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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Agradecimento tardio, mas sentido

Apesar de alguma inquietação nas últimas semanas, há que frisar que estou viva! A publicação da semana passada foi, de facto, o maior desabafo que eu poderia ter partilhado, porque esse foi um dia longo, que culminou em mim a comer um cupcake de banana e chocolate no Starbucks, enquanto músicas natalícias passavam no fundo, e a ir a um evento sem companhia: um recital multimédia de fado, com direito a imagens soalheiras de Lisboa. Tudo do bom e do melhor para soltar uns bons soluços! 

 

 

E não, eu não estou em Bangkok forçada nem nada, estou porque quero, como os leitores deste blogue já saberão. Estou a adorar a experiência, mas até o melhor dia é quase sempre uma desilusão se não o pudermos partilhar com aquelas pessoas. É só isso. 

 

Por todos estes motivos, é com grande felicidade que venho partilhar com todos que, dentro de três meses, já estarei de volta a Portugal! Até ao início da semana que passou, não valia a pena espalhar a notícia, porque tive, em primeiro lugar, que contar à minha chefe e a alguns superiores. Não fazia sentido estar a comunicá-lo antes disso. Contudo, a decisão já foi tomada há muito mais tempo! 

 

Então, tenho a agradecer aos leitores mais assíduos que me têm acompanhado as suas palavras amáveis e por continuarem desse lado a ler os meus amores e dissabores sobre a Tailândia. Sei que não tenho mantido este blogue muito actualizado, o ritmo da minha vida tem andado meio estranho, mas daqui para a frente será sempre a melhorar! Vamos lá ver! Muito, muito obrigada, como sempre. Obrigada também aos Destaques do SAPO (e até à plataforma SAPO) por andarem a promover 70% das minhas escassas publicações. Sabe sempre bem receber algum feedback do vosso lado, é sempre muito gratificante.

 

Numa nota menos positiva acerca da inevitável visibilidade consequente (mesmo que momentânea), tenho a acrescentar algumas palavras de censura a quem acabou de chegar e se pôs logo a enviar-me postas de pescada. Isto dos blogues é um fenómeno cheio de detalhezinhos, coisinhas miúdas que devemos ter em consideração, e uma delas é a seguinte: não vale a pena julgarem-me por UM TEXTO que eu tenha escrito NUM DIA aleatório de seis anos de Procrastinar Também é Viver. É como julgar um casamento feliz de cinquenta anos por uma discussão naquele dia em que alguém não pôs a loiça na máquina. Felizmente, tenho sido abençoada com oportunidades únicas na minha vida ainda curta, tenho tido uma vida com algumas contrariedades, mas bastante cheia, tenho conhecido gente maravilhosa... Aliás, quem lê o que escrevo no resto do tempo sabe disso. A Tailândia foi um dos maiores jackpots que me calhou, mas nem todos os dias são paisagens maravilhosas. A vida continua aqui, como em todo o lado; eu não estou propriamente de férias. Ser feliz longe de Portugal é, por isso, um desafio, por muito que gostemos do sítio onde estamos.

 

Seja como for, as vozes positivas prevalecem e, mais uma, e outra, e outra vez, muito obrigada por estarem desse lado. Adoro escrever neste blogue, adoro a vossa companhia. Têm sido seis anos de crescimento, já me viram adolescente, adulta, feliz, triste, apaixonada, desapaixonada... É assim a vida! 😘

 

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Solidão no meio de dez milhões

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Foi em Bangkok que me senti só pela primeira vez. Custa muito admitir que nos sentimos sós, porque é mais fácil estarmos em negação. Quando cheguei ao ponto de o reconhecer, já tinha passado por muitas fases.

 

A primeira fase foi arranjar sempre algum bode expiatório para o descontentamento. No início, não podia ir a casa no Natal. Depois, arranjei uma forma e fui. Dois meses depois, mudei de apartamento, culpando as baratas debaixo da bancada da cozinha que me comiam o jantar, o lixo à saída do condomínio e a má gestão do edifício. No novo condomínio, sentia falta dum animal de estimação. À revelia das regras - ainda que à semelhança da prática de tantos outros vizinhos - arranjei um gato. Depois do gato, veio a minha avó. Por dois meses, senti-me acompanhada, mas sabendo que não iria durar para sempre.

