Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Estamos em 2017 e continuamos a discutir as saídas profissionais em Portugal (bem, e no mundo)

Spoiler: estou-me pouco ***************** [inserir qualquer palavra inadequadamente adequada] para as saídas profissionais em Portugal, quais as melhores áreas, quais os melhores cursos, os melhores empregos, aqueles que dão mais dinheiro, e, em geral, tudo o que se intitule "mais e melhor".

 

Após ter recebido algumas mensagens nos últimos anos, desde o início de tags neste blogue, como universidadeemprego, decidi compilar mais algumas questões e respostas acerca da vida durante e após o ensino superior e também acerca das saídas profissionais no nosso país.

 

Vamos lá ver...

 

Não sei que profissão quero ter no futuro, mas tenho de escolher uma licenciatura. Em que área devo tirá-la?

Na área que mais gostares de estudar. Ainda que haja muita licenciatura super profissionalizante e específica por aí (como Direito e Medicina), cujo objectivo é formar os alunos para exercerem carreiras nesses mesmos domínios, quase todas as licenciaturas deixam imenso espaço para oportunidades em áreas profissionais diversas. "Estou a tirar Desenho, por isso estarei quase de certeza condenado a ser um artista falido." Mas porquê? E que tal investir num negócio de retratos personalizados na Internet? Ou ser ilutrador de livros de crianças? Ou tentar a sorte em galerias? Já agora, eu, que tirei uma licenciatura em Ciências da Cultura, terei direito ao título de "cientista da cultura"? Humm... Duvido. E mesmo licenciados/mestres em Direito e Medicina têm imensas opções. A minha amiga Joana tirou Medicina, está a acabar o ano comum, vai tirar a especialidade, mas também já pensou em investir num mestrado em Nutrição. Há tantas opções... para quê limitarmo-nos à licenciatura como único factor de decisão ou relevância no nosso futuro profisional?

Além disso, aos 18 anos, pouco saberemos sobre o que o futuro nos reserva. Para quê deixarmos que a nossa licenciatura nos defina ad eternum?

 

Depois da licenciatura em Portugal, é preciso tirar um mestrado?

Sou também a maior defensora de que o nível de escolaridade ou académico duma pessoa não definirá necessariamente o seu futuro profissional. No entanto, volto a repetir: hoje em dia, toda a criatura viva consegue tirar a licenciatura. Qualquer pessoa com dois dedos de testa entra e é capaz de sair, há imensos recursos, as médias de entrada são baixíssimas e é possível obter uma licenciatura com 9,5 valores de média de curso. Além disso, a maioria das licenciaturas em Portugal só duram três anos, após o Tratado de Bolonha, há dez anos, e são de cariz teórico. Dessa forma, o que é que se aprende em três anos?

Uma das minhas professoras da licenciatura fartava-se de gozar com os meus colegas que achavam que a universidade era uma escola profissional. Não é. A universidade é uma escola teórica, quer queiram, quer não. Se querem ganhar competências técnicas, licenciem-se numa escola politécnica ou façam o ensino secundário profissional. Ou atirem-se de cabeça para o mercado de trabalho!

Antes, durante e após a licenciatura, há que investir em formação e experiência paralelas. Já falei sobre as licenciaturas e as saídas profissionais em Portugal há pouco tempo. É mesmo necessário "tirar" qualquer coisinha além da licenciatura, que são apenas três anos numa vida inteira. O mundo encontra-se em constante mutação, há que actualizar os nossos conhecimentos de forma permanente.

Seja como for, os cursos pós-graduados também permitem desenharmos mais um pouco do perfil académico e, quiçá, profissional, que almejamos. Podemos sair da área da licenciatura, podemos permanecer, podemos adaptá-los um ao outro. Há imensa oferta! Pós-graduações, mestrados, MBAs, doutoramentos, formações avançadas... e mesmo cursos profissionais ou profissionalizantes de curta ou média duração, alcançáveis a todos os bolsos.

 

Quero tirar o meu mestrado numa universidade estrangeira, mas pedem quatro anos de licenciatura. O que faço?

As licenciaturas em Portugal têm, por norma, três anos - obrigatórios; tive colegas que tiraram um quarto ano, para poderem estudar outras cadeiras que lhes interessavam. Quer isto dizer que qualquer pessoa pode fazer quantos anos de licenciatura lhe apetecer, apesar dos 180 ECTS básicos. As universidades estrangeiras pedem uma licenciatura como requisito mínimo de admissão e usam "4 anos" de estudo como referência. Na União Europeia, vigora o Tratado de Bolonha, mas cada país no exterior adopta um sistema diferente. Por que não esclarecer estas dúvidas directamente com as instituições onde se espera prosseguir os estudos ou com a embaixada/consulado do país para onde se pretende ir?

 

Os rankings das universidades contam para melhorar as saídas profissionais em Portugal?

