Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Ninguém devia ser obrigado a trabalhar a partir da sua cama, quanta crueldade!

Tenho de escrever dez textos sobre lareiras, salamandras e recuperadores de calor até segunda-feira (2/10, so far). E na semana passada foi sobre contabilidade e cursos de formação. Depois de trabalhar em copywriting, a minha cultura geral nunca mais vai ser a mesma, tenho a certeza! Um dia, a Manuela Moura Guedes tem-me lá à perna no estúdio! Vou ser montes de milionária. 

(Desnecessariamente) polémico

   Não entendo qual é o problema que encontram quando duas pessoas do mesmo sexo vivem debaixo do mesmo tecto e criam uma criança (ou meia dúzia que seja) em conjunto. Não são dois seres humanos? Não foram criados de uma maneira semelhante a todos nós, não têm um emprego, não pagam os impostos, não levam com os cortes salariais e as sobretaxas que o Governo declara dia sim, dia sim? Pergunta mais do que retórica: não têm amor para dar, um colo para aconchegar, comida para alimentar, um emprego para sustentar?
   Claro que têm, mas há quem ainda não o tenha percebido. Lá por serem duas mulheres ou dois homens a viverem como um casal, não quer isso dizer que não criem um lar estável para educar um filho. Porque, se quisermos utilizar a expressão “lar estável” e usá-la como argumento para que não se aceite a co-adopção da parte de casais homossexuais, mais vale também proibirem o divórcio, e as famílias monoparentais, e os avós que educam os netos como se fossem filhos. Não são esses tipos de família tão (supostamente) disfuncionais e incompletos no que toca à ausência de figuras masculinas e/ou femininas, quanto as famílias que nascem do AMOR de duas pessoas do mesmo sexo?
   Eu, então, seria o exemplo do fracasso total, se enveredássemos por esse raciocínio: os meus pais separaram-se quando eu tinha quatro anos, depois eu e o meu pai fomos viver para casa da minha avó e da minha tia (ainda vivemos), até aos dez anos mal o via por ele trabalhar de dia e estudar à noite, a minha mãe não me contacta há quase nove anos e, entretanto, a minha avó tem sido a figura maior na minha educação, quem esteve sempre de olho em mim, vinte e quatro sobre vinte e quatro horas, se fosse possível, porque o meu pai trabalha de segunda a sábado, das oito ou nove da manhã até às sete ou oito da noite. Sem dúvida, sou uma pessoa extremamente perturbada, com falta de figuras e modelos para seguir, muito antiquada e retrógrada (já que fui criada pela minha avó que é, por sinal, a pessoa mais conservadora de sempre, não se vê logo?), encontro-me extremamente traumatizada e só maldigo a vida, por tanta desgraça que me aconteceu.
   Ultrapassem esses preconceitos, minha gente. Só vos dá azia e faz mal à saúde.
   Ao longo do meu percurso, conheci pessoas que não tiveram problemas em dizer-me que, lá em casa, os pais eram homossexuais e já conheci outras que não mo disseram, mas que eu entendi e calei. E esses últimos casos não deviam ter vergonha de mostrar a sua família como ela é. Ter dois pais ou duas mães é melhor do que não ter nenhum ou do que ter só um, porque se estão nas tintas para o filho biológico que conceberam. Preferia que o meu pai fosse um homem homossexual e feliz no amor do que o homem heterossexual que é e que ainda não encontrou a mulher certa!
   Vamos lá analisar o assunto…
   Em primeiro lugar, se legalizaram o casamento gay, também devem legalizar a adopção gay e tudo o que envolver um lar construído por duas pessoas que, não importa a sua constituição, se se casam também devem ter direito a formar família. E acabou-se, não se fala mais nisso.
   Em segundo lugar, parem de criar polémica em torno de um assunto que nem devia estar a ser discutido, nem nos meios de comunicação social, nem em referendo, nem em conversas de café. As crianças em instituições precisam de uma família que as adopte, os filhos de pais gay precisam mas é que eles sejam felizes ao lado de quem os ame e guie pela vida fora e os homossexuais têm tanto direito de casar e de serem felizes para sempre com uma prole do tamanho de uma equipa de hóquei, como eu tenho direito de vir aqui escrever sobre o assunto. Parem de gastar tempo de antena desnecessariamente, parem de gastar milhares e milhões de euros a organizar referendos, quando temos um país em crise económica, financeira e social a cair de podre, graças à máfia que nos governa.
   Simplifiquem.