 

Entretanto, a fase de estar triste sem saber porquê. Uma melancolia imensa, um vazio e muita inquietação.

 

Por fim, a consciência de que me sinto... de que me tenho sentido só. Do outro lado da linha, chegam-me palavras cheias de amor, mas essas só se ficam pela metade. É pela falta delas que me sinto assim, é por, como acontece com os fantasmas, as poder ouvir e ver, sem lhes tocar, que me sinto isolada neste mundo que é o mesmo, parecendo uma realidade paralela.

 

Não sei se é assim que todos se sentem quando se mudam para outro país. Espero que não. Talvez eu sinta, por acréscimo, todo o isolamento cultural, geográfico, visual como consequência de estar tão longe.

 

Bangkok é uma cidade com dez milhões de pessoas, mas nunca me senti tão sozinha antes, nem quando vivia num sítio com uns poucos milhares de pessoas.

 

Tenho amigos em Bangkok, mas cada um está na sua vida, cada um vive noutra ponta da cidade. Estar longe da família e daqueles que amamos tem disto. Não há ninguém à nossa espera em casa, raramente há quem se disponha, à última hora, a acompanhar-nos seja onde for. Não há certezas de nada. Não há ninguém que possamos alcançar à distância duma chamada.

 

Mas, se eu precisar dalguma coisa, é só ligar - dizem eles.

Do que eu preciso é de não ter de ligar.

Há alguma receita para o amor?

Reposta curta:

Não, não há nenhuma receita para o amor.

Resposta longa: Há apenas possíveis ingredientes. Eu nunca fui boa cozinheira, por isso faço sempre misturas estranhas. Vai por tentativa e erro. Mais um ingrediente aqui, menos um ingrediente ali. Da próxima sai melhor. Se não é desta, será doutra.

Não há receitas para o amor, mas há cozinheiros que, ao trabalharem em equipa, conseguem criar pratos equilibrados a partir do desequilíbrio de sabores.

Eu sei que tive a sorte de conhecer o melhor chef do mundo há muitos anos. Há poucas aventuras que eu queira ter sem ele. Passo a vida a pensar "o Ricardo havia de gostar deste sítio, quem me dera que o Ricardo visse isto, o que é que o Ricardo diria daquilo?, o Ricardo ia adorar estar aqui". Mesmo quando vivia em Portugal, mesmo quando vivíamos a três quilómetros um do outro e nos víamos quase todos os dias antes e depois das aulas e do trabalho, eu já sabia que, como ele, há poucos.

O amor não tem receita, mas as relações humanas têm, todas elas. Quando começámos a namorar, quando ainda estava tudo muito fresco e eu contei ao meu pai que só namorávamos, oficialmente, há duas semanas, ele disse que o mais importante devia ser sempre o respeito mútuo. Foi o único conselho que recebi, mas devo dizer que há muito mais por trás desta única palavra.

O respeito não existe facilmente, é preciso muito mais. Tenho aprendido, a cada dia que passa, que, para haver respeito, tem de haver uma certa admiração pelo outro. Pelo que ele é capaz de fazer, pelas ambições, pelos feitos, pelo feitio, pela disposição, pela maneira como encara a vida. Só assim é que consigo respeitar alguém e só assim sou capaz de respeitar o Ricardo, não necessariamente apenas enquanto meu namorado, mas enquanto amigo, filho de alguém, irmão de alguém, futuro pai, cidadão deste mundo, profissional e membro desta e doutra comunidade ou equipa.

E, além do respeito, sempre achei necessário haver um compromisso. Falar de bebés e contas bancárias aos 17 e aos 19 anos pode parecer despropositado, mas funcionou, porque eram e são esses os nossos planos e ideias para o futuro. Partilhar expectativas em relação ao que se espera duma família e do seu funcionamento faz parte duma relação que não se deseja ser um desperdício de tempo. Quando se assume um compromisso, seja aos 15 ou aos 85 anos, tem de haver um contrato explícito. Aos 22 e 24 anos, falamos dos mesmos assuntos, uma e outra vez, à procura de consenso permanente, para verificar se continuamos na mesma página. Continuamos, mais do que nunca. Lemos livros diferentes, mas viramos as páginas em simultâneo. 

