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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Estamos em 2017 e continuamos a discutir as saídas profissionais em Portugal (bem, e no mundo)

Spoiler: estou-me pouco ***************** [inserir qualquer palavra inadequadamente adequada] para as saídas profissionais em Portugal, quais as melhores áreas, quais os melhores cursos, os melhores empregos, aqueles que dão mais dinheiro, e, em geral, tudo o que se intitule "mais e melhor".

 

Após ter recebido algumas mensagens nos últimos anos, desde o início de tags neste blogue, como universidadeemprego, decidi compilar mais algumas questões e respostas acerca da vida durante e após o ensino superior e também acerca das saídas profissionais no nosso país.

 

Vamos lá ver...

 

Não sei que profissão quero ter no futuro, mas tenho de escolher uma licenciatura. Em que área devo tirá-la?

Na área que mais gostares de estudar. Ainda que haja muita licenciatura super profissionalizante e específica por aí (como Direito e Medicina), cujo objectivo é formar os alunos para exercerem carreiras nesses mesmos domínios, quase todas as licenciaturas deixam imenso espaço para oportunidades em áreas profissionais diversas. "Estou a tirar Desenho, por isso estarei quase de certeza condenado a ser um artista falido." Mas porquê? E que tal investir num negócio de retratos personalizados na Internet? Ou ser ilutrador de livros de crianças? Ou tentar a sorte em galerias? Já agora, eu, que tirei uma licenciatura em Ciências da Cultura, terei direito ao título de "cientista da cultura"? Humm... Duvido. E mesmo licenciados/mestres em Direito e Medicina têm imensas opções. A minha amiga Joana tirou Medicina, está a acabar o ano comum, vai tirar a especialidade, mas também já pensou em investir num mestrado em Nutrição. Há tantas opções... para quê limitarmo-nos à licenciatura como único factor de decisão ou relevância no nosso futuro profisional?

Além disso, aos 18 anos, pouco saberemos sobre o que o futuro nos reserva. Para quê deixarmos que a nossa licenciatura nos defina ad eternum?

 

Depois da licenciatura em Portugal, é preciso tirar um mestrado?

Sou também a maior defensora de que o nível de escolaridade ou académico duma pessoa não definirá necessariamente o seu futuro profissional. No entanto, volto a repetir: hoje em dia, toda a criatura viva consegue tirar a licenciatura. Qualquer pessoa com dois dedos de testa entra e é capaz de sair, há imensos recursos, as médias de entrada são baixíssimas e é possível obter uma licenciatura com 9,5 valores de média de curso. Além disso, a maioria das licenciaturas em Portugal só duram três anos, após o Tratado de Bolonha, há dez anos, e são de cariz teórico. Dessa forma, o que é que se aprende em três anos?

Uma das minhas professoras da licenciatura fartava-se de gozar com os meus colegas que achavam que a universidade era uma escola profissional. Não é. A universidade é uma escola teórica, quer queiram, quer não. Se querem ganhar competências técnicas, licenciem-se numa escola politécnica ou façam o ensino secundário profissional. Ou atirem-se de cabeça para o mercado de trabalho!

Antes, durante e após a licenciatura, há que investir em formação e experiência paralelas. Já falei sobre as licenciaturas e as saídas profissionais em Portugal há pouco tempo. É mesmo necessário "tirar" qualquer coisinha além da licenciatura, que são apenas três anos numa vida inteira. O mundo encontra-se em constante mutação, há que actualizar os nossos conhecimentos de forma permanente.

Seja como for, os cursos pós-graduados também permitem desenharmos mais um pouco do perfil académico e, quiçá, profissional, que almejamos. Podemos sair da área da licenciatura, podemos permanecer, podemos adaptá-los um ao outro. Há imensa oferta! Pós-graduações, mestrados, MBAs, doutoramentos, formações avançadas... e mesmo cursos profissionais ou profissionalizantes de curta ou média duração, alcançáveis a todos os bolsos.

 

Quero tirar o meu mestrado numa universidade estrangeira, mas pedem quatro anos de licenciatura. O que faço?

