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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Os meus amigos conduzem

Os meus amigos conduzem... carros. Viaturas de categoria B, com volante, mudanças, cinco ou sete lugares, tejadilho, porta-bagagens, motor a gasolina ou a gasóleo. Os meus amigos já não andam só de bicicleta, nem de transportes públicos, nem de triciclo. Os meus amigos, da minha idade, já têm carta de condução, mas isso é o menos. Eles conduzem, eles praticam a acção de conduzir além das aulas práticas, eles estacionam o carro à frente da minha casa e dão boleia a quem precisar. Os meus amigos perguntam-me se eu preciso que me levem a algum sítio, mesmo aqueles meus amigos que demoraram três vidas a tirar a carta até os pais lhes pagarem o resto do código e que andam a estudar sinais de trânsito desde o 11º ano.

Isto é tudo muito estranho e ainda me estou a habituar à ideia de que já tenho idade por aí a andar na estrada, como os grandes modelos adultos da minha vida, a minha avó e o meu pai. Na minha cabeça, só os "pais" é que têm carro e carta de condução, só eles podem conduzir.

Eh pá, eu que me livre de não ser a próxima a tirar a carta! Hei-de arranjar a massa para isso, hei-de conseguir, hei-de bulir até marar os miolos!

Dez perguntas de gaja a que (ainda) não tenho resposta

1 - Qual é a diferença entre fazer o risco nos olhos com lápis ou com eyeliner?

2 - É normal cair-nos imenso cabelo sempre que o lavamos?

3 - A esteticista tem nojo de nós quando aparecemos todas peludas e pensa mal das nossas pessoas por termos sido badalhocas e nos termos desleixado de tal forma?

4 - É aceitável e frequente faltar-nos a paciência para exterminar a nossa monocelha em insistente crescimento?

5 - Os saltos altos são desconfortáveis por natureza, quem os usa sofre horrores e sacrifícios ou sou só eu que não acerto na marca e na sapataria certas e que, enfimm sou uma anormalóide com pés de homem?

6 - As leggings podem usar-se por baixo de vestidos sem nos deixarem pirosonas?

7 - Os enroladores de pestanas não as enfraquecem?

8 - Aquilo de dizerem que, se fizermos a depilação com cera, obtemos duas semanas sem pêlos, é a mais pura das mentiras - não é?

9 - Os cremes que supostamente retardam o crescimento dos pêlos funcionam ou é só marketing? E não fazem mal à pele?

10 - Uma senhora a sério que se preze não come nem se maquilha nos transportes públicos?

Os irmãos mais velhos

 Ter irmãos mais velhos quando se é miúda deve ser bestial. Pelo menos, devem ser uma grande referência. Noutra vida, talvez ainda possa vir a ter um, ou talvez até já o tenha tido!

Vejo a relação do Ricardo com a irmã e fico toda derretida. Ele é uma espécie de divindade para ela. Tudo o que ele faz, ela imita. O que ele come, ela come. O que ele diz, ela diz. Têm quase nove anos de diferença e fartam-se de brincar os dois. Há vídeos deles de quando eram pequenos em que este tipo de relação já era evidente. Há fotografias a provarem isso mesmo. Há a mãe que quase se emociona ao falar de como o filho mais velho influenciou o desenvolvimento da mais nova. O Ricardo olha pela irmã, mesmo agora que ela começa a entrar na idade do armário.

Se eu tivesse um irmão (muito) mais velho, também gostaria que ele fosse assim. Não andam sempre aos beijinhos, mas há entre eles uma ligação para que olho com muito carinho, quase invejando-a. Fartam-se de rir os dois e fazem os outros rir. Inevitavelmente, ela vai-lhe buscar muitos aspectos à personalidade e acaba por ficar parecida no comportamento. O "mano" lidera sempre.

Às vezes, ponho-me a imaginar como seria bom ter irmãos, mais velhos ou mais novos. Nunca deixam de ser uma referência uns para os outros e aposto que, em certas circunstâncias da vida, serão sempre os melhores amigos ou, pelo menos, terão sempre alguém a quem recorrer (isto é, se se mantiverem próximos e tiverem juízo). 