Provavelmente, tudo o que idealizamos ainda há de levar mais meia década a concretizar-se. Chegaremos sem grande esforço a perto de dez anos de negociações, preparações, projectos, ideias. Talvez por virmos de famílias e pais que teriam precisado bastante de viver este processo demorado antes de nos terem, somos uns gatos escaldados.

Receita para o amor não há, mas há comunicação e abertura numa parceria como qualquer outra. Precisamos de melhorar isto, aquilo não pode ser mudado, aqueloutro está bom. 

 

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E agora vocês, quais são os ingredientes da vossa história de amor e parceria? ♥ 

Tenho saudades de casa

Nos últimos dias, talvez semanas, tenho batido no fundo do poço, uma e outra vez, constantemente a subir um pouco e a cair, a subir e a cair, e cada queda parece sempre pior do que a anterior. Tenho saudades de casa, onde não chego nem perto desde Abril. Fez ontem cinco meses que regressei à Tailândia depois da Páscoa/ano novo tailandês e não há palavras que consigam descrever a sensação de não se estar no sítio onde deixámos o coração e de se ter quase a certeza de que não é suposto estarmos onde estamos.

Viver na Tailândia tem sido uma experiência e tanto. Tenho aprendido e vivido o que pensei não chegar a fazer parte da minha experiência de vida. Sou uma sortuda, foi-me entregue de bandeja o emprego que eu só esperava quase aos 30. O meu salário não é ideal para quem vive a praticamente 1000€ de distância do seu país e faz questão de lá ir duas vezes por ano e de "importar" os seus nos entretantos, mas é um salário bem superior ao que eu alguma vez esperaria ganhar em Portugal saída de fresco duma licenciatura (mesmo em euros, o meu salário médio - aulas base, aulas extra, tutorias privadas - ronda quatro dígitos muito confortáveis). Vivo sozinha, sou responsável pelas minhas contas, adoptei um gato, vivo numa cidade que eu nem sabia localizar no mapa, vou a sítios que ficam bem nas fotos do Instagram, de vez em quando posso esbanjar em roupa a condizer com a paisagem, não ando a contar trocos, blá blá blá.

 

Há três semanas que não tenho um dia inteiro para mim. De manhã, quando acordo, até â noite, quando adormeço. Tenho algumas manhãs e tardes livres, mas sempre com a sombra dos trabalhos do mestrado e das aulas para preparar a seguir-me para onde quer que vá (tentar) distrair-me. Quando acabo uma tarefa qualquer, já tenho outras na fila.

 

Não vejo o meu namorado em carne e osso desde que o deixei nas partidas do aeroporto de Lisboa e só o volto a ver em Dezembro ou Janeiro, daqui a 3 ou 4 meses. Entretanto, aturo perguntas que, apesar de inocentes, doem pela insistência e incredulidade: "mas o teu namorado não vem ter contigo? só o vais ver em X data?". Há poucas pessoas que percebam o sacrifício de trabalhar e estudar ao mesmo tempo (o meu caso e o dele) e de nem sequer compensar viajar meio mundo por dois dias para se lá estarem outros dois, não nos esquecendo do sempre terrível preço do bilhete.

 

Muitas vezes ao dia, muitas mais do que eu gostaria que acontecesse, desejo a calma de espírito daqueles que, mesmo vivendo em terras remotas, seja por opção ou porque teve de ser, não se importam de ir a casa a cada dois anos, estão confortáveis seja onde for, tomam banho em filosofias de carpe diem e são felizes sem um lar, ou que versatilmente constroem muitos lares. Que fantástico seria não andar a dançar em nós na garganta e a aperceber-me cada vez mais que sorrio mais por ansiedade e reflexo do que porque de facto me apetece! Mas não, ainda bem que estas emoções negativas existem, por serem a prova de outras bem positivas: amor, pertença, lealdade, aconchego.

