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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Os meus sítios favoritos na Tailândia #3: Bangkok Art and Culture Center (BACC)

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Tenho uma predilecção por galerias e museus bem iluminados, como é o caso do Bangkok Art and Culture Center (BACC). Não gosto daqueles com todas as entradas de luz vedadas, com tectos baixos e paredes escuras. Se não houver janelas, pelo menos que haja outras fontes de iluminação e tectos altos. Assim, gosto do BACC, por ser arejado, minimalista, arrumadinho, cheio de vida.

 

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O BACC é um centro cultural e de arte contemporânea enorme. Tem mais de sete andares (acho que oito ou nove, mas não tenho a certeza), intelrigados por escadas rolantes ou, a partir do sétimo andar, por uma rampa contínua. Há exposições permanentes, outras temporárias. Enquanto visitante, consigo perceber que o objectivo é juntar a tradição ao mais recente, entre fotografia, desenho, pintura, artesanato, escultura e tantos outros tipos de arte. Um dos motivos mais recorrentes é, obviamente, a figura do rei Rama IX, falecido em Outubro de 2016, mas ainda (provavelmente, para sempre) adorado pelo povo.

 

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Inclusivamente, uma das exposições que visitei é a das fotografias que o rei Bhumibol (o nome de Rama IX), um indivíduo versátil e com interesses artísticos variados, principalmente música e fotografia, tirou ao longo da sua vida. Curiosidades acerca desta exposição: uma secção inteiramente dedicada à sua cadela favorita, outra secção só com fotos da rainha (desde os 20 até aos 80 anos), outra com fotos dos filhos e alguns netos... O destaque dado a estas figuras na sua vida só demonstram o grande homem que, imagino, foi.

 

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Dito isto, resta-me recomendar que, caso passem por Banguecoque, possam também visitar o Bangkok Art and Culture Center (BAAC), com ligação ao sky train e com toda a luz, conforto, criatividade e ausência de hordas de gente de que todos precisamos para sermos felizes numa galeria de arte!

 

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Os meus sítios favoritos na Tailândia #1: Octave Rooftop Lounge & Bar, Banguecoque*

 *A partir de hoje, vou partilhar aqui no blogue os meus sítios favoritos na Tailândia, de forma a que eu mesma tenha mais uma fonte para memória futura e possa também deixar online algumas recomendações a quem estiver interessado em visitar o país. Muitos dos meus sítios favoritos na Tailândia são pouco conhecidos ou menos valorizados pelos turistas, por isso nem sempre são as escolhas mais óbvias de quem procura locais interessantes para visitar.

 

Estão a ver o actual cabeçalho do blogue (se estão a ler este post no futuro, refiro-me a esta foto)? É parte do Oeste do centro de Banguecoque, onde os edifícios são mais altos, onde se vê a linha de skytrain, onde o pôr-do-sol acontece por trás do cenário urbano, onde se vê o verde, o branco, todos os tons de cinzento da Big Mango e arredores. E de onde tiro as fotos que vos apresento de seguida? Dum dos meus sítios favoritos na Tailândia: o Octave Rooftop Lounge & Bar.

 

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Esta deve ser a minha vista favorita da cidade de Banguecoque. É muito mais confortável estar a vê-la de cima, como um gigante, do que de baixo, como uma entre milhões de formigas e imenso trânsito. Assim, até parece uma cidade bonita. Dum lado, os (mais ou menos) arranha-céus. Do outro, os subúrbios ainda verdes. O céu cheio de recortes de nuvens, nuns dias vermelhas e escassas, noutros indistinguíveis na massa enegrecida de chuva.

 

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O Octave Rooftop Lounge & Bar (ou apenas Octave) fica nos 45º a 49º andares do hotel Marriott, na Sukhumvit Road, soi 57 (soi significa beco em tailandês, e todas as estradas/avenidas dividem-se em becos em número infinito). Fica no centro da cidade, nesta que é uma das avenidas mais conhecidas, movimentadas e trendy, onde se concentram tanto zonas residenciais como parte dos serviços, comércio local e centros comerciais mais famosos. O Octave fica na esquina entre a soi 57 e a estrada principal.

