Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Dos outros #36

"Acaso alguém seja melhor nalguma coisa que os outros, a regra portuguesa é pedir-lhe que tenha a polidez e o espírito de solidariedade para agir tão mal como o pior. Assim todos, maus ou bons, podem gozar do privilégio reconfortante e demoracrático de dizer: «Ouve lá, se eu quisesse, fazia melhor... mas, para quê, se são todos tão mauzotes, coitados...?» A incompetência portuguesa nada tem de natural: é um conluio maciço, um autêntico contrato social. Quantas vezes perguntamos, atónitos diante de qualquer produção colectiva, cultural, económica ou político: “Como é possível que tantas pessoas, tão inteligentes e talentosas, tenham conseguido fazer tamanha cegada"


Miguel Esteves Cardoso, "Mediocridade", in A Causa das Coisas

Os melhores amigos do mundo são os meus

Tenho os melhores amigos do mundo. É uma escolha pessoal, é certo, mas não consigo levar a sério quem se faz rodear de gente de quem não gosta e que passa a vida a queixar-se que só conhece é gente falsa, e gente cínica, e gente parvalhona, passada dos piolhos. Só não conhecem melhor gente porque não querem. Sempre ouvi dizer que "mais vale sozinho do que mal acompanhado". Felizmente, não estou sozinha e, simultaneamente, encontro-me sempre bem acompanhada.

Acho que, em geral, a época estúpida da minha vida já passou. Já fui parva q.b.; já fiz toda a porcaria (para não lhe chamar outra coisa muito pior) que havia a fazer e, agora, tenho uma vida equilibrada e ajuizada pela frente, em construção. Foi a partir do momento em que senti isso que comecei a olhar para os meus amigos doutra maneira: só são realmente amigos aqueles com quem me vejo relacionar daqui por muito, muito tempo, quem quero continuar a ver frequentar a minha casa, mesmo quando já houver criancinhas - que não nós - à mistura, quem permanecerá na lista para as prendas de Natal e para os eventos mais importantes. Ainda somos (praticamente) miúdos, mas eu já sei que, para ser adulta, só se for com eles. Aliás, acho que, quando temos amigos de infância ou de juventude, é como se nunca crescêssemos realmente. Tenho essa sensação e espero continuar a prová-la pelos anos fora.

Os meus amigos são especiais porque, não sei bem, ou fui eu que os escolhi, ou foram eles que me escolheram. E, quando as pessoas nos escolhem, é difícil dizer-lhes que não. Afinal, enquanto humanos, somos criaturas narcisistas, egocêntricas, sedentas de afecto alheio – logo, gostamos que gostem de nós… E, inevitavelmente, também gostamos de quem gosta de nós.

Os melhores amigos do mundo são os meus, porque, quando se juntam, mesmo que não sejam realmente próximos uns dos outros, parecem-no. Mesmo que “amigo não empate amigo”, é possível reuni-los todos sem confusões. Muito pelo contrário, parecem feitos à medida do grupo. Eu sou sempre a vítima da sua conspiração, aquela de quem fazem pouco, o objecto da piada, o elo mais fraco. Literalmente. Sou o elo e é isso que eu quero ser eternamente. Dentro das minhas fraquezas, faz-me sentir mais forte.

Os meus amigos têm um sentido de humor mordaz, são uns tarados de primeira categoria, gostam de comer compulsivamente, gostam de falar alto, de rir alto, e são óptimos amigos, ao mais alto nível. É disso que toda a gente necessita, não é?

E foi assim que conheci o José Luís Peixoto

Cada vez que leio um livro e investigo quem o escreveu, tento distanciar-me da real figura do autor, em comparação à figura narrativa, a quem pertence a voz das palavras, que formulo mental e inevitavelmente. Por vezes, destoam uma da outra. Podemos nem sequer ficar agradados pela imagem física do sujeito, ou pelo seu percurso pessoal - não vamos com a cara dele, e depois? - enquanto a beleza e simpatia do escritor imaginado nos encantam.

Já me cruzei com alguns autores assim que, ao fim duma fila para autógrafos, se revelam uma autêntica desilusão. Arrogantes, inacessíveis, apressados, de palavra difícil. A custo, combato as péssimas impressões que me deixam, recalcando a experiência, tanto quanto possível. Normalmente, sou bem-sucedida nesse processo. Afinal, todas as pessoas têm defeitos. Portanto, por que não haveria aquele ser humano - que, por acaso, escreve livros de que gosto - de ter?