 

Felizmente, eu sei que continuo aqui a prazo. O mundo é tão grande, há tanto a explorar, e agora é mais do que hora de voltar a lançar os dados e apostar em novos números. No meio do processo, aprendi a valorizar e a desvalorizar certas experiências e ambições. Umas eram tidas em alta consideração, mas foram repensadas. Outras nunca me teriam passado pela cabeça se eu cá não estivesse.

 

Uma coisa é certa: não é possível ser-se feliz para sempre com os pés num sítio e com o coração acolá. Sair do país deu-me a mim e às pessoas que me rodeavam diariamente uma nova perspectiva sobre a realidade. Acho que estamos todos diferentes. Há laços que se estreitaram, outros que sumiram para debaixo do tapete. Contudo, não me arrependo, até porque isso não serve de nada.

 

As melodias que o meu humor tocaria (e escreveria, em grande parte) neste momento:

 

PERIGO: relações à distância são nocivas à saúde

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No outro dia, durante o almoço, a estagiária (de Hong Kong) que está a trabalhar na minha faculdade (em Bangkok) declarou que estava tentada a experimentar uma relação à distância com um rapaz indiano (outro antigo estagiário que já foi para casa). Parece que já se conheciam antes de virem e, enquanto cá estiveram os dois, o "clique" foi óbvio. Ainda assim, não iniciaram nenhuma relação, nem deu tempo para isso.

 

Segundo a minha experiência, provavelmente ela estava à espera que eu lhe dissesse qualquer coisa como "Força nisso! Tu consegues! Vai doer, mas vai valer a pena!".

 

Pois... NÃO!

 

Se puderem evitar relações a distância, evitem. Aliás, fujam delas como o diabo da cruz! Não se metam em aventuras! As relações à distância dão trabalho, dão que pensar, exigem os nossos melhores dias todos os dias e são um grande sacrifício. Estar longe das pessoas de quem gostamos não é a ideia romântica que vemos nos filmes. Na minha opinião, a de quem está deste lado, não é uma coisa "que se tente", desde início, só porque se sente ali um friozinho na barriga.

Se querem arriscar ter uma relação à distância ou encorajar alguém a tentar uma, avaliem a situação. É uma relação à distância desde início (o caso da minha colega estagiária) ou um acaso na vida de duas pessoas que já eram um casal antes? Há um plano ou nem por isso? Como vão ser os encontros? Com que frequência? Onde? Quem vai ter com quem? E a médio prazo, já imaginaram o que vai acontecer? Que sacrifícios estão em cima da mesa? Para quem? Há forma de negociar? E partilham-se as mesmas ideias, objectivos e visões acerca da vida em geral? Há entendimento, não só agora, mas também até daqui a uns tempos?

 

Estas são apenas algumas das questões que coloquei à minha colega e que decidi deixar à vossa consideração. São o mero resultado desta experiência que estou a viver. Só desejo uma relação à distância a quem tiver respostas suficientes. Não pretendo desencorajar ninguém, porque cada caso é um caso, mas não quero que sejam a minha colega, que não tem resposta para nada, não sabe nada, só sabe que "gostaria de tentar, para depois não se arrepender" (palavras dela). Se querem tentar, assegurem as perguntas e as respostas necessárias.

 

E, quando refiro "relações à distância", refiro desde o semestre Erasmus à oportunidade de emprego de sonho sem termo, a milhares de quilómetros. Repito: nada é um filme romântico, no qual é quase certo os protagonistas acabarem num beijo em grande plano.

Seja como for, há que dar graças a todos os santinhos pelas vídeo-chamadas gratuitas.

O amor, os blogues e as fofocas

 

Na semana passada, nesse dia emblemático em que o Benfica, o Papa e o Salvador Sobral deram tantas alegrias a Portugal e aos portugueses, outra surpresa mexeu comigo: umas fotos muito curiosas de dois dos meus blogueiros de eleição, que alegadamente estariam separados/divorciados e em torno dos quais até se tinha gerado um zum zum de admiração, angústia, tristeza, de repente muitos seguidores a comentarem que, assim, até deixariam de acreditar no amor, que eles eram o par perfeito, levantaram-se mãos ao céu (ou emoticons tristes no Instagram)... Enfim, eu fui uma delas. 