 

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Quando vou ao Octave, peço sempre a mesma bebida: o mocktail chamado "Passion", de maracujá. Se jantarem no Octave ou antes de irem ao bar, tentem que seja algo leve, caso queiram tentar o "Passion", porque é bastante concentrado e doce - super delicioso! Há muitas outras bebidas da casa, alcoólicas e não alcoólicas, vinhos e cervejas para todos os gostos. 

 

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No 45º andar, o Octave tem um restaurante ao ar livre que serve pratos que são mais tapas e aperitivos do que refeições completas. No 48º e 49º andares, é exclusivamente um bar (nunca fui aos 46º e 47º andares, mas suspeito de que tenha um restaurante interior). Cada vez que alguém me vem visitar, tento sempre levá-los ao Octave, porque não tem demasiada gente ou barulho, não fica numa zona impossível de aguentar com trânsito, é comummente desvalorizado por não ser o rooftop mais alto da cidade (o que contribui para um menor número de turistas inconvenientes) e os empregados são duma enorme simpatia. A vista é de ficar sem fôlego, sem obstáculos que nos impeçam de aproveitar uma corrente de ar fresco e o cenário já descrito. 

 

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A certa altura, considerei o Octave não um dos meus sítios favoritos na Tailândia, mas talvez meu sítio favorito (no mínimo, em Banguecoque!). No semestre de Verão, cheguei a ir lá todas as semanas com os meus colegas. Também costumo ir sozinha quando me apetece encontrar um refúgio longe do stress que se sente em baixo, na cidade. Vou pensar, ler e escrever lá para cima, ver as pessoas, os carros e os comboios que passam. Além disso, uma vez que o Octave abre às 17h, é provavelmente o melhor sítio em Banguecoque para ver o pôr-do-sol e aproveitar a happy hour mais silenciosamente (por vezes, quase sem ninguém à volta) e com as bebidas da casa a metade do preço até às 19h. Essa é a razão pela qual todas as fotos que partilho convosco mostram um céu meio encoberto, escurecido ou vermelho.

 

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E pronto, fica aqui esta primeira recomendação de sítios interessantes na Tailândia. O Octave até pode ser uma boa ideia para quem chega a Banguecoque em vôos mais tardios e não sabe onde esgotar a energia do jet lag

 

(Espero que gostem desta nova rubrica!)

Andar de táxi em Banguecoque

Raramente ou quase nunca ando de táxi em Portugal. É caro, a nossa rede de transportes públicos é bastante decente - tanto na zona onde vivo e estudava, quanto a nível nacional - e tive sempre quem me desse boleia antes e depois de tirar a carta de condução.

No entanto, andar de táxi em Banguecoque é relativamente barato. Para um percurso de 5km, pago à volta de 2€, ou mesmo 5€ para 20km, se não ficar demasiado tempo presa no trânsito. Além disso, agora tenho o meu salário e os meus maiores luxos são comida internacional e... táxis. E táxis-mota. 

Ando mesmo muito de táxi, carro, em Banguecoque. É, realmente, muito barato, e é uma óptima maneira de evitar os transportes público daqui, que são ligeiramente ineficientes em certos percursos, tendo em conta os milhões de pessoas que os usam. Então, se for possível evitar esse cansaço físico e mental, apanho um táxi.

O problema são os senhores taxistas, obviamente. Eles podem ser o maior benefício em apanhar um táxi, ou podem ser a nossa maior dor de cabeça.

Muitas das vezes (tipo, na maioria), os senhores taxistas tailandeses não sabem bem onde estão ou para onde devem ir. Em sua defesa, posso confirmar que as ruas e o trânsito desta cidade são caóticos, mas nada que um GPS não resolva. 

Ah, mas...

GPS? Google Maps? Que é isso? Mais uma vez, a maioria dos senhores taxistas deve pensar "o que raio pode um telemóvel dizer-me que eu não saiba?", assim numa demonstração intro/extropectiva de orgulho-macho. É pena, porque quando se recusam a usar o GPS a coisa corre mal e, por norma, eu fico bastante doente da alma por saber que um percurso de quinze minutos se pode tornar, na maior das facilidades, numa novela duma hora (nota: não subestimem as estradas de Banguecoque!!!), porque o senhor taxista decidiu virar uma ruazinha antes do tempo, e planeamento urbano é coisa que nem sempre assiste nesta megalópole, portanto voltar para trás não é sempre a melhor ideia.

