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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Para onde vamos depois de terminar o ensino secundário?

Vai fazer cinco anos que terminei o ensino secundário. Parece pouco, mas meia década já deu para muito. O mais curioso, para mim, é a diversidade de caminhos das pessoas com quem andei na escola - do meu ano e sem ser do meu ano.

 

Há muita gente que já anda em mestrados, há quem tenha repetido o secundário no ensino profissional, há quem tenha ido logo trabalhar, há quem concilie estudos e trabalho. Há quem já tenha filhos, há quem só tenha coleccionado namorados. Alguns já vão no segundo filho e/ou no 35º namorado/a.. Há quem se tenha tornado jogador de futebol, há quem se tenha casado ou tido filhos com um. Outros participaram na Casa dos Segredos, e/ou iniciaram negócios. Há quem tenha ido para a tropa ou para a marinha. Alguns emigraram ou foram estudar para fora do país ou para o outro lado de Portugal. Uns trabalham nos supermercados onde vamos todos os dias, outros trabalham em escritórios de alto gabarito ou bancos, ou são professores ou educadores, engenheiros de várias áreas, biólogos, psicólogos (vários), animadores socioculturais, antropólogos, actores, ...

 

Depois de terminar o ensino secundário, nenhum outro casal de pombinhos sobreviveu, pelo menos dos que me lembre do meu ano. A maioria das pessoas engordou. Muitas das miúdas "todas boas" do secundário estragaram-se. Há muitas que não eram "as mais boas", mas que ficaram bem giras. Os rapazes tornaram-se, por norma, melhores do que estavam (a puberdade mais tardia ajudou). Por outro lado, há quem já pareça ter quarenta anos, antes sequer de avistar os 25. E há quem continue na mesma. 

 

Antes de terminar o ensino secundário, nunca pensei no quão diferentes poderiam vir a ser os caminhos futuros de tanta gente que cresceu na mesma vila e frequentou as mesmas escolas/cafés/parques/centros comerciais durante tantos anos. Começamos todos no mesmo sítio, de forma semelhante, partilhamos a infância e/ou a adolescência, mas seguimos por vias tão criativas quanto o nosso ADN. A vida é uma coisa estranha, não é?

5 palavras para 2018

Se a minha palavra-chave para 2017 for "trabalho", a de 2018 poderia ser "descanso". Estou convencida de que não seria possível fazê-lo a tempo inteiro (apesar de não me importar de ter uma ou duas semanas sem pensar em trabalhar ou estudar, ou complicar seja o que for), por isso decidi escolher 5 palavras para 2018 que sejam ligeiramente mais assertivas acerca do que já é provável que aconteça.

 

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Ordem, no caos das novidades que aí vêm.

Amor, que tudo deve curar e que, vindo de tantas fontes que me têm dado de beber, tem também que ser cultivado e oferecido de volta.

Disciplina, porque muitos desafios e novas rotinas extremamente desejadas estão para chegar.

Estabilidade, em vez de ansiedade no exterior da zona de conforto; voltar lá se for necessário.

Lar, onde todas as palavras restantes fazem sentido e são possíveis (muito bem sugerida pela minha amiga Daniela, obrigada).

 

Esta é a minha curta lista de palavras para 2018, e a vossa, qual é?

O que eu não mudaria em 2017

Que ano turbulento. Costuma-se dizer que, quanto maior é a subida, maior é a queda, mas 2017 foi uma série de escadarias, e rampas, e trampolins, para cima e para baixo.

Felizmente, há muita coisa que eu não mudaria.

 

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Não mudaria ter ido viver para outro condomínio. Poupei imenso dinheiro nesta renda duma unidade mais pequena e nos subúrbios, onde consegui encontrar silêncio, risos de criança no jardim, espaço verde e de lazer com fartura. O condomínio no centro de Banguecoque era glamoroso, tinha uma vista de tirar o fôlego a qualquer um, mas as baratas e o barulho estavam a tirar-me do sério. Além disso, era demasiado grande para uma pessoa só.

