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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Os meus sítios favoritos na Tailândia #3: Bangkok Art and Culture Center (BACC)

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Tenho uma predilecção por galerias e museus bem iluminados, como é o caso do Bangkok Art and Culture Center (BACC). Não gosto daqueles com todas as entradas de luz vedadas, com tectos baixos e paredes escuras. Se não houver janelas, pelo menos que haja outras fontes de iluminação e tectos altos. Assim, gosto do BACC, por ser arejado, minimalista, arrumadinho, cheio de vida.

 

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O BACC é um centro cultural e de arte contemporânea enorme. Tem mais de sete andares (acho que oito ou nove, mas não tenho a certeza), intelrigados por escadas rolantes ou, a partir do sétimo andar, por uma rampa contínua. Há exposições permanentes, outras temporárias. Enquanto visitante, consigo perceber que o objectivo é juntar a tradição ao mais recente, entre fotografia, desenho, pintura, artesanato, escultura e tantos outros tipos de arte. Um dos motivos mais recorrentes é, obviamente, a figura do rei Rama IX, falecido em Outubro de 2016, mas ainda (provavelmente, para sempre) adorado pelo povo.

 

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Inclusivamente, uma das exposições que visitei é a das fotografias que o rei Bhumibol (o nome de Rama IX), um indivíduo versátil e com interesses artísticos variados, principalmente música e fotografia, tirou ao longo da sua vida. Curiosidades acerca desta exposição: uma secção inteiramente dedicada à sua cadela favorita, outra secção só com fotos da rainha (desde os 20 até aos 80 anos), outra com fotos dos filhos e alguns netos... O destaque dado a estas figuras na sua vida só demonstram o grande homem que, imagino, foi.

 

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Dito isto, resta-me recomendar que, caso passem por Banguecoque, possam também visitar o Bangkok Art and Culture Center (BAAC), com ligação ao sky train e com toda a luz, conforto, criatividade e ausência de hordas de gente de que todos precisamos para sermos felizes numa galeria de arte!

 

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Bateu a nostalgia de quem vai voltar a Portugal em menos de dois dias

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 (Há bocadinho, quando cá cheguei.)

 

Na literatura e no cinema, ou apenas na nossa imaginação, existe uma pergunta omnipresente: se soubesses que irias morrer amanhã, o que farias hoje?

Felizmente, não conto morrer tão depressa. No entanto, saber que me vou mudar dum país a 10 000 km de volta para Portugal, e que aqui poderei não voltar tão rapidamente, traz-me uma nostalgia indescritível. Aliás, vou tentar descrevê-la agora, mas não tenho a certeza se me farei entender tão bem quanto desejo.

 

Tenho quase completa certeza de que voltarei a Banguecoque ou à Tailândia no futuro. Quero, pelo menos, mostrar ao meu namorado onde vivi, já que a minha família nuclear cá me foi visitando. O que me causa nostalgia é saber que Banguecoque é uma cidade em mutação acelerada e o que eu conheço hoje já poderei desconhecer daqui a um ano (é verdade). Só na minha avenida, prevêem a conclusão da nova linha de sky train entre este e o próximo ano). Além disso, há sítios aos quais sei que muuuuuito dificilmente poderei regressar, como é o caso do meu estúdio (aquela unidade particular onde vivi durante onze meses e meio) ou do meu condomínio (terei muitas saudades da minha piscina e do ambiente verde e tons de terra dum lado e, do outro, as torres brancas e cinzentas).

 

Deste modo, fiquei com vontade de regressar ou visitar muitos sítios onde não tive tempo de ir, ou porque me senti forreta ou por falta de planeamento. O meu falecimento para Banguecoque e para a Tailândia como os conheço é já daqui a 36 horas e eu não completei a minha bucket list. Nem a meio cheguei. Na semana passada pensei "se morresses agora, ou no mínimo sabendo que vais regressar a Portugal, onde irias?" e fiz imensos planos, mas a vida quotidiana aconteceu e fiquei pela rama. 

