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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Os meus sítios favoritos na Tailândia #3: Bangkok Art and Culture Center (BACC)

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Tenho uma predilecção por galerias e museus bem iluminados, como é o caso do Bangkok Art and Culture Center (BACC). Não gosto daqueles com todas as entradas de luz vedadas, com tectos baixos e paredes escuras. Se não houver janelas, pelo menos que haja outras fontes de iluminação e tectos altos. Assim, gosto do BACC, por ser arejado, minimalista, arrumadinho, cheio de vida.

 

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O BACC é um centro cultural e de arte contemporânea enorme. Tem mais de sete andares (acho que oito ou nove, mas não tenho a certeza), intelrigados por escadas rolantes ou, a partir do sétimo andar, por uma rampa contínua. Há exposições permanentes, outras temporárias. Enquanto visitante, consigo perceber que o objectivo é juntar a tradição ao mais recente, entre fotografia, desenho, pintura, artesanato, escultura e tantos outros tipos de arte. Um dos motivos mais recorrentes é, obviamente, a figura do rei Rama IX, falecido em Outubro de 2016, mas ainda (provavelmente, para sempre) adorado pelo povo.

 

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Inclusivamente, uma das exposições que visitei é a das fotografias que o rei Bhumibol (o nome de Rama IX), um indivíduo versátil e com interesses artísticos variados, principalmente música e fotografia, tirou ao longo da sua vida. Curiosidades acerca desta exposição: uma secção inteiramente dedicada à sua cadela favorita, outra secção só com fotos da rainha (desde os 20 até aos 80 anos), outra com fotos dos filhos e alguns netos... O destaque dado a estas figuras na sua vida só demonstram o grande homem que, imagino, foi.

 

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Dito isto, resta-me recomendar que, caso passem por Banguecoque, possam também visitar o Bangkok Art and Culture Center (BAAC), com ligação ao sky train e com toda a luz, conforto, criatividade e ausência de hordas de gente de que todos precisamos para sermos felizes numa galeria de arte!

 

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Bateu a nostalgia de quem vai voltar a Portugal em menos de dois dias

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 (Há bocadinho, quando cá cheguei.)

 

Na literatura e no cinema, ou apenas na nossa imaginação, existe uma pergunta omnipresente: se soubesses que irias morrer amanhã, o que farias hoje?

Felizmente, não conto morrer tão depressa. No entanto, saber que me vou mudar dum país a 10 000 km de volta para Portugal, e que aqui poderei não voltar tão rapidamente, traz-me uma nostalgia indescritível. Aliás, vou tentar descrevê-la agora, mas não tenho a certeza se me farei entender tão bem quanto desejo.

 

Tenho quase completa certeza de que voltarei a Banguecoque ou à Tailândia no futuro. Quero, pelo menos, mostrar ao meu namorado onde vivi, já que a minha família nuclear cá me foi visitando. O que me causa nostalgia é saber que Banguecoque é uma cidade em mutação acelerada e o que eu conheço hoje já poderei desconhecer daqui a um ano (é verdade). Só na minha avenida, prevêem a conclusão da nova linha de sky train entre este e o próximo ano). Além disso, há sítios aos quais sei que muuuuuito dificilmente poderei regressar, como é o caso do meu estúdio (aquela unidade particular onde vivi durante onze meses e meio) ou do meu condomínio (terei muitas saudades da minha piscina e do ambiente verde e tons de terra dum lado e, do outro, as torres brancas e cinzentas).

 

Deste modo, fiquei com vontade de regressar ou visitar muitos sítios onde não tive tempo de ir, ou porque me senti forreta ou por falta de planeamento. O meu falecimento para Banguecoque e para a Tailândia como os conheço é já daqui a 36 horas e eu não completei a minha bucket list. Nem a meio cheguei. Na semana passada pensei "se morresses agora, ou no mínimo sabendo que vais regressar a Portugal, onde irias?" e fiz imensos planos, mas a vida quotidiana aconteceu e fiquei pela rama. 

 

Seja como e onde for, esta nostalgia deve-se, em grande parte, a saber que este tempo já não volta, porque eu sou agora uma pessoa que se vai apagar no momento em que o avião descolar em direcção à Europa. Não desdenho a pessoa que penso ser aqui na Tailândia, mas sei que também quero experimentar outras versões de mim. Os primeiros quase dois anos da minha vida adulta pós-estudos foram passados aqui, onde tive o meu primeiro emprego, onde vivi sozinha, experimentei muitas coisas novas (comida, pessoas "aspas aspas que é como quem diz", sentimentos, roupa, forma de pensar e estar)... Mas sei que não quero continuar a ser a mesma que sou neste lado, quero antes encontrar um equilíbrio entre o que sou agora, dia 29 de Janeiro de 2018, quem era no dia 22 de Junho de 2016 e quem me vejo sem no futuro.