 

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Não mudaria o quanto trabalhei este ano - tanto enquanto professora, como também enquanto estudante. Custou, mas teve frutos, deu-me experiência, fiquei com calo, testei-me, recebi palavras de reconhecimento e respeito dos meus alunos, dos meus colegas, da minha chefe, fiquei com uma média quase perfeita no mestrado (apesar de incompleto). Os meus alunos escreveram-me mensagens de carinho, ajudaram-me a melhorar, pediram-me para ficar nas minhas turmas até ao momento em que lhes disse que este foi o meu último semestre. Os meus colegas cumprimentam-me efusivamente nos corredores, raramente sinto más energias na minha direcção, fiz amigos (mais ou menos, vá). A minha chefe reconhece o que faço, incluiu-me até num projecto de extrema importância desde 2016 e que culminará em 2018, quando poderia ter pedido a outra pessoa qualquer com mais experiência para a ajudar. Tudo isto é gratificante.

 

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Não mudaria o que trabalhei em quantidade e intensidade, tendo em vista ganhar mais do que o meu salário base. Consegui rendimentos decentes no final de cada mês, que me permitiram proporcionar férias inesquecíveis à minha família, cada vez que me visitaram, principalmente a minha avó, que esteve cá quase dois meses - as primeiras férias em dezoito anos, desde que eu fui lá para casa para ela me criar! Também pude dar-me a pequenos luxos, como adoptar um gato e comer em bons restaurantes.

 

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Não mudaria nada do que tentei dar à minha família. Ao ajudá-los a ter estas experiências, senti que consegui arranjar uma bela desculpa para os arrancar do ciclo de muitos anos negativos e cheios de sacrifício. Sei que estas visitas à Tailândia, mesmo quando curtas, tiveram resultados muito positivos e lhes trouxeram uma forma renovada de ver a vida. Além disso, o orgulho que sentem por mim irradiou ainda mais quando me visitaram.

 

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Não mudaria o quanto protegi o meu namoro de energias negativas, o quão firmes fomos os dois com esta dinâmica de relação a longa distância, o facto de termos feito tudo encaixar e funcionar até este momento, depois de oito meses sem nos vermos e mais dum ano sem realmente convivermos no mesmo espaço sem interferências do jet lag ou agendas familiares apertadas. Não mudaria o facto de ter investido nesta relação como sendo a única aposta viável para uma vida feliz e como a imagino, e de ter insistido que teria de ser mesmo assim.

 

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Em suma, não mudaria o esforço que investi em continuar a ser optimista. Ser feliz nem sempre é fácil e facilmente nos esquecemos de como estar satisfeitos com o que temos. Estou feliz por ter tido a oportunidade de viver no estrangeiro, estou feliz por me ter desenrascado como pude e quase sempre com sentido de humor e uma certa alegria! Esforcei-me muito para acabar este ano com saldo positivo, estou mesmo feliz por estar a acabar, para que novos desafios possam aparecer.

 

Fica um agradecimento eterno no ar a todos os meus amigos, família, namorado, professores, conhecidos e toda, toda a gente que me trouxe sorrisos e com quem partilhei neuras nestes doze meses.

 

Sob sugestão duma ideia da Cláudia (já não me lembro em que post), penso que a minha palavra para 2017 tenha sido "trabalho", sem me ter apercebido. Para 2018, que palavra escolherei?

Fotos de dias felizes ♥

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A decoração natalícia antes da festa de ano novo da faculdade. Fofa!!! 

 

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Os amigos das aventuras e dos fatos coloridos (Vietnamita, palhaço internacional e tailandesa). 

 

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Um dos mil abraços da melhor chefe do mundo (posso levá-la para Portugal? Por favor?). 

 

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Todos a cantarem em honra do ano novo. 

 

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Em destaque como gueixa que faz playback de músicas marotas - na festa da universidade. Para o que os meus colegas me empurram... Mas valeu a pena, porque, seis horas depois, ainda estou a receber mensagens de gente que se divertiu a ver-me/nos.

 

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No final da performance. Muitos risos, ai ai. 

 

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A fatiota toda. 

 

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Alguns colegas que participaram.

 

Porque há dias maus, outros mais ou menos, outros bons e outros óptimos! Obviamente, dias seguidos com festas de Natal e ano novo têm um lugar especial na minha lista de preferências! 

Solidão no meio de dez milhões

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Foi em Bangkok que me senti só pela primeira vez. Custa muito admitir que nos sentimos sós, porque é mais fácil estarmos em negação. Quando cheguei ao ponto de o reconhecer, já tinha passado por muitas fases.

 

A primeira fase foi arranjar sempre algum bode expiatório para o descontentamento. No início, não podia ir a casa no Natal. Depois, arranjei uma forma e fui. Dois meses depois, mudei de apartamento, culpando as baratas debaixo da bancada da cozinha que me comiam o jantar, o lixo à saída do condomínio e a má gestão do edifício. No novo condomínio, sentia falta dum animal de estimação. À revelia das regras - ainda que à semelhança da prática de tantos outros vizinhos - arranjei um gato. Depois do gato, veio a minha avó. Por dois meses, senti-me acompanhada, mas sabendo que não iria durar para sempre.