Pelo sim, pelo não, eu uso constantemente o meu GPS em toda a santa viagem. O Google Maps, milagre dos céus, não só me ajuda a confirmar o caminho, como também o trânsito e qual a melhor alternativa de percurso. Além disso, sabe-se lá como, tenho-me apercebido de que conheço bem melhor imensas partes de Banguecoque que os próprios senhores taxistas!

Mas calma, os problemas duma pessoa não se ficam por aqui: os senhores taxistas tailandeses nem sempre aceitam as sugestões que se lhes dá. Perdi já conta das vezes em que isto aconteceu. Até já aconteceu o senhor taxista perder-se mesmo, ver que aquela via não era, de facto (!) possível, e ter de admitir a sua derrota. Enfim, é amargo para as duas partes, não deixando de ter a sua piada.

 

Conclusão: se vierem a Banguecoque ou à Tailândia e quiserem apanhar um táxi, usem o Google Maps como se a vossa vida dependesse disso e, se quiserem ficar ainda mais descansados, chamem um GrabCar (apenas um GrabTaxi em última análise!) ou um Uber. Ou uma GrabBike (mas deixarei as aventuras dos táxis-mota para outra altura).

 

A vida é bela em Banguecoque, mas tem tanto de doce quanto certas nuances que nos tiram do sério.

Agradecimento tardio, mas sentido

Apesar de alguma inquietação nas últimas semanas, há que frisar que estou viva! A publicação da semana passada foi, de facto, o maior desabafo que eu poderia ter partilhado, porque esse foi um dia longo, que culminou em mim a comer um cupcake de banana e chocolate no Starbucks, enquanto músicas natalícias passavam no fundo, e a ir a um evento sem companhia: um recital multimédia de fado, com direito a imagens soalheiras de Lisboa. Tudo do bom e do melhor para soltar uns bons soluços! 

 

 

E não, eu não estou em Bangkok forçada nem nada, estou porque quero, como os leitores deste blogue já saberão. Estou a adorar a experiência, mas até o melhor dia é quase sempre uma desilusão se não o pudermos partilhar com aquelas pessoas. É só isso. 

 

Por todos estes motivos, é com grande felicidade que venho partilhar com todos que, dentro de três meses, já estarei de volta a Portugal! Até ao início da semana que passou, não valia a pena espalhar a notícia, porque tive, em primeiro lugar, que contar à minha chefe e a alguns superiores. Não fazia sentido estar a comunicá-lo antes disso. Contudo, a decisão já foi tomada há muito mais tempo! 

 

Então, tenho a agradecer aos leitores mais assíduos que me têm acompanhado as suas palavras amáveis e por continuarem desse lado a ler os meus amores e dissabores sobre a Tailândia. Sei que não tenho mantido este blogue muito actualizado, o ritmo da minha vida tem andado meio estranho, mas daqui para a frente será sempre a melhorar! Vamos lá ver! Muito, muito obrigada, como sempre. Obrigada também aos Destaques do SAPO (e até à plataforma SAPO) por andarem a promover 70% das minhas escassas publicações. Sabe sempre bem receber algum feedback do vosso lado, é sempre muito gratificante.

 

Numa nota menos positiva acerca da inevitável visibilidade consequente (mesmo que momentânea), tenho a acrescentar algumas palavras de censura a quem acabou de chegar e se pôs logo a enviar-me postas de pescada. Isto dos blogues é um fenómeno cheio de detalhezinhos, coisinhas miúdas que devemos ter em consideração, e uma delas é a seguinte: não vale a pena julgarem-me por UM TEXTO que eu tenha escrito NUM DIA aleatório de seis anos de Procrastinar Também é Viver. É como julgar um casamento feliz de cinquenta anos por uma discussão naquele dia em que alguém não pôs a loiça na máquina. Felizmente, tenho sido abençoada com oportunidades únicas na minha vida ainda curta, tenho tido uma vida com algumas contrariedades, mas bastante cheia, tenho conhecido gente maravilhosa... Aliás, quem lê o que escrevo no resto do tempo sabe disso. A Tailândia foi um dos maiores jackpots que me calhou, mas nem todos os dias são paisagens maravilhosas. A vida continua aqui, como em todo o lado; eu não estou propriamente de férias. Ser feliz longe de Portugal é, por isso, um desafio, por muito que gostemos do sítio onde estamos.

