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Pela boca morre o peixe

por BeatrizCM, em 30.10.15

Ando bem fartinha desta conversa da Organização Mundial de Saúde, mais das organizações ambientais, acerca do que devemos ou não comer. Sinceramente, daqui a nada nem um pauzinho de esparguete podemos saborear. E ele são as carnes vermelhas que blá blá, e ele são as carnes frias que mi mi, e ele é o leite que tem hormonas animais, e os enchidos que têm colestrol, e coitadinhas das vaquinhas que andamos a comer, e o peixe que consumimos que traz uma pegada ecológica com consequências indesejáveis...
Muito em breve, só poderemos pastar ervas daninhas. A pouco e pouco, parece que as autoridades do assunto nos querem tirar o pão para a boca (pois, pois, que o pão leva farinha, que é obtida através dos cereais, cuja plantação exaustiva desgasta os terrenos... e os cereais costumam ter glúten... ai ai, que já faltou mais!).
No fundo, eu só gostava que nos começassem a dizer o que é que PODEMOS comer, em vez de todos os dias saírem notícias sobre o que NÃO PODEMOS comer.
Ah e tal, basta ir a lojas de produtos naturais e vegetarianos, tipo o Celeiro, ou às secções dietéticas dos supermercados.
MEUS BONS AMIGOS, ACHAM QUE EU VIREI RICA PARA ANDAR A COMPRAR BOLACHAS DE 3€???

Em suma, a minha bisavó, alentejana de nascença feita alfacinha, deve ter falecido aos 102 anos pelo excesso de bifes, chouriço, migas e iogurte que comeu na sua vida. Não fossem as hormonas animais, o colesterol, o glúten e a lactose e ainda cá estaria para ver nascer meia dúzia de trinetos.

 

Pela boca morre o peixe.

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Judite de Sousa no telejornal, ou não

por BeatrizCM, em 26.10.15

Das memórias que tenho, não me lembro de alguma vez ter gostado particularmente da Judite de Sousa. Compreendo que chegou a uma posição profissional muito favorável na televisão portuguesa, mas não a considero uma jornalista. Considero-a uma apresentadora, e a um nível inferior ao da Júlia Pinheiro ou da Fátima Lopes nos últimos meses.
Desde que lhe faleceu o filho que o profissionalismo da Judite de Sousa tem caído desmesuradamente. De facto, admiro-lhe a força de vontade para se manter activa, apesar da tragédia que lhe aconteceu e que não se deseja a ninguém, mas muitas das suas qualidades profissionais encontram-se (especialmente) desaparecidas desde então, o que não me parece positivo nem para ela, nem para a TVI, nem para os telespectadores.
Depois da morte de um filho, ainda por cima único, é previsível que uma pessoa se sinta em baixo, baixo, baixo. Que a sua imagem se degrade e que a pessoa envelheça. Que perca muita da sua força.
E por isso é que não consigo encontrar nenhuma justificação para a insistência da TVI em manter a Judite de Sousa como pivot do telejornal da noite. Ainda há uns meses fez as capas de imensas revistas por ter sido "internada em estado grave". Em emissão, a voz quebra-se-lhe frequentemente, o seu aspecto físico mostra uma mulher debilitada, o discurso não é fluente. Inclusivamente, ontem, ficou emocionada durante a entrevista que fez a Simone de Oliveira. Aliás, a entrevista depressa se transformou numa sessão de aconselhamento, em que a entrevistadora Judite decidiu perguntar (de forma naaada explícita) à entrevistada Simone de que forma é que sobrevivera e conseguira arranjar motivação para superar os momentos mais duros da sua vida. E ainda colocavam em questão a credibilidade jornalística do telejornal da TVI por causa dos 20 minutos de Ricardo Araújo Pereira??? Pois agora é a minha vez de a desafiar com a hora e meia de Judite de Sousa. Ou será que aquela conversa fiada e mais infeliz não poderia ser guardada para os bastidores? Por que motivo é que os telespectadores são convidados a assistir ao drama alheio? Não chegam as telenovelas?
Por muito tristes que sejam os motivos desta ausência de profissionalismo, há que estabelecer limites. Precisar de trabalhar para superar uma perda de modo menos dramático não implica obrigatoriamente que a pessoa se vá mostrar em plena forma no desempenho das suas funções. Muito pelo contrário. Especialmente porque ocupa uma função que lhe garante muita visibilidade pública, para o bem e para o mal, Judite de Sousa devia ser afastada dos ecrãs durante mais algum tempo. Não digo que tenha de deixar de trabalhar, mas sim que poderia começar a fazê-lo mais atrás das câmaras do que à frente delas. Ah e tal, mas à frente é que ela se sente bem, a fazer aquilo em que é melhor profissional. Então, nesta altura do campeonato, imagine-se o que fará de pior.
Esqueçam os sentimentalismos de blogosfera. Nada de "coitada, morreu-lhe o filho, não lhe podemos tirar a última coisa positiva na sua vida". É do desempenho de uma profissão que estamos a falar.

