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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Pela boca morre o peixe

Ando bem fartinha desta conversa da Organização Mundial de Saúde, mais das organizações ambientais, acerca do que devemos ou não comer. Sinceramente, daqui a nada nem um pauzinho de esparguete podemos saborear. E ele são as carnes vermelhas que blá blá, e ele são as carnes frias que mi mi, e ele é o leite que tem hormonas animais, e os enchidos que têm colestrol, e coitadinhas das vaquinhas que andamos a comer, e o peixe que consumimos que traz uma pegada ecológica com consequências indesejáveis...
Muito em breve, só poderemos pastar ervas daninhas. A pouco e pouco, parece que as autoridades do assunto nos querem tirar o pão para a boca (pois, pois, que o pão leva farinha, que é obtida através dos cereais, cuja plantação exaustiva desgasta os terrenos... e os cereais costumam ter glúten... ai ai, que já faltou mais!).
No fundo, eu só gostava que nos começassem a dizer o que é que PODEMOS comer, em vez de todos os dias saírem notícias sobre o que NÃO PODEMOS comer.
Ah e tal, basta ir a lojas de produtos naturais e vegetarianos, tipo o Celeiro, ou às secções dietéticas dos supermercados.
MEUS BONS AMIGOS, ACHAM QUE EU VIREI RICA PARA ANDAR A COMPRAR BOLACHAS DE 3€???

Em suma, a minha bisavó, alentejana de nascença feita alfacinha, deve ter falecido aos 102 anos pelo excesso de bifes, chouriço, migas e iogurte que comeu na sua vida. Não fossem as hormonas animais, o colesterol, o glúten e a lactose e ainda cá estaria para ver nascer meia dúzia de trinetos.

 

Pela boca morre o peixe.

Em 2015, não vou...*

  • praticar desporto por obrigação para com as resoluções de ano novo. No ano passado resultou, mas este ano há outras prioridades em vista e não sei se conseguirei cumpri-las com uma rotina obrigatória de exercício físico. Estou mais virada para a ocasionalidade, se acontecer, aconteceu, senão não hei-de ficar frustrada. A minha massa gorda em excesso e a minha massa muscular em defeito podem aguardar.
  • diminuir a ingestão de gordices e de gulodices. Conheço-me suficientemente bem para saber que, tal como acontece com o desporto, não tenho vida para me andar a conter. A maneira que tenho para lidar com a pressão é comer chocolate e alimentos ricos em hidratos de carbono. Claro que não o faço todos os dias, chegam a ser vezes sem exemplo, mas seriam desfalques em possíveis dietas - para as quais eu não tenho paciência nem estômago.
  • preocupar-me tanto com a depilação durante o Inverno. Já comecei esta não-resolucão em 2014 e tem corrido bem. Também não tenho vida, pachorra ou aquecedor para andar a preocupar-me com pêlos e a meter as pernas de fora das calças de duas em duas semanas enquanto não chegar a estação quente. O meu namorado é um querido e não é esquisito, continua a gostar mais ou menos de mim peluda e tudo e compreende que o meu tempo livre e a minha tolerância ao frio não são os maiores.
  • passar tanto tempo agarrada ao computador. Na segunda metade de 2014 já diminuí bastante a procrastinação neste cenário. Se quiser escrever, ver filmes/séries ou consultar pontualmente as redes sociais, tenho o tablet e o smartphone, que é para isso que eles servem. Quanto ao computador, já me chega ser a única ferramenta possível para trabalhar. Os meus olhos agradecem.
  • deixar o meu quarto de pantanas. Mais um plano que se iniciou antes de 2015. Já tenho quase 20 anos, idade que chegue para ser organizada e limpinha sem supervisão da minha avó. Daqui a uns anos, se tudo correr bem, terei a minha própria casa. Ainda bem que tomei consciência disso!
  • coibir-me de fazer planos para o futuro com a minha cara-metade. Já vai fazer dois anos e meio que estamos juntos, nunca nos zangámos por mais de uma hora, ao todo zangámo-nos para aí três vezes em todo o tempo de relação, partilhamos os mesmos objectivos para um projecto de vida em comum e até ao momento tem tudo corrido às mil maravilhas. Está na hora de deixar a imaginação correr livremente. Adoro fazer planos com ele e pensar em como serão os próximos anos.

 

*Uma adaptação ao desafio "Em 2015 vou" dos Blogs do Sapo.

Este blogue é contra toda a comida desperdiçada!



E adoptarem esta ideia em Portugal, com os seus produtores, consumidores e supermercados? Até o Jumbo já adoptou uma medida semelhante no que toca aos produtos quase a expirarem o prazo de validade, aplicando-lhes uma certa percentagem de desconto (estás a ler, Estação dos Sabores???). Por que não abranger a fruta "feia" também?

De partir o coração

No outro dia, fui comprar pão ao café que fica na estação de comboios. Era final do dia e as empregadas começavam a arrumar, enquanto o fluxo de clientes diminuía. Chego-me ao pé do balcão, quando uma delas pega num tabuleiro cheio de bolos, daqueles em fatias, ou tortas, bolos cheios de creme de ovos, de chocolate, de noz, de tudo, que custam os olhos da cara. Depois, despeja-o sem hesitar no caixote do lixo. Assim, tudo lá para dentro, sem dó nem piedade. Bolos do dia. Bolos bons, saborosos, que eu já tenho comido lá nos últimos anos e pelos quais já gastei muito dinheiro. Tudo lá para dentro. Tudo lá para dentro. Por essa altura, já a vitrine estava meio vazia. Quem se lembraria de deitar tantos bolos para o lixo, tivessem ou não a qualidade que eu sei que estes em questão tinham?