 

Seja como e onde for, esta nostalgia deve-se, em grande parte, a saber que este tempo já não volta, porque eu sou agora uma pessoa que se vai apagar no momento em que o avião descolar em direcção à Europa. Não desdenho a pessoa que penso ser aqui na Tailândia, mas sei que também quero experimentar outras versões de mim. Os primeiros quase dois anos da minha vida adulta pós-estudos foram passados aqui, onde tive o meu primeiro emprego, onde vivi sozinha, experimentei muitas coisas novas (comida, pessoas "aspas aspas que é como quem diz", sentimentos, roupa, forma de pensar e estar)... Mas sei que não quero continuar a ser a mesma que sou neste lado, quero antes encontrar um equilíbrio entre o que sou agora, dia 29 de Janeiro de 2018, quem era no dia 22 de Junho de 2016 e quem me vejo sem no futuro.

 

Divago. Voltando ao que me apetece partilhar...

Enquanto escrevo, estou à beira da minha piscina, a tal piscina do condomínio onde vivo (é relativamente normal e barato para alguém da classe média tailandesa viver num condomínio com condições e infraestruturas semelhantes). Custa um pedacinho chorudo da alma sair desta espreguiçadeira onde me encontro sentada, sabendo bem que é provável que nunca mais eu venha a estar neste preciso ponto do globo. Eu sou dada a nostalgias, é um facto que tenho aprendido a aceitar, mas eu tenho quase a certeza que nunca mais vou estar neste sítio, muito menos a esta hora (vou devolver a chave amanhã à tarde), com esta vista nocturna, mas calorosamente iluminada e reflectida na água.

 

E estou a escrever-vos, presentemente no telemóvel, porque não conheço outra forma de lidar com este luto alegre de quem sabe que se está bem aqui, mas que há momentos para tudo na vida, estando eu especialmente entusiasmada por poder partilhá-los com aqueles que mais amo, em vez de o fazer em regime semi-solitário, o que - convenhamos - é bem melhor.

 

Então, pronto. Daqui a 48 horas já estarei com um pé a apontar para Lisboa e, quando assim for, esta nostalgia há-de se encontrar bem enterrada em sonhos e expectativas mais europeias e invernais.

 

(Uma certeza eu tenho: quando puser o nariz fora do avião em Lisboa, hei-de sofrer com saudades do bafo de poluição e humidade De Banguecoque... mas só momentaneamente, que uma pessoa nunca tem fôlego nesta terra!) 

 

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(Agora mesmo.) 

PERIGO: relações à distância são nocivas à saúde

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No outro dia, durante o almoço, a estagiária (de Hong Kong) que está a trabalhar na minha faculdade (em Bangkok) declarou que estava tentada a experimentar uma relação à distância com um rapaz indiano (outro antigo estagiário que já foi para casa). Parece que já se conheciam antes de virem e, enquanto cá estiveram os dois, o "clique" foi óbvio. Ainda assim, não iniciaram nenhuma relação, nem deu tempo para isso.

 

Segundo a minha experiência, provavelmente ela estava à espera que eu lhe dissesse qualquer coisa como "Força nisso! Tu consegues! Vai doer, mas vai valer a pena!".

 

Pois... NÃO!

 

Se puderem evitar relações a distância, evitem. Aliás, fujam delas como o diabo da cruz! Não se metam em aventuras! As relações à distância dão trabalho, dão que pensar, exigem os nossos melhores dias todos os dias e são um grande sacrifício. Estar longe das pessoas de quem gostamos não é a ideia romântica que vemos nos filmes. Na minha opinião, a de quem está deste lado, não é uma coisa "que se tente", desde início, só porque se sente ali um friozinho na barriga.

Se querem arriscar ter uma relação à distância ou encorajar alguém a tentar uma, avaliem a situação. É uma relação à distância desde início (o caso da minha colega estagiária) ou um acaso na vida de duas pessoas que já eram um casal antes? Há um plano ou nem por isso? Como vão ser os encontros? Com que frequência? Onde? Quem vai ter com quem? E a médio prazo, já imaginaram o que vai acontecer? Que sacrifícios estão em cima da mesa? Para quem? Há forma de negociar? E partilham-se as mesmas ideias, objectivos e visões acerca da vida em geral? Há entendimento, não só agora, mas também até daqui a uns tempos?