 

Seja como for, as vozes positivas prevalecem e, mais uma, e outra, e outra vez, muito obrigada por estarem desse lado. Adoro escrever neste blogue, adoro a vossa companhia. Têm sido seis anos de crescimento, já me viram adolescente, adulta, feliz, triste, apaixonada, desapaixonada... É assim a vida! 😘

 

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Solidão no meio de dez milhões

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Foi em Bangkok que me senti só pela primeira vez. Custa muito admitir que nos sentimos sós, porque é mais fácil estarmos em negação. Quando cheguei ao ponto de o reconhecer, já tinha passado por muitas fases.

 

A primeira fase foi arranjar sempre algum bode expiatório para o descontentamento. No início, não podia ir a casa no Natal. Depois, arranjei uma forma e fui. Dois meses depois, mudei de apartamento, culpando as baratas debaixo da bancada da cozinha que me comiam o jantar, o lixo à saída do condomínio e a má gestão do edifício. No novo condomínio, sentia falta dum animal de estimação. À revelia das regras - ainda que à semelhança da prática de tantos outros vizinhos - arranjei um gato. Depois do gato, veio a minha avó. Por dois meses, senti-me acompanhada, mas sabendo que não iria durar para sempre.

 

Entretanto, a fase de estar triste sem saber porquê. Uma melancolia imensa, um vazio e muita inquietação.

 

Por fim, a consciência de que me sinto... de que me tenho sentido só. Do outro lado da linha, chegam-me palavras cheias de amor, mas essas só se ficam pela metade. É pela falta delas que me sinto assim, é por, como acontece com os fantasmas, as poder ouvir e ver, sem lhes tocar, que me sinto isolada neste mundo que é o mesmo, parecendo uma realidade paralela.

 

Não sei se é assim que todos se sentem quando se mudam para outro país. Espero que não. Talvez eu sinta, por acréscimo, todo o isolamento cultural, geográfico, visual como consequência de estar tão longe.

 

Bangkok é uma cidade com dez milhões de pessoas, mas nunca me senti tão sozinha antes, nem quando vivia num sítio com uns poucos milhares de pessoas.

 

Tenho amigos em Bangkok, mas cada um está na sua vida, cada um vive noutra ponta da cidade. Estar longe da família e daqueles que amamos tem disto. Não há ninguém à nossa espera em casa, raramente há quem se disponha, à última hora, a acompanhar-nos seja onde for. Não há certezas de nada. Não há ninguém que possamos alcançar à distância duma chamada.

 

Mas, se eu precisar dalguma coisa, é só ligar - dizem eles.

Do que eu preciso é de não ter de ligar.

Tenho saudades de casa

Nos últimos dias, talvez semanas, tenho batido no fundo do poço, uma e outra vez, constantemente a subir um pouco e a cair, a subir e a cair, e cada queda parece sempre pior do que a anterior. Tenho saudades de casa, onde não chego nem perto desde Abril. Fez ontem cinco meses que regressei à Tailândia depois da Páscoa/ano novo tailandês e não há palavras que consigam descrever a sensação de não se estar no sítio onde deixámos o coração e de se ter quase a certeza de que não é suposto estarmos onde estamos.

Viver na Tailândia tem sido uma experiência e tanto. Tenho aprendido e vivido o que pensei não chegar a fazer parte da minha experiência de vida. Sou uma sortuda, foi-me entregue de bandeja o emprego que eu só esperava quase aos 30. O meu salário não é ideal para quem vive a praticamente 1000€ de distância do seu país e faz questão de lá ir duas vezes por ano e de "importar" os seus nos entretantos, mas é um salário bem superior ao que eu alguma vez esperaria ganhar em Portugal saída de fresco duma licenciatura (mesmo em euros, o meu salário médio - aulas base, aulas extra, tutorias privadas - ronda quatro dígitos muito confortáveis). Vivo sozinha, sou responsável pelas minhas contas, adoptei um gato, vivo numa cidade que eu nem sabia localizar no mapa, vou a sítios que ficam bem nas fotos do Instagram, de vez em quando posso esbanjar em roupa a condizer com a paisagem, não ando a contar trocos, blá blá blá.