Amor fofo (ou talvez não)

O amor é desajeitadamente violento. Há muitos beijos que resultam em cabeçadas e muitos abraços que acabam em narizes esmagados. Em suma, os amantes são gente que não mede forças. Porque as mediríamos? O amor é desmedido e incomensurável. O amor podem ser as cotoveladas na testa, as sestas com a cara esfronhada no sovaco do outro, os óculos de ambos sempre em luta livre. O amor é uma luta livre, condicionada pela sua própria condição. O amor é uma actividade perigosa, mas o amor não é nada frágil. O amor sobrevive aos bate-chapas com o aparelho dos dentes em riste, aos beijos franceses demasiado sugados e às arranhadelas das unhas mal cortadas. O amor sobrevive às gripes e constipações que se pegam sem querer e que se ultrapassam com muita água e um Ilvico pela goela abaixo. O amor até sobrevive à TPM de um e ao fuso horário trocado do outro. O amor não é feio, mas nem sempre é bonito. Amor que é mesmo amor não liga às comichices casuais e faz surgir mais amor onde se encontram os defeitos. Aliás, quando encontra um defeito, o amor vira-se para ele e ri-se, goza, faz troça, graceja. O verdadeiro amor tem tanta feromona à mistura que, muitas das vezes, nem percebemos que há alguém a precisar de tomar banho.

Porque, um dia, o amor pode florescer e culminar em algo tão belo quanto dois velhos a discutirem de quem são os medicamentos e a tratarem-se por "filho" e "filha". E aí é que são elas...

E o amor é ter tanta coisa para dizer, que é impossível lembrarmo-nos de tudo. E há sempre uma próxima vez debaixo de olho para se dizer o que sempre faltará ser dito, ou não estivesse o amor genuíno (pensa-se) a aprender coisas novas, todos os dias, acerca do seu significado.

 

 

Pronto, está bem, o amor é lindo, em toda a sua falta de jeito!!!

Boas notícias para a malta do Norte!

Para algumas das pessoas que me vieram choramingar por não terem uma Primark por perto, quando abriu a loja do Colombo e eu fiz uma grande festarola por estes lados, aqui ficam as boas notícias: vai abrir uma Primark no NorteShopping ainda este semestre!

 

primark2

 

Nota: aproveitem os saldos da Primark, porque valem mesmo a pena. Tenho comprado cuecas a 0,50€ e a 0,25€, já comprei uma t-shirt a 1€, uns óculos escuros a 1,50€ e a prenda do dia dos namorados já cá canta também (muito baratinha, mas não vou dizer o que é nem quanto custou, que a criatura a quem ela se destina lê este blogue, felizmenteeee). Há botas a 8€, pijamas a 5€, calças a 4€... Enfim, já vi de tudo e traria muito mais para casa se precisasse ou tivesse mais dinheiro.

Não sou (totalmente) contra a praxe

   Como cheguei a contar-vos, abandonei a “minha” praxe ao fim de três horas. Não me identifiquei, achei que a minha vida não dependia daquilo e que tinha mais que fazer. Tive colegas que passaram, noite e dia, durante duas semanas, imersos nos rituais de praxe. Não foram às aulas durante esses dez dias úteis e julgo que continuaram a faltar pontualmente sempre que havia algum evento relacionado.

   (Não me interpretem mal: eu falto a algumas das minhas aulas, chego atrasada propositadamente, sei que muitas delas são inúteis. Porém, nos primeiros dias de faculdade, eu queria era assistir a tudo e mais alguma coisa, pôr-me a par do que se passava naquele mundo novo, que tipo de professores eram os meus, se as matérias eram fáceis ou difíceis. Afinal, é para isso que estou a pagar mais de mil euros por ano - fora o resto.)

   Mas, voltando ao tópico inicial, a ideia dos doutores e veteranos era que os caloirinhos passassem o máximo de tempo possível nas praxes, mesmo que tivessem que faltar a compromissos e por aí fora. Eu é que fugi enquanto pude, eu que trabalhava na altura e eu que não ousava que colocassem em questão a minha assiduidade e participação nas aulas. Sim, foi uma escolha, e não fui a única a tomá-la, de entre todos os colegas.

   O que ainda me faz comichão é dizerem que é preciso haver praxe para os alunos se poderem integrar e conhecerem-se uns aos outros e à cidade onde estudam. Por acaso, infelizmente, na minha faculdade, até acho que isso é uma realidade: depois de abandonar a praxe, foram mais as vozes que se desagradaram do que as que apoiaram, e nenhum suposto doutor ou veterano se chegou ao pé de mim e se voluntariou para me apresentar fosse o que fosse. Se não tivessem sido alguns amigos mais velhos que conhecia noutros cursos a orientarem-me, os meus primeiros dias na FLUL ter-se-iam passado num reboliço, sem conhecer os cantos à casa nem as suas histórias e particularidades. Porém, nada de preocupações! Fiz bons conhecimentos na mesma, estabeleci óptimas relações com os meus novos colegas e no espaço de três ou quatro dias já estava fina, como se sempre ali tivesse estudado!

   Então, é preciso participar na praxe para sermos ajudados? É preciso participar na praxe para fazermos amigos? É preciso ser-se um doutor ou veterano trajado para se ajudar um caloiro não praxante? É preciso ser-se aceite em determinado grupo para nos sentirmos integrados nalguma coisa? É preciso faltar às aulas e sair-se à noite e tratar pessoas com a nossa idade na terceira pessoa, com deferência, para se ter toda a experiência académica em dia?