 

Estas são apenas algumas das questões que coloquei à minha colega e que decidi deixar à vossa consideração. São o mero resultado desta experiência que estou a viver. Só desejo uma relação à distância a quem tiver respostas suficientes. Não pretendo desencorajar ninguém, porque cada caso é um caso, mas não quero que sejam a minha colega, que não tem resposta para nada, não sabe nada, só sabe que "gostaria de tentar, para depois não se arrepender" (palavras dela). Se querem tentar, assegurem as perguntas e as respostas necessárias.

 

E, quando refiro "relações à distância", refiro desde o semestre Erasmus à oportunidade de emprego de sonho sem termo, a milhares de quilómetros. Repito: nada é um filme romântico, no qual é quase certo os protagonistas acabarem num beijo em grande plano.

Seja como for, há que dar graças a todos os santinhos pelas vídeo-chamadas gratuitas.

A viver há um ano na Tailândia

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Viver na Tailândia é uma aventura. Sei que o deve ser para quem vive longe dos centros urbanos ou turísticos, ou povoados de farangs (estrangeiros) e viver em Bangkok também é uma aventura, porque esta é a capital, vivem milhões de pessoas em apenas 600km2, é uma cidade de contrastes, gente muito rica e gente muito pobre, gente de todo o mundo enfiada em condomínios fechados, apartamentos decrépitos, complexos de moradias, casas de madeira ou alumínio à beira dos canais ou torres de quarenta andares - todos a conviverem no mesmo espaço.
Se é um caos?
É.
Mas é um caos a que nos habituamos e que acaba por nos dar a experiência das nossas vidas.

Não existe um único português a viver em Bangkok (que eu conheça) que não goste de cá estar, mesmo que todos tenhamos saudades de Portugal. Temos saudades de Portugal, mas na Tailândia é quase sempre possível levar uma vida muito mais descontraída, mesmo dentro duma selva de cimento e filas de trânsito infinitas.

Pessoalmente, adoro a comida de rua. Ou comida, em geral, barata e fácil de encontrar em qualquer lado. A chave para a minha felicidade é intercalar os meus cozinhados sofridos com a comida tradicional tailandesa. Esta última é rica em vegetais e, à parte os fritos, livre de gordura. Há muito açúcar pelo meio, mas a quantidade e variedade de fruta a que temos acesso servem para equilibrar a nossa alimentação.

As rendas, tal como o preço dos imóveis, é muito mais baixo do que em Portugal. Pago o equivalente a 200€ por um estúdio com kitchenette, num condomínio com piscina, ginásio, sala comum, guardas em peso e estacionamento. Caso quisesse comprar um destes estúdios no meu condomínio (construído em 2013), pagaria cerca de 50 mil euros.

Não me canso de dizer que os tailandeses são uns amores, boas pessoas e com integridade. Muitos dos crimes cometidos na "land of smiles" têm autoria estrangeira. Sinto-me segura a andar na rua à noite. Os tailandeses até podem corresponder aos estereótipos de "mal ou sub-escolarizados, materialistas, vaidosos, taxistas exploradores de turistas", mas raramente ouvirão falar dum tailandês que não tente comunicar convosco num Inglês desafiante, amanhado no momento, e principalmente cheio de boa vontade. Adoram falar com estrangeiros, dar indicações e, se trabalharmos com eles, pagar-nos o almoço.

Viver na Tailândia é um desafio, mas um que vale a pena aceitar. Viver em Bangkok é recorrer ao Google Maps, levar sempre um mapa dos transportes públicos connosco, descobrir onde nos levam os autocarros (com ou sem ventoinha, com ou sem ar condicionado, quase todos dos anos 70/80), fazendo sightseeing autónomo, é aceitar que Bangkok é uma cidade de turismo de compras e que não há assim tanto para visitar. É aceitar que há muita gente e que quem é dado a claustrofobia deveria viver nos subúrbios (eu).

Viver em Bangkok é como viver debaixo da chuva inglesa, misturada com temperaturas lisboetas em Julho, a humidade da Amazónia... Viver em Bangkok é viver em vários sítios ao mesmo tempo!

Por tudo isto e mais uns tostões, há piores sítios para se emigrar...

Um mês na Tailândia em palavras simples (e aleatórias q.b.)

