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Tenho uma foto profissional

por BeatrizCM, em 04.08.17

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Ontem, entrei na sala de conferências. Ia ter uma reunião geral com todos os professores e restantes profissionais da faculdade, acerca do que se tem feito e irá ser feito neste semestre que começa na segunda-feira. Entrei. Fui apanhada de surpresa, como todas as restantes pessoas: suit up, vamos lá tirar uma foto para o site da faculdade, toca a vestir o casaco dum fato dois tamanhos acima do meu, com o logótipo da universidade, ... ainda bem que tinha lavado o cabelo de manhã, usado o secador XPTO que comprei há duas semanas, vestido uma blusa branca, escolhido os melhores brincos, guardado um batom na mala, maquilhado o visage, estreado as lentes de contacto verdes, desinchado a bochecha dos dentes do siso arrancados.

 

Fiquei gira, mas respeitável. E, espero eu, sem parecer mais nova do que os meus alunos. 'Tá qualidade LinkedIn, não 'tá? 

 

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Ser feliz longe de Portugal

por BeatrizCM, em 05.07.17

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Para mim, ainda é difícil ser totalmente feliz longe de Portugal. Há muitos momentos em que me pergunto o que ando a fazer tão longe. Será mesmo necessário para a minha experiência de vida? Será que essa experiência fará diferença na minha felicidade a longo prazo? E trabalhar e obter um diploma do estrangeiro fará diferença para encontrar um bom emprego em Portugal no futuro? É possível ser feliz longe da família e dos amigos? Por que parece tão difícil estabelecer novas relações? O que é que me poderá fazer feliz, da maneira como eu era no meu país?

 

Para mim, ser feliz longe de Portugal passa, em grande parte, por ignorar que estou longe de Portugal. Encontrar semelhanças entre a Tailândia e Portugal, Bangkok e Lisboa, ou os arredores de Bangkok e os arredores de Lisboa, onde cresci. Passa por olhar para os tailandeses, conviver com eles, trabalhar com eles, e procurar semelhanças em relação aos portugueses.

 

Ainda assim, por outro lado, ser feliz noutro sítio qualquer que não o nosso lar ou, pelo menos, um lugar que nos seja familiar, é aceitar as diferenças que nos saltam aos olhos e torná-las um hábito ou mesmo um prazer.

Há muitos prédios altos? Já vivi num e a vista é lindíssima lá de cima. Agora, é usufruir dos rooftops

O trânsito é uma loucura? Os táxis são baratos, posso apanhar um táxi-mota e a rede ferroviária é densa, para compensar. 

A comida tradicional é picante? Também é muito barata e assim até passo a vida em aventuras gastronómicas, o que é sempre entusiasmante. Senão, é tirar um tempinho para cozinhar em casa.

Há poucos espaços verdes? Mas pelo menos existem, e se existem devo tentar lá ir o máximo possível. Ainda por cima, a renda é tão barata que posso viver num condomínio com um jardim extenso.

O tailandês é uma língua difícil de atingir, quanto mais de dominar? Vejamos as adversidades como um desafio. Farei sempre um esforço para aprender.

 

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Ser feliz longe de Portugal é um desafio constante, porque o que eu sinto (e só posso mesmo falar por mim) é que a felicidade não aparece por via natural. Antes tem de ser activamente procurada do que simplesmente esperada. Se ficar fechada em casa a lamentar-me, nada me acontece, nada me estimula. A vida não pode ser só trabalho.

Contudo, o meu caso é muito específico. Eu não fui obrigada a sair de Portugal e só saí porque já tinha um plano a seguir. Nem consigo imaginar o que será sair de Portugal sem trabalho em vista, sem quem dê uma ajuda, sem conhecer ninguém. Nem imagino a dor dos emigrantes que vão sem data de regresso, contra a sua vontade, com uma família para criar em Portugal, ou que arrastam famílias inteiras consigo para território desconhecido. Aqueles que nunca tiveram, sequer, a intenção ou o sonho de sair. Como será a procura pela felicidade destas pessoas?

 

Portugal é um país de gente que sai e vai por esse mundo fora à procura de qualquer coisa que lhes falta. A mim, fazia-me falta ver mais mundo e trabalhar e estudar no estrangeiro. Fazia-me falta viver sozinha e ter o meu espaço. Proporcionou-se tudo isso… desta forma, para o bem e para o mal.

Não me arrependo, mas não deixo de pensar como seria a minha vida em 2017 se, em 2016, não tivesse feito as escolhas que fiz. Acho que é por aí que também passa a felicidade longe de Portugal, para mim, que sou nova, tenho uma vida pela frente. É relativamente fácil não me arrepender, mesmo contando com momentos baixos, baixos, baixos.