   Se não têm “aptidões sociais”, meus caros, arranjem-nas. Chamam-se carisma, simpatia, abertura de espírito, lata, desenrascanço. Chama-se “saber-se afirmar perante os outros”, “ter-se personalidade”. Não é preciso ir-se para a praxe para se fazerem amigos para a vida durante os nossos tempos universitários! Mas esperem…

   Não me quero aqui armar em desmancha-prazeres ou chata-do-contra, quero apenas mostrar a minha opinião, e ela é: não sou contra a praxe. Sou sim, contra a praxe violenta, que desrespeita os direitos individuais dos que nela participam. Sou, também, contra a praxe elitista, através da qual se estipulam hierarquias e lugares sociais – todos os seres humanos devem conviver em equidade, logo, se os estudantes são seres humanos (acho eu!), devem respeitar esse preceito.

   E a minha opinião é, igualmente: que haja fiscalização. Que ponham a polícia, as direcções das faculdades, as associações de estudantes ou o diabo a quatro, mas as praxes têm de ser fiscalizadas, para evitar que aconteçam mais desgraças como a que aconteceu no Meco e, provavelmente, em tantos outros pontos do país. E – aí sim – se a fiscalização ainda for ineficiente e não houver outra maneira de parar os excessos, não vejo que arranjem mais soluções senão ilegalizar o ritual de praxe em definitivo e absoluto. Será mesmo complicado…

   Por isso, não sou totalmente contra a praxe porque cada um tem o que quer e merece, e, se gosta de levar com farinha e pastilha elástica no cabelo, isso é lá com a sua pessoa; e, se gosta que lhe façam monocelhas e que o obriguem a rastejar na lama, ninguém lhe deve negar tal prazer masoquista. Até acredito que existam boas e recomendáveis praxes, cheias de boas intenções e excelentes para semear amizades duradouras e inesquecíveis. No entanto, alguém tem de defender os caloiros que não sabem dizer não quando existem abusos. Alguém tem de os fazer ver a luz, seja ela o que for, para que o ciclo não se perpetue e para que no ano que vem ou para o próximo eles não ajam da mesma maneira enquanto doutores, veteranos, duxes ou o que raio lhes chamarem, face às novas larvas, bichos, caloiros.

   E vejam mas é se começam a ajudar os caloiros não praxados a integrar-se, porque eles também são caloiros e também precisam de novos amigos! ‘Tá bem? Pode ser?

Publicar o Nobel português não é para meninos

A Leya (e, por conseguinte, a Editorial Caminho) vai deixar de publicar as obras de José Saramago. Uma triste notícia, mas espero que, quem quer que venha a comprometer-se a publicá-las, lhes dê o devido valor. Estamos a falar do Nobel português! Ou só gostam é de pontapé na bola e Carnaval em Ovar?

 

Diz assim o artigo:

«O administrador da fundação [Saramago] diz que a instituição está a fazer “diligências no sentido de encontrar uma editora que sirva a Saramago e a quem Saramago sirva”, “uma editora ao nível da grandeza do homem e da obra”.»

 

É uma vergonha uma das maiores editoras em Portugal ter terminado o contrato de publicação de um dos grande vultos (ou vulto) da sua literatura contemporânea. E nem me digam que o problema é não ser rentável, porque é óbvio que tinham ali uma grande fonte segura de rendimento! É só o que tenho a dizer. Que desgostos, este Portugal e estes portugueses...

Actualização de estado

Agora sim, já posso dizer que tenho um novo emprego. Sou paga para escrever, com o rabo alapado no sofá, com as pernas estiraçadas na cama ou a fazer o pino nos transportes públicos. Eu sabia que este dia chegaria, só não sabia que seria já, já, já. O emprego do futuro: copywriter, experimentando técnicas de Search Engine Optimization, ou seja, fazendo com que os sites das empresas sejam mais visíveis nos motores de busca, em particular no Google (e também posso aplicar essas técnicas neste mesmíssimo blogue!). É escrever e comunicar, pronto. É fixe ter arranjado um trabalho em que não tenho de me enfiar não sei quantas horas por dia num cubículo com má iluminação. Obrigada à minha colega que me passou os contactos dos responsáveis. Se ela estiver a ler isto, que tenha a certeza de que estou exultante. Nunca serei tão rápida e competente a fazer estes textos quanto a sua pessoa, mas vou tentando.

 

E eis o texto que oficializa a coisa, o primeiro de muitos, entre aqueles que já escrevi e que ainda virei a escrever: TCHARAAAN!

Soma e segue!

Venho por este meio expor a minha maior compulsão:

 

Estar em pausa lectiva permite-me ter muito tempo livre para ler e, já agora, para andar a passear pelas livrarias em saldos. E para os aproveitar, obviamente! É um salve-se quem puder! Eu cá já naufraguei. Para aí umas quatro vezes. Ter uma espécie de emprego novo - logo, um poucochinho mais de disponibilidade monetária - também não ajuda.

Pág. 1/3