Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

A pior situação que pode acontecer no local de trabalho

A pior situação que pode acontecer no local de trabalho não é sermos despedidos nem despromovidos.

 

Quando temos de trabalhar em equipa, é muito importante ter uma relação positiva com os nossos colegas, seja enquanto estudantes ou empregados duma qualquer instituição ou empresa.
Quando trabalhamos com pessoas de quem, à partida, gostamos, acabamos quase sempre por baixar a guarda e essa relação profissional vaza para a vida pessoal, tornando-se uma espécie de amizade. Talvez até fiquemos, realmente, amigos.

 

Na minha opinião, a pior situação que pode acontecer no local de trabalho é essas relações poderem desintegrar-se sem aviso prévio, passando de extremamente frutuosas (quase até o motivo pelo qual chegamos a horas, aguentamos ficar a trabalhar depois da hora, dar o litro naquele projecto) para extremamente nocivas.

 

Às vezes, é difícil lembrarmo-nos de que, do outro lado, há outros seres humanos, com muitas qualidades, mas também muitas falhas. Quando nos esquecemos que essas falhas podem existir, elevamos as nossas expectativas. O bom passa a ser óptimo. A pior situação que pode acontecer no local de trabalho é percebermos que essas mesmas pessoas podem passar de bestiais a bestas sem mais nem menos.

 

Talvez não as conheçamos o suficiente. Talvez seja mesmo assim que as relações interpessoais são. O problema é que, ao acontecerem num ambiente profissional, podem não só minar uma relação pessoal, mas também colocar em risco o trabalho a ser desenvolvido.

 

Solução ou forma de evitar esse problema? Não há. A vida é mesmo assim. Poderemos, porventura, armar uma muralha à nossa volta, mas isso pode prevenir, de igual forma, relações saudáveis.

 

Basta-nos ter paciência, seguir em frente e tentar separar as águas sempre que possível. Obviamente, essa vontade terá de partir da outra parte, mas pelo menos nós ficaremos dê consciência tranquila e teremos esperança que o dia de amanhã corra ligeiramente melhor.

Será fácil arranjar trabalho em Portugal depois da licenciatura?

Em Junho, fez um ano que terminei a licenciatura. Depois dum estágio, comecei a trabalhar em Outubro. Como sabem, calhou-me na rifa um emprego longínquo, mas aqui fica a minha opinião acerca das oportunidades de trabalho em Portugal depois da licenciatura.

 

20883836_10209642937339156_292246020_o.jpg

 

 

O grande panorama

Em primeiro lugar, todos sabemos que o mercado de trabalho em Portugal se encontra saturado, não só de licenciados, desta ou doutra área, mas de todos os domínios profissionais ou diferentes níveis de qualificação e educação. Ainda assim, eu acho que o panorama não é assim tão negro para recém-licenciados que procuram o seu primeiro trabalho.


Estudei Letras. Línguas, literatura, cultura, artes, política, filosofia. Estudei de tudo um pouco na minha licenciatura, tive a sorte de aprender imenso, mas a verdade é que as licenciaturas abrangentes costumam ser vistas como "aquelas que não dão para nada". No entanto, sei que muitos dos meus colegas conseguiram arranjar emprego em Portugal nos meses seguintes ao fim do curso. Aposto que não terão sido os seus empregos de sonho, mas conseguiram.

20930178_10209643011341006_1567368080_o.jpg


A importância dos estágios (curriculares e extra-curriculares)

Existe este mito de que "os empregadores não olham para as notas", por isso aqui vai alguma desmistificação.
Hoje em dia, em Portugal, é indispensável participar num estágio ou numa experiência extra-académica. Um estágio permite-nos obter o conhecimento e prática que, na maioria das vezes, não obtemos pela via escolar. Quanto mais cedo o fizermos, melhor. Sempre que quis arranjar trabalho, mesmo que temporário, enquanto estudava, os estágios permitiram-me, no mínimo, mostrar que era responsável e que me encontrava motivada para trabalhar, pôr as mãos na massa. Além disso, ajudam-nos a decidir se gostamos de trabalhar em determinada área profissional. 

Quão relevantes são as médias finais de curso?