Contudo, felicidade das felicidades, algo incrível, um dos meus escritores favoritos - se não o favorito - correspondeu, em carne, pele e osso, às expectativas que o seu "eu" literário tem depositado em mim ao longo dos últimos (quase) dois anos. 

Hoje, José Luís Peixoto, vulto-maior - de acordo com a minha humilíssima opinião de leitora seguidora - da literatura portuguesa do século XXI, provou que a escrita pode, realmente, reflectir o carácter do seu autor. O JLP é um bacano, cheio de carisma e piada, um excelente orador. E juro que não estou a exagerar, justifica-se toda a minha admiração pelo seu trabalho.

O JLP a falar sobre a escrita de viagens na minha faculdade... Eu, cheia de coragem para, no final, lhe colocar questões (e aos outros dois convidados, Tiago Salazar e Loïc Pedras), e para lhe pedir que me autografasse o seu "Abraço", e para lhe pedir que tirasse uma fotografia comigo. Eu a dizer-lhe que estou a fazer um trabalho para Cultura e Sociedade, cujo ponto de partida é um livro dele.

Quanto ao JLP-pessoa e ao JLP-escritor, não os separarei na minha cabeça. Um coincide com o outro, são unos na sua personalidade, são os dois o mesmo indivíduo.

Tive muito gosto em conhecê-lo.

 

 

 

 

O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem, o tempo respondeu ao tempo que o tempo tem o tempo que o tempo tem - mas o meu tempo parece ter mais tempo do que o vosso, just sayin'...

Um dia, hei-de entender como é que há pessoas que são capazes de abdicar de uma boa noite de sono porque precisam de estudar ou de fazer trabalhos, e que, por vezes, se afogam em café e bebidas energéticas para manterem a concentração. Encharcam-se neles, assim sem mais nem menos.

Portanto, ou o meu curso é muito fácil, ou eu sou pouco exigente, ou os outros é que estão em cursos destinados a formar pequenos génios, ou eles é que têm objectivos muito elevados. Porque a probabilidade de eu dormir menos do que seis horas e meia por noite para pôr os assuntos da faculdade em ordem é praticamente nula – e isto está a ser escrito pela pior gestora de tempo que poderão conhecer, que se distrai constantemente! Nem enquanto tive de trabalhar e estudar em simultâneo me permiti cometer tal atrocidade para com o meu cérebro.

Sabem… é que o meu cérebro precisa realmente que eu durma, senão põe-se a fazer birra e faz com que eu ande, involuntariamente, a dormir durante o dia aquilo que me recusei dormir à noite. Basta não dormir, pelo menos, sete horas por noite, para que ele me chague a paciência e me condene a comportar-me como um zombie até lhe fazer a vontade.

O meu método é ir dormir o mais cedo possível. A partir das oito da noite, principalmente depois do jantar, a minha mioleira fica dormente e qualquer actividade que implique um esforço mínimo da sua parte é rejeitada. Fico em branco. A partir dessa hora, até a Casa dos Segredos se torna um programa altamente problemático de acompanhar. Deste modo, chego a adormecer constantemente antes de o telejornal acabar, nem que seja no sofá.

Na manhã seguinte, levanto-me cedo. São raras as ocasiões em que acordo depois das oito ou nove horas. Até ao almoço, os meus recursos intelectualóides encontram-se no pico da sua actividade, fazendo deste período do dia o mais propício para estudar ou para fazer trabalhos. Assim, resta-me fazer revisões e ir às aulas à tarde, dormir à noite e… acabou-se! Em suma, prefiro dormir e ter notas menos boas, do que não dormir e ter… - esqueçam, eu nunca teria boas notas sem dormir!

Ora, tenho sabido de imensa gente, entre amigos e conhecidos, que é capaz de fazer directas, como se permanecer uma noite em claro fosse algo completamente normal e absolutamente aceitável! Credo, minha rica sanidade! Apesar de regadinhas com cafeína a litros e outros estimulantes para isto e para aquilo, como é que estas criaturas serão capazes de enfrentar as aulas e, até, a vida social??? Digam-me, gente… Como? Se eu já me vejo grega, troiana, romana, banana, para sair da cama com oito descansadas horas de sono, pergunto-me qual será o segredo de quem nem de metade usufrui. Está bem, raramente bebo café, nunca gostei de outras bebidas que não fossem refrigerantes e néctares sem gás e o único suplemento vitamínico que tomo é para fortalecer o cabelo e as unhas, maaaaaas… Vá lá, mesmo quando ataco um ou dois cappuccinos duma vez, acabo inevitavelmente a cair para o lado antes das onze da noite!