As licenciaturas em Portugal têm, por norma, três anos - obrigatórios; tive colegas que tiraram um quarto ano, para poderem estudar outras cadeiras que lhes interessavam. Quer isto dizer que qualquer pessoa pode fazer quantos anos de licenciatura lhe apetecer, apesar dos 180 ECTS básicos. As universidades estrangeiras pedem uma licenciatura como requisito mínimo de admissão e usam "4 anos" de estudo como referência. Na União Europeia, vigora o Tratado de Bolonha, mas cada país no exterior adopta um sistema diferente. Por que não esclarecer estas dúvidas directamente com as instituições onde se espera prosseguir os estudos ou com a embaixada/consulado do país para onde se pretende ir?

 

Os rankings das universidades contam para melhorar as saídas profissionais em Portugal?

Os rankings existem por algum motivo, mas acredito que seja importante de igual forma saber filtrar a informação. De facto, há universidades e institutos cujo lugar nos rankings é baixo por motivos óbvios: fracos resultados em investigação científica, fracas médias de entrada dos alunos candidatos, pouca inovação tecnológica associada ao ensino e até ao funcionamento administrativo, escoamento deficiente de alunos para o mercado de trabalho, professores pouco especializados, poucas provas de internacionalização.

A Universidade Católica Portuguesa é capaz de ser das melhores no nosso país, porque consegue dar resposta a todos estes desafios. Quando lá estudei por um semestre, consegui perceber por que é tão reconhecida. No entanto, eu tirei a minha licenciatura na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, uma das mais antigas escolas de humanidades do país, cujo ensino assenta na tradição e que não depende realmente da tecnologia para formar os seus alunos. Já na internacionalização, avaliação do currículo dos cursos e dos professores, e nos resultados científicos, encontra-se no topo, mas tal não é suficiente para vermos a FLUL a encabeçar maioria dos rankings. Mas não interessa assim tanto.

Por outro lado, muitas das universidades, escolas e faculdades portuguesas mais recentes não estão bem posicionadas, porque lhes falta tudo e mais alguma coisa, o que é relevante para a qualidade do ensino e da preparação dos alunos para outros horizontes (nem digo profissionais, mas principalmente académicos, no estrangeiro, por exemplo).

Mais uma vez, os rankings contam o suficiente, contam o que contam, são números e cálculos e o resultado de variantes fixas que escapam à maioria dos mortais. No entanto, uma e outra vez, cabe aos alunos forjar o seu próprio caminho, independentemente de onde vem a sua licenciatura.

 

Em suma, criem vocês mesmos as vossas "saídas profissionais", em vez de deixarem que outros factores externos as moldem, limitem ou controlem! Ganhem iniciativa, tenham mão no vosso presente e no vosso futuro!

 

Para mais informação e divagação, podem clicar nas hiperligações que vos deixo espalhadas acima.

Hoje, um ano após a morte do rei da Tailândia, Rama IX

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(Crédito: http://newdelhi.thaiembassy.org/en/2016/11/thailand-mourns-late-great-monarch-majesty-king-bhumibol-adulyadej/ )

 

Há um ano, morreu o rei da Tailândia, o rei Bhumibol (que se lê Bu-mi-pon), ou Rama IX.

Levanto-me cedo. Às oito estou fora de casa. Na rua, as pessoas vestem roupas escuras - à semelhança de todos os dias que antecederam este dia, de há um ano até este momento em que eu saí à rua a 13 de Outubro de 2017. As ruas estão quase vazias, porque foi declarado o feriado nacional, mais um dia de luto. 

Este luto que eu também carrego não é um fardo, mas sim uma experiência com e na alma. Os tons neutros e tristes da minha roupa são uma parte da representação da perda. Eu também perdi um rei, o rei que construiu este país que me acolheu, com todos os choques culturais a que tive direito, com direito às pontes linguísticas que tentei forjar, com direito aos meus alunos, com direito aos dias de chuva, à humidade, às filas e ao trânsito, ao cheiro a tubos de escape, ao cheiro a comida, ao meu emprego de sonho, a comida de rua, deliciosa, às crianças que sorriem quando me vêem, algumas que se escondem, aos guardas a gritarem-me "beautiful" todas as manhãs, às máquinas da roupa com moedas, aos condomínios com piscina, às assimetrias da população e das casas, aos meus colegas que eu passei a adorar, à minha chefe que me dá abraços quando me vê, aos 7-eleven... A Tailândia é isto, uma mistura indecifrável de estímulos e gente e barulho e cheiros - seja em tons negros ou vermelhos, laranjas, azuis, como eu a conheci antes.