Numa época em que imensas famílias portuguesas não sabem o que mais podem comer com tão pouco dinheiro, às vezes com nenhum, acho um crime os estabelecimentos deitarem fora comida boa. Com tantos programas de recolha de comida nos restaurantes e cafés para organizações que ajudam pessoas com dificuldade em arranjar o que comer, não me digam que, pelo menos, nem sequer conseguiriam contactar as igrejas, juntas de freguesia ou as câmaras municipais daqui da zona para lhes doarem os excedentes...! Não me digam que os próprios empregados não se importariam de repartir grande parte dos doces e de os levar para casa deles, para darem aos filhos, aos pais, aos tios, sobrinhos ou amigos...!

Partiu-me o coração ver tanto alimento em condições de ser consumido ir pela saco abaixo. Acho que nunca mais hei-de conseguir comprar um bolo na Estação dos Sabores, onde os clientes pagam um pequeno luxo para disfrutarem do que, depois de não ser consumido, é total e estupidamente desperdiçado.

 

Pára-choques precisa-se

Ter aparelho nos dentes não é pêra doce. Também não é amarga, mas chamar-lhe doce está fora de questão. Como é óbvio, trará os seus benefícios inegavelmente visíveis ao fim de cerca de dois anos, três ou quatro que sejam, benefícios esses que ficarão para a vida, enquanto continuarmos a tratar bem da nossa boca. Por outro lado, enquanto o tempo de tratamento não chega ao fim, é chato. É mesmo chato.
Pessoalmente, tenho sorte por raramente ficar com dores após ir trocar os arames e os elásticos todos os meses ao dentista. Com isso, não tenho sofrido grandemente. Sempre que lá apareço, o homem diz-me que "vai meter um arame mais forte e que vai doeeeeer", mas a mim custaram-me mais os arames fraquinhos do que estes que tenho colocado nos últimos meses.
Uma vez, estava a comer uma tosta mista e o arame soltou-se do encaixe, o que me valeu umas quantas arranhadelas na bochecha e na gengiva até, dois dias depois, ter ido à clínica que fica perto da minha casa reapertá-lo de urgência. A partir daí, comecei a evitar tudo o que é alimento estaladiço ou um pouco mais rijo, um conselho que me haviam dado no dia em que tinha metido o aparelho, mas de que eu me esqueci - inconscientemente, devo tê-lo ignorado.
De resto, não tenho razões de descontentamento maior. Não gosto de Coca-Cola nem de pastilhas elásticas, duas guloseimas pelas quais o pessoal (pelo menos o cumpridor) de sorriso metálico se mataria para voltar a saborear. E, apesar de adorar gomas, não sou viciada nelas e consigo moderar-me, uns dias melhor do que noutros - vou-me aguentando.
Alguns amigos meus que passaram ou que estão a passar pela ingrata época do aparelho, tal como eu, costumam ter imensos problemas com comida presa em tudo quanto é dente e arame. Às vezes, a boca deles fica um nojo e conseguem ver-se amostras de uma dieta diária inteira apenas com um sorriso. Já eu, não sei bem por feito de que arte, não sofro desse mal e não preciso de estar a escovar os dentes a cada meia-hora. Ainda não tenho aparelho no maxilar de baixo, mas tenho uma barra palatina no céu da boca (os primeiros dias com ela foram uma agonia, que nem engolir eu conseguia!!!), e as baixas expectativas que guardava para a higiene da minha boca foram surpreendentemente superadas com muito mais sucesso do que julguei - uma vitória, juro-vos!

O primeiro inconveniente a apontar e que, mesmo assim, não me incomoda por aí além, é o meu maxilar inferior, por não ter aparelho até ao próximo mês de Outubro ou Novembro, estar a ficar recuado em relação ao maxilar superior - apesar de eu mal me aperceber, os arames têm realmente força e estão a fazer bem o seu trabalho - pelo que é imperativo que mos consigam alinhar assim que possível.
O segundo inconveniente, que não tem que  ver directamente com a colocação do aparelho, sendo mais a causa de o ter posto, é ter um canino a rebentar-me no céu da boca, devido ao incompetente do seu homónimo de leite que não quis cair e ficou a emplastrar a cena. Para lhe colocar uma mola como as que tenho nos outros dentes, ligada às restantes, vou ter de ser operada no Verão. Espero que não se impressionem facilmente, mas vão ter de me rasgar o céu da boca e levar-me 160€ assim duma assentada - e o conteúdo susceptível de vos chocar é mais o custo da operação do que propriamente o sangue envolvido.
O segundo inconveniente, aquele que já apresenta uma relevância alarmante, é o meu aparelho ser o causador de diversas e frequentes aftas na boca do senhor meu namorado. Sim, está bem, o arrebatamento (COUGH, VIOLÊNCIA) dos meus beijos não ficará, decerto, impune neste assunto, mas fogo, uma pessoa apaixonada não olha a aparelhos que arranham e magoam o seu compincha do amor. Num momento de entusiasmo, uma pessoa apaixonada está-se pouco lixando para ninharias tão "pouco" importantes quanto ter um perigoso abre-latas na boca.

Pois, e é isto. É muito engraçado ter um sorriso metálico todo colorido, etc e tal, mas só quem o tem é que sabe o que lhe saberia bem! Eu cá contentava-me com um desconto do género "ponha um aparelho, leve um pára-choques para a sua cara-metade!".

Epifania!

Falando em pizzas e preservativos, tive uma ideia brilhante para um novo produto. Tal como as batatas fritas vêm com tatuagens, os Bollycaos com tazos, os ovos Kinder com um brinquedo para montar e o Happy Meal com uma ranhosice plástica qualquer Made in China, podiam arranjar um menú especial de pizza entregue ao domicílio, cujo brinde poderia ser, adivinhem lá... PRESERVATIVOS! (Digam lá que não teria sucesso...!)