 

Há três semanas que não tenho um dia inteiro para mim. De manhã, quando acordo, até â noite, quando adormeço. Tenho algumas manhãs e tardes livres, mas sempre com a sombra dos trabalhos do mestrado e das aulas para preparar a seguir-me para onde quer que vá (tentar) distrair-me. Quando acabo uma tarefa qualquer, já tenho outras na fila.

 

Não vejo o meu namorado em carne e osso desde que o deixei nas partidas do aeroporto de Lisboa e só o volto a ver em Dezembro ou Janeiro, daqui a 3 ou 4 meses. Entretanto, aturo perguntas que, apesar de inocentes, doem pela insistência e incredulidade: "mas o teu namorado não vem ter contigo? só o vais ver em X data?". Há poucas pessoas que percebam o sacrifício de trabalhar e estudar ao mesmo tempo (o meu caso e o dele) e de nem sequer compensar viajar meio mundo por dois dias para se lá estarem outros dois, não nos esquecendo do sempre terrível preço do bilhete.

 

Muitas vezes ao dia, muitas mais do que eu gostaria que acontecesse, desejo a calma de espírito daqueles que, mesmo vivendo em terras remotas, seja por opção ou porque teve de ser, não se importam de ir a casa a cada dois anos, estão confortáveis seja onde for, tomam banho em filosofias de carpe diem e são felizes sem um lar, ou que versatilmente constroem muitos lares. Que fantástico seria não andar a dançar em nós na garganta e a aperceber-me cada vez mais que sorrio mais por ansiedade e reflexo do que porque de facto me apetece! Mas não, ainda bem que estas emoções negativas existem, por serem a prova de outras bem positivas: amor, pertença, lealdade, aconchego.

 

Felizmente, eu sei que continuo aqui a prazo. O mundo é tão grande, há tanto a explorar, e agora é mais do que hora de voltar a lançar os dados e apostar em novos números. No meio do processo, aprendi a valorizar e a desvalorizar certas experiências e ambições. Umas eram tidas em alta consideração, mas foram repensadas. Outras nunca me teriam passado pela cabeça se eu cá não estivesse.

 

Uma coisa é certa: não é possível ser-se feliz para sempre com os pés num sítio e com o coração acolá. Sair do país deu-me a mim e às pessoas que me rodeavam diariamente uma nova perspectiva sobre a realidade. Acho que estamos todos diferentes. Há laços que se estreitaram, outros que sumiram para debaixo do tapete. Contudo, não me arrependo, até porque isso não serve de nada.

 

As melodias que o meu humor tocaria (e escreveria, em grande parte) neste momento:

 

O que eu penso sobre viver na Tailândia 🏡

Há tanto de diferente e tanto de igual na Tailândia, quando me lembro de Portugal. No entanto, voltaria já a Portugal sem olhar para trás, caso houvesse essa oportunidade, neste preciso minuto. Ainda assim, vamos lá continuar este semestre e logo se verá. Viver na Tailândia tem muito de bom, mas aprendi que não há nada como estar em casa, no nosso lar, com as pessoas de quem mais gostamos. 

Entretanto, deixo aqui estes apontamentos. Decidi que o melhor a fazer é mesmo gravar em português, dadas as estatísticas da audiência que segue estes vídeos, por isso espero que sejam minimamente interessantes e que constituam uma fuga aos textos loooongos que eu costumo escrever. 

 

 

Nota à blogosfera

Ando a adiar esta publicação há demasiado tempo. Há muito a ser dito, mas poucas palavras para o expressar, por isso aqui vão as melhores que tenho.

 

Desde que vim morar para Bangkok, a minha vida tem sido uma constante de desconforto, descobertas e avalanches várias. No semestre passado, trabalhei, literalmente, até às lágrimas. Sete dias por semana. Nos dias supostamente livres, tinha de planear aulas. Ao fim de semana, era eu a estudante.

 

Assim, sei que muita coisa na minha vida mudou. Foi tudo um bocado de repente, atabalhoado, daí o choque ter sido maior. Tenho batido muito com a cabeça em paredes de vidro esse aço, tenho-me esfolado toda nesta aventura. Há dias mesmo muito maus, e outros muito bons. Os meus alunos fazem-me sorrir, dando-me segurança acerca da qualidade do meu trabalho. Nem tudo são rosas: há mesmo, mesmo dias em que só me apetece ir embora JÁ.