 

Quando entrei na estação de comboio, pela primeira vez em muito tempo apercebi-me de que tinham colocado músicas solenes a tocar no fundo, em Tailandês e em Inglês. Nenhuma voz anunciava os comboios que chegavam e partiam. Ninguém gritava, só as empregadas do Starbucks atiravam frases mais imperativas. Até os turistas pareciam calados, por fim.

 

É um feriado que anuncia um fim-de-semana prolongado e este parece-se com qualquer outro, excepto que se sente uma qualquer coisa no ar. Até o céu está escuro, sem chover. Ou talvez seja de mim.

 

Morreu o rei da Tailândia, Rama IX, faz hoje um ano. Agora, que são nove da manhã, eu estou aqui sentada no Starbucks, esta herança da abertura do país ao estrangeiro. Há um ano, estava no condomínio onde vivi antes, no 21º andar, eram cerca de sete ou oito da noite, quando li as notícias no Facebook. De imediato, o chat conjunto dos meus colegas inundou-se de palavras que eu não entendia, mas pressentia. Expressei as minhas condolências e pedi conselhos sobre como me vestir no dia seguinte. Assim como me disseram, tenho-me tentado vestir desde então.

 

Há um ano, os meus colegas choraram. Eu escrevi as mensagens oficiais em Inglês em nome da minha faculdade. Mensagens acerca do luto. "Mourning". "We mourn the passing of...". O resto são palavras fixas, escolhemos as que ficavam melhor, as que melhor descreveriam o rei Bhumibol (Bu-mi-pon) até que esses posters e publicações online fossem retirados de circulação.

 

Ainda não foram.

 

Este dia será de luto. Aliás, o resto deste mês será de luto. Os ajuntamentos no Grande Palácio, o aniversário sobre a morte, a construção do crematório, a construção de miniaturas do crematório por todo o país, a cremação, a coroação, e talvez só depois consiga voltar a serenidade nestes corações tailandeses.

 

Porque este foi o rei que se ajoelhou perante os seus súbditos e lhes... e os tocou. Em todos os aspectos.

 

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(Crédito: http://www.abc.net.au/news/2016-10-14/thai-kings-body-taken-to-palace-as-mourners-pay-last-respects/7935152 )

A minha experiência bilingue (ou “é muito fácil tornarmo-nos uma espécie de ‘avecs’ de 3ª geração”)

Sim, eu também já pertenci àquele grupo de sujeitos muito nacionalistas no que toca à língua portuguesa, que pensa que a fauna dos avecs e filiações constitui um atentado ao bem estar do Português no século XXI. Quão inocente! Passamos a vida a criticar os outros sem qualquer amostra de empatia. E se fôssemos nós? Fazemos pouco de quem fala assim e assado, quem pensam eles que são, contaminar o bom Português com o Francês e o Inglês e essa escória linguística toda, darem nomes estranhos aos filhos, depois regressam a Portugal e fazem uma peixeirada, só se querem mostrar, acham que são gente importante ou quê?

Amigos, eu estou fora de Portugal aí há uns três minutos e às vezes debato-me para parir uma frase em Português com tanta intensidade que só me apetece slap that freaking shit out of me!

É, tipo, super difícil pensar fluentemente in one’s native language quando, quinze horas por dia, a temos de renegar. N’est-ce pas?

E, quando há mais do que uma língua de trabalho, mais do que uma língua a usar no dia-a-dia, encontramos mais expressividade numa do que noutra para certos propósitos. Todas as línguas envolvidas acabam por nos pertencer, nós ganhamos o direito de as usar de igual forma. A “outra” língua ganha relevância, deixa de ser essa “outra” para ser “mais uma”.

Vivemos num mundo global – e não, este não é um pleonasmo, ou talvez seja, mas é um facto. O mundo já não é um grupo de ilhas, é um só continente, porque o território é contínuo. As culturas são fluídas, as línguas tocam-se, a população mescla-se. Não sejamos tão rígidos e mesquinhos, porque há muito a acontecer por aí que nós nem conseguimos imaginar.