 

Entretanto, a fase de estar triste sem saber porquê. Uma melancolia imensa, um vazio e muita inquietação.

 

Por fim, a consciência de que me sinto... de que me tenho sentido só. Do outro lado da linha, chegam-me palavras cheias de amor, mas essas só se ficam pela metade. É pela falta delas que me sinto assim, é por, como acontece com os fantasmas, as poder ouvir e ver, sem lhes tocar, que me sinto isolada neste mundo que é o mesmo, parecendo uma realidade paralela.

 

Não sei se é assim que todos se sentem quando se mudam para outro país. Espero que não. Talvez eu sinta, por acréscimo, todo o isolamento cultural, geográfico, visual como consequência de estar tão longe.

 

Bangkok é uma cidade com dez milhões de pessoas, mas nunca me senti tão sozinha antes, nem quando vivia num sítio com uns poucos milhares de pessoas.

 

Tenho amigos em Bangkok, mas cada um está na sua vida, cada um vive noutra ponta da cidade. Estar longe da família e daqueles que amamos tem disto. Não há ninguém à nossa espera em casa, raramente há quem se disponha, à última hora, a acompanhar-nos seja onde for. Não há certezas de nada. Não há ninguém que possamos alcançar à distância duma chamada.

 

Mas, se eu precisar dalguma coisa, é só ligar - dizem eles.

Do que eu preciso é de não ter de ligar.

Tenho saudades de casa

Nos últimos dias, talvez semanas, tenho batido no fundo do poço, uma e outra vez, constantemente a subir um pouco e a cair, a subir e a cair, e cada queda parece sempre pior do que a anterior. Tenho saudades de casa, onde não chego nem perto desde Abril. Fez ontem cinco meses que regressei à Tailândia depois da Páscoa/ano novo tailandês e não há palavras que consigam descrever a sensação de não se estar no sítio onde deixámos o coração e de se ter quase a certeza de que não é suposto estarmos onde estamos.

Viver na Tailândia tem sido uma experiência e tanto. Tenho aprendido e vivido o que pensei não chegar a fazer parte da minha experiência de vida. Sou uma sortuda, foi-me entregue de bandeja o emprego que eu só esperava quase aos 30. O meu salário não é ideal para quem vive a praticamente 1000€ de distância do seu país e faz questão de lá ir duas vezes por ano e de "importar" os seus nos entretantos, mas é um salário bem superior ao que eu alguma vez esperaria ganhar em Portugal saída de fresco duma licenciatura (mesmo em euros, o meu salário médio - aulas base, aulas extra, tutorias privadas - ronda quatro dígitos muito confortáveis). Vivo sozinha, sou responsável pelas minhas contas, adoptei um gato, vivo numa cidade que eu nem sabia localizar no mapa, vou a sítios que ficam bem nas fotos do Instagram, de vez em quando posso esbanjar em roupa a condizer com a paisagem, não ando a contar trocos, blá blá blá.

 

Há três semanas que não tenho um dia inteiro para mim. De manhã, quando acordo, até â noite, quando adormeço. Tenho algumas manhãs e tardes livres, mas sempre com a sombra dos trabalhos do mestrado e das aulas para preparar a seguir-me para onde quer que vá (tentar) distrair-me. Quando acabo uma tarefa qualquer, já tenho outras na fila.

 

Não vejo o meu namorado em carne e osso desde que o deixei nas partidas do aeroporto de Lisboa e só o volto a ver em Dezembro ou Janeiro, daqui a 3 ou 4 meses. Entretanto, aturo perguntas que, apesar de inocentes, doem pela insistência e incredulidade: "mas o teu namorado não vem ter contigo? só o vais ver em X data?". Há poucas pessoas que percebam o sacrifício de trabalhar e estudar ao mesmo tempo (o meu caso e o dele) e de nem sequer compensar viajar meio mundo por dois dias para se lá estarem outros dois, não nos esquecendo do sempre terrível preço do bilhete.