 

Divago. Voltando ao que me apetece partilhar...

Enquanto escrevo, estou à beira da minha piscina, a tal piscina do condomínio onde vivo (é relativamente normal e barato para alguém da classe média tailandesa viver num condomínio com condições e infraestruturas semelhantes). Custa um pedacinho chorudo da alma sair desta espreguiçadeira onde me encontro sentada, sabendo bem que é provável que nunca mais eu venha a estar neste preciso ponto do globo. Eu sou dada a nostalgias, é um facto que tenho aprendido a aceitar, mas eu tenho quase a certeza que nunca mais vou estar neste sítio, muito menos a esta hora (vou devolver a chave amanhã à tarde), com esta vista nocturna, mas calorosamente iluminada e reflectida na água.

 

E estou a escrever-vos, presentemente no telemóvel, porque não conheço outra forma de lidar com este luto alegre de quem sabe que se está bem aqui, mas que há momentos para tudo na vida, estando eu especialmente entusiasmada por poder partilhá-los com aqueles que mais amo, em vez de o fazer em regime semi-solitário, o que - convenhamos - é bem melhor.

 

Então, pronto. Daqui a 48 horas já estarei com um pé a apontar para Lisboa e, quando assim for, esta nostalgia há-de se encontrar bem enterrada em sonhos e expectativas mais europeias e invernais.

 

(Uma certeza eu tenho: quando puser o nariz fora do avião em Lisboa, hei-de sofrer com saudades do bafo de poluição e humidade De Banguecoque... mas só momentaneamente, que uma pessoa nunca tem fôlego nesta terra!) 

 

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(Agora mesmo.) 

Os meus sítios favoritos na Tailândia #2: Koh Samet

*Recentemente, tenho partilhado aqui no blogue os meus sítios favoritos na Tailândia, de forma a que eu mesma tenha mais uma fonte para memória futura e possa também deixar online algumas recomendações a quem estiver interessado em visitar o país. Muitos dos meus sítios favoritos na Tailândia são pouco conhecidos ou menos valorizados pelos turistas, por isso nem sempre são as escolhas mais óbvias de quem procura locais interessantes para visitar.

 

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Infelizmente, não consegui visitar nem metade dos locais na Tailândia onde gostaria de ter ido enquanto cá vivi. Não fui a Phuket, nem a Krabi, nem a Chiang Mai ou Chiang Rai, não fui ao Este do país... Não visitei muitos parques naturais, nem visitei uma reserva de elefantes. Não fiz quase nada de turístico fora de Banguecoque, mas, pelo menos, visitei um dos meus sítios favoritos na Tailândia não uma, mas quatro vezes: a ilha de Koh Samet. 

 

 

Fui a Koh Samet pela primeira vez em Julho, com a minha avó*. Desde então, fiquei apaixonada. Já regressei uma vez com os meus colegas de trabalho, outra com o meu pai e outra com a minha tia. Quando um casal de amigos portugueses me visitou, não pude ir com eles porque tinha trabalho, mas não descansei enquanto não os convenci a passarem uma noite na ilha.

 

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Koh Samet é uma ilha a cerca de 200km a sudeste de Banguecoque e tornou-se um dos meus sítios favoritos na Tailândia por muitos motivos. O primeiro é ser considerado um parque natural, por isso os recursos naturais encontram-se bem conservados, não há lixo em lado nenhum, os edifícios são baixos, só vemos verde num lado e azul do outro. Os restantes estão provavelmente relacionados com a beleza desses mesmos recursos naturais, da água que é transparente, calma e morna, da areia que é fina e do nascer e pôr-do-sol inesquecíveis (excepto quando chove, disso é que eu não gosto).

 

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Não, esta foto não tem mesmo filtros nenhuns, o nascer do sol é mesmo assim, com estas cores cinza que se vão levantando a pouco e pouco, para dar lugar ao verde, azul e amarelo.

 

Devido a todas estas condições, uma pessoa fica a sentir-se relaxada, em paz com o mundo. Sempre que vou a Koh Samet, esqueço-me do bulir constante de Banguecoque, do calor húmido insuportável no meio da cidade, do smog, dos gases, das multidões. Na cidade, o sol nem queima, mas, quando saio, sinto a pele e o nariz a desbloquear. Além disso, sente-se uma corrente de fresca a toda a hora que lembra a Primavera em Portugal.

 

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A ilha de Koh Samet só é alcançável de barco, obviamente, mas há varios tipos de barco! Há barcos grandes e lentos, que mais se parecem com barcos de pesca, traineiras, e há speedboats (lanchas) de vários tamanhos (mais caros, mas rápidos). Já experimentei as duas modalidades e gosto sempre da experiência. Podemos ir do continente à ilha em estilo James Bond ou em estilo cruzeiro. Os barcos grandes podem pertencer aos hotéis (deixando-nos "à porta") ou a negócios de transporte (deixando-nos no porto principal, no Norte da ilha). Os speedboats deixam os passageiros onde for necessário.

