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Era uma vez, no Facebook

por BeatrizCM, em 27.01.16

Ainda está para ser descoberta a razão por trás de os meus colegas da faculdade (principal e ultimamente os da Universidade Católica) me estarem todos a adicionar no Facebook. Pelo menos todos aqueles a quem falei uma vez na vida o têm feito.
Mas porquê? E para quê?
Porque, de repente, se lembraram de que eu sou a pessoa mais interessante à face da terra? Ou para me poderem conhecer melhor, isto é, para me fuçarem no perfil e confirmarem as suas expectativas em relação a mim? E, seja como for, embora eu tenha passado quatro meses a vê-los quase todos os dias, no final, da quantidade de colegas com quem tive aulas, só fiquei amiga de uma.
Até à época de exames, ainda foi naquela: queriam pedir-me apontamentos, perceber melhor a matéria. Já nessa altura se deram mal comigo, que eu deixo esse tipo de mensagem por ler ou desvio o assunto. Agora... Bem, agora que eu não voltarei a ser colega deles, que qualquer oportunidade de contacto pessoal comigo já se esgotou, qual a utilidade de me coleccionarem na lista de amigos das redes sociais? Só se for para eu me tornar mais uma a distribuir-lhes likes. Enfim, sem comentários [originais].
Além do mais, o que se aplica aos meus colegas da faculdade aplica-se de igual forma a qualquer pessoa com quem me cruze.
Não, eu não aceito desconhecidos "em amizade". Tenho o meu perfil em modo privadíssimo por algum motivo. Dizerem-me bom dia de vez em quando e saberem o meu primeiro nome não é o suficiente para lhes conceder acesso a informações privilegiadas, como quem são a minha família, os meus amigos de carne e osso, onde vivo, qual é o meu meme favorito ou que jornais online é que eu leio. De qualquer maneira, sempre podem ler o meu blogue e pôr um like na respectiva página de Facebook. Aqui, já podem ser meu fãs à vontade, se é isso que o querem ser! Porque a amizade constrói-se frente a frente.

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Adeus, 5º semestre!

por BeatrizCM, em 21.01.16

E pronto, já só me falta um semestre de licenciatura. Algumas pessoas que conheço ficam muito admiradas. "O quê, já está a acabar?" Pois estou! "Mas que idade é que a Beatriz tem??!"
Ontem, contei a um dos meus explicandos que vou começar a "dar aulas" (estágio) daqui a menos de um mês a turmas de sétimo ano (alunos da idade dele!). O rapaz abriu muito os olhos, disse que não acreditava. "Não vai nada!" Pois vou! E esta é a incredulidade de quem só levantou a negativa a Inglês porque eu estudo com ele, lhe ensino quase tudo como se nem sequer passasse pelas aulas.
A minha avó já brinca: "Senhora doutora, como está a Senhora doutora?". É só para me picar.
Alguns dos meus professores da faculdade começam a interessar-se e a perguntar-me o que é que pretendo fazer depois da licenciatura. Alguns sugerem mestrados e percursos académicos futuros.
E daqui a seis meses serei uma miúda de 21 anos licenciada em Ciências da Cultura! Vejam só! Eu, que ainda passo por quinze e dezasseis e a quem os meus explicandos de doze, treze e catorze têm dificuldade em não tratar por "tu" (alguns tratam-me mesmo) - eu terei já estudado durante esses ditos quinze anos! E, mesmo assim, ainda me faltarão, no mínimo, 5 para estudar até onde quero!
Com 21 anos, como se já não bastasse namorar há uma eternidade com a mesma pessoa, também terei um canudo! E já terei dado explicações a pelo menos 6 alunos do ensino básico e secundário!!!! E dinamizado aulas com 4 turmas! E trabalhado em para aí 5 empresas e entidades diferentes! E viajado para pelo menos 4 países estrangeiros no espaço de 36 meses!
Acho que os números são extremamente curiosos. Eles falam por si, enquanto eu mal acredito que falam igualmente por mim. Aliás, eu é que falo por eles, não é? Eu é que os faço...
Nem dá para crer na quantidade de acontecimentos que couberam nos últimos dois anos e meio.