Assim sendo, expliquem-me, criaturas que estudam seja o que for e que não se importam de não dormir o que o vosso corpo pede que durmam, por que é que vocêses têm tanta falta de tempo, apesar de parecerem todos tão organizadinhos? De quem é a culpa? Vossa? Dos bichos de mil-cabeças que são os vossos cursos? Da pressão dos vossos pais, da pressão dos professores, da pressão da sociedade e do mercado de trabalho? Agradecia esclarecimentos, porque começo a pensar que sou a única universitária a não estudar mais de três horas por dia e a manter os seus hobbies mediocremente em activo, sem precisar de abdicar de um satisfatório horário de descanso.

Este blogue e respectiva autora estão nas redes sociais

https://www.facebook.com/procrastinartambemviver

 

 

 

 

http://www.goodreads.com/user/show/12656236-beatriz-canas-mendes

 

 

 

http://ask.fm/beatriizhelena

 

 

Seria impensável não ter uma página de Facebook dedicada ao blogue, nem que seja só para publicar pensamentos fugazes que não se justificaria aparecerem aqui.

Também seria impensável uma Leitora Hiperactiva Anónima (LHA) como eu não estar inscrita no Goodreads nem ter estabelecido um Reading Challenge.

Quanto ao Ask, raramente lá vou, mas nunca me fizeram nenhuma pergunta indecente, e todas as que recebo parecem vir de pessoas simpáticas e bem intencionadas, além de que encontrei por lá algumas pessoas dos blogues. Portanto, até prova em contrário, não tenho razão de queixa.

 

Apareçam!

"Such a stupid question"



Ok. Vamos lá falar de pedidos de casamento. 


Em primeiro lugar, a minha pessoa defende, por norma, que os pedidos de casamento são desnecessários e, até, um símbolo da submissão feminina ao controlo masculino, como se só os homens tivessem legitimidade para pedir as mulheres em casamento, e não o contrário. Aliás - como se a vontade de casar não fosse algo a ser pensado em conjunto! Faz-me espécie, na maioria dos casos. Admito que é uma tradição bonita quando bem executada e que as futuras noivas ficam todas histéricas de contentes e é uma alegria e tal, maaaaaaaaaas...

Portanto, para contrariar o meu coração de gelo e a minha falta de sensibilidade para com os rituais da sociedade, alguém tinha de divulgar um vídeo como o acima colocado: um pedido de casamento fofinho e original que, no final, me deixou a soluçar. A SOLUÇAR. Não me limitei a deitar uma lagriminha de crocodilo, eu SOLUCEI. É incrível, até eu fiquei espantada com a minha emotividade. Afinal, sou de lágrima fácil, mas não propriamente no que toca a este tipo de coisas, que eu acho foleiras até mais não. E o pior é que eu achei este pedido de casamento foleiro e gostei dele na mesma, ainda que o noivo me pareça uma pessoa bestialmente presumida e não me inspire confiança por aí além (também é actor e é norte-americano, duas premissas que o fazem descer de imediato na minha consideração). O que o salva é que, desta vez, teve uma excelente ideia que não me deixou indiferente, pelo que será parcialmente perdoado pela sua arrogância.

Continuo a achar um bocado exibicionista ter publicado a gravação do pedido, do género "sou mesmo bom, vejam como sou um noivo/marido fantástico e contentem-se com a vossa humanidade e os vossos gestos de amor medíocres... pff, vocês são meros mortais e nunca conseguirão alcançar o meu nível de fabulosicidade!", só que, lá está, se ele não a tivesse disponibilizado no Youtube, eu nem sequer teria tido a oportunidade de descobrir que é possível porem-me a chorar baba e ranho durante (o que me pareceu) uma infinidade de minutos, perante uma situação de que nem sou fã - o que, bem pensado, esteve longe de ser o ponto alto da minha vida, mas não nos alonguemos para além do que eu queria realmente dizer.


O que eu queria realmente dizer era...

