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Resultado de imagem para king bhumibol

(Crédito: http://newdelhi.thaiembassy.org/en/2016/11/thailand-mourns-late-great-monarch-majesty-king-bhumibol-adulyadej/ )

 

Há um ano, morreu o rei da Tailândia, o rei Bhumibol (que se lê Bu-mi-pon), ou Rama IX.

Levanto-me cedo. Às oito estou fora de casa. Na rua, as pessoas vestem roupas escuras - à semelhança de todos os dias que antecederam este dia, de há um ano até este momento em que eu saí à rua a 13 de Outubro de 2017. As ruas estão quase vazias, porque foi declarado o feriado nacional, mais um dia de luto. 

Este luto que eu também carrego não é um fardo, mas sim uma experiência com e na alma. Os tons neutros e tristes da minha roupa são uma parte da representação da perda. Eu também perdi um rei, o rei que construiu este país que me acolheu, com todos os choques culturais a que tive direito, com direito às pontes linguísticas que tentei forjar, com direito aos meus alunos, com direito aos dias de chuva, à humidade, às filas e ao trânsito, ao cheiro a tubos de escape, ao cheiro a comida, ao meu emprego de sonho, a comida de rua, deliciosa, às crianças que sorriem quando me vêem, algumas que se escondem, aos guardas a gritarem-me "beautiful" todas as manhãs, às máquinas da roupa com moedas, aos condomínios com piscina, às assimetrias da população e das casas, aos meus colegas que eu passei a adorar, à minha chefe que me dá abraços quando me vê, aos 7-eleven... A Tailândia é isto, uma mistura indecifrável de estímulos e gente e barulho e cheiros - seja em tons negros ou vermelhos, laranjas, azuis, como eu a conheci antes.

 

Quando entrei na estação de comboio, pela primeira vez em muito tempo apercebi-me de que tinham colocado músicas solenes a tocar no fundo, em Tailandês e em Inglês. Nenhuma voz anunciava os comboios que chegavam e partiam. Ninguém gritava, só as empregadas do Starbucks atiravam frases mais imperativas. Até os turistas pareciam calados, por fim.

 

É um feriado que anuncia um fim-de-semana prolongado e este parece-se com qualquer outro, excepto que se sente uma qualquer coisa no ar. Até o céu está escuro, sem chover. Ou talvez seja de mim.

 

Morreu o rei da Tailândia, Rama IX, faz hoje um ano. Agora, que são nove da manhã, eu estou aqui sentada no Starbucks, esta herança da abertura do país ao estrangeiro. Há um ano, estava no condomínio onde vivi antes, no 21º andar, eram cerca de sete ou oito da noite, quando li as notícias no Facebook. De imediato, o chat conjunto dos meus colegas inundou-se de palavras que eu não entendia, mas pressentia. Expressei as minhas condolências e pedi conselhos sobre como me vestir no dia seguinte. Assim como me disseram, tenho-me tentado vestir desde então.

 

Há um ano, os meus colegas choraram. Eu escrevi as mensagens oficiais em Inglês em nome da minha faculdade. Mensagens acerca do luto. "Mourning". "We mourn the passing of...". O resto são palavras fixas, escolhemos as que ficavam melhor, as que melhor descreveriam o rei Bhumibol (Bu-mi-pon) até que esses posters e publicações online fossem retirados de circulação.

 

Ainda não foram.

 

Este dia será de luto. Aliás, o resto deste mês será de luto. Os ajuntamentos no Grande Palácio, o aniversário sobre a morte, a construção do crematório, a construção de miniaturas do crematório por todo o país, a cremação, a coroação, e talvez só depois consiga voltar a serenidade nestes corações tailandeses.

 

Porque este foi o rei que se ajoelhou perante os seus súbditos e lhes... e os tocou. Em todos os aspectos.

 

Resultado de imagem para mourners grand palace

(Crédito: http://www.abc.net.au/news/2016-10-14/thai-kings-body-taken-to-palace-as-mourners-pay-last-respects/7935152 )

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Tenho saudades de casa

por BeatrizCM, em 19.09.17

Nos últimos dias, talvez semanas, tenho batido no fundo do poço, uma e outra vez, constantemente a subir um pouco e a cair, a subir e a cair, e cada queda parece sempre pior do que a anterior. Tenho saudades de casa, onde não chego nem perto desde Abril. Fez ontem cinco meses que regressei à Tailândia depois da Páscoa/ano novo tailandês e não há palavras que consigam descrever a sensação de não se estar no sítio onde deixámos o coração e de se ter quase a certeza de que não é suposto estarmos onde estamos.