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Dar crédito

por BeatrizCM, em 16.01.16

Já ando para vos contar o seguinte episódio desde que ele aconteceu, na terça-feira, dia 12. Agora, depois de ler este artigo acerca de "propostas" insistentes de crédito, o assunto vem mesmo a propósito!

 

Resumindo os últimos desenvolvimentos da minha vida no ginásio, notei alguns desequilíbrios no decorrer da prática de exercício físico e associei-os de imediato à minha escoliose. Por isso, tive uma consulta de fisiatria na semana passada e fui mandada para a fisioterapia, para começar uma série de 15 sessões.

Coincidentemente, esta semana eu também precisaria de pagar o meu aparelho de contenção do maxilar inferior, uma vez que fui retirar o aparelho ortodôntico na quinta-feira. Juntou-se a fome à vontade de comer: dava-me mais jeito pagar estas coisas todas noutra data e não de imediato (50€ da consulta de fisiatria já pagos + 120€ de fisioterapia + 125€ do aparelho = não é brincadeira).

 

Assim, decidi ir pedir dois cheques avulso no banco onde tenho conta, que já agora é o Montepio Geral - e é bom que o saibam para não se surpreenderem quando apanharem desilusões no futuro.

No balcão onde se encontra sediada a minha conta, trabalham talvez 5 pessoas ao balcão e à secretária, se tanto. A maioria é uma simpatia, conhecem-me desde sempre, até me falam no supermercado se nos cruzarmos! Só que, quando fui pedir os dois cheques na terça-feira, calhou-me ser atendida pelo empregado menos - digamos - sorridente (cujo cargo dentro do banco desconheço).

 

A conversa decorreu mais ou menos desta maneira, intercalada por expressões faciais a deitar condescendência a rodos da parte do meu interlocutor:

- Boa tarde. Venho pedir dois cheques. (Entrego o meu cartão MB)

- Boa tarde. (Insere demoradamente os dados no computador) Sabe quanto custa cada cheque?

- Sim, são cerca de 6€, não é verdade?

- Hum... Sim. (Ainda a inserir dados e mais dados, sempre a olhar para o computador) Mas fica mais barato se comprar um livro de dez cheques, não sabia?

- Sim, mas preciso dos cheques para hoje e o livro ainda demoraria três dias a chegar.

- Hum... (Vai buscar o bloco de cheques, insere mais dados) A que é que os cheques se destinam?

- A consultas clínicas.

- (Insere maaaaaaaais dados, tira fotocópias e sabe-se lá mais o quê) E qual será o valor atribuído a cada cheque?

- Um será de 120€ e outro de 125€. Fisioterapia e dentista.

- (Insere mais dados. Percebe-se que me anda a ver a conta) Mas 120€ mais 125€ são... O seu saldo não chega a esse valor.

- Pois não, por isso é que preciso dos cheques, para os datar para outra altura do mês.

- Mas sabe que, para isso, seria mais prático pedir uma cartão Visa. (Foi neste momento que qualquer coisa de muito profundo em mim se engasgou e morreu de asfixia)

- Sim, mas eu não preciso do Visa, só quero mesmo dois cheques.

- (Tom de ameaça) Mas olhe que nem sempre os pedidos de cheque são aceites...!

- Sim, mas isto é uma situação pontual, por isso não preciso de cartão de crédito nenhum.

- Pois, pois, pense nisso do Visa. (Expressão facial completamente neutra, sem emoção, talvez mesmo um pouco Cara de Quem Ainda Não Percebeu Que Eu Pareço Ter Quinze Anos, Mas Não, E Mesmo Que Tivesse Não Deixaria De Ser Uma Cliente Como Qualquer Outra Pessoa)

 

Em suma... Amigos, então eu ainda não tenho um salário fixo a cair todos os meses na minha conta, não posso pedir a porcaria de dois cheques para os pré-datar, mas já posso ter um cartão de crédito????????????????????????????????!!!!!!