 

Assim, a pergunta que deixo é: quão simples será ser feliz longe de Portugal para velhos, menos velhos e mais novos? Para quem teve de ir e para quem assim o escolheu? A julgar pela extensão das comunidades lusas por “aqui e além-mar”, talvez se prove que, de facto, somos uns seres muito adaptáveis e capazes de encontrar a felicidade, talvez nas próprias (novas) comunidades que se formam.

Na Tailândia, devemos ser cerca de duzentos – duzentos membros, contam os grupos de Facebook. Um pouco mais ou um pouco menos, mas em Bangkok todos nos conhecemos. Mais próximos ou mais distantes uns dos outros, não deixamos de formar uma comunidade.

 

Se tiverem de emigrar de Portugal, não se isolem do mundo. Recorram às comunidades portuguesas que vivem por perto, não se isolem. Ser feliz longe de Portugal é levar o nosso país no coração, a nossa língua no ouvido e fazer amigos onde quer que estejamos, portugueses, tailandeses, binacionais, trinacionais, gente de todo o mundo. Contra mim falo, que sou um bicho do mato, mas ser professora tem disto, tão bom: estou quase sempre acompanhada. Ainda bem! Mas, para aqueles que não têm a mesma oportunidade de socialização continuada no trabalho: não sucumbam à facilidade de nos habituarmos a seguir a rotina casa-trabalho-casa. 

 

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(Por outro lado, penso que não devemos descurar os nossos antigos hábitos, sejam eles hobbies, partes da antiga rotina, contacto com os amigos do outro lado... Devemos continuar a ser quem éramos antes, apenas num sítio distinto.)

 

Olhem à vossa volta, apreciem a paisagem. Apreciem o sítio onde têm de viver. Olhem para tudo de vista lavada, para as pessoas e para a comida e para o verde e para os prédios e até para o chão!

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Sejam felizes, ou tentem!

 

(Para mais ideias aleatórias sobre viver em Portugal vs viver na Tailândia, aqui ficam alguns apontamentos.)

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A viver há um ano na Tailândia

por BeatrizCM, em 22.06.17

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Viver na Tailândia é uma aventura. Sei que o deve ser para quem vive longe dos centros urbanos ou turísticos, ou povoados de farangs (estrangeiros) e viver em Bangkok também é uma aventura, porque esta é a capital, vivem milhões de pessoas em apenas 600km2, é uma cidade de contrastes, gente muito rica e gente muito pobre, gente de todo o mundo enfiada em condomínios fechados, apartamentos decrépitos, complexos de moradias, casas de madeira ou alumínio à beira dos canais ou torres de quarenta andares - todos a conviverem no mesmo espaço.
Se é um caos?
É.
Mas é um caos a que nos habituamos e que acaba por nos dar a experiência das nossas vidas.

Não existe um único português a viver em Bangkok (que eu conheça) que não goste de cá estar, mesmo que todos tenhamos saudades de Portugal. Temos saudades de Portugal, mas na Tailândia é quase sempre possível levar uma vida muito mais descontraída, mesmo dentro duma selva de cimento e filas de trânsito infinitas.

Pessoalmente, adoro a comida de rua. Ou comida, em geral, barata e fácil de encontrar em qualquer lado. A chave para a minha felicidade é intercalar os meus cozinhados sofridos com a comida tradicional tailandesa. Esta última é rica em vegetais e, à parte os fritos, livre de gordura. Há muito açúcar pelo meio, mas a quantidade e variedade de fruta a que temos acesso servem para equilibrar a nossa alimentação.

As rendas, tal como o preço dos imóveis, é muito mais baixo do que em Portugal. Pago o equivalente a 200€ por um estúdio com kitchenette, num condomínio com piscina, ginásio, sala comum, guardas em peso e estacionamento. Caso quisesse comprar um destes estúdios no meu condomínio (construído em 2013), pagaria cerca de 50 mil euros.

Não me canso de dizer que os tailandeses são uns amores, boas pessoas e com integridade. Muitos dos crimes cometidos na "land of smiles" têm autoria estrangeira. Sinto-me segura a andar na rua à noite. Os tailandeses até podem corresponder aos estereótipos de "mal ou sub-escolarizados, materialistas, vaidosos, taxistas exploradores de turistas", mas raramente ouvirão falar dum tailandês que não tente comunicar convosco num Inglês desafiante, amanhado no momento, e principalmente cheio de boa vontade. Adoram falar com estrangeiros, dar indicações e, se trabalharmos com eles, pagar-nos o almoço.