 

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Devido aos 100km de costa, há praias em Koh Samet para todos os gostos. Mais a Norte, ficam as praias para quem gosta de festas e discotecas. Quanto mais para Sul andamos, mais silenciosas e intocadas as praias se revelam. Já estive numa das praias do Norte (Hat Sai Kaew) com os meus colegas, mas recomendo e vou sempre para a mesma praia (Ao Wong Deuan) com a minha família. 

 

Se visitarem a Tailândia, mesmo que só tenham cinco dias ou uma semana, tirem dois para visitar Koh Samet. Ficarão com a experiência de ver alguma flora do país, recursos naturais, praias paradisíacas (água morna e turquesa, ar fresco, areia clara e fina) e silêncio... para cortar uma visita hipotética a Banguecoque, com todo o buliço incluído. 

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*Há 20 anos, a minha avó foi a Cuba com a minha tia. Durante estas duas décadas, tive de ouvir "Cuba é que foi; quem me dera poder levar-te a Cuba, Beatriz!". Quando a minha avó pôs os pés na água e na areia de Koh Samet, recebi um dos melhores presentes de sempre, que cumpriu uma das minhas missões de vida: ouvi-la dizer "isto é melhor do que Cuba". 

Os meus sítios favoritos na Tailândia #1: Octave Rooftop Lounge & Bar, Banguecoque*

 *A partir de hoje, vou partilhar aqui no blogue os meus sítios favoritos na Tailândia, de forma a que eu mesma tenha mais uma fonte para memória futura e possa também deixar online algumas recomendações a quem estiver interessado em visitar o país. Muitos dos meus sítios favoritos na Tailândia são pouco conhecidos ou menos valorizados pelos turistas, por isso nem sempre são as escolhas mais óbvias de quem procura locais interessantes para visitar.

 

Estão a ver o actual cabeçalho do blogue (se estão a ler este post no futuro, refiro-me a esta foto)? É parte do Oeste do centro de Banguecoque, onde os edifícios são mais altos, onde se vê a linha de skytrain, onde o pôr-do-sol acontece por trás do cenário urbano, onde se vê o verde, o branco, todos os tons de cinzento da Big Mango e arredores. E de onde tiro as fotos que vos apresento de seguida? Dum dos meus sítios favoritos na Tailândia: o Octave Rooftop Lounge & Bar.

 

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Esta deve ser a minha vista favorita da cidade de Banguecoque. É muito mais confortável estar a vê-la de cima, como um gigante, do que de baixo, como uma entre milhões de formigas e imenso trânsito. Assim, até parece uma cidade bonita. Dum lado, os (mais ou menos) arranha-céus. Do outro, os subúrbios ainda verdes. O céu cheio de recortes de nuvens, nuns dias vermelhas e escassas, noutros indistinguíveis na massa enegrecida de chuva.

 

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O Octave Rooftop Lounge & Bar (ou apenas Octave) fica nos 45º a 49º andares do hotel Marriott, na Sukhumvit Road, soi 57 (soi significa beco em tailandês, e todas as estradas/avenidas dividem-se em becos em número infinito). Fica no centro da cidade, nesta que é uma das avenidas mais conhecidas, movimentadas e trendy, onde se concentram tanto zonas residenciais como parte dos serviços, comércio local e centros comerciais mais famosos. O Octave fica na esquina entre a soi 57 e a estrada principal.

 

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Quando vou ao Octave, peço sempre a mesma bebida: o mocktail chamado "Passion", de maracujá. Se jantarem no Octave ou antes de irem ao bar, tentem que seja algo leve, caso queiram tentar o "Passion", porque é bastante concentrado e doce - super delicioso! Há muitas outras bebidas da casa, alcoólicas e não alcoólicas, vinhos e cervejas para todos os gostos. 

 

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No 45º andar, o Octave tem um restaurante ao ar livre que serve pratos que são mais tapas e aperitivos do que refeições completas. No 48º e 49º andares, é exclusivamente um bar (nunca fui aos 46º e 47º andares, mas suspeito de que tenha um restaurante interior). Cada vez que alguém me vem visitar, tento sempre levá-los ao Octave, porque não tem demasiada gente ou barulho, não fica numa zona impossível de aguentar com trânsito, é comummente desvalorizado por não ser o rooftop mais alto da cidade (o que contribui para um menor número de turistas inconvenientes) e os empregados são duma enorme simpatia. A vista é de ficar sem fôlego, sem obstáculos que nos impeçam de aproveitar uma corrente de ar fresco e o cenário já descrito. 