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Simpatia constante. Terra, realmente, dos sorrisos. Comida picante. Noodles. Frango frito. Calor e humidade. mar de turistas. Trânsito maluco, mas não tanto. Apenas trânsito. Muitos iPhones. Poucos livros na mão. Come-se na rua, convive-se. Não há cozinha no dormitório. Colega de quarto fofinha, chama-se Bon e é uma chinesa do Brunei. Estômago cheio com pouco dinheiro. Rendas baixas. Arranjei quem me quisesse levar a jantar logo na primeira semana na Tailândia. Recusei, o Ricardo faz-me feliz, mesmo longe por algumas semanas. Arranjei quem me quisesse arranjar emprego aqui logo na primeira semana também. Aceitei e estamos a ver se me tornarei professora na universidade aos 21 anos (não escondo o orgulho deste feito, caso se venha a concretizar). Os professores do Departamento de Artes Aplicadas gostam de mim e vou, de qualquer forma, dar algumas das aulas de quatro deles. O semestre começa em Agosto. Estou quase a meio do programa de estágio. Faltam seis semanas para regressar, temporária ou permanentemente. Não terei saudades das melgas. Nem das formigas. Nem dos mosquitos. Ainda não meti os pés na praia. Estou em Bangkok, daaaaah. Ando a aprender tailandês. Já sei cumprimentar as pessoas e dizer uma variedade de alimentos. Também sei dizer que não faz mal, que não quero molho e que não quero picante. Ainda não aprendi a contar. Quero aprender a escrever e a ler. Ar condicionado em todo o lado. Dá para vestir roupa gira de Verão o ano inteiro. Há tempo livre. Respira-se. A vida corre estoicamente. Esta é a terra das oportunidades para os jovens estrangeiros. Somos bem pagos em comparação a muitos dos locais. Ainda assim, taxa de desemprego oficial: 1%. Não vejo nada da agitação política de que os meios de comunicação ocidentais falam. Este é um país calmo, excepto na recepção aos novos alunos no campus. Os templos são lindos e fazem-nos mesmo sentir felizes e em paz. As celebrações religiosas também, trazem um sentimento de pertença à comunidade de forma alegre e não forçada.


Tenho saudades de Portugal e das minhas pessoas, mas não me sinto destroçada por estar longe dum país de gente sorumbática. Tragam-me a família, os amigos, o namorado e a luz do Tejo, que tudo fica perfeito.

O que eu já aprendi sobre os tailandeses

Os tailandeses são pessoas muito afáveis e prestáveis.


Os tailandeses são pessoas muito educadas e atentas aos outros.


Os tailandeses sorriem imenso e não são nada rabugentos, seja onde for (no trabalho, no trânsito, quando há algum problema no trabalho...) - portanto, tal e qual como os portugueses.


Quem diz que o trânsito de Bangkok ou da Tailândia é caótico certamente nunca terá estado em Entrecampos, no Saldanha ou no Marquês em hora de ponta.


Apesar desse suposto "caos", uma mistura de para aí dez tipos de veículo diferentes a circular na via (carros, autocarros, carrinhas, motorizadas, com passageiros, sem passageiros, para passageiros, para carga), não se vêem acidentes como em Portugal. Não se vêem mesmo acidentes nenhuns, porque os tailandeses podem parecer caóticos, mas na verdade são os melhores condutores que já conheci.


No escritório onde trabalho, entra-se às 8:30, trabalha-se a partir das 9h)/9:30, vai-se falando e trabalhando, vai-se comendo, almoça-se das 12h às 13h, trabalha-se até às 16:00/16:30 e, claro, vai-se comendo.


Os tailandeses comem o dobro dos portugueses e são quase todos magros. (Juro que não sei onde esta gente arruma tanta comida!)


Os tailandeses comem arroz e noodles ao pequeno-almoço, com carne e vegetais fritos.


As meninas e mulheres tailandesas têm muito estilo: nunca lhes vemos um cabelo fora do sítio, uma roupa que as favoreça menos, sapatos rasca, maquilhagem desajeitada... e tudo isto num clima tropical, quente e húmido.


As lojas e mercados de rua só vendem roupa bonita. Há um corredor inteiro dedicado só à maquilhagem no supermercado. 

 

Os tailandeses parecem quase sempre ter metade da sua idade real.


Os tailandeses não têm rugas.


Apesar do clima tropical, os tailandeses não cheiram a suor.

