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Eu reservo-me ao direito

por BeatrizCM, em 26.06.13

A autora deste blogue reserva-se ao direito de procrastinar o tempo que lhe apetecer, quando lhe apetecer (excepto em dias úteis de período escolar, pronto…).

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de não obter culpas no cartório se algum dos seus leitores procrastinar mais do que deve e acabar por não fazer nada da sua vida.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de não adoPtar o Acordo Ortográfico, porque ele parte de um acordo político e não da evolução natural da língua portuguesa.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de incentivar ao gosto pela leitura e pela literatura em publicações do tamanho de elefantes.

 

[Já agora, a autora deste blogue reserva-se ao direito de não chamar posts às malditas publicações.]

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de fuzilar telepaticamente quem quer que seja que não valorize o Saramago (ou qualquer outro vulto de semelhante ou aproximada envergadura) ou que ache que o suprassumo da literatura mundial é a Margarida Rebelo Pinto, a Nora Roberts, o Nicholas Sparks ou a Stephenie Meyer (antes não gostar de ler, vade retro!).

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de responder sarcasticamente aos comentários de leitores mesquinhos.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito, por outro lado, de exaltar as inumeráveis qualidades dos seus leitores fofinhos – são todos muito boa gente e a autora deste blogue nutre por eles um enorme carinho e respeito.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de aqui mencionar muitas vezes os seus amigos, que são assim qualquer coisa fora do comum e ela adora-os.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de venerar por escrito o senhor seu namorado e de apregoar o quanto o ama, em qualquer altura ou circunstância, porque ele é, de facto, uma criatura fantástica. A autora deste blogue pede desculpa se perturbar algum leitor forever alone e deixa-lhe, desde já, os maiores desejos para que encontre um par igual ao seu num futuro próximo.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de ouvir música pop, critiquem ou não, A autora deste blogue gosta de quase tudo, exceptuando dubstep e música techno, desde música clássica ao Eminem, passando pelo country e isso jamais mudará (isto é uma indirecta para a pessoa mencionada no parágrafo anterior, se é que ele me entenda).

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de relatar “o mais ínfimo pormenor” da sua vida escolar whenever she wants to, e de se lamentar de como é árdua a vida de estudante.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de gostar da escola, e até de estudar, desde que não seja em quantidades industriais, uma vez que isso destrói o ego, a criatividade e, principalmente, os miolos.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de exibir as prendas que por vezes lhe oferecem e os livros, sapatos e roupas que compra com o seu próprio dinheiro.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de se vangloriar por ganhar algum dinheiro legitimamente seu através dos prémios literários que vai arrecadando.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de escrever e publicar textos lamechas, se for isso que tem vontade de fazer.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de praguejar em contextos de revolta, tristeza ou quotidiana palermice.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de começar a incluir temáticas mais promíscuas nas suas intervenções.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de ter como referências A Pipoca Mais Doce e a Ursa Pólo Norte – ela mesma gostaria de se tornar um misto das duas no mundo blogosférico.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de se queixar, de quando em vez, da sua falta de inspiração.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de partilhar com os seus leitores as suas ansiedades e expectativas de vida.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de publicitar outros blogues do seu agrado (não tão bons quanto o seu, mas… ela está a brincar, ok??).

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito (e dever!) de responder à maioria dos comentários que recebe, sendo tal actividade uma das suas preferidas na procrastinação assistida por computador.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de publicar fotos das suas pernas e pés, enquadrados numa qualquer actividade de lazer, só para fazer espécie (de tipo saudável, atenção) aos seus leitores.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de festejar quando o seu blogue aparece nos Recortes ou nos Destaques dos Blogs do Sapo.

 

A autora deste blogue reserva-se ao direito de escrever listas como esta, para melhor informar os seus leitores acerca das suas tendências procrastino-blogosféricas.

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Aos procrastinadores

por BeatrizCM, em 07.04.13
I find it hard to talk about myself. I’m always tripped up by the eternal who am I? paradox. Sure, no one knows as much pure data about me as me. But when I talk about myself, all sorts of other factors – values, standards, my own limitations as an observer – make me, the narrator, select and eliminate things about me, the narratee. I’ve always been disturbed by the thought that I’m not painting a very objective picture of myself.

Haruki Murakami, Sputnik Sweetheart



Sou, sem dúvida alguma, uma daquelas pessoas que gosta de falar sobre si própria. Espero que não me interpretem como egocêntrica, egoísta ou arrogante. Afinal, toda a gente que goste minimamente de uma pessoa também gosta de falar sobre ela. Pois, e eu gosto de falar sobre mim (ou de escrever sobre mim, neste caso). Por isso é que tenho um blogue: para escrever sobre mim, sobre o que me rodeia, sobre as pessoas de quem eu gosto, e para dar a minha opinião. É mais ou menos isso.
Deste modo, prossigamos.