O fenómeno dos avecs é exactamente o mesmo fenómeno que deu origem às línguas como nós as conhecemos. Por que raio vocês pensam que chá, em tailandês, se diz “chá”? Por que os portugueses trouxeram o chá das Ásias! Por que acham que, em Inglês, há tantas palavras francesas? Por causa das origens históricas comuns dos ingleses e dos franceses, porque os soldados anglófonos passaram muito tempo em França durante a 2ª Guerra Mundial? E vocês, que andam para aí a escrever “LOL”, ou a fazer sexting, ou a melhorar as vossas soft skills, ou que se dão ao luxo de ter um abat-jour lá em casa? Ou que dão nomes como “Sandra” às vossas filhas, quando esta é, obviamente, uma forma relativamente recente do nome “Alexandra”? Ou que frequentam os “Summer Fest” desta vida? Ou vocês são daqueles que só ouvem música da pedra e música azul e têm um telemóvel esperto? 

As línguas, as culturas, as populações… nada é estanque. O Portunhol não é nada mais do que o processo de formação de palavras e negociação de vernáculos que aconteceu sem limites, até alguém se lembrar de escrever gramáticas e dicionários e de os movimentos nacionalistas dos últimos dois séculos ganharem proporções relevantes e terem estabelecido fronteiras nunca antes existentes.

Então, não criemos mais fronteiras. Construamos, antes, pontes. Espaços e tempo para negociação. Para discussão. Para abertura ao que vem, supostamente, de fora. E sejamos flexíveis quanto às transformações naturais da língua, da cultura e dos indivíduos, porque nós somos, apesar de tudo, o resultado inacabado de toda esta miscelânea.

Em suma, eu não ando linguisticamente confusa porque sou uma pedante que gosta de mostrar que é poliglota. Aliás, este nem é o meu pior estado: há quatro anos, eu andava a estudar três línguas estrangeiras ao mesmo tempo e aí sim, andei a trocar os linguarejares todos. E, aliás #2, uma pessoa fica realmente frustrada quando não consegue articular o que pretende na sua língua materna. Sentimo-nos deslocados, ou quase traidores, auto-expatriados, ainda que não seja assim que nos vemos.

Sejam bonzinhos para quem vive no estrangeiro. O pessoal já anda a bater suficientemente mal da cabecinha. Acreditem em mim, que eu já estou a dar o flop. Se no meu cérebro operasse um sistema como o do Inside Out, os meus bonecos teriam quatro ou cinco cabeças e cada uma falaria uma língua diferente, mas todas ao mesmo tempo.

I’m out.

Emigrar = desistir de Portugal?

Quando me propuseram ficar definitivamente a trabalhar em Bangkok, tive muitos momentos de dúvida que, obviamente, continuam a aparecer-me de vez em quando. O contexto: ao regressar a Portugal em Setembro, teria a possibilidade de frequentar um dos melhores mestrados da Europa, numa universidade de referência, possivelmente conseguiria até assegurar alguma bolsa de mérito, continuaria a dar explicações ou arranjaria trabalho (até já tinha tido uma proposta no fim do segundo ano de licenciatura, mas na altura não conseguiria conjugar estudos e actividade profissional e a relação salário-esforço não era relevante o suficiente), teria a minha base familiar sólida, o meu namorado e os amigos que guardo há largos anos, uma das minhas amigas vai ter um bebé e eu iria com certeza acompanhar a gravidez dela de perto, continuaria a viver na minha zona de conforto, debaixo da asa da avó, no meu quarto cor-de-rosa e cheio de tralha, numa casa de dois andares com quintal, onde continuaria a brincar com os meus cães e gatos sempre que me apetecesse.

No que toca às oportunidades que Portugal me proporcionou, tenho a dizer que poucas foram. Pessoalmente, recebi a bolsa de estudo da DGES por dois anos. A minha bolsa de mérito foi-me sempre atribuída durante os três anos de licenciatura por uma associação privada. A bolsa de mérito da DGES nunca chegou e ainda estou à espera dos três anos que me devem. Idém, para a bolsa de melhor finalista atribuída pela Caixa Geral de Depósitos. Tenho apenas a sublinhar que, não fossem os professores excelentes que tive e que representam Portugal e a função pública, ainda menos aspectos positivos teria para enumerar. Não me sinto amargurada por ter tido sempre que trabalhar ao longo dos últimos anos para pagar a faculdade, mas a verdade é que o sentimento com que me identifico é que fui eu que trilhei o meu caminho sem grande ajuda dessa grande entidade chamada "Portugal".