A separação desse casal dos blogues teve um impacto bastante grande em mim. Eu serei sempre a primeira a dizer que as aparências iludem e que de amor ninguém percebe quase nada. Para mim, andamos todos ao mesmo: vai-se por tentativa e erro, a ver se os nossos métodos funcionam com os da outra pessoa. Para mim, casais felizes na Internet também podem ser uma farsa ou um retrato dum conto de fadas, porque só quem anda no convento sabe o que lá vai dentro. Raramente me deixo iludir ao ponto de acreditar que é tudo lindo e maravilhoso lá por casa, vinte e quatro sobre vinte e quatro horas, 7 dias por semana.

No entanto... olhem, qualquer coisa mexeu comigo quando soube desta separação. Talvez por eu costumar dizer que há uma tríade de Ricardos na blogosfera que garantem o sucesso de relações - o meu, o dessa blogger e o duma terceira. (Eu sei que é um bocado presunçoso e ligeeeeeiramente tendencioso pensar nestes termos, mas uma pessoa tem de acreditar nalguma coisa.) Talvez por eu passar demasiado tempo na Internet a pensar na vida dos outros (o que não deixa de ser uma possibilidade credível). Talvez eu até me tenha sentido chocada por ter crescido a ver essa relação a desenvolver-se e, sem me ter apercebido, essas pessoas fazerem um bocadinho parte do meu dia-a-dia e da minha concepção do que é o mundo em geral e o sucesso profissional.

Acho que todas estas são opções muito válidas! E sabem porquê? Porque a verdade incontornável é que a Internet permite-nos ter uma relação, maioritariamente unilateral e quiçá falaciosa, com os escritores, produtores de vídeo, jornalistas ou cronistas. É uma relação não correspondida, mas que nos acompanha por anos e anos. Chegamos da escola e lemos o texto mais recente ao lanche, saímos do trabalho e pelo caminho vemos o novo vídeo. Essas pessoas tocam nas nossas vidas de maneiras muito mais permanentes do que certas partes das nossas famílias.

Assim, foi uma enorme alegria ver que esse casal de que estou a falar desde o início passou tempo de qualidade um com o outro, a julgar pelas fotos que mostram no Instagram. Muitos especulam que será uma reconciliação, mas a mim nem é a possível reconciliação que mais me interessa - é o facto de parecerem felizes e em paz enquanto estão juntos. Não interessa se permaneceram amigos ou outra coisa qualquer. Interessa que, no final, há esperança. Pode ter sido um casal a divorciar-se, mas é uma ligação que não morre, mesmo alé dos filhos.

Às vezes, também me pergunto o que aconteceria se eu e o Ricardo nos separássemos (emocionalmente, porque fisicamente a coisa não pode ficar mais aguda). Número um, não me parece provável que aconteça nos próximos tempos. Número dois, nunca se sabe, por isso não custa puxar pela cabeça e colocar hipóteses na mesa. Acho que, no final, o que mais importaria seria declararmos a paz. Se essa paz viesse na forma duma amizade ou dum carinho especial que não se apaga, significatia que a última meia década não teria acontecido em vão.

Noutra nota... Obviamente que, se os sujeitos em questão publicaram as fotos, já estariam à espera do efeito. Muita gente iria comentar e largar a sua posta de pescada. Neste caso, as fofocas são inevitáveis e quem criticar seja quem for por comentar a situação (hummm, como por exemplo, eu) não tem grande estrutura argumentativa para defender a sua causa. Deste lado, ainda temos poder para escolher o que queremos partilhar e o que preferimos omitir da praça pública. Certamente, este casal/ex-casal não terá escolhido partilhar estes desenvolvimentos de forma inocente e desinformada. Assim, toma lá a minha posta, à qual tenho igual direito.

 

Viva a felicidade! Viva o amor! Viva os sururus que mantêm a blogosfera fofoqueira entretida! Viva a gente contente e satisfeita!

O amor dá-nos muitas perguntas e poucas respostas, mas principalmente dá-nos um certo trabalho que muitos não querem ter

Acabo de ler a mais recente entrada no blogue d’O Arrumadinho. Estou chocada, revoltada, angustiada, mas, acima de tudo, desiludida. Estes “adultos” deixam-me estupefacta.

