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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Não sou contra o aborto

Não sou contra o aborto.

Sei que há vidas que não podem ou que não devem vir ao mundo, sei que há potenciais pais sem condições económicas e/ou psicológicas para apoiar uma criança, sei que há violações, sei que permitir que nasça um bebé doente ou incapacitado não é uma alternativa. Sei que há acidentes todos os dias e que qualquer comum dos mortais os pode ter - nunca dizer nunca. Sei que os centros de saúde e as farmácias nem sempre conseguem garantir os contraceptivos (em três anos a tomar a pílula, a minha já esgotou três vezes no centro de saúde durante várias semanas, e nunca a encontrei nas farmácias senão em caixas mensais). Sei que há mesmo quem não esteja devidamente informado acerca dos contraceptivos disponíveis no mercado e sobre como os utilizar (infelizmente, nem sempre a culpa é dessas pessoas).

Não sou contra o aborto, sou muito a favor do aborto! Mas não em demasia. Também há quem abuse e escolha o aborto como quem toma a pílula do dia seguinte e isso está errado. Estas mulheres sim, a partir de um determinado número de interrupções voluntárias de gravidez registadas, é que deviam ser submetidas a médicos objectores de consciência, e a longas entrevistas, e à mais alta taxa moderadora possível - não aquelas a quem aconteceu um imprevisto, e que, por muito que tenham em mente a sua responsabilidade sobre o apagar de uma existência em formação, devem ter sempre nas suas mãos o pleno direito de veto sobre a sua vida, sobre o seu futuro e sobre o seu corpo. É macabro que as queiram sujeitar a mais dor e a mais dilemas e a mais sentimentos de culpa impostos, calcados na sua mente. Nojentos! 

 

Já agora: ah e tal, a abstinência é o melhor contraceptivo? Mas quem são os outros para ditar como uma mulher conduz as suas relações íntimas? Quem são eles para decidir se a mulher se pode (quer!) abster de uma vida sexual saudável, importante para garantir o seu bem-estar mental e, por consequência, físico? A mulher (e o homem com quem ela escolher praticar o acto) é um ser humano, caramba!

 

No ano de 2015, após um século de evolução social e de luta pelos direitos da mulher, é inacreditável que este ainda seja um tema de discussão ferverosa, que ainda haja por aí pseudo-conservadores, defensores dos pseudo-bons costumes, que se opõem ao aborto. Já nem a religião serve de bode expiatório, get over it!

Filhos de emigrantes, vocês falem-me e leiam-me em português, fáxavor!

Contextualização: ainda não vos tinha contado no blogue que estou a trabalhar na Bilioteca de Jardim da minha zona. Só está aberta em Julho e Agosto, assim como as Bibliotecas de Praia, e temos livros, revistas, jogos e actividades para crianças e adultos (mas, principalmente, para as últimas). Pertenço à equipa de Julho, por isso só me resta mais uma semana de trabalho! Estou a gostar muito, já agora.

 

E agora passemos ao motivo que me leva a vir fazer queixinhas ao antro de procrastinação...

Uma vez que nos encontramos de momento na época do Verão, é mais frequente os emigrantes regressarem a Portugal para ter férias por volta desta altura. Além deles, vêm os filhos, muitos deles até nascidos em Portugal, no caso dos emigrantes de gerações mais novas.

 

Na Biblioteca, tenho trabalhado com algumas crianças destas e digo-vos já que estou cho-ca-da. Não, não estou chocada com a existência delas, mas sim por algumas características suas.

Dê-se o caso de um menino de quatro anos, que foi viver para Espanha com os pais aos dois ou uma idade parecida. Não é que o miúdo não fala português??? Mas, afinal, o que é que se falará em casa? Não me digam que só falam espanhol (vá, castelhano), que até me cai o maxilar aos pés! Compreender-se-ia que o menino estivesse confuso, ainda por cima com duas línguas tão parecidas a dominarem-lhe a cabecinha tão jovem. Mas nunca na vida eu anularia a um filho meu a possibilidade de ser bilingue! Teria vergonha se ele viesse passar férias com os avós e não soubesse contar até dez em português, na língua materna dos pais!