AH AH AH AH AH!

E assim é que se engana o freguês. Ah e tal, coitadinha, tem ar de ainda estar fresquinha, vou ver se lhe consigo impingir um cartão de crédito. O quê, ela ainda não tem um salário fixo? Não faz mal, os pais servem para aparar os erros dos filhos! Ai os pais depois não podem? Mete-se os gajos em tribunal para lhes penhorarmos os salários deles. Ai não têm o suficiente para ser penhorado? Não faz mal, o que interessa é ter saúde!

 

Já agora, a quem se cruzar na rua comigo: embora eu tenha esta cara bolachuda de mosca que zumbe mas não morde, no que toca a burocracias, dinheiros e essas matérias todas, eu sou um espírito já envelhecido de certa forma, uma moça muito bem avisada. Não me tentem passar a perna, que eu sou a primeira a ir-vos às canelas! Fui criada por uma avó com dentes de Rottweiller, oh oh!

 

E no final o homem não teve alternativa senão vender-me os cheques.

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O bicho de ensinar

por BeatrizCM, em 13.01.16

Eu gosto de ensinar. Aliás, adoro ensinar. Acho que, no fundo, nunca me imaginei a fazer outra coisa. Antes, desculpava o bicho, porque pensava que ele só era alimentado pelo contacto quotidiano com os professores. Durante muitos anos, quase toda a minha vida, a escola foi a única realidade que conheci. A escola, os livros, os meus colegas alunos, eu aluna, os professores.
Então, tentei desmistificar o meu bicho. Pus-me a explorar outros interesses, a procurar o gosto pelo jornalismo, pela escrita, pela cultura, pela literatura. Mas cheguei sempre à mesma conclusão: o melhor mesmo seria poder ensinar todos esses outros bichos, ser professora de qualquer forma.
Quando ensino alguém, quando ajudo alguém com os trabalhos da escola, quando sinto que transmito algum tipo de conhecimento; esse é o momento em que me sinto mais realizada. Estou a contribuir para o mundo, estou a dar a minha parte. Sem o meu bicho, outras pessoas, crianças, jovens, quem quer que seja, não conseguiriam alcançar o que alcançaram. Não conseguiriam encontrar aquele texto especial que lhes levei e que nunca leriam num dos seus manuais, não aprenderiam a conjugar o verbo "conseguir" tão depressa, não passariam a perceber outras línguas de forma tão rápida, nomeadamente a língua do estudo eficiente e a língua da curiosidade.
Neste momento, só aspiro a professora algumas horas por semana. Contudo, já contornei obstáculos que se julgavam insuperáveis. Ressuscitei o Inglês, semeei o Francês e tornei o Português menos pandoresco. Neste momento, são só crianças e adolescentes, mas quem se seguirá no futuro?
Como inimigas, tenho as metas curriculares. São inimigas agridoces, que tanto permitem aferir o "conhecimento" contabilizável, como impedem o aproveitamento de outras competências tão importantes como o crescimento pessoal do aluno, a responsabilidade ou a curiosidade na aprendizagem. "Ah e tal, se o aluno obtiver essas competências, conseguirá aprender, logo terá melhores notas." Por muito que o desejemos, a situação não é assim tão linear. Há quem demore mais a chegar ao "conhecimento" contabilizável do que outros. Há quem simplesmente não se adapte ao sistema de avaliação como ele é imposto. Há quem seja apenas um aluno brilhante a Ciências Naturais e deteste Espanhol. É assim tão inédito?
E depois há outro papel de "professora de 7 horas por semana": o de colmatar o que os professores de 40 horas por semana não são capazes de transmitir: justificar o conhecimento, explicar para que é que serve a matéria, atribuir-lhe uma vertente útil. De que é que serve aos alunos estarem a empilhar Os Lusíadas durante seis meses, se não lhes explicam em que é que eles ficam a ganhar? Somos todos tão bons a escrever cartas de motivação para arranjar empregos de sonho, em empresas de sonho, e abafando a competição... Porque é que não escrevemos também uma carta de motivação em nome da escola e do saber e da matéria, que convença as nossas criancinhas, e os nossos adolescentezinhos, e os nossos adultinhos de que aprender não é uma seca e de que para tudo o que aprendem há um intuito?

