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Há alguma receita para o amor?

por BeatrizCM, em 25.09.17

Reposta curta:

Não, não há nenhuma receita para o amor.

Resposta longa: Há apenas possíveis ingredientes. Eu nunca fui boa cozinheira, por isso faço sempre misturas estranhas. Vai por tentativa e erro. Mais um ingrediente aqui, menos um ingrediente ali. Da próxima sai melhor. Se não é desta, será doutra.

Não há receitas para o amor, mas há cozinheiros que, ao trabalharem em equipa, conseguem criar pratos equilibrados a partir do desequilíbrio de sabores.

Eu sei que tive a sorte de conhecer o melhor chef do mundo há muitos anos. Há poucas aventuras que eu queira ter sem ele. Passo a vida a pensar "o Ricardo havia de gostar deste sítio, quem me dera que o Ricardo visse isto, o que é que o Ricardo diria daquilo?, o Ricardo ia adorar estar aqui". Mesmo quando vivia em Portugal, mesmo quando vivíamos a três quilómetros um do outro e nos víamos quase todos os dias antes e depois das aulas e do trabalho, eu já sabia que, como ele, há poucos.

O amor não tem receita, mas as relações humanas têm, todas elas. Quando começámos a namorar, quando ainda estava tudo muito fresco e eu contei ao meu pai que só namorávamos, oficialmente, há duas semanas, ele disse que o mais importante devia ser sempre o respeito mútuo. Foi o único conselho que recebi, mas devo dizer que há muito mais por trás desta única palavra.

O respeito não existe facilmente, é preciso muito mais. Tenho aprendido, a cada dia que passa, que, para haver respeito, tem de haver uma certa admiração pelo outro. Pelo que ele é capaz de fazer, pelas ambições, pelos feitos, pelo feitio, pela disposição, pela maneira como encara a vida. Só assim é que consigo respeitar alguém e só assim sou capaz de respeitar o Ricardo, não necessariamente apenas enquanto meu namorado, mas enquanto amigo, filho de alguém, irmão de alguém, futuro pai, cidadão deste mundo, profissional e membro desta e doutra comunidade ou equipa.

E, além do respeito, sempre achei necessário haver um compromisso. Falar de bebés e contas bancárias aos 17 e aos 19 anos pode parecer despropositado, mas funcionou, porque eram e são esses os nossos planos e ideias para o futuro. Partilhar expectativas em relação ao que se espera duma família e do seu funcionamento faz parte duma relação que não se deseja ser um desperdício de tempo. Quando se assume um compromisso, seja aos 15 ou aos 85 anos, tem de haver um contrato explícito. Aos 22 e 24 anos, falamos dos mesmos assuntos, uma e outra vez, à procura de consenso permanente, para verificar se continuamos na mesma página. Continuamos, mais do que nunca. Lemos livros diferentes, mas viramos as páginas em simultâneo. 

Provavelmente, tudo o que idealizamos ainda há de levar mais meia década a concretizar-se. Chegaremos sem grande esforço a perto de dez anos de negociações, preparações, projectos, ideias. Talvez por virmos de famílias e pais que teriam precisado bastante de viver este processo demorado antes de nos terem, somos uns gatos escaldados.

Receita para o amor não há, mas há comunicação e abertura numa parceria como qualquer outra. Precisamos de melhorar isto, aquilo não pode ser mudado, aqueloutro está bom. 

 

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E agora vocês, quais são os ingredientes da vossa história de amor e parceria? ♥ 

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Tenho saudades de casa

por BeatrizCM, em 19.09.17

Nos últimos dias, talvez semanas, tenho batido no fundo do poço, uma e outra vez, constantemente a subir um pouco e a cair, a subir e a cair, e cada queda parece sempre pior do que a anterior. Tenho saudades de casa, onde não chego nem perto desde Abril. Fez ontem cinco meses que regressei à Tailândia depois da Páscoa/ano novo tailandês e não há palavras que consigam descrever a sensação de não se estar no sítio onde deixámos o coração e de se ter quase a certeza de que não é suposto estarmos onde estamos.

