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Ser feliz longe de Portugal

por BeatrizCM, em 05.07.17

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Para mim, ainda é difícil ser totalmente feliz longe de Portugal. Há muitos momentos em que me pergunto o que ando a fazer tão longe. Será mesmo necessário para a minha experiência de vida? Será que essa experiência fará diferença na minha felicidade a longo prazo? E trabalhar e obter um diploma do estrangeiro fará diferença para encontrar um bom emprego em Portugal no futuro? É possível ser feliz longe da família e dos amigos? Por que parece tão difícil estabelecer novas relações? O que é que me poderá fazer feliz, da maneira como eu era no meu país?

 

Para mim, ser feliz longe de Portugal passa, em grande parte, por ignorar que estou longe de Portugal. Encontrar semelhanças entre a Tailândia e Portugal, Bangkok e Lisboa, ou os arredores de Bangkok e os arredores de Lisboa, onde cresci. Passa por olhar para os tailandeses, conviver com eles, trabalhar com eles, e procurar semelhanças em relação aos portugueses.

 

Ainda assim, por outro lado, ser feliz noutro sítio qualquer que não o nosso lar ou, pelo menos, um lugar que nos seja familiar, é aceitar as diferenças que nos saltam aos olhos e torná-las um hábito ou mesmo um prazer.

Há muitos prédios altos? Já vivi num e a vista é lindíssima lá de cima. Agora, é usufruir dos rooftops

O trânsito é uma loucura? Os táxis são baratos, posso apanhar um táxi-mota e a rede ferroviária é densa, para compensar. 

A comida tradicional é picante? Também é muito barata e assim até passo a vida em aventuras gastronómicas, o que é sempre entusiasmante. Senão, é tirar um tempinho para cozinhar em casa.

Há poucos espaços verdes? Mas pelo menos existem, e se existem devo tentar lá ir o máximo possível. Ainda por cima, a renda é tão barata que posso viver num condomínio com um jardim extenso.

O tailandês é uma língua difícil de atingir, quanto mais de dominar? Vejamos as adversidades como um desafio. Farei sempre um esforço para aprender.

 

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Ser feliz longe de Portugal é um desafio constante, porque o que eu sinto (e só posso mesmo falar por mim) é que a felicidade não aparece por via natural. Antes tem de ser activamente procurada do que simplesmente esperada. Se ficar fechada em casa a lamentar-me, nada me acontece, nada me estimula. A vida não pode ser só trabalho.

Contudo, o meu caso é muito específico. Eu não fui obrigada a sair de Portugal e só saí porque já tinha um plano a seguir. Nem consigo imaginar o que será sair de Portugal sem trabalho em vista, sem quem dê uma ajuda, sem conhecer ninguém. Nem imagino a dor dos emigrantes que vão sem data de regresso, contra a sua vontade, com uma família para criar em Portugal, ou que arrastam famílias inteiras consigo para território desconhecido. Aqueles que nunca tiveram, sequer, a intenção ou o sonho de sair. Como será a procura pela felicidade destas pessoas?

 

Portugal é um país de gente que sai e vai por esse mundo fora à procura de qualquer coisa que lhes falta. A mim, fazia-me falta ver mais mundo e trabalhar e estudar no estrangeiro. Fazia-me falta viver sozinha e ter o meu espaço. Proporcionou-se tudo isso… desta forma, para o bem e para o mal.

Não me arrependo, mas não deixo de pensar como seria a minha vida em 2017 se, em 2016, não tivesse feito as escolhas que fiz. Acho que é por aí que também passa a felicidade longe de Portugal, para mim, que sou nova, tenho uma vida pela frente. É relativamente fácil não me arrepender, mesmo contando com momentos baixos, baixos, baixos.

