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Fã pirata assumida, AH YEAH! 1989, here we go, directamente para um CD-R virgem, cuja capa será imprimida numa reprografia da faculdade!

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Decidi regressar ao tema "universidade", desta vez para vos falar acerca dos professores do ensino superior. Aliás, acho que, desta vez, até o faço mais num tom de desabafo pessoal do que num tom explicativo. Peço adiantadamente desculpa se vos parecer que estou a generalizar, mas, convenhamos, é a minha experiência que estou a relatar. Reforço novamente que não me comprometo com todo o universo vivo de professores.

 

Então, cá vai disto...

Encontro-me desiludida com os professores universitários. Dos professores do ensino politécnico já não poderei falar, pois trata-se de outro tipo de ensino e meio académico e de investigação, por isso apenas incluo neste grupo de professores aqueles que ensinam nas faculdades.

E por que é que estou desiludida com os professores (e professoras também) universitários?

Porque é isso que eles são: professores universitários.

Para quem ainda não está familiarizado com esta realidade, os docentes das universidades, com ênfase na faixa etária dos 40 para cima, raramente exerceram outra coisa na vida além do ensino. Alguns deles vêm até de meios sociais privilegiados, de boas famílias ou são até filhos e netos doutros professores universitários. Pelo menos os professores com quem tenho entrado em contacto correspondem a, no mínimo, uma destas características.

Sendo assim, muito poucos são aqueles que saíram da bolha da universidade durante toda a sua vida. Entraram na academia antes dos 20 e nunca mais saíram de lá. Primeiro, foram alunos. Depois, tornaram-se professores, tradutores ou investigadores dos centros de estudos. É essa a única realidade laboral e social que conhecem. 

Durante este último ano e meio, desde que comecei a minha licenciatura em Ciências da Cultura (na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), talvez tenha conhecido apenas dois ou três professores que já trabalharam fora da academia. Nota-se logo a diferença. Trazem ideias muito mais criativas para as aulas, a maneira de falarem e de relacionarem com os alunos é geralmente mais descontraída e acabam por utilizar métodos de ensino mais virados para uma vertente prática.

Quanto aos outros professores, os que nunca saíram da academia, estes começam a parecer-me todos iguais. Lêem quase todos os mesmos livros, as suas referências-chave bibliográficas e cinematógráficas (não só obras, mas também autores) são semelhantes. No entanto, ainda há outro aspecto que me incomoda nestes professores: não compreendem a vida fora da universidade. Não compreendem que nem toda a gente tem disponibilidade total para se dedicar ao estudo e à leitura. Que nem todos conhecem as "obras fundadoras da nossa cultura", seja porque nunca tiveram acesso a essas obras, seja porque simplesmente já têm uma lista infindável constituída pelas obras recomendadas por todos os professores dos semestres anteriores (o quê, nunca leu X ou viu Y??? que crime!!! - epá, pelo amor da santa, eu leio 50 livros por ano!). Que há alunos que trabalham, outros que têm de ajudar a família, outros cuja realidade é menos risonha e menos propícia a divagações "além do necessário" (apesar de o necessário ser relativo e de o conhecimento nunca ocupar lugar). Há até alunos que não vivem no centro de Lisboa (!!!!!!!!).

Contudo, há que sublinhar que, na maioria das vezes, os professores não agem arrogante ou pedantemente de propósito. Nem se apercebem de que é isso que pensamos acerca deles. Acho até que pretendem ajudar-nos de verdade, que querem ser simpáticos e prestáveis... à sua própria maneira. São incompreendidos, tal como nós. As suas intenções correm permanentemente o risco de serem mal interpretadas, mas é a vida. Alunos ou professores, acabamos todos assim.