Ser filha única tem muitos benefícios. Ser neta única é praticamente uma bênção. Mas deve ser uma alegria ter um irmão na nossa vida!

 

Bobak Ferdowsi - com ele, até passava a gostar de Matemática e de Física e dessas cenas todas

Brincadeiras à parte, que eu sou uma rapariga séria e comprometida, acho muito bem que haja alguém da NASA a promover a ciência de maneira fresca para os jovens. Os rapazes hão-de curtir deste tipo super inteligente, mas com ar de ser um super bro e as raparigas hão-de adorar os seus lindos olhos, se é que me entendem. De qualquer maneira, Bobak Ferdowski, de 34 anos, de origem persa, apresenta-se como um cientista bacano, com um cabelo minimamente original e a que se deve grande parte desta mediatização em sua volta, senão toda.

 

Tem o estilo perfeito, a cara perfeita e o cérebro perfeito. Se passássemos por ele na rua, nunca imaginaríamos que trabalha em missões especiais da NASA. Talvez o imaginássemos surfista, cantor, tatuador, mecânico, mas pouco provavelmente cientista, isto porque estamos formatados para pensarmos que as pessoas "sérias" vestem fato e gravata, têm um corte de cabelo enfadonho e usam sapatinhos de vela.

Deste modo, fico feliz por constatar que, a pouco e pouco, a sociedade está a evoluir e abrir caminho para a diversidade e originalidade. Que os marrões não usam todos óculos, que nem toda a gente que usa óculos é marrona. Que o pessoal que vem do Médio Oriente não é todo extremista religioso e terrorista. Que a ciência é fixe e que a investigação científica está na moda. Que é possível sermos bem sucedidos desde cedo. Assim já gosto!

 

Bobak Ferdowsi esteve esta semana no Porto, nomeadamente na Faculdade de Ciências, e arrasou com salas cheias!

Bruxelles à vista!

Aproximam-se 3 dias (29 a 31 de Outubro) em Bruxelas com o programa "Modificadores de Opinião" da União Europeia, um projecto que promete esclarecer os jovens acerca das instituições políticas da comunidade e torná-los mais participativos. Ou seja, o objectivo é que os participantes multipliquem o conhecimento acerca do tema pela sua comunidade, amigos, família, Internet...

Associação Rota Jovem, de Cascais, de que sou sócia, foi seleccionada para o projecto e... eu vou (mais 34 pessoas)! E isso quer dizer que visitarei não só a cidade, como também o Parlamento Europeu, o Parlamentarium, uma associação juvenil que ainda está por revelar... O último dos três dias, no entanto, deve ser por nossa conta.

 

http://www.tripadvisor.co.uk/Attractions-g188644-Activities-Brussels.html

 

Por isso, já comecei a pesquisar algumas actividades para o tempo livre e encontro-me receptiva a sugestões de quem já lá tiver ido. Tenham sempre em conta que só tenho 2 noites e um dia livres. 

 

Estas são as minhas ideias até agora:

- comprar o bilhete geral de transportes públicos de Bruxelas (metro, comboio, autocarros) para 72h - 17€;

- ir ao Grand-Place, que a Internet diz ser a atracção número 1 de Bruxelas;

- visitar a Librairie Filigranes;

- fazer a visita guiada Viva Brussels Tours - em que o turista é que decide quanto deve pagar aos guias pelo seu trabalho - e/ou a visita guiada de autocarro hop on, hop off de city sighteeing - 20€.

 

AH! Também agradeceria imenso sugestões de supermercados, já agora, porque comer fora ou no hotel não fica muito em conta.

 

Sou uma sortuda, é o que tenho a dizer. Só gostava de poder partilhar estas viagens com aqueles de quem mais gosto, como a minha avó, o Ricardo ou os meus amigos, mas um dia hei-de tirar a barriga de misérias!

Nutella isto, Nutella aquilo

 

Em Chicago, há uma loja dedicada à Nutella. É a loucura, parece-me. Até há memes disso.