E lá está: as notas. Frequentemente, estes estágios de que vos falava, incluindo o estágio que me trouxe à Tailândia, são promovidos ou organizados pelas instituições onde estudamos. Adivinhem para onde é que vão olhar, a que aspecto vão dar importância imediata? É isso, a nota. Sem experiência profissional anterior, a média da licenciatura acaba por ser determinante para certos recrutadores.

 

Uma licenciatura é suficiente?

 Obviamente que, na hora de sermos contratados, a nota média final de curso não é suficiente. Arranjar trabalho em Portugal depois da licenciatura parece-me ter em conta outros aspectos. A nota é uma grande parte do bolo, a que devemos acrescentar formação profissional paralela, workshops, conferências, os estágios, programas de intercâmbio, trabalho voluntário, portfólio, prémios, cartas de recomendação, diplomas e certificados vários... Eu sei que esta lista pode parecer assustadoramente extensa, mas os três anos de licenciatura servem para muito mais do que estudar, ir às reuniões com os professores, ir à praxe, às festas, aos convívios... E muitas destas experiências duram menos dum dia de trabalho! Se tentarmos explorar duas por ano, teremos mais seis motivos para apresentar a um potencial empregador, convencendo-o de que somos as escolha certa.

 

Está bem, mas afinal o que é que mais importa para encontrar emprego depois da licenciatura?

Diferenciarmo-nos. Mostrarmos que não somos apenas um número.
Costumam ser admitidos cerca de 60 alunos à licenciatura em Ciências da Cultura na FLUL (agora com o título de Estudos de Cultura e Comunicação). Talvez 50 cheguem a terminar a licenciatura.
Foi desses 50 colegas que eu sempre me tentei diferenciar, porque eles seriam mais 50 pessoas, fora os licenciados doutros anos, com quem eu teria de competir no mercado de trabalho, se ninguém fizesse mais nada senão o próprio curso.
E há licenciaturas em que entram 200 candidatos anualmente!

Somando tudo, acabei por elaborar um perfil pessoal e profissional durante os três anos da licenciatura, com o objectivo de me demarcar doutras pessoas. Licenciatura + nota + proficiência em línguas + certificados + formação + estágios + intercâmbios + competências consequentemente adquiridas = combinação única. Não quer dizer que o meu perfil é melhor ou pior do que o doutro colega meu, mas, pelo menos, é diferente.

 

20904492_10209642997420658_1202218685_o.jpg

 


Resumindo e concluindo
Encontrar trabalho em Portugal, depois da licenciatura ou de qualquer outro nível de estudos, não tem de ser sempre uma tarefa titânica. Pode ser, sim, o resultado dum esforço contínuo para encontrarmos interesses apenas nossos, criarmos o nosso "eu" pós-universidade continuamente e perseguirmos novas ideias e projectos para o futuro, mais ou menos longínquo, em Portugal ou no estrangeiro. Claro que tudo isto parece mais fácil assim escrito do que feito, mas espero, pelo menos, convencer-vos a serem um pouco mais optimistas acerca do vosso (possível) percurso universitário.

PERIGO: relações à distância são nocivas à saúde

IMG_25600810_161622.JPG

No outro dia, durante o almoço, a estagiária (de Hong Kong) que está a trabalhar na minha faculdade (em Bangkok) declarou que estava tentada a experimentar uma relação à distância com um rapaz indiano (outro antigo estagiário que já foi para casa). Parece que já se conheciam antes de virem e, enquanto cá estiveram os dois, o "clique" foi óbvio. Ainda assim, não iniciaram nenhuma relação, nem deu tempo para isso.

 

Segundo a minha experiência, provavelmente ela estava à espera que eu lhe dissesse qualquer coisa como "Força nisso! Tu consegues! Vai doer, mas vai valer a pena!".

 

Pois... NÃO!

 

Se puderem evitar relações a distância, evitem. Aliás, fujam delas como o diabo da cruz! Não se metam em aventuras! As relações à distância dão trabalho, dão que pensar, exigem os nossos melhores dias todos os dias e são um grande sacrifício. Estar longe das pessoas de quem gostamos não é a ideia romântica que vemos nos filmes. Na minha opinião, a de quem está deste lado, não é uma coisa "que se tente", desde início, só porque se sente ali um friozinho na barriga.