Quem sou eu?
Acho que tenho uma profunda falta de tacto para me descrever, sarcasmos à parte. Poderei contar-vos, em primeiro lugar, que possuo uma mente extremamente curiosa e crítica. Sou uma perfeccionista maluca, quase paranóica, principalmente comigo própria. Isto costuma acontecer a muito boa gente, pelo que não há aqui nada de anormal. Nem os meus genes asiáticos (50%), de diversas origens geográficas, me doaram inteligência asiática suficiente para compensar os meus genes portugueses (os outros 50%) que me acabaram por me caracterizar com a preguiça portuguesa. Mas, esquecendo os ditos estereótipos, sou uma boa rapariga. Pelo menos, é o que a minha avó me diz e eu acredito, porque me convém – e começa o sarcasmo!

Já lá vão dezoito anos e meio desde que os meus pais me conceberam, meço 1,69 cm (riam-se lá do número, vá), peso 46,5kg e o meu Índice de Massa Corporal é 18 ou 19.

O meu sonho de criança é ser escritora. O meu sonho adulto é não deixar de ter o meu sonho de criança, mesmo que conjugado com um emprego de gente crescida (professora, editora, tradutora, jornalista, caixa num supermercado…).

Gosto de viver um dia de cada vez, a pensar num futuro a médio prazo, mas a aproveitar o presente e a tentar ter o maior número de experiências possível.

Se o meu país me deixar (que é como quem diz se me derem uma bolsa de estudo), vou para a universidade em Setembro!!!

Gosto de ler e de escrever, de ouvir música, de cantar e, quando calha, de tocar guitarra. Recentemente, descobri que gosto de cozinhar – coisas que vêm com o aproximar da idade adulta, enfim. Não sou diferente das outras pessoas ao ponto de preferir o Inverno ao Verão, mas escolho a Primavera e o Outono como minhas estações de eleição.
Literariamente falando, não tenho nenhum escritor favorito. Recentemente, descobri Bocage, Pessoa e Saramago e, até agora, temo-nos dado todos que nem uma maravilha.
Não tenho nenhum piercing, nem tatuagem, nem fetiche estranho com pés ou outras partes desagradáveis do corpo humano. Só pinto as unhas de cores berrantes. Quando tenho tempo e paciência, maquilho-me… fracamente.

Escrevo recorrentemente sobre as pessoas da minha vida: a minha família, os meus amigos e o meu namorado.

Prazer em conhecer-te. Já te disse que me chamo Beatriz? :)

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HOJE foi o dia

por BeatrizCM, em 13.03.13
Frequentei o Colégio Atlântico durante nove anos - desde a pré-primária até ao final do 3º ciclo. Quando, por fim, entrei para a escola pública, pensei que nunca mais me apanhavam por lá, pelo menos durante algum tempo. Na altura, estava como que saturada do ambiente de "clausura", de protecção e de controlo a todo o santo instante (ou, pelo menos, era assim que eu via a situação), e a recém-adquirida-pseudo-liberdade trouxe-me, talvez, uma quanta arrogância (que depressa me passou, haja juízo!). Poucos meses depois, voltei para uma curta visita e, contra todas as expectativas, fiquei tão triste por já lá não andar que reafirmei, desta vez pela razão contrária, a minha pouquíssima vontade de regresso. Mas, eventualmente, continuei a visitar os meus professores, a falar com alguns no Facebook e a enviar e-mails à minha antiga directora de turma, a professora Antónia, que, no ano passado, me convidou (com a aprovação da direcção do colégio e dos outros professores, obrigada, obrigada!) para ir falar a uma turma de sexto ano sobre o meu percurso escolar, porventura pessoal, e dar-lhes alguma motivação. Aliás, até cheguei a escrever sobre isso! Fiquei especialmente sensibilizada por me colocarem nessa posição, pois demonstrava que me encontravam competências e experiência suficientes para conseguir gerir esse encontro. E, afinal, saí-me bem!

Então, este ano, o convite repetiu-se... para conversar, não com uma, mas com várias turmas, do 2º ao 3º ciclo, no pavilhão multiusos do colégio! Tanta gente!!! A minha primeira reacção foi pensar que não conseguiria cativá-los, que seria horrível e que nem me levariam a sério. Mas - ei! - não estou aqui para as curvas? Não é o meu lema explorar todas as situações que me sejam colocadas, aproveitando-as como se fossem a minha última oportunidade?
Claro que aceitei, ora essa - ou houvesse outra resposta beatrizmente possível!

Portanto, hoje, lá estive...