O problema é esperarem demasiado dos alunos. Enquanto a maioria dos professores do ensino secundário queria era despejar a matéria do sumário e ir para casa o mais cedo possível, os professores do ensino superior conjugam três actividades diferentes, entre leccionar em duas faculdades, escrever e traduzir livros, escrever artigos científicos para revistas de renome, colaborar com centros de investigação, organizar e planear conferências até 2020, assistir a outras tantas e coordenar todo um departamento ou curso. Eles trabalham que nem loucos, dormem mais-ou-menos, não deixam de ler três livros por semana, de ir ao cinema ou de papar todas as suas séries favoritas, ainda têm tempo de se casar e de ter filhos e, por isso, esperam os melhores resultados académicos e todo o esforço desumanamente possível da parte dos seus outros colegas e dos alunos.

Então, a diferença entre os professores universitários e os alunos é que os primeiros têm um orçamento familiar que lhes permite delegar as tarefas "da vida real" noutras pessoas (empregadas domésticas, lavandarias, contabilistas, refeições fora de casa), enquanto os segundos têm de se desenrascar por conta e energia própria. O problema é que grande número dos professores universitários não preenche um formulário para o IRS nem vai a uma repartição das finanças há mais de 15 anos, não lava ou passa a sua roupa há 20 e não tem de contar os tostõezinhos do extracto bancário cada vez que vai ao supermercado (porque também não costuma lá pôr os pés) há 25. E são estas ninharias do quotidiano que fazem toda a diferença entre as realidades de uns e de outros!

 

Para concluir e desanuviar o ambiente, partilho convosco este meme. Os alunos da FLUL irão entender e fazer facepalm.

 

 

 

Nota: Futuros universitários, juro-vos que os professores não são bichos, só são workaholics. Não se assustem!

 

Nota 2: Caros professores que, eventualmente, dêem com esta publicação, seja agora ou daqui a três décadas, quando talvez eu mesma for uma professora universitária (e que bom que seria!)... desculpem-me. A sério, tenho tido professores excelentes, mentes brilhantes, génios subvalorizados neste país pequenino em que vivemos. Não me posso queixar, de todo. Tenho aprendido imenso. Só que, perdoem-me, sinto falta de professores que "vivam cá fora". Que se lembrem do que é estar deste lado. Que se lembrem do que é renovar um guarda-roupa nos saldos de Fevereiro com 25€. Que se lembrem do que é ir ao Lidl comprar barras de chocolate a 50 cêntimos, porque no Pingo Doce e no Continente são 60. Que se lembrem do que é ser mais humano e menos... bem, menos professor universitário. 

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[Críticas à peça de teatro As Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos e ao filme Selma.]

 

No final de 2014, tomei duas decisões: que havia de ir mais vezes ao teatro e que havia de ir mais vezes ao cinema. Ok, e que havia de ir mais vezes a exposições de arte, a museus e etc e tal, mas ainda não cheguei lá (por agora!).

Sendo assim, já comecei a investir nessas decisões durante este fim-de-semana prolongado de Carnaval.

 

 

No Domingo, fui ver a peça As Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos, no Teatro Tivoli. Já esteve em cena no ano passado, depois esteve noutras zonas do país e há uns meses regressou à capital. Durante todo este tempo, nunca parei de pensar "vou ver no próximo fim-de-semana... e vou no outro... e talvez depois dos testes... e agora não tenho dinheiro" - até que recebi a derradeira ameaça. 15 de Fevereiro de 2015 seria o seu último dia em Lisboa, muito provavelmente pela última vez (uma terceira temporada de uma peça de teatro, em menos de dois anos, na mesma cidade, em Portugal, não seria pedir demasiado?). Claro que mandei o dinheiro às urtigas, deixei de ser forreta e lá fui eu, mais a minha avó e a minha tia.

Primeiro aspecto a frisar: a opinião pública acaba por viciar muito as nossas expectativas.

 

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O Dia dos Namorados já foi ontem e, como devem ter reparado, por aqui é que não me encontraram. A explicação é simples: eu tenho namorado. Ah, e tenho um livro do código da estrada para acabar de ler com urgência. Mas enfim, adiante.

