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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

As caras-metade das pessoas que não param

Quando alguém conhece uma pessoa que não pára, que se farta de trabalhar, com vontade de comer o mundo com uma só dentada, nunca se lembra daqueles que a rodeiam diariamente - se é que alguém a rodeia. As pessoas que não param parecem nem ter tempo para se coçarem, quanto mais para manterem relações humanas frequentes e duradouras.

Mas a verdade é que, quando se quer, tem-se tempo para tudo. O pior é já não se ter energia para nada ao final de um dia de esforço contínuo e, nisso sim, coloca-se a questão se haverá quem seja capaz de estar do lado de uma pessoa imparável. 

E nisso tenho eu montes de sorte.

Quando o Ricardo me conheceu, diz ele que eu já deixava o cheirinho à criatura non-stop das 7h às 19h (na melhor das hipóteses) que sou hoje. Isto foi há quase 4 anos. No ensino secundário, já eu queria participar em tudo o que houvesse, já não me escapava grande coisa. Já havia Alliance Française, já havia Forum Estudante, já havia prémios literários.

No entanto, o número de actividades em que me comecei a envolver a partir do primeiro ano da faculdade começou a aumentar bastante, em proporção ao tempo que me restava depois de fazer as contas às horas de aulas e de estudo. Comecei logo a trabalhar, continuei a inscrever-me para tudo e mais qualquer coisa.

E o Ricardo, super calmo, continuou a estar disponível para me dar atenção e assegurar-se de que, emocionalmente, nada me faltaria.

 

(Atenção que o Ricardo não é a única pessoa que me apoia, porque, felizmente, tenho um grupo de amigos que, entre workaholics semelhantes ou gente independente que não precisa de estar constantemente em contacto com os outros para lhes dizer o quanto gosta deles, compreende a minha posição. E também tenho a minha avó, que me anda sempre a comprar chocolate, uma espécie de combustível que o meu cérebro não dispensa, e que me deixa dormir na cama dela de vez em quando.

Mas aqui, falam-se de caras-metade, por isso voltemos a elas.)

 

O meu segundo ano de licenciatura tem sido c'os diabos. Ando desmotivada, os professores não sabem realmente o que estão a fazer, fui aceite para um estágio que me rouba demasiado tempo (acaba em três semanas, yes!), continuo a trabalhar que nem uma louca, etc e tal. Chego ao final do dia com as baterias todas fraquinhas. Depois, das duas uma: ou me vou abaixo e fico apática, ou fico com um humor de crocodilo e começo a mandar vir ou começo a chorar desconsoladamente até adormecer ou até alguém resistente me dar um abraço como deve ser.

Pois quem me dá esses abraços é o Ricardo e quem me chama passivo-agressiva, pacientemente, é ele também, como se estivesse a comentar que lindo dia está. "Já estou habituado", diz ele, garantindo-me que não o diz pejorativamente, mas sim que, se já me conheceu como sou, por que haveria de deixar de gostar de mim?

O Ricardo, nesse aspecto, é a luz dos meus dias ou, pelo menos, das manhãs e das tardes em que nos encontramos no comboio ou em casa, quando dou explicações à irmã dele - tudo de raspão, muitos encontros-relâmpago.

Supostamente, os opostos atraem-se. Com isto, não quero dizer que sejamos muito diferentes um do outro, mas a descontracção dele é o catalizador para a minha ansiedade. É sempre necessário um equilíbrio, não é? Alguém que se preocupa demasiado precisa de alguém que não se preocupe com grande coisa (e vice-versa).

 

No outro dia, um professor meu (super jovem) dizia-me que é possível ter-se uma cara metade, sendo-se ambicioso. Contudo, confirmava-me ele que é necessário essa pessoa compreender por que é que nos sujeitamos a tamanhas atrocidades físicas e psicológicas, a contratempos, por que é que ficamos tão cansados, por que é que nos falta tempo, que não é por mal que, à vezes, só nos apetece aninhar para o resto da eternidade (e atestar as reservas de feromonas, acrescento eu). Mas é preciso essa pessoa ser meeeeeeeeeesmo especial.