Os rankings existem por algum motivo, mas acredito que seja importante de igual forma saber filtrar a informação. De facto, há universidades e institutos cujo lugar nos rankings é baixo por motivos óbvios: fracos resultados em investigação científica, fracas médias de entrada dos alunos candidatos, pouca inovação tecnológica associada ao ensino e até ao funcionamento administrativo, escoamento deficiente de alunos para o mercado de trabalho, professores pouco especializados, poucas provas de internacionalização.

A Universidade Católica Portuguesa é capaz de ser das melhores no nosso país, porque consegue dar resposta a todos estes desafios. Quando lá estudei por um semestre, consegui perceber por que é tão reconhecida. No entanto, eu tirei a minha licenciatura na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, uma das mais antigas escolas de humanidades do país, cujo ensino assenta na tradição e que não depende realmente da tecnologia para formar os seus alunos. Já na internacionalização, avaliação do currículo dos cursos e dos professores, e nos resultados científicos, encontra-se no topo, mas tal não é suficiente para vermos a FLUL a encabeçar maioria dos rankings. Mas não interessa assim tanto.

Por outro lado, muitas das universidades, escolas e faculdades portuguesas mais recentes não estão bem posicionadas, porque lhes falta tudo e mais alguma coisa, o que é relevante para a qualidade do ensino e da preparação dos alunos para outros horizontes (nem digo profissionais, mas principalmente académicos, no estrangeiro, por exemplo).

Mais uma vez, os rankings contam o suficiente, contam o que contam, são números e cálculos e o resultado de variantes fixas que escapam à maioria dos mortais. No entanto, uma e outra vez, cabe aos alunos forjar o seu próprio caminho, independentemente de onde vem a sua licenciatura.

 

Em suma, criem vocês mesmos as vossas "saídas profissionais", em vez de deixarem que outros factores externos as moldem, limitem ou controlem! Ganhem iniciativa, tenham mão no vosso presente e no vosso futuro!

 

Para mais informação e divagação, podem clicar nas hiperligações que vos deixo espalhadas acima.

Será fácil arranjar trabalho em Portugal depois da licenciatura?

Em Junho, fez um ano que terminei a licenciatura. Depois dum estágio, comecei a trabalhar em Outubro. Como sabem, calhou-me na rifa um emprego longínquo, mas aqui fica a minha opinião acerca das oportunidades de trabalho em Portugal depois da licenciatura.

 

20883836_10209642937339156_292246020_o.jpg

 

 

O grande panorama

Em primeiro lugar, todos sabemos que o mercado de trabalho em Portugal se encontra saturado, não só de licenciados, desta ou doutra área, mas de todos os domínios profissionais ou diferentes níveis de qualificação e educação. Ainda assim, eu acho que o panorama não é assim tão negro para recém-licenciados que procuram o seu primeiro trabalho.


Estudei Letras. Línguas, literatura, cultura, artes, política, filosofia. Estudei de tudo um pouco na minha licenciatura, tive a sorte de aprender imenso, mas a verdade é que as licenciaturas abrangentes costumam ser vistas como "aquelas que não dão para nada". No entanto, sei que muitos dos meus colegas conseguiram arranjar emprego em Portugal nos meses seguintes ao fim do curso. Aposto que não terão sido os seus empregos de sonho, mas conseguiram.

20930178_10209643011341006_1567368080_o.jpg


A importância dos estágios (curriculares e extra-curriculares)

Existe este mito de que "os empregadores não olham para as notas", por isso aqui vai alguma desmistificação.
Hoje em dia, em Portugal, é indispensável participar num estágio ou numa experiência extra-académica. Um estágio permite-nos obter o conhecimento e prática que, na maioria das vezes, não obtemos pela via escolar. Quanto mais cedo o fizermos, melhor. Sempre que quis arranjar trabalho, mesmo que temporário, enquanto estudava, os estágios permitiram-me, no mínimo, mostrar que era responsável e que me encontrava motivada para trabalhar, pôr as mãos na massa. Além disso, ajudam-nos a decidir se gostamos de trabalhar em determinada área profissional. 

Quão relevantes são as médias finais de curso?

E lá está: as notas. Frequentemente, estes estágios de que vos falava, incluindo o estágio que me trouxe à Tailândia, são promovidos ou organizados pelas instituições onde estudamos. Adivinhem para onde é que vão olhar, a que aspecto vão dar importância imediata? É isso, a nota. Sem experiência profissional anterior, a média da licenciatura acaba por ser determinante para certos recrutadores.

 

Uma licenciatura é suficiente?

 Obviamente que, na hora de sermos contratados, a nota média final de curso não é suficiente. Arranjar trabalho em Portugal depois da licenciatura parece-me ter em conta outros aspectos. A nota é uma grande parte do bolo, a que devemos acrescentar formação profissional paralela, workshops, conferências, os estágios, programas de intercâmbio, trabalho voluntário, portfólio, prémios, cartas de recomendação, diplomas e certificados vários... Eu sei que esta lista pode parecer assustadoramente extensa, mas os três anos de licenciatura servem para muito mais do que estudar, ir às reuniões com os professores, ir à praxe, às festas, aos convívios... E muitas destas experiências duram menos dum dia de trabalho! Se tentarmos explorar duas por ano, teremos mais seis motivos para apresentar a um potencial empregador, convencendo-o de que somos as escolha certa.