Se querem arriscar ter uma relação à distância ou encorajar alguém a tentar uma, avaliem a situação. É uma relação à distância desde início (o caso da minha colega estagiária) ou um acaso na vida de duas pessoas que já eram um casal antes? Há um plano ou nem por isso? Como vão ser os encontros? Com que frequência? Onde? Quem vai ter com quem? E a médio prazo, já imaginaram o que vai acontecer? Que sacrifícios estão em cima da mesa? Para quem? Há forma de negociar? E partilham-se as mesmas ideias, objectivos e visões acerca da vida em geral? Há entendimento, não só agora, mas também até daqui a uns tempos?

 

Estas são apenas algumas das questões que coloquei à minha colega e que decidi deixar à vossa consideração. São o mero resultado desta experiência que estou a viver. Só desejo uma relação à distância a quem tiver respostas suficientes. Não pretendo desencorajar ninguém, porque cada caso é um caso, mas não quero que sejam a minha colega, que não tem resposta para nada, não sabe nada, só sabe que "gostaria de tentar, para depois não se arrepender" (palavras dela). Se querem tentar, assegurem as perguntas e as respostas necessárias.

 

E, quando refiro "relações à distância", refiro desde o semestre Erasmus à oportunidade de emprego de sonho sem termo, a milhares de quilómetros. Repito: nada é um filme romântico, no qual é quase certo os protagonistas acabarem num beijo em grande plano.

Seja como for, há que dar graças a todos os santinhos pelas vídeo-chamadas gratuitas.

Tenho uma foto profissional

IMG_25600804_203716.JPG

Ontem, entrei na sala de conferências. Ia ter uma reunião geral com todos os professores e restantes profissionais da faculdade, acerca do que se tem feito e irá ser feito neste semestre que começa na segunda-feira. Entrei. Fui apanhada de surpresa, como todas as restantes pessoas: suit up, vamos lá tirar uma foto para o site da faculdade, toca a vestir o casaco dum fato dois tamanhos acima do meu, com o logótipo da universidade, ... ainda bem que tinha lavado o cabelo de manhã, usado o secador XPTO que comprei há duas semanas, vestido uma blusa branca, escolhido os melhores brincos, guardado um batom na mala, maquilhado o visage, estreado as lentes de contacto verdes, desinchado a bochecha dos dentes do siso arrancados.

 

Fiquei gira, mas respeitável. E, espero eu, sem parecer mais nova do que os meus alunos. 'Tá qualidade LinkedIn, não 'tá? 

 

Emigrar = desistir de Portugal?

Quando me propuseram ficar definitivamente a trabalhar em Bangkok, tive muitos momentos de dúvida que, obviamente, continuam a aparecer-me de vez em quando. O contexto: ao regressar a Portugal em Setembro, teria a possibilidade de frequentar um dos melhores mestrados da Europa, numa universidade de referência, possivelmente conseguiria até assegurar alguma bolsa de mérito, continuaria a dar explicações ou arranjaria trabalho (até já tinha tido uma proposta no fim do segundo ano de licenciatura, mas na altura não conseguiria conjugar estudos e actividade profissional e a relação salário-esforço não era relevante o suficiente), teria a minha base familiar sólida, o meu namorado e os amigos que guardo há largos anos, uma das minhas amigas vai ter um bebé e eu iria com certeza acompanhar a gravidez dela de perto, continuaria a viver na minha zona de conforto, debaixo da asa da avó, no meu quarto cor-de-rosa e cheio de tralha, numa casa de dois andares com quintal, onde continuaria a brincar com os meus cães e gatos sempre que me apetecesse.

No que toca às oportunidades que Portugal me proporcionou, tenho a dizer que poucas foram. Pessoalmente, recebi a bolsa de estudo da DGES por dois anos. A minha bolsa de mérito foi-me sempre atribuída durante os três anos de licenciatura por uma associação privada. A bolsa de mérito da DGES nunca chegou e ainda estou à espera dos três anos que me devem. Idém, para a bolsa de melhor finalista atribuída pela Caixa Geral de Depósitos. Tenho apenas a sublinhar que, não fossem os professores excelentes que tive e que representam Portugal e a função pública, ainda menos aspectos positivos teria para enumerar. Não me sinto amargurada por ter tido sempre que trabalhar ao longo dos últimos anos para pagar a faculdade, mas a verdade é que o sentimento com que me identifico é que fui eu que trilhei o meu caminho sem grande ajuda dessa grande entidade chamada "Portugal".

