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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Os meus sítios favoritos na Tailândia #3: Bangkok Art and Culture Center (BACC)

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Tenho uma predilecção por galerias e museus bem iluminados, como é o caso do Bangkok Art and Culture Center (BACC). Não gosto daqueles com todas as entradas de luz vedadas, com tectos baixos e paredes escuras. Se não houver janelas, pelo menos que haja outras fontes de iluminação e tectos altos. Assim, gosto do BACC, por ser arejado, minimalista, arrumadinho, cheio de vida.

 

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O BACC é um centro cultural e de arte contemporânea enorme. Tem mais de sete andares (acho que oito ou nove, mas não tenho a certeza), intelrigados por escadas rolantes ou, a partir do sétimo andar, por uma rampa contínua. Há exposições permanentes, outras temporárias. Enquanto visitante, consigo perceber que o objectivo é juntar a tradição ao mais recente, entre fotografia, desenho, pintura, artesanato, escultura e tantos outros tipos de arte. Um dos motivos mais recorrentes é, obviamente, a figura do rei Rama IX, falecido em Outubro de 2016, mas ainda (provavelmente, para sempre) adorado pelo povo.

 

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Inclusivamente, uma das exposições que visitei é a das fotografias que o rei Bhumibol (o nome de Rama IX), um indivíduo versátil e com interesses artísticos variados, principalmente música e fotografia, tirou ao longo da sua vida. Curiosidades acerca desta exposição: uma secção inteiramente dedicada à sua cadela favorita, outra secção só com fotos da rainha (desde os 20 até aos 80 anos), outra com fotos dos filhos e alguns netos... O destaque dado a estas figuras na sua vida só demonstram o grande homem que, imagino, foi.

 

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Dito isto, resta-me recomendar que, caso passem por Banguecoque, possam também visitar o Bangkok Art and Culture Center (BAAC), com ligação ao sky train e com toda a luz, conforto, criatividade e ausência de hordas de gente de que todos precisamos para sermos felizes numa galeria de arte!

 

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Bateu a nostalgia de quem vai voltar a Portugal em menos de dois dias

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 (Há bocadinho, quando cá cheguei.)

 

Na literatura e no cinema, ou apenas na nossa imaginação, existe uma pergunta omnipresente: se soubesses que irias morrer amanhã, o que farias hoje?

Felizmente, não conto morrer tão depressa. No entanto, saber que me vou mudar dum país a 10 000 km de volta para Portugal, e que aqui poderei não voltar tão rapidamente, traz-me uma nostalgia indescritível. Aliás, vou tentar descrevê-la agora, mas não tenho a certeza se me farei entender tão bem quanto desejo.

 

Tenho quase completa certeza de que voltarei a Banguecoque ou à Tailândia no futuro. Quero, pelo menos, mostrar ao meu namorado onde vivi, já que a minha família nuclear cá me foi visitando. O que me causa nostalgia é saber que Banguecoque é uma cidade em mutação acelerada e o que eu conheço hoje já poderei desconhecer daqui a um ano (é verdade). Só na minha avenida, prevêem a conclusão da nova linha de sky train entre este e o próximo ano). Além disso, há sítios aos quais sei que muuuuuito dificilmente poderei regressar, como é o caso do meu estúdio (aquela unidade particular onde vivi durante onze meses e meio) ou do meu condomínio (terei muitas saudades da minha piscina e do ambiente verde e tons de terra dum lado e, do outro, as torres brancas e cinzentas).

 

Deste modo, fiquei com vontade de regressar ou visitar muitos sítios onde não tive tempo de ir, ou porque me senti forreta ou por falta de planeamento. O meu falecimento para Banguecoque e para a Tailândia como os conheço é já daqui a 36 horas e eu não completei a minha bucket list. Nem a meio cheguei. Na semana passada pensei "se morresses agora, ou no mínimo sabendo que vais regressar a Portugal, onde irias?" e fiz imensos planos, mas a vida quotidiana aconteceu e fiquei pela rama. 