Colocaram-me no palco em cima do qual actuei em dezenas de festas escolares (dança, teatro, música, ...), completamente sozinha, com um foco de luz a destacar-me, um sofá para me sentar e água para ir bebendo. Não estava naaaaada à espera! Nada mesmo! Tanto cuidado e tanta atenção sobre mim fizeram-me sentir pequena, pequenina, minúscula. À minha frente, apesar de não conseguir vê-los nitidamente devido ao brilho do holofote que me encadeava (e aos óculos que não tinha na cara, ah ah ah), estavam imensos alunos e professores que esperavam que eu fosse capaz de mostrar fluência, à vontade e carisma. Desiludi-los não era, de todo, uma opção!
Abordei diversos temas: a experiência da escola privada em comparação à da escola pública, as notas, as minhas actividades extra-curriculares, o que me motiva, os meus hobbies, esta procrastinação em forma de blogue, as expectativas que tenho para o futuro... Sei que me esqueci de referir imensas coisas que planeara referir, sei que não fui a melhor oradora e que, quando entrei naquele palco "enorme", caiu sobre mim uma grande ansiedade que me impediu de me expressar como desejava. No entanto, também me contaram que quase nenhum aluno (estavam presentes o 7º, o 8º e o 9º ano) se atreveu a falar, algo raríssimo; que consegui, felizmente!, cativá-los; que me colocaram questões no final e que mostraram interesse pelo que partilhei com eles. No final, senti que tinha cumprido a minha parte e que demonstrara ser um bom exemplo, embora, ainda há pouco tempo, tenha estado na pele deles e tenha tido a idade que têm. Em suma, acho que consegui chegar aos meus espectadores e nada me poderia deixar mais satisfeita!

Também matei saudades de todos os professores e funcionários do colégio que me viram crescer e que, agora, se admiram por já ter passado tanto tempo desde que eu fazia intermináveis e dolorosas birras (porque a minha avó me mandava demasiada comida para o almoço), por eu já ter "este tamanho, parece que me metem adubo" e por até já aparecer com um "apêndice/borracho" (segundo apelidaram o Ricardo, que me acompanhou nesta visita); desenterrei recordações que pensei nunca mais recordar; passei em corredores que me fartei de percorrer "para trás e para a frente, para a frente e para trás" durante quase uma década... Enfim, foi uma manhã e tanto!

A minha avó sempre me disse que, um dia, me lembraria do colégio e teria vontade de lá voltar. Por muitos momentos desagradáveis que tenha vivido dentro dos seus portões, os melhores superam-nos! Dito isto: hoje foi o dia.

***

MIL OBRIGADAS a todos os que me concederam esta visita especial e que conseguiram torná-la num dos acontecimentos mais marcantes do meu 12º ano!!!
MIL DESCULPAS a um certo professor que, num certo seu aniversário, foi presenteado pela minha antiga turma com um Big Mac e uma festa surpresa cheia de doces que não pôde comer, por estar em regime de dieta, e que teve de explicar aos seus actuais alunos em que consistiu esse episódio, uma vez que me ocorreu a brilhante ideia de o trazer à memória. (Faça o obséquio de se rir, stôr Nuno! :D )

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Paparazzis. They're all over the place.

por BeatrizCM, em 23.11.12
Eu e a senhora minha avó, algures em 1998.
Como poderão verificar, nunca apreciei muito que me fotografassem em topless. Manias de miúda...

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mais da mesma gabarolice

por BeatrizCM, em 12.09.12

Ganhei uma menção honrosa no concurso de criatividade Grande C, categoria de Escrita Criativa, sub-categoria de Poesia!!! (Na vida real, uma exclamação destas valeria um colapso dos pulmões por falta de ar ou qualquer coisa do género, já que, de medicinas, percebo apenas o suficiente para entender a Anatomia de Grey - digamos, NADA.) Portanto, pelo que a ocasião "obriga", decidi mostrar-vos um dos poemas que compõe a colectânea com que ganhei o prémio. Aqui fica:


 


PAIXÃO PRIMAVERIL


Não sei se te amo ou se sei amar,
pois de ti guardo ténues lembranças do que fomos.
Eu era feliz em teus braços (e as fotografias o dizem, o repetem, o lamentam...)
Belos tempos, idos e voltados e enterrados,
mas a beleza éramos nós, não negues.
O meu vestido era verde, a pele ainda fresca do banho,
debaixo dos teus dedos de homem, coração mole de menino...
Que lindo!
Reconhece a felicidade que te dei, pois dei
se em vão ou não, não sei, pouco sei.
Foi curto mas eterno, que dizes tu?
A tua voz ficou presa às paredes, em eco falando,
e o teu aroma suave e juvenil ainda gorjeia, ditando
o que, de ti, jamais esquecerei.

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