Portanto, quando me falaram pela primeira vez a trabalhar em Bangkok, logo na minha primeira semana na Tailândia, eu fiquei confusa. Obviamente que adoro Portugal, o sol de Lisboa, a minha casa fora dos centros urbanos, as pessoas que me rodeiam, ouvir a minha língua todos os dias. Mas, caramba, quando surgiu a oferta de trabalho concreta em Bangkok, fiquei sem desculpas para não aceitar. Apenas 12 horas de trabalho lectivo obrigatório, fora horas extraordinárias pagas devidamente, um salário irrecusável para alguém da minha idade numa cidade tão acessível quanto Bangkok, a possibilidade de continuar os meus estudos em simultâneo, montes de pessoas a apoiarem a minha candidatura e com quem estabeleci uma relação extremamente carinhosa desde o primeiro dia (incluindo a melhor chefe de sempre) e... o meu trabalho de sonho e que eu não pensava conseguir nos próximos cinco a dez anos - ser professora numa universidade.

Como pode uma pessoa lembrar-se dessa miragem linda e maravilhosa, solarenga, quente, emocionalmente segura que é Portugal, quando lhe oferecem estas condições todas?

Não, nem eu desisti de Portugal nem Portugal desistiu de mim. A Tailândia foi simplesmente mais rápida, pelo menos por agora. Sou um caso que provavelmente seria bem sucedido em Lisboa ou Bangkok, mas que pendeu mais para um lado do que para outro. É como terem a possibilidade de comprarem uma casa no local dos vossos sonhos mas que demora imenso tempo a fazer, ou uma casa que vai ter de ficar noutro terreno, mas que já está pronta e até traz um sistema de fornecimento de energia solar.

Emigrar, ou ir estudar para outro país, pode não ser apenas sobre desistir do nosso. Hoje em dia, acho que a nova geração se considera cidadã do mundo e que pertence, ou pode vir a pertencer, a muitos sítios diferentes. Infelizmente, a ideia principal a que eu quero chegar com todas estas linhas de texto é Portugal não está a ser rápido do suficiente para a mão-de-obra qualificada que educa e forma. Mais rapidamente esta mão-de-obra é arrebatada para outros sítios. Nem sequer falo de mim neste exemplo específico (eu nem tive tempo de estar em Portugal à espera, por isso nem posso imaginar o que um jovem formado e frustrado deve sentir), mas ouve-se falar de cada vez mais jovens formados que acabam por emigrar, porque mais fácil e rapidamente são valorizados do lado de fora.

Não chega os Velhos do Restelo andarem para aí a apregoar que nós desistimos do país sem mais nem menos, que somos uns cobardes, desistimos rapidamente... Amigos, tentem romper assim com a vossa vida como os emigrantes fazem para ver o que é bom para a tosse.

Os tempos do elevado patriotismo já lá vão. Esta é mais a era chamada "o patriotismo não paga contas nem nos providencia a realização de objectivos e sonhos pessoais ou profissionais". Se gosto do meu país? Claro que sim, adoro Portugal. Se gosto mais da Tailândia? Não necessariamente. Estou cheia de saudades do céu sem nuvens ou poluição, dos enchidos, dos pastéis de bacalhau, dos rissóis e das pizzas do supermercado a 1,50€, mas a Tailândia concretizou-me uma data de objectivos a todos os níveis duma assentada, as pessoas são doces e genuínas aqui, o trânsito é caótico mas estranhamente seguro, a rede de transportes públicos é eficiente, tenho o meu próprio apartamento com uma vista esplêndida para o centro da cidade, a roupa é muito mais barata, as ruas estão cheias de gente de noite e de dia, há vida a passar-se. Se me mandassem para cá a minha família, o meu namorado e os meus amigos e me assegurassem que poderia realmente ficar na Tailândia para o resto da minha vida como professora e a ser aumentada todos os anos (o que acontece com os professores efectivos da função pública), teria muita dificuldade em recusar.