 

Seja como e onde for, esta nostalgia deve-se, em grande parte, a saber que este tempo já não volta, porque eu sou agora uma pessoa que se vai apagar no momento em que o avião descolar em direcção à Europa. Não desdenho a pessoa que penso ser aqui na Tailândia, mas sei que também quero experimentar outras versões de mim. Os primeiros quase dois anos da minha vida adulta pós-estudos foram passados aqui, onde tive o meu primeiro emprego, onde vivi sozinha, experimentei muitas coisas novas (comida, pessoas "aspas aspas que é como quem diz", sentimentos, roupa, forma de pensar e estar)... Mas sei que não quero continuar a ser a mesma que sou neste lado, quero antes encontrar um equilíbrio entre o que sou agora, dia 29 de Janeiro de 2018, quem era no dia 22 de Junho de 2016 e quem me vejo sem no futuro.

 

Divago. Voltando ao que me apetece partilhar...

Enquanto escrevo, estou à beira da minha piscina, a tal piscina do condomínio onde vivo (é relativamente normal e barato para alguém da classe média tailandesa viver num condomínio com condições e infraestruturas semelhantes). Custa um pedacinho chorudo da alma sair desta espreguiçadeira onde me encontro sentada, sabendo bem que é provável que nunca mais eu venha a estar neste preciso ponto do globo. Eu sou dada a nostalgias, é um facto que tenho aprendido a aceitar, mas eu tenho quase a certeza que nunca mais vou estar neste sítio, muito menos a esta hora (vou devolver a chave amanhã à tarde), com esta vista nocturna, mas calorosamente iluminada e reflectida na água.

 

E estou a escrever-vos, presentemente no telemóvel, porque não conheço outra forma de lidar com este luto alegre de quem sabe que se está bem aqui, mas que há momentos para tudo na vida, estando eu especialmente entusiasmada por poder partilhá-los com aqueles que mais amo, em vez de o fazer em regime semi-solitário, o que - convenhamos - é bem melhor.

 

Então, pronto. Daqui a 48 horas já estarei com um pé a apontar para Lisboa e, quando assim for, esta nostalgia há-de se encontrar bem enterrada em sonhos e expectativas mais europeias e invernais.

 

(Uma certeza eu tenho: quando puser o nariz fora do avião em Lisboa, hei-de sofrer com saudades do bafo de poluição e humidade De Banguecoque... mas só momentaneamente, que uma pessoa nunca tem fôlego nesta terra!) 

 

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(Agora mesmo.) 

Para onde vamos depois de terminar o ensino secundário?

Vai fazer cinco anos que terminei o ensino secundário. Parece pouco, mas meia década já deu para muito. O mais curioso, para mim, é a diversidade de caminhos das pessoas com quem andei na escola - do meu ano e sem ser do meu ano.

 

Há muita gente que já anda em mestrados, há quem tenha repetido o secundário no ensino profissional, há quem tenha ido logo trabalhar, há quem concilie estudos e trabalho. Há quem já tenha filhos, há quem só tenha coleccionado namorados. Alguns já vão no segundo filho e/ou no 35º namorado/a.. Há quem se tenha tornado jogador de futebol, há quem se tenha casado ou tido filhos com um. Outros participaram na Casa dos Segredos, e/ou iniciaram negócios. Há quem tenha ido para a tropa ou para a marinha. Alguns emigraram ou foram estudar para fora do país ou para o outro lado de Portugal. Uns trabalham nos supermercados onde vamos todos os dias, outros trabalham em escritórios de alto gabarito ou bancos, ou são professores ou educadores, engenheiros de várias áreas, biólogos, psicólogos (vários), animadores socioculturais, antropólogos, actores, ...

 

Depois de terminar o ensino secundário, nenhum outro casal de pombinhos sobreviveu, pelo menos dos que me lembre do meu ano. A maioria das pessoas engordou. Muitas das miúdas "todas boas" do secundário estragaram-se. Há muitas que não eram "as mais boas", mas que ficaram bem giras. Os rapazes tornaram-se, por norma, melhores do que estavam (a puberdade mais tardia ajudou). Por outro lado, há quem já pareça ter quarenta anos, antes sequer de avistar os 25. E há quem continue na mesma. 