 

Assim, a pergunta que deixo é: quão simples será ser feliz longe de Portugal para velhos, menos velhos e mais novos? Para quem teve de ir e para quem assim o escolheu? A julgar pela extensão das comunidades lusas por “aqui e além-mar”, talvez se prove que, de facto, somos uns seres muito adaptáveis e capazes de encontrar a felicidade, talvez nas próprias (novas) comunidades que se formam.

Na Tailândia, devemos ser cerca de duzentos – duzentos membros, contam os grupos de Facebook. Um pouco mais ou um pouco menos, mas em Bangkok todos nos conhecemos. Mais próximos ou mais distantes uns dos outros, não deixamos de formar uma comunidade.

 

Se tiverem de emigrar de Portugal, não se isolem do mundo. Recorram às comunidades portuguesas que vivem por perto, não se isolem. Ser feliz longe de Portugal é levar o nosso país no coração, a nossa língua no ouvido e fazer amigos onde quer que estejamos, portugueses, tailandeses, binacionais, trinacionais, gente de todo o mundo. Contra mim falo, que sou um bicho do mato, mas ser professora tem disto, tão bom: estou quase sempre acompanhada. Ainda bem! Mas, para aqueles que não têm a mesma oportunidade de socialização continuada no trabalho: não sucumbam à facilidade de nos habituarmos a seguir a rotina casa-trabalho-casa. 

 

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(Por outro lado, penso que não devemos descurar os nossos antigos hábitos, sejam eles hobbies, partes da antiga rotina, contacto com os amigos do outro lado... Devemos continuar a ser quem éramos antes, apenas num sítio distinto.)

 

Olhem à vossa volta, apreciem a paisagem. Apreciem o sítio onde têm de viver. Olhem para tudo de vista lavada, para as pessoas e para a comida e para o verde e para os prédios e até para o chão!

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Sejam felizes, ou tentem!

 

(Para mais ideias aleatórias sobre viver em Portugal vs viver na Tailândia, aqui ficam alguns apontamentos.)

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[Críticas à peça de teatro As Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos e ao filme Selma.]

 

No final de 2014, tomei duas decisões: que havia de ir mais vezes ao teatro e que havia de ir mais vezes ao cinema. Ok, e que havia de ir mais vezes a exposições de arte, a museus e etc e tal, mas ainda não cheguei lá (por agora!).

Sendo assim, já comecei a investir nessas decisões durante este fim-de-semana prolongado de Carnaval.

 

 

No Domingo, fui ver a peça As Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos, no Teatro Tivoli. Já esteve em cena no ano passado, depois esteve noutras zonas do país e há uns meses regressou à capital. Durante todo este tempo, nunca parei de pensar "vou ver no próximo fim-de-semana... e vou no outro... e talvez depois dos testes... e agora não tenho dinheiro" - até que recebi a derradeira ameaça. 15 de Fevereiro de 2015 seria o seu último dia em Lisboa, muito provavelmente pela última vez (uma terceira temporada de uma peça de teatro, em menos de dois anos, na mesma cidade, em Portugal, não seria pedir demasiado?). Claro que mandei o dinheiro às urtigas, deixei de ser forreta e lá fui eu, mais a minha avó e a minha tia.

Primeiro aspecto a frisar: a opinião pública acaba por viciar muito as nossas expectativas.

 

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Para quem ainda tem dúvidas acerca de que automóveis podem circular no centro de Lisboa desde 15 de Janeiro de 2015, podem obter a lista pormenorizada no site da Câmara Municipal. Existem três zonas de emissões reduzidas na capital, consoante a data de fabrico das viaturas: EURO 1 (veículos construídos antes de julho de 1992), EURO 2 (veículos de 1996 ou posteriores) e EURO 3 (em geral, veículos ligeiros fabricados depois de Janeiro de 2000 e pesados depois de Outubro de 2000). Para mais informações acerca dos limites dessas zonas, aqui vos deixo o link do pseudo-edital, para que não restem perguntas.