 

Está bem, mas afinal o que é que mais importa para encontrar emprego depois da licenciatura?

Diferenciarmo-nos. Mostrarmos que não somos apenas um número.
Costumam ser admitidos cerca de 60 alunos à licenciatura em Ciências da Cultura na FLUL (agora com o título de Estudos de Cultura e Comunicação). Talvez 50 cheguem a terminar a licenciatura.
Foi desses 50 colegas que eu sempre me tentei diferenciar, porque eles seriam mais 50 pessoas, fora os licenciados doutros anos, com quem eu teria de competir no mercado de trabalho, se ninguém fizesse mais nada senão o próprio curso.
E há licenciaturas em que entram 200 candidatos anualmente!

Somando tudo, acabei por elaborar um perfil pessoal e profissional durante os três anos da licenciatura, com o objectivo de me demarcar doutras pessoas. Licenciatura + nota + proficiência em línguas + certificados + formação + estágios + intercâmbios + competências consequentemente adquiridas = combinação única. Não quer dizer que o meu perfil é melhor ou pior do que o doutro colega meu, mas, pelo menos, é diferente.

 

20904492_10209642997420658_1202218685_o.jpg

 


Resumindo e concluindo
Encontrar trabalho em Portugal, depois da licenciatura ou de qualquer outro nível de estudos, não tem de ser sempre uma tarefa titânica. Pode ser, sim, o resultado dum esforço contínuo para encontrarmos interesses apenas nossos, criarmos o nosso "eu" pós-universidade continuamente e perseguirmos novas ideias e projectos para o futuro, mais ou menos longínquo, em Portugal ou no estrangeiro. Claro que tudo isto parece mais fácil assim escrito do que feito, mas espero, pelo menos, convencer-vos a serem um pouco mais optimistas acerca do vosso (possível) percurso universitário.

Aprender Inglês sem estudar?

 

Hoje em dia, saber o mínimo de Inglês já é um dado adquirido, ou que o deveria ser, principalmente para a minha geração. Nascemos com todos os recursos à mão, estivemos em contacto com a língua desde muito cedo, tenha sido na escola, na televisão, nos filmes, em palavras emprestadas ao Português... Quando vamos a uma entrevista de trabalho, já nem é só Inglês que temos de falar. É-nos pedido cada vez mais. Bem nos podemos safar!

 

Enquanto professora, gosto de partilhar a minha opinião sobre como aprender Inglês facilmente (ou outra língua não nativa qualquer).

Por exemplo, os meus alunos ficam muito parvos quando lhes digo que nunca senti necessidade de aprender Inglês a estudar. Logo eles, que estão a tirar a licenciatura em Língua Inglesa, gostariam de saber os meus truques. 

 

A questão é: não há truques. Há apenas hábitos. São pequenos gestos diários que fazem a diferença na aprendizagem duma língua. É uma repetição de gestos e pensamentos que valem mais do que mil aulas. Afinal, vamos ser sinceros: muitas vezes aprendemos melhor uma língua estrangeira fora da escola. Perguntem aos vossos pais, aos vossos amigos, aos vossos professores. Muitas vezes, o ensino formal das línguas funciona mais como um complemento. Eu própria aprendi os básicos a ver o Harry Potter e o Cálice de Fogo e respectivos conteúdos bónus vezes sem conta, depois de ter poupado as minhas mesadas até poder comprar o DVD. Ou a ver Crepúsculo. Ou a ler, devagarinho, até perceber quase tudo o que os livros tinham escrito.


Eu percebo a luta que é para muitas pessoas aprenderem línguas e a relutância em investir em aulas (porque, se os professores não forem dinâmicos, as aulas são uma seca prometida). De jovem professora para potenciais poliglotas independentes, aqui vão alguns hábitos para aprender Inglês sem estudar:

 

1. Não substituir as letras originais das músicas pelo linguarejar aleatório

Ouvir música regularmente faz parte da rotina diária de quase toda a gente. Desta forma, a primeira dica que vos deixo é tentarem decorar nem que seja o refrão dos hits do momento que mais passam na rádio ou que vocês ouvem nos vossos telemóveis enquanto vão para a escola ou para o trabalho. Uma vez que o refrão é reproduzido umas três ou quatro vezes em cada música, acabamos por não só cantarolar palavras aleatórias, mas sim a decorar expressões inteiras em Inglês (evitar aprender palavras soltas é um dos princípios mais importantes ao aprender qualquer língua).

