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A viver há um ano na Tailândia

por BeatrizCM, em 22.06.17

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Viver na Tailândia é uma aventura. Sei que o deve ser para quem vive longe dos centros urbanos ou turísticos, ou povoados de farangs (estrangeiros) e viver em Bangkok também é uma aventura, porque esta é a capital, vivem milhões de pessoas em apenas 600km2, é uma cidade de contrastes, gente muito rica e gente muito pobre, gente de todo o mundo enfiada em condomínios fechados, apartamentos decrépitos, complexos de moradias, casas de madeira ou alumínio à beira dos canais ou torres de quarenta andares - todos a conviverem no mesmo espaço.
Se é um caos?
É.
Mas é um caos a que nos habituamos e que acaba por nos dar a experiência das nossas vidas.

Não existe um único português a viver em Bangkok (que eu conheça) que não goste de cá estar, mesmo que todos tenhamos saudades de Portugal. Temos saudades de Portugal, mas na Tailândia é quase sempre possível levar uma vida muito mais descontraída, mesmo dentro duma selva de cimento e filas de trânsito infinitas.

Pessoalmente, adoro a comida de rua. Ou comida, em geral, barata e fácil de encontrar em qualquer lado. A chave para a minha felicidade é intercalar os meus cozinhados sofridos com a comida tradicional tailandesa. Esta última é rica em vegetais e, à parte os fritos, livre de gordura. Há muito açúcar pelo meio, mas a quantidade e variedade de fruta a que temos acesso servem para equilibrar a nossa alimentação.

As rendas, tal como o preço dos imóveis, é muito mais baixo do que em Portugal. Pago o equivalente a 200€ por um estúdio com kitchenette, num condomínio com piscina, ginásio, sala comum, guardas em peso e estacionamento. Caso quisesse comprar um destes estúdios no meu condomínio (construído em 2013), pagaria cerca de 50 mil euros.

Não me canso de dizer que os tailandeses são uns amores, boas pessoas e com integridade. Muitos dos crimes cometidos na "land of smiles" têm autoria estrangeira. Sinto-me segura a andar na rua à noite. Os tailandeses até podem corresponder aos estereótipos de "mal ou sub-escolarizados, materialistas, vaidosos, taxistas exploradores de turistas", mas raramente ouvirão falar dum tailandês que não tente comunicar convosco num Inglês desafiante, amanhado no momento, e principalmente cheio de boa vontade. Adoram falar com estrangeiros, dar indicações e, se trabalharmos com eles, pagar-nos o almoço.

Viver na Tailândia é um desafio, mas um que vale a pena aceitar. Viver em Bangkok é recorrer ao Google Maps, levar sempre um mapa dos transportes públicos connosco, descobrir onde nos levam os autocarros (com ou sem ventoinha, com ou sem ar condicionado, quase todos dos anos 70/80), fazendo sightseeing autónomo, é aceitar que Bangkok é uma cidade de turismo de compras e que não há assim tanto para visitar. É aceitar que há muita gente e que quem é dado a claustrofobia deveria viver nos subúrbios (eu).

Viver em Bangkok é como viver debaixo da chuva inglesa, misturada com temperaturas lisboetas em Julho, a humidade da Amazónia... Viver em Bangkok é viver em vários sítios ao mesmo tempo!

Por tudo isto e mais uns tostões, há piores sítios para se emigrar...

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14 comentários

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De Mary S. a 22.06.2017 às 16:29

Olá. Tenho dois familiares que estiveram aí há pouco mais de um mês. Não se cansam de falar na comida de rua que adoraram e nos preços baratos. Estiveram num hotel com mais de oitenta andares, tinha uma vista muito interessante sobre a cidade. Tudo de bom para si.
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De BeatrizCM a 08.07.2017 às 02:00

De facto, todos se sentem maravilhados aos sair daqui! Fica a ideia para uma viagem no futuro :)
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De Amélia a 07.07.2017 às 08:41

Portugueses pelo mundo, sempre a diáspora.
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De Amélia a 07.07.2017 às 08:42

Portugueses pelo mundo, sempre a diáspora.
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De Maria vai com todos a 07.07.2017 às 09:12

Que saudades de um pad thai..
Uma pergunta, sei que muita gente vai como freelancer, mas e arranjar trabalho aí,não falando o idioma é possível?
Obrigada!
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De BeatrizCM a 08.07.2017 às 02:07