Viver na Tailândia tem sido uma experiência e tanto. Tenho aprendido e vivido o que pensei não chegar a fazer parte da minha experiência de vida. Sou uma sortuda, foi-me entregue de bandeja o emprego que eu só esperava quase aos 30. O meu salário não é ideal para quem vive a praticamente 1000€ de distância do seu país e faz questão de lá ir duas vezes por ano e de "importar" os seus nos entretantos, mas é um salário bem superior ao que eu alguma vez esperaria ganhar em Portugal saída de fresco duma licenciatura (mesmo em euros, o meu salário médio - aulas base, aulas extra, tutorias privadas - ronda quatro dígitos muito confortáveis). Vivo sozinha, sou responsável pelas minhas contas, adoptei um gato, vivo numa cidade que eu nem sabia localizar no mapa, vou a sítios que ficam bem nas fotos do Instagram, de vez em quando posso esbanjar em roupa a condizer com a paisagem, não ando a contar trocos, blá blá blá.

 

Há três semanas que não tenho um dia inteiro para mim. De manhã, quando acordo, até â noite, quando adormeço. Tenho algumas manhãs e tardes livres, mas sempre com a sombra dos trabalhos do mestrado e das aulas para preparar a seguir-me para onde quer que vá (tentar) distrair-me. Quando acabo uma tarefa qualquer, já tenho outras na fila.

 

Não vejo o meu namorado em carne e osso desde que o deixei nas partidas do aeroporto de Lisboa e só o volto a ver em Dezembro ou Janeiro, daqui a 3 ou 4 meses. Entretanto, aturo perguntas que, apesar de inocentes, doem pela insistência e incredulidade: "mas o teu namorado não vem ter contigo? só o vais ver em X data?". Há poucas pessoas que percebam o sacrifício de trabalhar e estudar ao mesmo tempo (o meu caso e o dele) e de nem sequer compensar viajar meio mundo por dois dias para se lá estarem outros dois, não nos esquecendo do sempre terrível preço do bilhete.

 

Muitas vezes ao dia, muitas mais do que eu gostaria que acontecesse, desejo a calma de espírito daqueles que, mesmo vivendo em terras remotas, seja por opção ou porque teve de ser, não se importam de ir a casa a cada dois anos, estão confortáveis seja onde for, tomam banho em filosofias de carpe diem e são felizes sem um lar, ou que versatilmente constroem muitos lares. Que fantástico seria não andar a dançar em nós na garganta e a aperceber-me cada vez mais que sorrio mais por ansiedade e reflexo do que porque de facto me apetece! Mas não, ainda bem que estas emoções negativas existem, por serem a prova de outras bem positivas: amor, pertença, lealdade, aconchego.

 

Felizmente, eu sei que continuo aqui a prazo. O mundo é tão grande, há tanto a explorar, e agora é mais do que hora de voltar a lançar os dados e apostar em novos números. No meio do processo, aprendi a valorizar e a desvalorizar certas experiências e ambições. Umas eram tidas em alta consideração, mas foram repensadas. Outras nunca me teriam passado pela cabeça se eu cá não estivesse.

 

Uma coisa é certa: não é possível ser-se feliz para sempre com os pés num sítio e com o coração acolá. Sair do país deu-me a mim e às pessoas que me rodeavam diariamente uma nova perspectiva sobre a realidade. Acho que estamos todos diferentes. Há laços que se estreitaram, outros que sumiram para debaixo do tapete. Contudo, não me arrependo, até porque isso não serve de nada.

 

As melodias que o meu humor tocaria (e escreveria, em grande parte) neste momento:

 

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The Unbearable Lightness of Being (PT: A Insustentável Leveza do Ser), Milan Kundera

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Dos pedidos de casamento

por BeatrizCM, em 08.05.16

Quando era mais nova, sempre sonhei em viver momentos de filme, cheios de lamechice, obviamente fruto dos filmes de Hollywood e da Disney: rapaz conhece rapariga, apaixonam-se, ele pede-a em casamento assim de surpresa num local mega especial (ou numa ocasião engraçada), casam-se, têm filhos e vivem felizes para sempre (ou até se divorciarem ou se fartarem um do outro, uma alternativa que sempre tive no meu imaginário, infelizmente).


Pois bem, intrigava-me principalmente a parte do pedido de casamento e a sua simbologia. O homem é que pede: check. Anel de diamantes: check. Mulher admiradíssima aceita: check. Salva de palmas de quem ouve o pedido e respectiva resposta: check. Sinceramente, nunca sequer questionei o facto de ser o homem a pedir a mulher em casamento. Parece que eu vivia num conto de fadas, onde as mulheres trabalham, sim senhor, onde estudam e ganham o seu salário, mas onde esperam que o seu príncipe encantado lhes venha perguntar se lhes dão a sua mãozinha e o pezinho (Cinderela style) em matrimónio.