 

2. Alterar a língua predefinida nos telemóveis, computadores e outros dispositivos electrónicos

Lá está, aprender Inglês sem estudar pode ser uma consequência natural de hábitos tão simples quanto este. De tanto ler "Clock", de tanto ler "Would you like to reboot your phone?", de tanto ler "low battery", de tanto ler "Your computer is installing a new update", certos padrões de frases vão encaixando a pouco e pouco na nossa mioleira (que é rija, mas nós somos mais).

 

3. Instalar o Pinterest para frases inspiradoras

pinterest.png

 

Parece-vos foleiro? A sério? Eu solidifiquei os meus conhecimentos de Inglês a ver Hannah Montana e a série dos Jonas Brothers em Inglês, antes de saírem em Portugal. Aos 21, estava já a ensinar Inglès na universidade (self-praising time, cough cough). Por esta altura, já deviam saber que NADA é foleiro. Cada um safa-se como pode e provavelmente muitos de nós adoram frases inspiradoras (ou pseudo), que soem a Pedro Chagas Freitas, mas que servem muito bem para o efeito de nos porem a sorrir. Ainda por cima, o conteúdo gramatical e a estrutura desta frases costuma ser simples. Start your day with a smile. Então pronto, uma frase do Pinterest por dia, não sabe o bem que lhe fazia! Depois é só procurem o significado de novas palavras e voilà!

 

4. Ir ao supermercado e procurar o nome dos produtos em Inglês

Quase todos os produtos do supermercao têm rótulos bilingues ou trilingues, o que torna muito fácil identificar relações como "arroz-rice-riz". Não sabem como se diz molho em Inglês? Olhem lá para o rótulo. É "sauce". E os valores nutricionais? ProteinsCarbohydrates. Vitamins. Ainda por cima, estas palavras estão sempre envolvidas num contexto específico, o que mais uma vez facilita a memorização.

 

5. Rever os vossos filmes e séries favoritos (ou leiam os livros) em Inglês que mais vos marcaram...

... e troquem as legendas em Português para legendas em Inglês. Vocês já conhecem a história. Muitas vezes já sabem certas passagens de cor e salteado. Agora, resta ir mais além e ver e ouvir tudo na língua original. 

 

 

De resto, não se deixem abalar pelo início lento. Não sejam duros convosco, sejam duros com o Inglês, persistam, comparem a vossa evolução ao fim dum mês e não de dois dias. Não tentem descobrir logo a diferença entre o past simple continuous e o present perfect, não abram gramáticas e manuais antes de se sentirem preparados para complementar a aprendizagem natural com outros materiais. Apenas... aproveitem a língua. Não façam por odiar o Inglês, que vos pode trazer tantas alegrias a longo prazo. Aprendam Inglês sem estudar, sem pressa, sem pressão e sem expectativas.

 

Boa sorte!

Estar em casa, vir a casa

Para o bem e para o mal, dói-me o coração quando venho a casa.


Casa é casa, é Portugal, Lisboa, a Margem Sul, a minha rua, outros sítios no país. São as fachadas dos prédios de 1500 na Baixa, são os buracos na estrada na minha vila, é o sol e o vento fresquinho, é o ar puro que me causa alergias quando me ponho à janela do meu quarto. Caramba, mal chego ao primeiro aeroporto na Europa para fazer uma escala, já me sinto em casa!
Por isso, quando estou em casa - que é tanto um rol de locais, quanto um estado de espírito -, dói-me o coração, porque sei que, se me pus aqui em 27 horas, em 23 me ponho do outro lado dentro de menos duma semana. Por outro lado, também me dói o coração de tanta alegria, por ver tanta gente de quem eu gosto, por saber que amo tanto quanto sou amada, por saber que há uma "casa", por saber que há quem me espere, por saber que há sol em Lisboa, e há calorzinho e praias, e a minha vila é linda, e até as pessoas com quem já não me relaciono fazem da paisagem um pouquinho mais agradável e, para mil, razão de nostalgia.
É por ter sido sempre tão feliz aqui, onde e como me sinto em casa, que me custa tanto ir embora outra vez. Acabo de chegar, e já estou a pensar na partida. Eu sei que tenho de apreciar o pouco tempo que tenho e ausentar-me de pensamentos outros que me fazem temer mais um adeus temporário.
Viver noutro espaço que não a minha casa (o tal rol de espaços e estados de espírito) tem-me ensinado muita coisa, tipo que a loiça para lavar é um problema sem fim ou que ir ao supermercado tem de deixar de ser impulsivo e passar a ser estratégico... mas também me tem, essencialmente, ensinado que não há nada como estar num sítio com que nos identifiquemos.
Quem nunca viveu fora de casa (alargadamente), por longos e indefinidos períodos de tempo, não sabe o quanto dói o coração quando se compram os bilhetes de avião e as datas são tão próximas. É um feliz facto que essas pessoas não saibam o que é também já termos sido ignorantes quanto a este misto de alegria e extrema tristeza e agora sabermos que isto é tudo uma porcaria. Não há palavras poéticas e bem falantes que consigam exprimir o mesmo. Porcaria é porcaria, serve para o efeito.