 

 

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Não consumir tantos bens materiais em 2016

por BeatrizCM, em 09.01.16

Comecei agora a ler Walden ou a vida nos bosques, de Thoreau, escrito no século XIX, quando o sistema capitalista começou a enraizar-se e a afectar a sociedade dos Estados Unidos da América.
Logo nas primeiras páginas, as únicas que já li, em todo o caso, Thoreau fala-nos acerca do hábito consumista e de como adquirimos tantos bens de que não precisamos. Como, quanto mais temos, mais queremos e sentimos necessidade de ter. Esta leitura está a coincidir com um modo de me relacionar com o dinheiro que tenho tentado adoptar.


Acho que eu mesma senti o entusiasmo do dinheiro durante o primeiro ano da licenciatura, que coincidiu com o período em que comecei a trabalhar. Finalmente, ganhava o que era meu por direito, a minha autonomia de o gastar onde e como me apetecesse (desde que reservasse algum para as propinas&transportes). Esta novidade submergiu-me durante alguns meses. Quando fui a Newcastle, fartei-me de gastar dinheiro em doces e em roupas que, apesar de não se encontrarem cá em Portugal, pelo menos pelos mesmos preços, não me eram assim tão necessários na altura. O que me valeu em Bruxelas e talvez em Paris foi ter menos espaço de bagagem disponível. Aliás, em Paris já eu me contive muito. Só comprei livros, segundo me parece, e algumas lembranças simples, como marcadores de livros e postais.
Acho que foi depois dessa viagem a Paris em Abril de 2015 que comecei realmente a olhar mais para as contas. Coincidentemente, antes de ir, chumbei no exame de condução - para fazer um novo teria de pagar 200€, quase o mesmo que pagara por toda a carta.
Olhando a gastos, acho que a minha maior despesa é em livros. No entanto, em 2015 passei a comprar com mais cuidado, porque em 2014 aprendi que nem sempre quantidade significa qualidade. O mesmo com a roupa, sapatos e produtos de beleza e de banho da Yves Rocher (pelos quais tenho uma pancadinha).
Em 2016, os meus maiores gastos inevitáveis continuarão a ser em livros. Em termos de roupa, em 2015 comprei o suficiente para não precisar de muito mais em 2016 (nomeadamente roupa de Inverno, um casaco de pêlo e calças). Também devo contar com a compra de um ou outro artigo de maquilhagem. Se calhar, vou investir numa boa paleta de sombras e em bons batons, mas não uso diariamente mais do que isso. Ah, e as viagens... Não esquecer as viagens. Em breve, farei uma ou outra!
Desde esta semana também passei a dar explicações a mais uma menina, além dos dois irmãos a quem já dava, e continuo o copywriting (se bem que com muito menos frequência, porque os pedidos já não abundam), por isso vou ganhando uns trocos.

Não me lembro de muito mais truques para poupar em 2016. Acho que apenas devemos guardar em mente que não precisamos muitos bens materiais para ser feliz e que - já sabem - quanto mais temos, mais queremos ter. Basta-nos adormecer o frémito consumista e saber controlar as compras por instinto. Poupar é mais com a Cláudia, por exemplo. Eu ainda não tenho um trabalho e um salário regulares para poder poupar quantias significativas.

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