5 livros para levar em viagem

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Quando faço a mala para ir a qualquer lado fora do país, durante alguns dias, é muito importante para mim decidir que livros devo levar para a viagem. Então, quando vou estar três meses fora, ainda se torna mais urgente decidir quais as leituras eleitas, de modo a que sejam as suficientes para esse período de tempo, que sejam uma decisão segura e não acabem por ser uma desilusão e que caibam todas na bagagem.

 

No meu caso pessoal, tenho de escolher à volta de três livros que não se tornem um fardo de peso e volume numa mochila e numa mala de cabine. Tentarei levar mais qualquer coisa para ler no tablet, mas não me consigo habituar totalmente à leitura de e-books, portanto prefiro apostar nos livros físicos.

 

Como leitora irrequieta que sou, escolher livros para levar em viagem é um martírio. O que eu queria era levar pelo menos dez - ou, se possível, toda a minha estante, e depois só ter de decidir no lugar. Detesto sentir-me condicionada nestes termos!

 

 

Assim, aqui fica uma selecção de livros para levar em viagem:

 

1. Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago

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Ao viajarmos para um país longínquo, os livros escritos na nossa língua materna representam um grande conforto. Não é que eu já tenha viajado muitas vezes, só viajei por mais de uma semana três vezes na minha vida, mas essas experiências já me ensinaram que, lá para o quarto dia no país estrangeiro, a ouvir praticamente a língua respectiva a toda a hora, nada bate um regresso às origens. Obviamente, aconselho a escolha dum bom livro e autor, para um efeito potenciado ao máximo.

 

 

 

 

Fazendo as malas

Já todos pensámos, pelo menos uma vez na vida, no que levaríamos para uma ilha deserta, se tivéssemos "bagagem" limitada - do género:


- se tivesses que ir para uma ilha deserta, quais as três coisas que não te podiam faltar?
- se tivesses que ir para uma ilha deserta, quais as três pessoas que escolheria para ir contigo?

 

 

Basicamente...


- se tivesses que ir para uma ilha deserta, o que é que terias mesmo, mesmo, mesmo de levar, bens sem os quais não poderias viver, indispensáveis à tua sanidade?

 

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Ora bem, digamos que eu estou a passar por uma fase desse género, em que tenho de decidir o que é que quero realmente levar comigo para a Tailândia, onde vou viver quase três meses... com a condição de ter de caber tudo-tudinho numa mochila e numa mala de cabine. Exacto, terei de condensar dez semanas em para aí 75cm3.

 

Felizmente, eu até me tenho tornado uma miúda prática no que toca a fazer a trouxa para viajar, experiência essa que vem culminar nesta mega aventura que se avizinha. Escolher a roupa não foi problemático, porque vou para um país muito quente e a roupa quer-se levezinha, não ocupando muito espaço. Conto já levar a roupa mais pesada vestida, assim como um casaco na mão. O que ocupa mais espaço são mesmo as bisnagas com gel de banho, champô, cremes vários e maquilhagem, mais outras coisas úteis que faço questão de levar, porque podem ser mais caras por lá e "nunca se sabe" (argumento tipicamente femin... perdão - de gente prevenida).

 

Aaaaah, mas alto lá e pára o baile! Então e os livros, Beatriz Helena??? Os livros??? Não podes só levar os do tablet, até porque precisas de dar vazão aos que tens comprado! Como planeias sobreviver sem leres, ahn, minha cabeça de vento?

 

Esse tópico fica agendado para a próxima publicação.

Não consumir tantos bens materiais em 2016

Comecei agora a ler Walden ou a vida nos bosques, de Thoreau, escrito no século XIX, quando o sistema capitalista começou a enraizar-se e a afectar a sociedade dos Estados Unidos da América.
Logo nas primeiras páginas, as únicas que já li, em todo o caso, Thoreau fala-nos acerca do hábito consumista e de como adquirimos tantos bens de que não precisamos. Como, quanto mais temos, mais queremos e sentimos necessidade de ter. Esta leitura está a coincidir com um modo de me relacionar com o dinheiro que tenho tentado adoptar.