 

Muitas vezes ao dia, muitas mais do que eu gostaria que acontecesse, desejo a calma de espírito daqueles que, mesmo vivendo em terras remotas, seja por opção ou porque teve de ser, não se importam de ir a casa a cada dois anos, estão confortáveis seja onde for, tomam banho em filosofias de carpe diem e são felizes sem um lar, ou que versatilmente constroem muitos lares. Que fantástico seria não andar a dançar em nós na garganta e a aperceber-me cada vez mais que sorrio mais por ansiedade e reflexo do que porque de facto me apetece! Mas não, ainda bem que estas emoções negativas existem, por serem a prova de outras bem positivas: amor, pertença, lealdade, aconchego.

 

Felizmente, eu sei que continuo aqui a prazo. O mundo é tão grande, há tanto a explorar, e agora é mais do que hora de voltar a lançar os dados e apostar em novos números. No meio do processo, aprendi a valorizar e a desvalorizar certas experiências e ambições. Umas eram tidas em alta consideração, mas foram repensadas. Outras nunca me teriam passado pela cabeça se eu cá não estivesse.

 

Uma coisa é certa: não é possível ser-se feliz para sempre com os pés num sítio e com o coração acolá. Sair do país deu-me a mim e às pessoas que me rodeavam diariamente uma nova perspectiva sobre a realidade. Acho que estamos todos diferentes. Há laços que se estreitaram, outros que sumiram para debaixo do tapete. Contudo, não me arrependo, até porque isso não serve de nada.

 

As melodias que o meu humor tocaria (e escreveria, em grande parte) neste momento:

 

PERIGO: relações à distância são nocivas à saúde

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No outro dia, durante o almoço, a estagiária (de Hong Kong) que está a trabalhar na minha faculdade (em Bangkok) declarou que estava tentada a experimentar uma relação à distância com um rapaz indiano (outro antigo estagiário que já foi para casa). Parece que já se conheciam antes de virem e, enquanto cá estiveram os dois, o "clique" foi óbvio. Ainda assim, não iniciaram nenhuma relação, nem deu tempo para isso.

 

Segundo a minha experiência, provavelmente ela estava à espera que eu lhe dissesse qualquer coisa como "Força nisso! Tu consegues! Vai doer, mas vai valer a pena!".

 

Pois... NÃO!

 

Se puderem evitar relações a distância, evitem. Aliás, fujam delas como o diabo da cruz! Não se metam em aventuras! As relações à distância dão trabalho, dão que pensar, exigem os nossos melhores dias todos os dias e são um grande sacrifício. Estar longe das pessoas de quem gostamos não é a ideia romântica que vemos nos filmes. Na minha opinião, a de quem está deste lado, não é uma coisa "que se tente", desde início, só porque se sente ali um friozinho na barriga.

Se querem arriscar ter uma relação à distância ou encorajar alguém a tentar uma, avaliem a situação. É uma relação à distância desde início (o caso da minha colega estagiária) ou um acaso na vida de duas pessoas que já eram um casal antes? Há um plano ou nem por isso? Como vão ser os encontros? Com que frequência? Onde? Quem vai ter com quem? E a médio prazo, já imaginaram o que vai acontecer? Que sacrifícios estão em cima da mesa? Para quem? Há forma de negociar? E partilham-se as mesmas ideias, objectivos e visões acerca da vida em geral? Há entendimento, não só agora, mas também até daqui a uns tempos?

 

Estas são apenas algumas das questões que coloquei à minha colega e que decidi deixar à vossa consideração. São o mero resultado desta experiência que estou a viver. Só desejo uma relação à distância a quem tiver respostas suficientes. Não pretendo desencorajar ninguém, porque cada caso é um caso, mas não quero que sejam a minha colega, que não tem resposta para nada, não sabe nada, só sabe que "gostaria de tentar, para depois não se arrepender" (palavras dela). Se querem tentar, assegurem as perguntas e as respostas necessárias.

 

E, quando refiro "relações à distância", refiro desde o semestre Erasmus à oportunidade de emprego de sonho sem termo, a milhares de quilómetros. Repito: nada é um filme romântico, no qual é quase certo os protagonistas acabarem num beijo em grande plano.

Seja como for, há que dar graças a todos os santinhos pelas vídeo-chamadas gratuitas.

A importância dos bastidores na vida real (ou a questão do mérito invisível)

Gosto de pessoas agradecidas pelo que têm na vida, por isso eu mesma gosto de dar graças pelo que tenho, material e imaterialmente. O Dia de Acção de Graças americano já passou, mas todos os dias são dias de reconhecer que, muitas das vezes, o que nos acontece de bom pode ter tanto de mérito pessoal quanto de mérito colectivo, ainda que não se veja de imediato até que ponto isso acontece.