 

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A certa altura, considerei o Octave não um dos meus sítios favoritos na Tailândia, mas talvez meu sítio favorito (no mínimo, em Banguecoque!). No semestre de Verão, cheguei a ir lá todas as semanas com os meus colegas. Também costumo ir sozinha quando me apetece encontrar um refúgio longe do stress que se sente em baixo, na cidade. Vou pensar, ler e escrever lá para cima, ver as pessoas, os carros e os comboios que passam. Além disso, uma vez que o Octave abre às 17h, é provavelmente o melhor sítio em Banguecoque para ver o pôr-do-sol e aproveitar a happy hour mais silenciosamente (por vezes, quase sem ninguém à volta) e com as bebidas da casa a metade do preço até às 19h. Essa é a razão pela qual todas as fotos que partilho convosco mostram um céu meio encoberto, escurecido ou vermelho.

 

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E pronto, fica aqui esta primeira recomendação de sítios interessantes na Tailândia. O Octave até pode ser uma boa ideia para quem chega a Banguecoque em vôos mais tardios e não sabe onde esgotar a energia do jet lag

 

(Espero que gostem desta nova rubrica!)

5 coisas de que tenho saudades em Portugal

De facto, não há melhor lição do que esta, quando vivemos longe de Portugal: tomamos tantas coisas por garantidas, mas das quais sofremos horrores com saudades, quando nos afastamos do nosso país.

Esta é a minha lista de coisas de que tenho saudades - em Portugal - aqueles gestos, sítios, objectos, rotinas... Acho que algumas pessoas entenderão o que quero dizer!

 

1. A emoção à flor da pele
Quando estava em Portugal, achava que algumas pessoas eram um pouco hipócritas nos seus actos. Demasiadas fofinhices, demasiada simpatia, demasiado entusiasmo, mas ia-se a ver e era tudo um exagero.
No entanto, agora que estou longe, tenho saudades de abraços, beijinhos de olá e adeus, sentir empatia, sentir um certo conforto nessas palavras, mesmo quando parecem ser ditas em vão. Quem diria que eu viri a ter saudades disto?

 

  

2. A variedade de sabores
A comida tailandesa tem dois sabores: ou sabe a alho, ou sabe a chili. Na minha opinião, a portuguesa tem esses dois e mais uns três milhões. Além disso, para quem gosta de comer carne (tal como eu, apesar de não muita), viver na Tailândia, onde a carne tem sabor a nada, é uma experiência quiçá aborrecida. Valha-nos a variedade de vegetais e a comida de rua tailandesa, para equilibrar o consumo dos sabores dos dois países. Só de pensar em comida portuguesa, já estou aqui a salivar por uma carne de porco à alentejana, um cozido à portuguesa, um bitoque com batatas fritas, um bacalhau com natas, ou pastéis de bacalhau, alheira com ovo... Vocês não me tentem!

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 Num dos dois restaurantes portugueses em Banguecoque, antes de comer uma bela pratada de bacalhau com natas. *feliz*

 

3. Pão e bolos
Sim, também há pão e bolos em Banguecoque, guardem os vossos terrores. O problema é mesmo a falta de pão e bolos "como deve ser" - isto é, com uma textura consistente, com sabor a mais do que mero açúcar refinado. Sim, e o pão também é quase sempre doce e mole por estas bandas! Onde já se viu tal desplante? Já os bolos, desfazem-se em migalhas, sabem todos ao mesmo e não enchem nem um rato. Fazem-me falta pães salgados, rijos, mas fresquinhos, acabados de sair do forno, quentinhos, sem sabor a conservantes. Sinto saudades de bolos que me satisfaçam a gula. Até existem cá em Banguecoque, o problema é o 💰💰. Há uns dias, mandei vir quatro pães... por quinze euros. Haja paciência para o luxo de se ser portuguesa..!

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Nesta foto, ainda me sentia muito impressionada pelo tamanho deste bolo de noiva! Logo depois, disseram-me que nem os bolos de noiva são reais! São só papel e os noivos cortam-nos unicamente para fazer vista!

 

 

4. Saber que, se sair do local X à hora Y, chegarei ao local A à hora B
Confusos? O trânsito de Banguecoque é imprevisível, excepto algumas alturas do dia ou da semana em que já há um padrão óbvio (pelo menos, para quem cá vive há um ano e meio). De resto, basta uma formiga ser atropelada para filas e filas de carros ficarem bloqueadas num raio de dez quilómetros. O trânsito é insuportável e pouco recomendável a cardíacos, ansiosos e claustrofóbicos. É necessária uma dose divina de paciência ou a coragem de chamar um táxi-mota. Por causa de todo este stress do trânsito inesperado e sempre caótico, tenho saudades de Portugal, por pelo menos ser previsível e não ficarmos meia hora dentro do carro para percorrer 5km.