Portanto, quando me falaram pela primeira vez a trabalhar em Bangkok, logo na minha primeira semana na Tailândia, eu fiquei confusa. Obviamente que adoro Portugal, o sol de Lisboa, a minha casa fora dos centros urbanos, as pessoas que me rodeiam, ouvir a minha língua todos os dias. Mas, caramba, quando surgiu a oferta de trabalho concreta em Bangkok, fiquei sem desculpas para não aceitar. Apenas 12 horas de trabalho lectivo obrigatório, fora horas extraordinárias pagas devidamente, um salário irrecusável para alguém da minha idade numa cidade tão acessível quanto Bangkok, a possibilidade de continuar os meus estudos em simultâneo, montes de pessoas a apoiarem a minha candidatura e com quem estabeleci uma relação extremamente carinhosa desde o primeiro dia (incluindo a melhor chefe de sempre) e... o meu trabalho de sonho e que eu não pensava conseguir nos próximos cinco a dez anos - ser professora numa universidade.

Como pode uma pessoa lembrar-se dessa miragem linda e maravilhosa, solarenga, quente, emocionalmente segura que é Portugal, quando lhe oferecem estas condições todas?

Não, nem eu desisti de Portugal nem Portugal desistiu de mim. A Tailândia foi simplesmente mais rápida, pelo menos por agora. Sou um caso que provavelmente seria bem sucedido em Lisboa ou Bangkok, mas que pendeu mais para um lado do que para outro. É como terem a possibilidade de comprarem uma casa no local dos vossos sonhos mas que demora imenso tempo a fazer, ou uma casa que vai ter de ficar noutro terreno, mas que já está pronta e até traz um sistema de fornecimento de energia solar.

Emigrar, ou ir estudar para outro país, pode não ser apenas sobre desistir do nosso. Hoje em dia, acho que a nova geração se considera cidadã do mundo e que pertence, ou pode vir a pertencer, a muitos sítios diferentes. Infelizmente, a ideia principal a que eu quero chegar com todas estas linhas de texto é Portugal não está a ser rápido do suficiente para a mão-de-obra qualificada que educa e forma. Mais rapidamente esta mão-de-obra é arrebatada para outros sítios. Nem sequer falo de mim neste exemplo específico (eu nem tive tempo de estar em Portugal à espera, por isso nem posso imaginar o que um jovem formado e frustrado deve sentir), mas ouve-se falar de cada vez mais jovens formados que acabam por emigrar, porque mais fácil e rapidamente são valorizados do lado de fora.

Não chega os Velhos do Restelo andarem para aí a apregoar que nós desistimos do país sem mais nem menos, que somos uns cobardes, desistimos rapidamente... Amigos, tentem romper assim com a vossa vida como os emigrantes fazem para ver o que é bom para a tosse.

Os tempos do elevado patriotismo já lá vão. Esta é mais a era chamada "o patriotismo não paga contas nem nos providencia a realização de objectivos e sonhos pessoais ou profissionais". Se gosto do meu país? Claro que sim, adoro Portugal. Se gosto mais da Tailândia? Não necessariamente. Estou cheia de saudades do céu sem nuvens ou poluição, dos enchidos, dos pastéis de bacalhau, dos rissóis e das pizzas do supermercado a 1,50€, mas a Tailândia concretizou-me uma data de objectivos a todos os níveis duma assentada, as pessoas são doces e genuínas aqui, o trânsito é caótico mas estranhamente seguro, a rede de transportes públicos é eficiente, tenho o meu próprio apartamento com uma vista esplêndida para o centro da cidade, a roupa é muito mais barata, as ruas estão cheias de gente de noite e de dia, há vida a passar-se. Se me mandassem para cá a minha família, o meu namorado e os meus amigos e me assegurassem que poderia realmente ficar na Tailândia para o resto da minha vida como professora e a ser aumentada todos os anos (o que acontece com os professores efectivos da função pública), teria muita dificuldade em recusar.