Diz o autor que amor inocente só há na adolescência, que como esse já não vêm mais. Pronto, tudo bem, obviamente que todos crescemos e passamos a ver o mundo através dum filtro muito menos encantado. No entanto, depois diz que...

A merda da vida, e a forma acelerada e atribulada como ela vai acontecendo, rouba-nos quase sempre esta capacidade de amar só porque sim, de amar de forma deslumbrada e sem freios. Temos sempre de ter muito cuidado com tudo, temos sempre de ir muito devagar, temos de ter sempre em atenção as intenções dos outros, temos sempre de enquadrar o nosso amor no nosso passado e no passado das outras pessoas, temos sempre de racionalizar tudo o que fazemos e sentimos, sendo que isso é precisamente o oposto de sentir.

Aí é que já não aguentei mais. Realmente, que chatice, ter em conta o que as pessoas de quem gostamos sentem, o que as magoa, o que as deixa inquietas e infelizes. Ora, e uma pessoa a pensar que estar com um olho no outro também faz parte duma relação, seja ela de cariz romântico, familiar ou entre amigos.

Lá está: que inocência a minha.

Talvez seja mesmo eu uma alma inocente, talvez seja ingénua, ou parva, ou mesmo estúpida. Ou talvez as pessoas estejam a ficar cada vez mais traumatizadazinhas da cabeça com coisa pouca e estejam a ficar mesmo tapadinhas. De facto, eu não possuo grau de comparação entre o que é o amor duma namorada ou namorado  e o amor dum pai/mãe e filhos. Ainda não tive filhos. Sei lá o que é isso. Não consigo ainda entender o que O Arrumadinho quer dizer.

Mas uma coisa é certa: amor é amor e, quando uma pessoa ama realmente, deve tentar e tentar e tentar até já não haver amor. Quando já não houver amor, epá, descompliquem. Se calhar nunca houve amor, só houve tentativas e incompatibilidades que sempre estiveram presentes, mas que se fizeram silenciosas. Se calhar, houve mesmo ingenuidade, apenas não aquela a que se aponta logo o dedo.

Todos os tipos de amor incluem uma certa dose de generosidade, porque temos de dar do nosso tempo, da nossa paciência, às vezes do nosso dinheiro. Será que é isso que as pessoas não querem dar? E dá trabalho?

Cada vez me pergunto mais se serei eu que tenho muita sorte ou se a falta dela ainda estará por vir.

O Ricardo não é o meu primeiro amor, nem sequer foi uma coisa assolapada, foi uma coisa que sempre me entusiasmou, só nada de loucuras, mas depois de meia década juntos continuo a sentir que, de facto, me sinto deslumbrada. Está bem, que ainda éramos os dois adolescentes, mas provavelmente éramos os adolescentes menos à espera de contos de fadas. E deslumbra-me a maneira como tudo se desenrola pacificamente. Deslumbra-me os pequenos gestos e preocupações. Deslumbra-me que, ao começar uma discussão, não fique a sentir-me nada bem se não acabar em pazes e se não se explorar o assunto até ao último nó. Deslumbra-me ainda olhar para ele e sentir que é com aquela pessoa que eu quero passar o resto da minha vida - pelo menos é o que agora sinto (não se confia no futuro, claro). Deslumbra-me ser tudo tão fácil quando há sempre uns minutinhos para se enviar uma mensagem engraçada, um link da Internet, um vídeo a fazer caretas, declarar honestamente quando há ou não há mesmo disposição para se falar (relação de longa distância, ao que obrigas). Deslumbra-me a quantidade de planos que fazemos e desfazemos constantemente para os próximos anos. Deslumbra-me que, ainda nos teens, achássemos piada a imaginar o quão fixes os nossos filhos serão, com uns pais tão diferentes e tão iguais. 

Em suma, há que encontrar a tal magia em lugares inesperados.

Certo?