 

Outro caso: uma menina com (para aí) dez anos, em Inglaterra desde os três, sabe falar português como se cá tivesse vivido a vida toda, mas... que não sabe ler nesta língua, só em inglês. Olhem, eu passo-me com estas coisas. Será que não há um pai ou uma mãe que ensine esta rapariga a ler português? E quem diz o pai ou a mãe também diz o resto da família que cá a recebe. Ou a própria da menina, que já tem idade para ter iniciativa (o problema é a falta de interesse por parte de quem a rodeia, por isso até se entendem as consequências). Ainda tentei convencê-la de que é o máximo poder-se ler em várias línguas, ser-se fluente, e que só há benefícios em aprender a ler numa língua que ela já fala, mas os meus esforços foram em vão.

 

Pergunto-me se os pais destas crianças pertencem àquele tipo de emigrantes que não se importam de perder o contacto das suas raízes, por mero ressentimento ou sentimento de descredibilidade em relação ao país que tiveram de abandonar. Acharão eles que a língua portuguesa é assim tão insignificante que nem merece ser falada? Acharão eles que vale a pena privarem os filhos da possibilidade de serem bilingues e de se tornarem, desse modo, indivíduos mais ricos? Depois admiram-se que as Nellies Furtado e que as Katies Perry deste mundo tenham pais portugueses, mas que não falem nada senão inglês.

 

Enquanto escrevo isto, lembrei-me de que eu mesma sou uma dessas crianças. Não costumo pensar nisso, mas é verdade: a minha mãe é filipina e não foi por causa disso que não deixámos de falar SEMPRE em português (até deixarmos de falar de todo, vá), apesar de não ser a língua materna dela. Onde estão o tagalog/filipino e o inglês na minha vida? O último, aprendi-o na escola, como qualquer outra criança portuguesa; sou (digamos) fluente em inglês porque calha, porque sempre gostei dele, porque leio imenso e vejo muitas séries e filmes sem legendas, porque o estudo. E o primeiro gostava eu de o entender, e sinto que perdi uma oportunidade maravilhosa de conhecer uma língua que nem todos podem ou querem aprender, assim como a cultura que emana, que se lhe encontra subjacente.

 

Uma língua não tem de apresentar uma justificação para ser aprendida. Saber ler e falar outras línguas ajuda-nos a compreender melhor o mundo, a maneira como os seus falantes comunicam e se comportam, como interagem. Ser-se bilingue ou trilingue ou, pelo menos, fluente em línguas estrangeiras até melhora as capacidades e potencialidades do nosso cérebro, ajuda-nos a manter determinadas ligações nervosas activas. Como é que alguém pode ser capaz de negar uma língua praticamente dada a um filho?

 

Tenho uma amiga ucraniana-portuguesa (como gosto de pensar nela), a Solomiya, que veio para Portugal com dez anos, para se juntar aos pais que já cá estavam há cinco. Escreve e fala estas duas línguas, ucraniano e português, como se sempre o tivesse feito, como se tivesse nascido e sido criada cá. O irmão mais novo dela é mais português-ucraniano - ele sim, nasceu cá. A Solly costuma dizer que fala português com sotaque ucraniano e que o irmão fala ucraniano com sotaque português, e em casa falam todos ucraniano entre si, não deixando de ser fluentes em português, até os pais. Falam melhor português que muitos portugueses, mas não deixam que os filhos esqueçam o ucraniano. É a própria Solly que ensina o irmão a lê-lo e a escrevê-lo. E, se os amigos dela quiserem, também já disse que nos ensina a língua. Acho este exemplo maravilhoso.

 

Se eu pudesse, se tivesse disponibilidade, aprenderia todas as línguas criadas na Babel mitológica e respectivas ramificações! Por agora, enriqueço o meu português, faço um esforço por elevar o meu inglês a nível nativo e continuo a aprender francês e espanhol. Já disse que o próximo a entrar na lista será o neerlandês?

Os fraldários

Provavelmente, este tema já há-de ter sido discutido na blogosfera ou, seja como for, somewhere. Ou não. Mas quero acreditar que sim.