O que eu quero dizer é que não vim parar a Bangkok só porque sim. Na altura em que fui aceite como estagiária, não tinha verba nem para as viagens, nem para a comida do primeiro mês e muito menos para andar a conhecer a cidade. A minha família aconselhou-me a não desistir e que, se fosse necessário, alguma coisa haveria de surgir até ao último momento para que eu pudesse sustentar-me. Bem dito, bem feito: mesmo antes de ter de comprar as viagens, recebi um prémio simbólico por ser a melhor aluna do meu curso, caído do céu. No entanto, continuava a precisar de mais dinheiro. E a minha família, com enormes sacrifícios que só eles saberão o quão custosos foram, disponibilizou-me o restante.

Quando fui contratada como leitora na universidade onde estava a estagiar, tive de escolher deixar o país para viver a 13 000 km de distância. Antes de mais, eu podia ter escolhido não aceitar o convite, agradecer educadamente e seguir a minha vida. Poderia ter pesado os prós e os contras de deixar a minha família, o meu namorado poderia não ter aceite bem a ideia, podia ter dado ouvidos a alguns dos nossos amigos que acharam que me estava a precipitar, e eu poderia até ter ficado cá a trabalhar com todas essas condicionantes, logo sem qualquer apoio. 

Contudo, depois de mil e uma conversas à distância e presenciais quando estive em Portugal por três semanas, depois de chorarmos e de nos preocuparmos por antecipação com aquilo que poderia vir a suceder, os três núcleos mais importantes da minha vida (família, namorado, amigos) ficaram em paz com a minha decisão. Principalmente, eu fiquei em paz com a minha decisão.

 

No primeiro mês depois de me mudar definitivamente para Bangkok, tive imensos problemas a pagar a renda e o depósito do apartamento, de repente surgiram três milhões de despesas imprevistas ligadas à emssão dum visto e à minha legalização na Tailândia e eu, que já tinha um orçamento curto para os primeiros tempos, entrei em desespero. Felizmente, quem é que mais me ajudou na altura? A minha família. Sem eles, eu teria passado muito mal - ou não tratava dos meus assuntos ou não comia. Foi também um período de adaptação para o meu namorado e houve alturas em que a nossa relação e a nossa amizade foram testadas, por isso tivemos de estabelecer novas maneiras de nos mantermos à distância. Mas, no final do dia, a nossa relação continua saudável, não há discussões nefastas, não há dramas, só muita compreensão. Por outro lado, os meus amigos não se queixaram da minha falta de vontade para conversar e só agora é que começo a dar-lhes atenção outra vez. O que mais poderia eu desejar?

 

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 Faculty of Liberal Arts, King Mongkut's Institute of Technology Ladkrabang

 

Mas por que é que eu senti necessidade de escrever isto?

 

Quando me dão os parabéns pelo que consegui, a maioria das pessoas só vê o que está à frente, que sou eu a ser convidada para trabalhar noutro país a fazer aquilo que tinha estebelecido como meta para a próxima década, só que logo que acabei a licenciatura. Só me vêem a ser leitora numa universidade aos 21 anos.

A maioria não vê que muito do que consegui só se tornou possível por causa do trabalho dos bastidores. Por uma questão de justiça divina, decidi partilhar a minha (a nossa) situação, para que outros se possam sensibilizar quanto à importância das pessoas que nos rodeiam.

Raramente é possível fazermos seja o que for sozinhos, por nossa conta. Se enchermos a nossa vida de gente positiva e que nos faça bem, acabamos por criar uma rede por baixo dos nossos pés, que nos há-de amparar as quedas e fazer-nos saltar mais alto. Se não for a família, que seja a cara-metade. Se não for a cara-metade, que sejam os amigos. Se não forem os amigos, que sejam os colegas de trabalho. Provavelmente, falo de boca cheia, mas falo de boca cheia com muita gratidão e humildade perante a minha condição.

Trabalho todos os dias para provar que mereço o emprego que me deram, tenho sempre tido uma dose de sorte e felizes acasos que me dão uma ajudinha, e calhou-me ter nascido numa família cheia de vontade de me ajudar a concretizar as minhas ambições e ter conhecido os professores, os amigos e o namorado certos ao longo dos anos.

Sinto que quando me elogiam também elogiam, sem saberem, quem está por trás a manter tudo em ordem. Poder partilhar a minha felicidade e os meus feitos com outras pessoas é uma bênção. O "meu" mérito é de muita gente em simultâneo.