 

Apesar de ausente da blogosfera, marco presença assídua (e maioritariamente silenciosa) no Facebook. Estando sempre atenta às manifestações de amor, ódio, indiferença e sarcasmo nas redes sociais, comecei a notar alguns padrões de comportamento no que toca ao Dia dos Namorados. Deste modo, diversas reacções podem ser agrupadas em poucos grupos representativos de pessoas, os quais passo a explicar de seguida:

 

1 - Os forever alone

Muito queixume e pouca acção - é o que caracteriza estes infelizes, que se fartam de partilhar aquelas imagens foleiras do 9gag acerca do quão miseráveis são aqueles que chegam ao Dia dos Namorados... sem um(a) namorado/a. Auto-comiseração = palavra de ordem. Em vez de se martirizarem durante toda a semana que precede o S. Valentim, tornar-se-iam mais produtivos se gastassem a mesma energia a deixarem de ser parvos e a tornarem-se pessoas mais interessantes.

forever alone face

 

 

2 - Os enjoadinhos

Já não se aguentam os enjoadinhos que passam a vida a proclamar o quão non sense é o Dia dos Namorados, que o amor pertence a todos os dias, e para quê tanta prenda, e para quê tanto consumismo, e em vez de estarem só bem neste dia, por que é que não estão bem o resto do ano... Enfim, já parece a conversa do Natal - e ninguém deixa de o festejar, pois não? A estas pessoas, só desejo que lhes calhe um futuro mais-que-tudo obcecado com ramos de flores e cupcakes cor-de-rosa e vermelhos cheios de corações, para lhes passar a mostarda no nariz.

 

 

3 - Os belicodoces-fofinhos-coisinhos-pirosinhos

Se já ninguém aguenta os enjoadinhos, também poucos haverá que ainda suportam os que mostram tanto mel que até enjoam. Eu sei, eu sei, mais vale a mais do que a menos, mas as redes sociais não me parecem o local mais apropriado para longas juras de amor (daquelas que ainda seguem depois do "Ver mais..."), para emoticons que vomitam cor e amo-tes e adoro-tes e venero-tes e meu rei e minha rainha afins.

 

 

4 - Aqueles que apreciam um dia normal, na companhia do seu mais-que-tudo, mas também de de uma flor e de uma caixa de chocolates Milka, evitando conviver com os outros três tipos de criaturas. 

Numa só palavra: eu. Vá, e o meu namorado. A sério, por que é que uma data tão banal quanto o 14 de Fevereiro, que por acaso é Dia dos Namorados, tem de ser tão polémica? Se há datas para celebrar o amor, por que não aproveitá-las, sem dramas ou exageros? Sim, o amor deve ter lugar todos os dias. Sim, deve haver momentos pirosos e foleiros. No entanto, não se justifica a promoção dos coitadinhos, não se justifica a frieza desmesurada, tal como não se justifica o fim da privacidade do carinho e o exagero material. Aproveitem apenas este dia previamente marcado no calendário popular para celebrarem o amor e o companheirismo, para oferecerem o melhor de vocês e para reflectirem melhor no tipo de parceiros que são. E, por conseguinte, adaptem essa maneira de pensar e agir aos restantes 364 dias do ano.

 

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Eis que começaram as aulas

por BeatrizCM, em 12.02.15

Logo no primeiro dia: toma lá 100 páginas para ler numa semana. Mas "meh", não piorou no segundo, nem no terceiro, nem no quarto dia. No segundo, só me mandaram reler O Principezinho - faço-o com ainda mais gosto.

Foi só um susto. Isto é... se não contar com o resto da bibliografia que já foi estabelecida nos programas.

Vou ali "ler de empreitada" e já volto.

Valham-nos os dois dias de Carnaval, aleluia para eles!

 

Já agora, ontem, quarta-feira, antes de entrarmos na aula de Sociologia de Comunicação, uma rapariga que nunca tinha visto, que penso não conhecer, acenou-me, toda simpática. Como eu tenho a mania que sou vedeta (ou vá, é mesmo só para confirmar), a colega lê este blogue ou nem por isso? Caso leia, por favor, que diga alguma coisa, porque eu sei que lhe acenei de volta, mas sou tão distraída e fiquei tão parva que nem lhe perguntei o óbvio: "olha, conheço-te de algum lado?".

Daaah! :(

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