Quero falar de fraldários. Quero escrever sobre os fraldários, quero fazer incidir um bocadinho de atenção sobre esses equipamentos que assomam o nosso caminho logo à porta das casas-de-banho públicas, daquelas que se podem encontrar nas estações de comboios, nos centros comerciais, nas bombas de gasolina, nos parques e jardins... Por aí. Não é que pretenda tornar o tópico numa larga discussão, mas os fraldários andam aqui a dar-me uma comichãozinha.

 

 

Lanço a ideia com uma simples questão: onde costumam estar os fraldários? Nas casas-de-banho das mulheres, é onde eles costumam estar, os ditos cujos! Já me tinha apercebido disso antes, mas hoje tive uma espécie de epifania ao cruzar-me com um.

 

 

The DUFF - eu sou uma DUFF!

Não é que eu tenha uma auto-estima muito baixa (por favor, eu sou fantástica, ehehehe), mas as minhas amigas são muuiiito giras, por isso, em comparação a elas, acho que passo bem por DUFF - Designated Ugly Fat Friend. Este termo não define obrigatoriamente alguém feio e gordo, mas sim aquele que passa mais despercebido no grupo de amigos.

Só que... acho que este termo é demasiaaaaado high school drama. No secundário, devia ser mesmo eu, mas o que lá vai... lá vai! Restam-me os filmes americanos, que fazem dessa fase das nossas vidas uma novela hollywoodesca! Como este: The DUFF.

Seja como for, já estava a precisar um bocadinho de filmes assim, de coisas ridículas cheias de lamechices e clichés (menina patinho-feio luta por se fazer notar no ensino secundário, rapaz podre de giro, popular e atleta que parece ser amigo para sempre acaba por ficar caidinho por ela) e paternalismos desnecessários (ai a miúda é que tem de mudar para agradar aos rapazes? ai a miúda mais gira é a estrela, a rainha do baile, burra que nem uma porta e faz vlogs enquanto não entra num reality show? ai os rapazes são uns engatatões e jogam todos futebol ou tocam todos uma guitarra para engatar as babes?).

Olhem, caiu que nem ginjas só para entreter (adormecendo) o cérebro.

 

 

Já agora, R.I.P Wareztuga. Enquanto a vida continua, acho que vou começar a socorrer-me do TOPPT.NET.

 

20 anos

Há quase um mês que tenho 20 anos. Talvez, quando chegar aos 30, perceba qual é o drama completar mais uma década.

A mim, os 20 anos assentam-me de feição. Os 19 já tinham assentado, mas "20" é um número mais certo, mais determinado. É redondinho, impõe um certo respeito, já tem independência, mas ainda tem desculpa para ser dependente quando lhe convém.

São cada vez menos as pessoas que me desejaram feliz aniversário, mas isso não me deixou triste este ano - muito pelo contrário, fiquei muito feliz. Na blogosfera, destaco o maior PONeLeiro do pedaço, que penso já se ter lembrado dos meus anos em 2014; ele é um simpático.

Passando a assuntos de ordem mais prática, vou aqui rabiscar uma data de apontamentos sobre desejos que já gostaria de ter alcançados no final da próxima década (ou seja, ai-de-mim-que-não-os-tenha-concretizado-antes-dos-30):

  1. Conseguir ler Os Maias ATÉ AO FIM (a verdade é que já li outros livros do Eça de Queirós, mas estou farta de começar e recomeçar este e só chegar insistentemente a meio, para depois perder o ritmo);
  2. Conseguir ler Ana Karenina ATÉ AO FIM (idém);
  3. Casar (com o Ricardo; se a vida nos tiver trocado as voltas nessa altura, se já não estivermos juntos por algum motivo, só o tempo dirá se ainda me apetecerá vestir de noiva e dizer aqueles votos todos foleiros mas fofinhos e etc e tal);
  4. Conseguir um emprego digno - de mim, dos meus estudos, do meu esforço e dos meus desejos de constituição de família a médio prazo (gostaria de ser professora, por exemplo - se for professora universitária, tanto melhor);
  5. Viajar para, pelo menos, um destino noutro continente;
  6. Ter um carro que tenha sido fabricado depois de 2005;
  7. Ter um livro publicado.

 

Sou uma lamechas, pá!