 

Para mim, emigrar ou ir viver para outro país não significa desistir de Portugal. Antes significa não desistir de mim e dos meus projectos.

As caras-metade das pessoas que não param

Quando alguém conhece uma pessoa que não pára, que se farta de trabalhar, com vontade de comer o mundo com uma só dentada, nunca se lembra daqueles que a rodeiam diariamente - se é que alguém a rodeia. As pessoas que não param parecem nem ter tempo para se coçarem, quanto mais para manterem relações humanas frequentes e duradouras.

Mas a verdade é que, quando se quer, tem-se tempo para tudo. O pior é já não se ter energia para nada ao final de um dia de esforço contínuo e, nisso sim, coloca-se a questão se haverá quem seja capaz de estar do lado de uma pessoa imparável. 

E nisso tenho eu montes de sorte.

Quando o Ricardo me conheceu, diz ele que eu já deixava o cheirinho à criatura non-stop das 7h às 19h (na melhor das hipóteses) que sou hoje. Isto foi há quase 4 anos. No ensino secundário, já eu queria participar em tudo o que houvesse, já não me escapava grande coisa. Já havia Alliance Française, já havia Forum Estudante, já havia prémios literários.

No entanto, o número de actividades em que me comecei a envolver a partir do primeiro ano da faculdade começou a aumentar bastante, em proporção ao tempo que me restava depois de fazer as contas às horas de aulas e de estudo. Comecei logo a trabalhar, continuei a inscrever-me para tudo e mais qualquer coisa.

E o Ricardo, super calmo, continuou a estar disponível para me dar atenção e assegurar-se de que, emocionalmente, nada me faltaria.

 

(Atenção que o Ricardo não é a única pessoa que me apoia, porque, felizmente, tenho um grupo de amigos que, entre workaholics semelhantes ou gente independente que não precisa de estar constantemente em contacto com os outros para lhes dizer o quanto gosta deles, compreende a minha posição. E também tenho a minha avó, que me anda sempre a comprar chocolate, uma espécie de combustível que o meu cérebro não dispensa, e que me deixa dormir na cama dela de vez em quando.

Mas aqui, falam-se de caras-metade, por isso voltemos a elas.)

 

O meu segundo ano de licenciatura tem sido c'os diabos. Ando desmotivada, os professores não sabem realmente o que estão a fazer, fui aceite para um estágio que me rouba demasiado tempo (acaba em três semanas, yes!), continuo a trabalhar que nem uma louca, etc e tal. Chego ao final do dia com as baterias todas fraquinhas. Depois, das duas uma: ou me vou abaixo e fico apática, ou fico com um humor de crocodilo e começo a mandar vir ou começo a chorar desconsoladamente até adormecer ou até alguém resistente me dar um abraço como deve ser.

Pois quem me dá esses abraços é o Ricardo e quem me chama passivo-agressiva, pacientemente, é ele também, como se estivesse a comentar que lindo dia está. "Já estou habituado", diz ele, garantindo-me que não o diz pejorativamente, mas sim que, se já me conheceu como sou, por que haveria de deixar de gostar de mim?

O Ricardo, nesse aspecto, é a luz dos meus dias ou, pelo menos, das manhãs e das tardes em que nos encontramos no comboio ou em casa, quando dou explicações à irmã dele - tudo de raspão, muitos encontros-relâmpago.

Supostamente, os opostos atraem-se. Com isto, não quero dizer que sejamos muito diferentes um do outro, mas a descontracção dele é o catalizador para a minha ansiedade. É sempre necessário um equilíbrio, não é? Alguém que se preocupa demasiado precisa de alguém que não se preocupe com grande coisa (e vice-versa).

 

No outro dia, um professor meu (super jovem) dizia-me que é possível ter-se uma cara metade, sendo-se ambicioso. Contudo, confirmava-me ele que é necessário essa pessoa compreender por que é que nos sujeitamos a tamanhas atrocidades físicas e psicológicas, a contratempos, por que é que ficamos tão cansados, por que é que nos falta tempo, que não é por mal que, à vezes, só nos apetece aninhar para o resto da eternidade (e atestar as reservas de feromonas, acrescento eu). Mas é preciso essa pessoa ser meeeeeeeeeesmo especial.

 

Se algum dia o Ricardo acabar comigo, será porque eu o traí... com os livros e o computador.