E os transportes públicos??? Senhores, que desgraça! A rede é bastante eficiente fora da hora de ponta (há comboio, skytrain, metro, autocarro, várias linhas até de barco), mas basta chover um bocadinho, ser sexta-feira à noite e as horas de ponta ficam ainda mais insuportáveis ao ponto de tudo parar - e, com isto, até deixar de haver táxis disponíveis. Ficamos eternamente à espera dum comboio que chegará "dentro de 10 minutos".

 

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Atentai nestas caras de desorientação e no mar de gente numa plataforma que, mesmo sendo extensa, fica a parecer minúscula! E até parecemos um bocadinho mais ordenados porque é preciso fazer fila para entrar no comboio.

 

5. Espaços verdes e abertos, ar livre e fresco
Esplanadas, parques, jardins, pracetas, estar à janela. Enquanto escrevo este texto, é Inverno em Banguecoque e está mais ou menos frio (20ºC muito ventosos), mas este não costuma ser o caso. De Fevereiro a Novembro, está sempre abafado, ou a chover, ou o sol é demasiado forte. Em todo o caso, o ar está demasiado poluído para se "apanhar ar fresco". Tenho imensas saudades de me sentar debaixo do sol ameno de Lisboa num final de tarde, a comer um gelado, ou ir almoçar, literalmente, fora. Tenho imensas saudades do meu quintal, com árvores de fruto, um sofá de baloiço, relva, as vozes familiares dos vizinhos ao longe, os cães e os gatos a pedirem mimo, seja Inverno ou Verão. Portugal tem sítios lindos onde ir passear, até Lisboa ou o Porto ainda têm dimensões e população razoáveis que permitem preservar a qualidade de vida. Podemos passear, passar tempo no exterior, desfrutar da Natureza... 

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 Uma foto de há uns dias, da minha rua em Portugal, quando o meu pai foi passear com a nossa cadela. 

 

Finalmente, haverá por aí alguém que também viva no estrangeiro ou que já tenha vivido? O que acrescentariam a esta lista? Tenho a certeza de que poderia ainda mencionar mais uns tópicos, por isso estejam à vontade.

Portugal, chego em menos de um mês!

Sobre o que eu penso ser o choque cultural

Não houve qualquer hipótese da minha licenciatura em Ciências da Cultura, ou as experiências de intercâmbio em que participei, me prepararem para o que é o choque cultural sobre o qual vos venho escrever.

 

Quase no fim desta experiência a viver no estrangeiro, cheguei à conclusão de que há vários graus de choque cultural, que nalguns aspectos traz habituação, noutros traz frustração. 

 

Habituei-me à comida picante, ao trânsito louco, à falta de raciocínio rápido e pragmatismo, à ausência de pontualidade, à língua (que aprendi a falar, pelo menos de forma a desenrascar-me e a mostrar educação e gratidão), aos contrastes da população, à mistura de mundos, às casas de madeira à beira dos canais a conviverem ao lado dos condomínios modernos de 20+ andares, à hierarquização e aos alunos que se prostram aos meus pés para me falarem, aos tailandeses que estudaram no estrangeiro e dos quais não se sabe o que esperar, ao sotaque tailandês que esquarteja as outras línguas em arestas flácidas. 

 

Mas, depois de todo este processo de habituação e de tantas outras alterações a concessões a que submeti a minha forma de pensar, comportar e viver, também cabe aos tailandeses decidirem se querem acolher-me (ou a qualquer outro estrangeiro) na sua própria comunidade. Eles dizem que sim, e é verdade, eu sei que eles querem mesmo acolher os estrangeiros. 

 

O problema é que falar é mais fácil do que concretizar. Na minha opinião, as relações entre pessoas resultam de negociações bilaterais constantes. Dá-se e recebe-se. A maioria dos tailandeses dá o suficiente, não dá aquilo a que não é obrigado. Assim, as relações que fui estabelecendo ficam pela rama.

 

Não me queixo, apenas tento analisar. Fiz amigos, estou-lhes agradecida por me terem acolhido, dentro do que se conseguiu, mas o meu conceito de amizade quer ir mais longe, precisa de mais, quando o deles não. Trabalhar e viver num meio exclusivamente tailandês, trabalhar para o governo, viver nos subúrbios, leva-me a sentir que necessito de mais do que o que me querem dar e talvez seja isso o verdadeiro "choque cultural": a negociação mal sucedida ou insuficiente de conceitos tão abstractos quanto amizade, carinho, sentimentos, emoções, visões do mundo.

 

Para mim, todos estes conceitos estão no fim da linha da adaptação cultural, porque não são uma necessidade vital, mas sim o que sustém a vida a longo prazo, o que torna possível viver no estrangeiro ou longe do sítio onde crescemos.