 

Antes de terminar o ensino secundário, nunca pensei no quão diferentes poderiam vir a ser os caminhos futuros de tanta gente que cresceu na mesma vila e frequentou as mesmas escolas/cafés/parques/centros comerciais durante tantos anos. Começamos todos no mesmo sítio, de forma semelhante, partilhamos a infância e/ou a adolescência, mas seguimos por vias tão criativas quanto o nosso ADN. A vida é uma coisa estranha, não é?

Os meus sítios favoritos na Tailândia #2: Koh Samet

*Recentemente, tenho partilhado aqui no blogue os meus sítios favoritos na Tailândia, de forma a que eu mesma tenha mais uma fonte para memória futura e possa também deixar online algumas recomendações a quem estiver interessado em visitar o país. Muitos dos meus sítios favoritos na Tailândia são pouco conhecidos ou menos valorizados pelos turistas, por isso nem sempre são as escolhas mais óbvias de quem procura locais interessantes para visitar.

 

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Infelizmente, não consegui visitar nem metade dos locais na Tailândia onde gostaria de ter ido enquanto cá vivi. Não fui a Phuket, nem a Krabi, nem a Chiang Mai ou Chiang Rai, não fui ao Este do país... Não visitei muitos parques naturais, nem visitei uma reserva de elefantes. Não fiz quase nada de turístico fora de Banguecoque, mas, pelo menos, visitei um dos meus sítios favoritos na Tailândia não uma, mas quatro vezes: a ilha de Koh Samet. 

 

 

Fui a Koh Samet pela primeira vez em Julho, com a minha avó*. Desde então, fiquei apaixonada. Já regressei uma vez com os meus colegas de trabalho, outra com o meu pai e outra com a minha tia. Quando um casal de amigos portugueses me visitou, não pude ir com eles porque tinha trabalho, mas não descansei enquanto não os convenci a passarem uma noite na ilha.

 

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Koh Samet é uma ilha a cerca de 200km a sudeste de Banguecoque e tornou-se um dos meus sítios favoritos na Tailândia por muitos motivos. O primeiro é ser considerado um parque natural, por isso os recursos naturais encontram-se bem conservados, não há lixo em lado nenhum, os edifícios são baixos, só vemos verde num lado e azul do outro. Os restantes estão provavelmente relacionados com a beleza desses mesmos recursos naturais, da água que é transparente, calma e morna, da areia que é fina e do nascer e pôr-do-sol inesquecíveis (excepto quando chove, disso é que eu não gosto).

 

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Não, esta foto não tem mesmo filtros nenhuns, o nascer do sol é mesmo assim, com estas cores cinza que se vão levantando a pouco e pouco, para dar lugar ao verde, azul e amarelo.

 

Devido a todas estas condições, uma pessoa fica a sentir-se relaxada, em paz com o mundo. Sempre que vou a Koh Samet, esqueço-me do bulir constante de Banguecoque, do calor húmido insuportável no meio da cidade, do smog, dos gases, das multidões. Na cidade, o sol nem queima, mas, quando saio, sinto a pele e o nariz a desbloquear. Além disso, sente-se uma corrente de fresca a toda a hora que lembra a Primavera em Portugal.

 

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A ilha de Koh Samet só é alcançável de barco, obviamente, mas há varios tipos de barco! Há barcos grandes e lentos, que mais se parecem com barcos de pesca, traineiras, e há speedboats (lanchas) de vários tamanhos (mais caros, mas rápidos). Já experimentei as duas modalidades e gosto sempre da experiência. Podemos ir do continente à ilha em estilo James Bond ou em estilo cruzeiro. Os barcos grandes podem pertencer aos hotéis (deixando-nos "à porta") ou a negócios de transporte (deixando-nos no porto principal, no Norte da ilha). Os speedboats deixam os passageiros onde for necessário.

 

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Devido aos 100km de costa, há praias em Koh Samet para todos os gostos. Mais a Norte, ficam as praias para quem gosta de festas e discotecas. Quanto mais para Sul andamos, mais silenciosas e intocadas as praias se revelam. Já estive numa das praias do Norte (Hat Sai Kaew) com os meus colegas, mas recomendo e vou sempre para a mesma praia (Ao Wong Deuan) com a minha família. 