 

Espero que também vocês tenham quem vos apoie desta forma e a quem possam agradecer por serem parte da vossa identidade. Rodeiem-se de amor, esqueçam o que é tóxico e acreditem no que são capazes de fazer, tanto quanto quem vos garante que sim, vocês são capazes. Não tenham vergonha de ter falhas nem de pedir ajuda, desde que mais tarde possam pagar na mesma moeda, caso seja necessário. É para isso que as comunidades, desde os mais pequenos núcleos familiares até às sociedades e às nações, existem - para que nos possamos ajudar mutuamente.

Pode parecer que vos estou a encher a cabeça de clichés, que daqui a nada este blogue vira página lamechas, mas não me levem a mal: neste momento, sinto que tenho motivos de sobra para assumir a voz mais pseudo-motivacional de sempre. Não se preocupem, isto passa.

Era uma vez, no Facebook

Ainda está para ser descoberta a razão por trás de os meus colegas da faculdade (principal e ultimamente os da Universidade Católica) me estarem todos a adicionar no Facebook. Pelo menos todos aqueles a quem falei uma vez na vida o têm feito.
Mas porquê? E para quê?
Porque, de repente, se lembraram de que eu sou a pessoa mais interessante à face da terra? Ou para me poderem conhecer melhor, isto é, para me fuçarem no perfil e confirmarem as suas expectativas em relação a mim? E, seja como for, embora eu tenha passado quatro meses a vê-los quase todos os dias, no final, da quantidade de colegas com quem tive aulas, só fiquei amiga de uma.
Até à época de exames, ainda foi naquela: queriam pedir-me apontamentos, perceber melhor a matéria. Já nessa altura se deram mal comigo, que eu deixo esse tipo de mensagem por ler ou desvio o assunto. Agora... Bem, agora que eu não voltarei a ser colega deles, que qualquer oportunidade de contacto pessoal comigo já se esgotou, qual a utilidade de me coleccionarem na lista de amigos das redes sociais? Só se for para eu me tornar mais uma a distribuir-lhes likes. Enfim, sem comentários [originais].
Além do mais, o que se aplica aos meus colegas da faculdade aplica-se de igual forma a qualquer pessoa com quem me cruze.
Não, eu não aceito desconhecidos "em amizade". Tenho o meu perfil em modo privadíssimo por algum motivo. Dizerem-me bom dia de vez em quando e saberem o meu primeiro nome não é o suficiente para lhes conceder acesso a informações privilegiadas, como quem são a minha família, os meus amigos de carne e osso, onde vivo, qual é o meu meme favorito ou que jornais online é que eu leio. De qualquer maneira, sempre podem ler o meu blogue e pôr um like na respectiva página de Facebook. Aqui, já podem ser meu fãs à vontade, se é isso que o querem ser! Porque a amizade constrói-se frente a frente.

Para os amantes dos cães, com carinho

É impossível não nos derretermos com esta doçura. Sentimo-nos quase a engolir o nosso próprio coração. Ter um cão é sofrer todas as atrocidades consequentes, como cocós e chichis no meio da cozinha, nos pés dos sofás, restos de água e de baba pelo chão, nunca mais comer uma refeição em paz sem dois olhos fixos em nós e um nariz arrebitado a rasar o prato (principalmente quando comemos no colo com tabuleiros) ou sem um focinho periclitante que nos toca insistentemente no cotovelo (no caso dos cães maiorzinhos, os pequeninos só guincham por atenção)... Sei lá, ter um cão implica limpar muito vomitado de carpetes que nos foram legadas pelos nossos bisavós ou tetravós ou whatever, é apanhar muita carraça e ficar com fobia de pulgas (mesmo depois de lhe pormos coleiras e ampolas e pomadas que tais), é tentarmos dar-lhe banho e apanharmos nós uma banhada, é ficarmos com o coração apertado quando ficam doentes sem saberem muito bem o que lhes está a acontecer...

Enquanto amante de cães, este vídeo tocou-me mesmo cá dentro e eu nem costumo ser assim tãããããão emocional (ok, um bocadinho). Porque tudo o que é pequenino é bonito e querido e porque todos os cães, grandes ou minorcas, me fazem querer adoptá-los com um simples olhar. Sou assim, muito frágil e facilmente manipulável quando estabeleço contacto canino.

Mas haverá alguém por aí que fique indiferente aos muito famosos "olhos de cachorro"?