Viver na Tailândia tem sido uma experiência e tanto. Tenho aprendido e vivido o que pensei não chegar a fazer parte da minha experiência de vida. Sou uma sortuda, foi-me entregue de bandeja o emprego que eu só esperava quase aos 30. O meu salário não é ideal para quem vive a praticamente 1000€ de distância do seu país e faz questão de lá ir duas vezes por ano e de "importar" os seus nos entretantos, mas é um salário bem superior ao que eu alguma vez esperaria ganhar em Portugal saída de fresco duma licenciatura (mesmo em euros, o meu salário médio - aulas base, aulas extra, tutorias privadas - ronda quatro dígitos muito confortáveis). Vivo sozinha, sou responsável pelas minhas contas, adoptei um gato, vivo numa cidade que eu nem sabia localizar no mapa, vou a sítios que ficam bem nas fotos do Instagram, de vez em quando posso esbanjar em roupa a condizer com a paisagem, não ando a contar trocos, blá blá blá.

 

Há três semanas que não tenho um dia inteiro para mim. De manhã, quando acordo, até â noite, quando adormeço. Tenho algumas manhãs e tardes livres, mas sempre com a sombra dos trabalhos do mestrado e das aulas para preparar a seguir-me para onde quer que vá (tentar) distrair-me. Quando acabo uma tarefa qualquer, já tenho outras na fila.

 

Não vejo o meu namorado em carne e osso desde que o deixei nas partidas do aeroporto de Lisboa e só o volto a ver em Dezembro ou Janeiro, daqui a 3 ou 4 meses. Entretanto, aturo perguntas que, apesar de inocentes, doem pela insistência e incredulidade: "mas o teu namorado não vem ter contigo? só o vais ver em X data?". Há poucas pessoas que percebam o sacrifício de trabalhar e estudar ao mesmo tempo (o meu caso e o dele) e de nem sequer compensar viajar meio mundo por dois dias para se lá estarem outros dois, não nos esquecendo do sempre terrível preço do bilhete.

 

Muitas vezes ao dia, muitas mais do que eu gostaria que acontecesse, desejo a calma de espírito daqueles que, mesmo vivendo em terras remotas, seja por opção ou porque teve de ser, não se importam de ir a casa a cada dois anos, estão confortáveis seja onde for, tomam banho em filosofias de carpe diem e são felizes sem um lar, ou que versatilmente constroem muitos lares. Que fantástico seria não andar a dançar em nós na garganta e a aperceber-me cada vez mais que sorrio mais por ansiedade e reflexo do que porque de facto me apetece! Mas não, ainda bem que estas emoções negativas existem, por serem a prova de outras bem positivas: amor, pertença, lealdade, aconchego.

 

Felizmente, eu sei que continuo aqui a prazo. O mundo é tão grande, há tanto a explorar, e agora é mais do que hora de voltar a lançar os dados e apostar em novos números. No meio do processo, aprendi a valorizar e a desvalorizar certas experiências e ambições. Umas eram tidas em alta consideração, mas foram repensadas. Outras nunca me teriam passado pela cabeça se eu cá não estivesse.

 

Uma coisa é certa: não é possível ser-se feliz para sempre com os pés num sítio e com o coração acolá. Sair do país deu-me a mim e às pessoas que me rodeavam diariamente uma nova perspectiva sobre a realidade. Acho que estamos todos diferentes. Há laços que se estreitaram, outros que sumiram para debaixo do tapete. Contudo, não me arrependo, até porque isso não serve de nada.

 

As melodias que o meu humor tocaria (e escreveria, em grande parte) neste momento:

 

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Há tanto de diferente e tanto de igual na Tailândia, quando me lembro de Portugal. No entanto, voltaria já a Portugal sem olhar para trás, caso houvesse essa oportunidade, neste preciso minuto. Ainda assim, vamos lá continuar este semestre e logo se verá. Viver na Tailândia tem muito de bom, mas aprendi que não há nada como estar em casa, no nosso lar, com as pessoas de quem mais gostamos. 