 

Se visitarem a Tailândia, mesmo que só tenham cinco dias ou uma semana, tirem dois para visitar Koh Samet. Ficarão com a experiência de ver alguma flora do país, recursos naturais, praias paradisíacas (água morna e turquesa, ar fresco, areia clara e fina) e silêncio... para cortar uma visita hipotética a Banguecoque, com todo o buliço incluído. 

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*Há 20 anos, a minha avó foi a Cuba com a minha tia. Durante estas duas décadas, tive de ouvir "Cuba é que foi; quem me dera poder levar-te a Cuba, Beatriz!". Quando a minha avó pôs os pés na água e na areia de Koh Samet, recebi um dos melhores presentes de sempre, que cumpriu uma das minhas missões de vida: ouvi-la dizer "isto é melhor do que Cuba". 

Baby Boom [Boom, Boom, BOOOOOM!] no Instagram

Por estes dias, principalmente entre a época natalícia e o início do novo ano, anunciaram-se múltiplas gravidezes por esses perfis de Instagram fora. De repente, parece que todas as sugestões de posts apresentam uma barriga a crescer, uma ecografia, uma deixa sugestiva. É assim o amor e a esperança dum futuro cheio de bençãos e alegrias. Fico contente por se ver mais gente a partilhar energia positiva. Destacam-se também as mensagens de carinho. É bonito de se ver e ler. Também há muitos bebés a nascer ultimamente. Parece que se renova toda uma geração a nível mundial numa questão de meses!

 

No entanto, relógios biológicos mais susceptíveis devem manter-se afastados. A sério. Não se aguenta tanta ternura, queixinhos minúsculos e mãozinhas enrugadas de gordurinha, bochechinhas rosadas, cabelinhos de cetim no cimo da cabeça...

 

Lindo, lindo, mas penso que vou rebentar de fofice muito brevemente.

Experimentei ver "Voldemort: Origins of the Heir" e esta é a minha opinião

Quem já viu o filme "Voldemort: Origins of the Heir", a produção fan made mais famosa do momento? Eu já, e trago-vos a minha mais sincera opinião acerca do que poderia ter sido um produto modesto, mas melhorzinho do que foi - muito melhor!

 

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Pessoalmente, acho que a saga Harry Potter anda a ser explorada em demasia. Parece que nada do que se faça de interessante (e, muitas das vezes, desinteressante) pode subsistir sem ser comercialmente explorado até à náusea. Sou a maior fã dos livros, talvez até dos filmes, mas começo a pressentir um esforço enorme para manter popular algo que já marcou várias gerações, não sendo necessária muito mais do que a sua própria existência.

Por isso, não deixo de pensar que "Voldemort: Origins of the Heir" pode ser visto como um esforço louvável de alguns fãs para demonstrarem a sua admiração e prestarem uma homenagem à saga, ou que pode ser visto como mais um esforço para comercializar e rentabilizar um sub-produto, amador, associado ao nome Harry Potter.

 

Se estão prontos para alguns spoilers, cliquem em "ver mais" (ou não façam mais scroll, caso tenham aberto o post directamente). Senão, vejam o filme (cerca de 52 minutos) primeiro, tal como foi publicado no YouTube! 

 

 

 

 

Os meus sítios favoritos na Tailândia #1: Octave Rooftop Lounge & Bar, Banguecoque*

 *A partir de hoje, vou partilhar aqui no blogue os meus sítios favoritos na Tailândia, de forma a que eu mesma tenha mais uma fonte para memória futura e possa também deixar online algumas recomendações a quem estiver interessado em visitar o país. Muitos dos meus sítios favoritos na Tailândia são pouco conhecidos ou menos valorizados pelos turistas, por isso nem sempre são as escolhas mais óbvias de quem procura locais interessantes para visitar.

