para a aquisição dos conhecimentos a que todas as aulas nos obrigam, mas eu sei que vai valer a pena.

Vai valer a pena!

Por fim – ao fim de muito tempo – sinto-me com vontade de trabalhar e de estudar e de fazer o que me é pedido. Por fim, identifico-me com o sistema de ensino. Por fim, sinto-me como um peixe dentro de água, no meu elemento.

Gosto de tudo o que é suposto fazer – ler, reflectir, ler, trabalhar, ler, discutir. Ler, ler, ler. E falar e pensar. Gosto tanto. Gosto, gosto, gosto!, é o que me apetece dizer a toda a hora. Ou melhor: adoro. Pelo menos, até agora, mas os prenúncios são animadores.

Acho que não me vou dar mal na faculdade.

Desertora de praxes - AQUI!

Durante estes últimos dias, comecei a ficar um pouco confusa no que toca à minha opinião sobre as praxes. Quais os benefícios? Quais as desvantagens? Afinal, o que é que se ganha e se perde? Apesar de a minha posição inicial ter sido "eu faço as praxes, porque quero experimentar tudo o que tenha que ver com a vida académica, além de que é uma tradição", surgiu-se-me um impasse inesperado com o aproximar do primeiro dia de faculdade (hoje!).

 

Em primeiro lugar, como já devem ter percebido mais ou menos, eu faço parte daquele grupo de pessoas que gosta é de cumprir com horários e compromissos, certinha e - digamos-  ajuizada q.b.. No que toca à escola, ainda mais o sou, e com assuntos como este não se brinca. Portanto, quando me falaram em "ter, eventualmente, que faltar para poder participar nas praxes", não achei piadinha nenhuma. O quê...???! Faltar logo às primeiras aulas do ano/da faculdade???! Nem pensar, fora de questão! Por muito que me garantam que, aos professores, tanto se lhes dá, a mim é uma coisa que me importa, não estar presente no momento das apresentações ou, possivelmente, perder matéria. Isto era o que me deixava menos atraída pelas praxes, mas há mais...

Há praxes e praxes, não é verdade? Há umas que valem a pena e outras que são uma bela bosta. Pelo que tinha ouvido dizer, as da FLUL nem sequer eram por aí além, assim meias fracotas e sem muito interesse. Meh. Só vendo... - tal como o tipo de veteranos/doutores que por lá houvesse.

 

Mas eu tinha taaaaaaaaaanta curiosidade!

 

Deste modo, restava-me uma única alternativa - experimentar a dita da praxe, já que hoje até seria um dia totalmente livre. Tive para aí dois segundos para pensar, enquanto saía nas cancelas do Metro ("és de Direito?, és de Direito?, és de Direito?", perguntava um mar de trajados... de Direito) e avistava, lá ao fundo, perto da saída, meia dúzia de doutores com cartões-à-aeroporto, clamando por caloirinhos fresquinhos de Letras. Ia ou não ia?

 

E fui, nem que fosse só para tirar as teimas!

 

Tentar nunca matou ninguém, é certo. Infelizmente, ia-me matando a mim. De tédio, pela desorganização da praxe e pelas sucessivas tentativas pouco esmeradas de improviso por parte de veteranos e doutores. De enjôo, depois de me pôrem a rebolar na relva. De dor e comichão, porque aqui a je ia toda fresqujnha de calções e de cavas e ficou toda arranhada. De cansaço, por ter sido obrigada a rastejar e a correr atrás de um doutor infiltrado, disfarçado de caloiro desobediente, que tínhamos de apanhar e esmagar num moche. De sujidade, pelas porcarias com que me borraram (pff, devem ser mesmo pinturas faciais, a julgar pela esfregadela que já dei ao meu braço esquerdo e continuar a lá estar escrito "CALOIRA CC"), inclusivamente nas unhas que eu tinha arranjado e pintado ainda ontem à tarde! E não me chamem picuinhas, porque, se a experiência tivesse valido a pena, eu nem me queixava, limitando-me a passar um algodão de acetona pelo assunto!

OK, a intenção foi boa, o pessoal até era bacano, mas eu não me identifiquei com a praxe. Até posso dizer que - pronto, pronto - não foi mau de todo e sempre deu para me ambientar, nem que tenha sido um bocadichinho de nada, mas mais não posso dizer. Não é nada contra quem goste e faça questão de praxar e ser praxado... Contudo, pessoalmente, podia ter passado sem aquelas míseras três horas (ao fim das quais me escapuli porque "tinha de ir trabalhar").

 

Desertei da minha praxe, não me orgulho, mas lá é que eu não volto.

 

 

(Nota: a hierarquia, do menos para o mais "privilegiado", é a seguinte: caloiro (1º ano), doutor (2º/3ºano), veterano (aquele que já lá anda por gosto, chamemos-lhe assim.)

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