 

Para mim, emigrar ou ir viver para outro país não significa desistir de Portugal. Antes significa não desistir de mim e dos meus projectos.

Das relações à distância (em regime temporário)

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Em princípio, tanto eu quanto o Ricardo vamos passar o Verão, ou grande parte do Verão, no estrangeiro - isto é, em continentes diferentes, cada um no seu. Apesar de o plano dele já estar confirmado, da minha parte ainda aguardo uma resposta final do empregador. Ainda assim, a verdade é que eu estou mesmo com uma grande expectativa de ser aceite. Sei que preencho os requisitos e, pelo menos, a documentação, as três cartas de recomendação que pedi a professores meus e a carta de motivação que escrevi atestam que serei uma boa escolha.
Seja como for, expectativas à parte, já comecei a contar que talvez vá para fora a algumas pessoas do meu círculo de amigos e família. Como a duração do programa ainda é longo, ouço logo uma resposta:
- Coitado do Ricardo!

... com as seguintes variações:
- Coitado do Ricardo! O que é que ele vai fazer sem ti durante esse tempo todo?
- Coitado do Ricardo! Ele não se importa que vás estar fora?
- Coitado do Ricardo! O que é que ele diz sobre tu ires?

Obviamente, somos uma caixinha de surpresas e, em primeiro lugar, os surpreendidos ouvem logo um:
-

 

Já tardava: refugiados

Palavra de honra que tenho procrastinado este tema a valer. Refugiados para ali, refugiados para aqui, mas são migrantes ou são refugiados, com que teorias devemos concordar, quem tem razão, primeiro nós ou primeiro eles, seremos todos farinha do mesmo saco, e os direitos humanos...???

Consegue-se perceber a minha indecisão desse lado, não é verdade?

Entretanto, o meu ano lectivo iniciou-se. Isto até poderia não vir nada ao contexto, mas olhem que vem mesmo, não estudasse eu Comunicação e Cultura e não andasse a tentar perceber há quase três anos o que nos torna quem somos, o que forma a nossa identidade, o que nos torna tão diferentes mas tão iguais. E há quase três anos que me sinto cada vez mais inquieta, mas é normal - é isso que se pretende do estudo, deixar-nos cada vez mais inquietos, a interrogar o mundo com insistente curiosidade.

E, ao fim de quase três anos, surge uma questão concreta que urge ser resolvida na minha cabeça, que vem colocar em causa a minha ética pessoal e o meu sentido de respeito pela humanidade: os refugiados-barra-migrantes devem ser alojados na Europa? Ou devemos arranjar maneira de os voltar a enviar para o país deles? Com tanta pobreza na Europa, com esta crise maluca (económica, financeira, mas também social), é sensato acolhermos mais pessoas, milhares delas, correndo o risco de criar ainda mais instabilidade e insustentabilidade? (Uma só questão multiplica-se em várias.)

Portanto, como eu dizia, comecei as aulas na semana passada. Este semestre, tenho até uma cadeira chamada Comunicação Intercultural. A relevância de tudo isto é que foi a ler os primeiros documentos para esta disciplina que me apercebi de que a resposta que consigo arranjar até ao momento pode ser alcançada com algum discernimento. Ler avivou-me a memória e o raciocínio.

Queridos leitores deste blogue, o meu dilema encontra-se cada vez mais próximo de uma resolução: sem dúvida que todas estas pessoas têm vindo a sofrer muito. Claro que merecem ser tratadas consoante as premissas da Declaração dos Direitos Humanos, têm direito a viver onde quiserem e a receberem um tratamento digno (água, comida, alojamento, ensino and so on). O problema é que - estejamos muito conscientes disto - é incomportável acolher tantos indivíduos no seio de uma cultura tão diferente da deles. É incomportável para os que acolhem, mas também para os que são acolhidos. 