 

Estão a ver o actual cabeçalho do blogue (se estão a ler este post no futuro, refiro-me a esta foto)? É parte do Oeste do centro de Banguecoque, onde os edifícios são mais altos, onde se vê a linha de skytrain, onde o pôr-do-sol acontece por trás do cenário urbano, onde se vê o verde, o branco, todos os tons de cinzento da Big Mango e arredores. E de onde tiro as fotos que vos apresento de seguida? Dum dos meus sítios favoritos na Tailândia: o Octave Rooftop Lounge & Bar.

 

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Esta deve ser a minha vista favorita da cidade de Banguecoque. É muito mais confortável estar a vê-la de cima, como um gigante, do que de baixo, como uma entre milhões de formigas e imenso trânsito. Assim, até parece uma cidade bonita. Dum lado, os (mais ou menos) arranha-céus. Do outro, os subúrbios ainda verdes. O céu cheio de recortes de nuvens, nuns dias vermelhas e escassas, noutros indistinguíveis na massa enegrecida de chuva.

 

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O Octave Rooftop Lounge & Bar (ou apenas Octave) fica nos 45º a 49º andares do hotel Marriott, na Sukhumvit Road, soi 57 (soi significa beco em tailandês, e todas as estradas/avenidas dividem-se em becos em número infinito). Fica no centro da cidade, nesta que é uma das avenidas mais conhecidas, movimentadas e trendy, onde se concentram tanto zonas residenciais como parte dos serviços, comércio local e centros comerciais mais famosos. O Octave fica na esquina entre a soi 57 e a estrada principal.

 

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Quando vou ao Octave, peço sempre a mesma bebida: o mocktail chamado "Passion", de maracujá. Se jantarem no Octave ou antes de irem ao bar, tentem que seja algo leve, caso queiram tentar o "Passion", porque é bastante concentrado e doce - super delicioso! Há muitas outras bebidas da casa, alcoólicas e não alcoólicas, vinhos e cervejas para todos os gostos. 

 

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No 45º andar, o Octave tem um restaurante ao ar livre que serve pratos que são mais tapas e aperitivos do que refeições completas. No 48º e 49º andares, é exclusivamente um bar (nunca fui aos 46º e 47º andares, mas suspeito de que tenha um restaurante interior). Cada vez que alguém me vem visitar, tento sempre levá-los ao Octave, porque não tem demasiada gente ou barulho, não fica numa zona impossível de aguentar com trânsito, é comummente desvalorizado por não ser o rooftop mais alto da cidade (o que contribui para um menor número de turistas inconvenientes) e os empregados são duma enorme simpatia. A vista é de ficar sem fôlego, sem obstáculos que nos impeçam de aproveitar uma corrente de ar fresco e o cenário já descrito. 

 

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A certa altura, considerei o Octave não um dos meus sítios favoritos na Tailândia, mas talvez meu sítio favorito (no mínimo, em Banguecoque!). No semestre de Verão, cheguei a ir lá todas as semanas com os meus colegas. Também costumo ir sozinha quando me apetece encontrar um refúgio longe do stress que se sente em baixo, na cidade. Vou pensar, ler e escrever lá para cima, ver as pessoas, os carros e os comboios que passam. Além disso, uma vez que o Octave abre às 17h, é provavelmente o melhor sítio em Banguecoque para ver o pôr-do-sol e aproveitar a happy hour mais silenciosamente (por vezes, quase sem ninguém à volta) e com as bebidas da casa a metade do preço até às 19h. Essa é a razão pela qual todas as fotos que partilho convosco mostram um céu meio encoberto, escurecido ou vermelho.

 

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E pronto, fica aqui esta primeira recomendação de sítios interessantes na Tailândia. O Octave até pode ser uma boa ideia para quem chega a Banguecoque em vôos mais tardios e não sabe onde esgotar a energia do jet lag

 

(Espero que gostem desta nova rubrica!)

Destralhar

Aproveitando duas ocasiões muito propícias para o aumento de motivação para dar um arranjo na casa (digo, o meu estúdio de 29m2), isto é, um novo ano a estrear e a partida de Banguecoque, decidi destralhar à grande.