E dizem vocês, então volta. Pois volto. A aventura é engraçada, mas tenho a sensação de que estiquei o elástico de tal maneira que ele agora me vai projectar de volta a casa o mais depressa possível e da maneira mais súbita. Desta vez, eu sei que ambicionei mais do que poderia aguentar, por isso resta-me dar graças pelo que a vida me escolheu de presente, pelo que pude experienciar, pelas pessoas que tenho conhecido, pelas tantas e tantas oportunidades, mas sempre sabendo que, ao fundo do túnel, uma pessoa cumpre aquilo a que se propôs e pega nos tarecos, embrulha-os e lá se põe em casa de novo.
Ai, e o quanto eu quero pegar nos tarecos!


Felizmente, fui eu que escolhi ir, pelo que só me resta estar em paz com aquilo a que me propus: fazer o mestrado e trabalhar em Bangkok nos entretantos. Ter a experiência duma vida! Ensinar numa universidade aos 21! Responsabilizar-me por projectos paralelos! Conhecer realidades distintas! Lidar com pessoas que tanto têm de pares quanto de aliens!
Felizmente, não fui por necessidade; antes pelo contrário, fui por capricho. Dei-me ao luxo por me deram o luxo. Tenho a melhor família do mundo no que toca a mandarem-me para o outro lado do mundo sem duvidarem das minhas capacidades, mas amparando-me constantemente os golpes.
Ganho bem, trabalho até à exaustão e faço o que me apetece nas horas livres. Ainda assim, isso não é tudo. Há que querer mais, e eu só quero estar de volta a casa.

 

(No mínimo, ainda me faltam dois anos, mas uma pessoa tem de sonhar!)

(Disclaimer: eu estou bem, sou saudável e não estou deprimida ou infeliz, só sou portuguesa e esta portuguesice da saudade é um desafio maior do que a mulher!)

Para 2017, quero menos resoluções

Já vamos no sexto dia de 2017, mas deu-me uma epifania e decidi vir aqui escrever sobre resoluções. Este é apenas o assunto mais badalado da blogosfera, mas estas resoluções são diferentes, porque são as minhas.

 

Aliás, eu só tenho mesmo uma resolução: que 2017 seja menos do que 2016.

 

Pelo amor da santa, aconteceram-me tantas coisas em 2016 que por cinco aninhos gostaria que não me acontecesse nada de surpreendente, só quero sopas e descanso. Enquanto escrevia esta última frase, lembrei-me que provavelmente teria escrito qualquer coisa sobre resoluções de ano novo há 12 meses atrás, e eis isto.

 

O meu pós-licenciatura foi, no mínimo, turbulento. Ser aceite num estágio do outro lado do mundo; ter de apresentar o projecto final da licenciatura muito mais cedo do que os meus colegas (por causa do estágio do outro lado do mundo); uma semana depois de chegar ao outro lado do mundo, dizerem-me que eu deveria mas é ficar nesse lado e não naquele donde vim; ter a oportunidade duma vida, duma carreira, de me tornar professora numa universidade (pública) aos 21 anos; desistir do mestrado em Portugal; candidatar-me a outro mestrado em Bangkok; mudar-me para o meu próprio apartamento; viver longe da família e dos amigos; colocar em risco a minha relação de quatro anos; ir a casa no Natal; passar o Ano Novo sozinha.

 

Esta lista pode ser avaliada dum ponto de vista mais positivo ou mais negativo. Eu tento ver o copo meio cheio e esquecer-me de que ele se pode tornar meio vazio a qualquer momento. Sou uma afortunada e devo reconhecer que nem sei o que fiz para merecer esta experiência tão gratificante.

 

Tenho o melhor emprego e a melhor chefe de sempre, entrei ao trabalho durante a fundação da faculdade para a qual trabalho, já me envolveram em projectos até 2018, os meus colegas mimam-me, levam-me a almoçar e a jantar fora, dão-me presentes, vivo no centro da cidade num condomínio, num país onde nunca é Inverno, tenho alunos que me adoram (e que eu adoro) e que não têm vergonha de mo virem dizer, ganho bem e vivo bem, faço o que me apetece dentro do meu orçamento, Bangkok é linda, os tailandeses sáo lindos por fora e por dentro, cheiram bem, arranjam-se para ir para o trabalho, estão sempre a sorrir... 

Por estas e por outras, a balança vai permanecendo equilibrada e eu vou gostando de cá estar, mesmo que custe estar longe de quem eu gosto. Mas, por agora, já chega de mudanças bruscas na minha vida, mudanças inesperadas. 

 

Quero sossego, quero estabilidade emocional, quero que me aconteçam coisas previsíveis. Quero fazer bem o meu trabalho, ter boas notas no mestrado, manter a ponte Portugal-Tailândia em funcionamento e ter dinheiro para ir a casa de 3 em 3 meses, ir ao cinema, comer Pizza Hut, comprar livros e alimentar-me como deve ser. Não peço muito. Para 2017, só quero que me deixem em paz. Quero que os argumentistas da minha vida parem de inventar coisas à toa.