O entendimento entre comunidades será difícil, muito difícil. A médio prazo, podemos "ter" de vir a acolher números astronómicos de pessoas que não falam a nossa língua, que não partilham dos nossos princípios, que não vieram ali de França ou da Eslovénia (comunidades com raízes culturais próximas das de outros países europeus). E o problema não se resume a nós adaptarmo-nos a eles. Também se resume a eles adaptarem-se a nós. Entendem que nenhum dos partidos se encontra preparado para conviver, certo? Ou, se se encontra preparado apenas mentalmente para uma grande mudança em termos do que chamam a "mentalidade", até todas as mudanças serem operadas ainda hão-de ser precisos alguns anos, talvez gerações, até que a assimilação seja completa, até que possamos todos viver em relativa paz uns com os outros.

Entretanto... Entretanto, corremos riscos. Calculo que os problemas imediatos se venham a transformar em problemas sérios a médio e a longo prazo. O racismo e a xenofobia de certos contingentes da população que acolhe também podem ser sentidos pela população que é acolhida, já pensaram nisso? Será que ambos se saberão acomodar mutuamente? Porque, se não souberem, verificaremos outros problemas de "segunda geração" ligados à exclusão social (insustentabilidade das instituições de apoio, desemprego, fraco rendimento escolar dos mais jovens, aumento da quantidade de guetos e bairros sociais, aumento da criminalidade).

Atenção, não estou a dizer que os indivíduos refugiados são criminosos. Estou a dizer que "a ocasião faz o ladrão" em determinadas circunstâncias - querer alimentar um filho, exigir o cumprimento dos seus direitos, reagir à hostilidade de quem não os vir com bons olhos...

Porque foi isso que vi nalgumas reportagens que passam diariamente na televisão: os migrantes refugiados a imporem-se perante funcionários das fronteiras (nomeadamente, da Húngria), que apenas faziam o seu trabalho. Os migrantes refugiados a trazerem famílias numerosas e a exigirem quase os funcionários das fronteiras lhes dêem uma mãozinha, um copo de água e um prato de caviar, em vez de os tentarem parar de entrar em território onde, oficialmente não é permitido entrarem (mais uma vez, cumprindo o seu dever). Pois, há direitos e também há deveres.

É-me muito difícil pensar sobre este tema, expor a minha opinião, sem sentir que continuo a não saber a história toda, que só estou a ver o cenário parcial de todo este frenesim, sem sentir que nenhuma opinião - quanto mais a minha - conseguirá resolver este problema que calhou nas mãos da humanidade nos últimos meses.

Continuo a achar que todas as pessoas são cidadãs do mundo, independentemente da sua cor de pele e da sua origem cultural, que todas têm direito a viver com dignidade e estabilidade, que todas têm direito a procurar as melhores condições de vida, onde quer que seja. Mas isso é impraticável nas circunstâncias que se apresentam, não é? Quase parece que estamos a ser invadidos, só que por pessoas que, tal como nós, não têm (em princípio, acredito eu de maneira inocente) a intenção de nos causar prejuízo de maneira alguma. Já vimos isto anteriormente, tanto com a emigração portuguesa transversal a tantas das últimas décadas, quanto com as comunidades do antigo Ultramar que procu(ra)ram refúgio em Portugal, quanto com qualquer outro tipo de migração (à sua maneira, todos os migrantes procuram refúgio, quer migrem dos Açores para os EUA, quer migrem de Aveiro para Braga).

 

Deixo um apelo aos leitores deste texto: não tentem interpretar mal a minha opinião. Esta é a minha opinião literal e eu abro espaço para tentar compreender outros pontos de vista. Estou receptiva aos vossos comentários. Este é um tema polémico, cada um tem tentado atirar a sua posta de bacalhau, a sua acha para a fogueira - tal como eu. E reservo-me ao direito, como todos os opinadores de bancada, a alterar a minha perspectiva acerca do assunto, mesmo depois de ter escrito um texto enorme sobre ele. Lá está: escrevi-o hoje, dia 14 de Setembro de 2015, mas no dia 17 de Outubro de 2020 ou no dia 30 de Fevereiro do ano de São Nunca, à tarde, já poderei considerar o tema com outro olhar.

Ir a Paris por 200€ (ou menos) #1

Depois de alguns pedidos e da resposta positiva à sugestão que deixei no fim da publicação "1 semana em Paris!", o prometido é devido e cá nos encontramos para uma partilha de dicas acerca de como viajar sem gastar muito dinheiro. Neste caso, venho contar-vos como consegui ir a Paris por 200€.