Viver na Tailândia é um desafio, mas um que vale a pena aceitar. Viver em Bangkok é recorrer ao Google Maps, levar sempre um mapa dos transportes públicos connosco, descobrir onde nos levam os autocarros (com ou sem ventoinha, com ou sem ar condicionado, quase todos dos anos 70/80), fazendo sightseeing autónomo, é aceitar que Bangkok é uma cidade de turismo de compras e que não há assim tanto para visitar. É aceitar que há muita gente e que quem é dado a claustrofobia deveria viver nos subúrbios (eu).

Viver em Bangkok é como viver debaixo da chuva inglesa, misturada com temperaturas lisboetas em Julho, a humidade da Amazónia... Viver em Bangkok é viver em vários sítios ao mesmo tempo!

Por tudo isto e mais uns tostões, há piores sítios para se emigrar...

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Apresento-vos Lord Ennui, gato fora da lei cá no condomínio!

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Estão a pensar em mudar-se ou visitar outro sítio na ponta oposta do mundo? Viver na Tailândia ou viver em Portugal são experiências nada parecidas!

Como já se devem ter apercebido no decorrer dos últimos anos neste blogue, eu sou da Margem Sul e estudei e trabalhei em Lisboa até meados do ano passado. Depois, em Junho, mudei-me para outra capital, beeeeem longe: Bangkok, Tailândia. Era suposto ser uma mudança temporária, por três meses, mas acabei por decidir ficar cerca de três anos, em princípio até ao início ou meados de 2019.
Assim sendo, tenho reunido algumas ideias acerca do que significa viver em Portugal ou viver na Tailândia. Há tantas diferenças! Afinal, estou a mais de 10 000km de distância.
Aqui vai disto, Evaristo!

1. Calor, humidade, chuva
Não há cá ar fresco para ninguém. O ar não circula, pelo menos em Bangkok. Não há vento, só há um enorme calor, humidade e chuva a rodos 10-11 meses por ano. Eu detesto o frio, ou costumava detestá-lo, mas com frio ainda se respira qualquer coisinha, com calor e humidade ficamos afogueados e cansados antes de tempo, sem fôlego. Só se está bem debaixo do ar condicionado.

2. Esplanadas VS Street food
Em continuação do ponto 1. Na Tailândia come-se muitas vezes na rua, por causa da cultura da street food, mas é impossível ficar-se confortável por muito tempo. O calor e a humidade são insuportáveis 11 meses por ano, lá está. Ficamos peganhentos. Tenho saudades das esplanadas de Portugal, de apanhar ar fresco e sol. De ficar a ler ou a conversar com amigos e a beber uma bica com cenários agradáveis na paisagem. Sem trânsito pela frente. Sem ar condicionado ou temperatura artificial. Sem paredes. Ai, que saudades da cultura da esplanada!

3. Bangkok tem 10 milhões de habitantes, sem planeamento urbano
Nas aulas de História e Geografia em Portugal, estamos sempre a falar da evolução das cidades. Antes, não havia planeamento, a construção de ruas era desorganizada. Na época medieval, a igreja ficaria no centro e tudo o resto organizar-se-ia em modelo concêntrico, numa espécie de estrela. Mais tarde, pensadores como o Marquês de Pombal acharam que se deveria pôr as ruas em linhas paralelas e perpendiculares. Bangkok é uma cidade tecnológica, inovadora, ligada ao mundo... Mas ainda ninguém ensinou aos tailandeses o que são rotundas ou planeamento urbano, ainda estamos na primeira fase aqui na Ásia. É o típico "tudo ao molho e fé em..." - neste caso, fé em Buda.

4. As mulheres funcionárias públicas não costumam usar calças
No que toca ao dress code, a Tailândia ainda é um país conservador. Quanto à roupa para homem, tudo é bastante semelhante a Portugal. Já as mulheres arranjam-se "muito finas" para irem trabalhar: vestidos e saias em maioria, calças são evitadas, ombros à mostra nem pensar, quanto mais decotes. No entanto, atenção: os homens também se arranjam bem. Não há ténis nem calças de ganga para ninguém!

5. Ler no espaço público é em Portugal
Apanhem um qualquer comboio ou metro em Portugal e verão no mínimo 30% das pessoas à vossa volta com um livro na mão (mesmo que sejam as 50 sombras). Na Tailândia, a tendência parece ser mais o telemóvel ou o primo tablet. Na verdade, ler nos transportes públicos é algo muito português (segundo as minhas aulas de Gestão Cultural em 2015). Pelas Ásias, também se lê, mas em casa, não no café ou na fila do autocarro.

Para mais comentários, dêem uma olhadela no vídeo que vos apresento aí em cima!

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