Acho que eu mesma senti o entusiasmo do dinheiro durante o primeiro ano da licenciatura, que coincidiu com o período em que comecei a trabalhar. Finalmente, ganhava o que era meu por direito, a minha autonomia de o gastar onde e como me apetecesse (desde que reservasse algum para as propinas&transportes). Esta novidade submergiu-me durante alguns meses. Quando fui a Newcastle, fartei-me de gastar dinheiro em doces e em roupas que, apesar de não se encontrarem cá em Portugal, pelo menos pelos mesmos preços, não me eram assim tão necessários na altura. O que me valeu em Bruxelas e talvez em Paris foi ter menos espaço de bagagem disponível. Aliás, em Paris já eu me contive muito. Só comprei livros, segundo me parece, e algumas lembranças simples, como marcadores de livros e postais.
Acho que foi depois dessa viagem a Paris em Abril de 2015 que comecei realmente a olhar mais para as contas. Coincidentemente, antes de ir, chumbei no exame de condução - para fazer um novo teria de pagar 200€, quase o mesmo que pagara por toda a carta.
Olhando a gastos, acho que a minha maior despesa é em livros. No entanto, em 2015 passei a comprar com mais cuidado, porque em 2014 aprendi que nem sempre quantidade significa qualidade. O mesmo com a roupa, sapatos e produtos de beleza e de banho da Yves Rocher (pelos quais tenho uma pancadinha).
Em 2016, os meus maiores gastos inevitáveis continuarão a ser em livros. Em termos de roupa, em 2015 comprei o suficiente para não precisar de muito mais em 2016 (nomeadamente roupa de Inverno, um casaco de pêlo e calças). Também devo contar com a compra de um ou outro artigo de maquilhagem. Se calhar, vou investir numa boa paleta de sombras e em bons batons, mas não uso diariamente mais do que isso. Ah, e as viagens... Não esquecer as viagens. Em breve, farei uma ou outra!
Desde esta semana também passei a dar explicações a mais uma menina, além dos dois irmãos a quem já dava, e continuo o copywriting (se bem que com muito menos frequência, porque os pedidos já não abundam), por isso vou ganhando uns trocos.

Não me lembro de muito mais truques para poupar em 2016. Acho que apenas devemos guardar em mente que não precisamos muitos bens materiais para ser feliz e que - já sabem - quanto mais temos, mais queremos ter. Basta-nos adormecer o frémito consumista e saber controlar as compras por instinto. Poupar é mais com a Cláudia, por exemplo. Eu ainda não tenho um trabalho e um salário regulares para poder poupar quantias significativas.

2016 e o pós-licenciatura

O meu maior objectivo para 2016 é conseguir fazer as escolhas que mais me deixem satisfeita, sendo o maior desafio descobrir o que é que me deixaria mais feliz, porque eu adoro todas e cada uma das minhas alternativas pós-licenciatura.

Fazer um voluntariado internacional de longa duração (mais de 6 ou 9 meses), género Serviço Voluntário Europeu. Sim, eu quero muito saber como é viver noutro país, entrar em contacto com pessoas diferentes e desenvolver competências "fora da caixa".

Ser assistente de português em França. As probabilidades de ser admitida no projecto do CIEP são elevadas, uma vez que sou quase fluente em Francês, teria boas recomendações de professores da faculdade e vou ainda estagiar na área da educação e do ensino. Além disso, iria receber mais de 700€ de salário (depois dos descontos), só trabalharia 12 horas por semana e o calendário de actividade é fixo (1 de Outubro de 2016 a 30 de Abril de 2017).

Começar o mestrado. Gostaria de tirar Sociologia (especialização em Conhecimento, Educação e Sociedade, na FCSH-UNL, em cujo primeiro ano só pagaria 200€ por causa da média de 17 na licenciatura) ou Estudos de Cultura (na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica, o terceiro melhor do mundo na área, mas para o qual preciso de arranjar um emprego ou uma bolsa de investigação, para pagar mais de 7000€ de propinas em dois anos).

O possível segundo mestrado que eu poderia tirar simultaneamente ao de Sociologia é Estudos da Língua Portuguesa - Investigação e Ensino (na Universidade Aberta), porque é em regime de e-learning e a carga horária não é muito exigente. Em alternativa, não seria mal pensado conjugá-lo com a tal estadia em França como assistente... de português! Ou até com um voluntariado!

 

E agora??? Eu sei que me daria bem qualquer que fosse a minha escolha, por isso é mesmo esperar e ver o que acontece, como é que as circunstâncias se apresentam. A história do pós-secundário repete-se.