 

Podem achar que o facto de viver num estúdio há apenas onze meses deveria ser condição suficiente para a inexistência de tralha, mas decerto estarão a subestimar-me. Além de já ter trazido tralha nas três vezes em que fui a Portugal neste ano e meio (livros, na sua maioria) e tralha do outro condomínio onde vivi antes, também sou uma coleccionadora ávida de fotocópias para os meus alunos (teoricamente, não é? Elas acabam por ficar pelas minhas bandas), fotocópias do meu mestrado, talões, recibos, contas que nunca cheguei a organizar como deve ser, contratos de trabalho e da casa e da Internet (e, se tivesse comprado Lord Ennui, também teria os recibos dele, ah ah ah), brochuras de hotéis e monumentos onde já fui, bilhetes de avião, bilhetes de museus e do cinema... you name it! A papelada e a tralha acumulam-se em meu redor como pragas.

 

Portanto, na semana passada pus mãos à obra logo de manhã e comecei por uma caixa. Ao longo da semana, fui pegando noutra e noutra caixa para onde tenho andado a atirar papelada no último ano, recalcando a sua existência.

 

Também já investi na cozinha. Tinha algumas coisas fora da validade, outros pacotes de comida instantânea que, realisticamente, nunca irei consumir (muito má!), fiz um inventário mental do que tenho que possa servir para cozinhar antes de me ir embora, a ver se não desperdiço alimentos nem dinheiro que posso poupar.

 

Antes de regressar a Portugal, destralhar também irá passar por dar ou vender alguma mobília ou objectos utilitários, livros, presentes que, apesar de simpáticos, não vieram acrescentar nada à minha vida.

 

Destralhar deve ser feito regularmente, não como eu o faço - apenas de ano a ano ou por ocasião dum grande evento ou recomeço. Desde que comecei a destralhar e até a seleccionar roupas, livros e electrodomésticos pequenos dos quais já não me vou servir nas próximas três semanas, tenho-me sentido cada vez mais leve.

 

Ainda há um longo caminho a percorrer neste negócio mental de destralhar (deixo este, este não, por que haveria de ficar com este, e não aquele), mas não há nada que não se faça às prestações. Faz bem à alma, faz bem ao ar que se respira em casa, reduz a confusão e o ruído visual. Destralhar é uma prática da qual eu não me deveria esquecer.

5 coisas de que tenho saudades em Portugal

De facto, não há melhor lição do que esta, quando vivemos longe de Portugal: tomamos tantas coisas por garantidas, mas das quais sofremos horrores com saudades, quando nos afastamos do nosso país.

Esta é a minha lista de coisas de que tenho saudades - em Portugal - aqueles gestos, sítios, objectos, rotinas... Acho que algumas pessoas entenderão o que quero dizer!

 

1. A emoção à flor da pele
Quando estava em Portugal, achava que algumas pessoas eram um pouco hipócritas nos seus actos. Demasiadas fofinhices, demasiada simpatia, demasiado entusiasmo, mas ia-se a ver e era tudo um exagero.
No entanto, agora que estou longe, tenho saudades de abraços, beijinhos de olá e adeus, sentir empatia, sentir um certo conforto nessas palavras, mesmo quando parecem ser ditas em vão. Quem diria que eu viri a ter saudades disto?

 

  

2. A variedade de sabores
A comida tailandesa tem dois sabores: ou sabe a alho, ou sabe a chili. Na minha opinião, a portuguesa tem esses dois e mais uns três milhões. Além disso, para quem gosta de comer carne (tal como eu, apesar de não muita), viver na Tailândia, onde a carne tem sabor a nada, é uma experiência quiçá aborrecida. Valha-nos a variedade de vegetais e a comida de rua tailandesa, para equilibrar o consumo dos sabores dos dois países. Só de pensar em comida portuguesa, já estou aqui a salivar por uma carne de porco à alentejana, um cozido à portuguesa, um bitoque com batatas fritas, um bacalhau com natas, ou pastéis de bacalhau, alheira com ovo... Vocês não me tentem!