Como atender chamadas indesejadas de call center

Estou a falar com a Srª D. X?

Querem saber como atender chamadas indesejadas de call center, mantendo uma postura correcta, mas assertiva?

 

Até trabalhar num call center, nunca entendi na minha cabecinha que quem nos falava do outro lado da linha, a tentar vender-nos ou a convencer-nos sobre qualquer coisa, também era um ser humano. Aliás, nunca cheguei sequer a intelectualizar o assunto. As chamadas publicitárias, para questionários, para nos oferecer o último tarifário mais cool eram lixo e despachadas com um tchauzinho breve, que eu raramente me interesso por essas campanhas com abordagem telefónica (antes, hoje e quase sempre).

No entanto, depois de ter trabalhado durante três meses na porcaria de uma empresa de call center, a minha perspectiva alterou-se drasticamente. Continuo a irritar-me com tanto telefonema acerca da mesma campanha, continuo a achar que o contacto é demasiado violento e forçado. Mas já não culpo o operador que, coitado, lá anda a penar em representação de um gigante capitalista, género empresas de telecomunicações. Penso sempre "ok, vou tentar facilitar a vida a este bacano, facilitando a minha também". Agora, até me divirto um bocadinho, quando lhes ataco as defesas todas, que já conheço de gingeira.

 

1º - Atender pacientemente as chamadas, perceber se já sabemos qual o objectivo do contacto, se é algo que nos possa potencialmente interessar (acontece, não é?).

 

2º - No caso de não estarmos interessados: Ouça, eu já sei dessa campanha há meses porque sou uma pessoa informada. Além disso, já trabalhei num call center e sei que tem aí uma opção ou um botão no seu formulário que diz "Não estou interessado.", ponto final, ou mesmo com outras justificações. Está a ver? É mesmo aí que tem de clicar.

 

3º - No caso de o 2º procedimento não funcionar: repeti-lo até ser seguro que clicaram mesmo lá no botão e que vocês esterão salvos... até à próxima campanha, pelo menos.

 

4º - No caso de o 3º procedimento não funcionar: ameaçar chamar o chefe de equipa ou o supervisor, ou mesmo ligar para "instâncias superiores".

 

5º - No caso de nenhum dos procedimentos anteriores, desejar um bom dia, uma boa tarde ou uma boa noite, desligar delicadamente e esperar pela próxima picada. Oh, oh, que ela há-de chegar! No serviço onde eu trabalhei, cada campanha dava direito a um máximo de seis!

 

Quem sabe do que fala e vos avisa vossa amiga é, com certeza! Sei a dor que é, tanto realizar quanto atender estas chamadas de call center. E detesto ambas as experiências. Ultimamente, então, tenho recebido demasiadas, com demasiada frequência.

Procrastinar é viver, mas parar é morrer

Queridos, fofos, simpáticos. Já estou melhor da gripe e já deixei de ver trash TV. Em breve, respondo aos comentários. Obrigada a todos!!!

Falando doutros assuntos...

 

Quem já lê o que escrevo há algum tempo, sabe muito bem que os meus tempos de procrastinação andam muito em baixo desde há um ano e meio para cá. Comecei a trabalhar, depois entrei na faculdade e fui-me metendo em cada. Vez. Mais. Projectos. À maluca. 

Sempre que me sinto a estagnar, preciso de mais estímulos e arranjo-os. Felizmente, nunca me faltaram oportunidades.

Nos últimos tempos, a quantidade de trabalhos de copywriting que me costumam enviar decresceu para aí 90%, sem exageros. Nem 100€ fiz em quase três meses, neste ano de 2015. Por outro lado, também não teria tido disponibilidade para fazer muito mais do que fui fazendo entretanto, ora por causa da carta de condução, ora por causa de formação complementar, ora porque estive doente, ora porque não tenho andado com forças para nada, nem para agarrar num livro e ler (sim, eu sei, é um desespero).

Por isso, como sempre, peguei nesta cabecinha de alho chocho, sempre tão despenteada, e pensei "do que eu preciso é de coisas novas, que já nem a faculdade ou o trabalho de estudo me enchem as medidas". 