Alguém que me explique a fixação de 98% da população ocidental por Nutella, pliiiiz? Sei lá, eu entendo fixações por Kinder, por Toblerone, por Ferrero Rocher, por Oreos, até por Bollycao (ok, talvez não tanto), mas o que é que a Nutella tem que deixa toda a gente maluca, à beira do pecado?

Chocolate e avelãs. Uma combinação que tem tudo para ser perfeita. Mas, sinceramente, para mim Nutella é mais marca que sabor, mais reputação que prazer. Não é? E por que é que um frasquinho tão pequeno haveria de custar logo 3€? Noto uma certa especulação no preço, um abusar dos limites do aceitável? 

Nutella isto, Nutella aquilo. Mas ninguém bate os biscoitos de farinha, ovos, açúcar e limão da minha avó; 1,20€ três fornadas cheias de bolachas feias, não demasiado calóricas, embora saborosas como poucos doces o são, que enchem a casa com um odor natural e guloso. 

Devo ser muito esquisitinha.

O novo videoclipe da Colbie Caillat - "Try"

 

Para muitas raparigas e mulheres, a maquilhagem torna-se uma segunda pele. Mas não devia ser assim. A maquilhagem deve ser utilizada de modo a fazer-nos ficar mais bonitas, não a fazer-nos ficar como nos apresentamos todos os dias. Acho que a maquilhagem deixa de ser especial a partir do momento em que é utilizada todos os dias, em quantidades abismais, como se já fizesse parte de nós e da nossa cara. Perde o brilho da surpresa por ser mostrada ocasionalmente, perde o sentido. Tudo o que é demais enjoa.

Há imensas mulheres que exageram, que dependem da maquilhagem. Começam por usá-la apenas de vez em quando, ou apenas para realçar alguns aspectos do rosto, e acabam a usá-la para tudo e mais alguma coisa, cada vez mais carregada, diariamente.

Além de ser pouco saudável, não vejo qual seja a piada de nos maquilharmos todos os dias a um nível completamente absurdo, que só vai envelhecer a pele: base, gloss, batom, sombra de olhos, lápis de olhos, correctores disto e daquilo, iluminadores e sabe-se lá mais o quê... Por muitos bons cremes e bases que se tenha, é provável que os poros absorvam grande parte das substâncias envolvidas. Lhács! A pele tem de respirar.

Acho que o brilho da maquilhagem reside num dia ou noutro aplicar-se mais do que o costume e, assim, surpreendermo-nos e às pessoas que costumam estar connosco. A maquilhagem serve para nos sentirmos mais confiantes e diferentes e, se abusarmos dela todos os dias, passamos a sentir-nos sempre de igual forma, até ser essa a única realidade da nossa cara que conhecemos, tornando-se uma rotina. Por isso é que muitas das mulheres e raparigas que passam a maquilhar-se todo o santo dia deixam de suportar a sua própria imagem sem todos os produtos que utilizam.

 

Quanto ao novo videoclipe da música Try, da Colbie Caillat, este demonstra o quanto a maquilhagem nos torna tão diferentes do que na realidade somos. Uma verdadeira máscara que esconde toda a nossa naturalidade, capaz de transformar todo e qualquer traço facial. Aliando a maquilhagem ao suposto ideal de beleza que corre pelos meios de comunicação (o uso e abuso do Photoshop tem grande parte da culpa), é difícil não sucumbirmos a essa força superior que nos indica como nos devemos revelar publicamente.

Moral do videoclipe: por que não revelarmo-nos mais como somos? Por que não tentar utilizar a maquilhagem de maneira sustentável, com um brilho aqui e ali, para disfarçar certas imperfeições, mas não para entrar em negação quanto à sua existência? Sem nos tornarmos praticamente ridículas, verdadeiras caraças e aspirantes a Barbies?

Pessoalmente, também gosto de maquilhagem e sinto que ela raramente me deixa ficar mal, devendo-se isso a eu saber equilibrá-la com a minha imagem e ego natural. Todas as criaturas do sexo feminino adoram maquilhagem - por que não haveriam de adorá-la? O segredo está em não tornar essa relação de amor numa de amor-ódio.

 

Professorar ou não professorar?