 

No entanto, no meio de toda esta comoção, da falta de tempo ou de paciência ou de tema para escrever no blogue, vocês continuam desse lado. Alguns já vêm de tempos anteriores e mais pacíficos, outros terão chegado agora ou há pouco tempo, mas cada "favorito", cada ligação, cada comentário e cada e-mail valem mil dias de praia!

 

Obrigada.
Obrigada, tantas vezes.

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Viver num país exótico não tem de ser necessariamente uma experiência exótica todos os dias, areais paradisíacos, rooftops privilegiados e massagens. Desde que cá cheguei, tenho-me sentido a andar com uma nuvem à frente do nariz. Tenho tanta mensagem por responder, tanto comentário a que não dei seguimento. Estou agora a sair desta nuvem, pouco a pouco, porque sei que dia se melhores virão. Estou optimista. A vida só me tem dado chocolates nos últimos anos e uma das provas disso até é este blogue. Esta nuvem vai desaparecer! Vai-me deixar ser positiva e voltar ao estado alerta.

 

Obrigada, outra vez. Obrigada por continuarem a ler o que eu escrevo, ainda que seja tão escasso. Obrigada por me fazerem querer produzir conteúdo cada vez melhor e explorar temas diferentes.

 

Este blogue é muito especial para mim, porque é o meu projecto pessoal há SEIS ANOS! Eu sei, não parece muito, mas isso é para aí metade da minha vida, se não contarmos com as fraldas e a escola primária. Tenho muito orgulho no que faço aqui, porque não é pago nem patrocinado por nada (se bem que um dinheirinho extra vem sempre dar um jeitão), mas mesmo assim eu continuo a voltar e a tentar melhorá-lo. O que eu escrevia quando o criei não tem, claramente, nenhuma semelhança com o que para aqui vai agora, mas olhem... É bestial poder ver essa evolução, na escrita, na pessoa, nos interesses, nas transições...

 

Então pronto, era só isso: obrigada!

Tenho uma foto profissional

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Ontem, entrei na sala de conferências. Ia ter uma reunião geral com todos os professores e restantes profissionais da faculdade, acerca do que se tem feito e irá ser feito neste semestre que começa na segunda-feira. Entrei. Fui apanhada de surpresa, como todas as restantes pessoas: suit up, vamos lá tirar uma foto para o site da faculdade, toca a vestir o casaco dum fato dois tamanhos acima do meu, com o logótipo da universidade, ... ainda bem que tinha lavado o cabelo de manhã, usado o secador XPTO que comprei há duas semanas, vestido uma blusa branca, escolhido os melhores brincos, guardado um batom na mala, maquilhado o visage, estreado as lentes de contacto verdes, desinchado a bochecha dos dentes do siso arrancados.

 

Fiquei gira, mas respeitável. E, espero eu, sem parecer mais nova do que os meus alunos. 'Tá qualidade LinkedIn, não 'tá? 

 

Ser feliz longe de Portugal

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Para mim, ainda é difícil ser totalmente feliz longe de Portugal. Há muitos momentos em que me pergunto o que ando a fazer tão longe. Será mesmo necessário para a minha experiência de vida? Será que essa experiência fará diferença na minha felicidade a longo prazo? E trabalhar e obter um diploma do estrangeiro fará diferença para encontrar um bom emprego em Portugal no futuro? É possível ser feliz longe da família e dos amigos? Por que parece tão difícil estabelecer novas relações? O que é que me poderá fazer feliz, da maneira como eu era no meu país?

 

Para mim, ser feliz longe de Portugal passa, em grande parte, por ignorar que estou longe de Portugal. Encontrar semelhanças entre a Tailândia e Portugal, Bangkok e Lisboa, ou os arredores de Bangkok e os arredores de Lisboa, onde cresci. Passa por olhar para os tailandeses, conviver com eles, trabalhar com eles, e procurar semelhanças em relação aos portugueses.

 

Ainda assim, por outro lado, ser feliz noutro sítio qualquer que não o nosso lar ou, pelo menos, um lugar que nos seja familiar, é aceitar as diferenças que nos saltam aos olhos e torná-las um hábito ou mesmo um prazer.

Há muitos prédios altos? Já vivi num e a vista é lindíssima lá de cima. Agora, é usufruir dos rooftops

O trânsito é uma loucura? Os táxis são baratos, posso apanhar um táxi-mota e a rede ferroviária é densa, para compensar. 