"Ah, hoje queres ir trabalhar para França. Mas amanhã vão-te dizer que te pagam o melhor mestrado do país desde que continues a ser boa aluna, que isso de ir para França é demasiado radical."

"Ah, queres ser professora. Então, vão-te conceder um estágio curricular no colégio onde estudaste."

"Ah, tens pena de acabar a licenciatura sem teres feito Erasmus. Toma lá um estágio extracurricular no Sudeste Asiático. Candidata-te."

"Ah, tens de preparar a tua candidatura em três dias durante a época mais atarefada do semestre, escrever uma carta de motivação, fazer passaporte, suplicar por todos os documentos em Inglês aos serviços académicos da tua faculdade, que ainda trabalham a vapor. Dão-tos em Português, mais os três biliões de certificados que tens no CV, pagas ao teu namorado para ele os traduzir. Esforças-te para além das tuas forças, mas és aceite."

"Ah, estavas a poupar para comprar um carro. É com esse dinheiro que vais embarcar para o outro lado do mundo."

"Ah, querias voltar para Portugal. Nem por isso, vamos-te proporcionar a tua profissão de sonho 2 meses depois de te licenciares."

"França era radical. Toma a Tailândia."

 

Fonix, uma pessoa fica cansada.

Feliz.

Mas, por favor, cansada.

 

 

Eu até gosto de trabalhar aqui...! xx I kind of enjoy working here...! 😊👌 #jobgoals #teaching #kmitl #bangkok

Uma foto publicada por Beatriz Canas Mendes (@beatrizcanasmendes) a

 

 

[Felizmente, 2016 não me aconteceu só a mim! Numa segunda-feira a meio de Setembro, enquanto estive em Portugal, fui com o meu namorado à faculdade onde estudei (FLUL) e de onde ele tinha feito drop out há uns anos. Perguntámos, por curiosidade, o que é que ele tinha de arranjar para voltar a matricular-se. Responderam "venha cá na quinta-feira e tratamos de tudo". Começou as aulas na segunda-feira seguinte.]

Emigrar = desistir de Portugal?

Quando me propuseram ficar definitivamente a trabalhar em Bangkok, tive muitos momentos de dúvida que, obviamente, continuam a aparecer-me de vez em quando. O contexto: ao regressar a Portugal em Setembro, teria a possibilidade de frequentar um dos melhores mestrados da Europa, numa universidade de referência, possivelmente conseguiria até assegurar alguma bolsa de mérito, continuaria a dar explicações ou arranjaria trabalho (até já tinha tido uma proposta no fim do segundo ano de licenciatura, mas na altura não conseguiria conjugar estudos e actividade profissional e a relação salário-esforço não era relevante o suficiente), teria a minha base familiar sólida, o meu namorado e os amigos que guardo há largos anos, uma das minhas amigas vai ter um bebé e eu iria com certeza acompanhar a gravidez dela de perto, continuaria a viver na minha zona de conforto, debaixo da asa da avó, no meu quarto cor-de-rosa e cheio de tralha, numa casa de dois andares com quintal, onde continuaria a brincar com os meus cães e gatos sempre que me apetecesse.

No que toca às oportunidades que Portugal me proporcionou, tenho a dizer que poucas foram. Pessoalmente, recebi a bolsa de estudo da DGES por dois anos. A minha bolsa de mérito foi-me sempre atribuída durante os três anos de licenciatura por uma associação privada. A bolsa de mérito da DGES nunca chegou e ainda estou à espera dos três anos que me devem. Idém, para a bolsa de melhor finalista atribuída pela Caixa Geral de Depósitos. Tenho apenas a sublinhar que, não fossem os professores excelentes que tive e que representam Portugal e a função pública, ainda menos aspectos positivos teria para enumerar. Não me sinto amargurada por ter tido sempre que trabalhar ao longo dos últimos anos para pagar a faculdade, mas a verdade é que o sentimento com que me identifico é que fui eu que trilhei o meu caminho sem grande ajuda dessa grande entidade chamada "Portugal".

Portanto, quando me falaram pela primeira vez a trabalhar em Bangkok, logo na minha primeira semana na Tailândia, eu fiquei confusa. Obviamente que adoro Portugal, o sol de Lisboa, a minha casa fora dos centros urbanos, as pessoas que me rodeiam, ouvir a minha língua todos os dias. Mas, caramba, quando surgiu a oferta de trabalho concreta em Bangkok, fiquei sem desculpas para não aceitar. Apenas 12 horas de trabalho lectivo obrigatório, fora horas extraordinárias pagas devidamente, um salário irrecusável para alguém da minha idade numa cidade tão acessível quanto Bangkok, a possibilidade de continuar os meus estudos em simultâneo, montes de pessoas a apoiarem a minha candidatura e com quem estabeleci uma relação extremamente carinhosa desde o primeiro dia (incluindo a melhor chefe de sempre) e... o meu trabalho de sonho e que eu não pensava conseguir nos próximos cinco a dez anos - ser professora numa universidade.