 

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Quanto custa um canudo?

por BeatrizCM, em 22.10.15

Após quase três anos no ensino superior, descobri finalmente o que é que me aborrece tanto, o que me deixa sequiosa por acabar a licenciatura. A minha maior dificuldade foi aprender a nomeá-lo, mas agora já sei dar um nome ao que sinto: frustração.

Frustração perante a falta de interesse e empatia de certos professores em relação aos alunos e perante a sua falta de interesse em evoluírem eles próprios ao fim de décadas ou depois de terminarem os seus doutoramentozinhos numa qualquer matéria que não interessa nem ao menino Jesus.

Frustração por causa de colegas que, por algum motivo que me transcende, decidiram entrar no ensino superior sem demonstrarem qualquer interesse ou apetência para o estudo e para a reflexão.

Frustração por raramente me sentir compreendida. Frustração por raramente conhecer pessoas com quem me identifique.

De facto, tanto há professores sem vocação para executarem uma tarefa tão nobre quanto ensinar e contribuir para o semear iluminado de novas gerações, quanto também há alunos sem vocação para pisarem o chão sagrado de uma faculdade. Cada vez que uns ou outros abrem a boca, regurgitam maioritariamente lixo.

Chamem-me arrogante, chamem-me exigente sem causa, digam que estou errada e que o ensino superior é um mar de rosas (tal como a escola secundária, não é?). Esta é a minha experiência. Uma pessoa não se sente desmotivada só porque sim.

Compreendo que nem todos os alunos tenham de ser tão ambiciosos quanto eu reconheço que sou, compreendo que nem todos tenham de estar decididos, assertivos e conscientes dos seus objectivos de vida aos 20 anos. Reconheço que guardo insistentemente expectativas elevadas acerca de quem me tenta ensinar e que muitas das vezes eles são apenas investigadores mal subsidiados pela FCT.

Mas podiam esforçar-se, certo?

No que toca aos jovens, é verdade que a ausência de perspectivas de futuro profissional a curto ou a médio prazo demove muita gente acerca da urgência e da relevância em descobrir o que pode construir a longo prazo para si. Mas, caramba, se é para andarem a esbanjar o dinheiro dos papás, bem que podiam escolher um entretenimento mais barato para se ocuparem! Tenho colegas na Universidade Católica que andam a pagar quase 500€ de propinas mensais porque, no final, o que interessa é o canudo. Até aposto que muitos deles provêm de famílias cuja derradeira ambição é verem as criaturas trajadas e "senhoras doutoras".

Hoje em dia, em troca de alguns milhares de euros, qualquer abécula pode arranjar um título académico.

E nem me admiro que, a fazer pandã, qualquer intelectualóide possa igualmente dar umas aulas (que o confirmem, por um lado, os testes elaborados pelos professores de 3º ciclo dos meus explicandos e, por outro, a pedagogia de biblioteca adoptada pelos docentes do ensino superior).

 

Fico à espera do mestrado para a prova dos nove.