Cada vez vejo mais pessoas à minha volta com demasiada preguiça em conhecerem-se umas às outras e a darem-se ao trabalho de procurar melhor o que faz de cada um de nós tão especiais. Para mim, é isso que é o amor: estar repetitivamente à procura de alguma coisa. Não pensar que é tudo para sempre, mas saber que amanhã e provavelmente depois ainda será. Estou constantemente a perguntar-me o que fará as pessoas deixarem de se amar e de se importarem, o que as fará dizerem que o amor pede demais, quais são os problemas e como surgem. Acho que é um tema que interessa a todos. 

Enfim, cruzes credo, nunca se sabe quando nos há-de acontecer a nós e depois temos de bater na boca!!! 

Os aziados do São Valentim

Já sei que vêm daí alguns ataques em barda, mas eu gosto de picar e cá vai disto: odeio os aziados de São Valentim!

Obviamente, as vozes críticas dirão que eu tenho lá moral para falar, tenho o meu Valentine há montes de tempo, já devia era estar casada e com filhos há um par d'anos, ou que eu que não atire muitos foguetes, porque um dia ainda hei-de apanhar as canas.

Olhem, e sabem o que isso significa, minhas riquezas? Significa que vocês são UNS AZIADOS! 

 

O que eu realmente cá venho comunicar, o assunto que me leva a vir fazer queixinhas, é as pessoas por essa Internet fora que criticam o Dia dos Namorados, afirmando que isto é uma patetice e que isto é mas é um valente dia para se sair com os amigos (bem... pelo que tenho visto, é mais uma cena de amigas mulheres), enquanto se queixam dos ex-namorados, que amor a sério só existe nos filmes, estamos bem é sozinh@s, ninguém manda em nós, não temos que fazer o jantar a ninguém, saímos ou não é da nossa conta, vamos beber à nossa saudinha, blá blá blá - QUE SECA!

Por estes dias, existe ainda um segundo tipo de gente que me irrita de tédio - os que gostam de autocomiseração. Olhem para mim, que sou um forever alone. 14 de Fevereiro, para uns conhecido como Dia dos Namorados, para mim é mais uma terça-feira. Olhem para mim, coitadinho, sou feio, sou gordo, cheiro mal da boca, tenho fungos nos pés, jogo no computador 16 horas por dia, sou desempregado de profissão e vocação, mas ninguém me quer. OUTRA SECA!

 

São todos uns aziados e odeio (nem que temporariamente) quem tem este tipo de atitude. São uma mistura de velhos do Restelo com desmancha-prazeres. São gente que me causa ácidos, de tanto disparate que destilam.

 

Aos aziados que gostam da autocomiseração, porque a vida os surpreendeu com amores menos duradouros: celebrem o amor na mesma! Mesmo que o amor não dure, não deixa de ser amor, não deixou de vos fazer felizes a certo ponto e isso é que devia ser a parte mais importante.

Aos aziados que gostam da autocomiseração, porque é mais fácil queixarem-se do que agirem, façam o favor de enfrentar o touro pelos cornos: o amor não cai no céu e encontrá-lo também tem uma dose de esforço, seja ele amor apaixonado, amor de filho, amor de amigo, amor de dono de piriquito!

 

Outras espécies de "encalhados" que eu odeio:

- os moralistas que acham que o Dia dos Namorados é só mais um dia, mas que gostam muito do Pai Natal criado pela Coca-Cola e do Coelho da Páscoa;

- os que odeiam casais que estão felizes e que gostam de mandar postas de pescada sobre o quão foleiros parecemos;

- os que só celebram o Dia dos Namorados porque é o que toda a gente faz.

 

 

Atirem lá as pedrinhas (mas só depois de verem este vídeo e de lerem este e este texto como bibliografia complementar, uma vez que já é tarde aqui nas Ásias e este corpinho já não aguenta mais prosa).

Somos todos doutorados em relações à distância

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Quando decidi vir para o outro lado do mundo, preocupei-me com muita coisa: as saudades de casa, o preço dos vôos, tornar o meu apartamento acolhedor, assegurar meios de subsistência suficientes, mentalizar-me de que estar sozinha não significa estar só, conseguir tratar do visto e da permissão de trabalho - e, dentro desta lista infindável de tarefas físicas e mentais, ainda outra...

Apalpar terreno para uma relação à distância.