 

Há vários níveis de choque cultural. Primeiro, não gostamos da comida. Depois, perdemos a paciência com a maneira diferente de fazer as coisas. Quando já nos resolvemos quanto aos primeiros choques ("é mesmo assim!"), mais desafios se apresentam. E mais. E mais. E mais complexos. E a exigirem mais de nós. E podemos vencê-los, moldando indefinidamente a forma como pensamos, comportamos e vivemos; ou chega a uma altura em que já não dá mais. É assim que eu me sinto.

 

Não me sentir parte de nenhum grupo ou comunidade é o derradeiro efeito do meu choque cultural, que é um choque do que se sente no coração e no fundo do estômago. É o resultado da procura de sentido na vida dos outros, quando só se encontram portas meio abertas. É o choque de se tentar aprofundar o superficial, de passar os colegas a amigos, que não funciona. O derradeiro desafio da transculturalidade.

 

Mas não faz mal! É mesmo assim. Faz tudo parte desta experiência que é a vida humana. A minha vida. Estou em paz com o que posso dar e receber. Já referi o quão agradecida me sinto por poder, sequer, escrever acerca de tudo isto? 

 

(E, não tendo concluído o meu mestrado por cá, posso dizer que aprendi o suficiente para uma pós-graduação em gestão da interculturalidade! )

Andar de táxi em Banguecoque

Raramente ou quase nunca ando de táxi em Portugal. É caro, a nossa rede de transportes públicos é bastante decente - tanto na zona onde vivo e estudava, quanto a nível nacional - e tive sempre quem me desse boleia antes e depois de tirar a carta de condução.

No entanto, andar de táxi em Banguecoque é relativamente barato. Para um percurso de 5km, pago à volta de 2€, ou mesmo 5€ para 20km, se não ficar demasiado tempo presa no trânsito. Além disso, agora tenho o meu salário e os meus maiores luxos são comida internacional e... táxis. E táxis-mota. 

Ando mesmo muito de táxi, carro, em Banguecoque. É, realmente, muito barato, e é uma óptima maneira de evitar os transportes público daqui, que são ligeiramente ineficientes em certos percursos, tendo em conta os milhões de pessoas que os usam. Então, se for possível evitar esse cansaço físico e mental, apanho um táxi.

O problema são os senhores taxistas, obviamente. Eles podem ser o maior benefício em apanhar um táxi, ou podem ser a nossa maior dor de cabeça.

Muitas das vezes (tipo, na maioria), os senhores taxistas tailandeses não sabem bem onde estão ou para onde devem ir. Em sua defesa, posso confirmar que as ruas e o trânsito desta cidade são caóticos, mas nada que um GPS não resolva. 

Ah, mas...

GPS? Google Maps? Que é isso? Mais uma vez, a maioria dos senhores taxistas deve pensar "o que raio pode um telemóvel dizer-me que eu não saiba?", assim numa demonstração intro/extropectiva de orgulho-macho. É pena, porque quando se recusam a usar o GPS a coisa corre mal e, por norma, eu fico bastante doente da alma por saber que um percurso de quinze minutos se pode tornar, na maior das facilidades, numa novela duma hora (nota: não subestimem as estradas de Banguecoque!!!), porque o senhor taxista decidiu virar uma ruazinha antes do tempo, e planeamento urbano é coisa que nem sempre assiste nesta megalópole, portanto voltar para trás não é sempre a melhor ideia.

Pelo sim, pelo não, eu uso constantemente o meu GPS em toda a santa viagem. O Google Maps, milagre dos céus, não só me ajuda a confirmar o caminho, como também o trânsito e qual a melhor alternativa de percurso. Além disso, sabe-se lá como, tenho-me apercebido de que conheço bem melhor imensas partes de Banguecoque que os próprios senhores taxistas!

Mas calma, os problemas duma pessoa não se ficam por aqui: os senhores taxistas tailandeses nem sempre aceitam as sugestões que se lhes dá. Perdi já conta das vezes em que isto aconteceu. Até já aconteceu o senhor taxista perder-se mesmo, ver que aquela via não era, de facto (!) possível, e ter de admitir a sua derrota. Enfim, é amargo para as duas partes, não deixando de ter a sua piada.

 

Conclusão: se vierem a Banguecoque ou à Tailândia e quiserem apanhar um táxi, usem o Google Maps como se a vossa vida dependesse disso e, se quiserem ficar ainda mais descansados, chamem um GrabCar (apenas um GrabTaxi em última análise!) ou um Uber. Ou uma GrabBike (mas deixarei as aventuras dos táxis-mota para outra altura).

 

A vida é bela em Banguecoque, mas tem tanto de doce quanto certas nuances que nos tiram do sério.