Como pode uma pessoa lembrar-se dessa miragem linda e maravilhosa, solarenga, quente, emocionalmente segura que é Portugal, quando lhe oferecem estas condições todas?

Não, nem eu desisti de Portugal nem Portugal desistiu de mim. A Tailândia foi simplesmente mais rápida, pelo menos por agora. Sou um caso que provavelmente seria bem sucedido em Lisboa ou Bangkok, mas que pendeu mais para um lado do que para outro. É como terem a possibilidade de comprarem uma casa no local dos vossos sonhos mas que demora imenso tempo a fazer, ou uma casa que vai ter de ficar noutro terreno, mas que já está pronta e até traz um sistema de fornecimento de energia solar.

Emigrar, ou ir estudar para outro país, pode não ser apenas sobre desistir do nosso. Hoje em dia, acho que a nova geração se considera cidadã do mundo e que pertence, ou pode vir a pertencer, a muitos sítios diferentes. Infelizmente, a ideia principal a que eu quero chegar com todas estas linhas de texto é Portugal não está a ser rápido do suficiente para a mão-de-obra qualificada que educa e forma. Mais rapidamente esta mão-de-obra é arrebatada para outros sítios. Nem sequer falo de mim neste exemplo específico (eu nem tive tempo de estar em Portugal à espera, por isso nem posso imaginar o que um jovem formado e frustrado deve sentir), mas ouve-se falar de cada vez mais jovens formados que acabam por emigrar, porque mais fácil e rapidamente são valorizados do lado de fora.

Não chega os Velhos do Restelo andarem para aí a apregoar que nós desistimos do país sem mais nem menos, que somos uns cobardes, desistimos rapidamente... Amigos, tentem romper assim com a vossa vida como os emigrantes fazem para ver o que é bom para a tosse.

Os tempos do elevado patriotismo já lá vão. Esta é mais a era chamada "o patriotismo não paga contas nem nos providencia a realização de objectivos e sonhos pessoais ou profissionais". Se gosto do meu país? Claro que sim, adoro Portugal. Se gosto mais da Tailândia? Não necessariamente. Estou cheia de saudades do céu sem nuvens ou poluição, dos enchidos, dos pastéis de bacalhau, dos rissóis e das pizzas do supermercado a 1,50€, mas a Tailândia concretizou-me uma data de objectivos a todos os níveis duma assentada, as pessoas são doces e genuínas aqui, o trânsito é caótico mas estranhamente seguro, a rede de transportes públicos é eficiente, tenho o meu próprio apartamento com uma vista esplêndida para o centro da cidade, a roupa é muito mais barata, as ruas estão cheias de gente de noite e de dia, há vida a passar-se. Se me mandassem para cá a minha família, o meu namorado e os meus amigos e me assegurassem que poderia realmente ficar na Tailândia para o resto da minha vida como professora e a ser aumentada todos os anos (o que acontece com os professores efectivos da função pública), teria muita dificuldade em recusar.

 

Para mim, emigrar ou ir viver para outro país não significa desistir de Portugal. Antes significa não desistir de mim e dos meus projectos.

Último dia na FLUL

Acabei de assistir à última aula da minha licenciatura na FLUL. Resta-me apenas vir cá no dia 20 de Junho apresentar o meu relatório de estágio.

Acho que ainda não me tinha apercebido da importância deste acontecimento, dado que a tarde foi marcada pelas pressas em terminar o dito relatório de estágio, entre paralisias inesperadas do meu computador, detalhes que tinham sido esquecidos e ficaram para o atar das feridas*, e a grande excitação de saber que dentro de três semanas já estarei eu própria a dar aulas do outro lado do mundo.

 

Acabei de assistir à última aula da minha licenciatura na FLUL. Então, brindemos mentalmente a um possível regresso, dessa feita estando eu do outro lado da mesa!

 

*Mas olhem que ficou tudo bem bonito e organizadinho, estou uma babadona pelas minhas 111 páginas!!!

