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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

O amor dá-nos muitas perguntas e poucas respostas, mas principalmente dá-nos um certo trabalho que muitos não querem ter

Acabo de ler a mais recente entrada no blogue d’O Arrumadinho. Estou chocada, revoltada, angustiada, mas, acima de tudo, desiludida. Estes “adultos” deixam-me estupefacta.

Diz o autor que amor inocente só há na adolescência, que como esse já não vêm mais. Pronto, tudo bem, obviamente que todos crescemos e passamos a ver o mundo através dum filtro muito menos encantado. No entanto, depois diz que...

A merda da vida, e a forma acelerada e atribulada como ela vai acontecendo, rouba-nos quase sempre esta capacidade de amar só porque sim, de amar de forma deslumbrada e sem freios. Temos sempre de ter muito cuidado com tudo, temos sempre de ir muito devagar, temos de ter sempre em atenção as intenções dos outros, temos sempre de enquadrar o nosso amor no nosso passado e no passado das outras pessoas, temos sempre de racionalizar tudo o que fazemos e sentimos, sendo que isso é precisamente o oposto de sentir.

Aí é que já não aguentei mais. Realmente, que chatice, ter em conta o que as pessoas de quem gostamos sentem, o que as magoa, o que as deixa inquietas e infelizes. Ora, e uma pessoa a pensar que estar com um olho no outro também faz parte duma relação, seja ela de cariz romântico, familiar ou entre amigos.

Lá está: que inocência a minha.

Talvez seja mesmo eu uma alma inocente, talvez seja ingénua, ou parva, ou mesmo estúpida. Ou talvez as pessoas estejam a ficar cada vez mais traumatizadazinhas da cabeça com coisa pouca e estejam a ficar mesmo tapadinhas. De facto, eu não possuo grau de comparação entre o que é o amor duma namorada ou namorado  e o amor dum pai/mãe e filhos. Ainda não tive filhos. Sei lá o que é isso. Não consigo ainda entender o que O Arrumadinho quer dizer.

Mas uma coisa é certa: amor é amor e, quando uma pessoa ama realmente, deve tentar e tentar e tentar até já não haver amor. Quando já não houver amor, epá, descompliquem. Se calhar nunca houve amor, só houve tentativas e incompatibilidades que sempre estiveram presentes, mas que se fizeram silenciosas. Se calhar, houve mesmo ingenuidade, apenas não aquela a que se aponta logo o dedo.

Todos os tipos de amor incluem uma certa dose de generosidade, porque temos de dar do nosso tempo, da nossa paciência, às vezes do nosso dinheiro. Será que é isso que as pessoas não querem dar? E dá trabalho?

Cada vez me pergunto mais se serei eu que tenho muita sorte ou se a falta dela ainda estará por vir.

O Ricardo não é o meu primeiro amor, nem sequer foi uma coisa assolapada, foi uma coisa que sempre me entusiasmou, só nada de loucuras, mas depois de meia década juntos continuo a sentir que, de facto, me sinto deslumbrada. Está bem, que ainda éramos os dois adolescentes, mas provavelmente éramos os adolescentes menos à espera de contos de fadas. E deslumbra-me a maneira como tudo se desenrola pacificamente. Deslumbra-me os pequenos gestos e preocupações. Deslumbra-me que, ao começar uma discussão, não fique a sentir-me nada bem se não acabar em pazes e se não se explorar o assunto até ao último nó. Deslumbra-me ainda olhar para ele e sentir que é com aquela pessoa que eu quero passar o resto da minha vida - pelo menos é o que agora sinto (não se confia no futuro, claro). Deslumbra-me ser tudo tão fácil quando há sempre uns minutinhos para se enviar uma mensagem engraçada, um link da Internet, um vídeo a fazer caretas, declarar honestamente quando há ou não há mesmo disposição para se falar (relação de longa distância, ao que obrigas). Deslumbra-me a quantidade de planos que fazemos e desfazemos constantemente para os próximos anos. Deslumbra-me que, ainda nos teens, achássemos piada a imaginar o quão fixes os nossos filhos serão, com uns pais tão diferentes e tão iguais. 

Em suma, há que encontrar a tal magia em lugares inesperados.

Certo?

Cada vez vejo mais pessoas à minha volta com demasiada preguiça em conhecerem-se umas às outras e a darem-se ao trabalho de procurar melhor o que faz de cada um de nós tão especiais. Para mim, é isso que é o amor: estar repetitivamente à procura de alguma coisa. Não pensar que é tudo para sempre, mas saber que amanhã e provavelmente depois ainda será. Estou constantemente a perguntar-me o que fará as pessoas deixarem de se amar e de se importarem, o que as fará dizerem que o amor pede demais, quais são os problemas e como surgem. Acho que é um tema que interessa a todos. 

Enfim, cruzes credo, nunca se sabe quando nos há-de acontecer a nós e depois temos de bater na boca!!!