Agradecimento tardio, mas sentido

Apesar de alguma inquietação nas últimas semanas, há que frisar que estou viva! A publicação da semana passada foi, de facto, o maior desabafo que eu poderia ter partilhado, porque esse foi um dia longo, que culminou em mim a comer um cupcake de banana e chocolate no Starbucks, enquanto músicas natalícias passavam no fundo, e a ir a um evento sem companhia: um recital multimédia de fado, com direito a imagens soalheiras de Lisboa. Tudo do bom e do melhor para soltar uns bons soluços! 

 

 

E não, eu não estou em Bangkok forçada nem nada, estou porque quero, como os leitores deste blogue já saberão. Estou a adorar a experiência, mas até o melhor dia é quase sempre uma desilusão se não o pudermos partilhar com aquelas pessoas. É só isso. 

 

Por todos estes motivos, é com grande felicidade que venho partilhar com todos que, dentro de três meses, já estarei de volta a Portugal! Até ao início da semana que passou, não valia a pena espalhar a notícia, porque tive, em primeiro lugar, que contar à minha chefe e a alguns superiores. Não fazia sentido estar a comunicá-lo antes disso. Contudo, a decisão já foi tomada há muito mais tempo! 

 

Então, tenho a agradecer aos leitores mais assíduos que me têm acompanhado as suas palavras amáveis e por continuarem desse lado a ler os meus amores e dissabores sobre a Tailândia. Sei que não tenho mantido este blogue muito actualizado, o ritmo da minha vida tem andado meio estranho, mas daqui para a frente será sempre a melhorar! Vamos lá ver! Muito, muito obrigada, como sempre. Obrigada também aos Destaques do SAPO (e até à plataforma SAPO) por andarem a promover 70% das minhas escassas publicações. Sabe sempre bem receber algum feedback do vosso lado, é sempre muito gratificante.

 

Numa nota menos positiva acerca da inevitável visibilidade consequente (mesmo que momentânea), tenho a acrescentar algumas palavras de censura a quem acabou de chegar e se pôs logo a enviar-me postas de pescada. Isto dos blogues é um fenómeno cheio de detalhezinhos, coisinhas miúdas que devemos ter em consideração, e uma delas é a seguinte: não vale a pena julgarem-me por UM TEXTO que eu tenha escrito NUM DIA aleatório de seis anos de Procrastinar Também é Viver. É como julgar um casamento feliz de cinquenta anos por uma discussão naquele dia em que alguém não pôs a loiça na máquina. Felizmente, tenho sido abençoada com oportunidades únicas na minha vida ainda curta, tenho tido uma vida com algumas contrariedades, mas bastante cheia, tenho conhecido gente maravilhosa... Aliás, quem lê o que escrevo no resto do tempo sabe disso. A Tailândia foi um dos maiores jackpots que me calhou, mas nem todos os dias são paisagens maravilhosas. A vida continua aqui, como em todo o lado; eu não estou propriamente de férias. Ser feliz longe de Portugal é, por isso, um desafio, por muito que gostemos do sítio onde estamos.

 

Seja como for, as vozes positivas prevalecem e, mais uma, e outra, e outra vez, muito obrigada por estarem desse lado. Adoro escrever neste blogue, adoro a vossa companhia. Têm sido seis anos de crescimento, já me viram adolescente, adulta, feliz, triste, apaixonada, desapaixonada... É assim a vida! 😘

 

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Solidão no meio de dez milhões

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Foi em Bangkok que me senti só pela primeira vez. Custa muito admitir que nos sentimos sós, porque é mais fácil estarmos em negação. Quando cheguei ao ponto de o reconhecer, já tinha passado por muitas fases.

 

A primeira fase foi arranjar sempre algum bode expiatório para o descontentamento. No início, não podia ir a casa no Natal. Depois, arranjei uma forma e fui. Dois meses depois, mudei de apartamento, culpando as baratas debaixo da bancada da cozinha que me comiam o jantar, o lixo à saída do condomínio e a má gestão do edifício. No novo condomínio, sentia falta dum animal de estimação. À revelia das regras - ainda que à semelhança da prática de tantos outros vizinhos - arranjei um gato. Depois do gato, veio a minha avó. Por dois meses, senti-me acompanhada, mas sabendo que não iria durar para sempre.

 

Entretanto, a fase de estar triste sem saber porquê. Uma melancolia imensa, um vazio e muita inquietação.

 

Por fim, a consciência de que me sinto... de que me tenho sentido só. Do outro lado da linha, chegam-me palavras cheias de amor, mas essas só se ficam pela metade. É pela falta delas que me sinto assim, é por, como acontece com os fantasmas, as poder ouvir e ver, sem lhes tocar, que me sinto isolada neste mundo que é o mesmo, parecendo uma realidade paralela.