Ainda ontem, na aula de Cultura Visual, a minha professora fez uma observação que em tudo é verdadeira: a geração mais nova, aí dos 15 aos 35 anos (se tanto), já faz parte de uma categoria de turistas bem diferente àquela a que pertencem os nossos pais. A nova geração é a dos viajantes backpackers, ou seja, dos turistas de mochila às costas, que querem é viajar e conhecer sítios novos, ainda que sem quaisquer luxos ou comodidades associadas à viagem e estadia. Não é tão verdade? É, sim senhor. Somos a geração low cost, desde a Primark até à Easy Jet, passando pelo Self Discount do Jumbo e pela Hora H da Feira do Livro de Lisboa.

Adiante, que se faz tarde. Seguem-se umas quantas dicas sobre como ir a Paris por 200€ (ou menos)!

Aviso já que o texto será longo - e apenas sobre a viagem de avião e o alojamento, com continuação noutra publicação (alimentação+circular na cidade).

 

Um dia monto uma agência de viagens!

 

1. Reservar um vôo

Em vez de perderem tempo a consultar o site de cada companhia aérea de cada vez, recomendo-vos o Sky Scanner, uma espécie de motor de busca de vôos operados por todas as companhias e mais algumas.

 

 

Justin Timberlake vai ser pai

Acendamos um monte de velas em nome da nossa adolescência, pois Justin Timberlake, que completou ontem 34 anos (já??? como assim???), vai ser pai. A criancinha vai ser multi-talentosa: cantar como pai, representar como a mãe (a actriz Jessica Biel) e ser uma brasa como ambos são. Eis o próximo príncipe ou princesa que vai fazer as delícias dos paparazzi. #BoyOrGirl, ainda não se sabe!

 

Muitas fãs hão-de chorar um rio, se é que me entendem.

 

Bobak Ferdowsi - com ele, até passava a gostar de Matemática e de Física e dessas cenas todas

Brincadeiras à parte, que eu sou uma rapariga séria e comprometida, acho muito bem que haja alguém da NASA a promover a ciência de maneira fresca para os jovens. Os rapazes hão-de curtir deste tipo super inteligente, mas com ar de ser um super bro e as raparigas hão-de adorar os seus lindos olhos, se é que me entendem. De qualquer maneira, Bobak Ferdowski, de 34 anos, de origem persa, apresenta-se como um cientista bacano, com um cabelo minimamente original e a que se deve grande parte desta mediatização em sua volta, senão toda.

 

Tem o estilo perfeito, a cara perfeita e o cérebro perfeito. Se passássemos por ele na rua, nunca imaginaríamos que trabalha em missões especiais da NASA. Talvez o imaginássemos surfista, cantor, tatuador, mecânico, mas pouco provavelmente cientista, isto porque estamos formatados para pensarmos que as pessoas "sérias" vestem fato e gravata, têm um corte de cabelo enfadonho e usam sapatinhos de vela.

Deste modo, fico feliz por constatar que, a pouco e pouco, a sociedade está a evoluir e abrir caminho para a diversidade e originalidade. Que os marrões não usam todos óculos, que nem toda a gente que usa óculos é marrona. Que o pessoal que vem do Médio Oriente não é todo extremista religioso e terrorista. Que a ciência é fixe e que a investigação científica está na moda. Que é possível sermos bem sucedidos desde cedo. Assim já gosto!

 

Bobak Ferdowsi esteve esta semana no Porto, nomeadamente na Faculdade de Ciências, e arrasou com salas cheias!

Reino (des)Unido

Ahahaha, o Cameron está a prometer dinheiro de compensação à Escócia para acalmar os ânimos de quem queria a independência e para dar o devido valor ao país e blá blá blá? Ai filhe, prepara-te, porque a Irlanda do Norte e Gales vão-te lixar a vida com invejas de irmãos. Então mas um tem e o outros não? Ai filhe, que ainda vais criar mais problemas e ainda se criam mais dois referendos, porque quem aguenta um, aguenta três.

Não esperava mesmo que 55% da Escócia votasse "não" à independência. É uma pena, uma pena. A rainha é que deve estar feliz, por manter esta modesta propriedade que tive a oportunidade de visitar no mês passado, em Edimburgo.