Entretanto, deixo aqui estes apontamentos. Decidi que o melhor a fazer é mesmo gravar em português, dadas as estatísticas da audiência que segue estes vídeos, por isso espero que sejam minimamente interessantes e que constituam uma fuga aos textos loooongos que eu costumo escrever. 

 

 

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Nota à blogosfera

por BeatrizCM, em 23.08.17

Ando a adiar esta publicação há demasiado tempo. Há muito a ser dito, mas poucas palavras para o expressar, por isso aqui vão as melhores que tenho.

 

Desde que vim morar para Bangkok, a minha vida tem sido uma constante de desconforto, descobertas e avalanches várias. No semestre passado, trabalhei, literalmente, até às lágrimas. Sete dias por semana. Nos dias supostamente livres, tinha de planear aulas. Ao fim de semana, era eu a estudante.

 

Assim, sei que muita coisa na minha vida mudou. Foi tudo um bocado de repente, atabalhoado, daí o choque ter sido maior. Tenho batido muito com a cabeça em paredes de vidro esse aço, tenho-me esfolado toda nesta aventura. Há dias mesmo muito maus, e outros muito bons. Os meus alunos fazem-me sorrir, dando-me segurança acerca da qualidade do meu trabalho. Nem tudo são rosas: há mesmo, mesmo dias em que só me apetece ir embora JÁ.

 

No entanto, no meio de toda esta comoção, da falta de tempo ou de paciência ou de tema para escrever no blogue, vocês continuam desse lado. Alguns já vêm de tempos anteriores e mais pacíficos, outros terão chegado agora ou há pouco tempo, mas cada "favorito", cada ligação, cada comentário e cada e-mail valem mil dias de praia!

 

Obrigada.
Obrigada, tantas vezes.

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Viver num país exótico não tem de ser necessariamente uma experiência exótica todos os dias, areais paradisíacos, rooftops privilegiados e massagens. Desde que cá cheguei, tenho-me sentido a andar com uma nuvem à frente do nariz. Tenho tanta mensagem por responder, tanto comentário a que não dei seguimento. Estou agora a sair desta nuvem, pouco a pouco, porque sei que dia se melhores virão. Estou optimista. A vida só me tem dado chocolates nos últimos anos e uma das provas disso até é este blogue. Esta nuvem vai desaparecer! Vai-me deixar ser positiva e voltar ao estado alerta.

 

Obrigada, outra vez. Obrigada por continuarem a ler o que eu escrevo, ainda que seja tão escasso. Obrigada por me fazerem querer produzir conteúdo cada vez melhor e explorar temas diferentes.

 

Este blogue é muito especial para mim, porque é o meu projecto pessoal há SEIS ANOS! Eu sei, não parece muito, mas isso é para aí metade da minha vida, se não contarmos com as fraldas e a escola primária. Tenho muito orgulho no que faço aqui, porque não é pago nem patrocinado por nada (se bem que um dinheirinho extra vem sempre dar um jeitão), mas mesmo assim eu continuo a voltar e a tentar melhorá-lo. O que eu escrevia quando o criei não tem, claramente, nenhuma semelhança com o que para aqui vai agora, mas olhem... É bestial poder ver essa evolução, na escrita, na pessoa, nos interesses, nas transições...

 

Então pronto, era só isso: obrigada!

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Tenho uma foto profissional

por BeatrizCM, em 04.08.17

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Ontem, entrei na sala de conferências. Ia ter uma reunião geral com todos os professores e restantes profissionais da faculdade, acerca do que se tem feito e irá ser feito neste semestre que começa na segunda-feira. Entrei. Fui apanhada de surpresa, como todas as restantes pessoas: suit up, vamos lá tirar uma foto para o site da faculdade, toca a vestir o casaco dum fato dois tamanhos acima do meu, com o logótipo da universidade, ... ainda bem que tinha lavado o cabelo de manhã, usado o secador XPTO que comprei há duas semanas, vestido uma blusa branca, escolhido os melhores brincos, guardado um batom na mala, maquilhado o visage, estreado as lentes de contacto verdes, desinchado a bochecha dos dentes do siso arrancados.

 

Fiquei gira, mas respeitável. E, espero eu, sem parecer mais nova do que os meus alunos. 'Tá qualidade LinkedIn, não 'tá? 

 

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