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 Num dos dois restaurantes portugueses em Banguecoque, antes de comer uma bela pratada de bacalhau com natas. *feliz*

 

3. Pão e bolos
Sim, também há pão e bolos em Banguecoque, guardem os vossos terrores. O problema é mesmo a falta de pão e bolos "como deve ser" - isto é, com uma textura consistente, com sabor a mais do que mero açúcar refinado. Sim, e o pão também é quase sempre doce e mole por estas bandas! Onde já se viu tal desplante? Já os bolos, desfazem-se em migalhas, sabem todos ao mesmo e não enchem nem um rato. Fazem-me falta pães salgados, rijos, mas fresquinhos, acabados de sair do forno, quentinhos, sem sabor a conservantes. Sinto saudades de bolos que me satisfaçam a gula. Até existem cá em Banguecoque, o problema é o 💰💰. Há uns dias, mandei vir quatro pães... por quinze euros. Haja paciência para o luxo de se ser portuguesa..!

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Nesta foto, ainda me sentia muito impressionada pelo tamanho deste bolo de noiva! Logo depois, disseram-me que nem os bolos de noiva são reais! São só papel e os noivos cortam-nos unicamente para fazer vista!

 

 

4. Saber que, se sair do local X à hora Y, chegarei ao local A à hora B
Confusos? O trânsito de Banguecoque é imprevisível, excepto algumas alturas do dia ou da semana em que já há um padrão óbvio (pelo menos, para quem cá vive há um ano e meio). De resto, basta uma formiga ser atropelada para filas e filas de carros ficarem bloqueadas num raio de dez quilómetros. O trânsito é insuportável e pouco recomendável a cardíacos, ansiosos e claustrofóbicos. É necessária uma dose divina de paciência ou a coragem de chamar um táxi-mota. Por causa de todo este stress do trânsito inesperado e sempre caótico, tenho saudades de Portugal, por pelo menos ser previsível e não ficarmos meia hora dentro do carro para percorrer 5km.

E os transportes públicos??? Senhores, que desgraça! A rede é bastante eficiente fora da hora de ponta (há comboio, skytrain, metro, autocarro, várias linhas até de barco), mas basta chover um bocadinho, ser sexta-feira à noite e as horas de ponta ficam ainda mais insuportáveis ao ponto de tudo parar - e, com isto, até deixar de haver táxis disponíveis. Ficamos eternamente à espera dum comboio que chegará "dentro de 10 minutos".

 

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Atentai nestas caras de desorientação e no mar de gente numa plataforma que, mesmo sendo extensa, fica a parecer minúscula! E até parecemos um bocadinho mais ordenados porque é preciso fazer fila para entrar no comboio.

 

5. Espaços verdes e abertos, ar livre e fresco
Esplanadas, parques, jardins, pracetas, estar à janela. Enquanto escrevo este texto, é Inverno em Banguecoque e está mais ou menos frio (20ºC muito ventosos), mas este não costuma ser o caso. De Fevereiro a Novembro, está sempre abafado, ou a chover, ou o sol é demasiado forte. Em todo o caso, o ar está demasiado poluído para se "apanhar ar fresco". Tenho imensas saudades de me sentar debaixo do sol ameno de Lisboa num final de tarde, a comer um gelado, ou ir almoçar, literalmente, fora. Tenho imensas saudades do meu quintal, com árvores de fruto, um sofá de baloiço, relva, as vozes familiares dos vizinhos ao longe, os cães e os gatos a pedirem mimo, seja Inverno ou Verão. Portugal tem sítios lindos onde ir passear, até Lisboa ou o Porto ainda têm dimensões e população razoáveis que permitem preservar a qualidade de vida. Podemos passear, passar tempo no exterior, desfrutar da Natureza... 

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 Uma foto de há uns dias, da minha rua em Portugal, quando o meu pai foi passear com a nossa cadela. 

 

Finalmente, haverá por aí alguém que também viva no estrangeiro ou que já tenha vivido? O que acrescentariam a esta lista? Tenho a certeza de que poderia ainda mencionar mais uns tópicos, por isso estejam à vontade.

Portugal, chego em menos de um mês!