 

Não sei se é assim que todos se sentem quando se mudam para outro país. Espero que não. Talvez eu sinta, por acréscimo, todo o isolamento cultural, geográfico, visual como consequência de estar tão longe.

 

Bangkok é uma cidade com dez milhões de pessoas, mas nunca me senti tão sozinha antes, nem quando vivia num sítio com uns poucos milhares de pessoas.

 

Tenho amigos em Bangkok, mas cada um está na sua vida, cada um vive noutra ponta da cidade. Estar longe da família e daqueles que amamos tem disto. Não há ninguém à nossa espera em casa, raramente há quem se disponha, à última hora, a acompanhar-nos seja onde for. Não há certezas de nada. Não há ninguém que possamos alcançar à distância duma chamada.

 

Mas, se eu precisar dalguma coisa, é só ligar - dizem eles.

Do que eu preciso é de não ter de ligar.

Hoje, um ano após a morte do rei da Tailândia, Rama IX

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(Crédito: http://newdelhi.thaiembassy.org/en/2016/11/thailand-mourns-late-great-monarch-majesty-king-bhumibol-adulyadej/ )

 

Há um ano, morreu o rei da Tailândia, o rei Bhumibol (que se lê Bu-mi-pon), ou Rama IX.

Levanto-me cedo. Às oito estou fora de casa. Na rua, as pessoas vestem roupas escuras - à semelhança de todos os dias que antecederam este dia, de há um ano até este momento em que eu saí à rua a 13 de Outubro de 2017. As ruas estão quase vazias, porque foi declarado o feriado nacional, mais um dia de luto. 

Este luto que eu também carrego não é um fardo, mas sim uma experiência com e na alma. Os tons neutros e tristes da minha roupa são uma parte da representação da perda. Eu também perdi um rei, o rei que construiu este país que me acolheu, com todos os choques culturais a que tive direito, com direito às pontes linguísticas que tentei forjar, com direito aos meus alunos, com direito aos dias de chuva, à humidade, às filas e ao trânsito, ao cheiro a tubos de escape, ao cheiro a comida, ao meu emprego de sonho, a comida de rua, deliciosa, às crianças que sorriem quando me vêem, algumas que se escondem, aos guardas a gritarem-me "beautiful" todas as manhãs, às máquinas da roupa com moedas, aos condomínios com piscina, às assimetrias da população e das casas, aos meus colegas que eu passei a adorar, à minha chefe que me dá abraços quando me vê, aos 7-eleven... A Tailândia é isto, uma mistura indecifrável de estímulos e gente e barulho e cheiros - seja em tons negros ou vermelhos, laranjas, azuis, como eu a conheci antes.

 

Quando entrei na estação de comboio, pela primeira vez em muito tempo apercebi-me de que tinham colocado músicas solenes a tocar no fundo, em Tailandês e em Inglês. Nenhuma voz anunciava os comboios que chegavam e partiam. Ninguém gritava, só as empregadas do Starbucks atiravam frases mais imperativas. Até os turistas pareciam calados, por fim.

 

É um feriado que anuncia um fim-de-semana prolongado e este parece-se com qualquer outro, excepto que se sente uma qualquer coisa no ar. Até o céu está escuro, sem chover. Ou talvez seja de mim.

 

Morreu o rei da Tailândia, Rama IX, faz hoje um ano. Agora, que são nove da manhã, eu estou aqui sentada no Starbucks, esta herança da abertura do país ao estrangeiro. Há um ano, estava no condomínio onde vivi antes, no 21º andar, eram cerca de sete ou oito da noite, quando li as notícias no Facebook. De imediato, o chat conjunto dos meus colegas inundou-se de palavras que eu não entendia, mas pressentia. Expressei as minhas condolências e pedi conselhos sobre como me vestir no dia seguinte. Assim como me disseram, tenho-me tentado vestir desde então.

 

Há um ano, os meus colegas choraram. Eu escrevi as mensagens oficiais em Inglês em nome da minha faculdade. Mensagens acerca do luto. "Mourning". "We mourn the passing of...". O resto são palavras fixas, escolhemos as que ficavam melhor, as que melhor descreveriam o rei Bhumibol (Bu-mi-pon) até que esses posters e publicações online fossem retirados de circulação.

 

Ainda não foram.

 

Este dia será de luto. Aliás, o resto deste mês será de luto. Os ajuntamentos no Grande Palácio, o aniversário sobre a morte, a construção do crematório, a construção de miniaturas do crematório por todo o país, a cremação, a coroação, e talvez só depois consiga voltar a serenidade nestes corações tailandeses.

 

Porque este foi o rei que se ajoelhou perante os seus súbditos e lhes... e os tocou. Em todos os aspectos.

 

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(Crédito: http://www.abc.net.au/news/2016-10-14/thai-kings-body-taken-to-palace-as-mourners-pay-last-respects/7935152 )