Sempre me disseram, a partir do momento em que escolhi Línguas e Humanidades no secundário, que se era essa a minha escolha, então "ia para quê, para professora"? No fim do nono ano, era esse cenário que quase me impunham, como se nas humanidades não houvesse espaço para mais nada senão o ensino e, pior ainda, como se houvesse algum mal em ser-se professor. Senti este criticismo da parte de, principalmente, colegas e, ah ah ah, professores (feliz e curiosamente, a minha família nunca se preocupou com as minhas opções escolares e académicas, sempre confiaram em mim), mas também nunca me deu para pensar em particular nessas atitudes acusatórias. E sim, eu cheguei a ouvir "que desperdício, uma aluna com tão boas notas a ir para Humanidades!". Oh, sim, tem sido terrível, já agora.

No entanto, só por volta do décimo primeiro ou do décimo segundo ano é que comecei a levar essa alternativa de me tornar professora a sério. Motivada em grande parte pela pressão normal para me candidatar a uma licenciatura que me fizesse sentir concretizada, submeti-me a montes de introspecção e avaliei todas as minhas opções: basicamente, todas aquelas que poderia imaginar no domínio das humanidades e até algumas mais viradas para as ciências (!!!- estou a brincar, pensei em Psicologia). Com uma média bastante satisfatória, pude dar-me ao luxo de pensar e repensar muito.

O ensino começou então a mexer comigo, devagar, devagarinho, quase parado. Na verdade, ainda me mói o juízo de vez em quando. No ano passado, o primeiro da licenciatura em Ciências da Cultura, comecei a dar explicações mais a sério (já gostava de as dar por gozo), neste caso a alunos do ensino básico e... gostei. Gosto, a melhor dizer. Adoro sentir que estou a marcar alguma diferença na maneira como os "meus miúdos" olham para o verbo estudar, adoro ver as caras deles quando descobrem que não é assim tão difícil, adoro saber que a minha missão foi cumprida ao assistir ao sucesso deles.

Atribuo grande parte da "culpa" desta minha queda aos óptimos professores que fui e que vou tendo ao longo do meu percurso. Também tive maus e mesmo péssimos professores, mas "desses não reza a História". Os bons continuam a exercer influência no modo como vejo o ensino e a própria actividade de ensinar, de dar a conhecer e de explicar.

Dito isto, impõe-se uma pergunta: será que eu gostaria de ser professora a longo prazo? E outra: será que eu gostaria de ser professora em Portugal, no ensino público? A resposta à primeira ainda está por conhecer, mas a resposta à segunda é um assertivo NÃO. Pelo menos, enquanto as condições de trabalho do pessoal docente não levarem uma debandada de alterações que lhes restituam a dignidade a que todos os seres humanos têm direito.

É que, hoje em dia, os professores parecem não ter direito a nada. Assentar arraiais e constituir uma família é quase considerado um luxo. Começar a carreira é extremamente difícil, mas até que ponto os professores serão capazes de chegar vivos ou, no mínimo, com ânimo ao dia em que ela estabilizar, finalmente?

Eu quero ter liberdade para conciliar o meu projecto pessoal de vida com o meu projecto profissional, por isso será que devo esperar desenrascar-me no ensino, mesmo que tenha de fazer alguns sacrifícios? Será que vale a pena correr esse risco?

Dada a situação actual do país, em específico com as falhas frequentes e permanentes do Ministério da Educação (e respectivo ministro, é de sublinhar) perante os professores e, por consequência, perante os alunos, é difícil adivinhar um futuro fácil. Basta ligar o telejornal durante os últimos dias para perceber que a coisa não está nada bonita.

Ter passado de “condenada a ser professora” para “potencial professora em formação” não me facilitou a vida. Aliás, parece-me que ando sempre atrás dos caminhos mais difíceis, das escolhas mais manhosas.

Será que é melhor explorar outra qualquer vocação que me assista e esquecer esta história? Ná, provavelmente isso não vai acontecer, porque o que tem de ser tem muita força.

Estejam atentos aos próximos episódios.

 

(Outro texto recomendado: http://coconafralda.clix.pt/2014/10/professores.html)

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