O que eu não mudaria em 2017

Que ano turbulento. Costuma-se dizer que, quanto maior é a subida, maior é a queda, mas 2017 foi uma série de escadarias, e rampas, e trampolins, para cima e para baixo.

Felizmente, há muita coisa que eu não mudaria.

 

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Não mudaria ter ido viver para outro condomínio. Poupei imenso dinheiro nesta renda duma unidade mais pequena e nos subúrbios, onde consegui encontrar silêncio, risos de criança no jardim, espaço verde e de lazer com fartura. O condomínio no centro de Banguecoque era glamoroso, tinha uma vista de tirar o fôlego a qualquer um, mas as baratas e o barulho estavam a tirar-me do sério. Além disso, era demasiado grande para uma pessoa só.

 

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Não mudaria o quanto trabalhei este ano - tanto enquanto professora, como também enquanto estudante. Custou, mas teve frutos, deu-me experiência, fiquei com calo, testei-me, recebi palavras de reconhecimento e respeito dos meus alunos, dos meus colegas, da minha chefe, fiquei com uma média quase perfeita no mestrado (apesar de incompleto). Os meus alunos escreveram-me mensagens de carinho, ajudaram-me a melhorar, pediram-me para ficar nas minhas turmas até ao momento em que lhes disse que este foi o meu último semestre. Os meus colegas cumprimentam-me efusivamente nos corredores, raramente sinto más energias na minha direcção, fiz amigos (mais ou menos, vá). A minha chefe reconhece o que faço, incluiu-me até num projecto de extrema importância desde 2016 e que culminará em 2018, quando poderia ter pedido a outra pessoa qualquer com mais experiência para a ajudar. Tudo isto é gratificante.

 

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Não mudaria o que trabalhei em quantidade e intensidade, tendo em vista ganhar mais do que o meu salário base. Consegui rendimentos decentes no final de cada mês, que me permitiram proporcionar férias inesquecíveis à minha família, cada vez que me visitaram, principalmente a minha avó, que esteve cá quase dois meses - as primeiras férias em dezoito anos, desde que eu fui lá para casa para ela me criar! Também pude dar-me a pequenos luxos, como adoptar um gato e comer em bons restaurantes.

 

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Não mudaria nada do que tentei dar à minha família. Ao ajudá-los a ter estas experiências, senti que consegui arranjar uma bela desculpa para os arrancar do ciclo de muitos anos negativos e cheios de sacrifício. Sei que estas visitas à Tailândia, mesmo quando curtas, tiveram resultados muito positivos e lhes trouxeram uma forma renovada de ver a vida. Além disso, o orgulho que sentem por mim irradiou ainda mais quando me visitaram.

 

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Não mudaria o quanto protegi o meu namoro de energias negativas, o quão firmes fomos os dois com esta dinâmica de relação a longa distância, o facto de termos feito tudo encaixar e funcionar até este momento, depois de oito meses sem nos vermos e mais dum ano sem realmente convivermos no mesmo espaço sem interferências do jet lag ou agendas familiares apertadas. Não mudaria o facto de ter investido nesta relação como sendo a única aposta viável para uma vida feliz e como a imagino, e de ter insistido que teria de ser mesmo assim.

 

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Em suma, não mudaria o esforço que investi em continuar a ser optimista. Ser feliz nem sempre é fácil e facilmente nos esquecemos de como estar satisfeitos com o que temos. Estou feliz por ter tido a oportunidade de viver no estrangeiro, estou feliz por me ter desenrascado como pude e quase sempre com sentido de humor e uma certa alegria! Esforcei-me muito para acabar este ano com saldo positivo, estou mesmo feliz por estar a acabar, para que novos desafios possam aparecer.

 

Fica um agradecimento eterno no ar a todos os meus amigos, família, namorado, professores, conhecidos e toda, toda a gente que me trouxe sorrisos e com quem partilhei neuras nestes doze meses.

 

Sob sugestão duma ideia da Cláudia (já não me lembro em que post), penso que a minha palavra para 2017 tenha sido "trabalho", sem me ter apercebido. Para 2018, que palavra escolherei?