 

Se algum dia o Ricardo acabar comigo, será porque eu o traí... com os livros e o computador.

O meu dentista, amor e uma cabana (e um aparelho)

Contextualização: o meu dentista é um senhor muito simpático, falador e culto, que me pergunta o que ando a ler todas as vezes (todos os meses) em que lá vou. Inclusivamente, falamos sobre temas diversos, género coisas da vida e trivialidades (vá, eu tento, com as mãos dele enfiadas na minha boca, belhac). Já agora, uso aparelho há 2 anos e 5 meses e já ouço há quase um ano que "daqui a 6 meses o tiro".

 

Conversa de hoje...

- Quando é que me livro disto?

- Lá para 2017.

- Yey, mesmo a tempo de me casar! [nota: sarcasmo]

- Não, lá para Setembro [tradução: lá para o Natal]. Mas espera lá, vais-te casar em 2017?

 

NÃO. EU ESTAVA A GOZAR. PRIMEIRO QUERO LIVRAR-ME DE ORTODONTISTAS VÁRIOS E DEIXAR DE TER ESTE AR DE PITA DE 14 ANOS, PARA AS CRIANÇAS/PRÉ-ADOLESCENTES ME LEVAREM A SÉRIO E EU PODER SER PROFESSORA DELES. SÓ ASSIM ARRANJAREI UM EMPREGO, SÓ ASSIM TEREI DINHEIRO E SÓ ASSIM ME PODEREI CASAR COM O MEU FOFINHO, QUERIDINHO RICARDINHO. AMOR E UMA CABANA O TANAS.

 

Sem stress, lá para 2050, estarei despachada!

Chatices comezinhas

Ultimamente, tenho-me envolvido em mais projectos do que devia. Tenho-me cansado mais do que devia. As pessoas perguntam-me se me sinto bem mais vezes do que o costume. É normal, porque costumo ser uma tagarela imparável e impagável e ando simplesmente a ser uma criatura aborrecida, dormente.

Preciso de descanso, por favor! E já tomei uma decisão: apesar de já ter enviado algumas candidaturas para trabalhos de Verão na semana passada, se ninguém me responder a essas, também não me candidato a mais. Este ano, o primeiro de três, decidi que não vou trabalhar fora de casa. Tenho o copywriting e já me chega. Nem que tenha de pedir mais trabalho em freelance, mas vai ser tudo muito mais soft do que nos anos anteriores!

Estou farta de chatices comezinhas, irritantes, gente ignorante, professores desleixados e fracos, pessoas "pequeninas" e mal-amadas, mal-agradecidas e etc e tal. Só falta um mês, só falta um mês e depois tudo isto passa.

Quando chegamos ao ponto de pespegar os olhos no Facebook (eu sei, cheguei ao ponto de avaliar a realidade por uma rede social, que medo) e vemos que o resto do mundo continua a girar, que há vida além-nós, apesar de tudo, apesar de não termos sequer tempo de comer uma sandes, quanto mais de apreciar os arredores à luz do dia, apercebemo-nos de que decerto há qualquer coisa de errado connosco.

Preciso de respirar, porque ontem à noite é que já me faltava o ar. Tenho de me deixar destas maluqueiras!

 

 

Então e vocês, o que têm feito?

Como atender chamadas indesejadas de call center

Estou a falar com a Srª D. X?

Querem saber como atender chamadas indesejadas de call center, mantendo uma postura correcta, mas assertiva?

 

Até trabalhar num call center, nunca entendi na minha cabecinha que quem nos falava do outro lado da linha, a tentar vender-nos ou a convencer-nos sobre qualquer coisa, também era um ser humano. Aliás, nunca cheguei sequer a intelectualizar o assunto. As chamadas publicitárias, para questionários, para nos oferecer o último tarifário mais cool eram lixo e despachadas com um tchauzinho breve, que eu raramente me interesso por essas campanhas com abordagem telefónica (antes, hoje e quase sempre).