A comida tradicional é picante? Também é muito barata e assim até passo a vida em aventuras gastronómicas, o que é sempre entusiasmante. Senão, é tirar um tempinho para cozinhar em casa.

Há poucos espaços verdes? Mas pelo menos existem, e se existem devo tentar lá ir o máximo possível. Ainda por cima, a renda é tão barata que posso viver num condomínio com um jardim extenso.

O tailandês é uma língua difícil de atingir, quanto mais de dominar? Vejamos as adversidades como um desafio. Farei sempre um esforço para aprender.

 

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Ser feliz longe de Portugal é um desafio constante, porque o que eu sinto (e só posso mesmo falar por mim) é que a felicidade não aparece por via natural. Antes tem de ser activamente procurada do que simplesmente esperada. Se ficar fechada em casa a lamentar-me, nada me acontece, nada me estimula. A vida não pode ser só trabalho.

Contudo, o meu caso é muito específico. Eu não fui obrigada a sair de Portugal e só saí porque já tinha um plano a seguir. Nem consigo imaginar o que será sair de Portugal sem trabalho em vista, sem quem dê uma ajuda, sem conhecer ninguém. Nem imagino a dor dos emigrantes que vão sem data de regresso, contra a sua vontade, com uma família para criar em Portugal, ou que arrastam famílias inteiras consigo para território desconhecido. Aqueles que nunca tiveram, sequer, a intenção ou o sonho de sair. Como será a procura pela felicidade destas pessoas?

 

Portugal é um país de gente que sai e vai por esse mundo fora à procura de qualquer coisa que lhes falta. A mim, fazia-me falta ver mais mundo e trabalhar e estudar no estrangeiro. Fazia-me falta viver sozinha e ter o meu espaço. Proporcionou-se tudo isso… desta forma, para o bem e para o mal.

Não me arrependo, mas não deixo de pensar como seria a minha vida em 2017 se, em 2016, não tivesse feito as escolhas que fiz. Acho que é por aí que também passa a felicidade longe de Portugal, para mim, que sou nova, tenho uma vida pela frente. É relativamente fácil não me arrepender, mesmo contando com momentos baixos, baixos, baixos.

 

Assim, a pergunta que deixo é: quão simples será ser feliz longe de Portugal para velhos, menos velhos e mais novos? Para quem teve de ir e para quem assim o escolheu? A julgar pela extensão das comunidades lusas por “aqui e além-mar”, talvez se prove que, de facto, somos uns seres muito adaptáveis e capazes de encontrar a felicidade, talvez nas próprias (novas) comunidades que se formam.

Na Tailândia, devemos ser cerca de duzentos – duzentos membros, contam os grupos de Facebook. Um pouco mais ou um pouco menos, mas em Bangkok todos nos conhecemos. Mais próximos ou mais distantes uns dos outros, não deixamos de formar uma comunidade.

 

Se tiverem de emigrar de Portugal, não se isolem do mundo. Recorram às comunidades portuguesas que vivem por perto, não se isolem. Ser feliz longe de Portugal é levar o nosso país no coração, a nossa língua no ouvido e fazer amigos onde quer que estejamos, portugueses, tailandeses, binacionais, trinacionais, gente de todo o mundo. Contra mim falo, que sou um bicho do mato, mas ser professora tem disto, tão bom: estou quase sempre acompanhada. Ainda bem! Mas, para aqueles que não têm a mesma oportunidade de socialização continuada no trabalho: não sucumbam à facilidade de nos habituarmos a seguir a rotina casa-trabalho-casa. 

 

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(Por outro lado, penso que não devemos descurar os nossos antigos hábitos, sejam eles hobbies, partes da antiga rotina, contacto com os amigos do outro lado... Devemos continuar a ser quem éramos antes, apenas num sítio distinto.)

 

Olhem à vossa volta, apreciem a paisagem. Apreciem o sítio onde têm de viver. Olhem para tudo de vista lavada, para as pessoas e para a comida e para o verde e para os prédios e até para o chão!

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Sejam felizes, ou tentem!

 

(Para mais ideias aleatórias sobre viver em Portugal vs viver na Tailândia, aqui ficam alguns apontamentos.)