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Sei que ainda não aprofundei muito o assunto por aqui, mas estou a tirar a carta de condução desde Dezembro. A coisa vai bem, muito obrigada, tirando as últimas duas aulas em que me puseram um carro nas mãos (Mercedes CLA de Novembro de 2014, upa upa), sempre à hora de ponta, primeiro ao fim da tarde, hoje ao início da manhã, e eu pensei que ou me daria uma coisinha má ou que alguém morreria por minha culpa, tipo uma criança indefesa ou um velhote daqueles que ocupa os muitos cafés do bairro de Alvalade enquanto conversa com os vizinhos.

Mas, daqui a dois meses (prevê-se), serei eu uma condutora mais ou menos eficaz, mas encartada seja como for, mas o bólide cá de casa (aka carrinho da minha avó) terá de me encher as medidas, porque não há outro. Nem orçamento para o trocar. E este bólide é de '98. E, a partir de hoje, não poderá entrar no centro de Lisboa, desde a Praça de Espanha até à Avenida de Ceuta. Não é que me faça falta andar todos os dias de carro em Lisboa, fica-me bem mais barato em dinheiro e tempo usar os transportes píublicos (que, felizmente, são suficientes para os meus percursos habituais), mas alguma vez há-de fazer falta, nem que seja para passear, e aí é que vão ser elas.

Uma pessoa sujeita-se a encontrar um agente da autoridade e a levar uma multa ou uma pessoa contenta-se em não ir a Lisboa de todo?

Infelizmente, a minha situação não é, de bué bué bué de longe (como no Shrek), a pior. Há pessoas que precisam do carro para irem trabalhar todos os dias. Há pessoas que vivem em zonas mal servidas pelos transportes públicos, fora quando nem os têm no raio de quilómetros a fio. Há pessoas a quem fica mais económico servirem-se da sua viatura pessoal do que andarem nas confusões dos autocarros, dos comboios, dos eléctricos e do Metro de Lisboa. E quem são as grandes figurinhas deste país para dizerem a essas pessoas que o seu bolidezinho de estimação não pode entrar no centro de Lisboa? Quem são eles, que ganham milhares de euros ao final do mês, para dizerem a um cidadão que ganhe o ordenado mínimo para arranjar uma alternativa ao único automóvel de que dispõe, um Volkswagen Polo de 1998 como é o da minha avó, ou para comprar um novo, mais recente por apenas dois anos? E depois, para o ano? Já passam a ser os anteriores a 2001? A 2002? A 2003?

Seja ou não por interesses desconhecidos (cof, acordos com marcas, cof), alheios a todas as desculpas de mau pagador que esta é uma medida ecológica, que pretende zelar pelo bom ar da capital, a hipocrisia vigente na alma e nas mãos desta gente que nos governa parece não ter limites. Ainda no ano passado as viaturas proibidas eram apenas as fabricadas antes de 1993 ou 1995, agora já se passou para 2000 e, para não haver dúvidas, um dia há-de chegar à obrigatoriedade de ter um carro com menos de cinco anos, dois, um. Decidam-se! Ter um carro neste país não é um luxo. Se as famílias têm capacidade para ter um, é mesmo porque não têm outra forma de se deslocar. A maioria da população não sonha com carros do ano X, da marca Y, com características Z, mas sim com um carro utilitário e que, por favor, todos os santinhos nos guardem disso, só vá avariando assim muito raramente.

É pedir demasiado querer ir trabalhar com um popó de 1994? Ou, se é para trabalhar, tem de ser em grande forma e aparato?

E pronto, é neste mundo que eu já conduzo.

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O Ricardo é que disse "podes meter estas fotos lá nos blogues!". Parece que somos jovens, bem parecidos e fotogénicos, por isso compreende-se. Experimentámos o TOMI da estação do Rato e está aprovadíssimo. Mas, também, o que é que nós não aprovamos? Juntos, divertimo-nos sempre com qualquer coisa.

É bom ter uma cara-metade (ah ah ah, lamechice, belhaaaargh)!

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