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Dos outros #40

por BeatrizCM, em 18.05.14

"Perguntou-me o que é que eu escrevia nos livros. Respondi-lhe que me escrevia a mim. Escrevo-me. Escrevo o que existo, onde sinto, todos os lugares onde sinto. E o que sinto é o que existo e o que sou. Escrevo-me nas palavras mais ridículas: amor, esperança, estrelas, e nas palavras mais belas: claridade, pureza, céu. Transformo-me todo em palavras."

 

José Luís Peixoto, Uma Casa na Escuridão

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Cada vez que leio um livro e investigo quem o escreveu, tento distanciar-me da real figura do autor, em comparação à figura narrativa, a quem pertence a voz das palavras, que formulo mental e inevitavelmente. Por vezes, destoam uma da outra. Podemos nem sequer ficar agradados pela imagem física do sujeito, ou pelo seu percurso pessoal - não vamos com a cara dele, e depois? - enquanto a beleza e simpatia do escritor imaginado nos encantam.

Já me cruzei com alguns autores assim que, ao fim duma fila para autógrafos, se revelam uma autêntica desilusão. Arrogantes, inacessíveis, apressados, de palavra difícil. A custo, combato as péssimas impressões que me deixam, recalcando a experiência, tanto quanto possível. Normalmente, sou bem-sucedida nesse processo. Afinal, todas as pessoas têm defeitos. Portanto, por que não haveria aquele ser humano - que, por acaso, escreve livros de que gosto - de ter?

Contudo, felicidade das felicidades, algo incrível, um dos meus escritores favoritos - se não o favorito - correspondeu, em carne, pele e osso, às expectativas que o seu "eu" literário tem depositado em mim ao longo dos últimos (quase) dois anos. 

Hoje, José Luís Peixoto, vulto-maior - de acordo com a minha humilíssima opinião de leitora seguidora - da literatura portuguesa do século XXI, provou que a escrita pode, realmente, reflectir o carácter do seu autor. O JLP é um bacano, cheio de carisma e piada, um excelente orador. E juro que não estou a exagerar, justifica-se toda a minha admiração pelo seu trabalho.

O JLP a falar sobre a escrita de viagens na minha faculdade... Eu, cheia de coragem para, no final, lhe colocar questões (e aos outros dois convidados, Tiago Salazar e Loïc Pedras), e para lhe pedir que me autografasse o seu "Abraço", e para lhe pedir que tirasse uma fotografia comigo. Eu a dizer-lhe que estou a fazer um trabalho para Cultura e Sociedade, cujo ponto de partida é um livro dele.

Quanto ao JLP-pessoa e ao JLP-escritor, não os separarei na minha cabeça. Um coincide com o outro, são unos na sua personalidade, são os dois o mesmo indivíduo.

Tive muito gosto em conhecê-lo.

 

 

 

 

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Dos outros #30

por BeatrizCM, em 13.06.13

"Os segredos estão dentro de nós. Como tudo o que sabemos, também os segredos nos constituem. Também os segredos são aquilo que somos. Quando os seguramos, quando somos mais fortes e os contemos, alastram-se em nós. Desde dentro, chegam à nossa pele. Depois, avançam até sermos capazes de os reconhecer. Então, nesse momento, já não são apenas segredos que estão dentro de nós, somos também nós que estamos dentro dos segredos."

 

José Luís Peixoto, Dentro do Segredo

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Eu quero, eu quero, eu quero!

por BeatrizCM, em 08.04.13

Impossível perder, impossível não gostar, impossível ficar indiferente: é a Feira do Livro. Só faltam seis semanas! Infelizmente, não é que vá para comprar, porque de bolsos fundos está Portugal vazio - eu incluída - mas sim para observar o ambiente de pura alegria dos que o (ainda) podem fazer, deleitar-me com o sol pré-Verão num dos parques mais bonitos e arejados de Lisboa, com a sua transformação, com as multidões, com os livros novos em que posso esfronhar o nariz e inspirar o seu aroma pueril de papel não desbravado, para caçar uns quantos autógrafos (próxima vítima: José Luís Peixoto), para passear... Enfim, uma pessoa até se contenta com pouco.

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dos outros #7

por BeatrizCM, em 25.09.12

" Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva. O trabalho dos professores é a generosidade. "


José Luís Peixoto, in "Os professores" [crónica]

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