Quase nenhum estrangeiro fala tailandês por aqui. Quanto a freelancing, este é um assunto um pouco complexo, porque não há vistos para freelancers, apenas vistos para quem trabalha para entidades do país. Uma das formas possíveis é andar sempre a entrar e a sair da fronteira, mas torna-se cansativo. O que muitos fazem é andar a saltar de país em país, até as licenças de permanência ou vistos expiraram em cada um dos sítios. Outra forma que há de ser freelancer estabelecido na Tailândia é arranjar um curso de tailandês e pedir o visto de estudante (super fácil de arranjar, de média duração e há muitas escolas de línguas com oferta). No entanto, é preciso assistir às aulas, para poder ser verificada assiduidade. Sei que há de haver outras maneiras de contornar a lei, mas são quase todas inseguras. Boa sorte!
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De Maria vai com todos a 12.07.2017 às 22:43

Obrigada pelas dicas :) Vou ver isso, sim :)
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De K. Clara Branco a 07.07.2017 às 16:49

Deve ser fantástico! Quero muito visitar. A parte mais cara é mesmo a viagem, porque de resto, como disseste e já estive a pesquisar, é super barato para morar e comer.
Mas achas ser um sítio interesse para emigrar a longo prazo? Ou seria como os Emirados, por exemplo, um destino a curto prazo, para fazer dinheiro e pouco mais?

beijinhos
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De BeatrizCM a 08.07.2017 às 02:20

Acho que é um excelente país para se emigrar a longo prazo. Aliás, sei de algumas pessoas que vão sempre dizendo "mais um ano, mais dois, mais cinco... Até o meu filho acabar a escola secundária... ", sucessivamente. No entanto, é preciso ter também um salário bem superior ao que eu tenho como leitora numa universidade, porque, como europeus, estamos habituados a ter bons serviços de saúde (que são mais baratos aqui, mas apostar num seguro de saúde é caro) e este é um país com muitas tentações (é tudo barato, até se juntar as contas, e ir ao supermercado é relativamente mais caro do que em Portugal). Também há que pensar em poupar para a reforma, porque só temos direito a ver as contribuições para a nossa reforma após 180 meses a trabalhar para entidades nacionais. Se nos tivermos de ir embora de repente, mesmo que contemos ficar mais tempo, lá se vai a contribuição. Por último, se quisermos ter filhos, nem pensar em escolas públicas (ensino muito mau). Até aos 4 anos, uma nanny por 15 000THB não é cara, mas as escolas privadas e internacionais levam qualquer pessoa da classe média a passar fome e a viver debaixo da ponte (a maior parte mais do que a menor). Eu digo que não se deve ganhar menos de 50 000/60 000 THB para se ter uma vida boa com planos a longo prazo, 120 000 THB ou mais caso se queira ter um filho numa escola top tier internacional.

Por mim, tenho um rendimento mensal bem superior ao que se poderia esperar em Portugal ou de alguém da minha idade (aliás, estou a ganhar mais do que qualquer pessoa na minha família nuclear), mas não é um salário que me prenda à Tailândia a longo prazo, caso eu possa escolher voltar a Portugal.
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De K. Clara Branco a 10.07.2017 às 11:02

Então parece-me que para uma pessoa ou um casal jovem e qualificado seria o ideal, mas se tiverem filhos talvez seja apenas um destino de férias...
Obrigada pela resposta! ;)
beijinhos
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De Ventania a 07.07.2017 às 20:51

Olá Beatriz! Visitei a Tailândia há quase 5 anos e fiquei com a clara ideia de que poderia viver feliz em Bangkok, "sem espinhas". Adorei a cidade e a cultura tailandesa, e - claro - a comida de rua. =)
Beijinhos!
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De BeatrizCM a 08.07.2017 às 02:27

Entretanto, a cidade e o país já terão mudado imenso, mas é sem dúvida um destino excelente para férias ou para se viver.

Obrigada :) beijinhos
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De HÁ NIÑAS a 07.07.2017 às 23:22

Eu também era capaz de ir para a Tailândia, para massagista, que a profissão por cá está pelas ruas da amargura. Mas iam logo dizer que eu era mais uma vítima das políticas de austeridade do Passos, das cativações do Costa, eu sei lá.
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De BeatrizCM a 08.07.2017 às 02:26

Tenho de discordar do seu comentário. Ninguém é vítima de nada, a menos que assim se intitule. E, mesmo que seja, o que interessa? Não interessa nada, só interessa ser feliz, onde quer que seja. Quase todos os portugueses que conheço aqui vieram porque assim quiseram e tiveram a oportunidade. Se sente que tem de sair, saia, não se prenda por causa do os outros possam dizer.

Quanto a massagista, a menos que seja especialista, o país já não precisa de mais, até porque é uma profissão mal paga (menos de cinco euros por hora, na maior parte dos casos, porque isso é o que se paga por uma hora de massagens, enquanto cliente). Uma das políticas de imigração da Tailândia é apenas deixar entrar mão de obra necessária, como professores qualificados, gestores, financeiros, engenheiros... Mas sempre cujo percurso educativo e profissional justifique pagar três vezes mais do que a um local.

Boa sorte!

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