E candidatei-me a um estágio extracurricular no Centro de Estudos Anglísticos da faculdade (à maluca, sem reflectir muito nas consequências, como é costume). E fui aceite logo ali, na entrevista.

E, a seguir, caiu-me a ficha. PORRA, MAS ONDE É QUE EU ME FUI METER, QUE JÁ ANDO A BATER MAL DOS CORNOS SEM UM ESTÁGIO COM 12 HORAS SEMANAIS E A PARTIR DA PRÓXIMA SEMANA TEREI MENOS ESSAS 12 HORAS PARA, TIPO, DORMIR, ESTUDAR E ENCHER O TEMPO LIVRE A FAZER CENAS INÚTEIS, TIPO, CONSUMIR SÉRIES NORTE-AMERICANAS DA BERRA??? (Em caso de dúvida, estou realmente a citar-me, sem censuras ou delicadezas.)

Olhem, mas eu quero lá saber. É que não quero mesmo saber. Eu nunca deixei de fazer aquilo que me deu na real gana, nunca! E nunca deixei de dormir sete horas por noite. Nem de ser feliz, namorar ou ter a minha dose semanal de Wareztuga. Além disso, eu sei que também durmo algumas horas absolutamente acessórias à minha sanidade mental e que, nos fins-de-semana, sou capaz de passar um dia inteiro em frente ao computador a fazer refresh de sites e redes sociais de que me devo desapegar um bocadinho.

Se ultimamente ando um bocado deprimida e a sentir-me doente, do género doente de já andar a bater com a cabeça nas paredes às quatro da tarde? Ando, pois. Ando mesmo sem vontade para sair da cama. Contudo, uma vez mais, atribuo a culpa disso à desmotivação e desencanto que a faculdade me tem feito sentir, mais a falta de trabalho. Ou é isso, ou é uma anemiazita estúpida, que também se trata com a ajuda do médico e depois passa.

Parece-me que desperdiçar oportunidades é... um desperdício. Um futuro arrependimento, até. Por essa razão é que eu nunca páro, porque quero engolir o mundo e ter o maior número de experiências antes de deixar de ter idade para as ter sem que me olhem de lado e pensem que já estou acabada (e pronto, porque eu também sei que, quando chegar a altura, me quero dedicar a 200% a criar uma família e que determinados compromissos e oportunidades profissionais ou académicas hão-de ter de ficar para trás, porque criar um lar feliz exige o tempo e disponibilidade emocional das pessoas).

 

Moral da história, temos é de ir "bola p'rá frente", aventurarmo-nos e deixar-nos de grandes tratados de pensamento. Temos é de sair da casca, deixarmos a nossa marca no mundo e contribuir positivamente para ele, ser produtivos - não exclusivamente em termos profissionais, mas mesmo em termos de fazermos aquilo de que gostamos e experimentarmos sair da nossa zona de conforto! Há tempo para tudo, desde que saibamos aproveitar o tempo! Até para procrastinar há sempre uma manhã ou um fim-de-tarde!

 

Sinceramente, depois de saber que fui aceite no estágio (já agora, um projecto em que acredito a nível pessoal, de que falarei noutra altura, quando me inteirar melhor acerca dele), tenho a sensação de que fiquei menos fraquinha, menos anémica, menos a enfiar a cabeça na areia. Bem diz o Ricardo que isto pode muito bem ter uma quota parte de origem no psicológico da pessoa! 

 

Desculpem-me a pregação, mas foi mesmo escrita com boas intenções, como espalhar a boa onda e a motivação :) .]

Adicionem-me no LinkedIn!

Por sugestão do professor do curso de Texto de Não Ficção e Novos Mercados, no Cenjor, que frequentei na última quinzena de Janeiro, criei um perfil no LinkedIn. Diz que é útil enquanto CV online; diz que, para trabalhadores independentes ou freelancers, dá muito jeito, pois há uma ligeira probabilidade de alguém que vir o nosso perfil precisar dos serviços que prestamos.

Adicionem-me por lá, "recomendem-me", conheçam melhor o meu percurso escolar e profissional (sobre os quais ainda tenho de acrescentar alguns aspectos) e "liguem-se" a mim!

Este é o endereço para o meu perfil no LinkedIn: pt.linkedin.com/in/beatrizcanasmendes. Espero pelo vosso contacto!