No entanto, depois de ter trabalhado durante três meses na porcaria de uma empresa de call center, a minha perspectiva alterou-se drasticamente. Continuo a irritar-me com tanto telefonema acerca da mesma campanha, continuo a achar que o contacto é demasiado violento e forçado. Mas já não culpo o operador que, coitado, lá anda a penar em representação de um gigante capitalista, género empresas de telecomunicações. Penso sempre "ok, vou tentar facilitar a vida a este bacano, facilitando a minha também". Agora, até me divirto um bocadinho, quando lhes ataco as defesas todas, que já conheço de gingeira.

 

1º - Atender pacientemente as chamadas, perceber se já sabemos qual o objectivo do contacto, se é algo que nos possa potencialmente interessar (acontece, não é?).

 

2º - No caso de não estarmos interessados: Ouça, eu já sei dessa campanha há meses porque sou uma pessoa informada. Além disso, já trabalhei num call center e sei que tem aí uma opção ou um botão no seu formulário que diz "Não estou interessado.", ponto final, ou mesmo com outras justificações. Está a ver? É mesmo aí que tem de clicar.

 

3º - No caso de o 2º procedimento não funcionar: repeti-lo até ser seguro que clicaram mesmo lá no botão e que vocês esterão salvos... até à próxima campanha, pelo menos.

 

4º - No caso de o 3º procedimento não funcionar: ameaçar chamar o chefe de equipa ou o supervisor, ou mesmo ligar para "instâncias superiores".

 

5º - No caso de nenhum dos procedimentos anteriores, desejar um bom dia, uma boa tarde ou uma boa noite, desligar delicadamente e esperar pela próxima picada. Oh, oh, que ela há-de chegar! No serviço onde eu trabalhei, cada campanha dava direito a um máximo de seis!

 

Quem sabe do que fala e vos avisa vossa amiga é, com certeza! Sei a dor que é, tanto realizar quanto atender estas chamadas de call center. E detesto ambas as experiências. Ultimamente, então, tenho recebido demasiadas, com demasiada frequência.

As mães "mais lindas"

Ai a tua mãe é a mais linda? Ai é a mais bonita, a mais esplêndida, a mulher mais elegante à face da Terra? Mas aposto que lhe ofereceste maquilhagem ou outros produtos cosméticos como presente no Dia da Mãe, não foi? É que as mães também têm rugas e, para no ano seguinte continuarem arrebitadinhas e fresquinhas, não deixam de precisar daquele recauchutamento extra, não é? Precisam dum cremezinho anti-manchas, duma loção anti-celulite, duma roupinha que as faça parecer mais magras, dum perfume para não cheirarem ao peixe que grelharam ao almoço.

 

Acham que eu não vos toparia? Oh oh, à distância!

Estou a brincar. Eu também ofereci um lápis de lábios à minha mãe-avó. Mas foi só porque ela se está sempre a queixar que não acerta com a cor dos batons quando os compra (eu tenho sempre desculpa, porque sou eu que escrevo este blogue).

 

 

Feliz dia da Mãe, da Mãezinha, da Mamã e da MÃÃÃÃÃE, VISTE OS MEUS TÉNIS? ESQUECE, JÁ ENCONTREI.

O fim dos anos "teen" (nãããão!)

Os últimos tempos têm sido de constante mudança. Não sou só eu - também todos os meus amigos estão a tornar-se indivíduos adultos e a definir com cada vez mais clareza que tipo de pessoa, com que tipo de interesses, com que tipo de ambições vão ser.

Ando muito nostálgica por estes dias. Neste grupo, há quem já esteja a dar os primeiros passos numa carreira musical, há quem já esteja quase a acabar os seus cursos, há quem tenha terminado relações de longo prazo sem muito mais futuro, há quem continue à procura de novas soluções e de novos caminhos. Mas todos, todos nós começamos a ficar cada vez mais diferentes uns dos outros. As personalidades que têm sido moldadas durante anos anteriores estão a estruturar-se e a solidificar-se. Mesmo que as pessoas se encontrem em permanente evolução ao longo da vida, creio que no final da adolescência deixe de haver aquela mudança constante que sentíamos quando tínhamos 15, 16, 17, 18 anos. Foi como se, entre os 19 e os 21 anos, se estivesse a operar uma magia qualquer.