 

E depois descobri que, na vida real, nem sempre esses pedidos fazem sentido, a menos que estejamos num reality show ou nos EUA. Porque, na vida real, perguntei logo ao meu primeiro arranjinho, nas primeiras semanas, se aquilo era para casar ou não (missão suicida, portanto), o moço disse um sim muito vago e eu, apesar de ligeiramente fascinada por obter feedback, por muito a despachar que fosse, também senti que aquilo não devia dar o pano para mangas como eu queria.

 

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Sobre o que é que gostarias de escrever?

por BeatrizCM, em 28.06.15

Ontem, reencontrei alguns antigos colegas, numa surpresa que se preparou à professora que nos acompanhou como directora de turma do 5º ao 9º ano, no colégio (beijinhos, professora Antónia, seguidora silenciosa deste blogue!).

Não via a maior parte deste grupo há imenso tempo, talvez anos. Só nos vamos "seguindo" de vez em quando pelas redes sociais e penso que não estávamos juntos desde o baile de finalistas do 9º ano... até ontem. Pensei que ia ser estranho reencontrar estes colegas 5 anos depois, mas foi uma óptima surpresa. Talvez tenhamos mudado imenso, talvez tenha sido eu a mudar, mas, pelos vistos, os grandes hobbies de cada um parecem não ter sofrido alterações significativas. No meu caso, ainda sou recordada pelos meus antigos colegas, que conheço desde os 5 ou 6 anos, como uma miúda que escreve imenso. Obviamente, continuar a escrever um (vá, dois em um) blogue também ajuda a manter uma certa expectativa, digo eu.

O que me leva ao assunto principal da presente publicação: um destes colegas perguntou-me sobre o que é que eu gostaria de escrever. E a minha resposta foi qualquer coisa como "não sei". Contudo, foi uma pergunta que me fez começar a reflectir.

Eu sei que gostaria de vir a escrever qualquer coisa de significativo, que fizesse a diferença e que não fosse apenas mais um mono na estante de alguém, mas, para que isso aconteça, sinto que preciso de crescer mais um tanto e que preciso de perceber mais sobre determinados assuntos que me interessam particularmente e que poderiam servir de suporte para um possível livro que eu venha a escrever. Um romance, um livro teórico ou mesmo um conto necessitam de tempo para amadurecer (primeiro, na cabeça; depois, no papel) e de disponibilidade mental que não lhes consigo conceder neste momento. Provavelmente, tanto hei-de esperar pelo momento certo, que ainda me apanharei a certo ponto a dar a desculpa de ser "tarde de mais". Como é óbvio, dificilmente chegarei aos calcanhares dos autores, portugueses ou estrangeiros, que admiro; não considero que seja possível viver amarrada para sempre nessa sombra e, deste modo, resta-me acreditar que, um dia destes, ainda me há-de sair qualquer história da cabeça que valha a pena ser lida.

Há coisas que temos de fazer e ponto final e, para mim, uma dessas coisas é escrever. Sobre o quê, ainda não estou certa. Enquanto as personagens que imagino (que existem, disso tenho a certeza) se encontram em negociações entre si e tentam descobrir o que as move, vou-me contentando em escrever sobre a única personagem que conheço melhor, que sou eu. Se nem eu sei ainda o que ando para aqui a fazer neste mundo, se nem eu sei para que é que estou reservada, como raio poderia eu saber o que as personagens que desejo criar serão capazes de concretizar no papel?

Não chega saber como se escreve um livro, nem como se estruturam os capítulos, os parágrafos e as frases. Eu também pretendo descobrir como contar a história de personagens especiais e específicas sem aborrecer/ofender/criticar/expor ninguém e sem ser mal entendida. Sou uma perfeccionista e reconheço que já escrevi umas tantas páginas de outros "exercícios de escrita" que são bons (caso contrário, nunca teria ganho nenhum prémio nem as pessoas me teriam dito que não sou nada má a escrever). Só que, no que toca à possibilidade de publicação oficial de uma obra substancial, sou muito reticente e pouco confiante quanto às minhas capacidades de criação literária.

 

 

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