Universidade #9 - Pasta de finalista + bênção das fitas

Como em tudo no que toca às pseudo-tradições académicas, escolhi experimentar estas duas, com receio de me arrepender mais tarde caso não tivesse fazer parte delas. Tenho para mim que é sempre melhor "ver para crer", em vez de nos pormos com peneiras e falsos orgulhos, mesmo que, à partida, aquilo com que nos deparamos nos pareça uma mariquice.
Foi com isto em mente que comprei e mandei fazer a minha pasta de finalista, mais as fitas azuis timbradas da minha faculdade, e me inscrevi na benção das ditas cujas. Provavelmente, quem me conhece e me ouviu falar sobre estes assuntos desde o primeiro ano no ensino superior acabou por se surpreender. Ah e tal, que eu sou uma vendida, uma troca-tintas, uma Maria vai com as outras. Se calhar sou, porque a certa altura eu achei que isto dos finalistas era tudo uma gravíssima lamechice e que gastar um sábado inteiro ao sol numa cerimónia com milhares de pessoas, mais uma pequena fortuna na pasta, nas fitas e no bilhete era duma pessoa se atirar da ponte. Afinal, se tudo correr pelo melhor, ainda hei-de ser finalista mais duas vezes.
Só que, quando chegou o momento da verdade, aquele em que me defrontei com a possibilidade de fazer ou não fazer o que estou prestes a fazer... Aí é que foram elas! Deixar passar a oportunidade e ficar na ignorância é que não! Por isso, encomendei a pasta de finalista e cá tenho eu andado a distribuir as minhas fitinhas pelo pessoal, à espera que me escrevam, desenhem e desejem coisas bonitas, dignas de ser abençoadas pelo Cardeal Patriarca no dia 21.

Depois, conto-vos como foi.

 

 

 

A dita cuja! #ciênciasdacultura #flul #ulisboa #senioryear #bênçãodosfinalistas

Uma foto publicada por Beatriz Canas Mendes (@beatrizcanasmendes) a

A discriminação positiva não deixa de ser discriminação

Ando um (grande) bocado desiludida com a discriminação positiva. Ele é os refugiados que têm os direitos cívicos garantidos até antes de serem inseridos no mercado de trabalho, ele é a bolsa que permite a jovens ciganos estudar, viver, comer e manter uma vida confortável a nível universitário sem ajuda dos pais, ele é os alunos que estão em colégios e institutos de ensino superior privados e que continuam a usufruir de ajuda económica do Estado. Percebo que o nosso instinto seja sempre tentar ajudar as pessoas, o mais possível, com o coração, principalmente quando se tratam de minorias étnicas e culturais ou indivíduos com dificuldades económicas. 

No entanto, a discriminação positiva não deixa de ser descriminação. Para cada caso de descriminação positiva, forma-se um caso de discriminação negativa, do qual praticamente nos esquecemos, mas que não deixa de existir. Vejamos: por cada bolsa de estudos atribuída a um jovem porque ele é cigano, quer estudar e a família não o apoia, um jovem que não é cigano, quer estudar e cuja família não o apoia fica a olhar para as moscas. Por cada refugiado que Portugal acolhe e sustenta através de fundos da Europa ou da própria Segurança Social, um desempregado português em risco de perder as condições mínimas de sobrevivência fica sem qualquer ajuda, porque chegou ao fim dos três anos de subsídio de desemprego e, daí em diante, fica sem tecto e comida na mesa e/ou, na melhor das hipóteses, dependente de subsídios miseráveis de "inserção". Por cada aluno inscrito numa instituição de ensino privada, mas que usufrui de subsídios para financiar os seus estudos fora de instituições públicas, porque os pais declaram parcos rendimentos, um aluno que até para frequentar uma escola pública apresenta os mesmos ou piores obstáculos é remetido para segundo plano. 

Contudo, ainda mais importante do que qualquer consequência que se possa enumerar, estes indivíduos contra quem a dita discriminação positiva actua involuntariamente passam a sentir-se colocados de parte pelo sistema. Por um lado, compreendo que o objectivo da descriminação positiva seja compensar certos desequilíbrios na sociedade ou promover a ajuda a grupos desfavorecidos, só que, por outro lado, não me sinto completamente fã da discriminação negativa que é passível de produzir. Para se ajudar uns, deixamos de ajudar outros. Muitas vezes, nem é que essas pessoas não mereçam, mas não merecemos todos, não devemos ser todos avaliados a partir de lupas semelhantes? 

Correndo o risco de ser mal interpretada, sublinho que estas são apenas ideias soltas e em desenvolvimento, porventura algo generalizadas, mas certamente muito sinceras. Como sempre, reservo-me o direito de estar errada, de mais tarde descobrir incoerências na minha opinião ou de, não estando realmente errada, poder vir a alterar o meu ponto de vista.

Queridos professores,

Venho, por este meio, solicitar que deixem os alunos escolher o estilo de citação nos seus trabalhos (Chicago, APA, MLA, Harvard... who the hell cares???), porque eles existem em número superior à quantidade de neurónios na minha cabeça às nove da noite.

E, já que estamos por aqui, vamos falar a sério. Parem, de uma vez por todas, com isso do "20 é para Deus, 19 é para o professor e 18 é para o Stephen Hawking". Por causa dessa brincadeira forreta, despenteiam-me a média. Que eu saiba, a avaliação possível vai de 0 a 20, não de 10 a 17. E não, 18 não é uma "nota boa", é uma nota real e ponto final, tal como o 19 e o 20 - que, já agora, também constam da minha pauta, graças a professores menos bota de elástico. #ficaadica

 

Saudações esquentadamente cordiais,

Beatriz