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Fui estudar fora, muito cá dentro

por BeatrizCM, em 13.10.15

Provavelmente, ainda não expliquei ou dei a entender de forma explícita as razões pelas quais estou a fazer um semestre noutra universidade, apenas a umas ruas de distância daquela onde tenho estudado durante os últimos dois anos. Por isso, até para proveito de quem esteja a pensar em fazer o mesmo, aqui vos deixo um pequeno relatório acerca do que se tem passado.

 

Como é que é possível fazer um semestre noutra faculdade em Portugal?

Neste quinto semestre da minha licenciatura em Ciências da Cultura, decidi abandonar temporariamente a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em detrimento da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa. Uma vez que o faço ao abrigo do Programa Almeida Garrett, uma espécie de Erasmus a nível nacional, apenas pago as propinas da FLUL. A UCP é a única universidade "privada" que faz parte deste programa - na verdade, o seu ensino é considerado público ou cooperativo (um meio termo, vá).

 

Por que é que escolhi participar no Programa Almeida Garrett?

Não há muitos alunos que conheçam este programa e são ainda menos aqueles que participam nele. Tenho professores que também nunca ouviram falar em tal coisa. Mas desde que li acerca dele no site da FLUL que tive vontade em experimentar a oportunidade.

Uma vez que não tenho condições para deixar de trabalhar nem para pagar uma residência, quarto ou casa noutro país, participar no programa Erasmus seria impossível para mim. Por isso, o programa Almeida Garrett, ao estilo Viagens na Minha Terra, pareceu-me uma alternativa viável. 

E eu queria era mudar de ares, experimentar outros tipos de ensino, professores, colegas, cânones académicos. O meu quarto semestre da licenciatura deixou-me exausta, muito desmotivada e farta de certas atitudes da parte de alguns professores, pelo que precisei de sair da rotina e abraçar um novo projecto.

 

Por que é que escolhi a UCP e não outra instituição de ensino universitário noutra cidade do país?

Mais uma vez, por causa do trabalho e por não ter condições para pagar alojamento fora de Lisboa, tive de me ficar por estes lados. Assim, as únicas opções a ter em conta seriam a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e, obviamente, a FCH-UCP. E eu sempre quis ir para a Universidade Católica, onde até conseguiria entrar sem pagar propinas no primeiro ano - o pior seriam os dois anos seguintes. Além disso, sempre ouvi falar no seu ensino de referência e no valor que a UCP tem no currículo (apesar de a minha estadia ser curta ahaha).

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Acho que o Programa Almeida Garrett é uma oportunidade imperdível para quem quer uma nova aventura, mas mais perto de casa!

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O fim-de-semana é para o descanso

por BeatrizCM, em 11.10.15

Lembro-me de ainda andar na escola primária, de ter trabalhos de casa para fazer e de o meu pai me ter dito um certo dia que os fins-de-semana são para descansar. Não se trabalha ao fim-de-semana.

Ou seja, mais vale matarmo-nos a trabalhar de Segunda a Sexta-Feira, do que ficar com tarefas de sobra para Sábado e Domingo.

Cada vez me tenho convencido mais disso. De facto, sabe tão bem ter uma bonança depois de uma tempestade...! Eu sei que isto vai tudo muito contra os princípios da procrastinação, ou assim parecerá, mas ultimamente tenho-me esforçado por terminar todos os afazeres académicos à Sexta-feira (ou ao Sábado de manhã, quando ainda tenho aulas de Francês), para depois não ter de pensar mais no assunto durante quase dois dias. Se não os tiver terminado... Espero que Segunda regresse. O fim-de-semana é para a preguiça e para a eventual procrastinação. Enfim, para não sermos nada "produtivos".

Obviamente, é muito raro eu não acabar por adiantar qualquer coisinha durante o fim-de-semana. É que eu até gosto meeeesmo do que estudo. Dá-me prazer levar o trabalho em avanço.

No entanto, recomendo-vos vivamente - não deixem para Sábado o que podem fazer Quarta-Feira! Ou, se o deixarem para Sábado... Olhem, procrastinem-no até ao fim de Domingo!

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