O meu grupo de amigos, não aqueles que fiz posteriormente na faculdade, mas sim aqueles com que cresci (uns, desde os tempos de colégio, outros que conheci no secundário) enchem-me de uma ternura imensa. A diferença de idades, entre os 17 e os 23 anos, não interfere, porque andamos todos muito a par dos restantes no que toca à evolução pessoal. Penso que, acima de tudo, fico feliz por ninguém estar a ficar para trás e por poder assistir ao que cada um vai fazendo com a sua vida.

Tenho muita sorte por todos os meus amigos gostarem uns dos outros. Eu sou amiga de todos eles, nem todos são amigos do peito entre si, mas entendemo-nos às mil maraviilhas e, quando uma parte do grupo se decide juntar, juntam-se todos e acabou-se. Acho que já o referi aqui imensas vezes e hei-de repeti-lo sempre que me sentir tão nostálgica quanto neste momento.

É o fim dos teen, não é? Está-me a bater aquela impressãozinha que me aperta o coração.

Tornar-se adulto deve ser "isto"... O pessoal não sabe se há de permanecer nos teen, se há-de ser c'xido.

Acho mas é que "isto" é tudo muito repentino e precoce, pá! Estou mas é depressiva!

Modo: princesando

A Duquesa de Cambridge entrou no hospital às 6h da manhã, meteu a miúda ao mundo às 8h34 e antes das 18h30 já está cá fora a acenar aos paparazzi com a filha ao colo. Hummmm...

 

Provavelmente, hão-de me culpar de estar a estragar o momento, de estar a arruinar a beleza da celebração, de ter a mania da perseguição e da conspiração e blá blá blá.

Olhem, minha gente, não é que eu já tenha estado alguma vez grávida, mas cá para os meus botões acho que a Kate Middleton está com um ar muito fresquinho e delgadinho para quem acabou de trazer uma criança à luz da vida, depois de 9 meses de supostos enjôos que muito divulgados foram na impresa de cá, de lá e de além-mar (se for verdade que esteve grávida, quero saber o truque para aquelas perninhas torneadas!!!). Não é suposto uma mulher no estado dela ter as mamas inchadas, os tornozelos dilatados e a cara opada? Aposto que não há maquilhagem alguma no universo que disfarce o aspecto cansado e "alargado" de uma mulher que esteve grávida até há doze horas.

E não é suposto uma mulher, principalmente uma futura rainha, preferir ficar no repouso do hospital 5 estrelas durante mais do que doze horas, talvez um dia?

Tudo isto para vos dizer que andei a ver as fotos da gravidez da Duquesa, que foram compiladas pelo The Telegraph, e aquela barriga andava muito estranha. Ora ficava maior, ora ficava mais pequena, ora aos sete ou oito meses de gestação a moça andava para ali de saltos com uma barriga minúscula... Bem, sou muito céptica quanto a estas gravidezes da Kate Middleton e todo o espalhafato e polémica em seu redor. 

Seja como for, tenha a bebé sido inseminada, gerada in ou out vitro, dada à luz por outra mulher ou tantas mais teorias que me vagueiam pela mente, uma criança é uma criança e pronto, esta é mais uma (fofinha, como todos os bebés são) que nasceu em berço azul e que há-de crescer sempre perante o escrutínio de uma bandalha incansável de fotógrafos e jornalistas. Não sei se lhe invejo a sorte, não sei mesmo. Só espero que tenham juízo e que deixem a princesa (e o príncipe George, claro) viver uma infância pacífica e que respeitem o seu desenvolvimento - isto é, dentro do possível.

 

Fotos: http://www.telegraph.co.uk/news/uknews/royal-baby/11534855/kate-middleton-labour-royal-baby-born-live.html