Caramba, esta cena deve ter dado trabalho a fazer! Ah, e o tipo complicou a vida a muitos dos homens deste planeta, aumentando a fasquia e as expectativas das criaturas do sexo feminino que viram este vídeo e que, de agora em diante, hão-de ficar muito desiludidas se eles não as pedirem em casamento com esta criatividade! Passam a estar todos condenados a ter de puxar pela cabeça, a menos que queiram levar com um balde de água fria em cima! (Ainda não sei se isso é bom ou se é mau...)


Contudo, antes de dar esta publicação como terminada, pretendo reafirmar a minha posição: isto dos pedidos de casamento é muito lindo, muito emotivo, muito rónhónhó, mas, pelos motivos que já mencionei, por mim, dispenso-os na vida real. E não - Ricardo e outros cépticos que acharão que estou só a armar-me em insensível, apesar de, lá bem no fundo, estar roidinha de inveja - não estou a afirmá-lo da boca para fora, esta é a verdade-verdadinha.

Em vez de estar a estudar, estou a escrever isto, a desperdiçar tempo e a ficar ainda mais stressada, mas não faz mal, uma pessoa faz o que pode e a mais não é obrigada!*

A minha primeira característica de estimação que consigo enumerar de memória é o perfeccionismo. Acho que, se eu não fosse eu e fosse outra pessoa, uma daquelas que tem de me aturar de perto no dia-a-dia, fartava-me de gritar comigo, do género "epá, tu 'tá quieta, Maria Beatriz, acalma-te, para quê tanto stress, vais dar cabo da tua saúde, para quê sofrer por antecipação, vais acabar cheia de rugas e hipertensa, ai que te matas, Beatriz Maria..." - e por aí fora. Eu sei que é difícil de lidar comigo e só tenho que louvar o esforço de quem está por trás dos bastidores da manutenção da minha sanidade.

Considero-me mesmo muito paranóica no que toca a obter resultados. Posso nem pensar nos meios, mas estou permanentemente ansiosa acerca do que serei capaz de fazer e até que ponto conseguirei chegar. Gosto de me testar, investindo o menor esforço e alcançando o máximo possível, quantitativa e qualitativamente. Sou uma perfeccionista adepta do facilitismo e da ginástica mental, ou não tenha eu um dom terrível para gerir o tempo. Preciso realmente de me agarrar a tudo quanto possa para colmatar tal falha!

Entretanto, começou a época de testes e de entregas de trabalhos para a faculdade. Inicialmente, pensei que tinha tudo sob controlo, mas, agora que já entrei na onda da coisa, não faço a mínima ideia de como antes me pude sentir assim. O ser perfeccionista não me ajuda em nada, claro está. Faz-me esquecer que estou APENAS NA PRIMEIRA RONDA DE TESTES DO PRIMEIRO SEMESTRE DO PRIMEIRO ANO de toda a minha vida universitária e que é praticamente impossível começar logo a desencartar notas brilhantes como se fossem voluntários da Lâmpada Mágica de uma qualquer estação de Metro de Lisboa. Se quero ver muitos dezasseis, dezassetes (...), vintes nas pautas...? Quem não quer?! Não estamos todos no mesmo barco?

Ora, eu devia era aprender a respirar fundo e a ser menos esquisitinha. Dar cabo do sistema nervoso e praguejar contra os métodos de avaliação suspeitos dos professores não resolve nada, ou pouco resolve. Posso ficar mais descontraída durante cinco milésimos de segundo, mas depois passa-me e regresso ao estado de sofrimento infundado.

O certo é que ainda só recebi um texto de Inglês em que tive 14 valores e o resto é tudo incógnitas. Os três testes que já fiz ora me correram mal ora me correram pessimamente - pena é eu nem sequer confiar em mim mesma quanto a avaliar a minha performance em momentos de grande tensão, portanto nem me encontro em posição de divulgar prognósticos.

 

O conselho que tento repetir-me a toda a hora: deixa-te de porcarias. Vais criar inseguranças sem razão, vais encher a cabeça com assuntos que ainda nem viram o dia, vais chagar-te até à tortura psicológica. Tu não queres isso. Tu queres é terminar este semestre, desencantes ou não as notas que queres. Queres é ser feliz no curso que escolheste. Queres é ler todos os livrinhos que consigas e provar que, pelo menos, fizeste tudo o que estava ao teu alcance para não sucumbir à recentemente adquirida pressão universitária.

 

E vai mas é dormir. O teu mal é sono.

 

___________

 

*Até rima.

Pág. 1/2