Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Porque é que escrevo em português e inglês no Instagram?

instagram.png 

 

Na maioria das publicações no meu Instagram, escrevo em português e inglês. Às vezes, só escrevo em inglês. Às vezes, só em português. Tal como vai o meu Instagram, também vai a minha cabeça. É difícil escolher qual a melhor língua, para quem estou a escrever, o que quero expressar. A verdade é que os portugueses percebem inglês mais facilmente do que os meus amigos estrangeiros/tailandeses percebem português. No entanto, os portugueses são-me mais queridos, por isso custa-me deixar de escrever na nossa língua.

Em suma, escrevo em português e inglês nas minhas redes sociais, às vezes até em francês no Facebook, porque quero incluir todas as pessoas com quem me encontro em contacto, quero abarcar toda essa diversidade linguística que compõe a minha vida, quero encontrar um equilíbrio, um compromisso entre vários mundos. Será possível?

Agradecimento tardio, mas sentido

Apesar de alguma inquietação nas últimas semanas, há que frisar que estou viva! A publicação da semana passada foi, de facto, o maior desabafo que eu poderia ter partilhado, porque esse foi um dia longo, que culminou em mim a comer um cupcake de banana e chocolate no Starbucks, enquanto músicas natalícias passavam no fundo, e a ir a um evento sem companhia: um recital multimédia de fado, com direito a imagens soalheiras de Lisboa. Tudo do bom e do melhor para soltar uns bons soluços! 

 

 

E não, eu não estou em Bangkok forçada nem nada, estou porque quero, como os leitores deste blogue já saberão. Estou a adorar a experiência, mas até o melhor dia é quase sempre uma desilusão se não o pudermos partilhar com aquelas pessoas. É só isso. 

 

Por todos estes motivos, é com grande felicidade que venho partilhar com todos que, dentro de três meses, já estarei de volta a Portugal! Até ao início da semana que passou, não valia a pena espalhar a notícia, porque tive, em primeiro lugar, que contar à minha chefe e a alguns superiores. Não fazia sentido estar a comunicá-lo antes disso. Contudo, a decisão já foi tomada há muito mais tempo! 

 

Então, tenho a agradecer aos leitores mais assíduos que me têm acompanhado as suas palavras amáveis e por continuarem desse lado a ler os meus amores e dissabores sobre a Tailândia. Sei que não tenho mantido este blogue muito actualizado, o ritmo da minha vida tem andado meio estranho, mas daqui para a frente será sempre a melhorar! Vamos lá ver! Muito, muito obrigada, como sempre. Obrigada também aos Destaques do SAPO (e até à plataforma SAPO) por andarem a promover 70% das minhas escassas publicações. Sabe sempre bem receber algum feedback do vosso lado, é sempre muito gratificante.

 

Numa nota menos positiva acerca da inevitável visibilidade consequente (mesmo que momentânea), tenho a acrescentar algumas palavras de censura a quem acabou de chegar e se pôs logo a enviar-me postas de pescada. Isto dos blogues é um fenómeno cheio de detalhezinhos, coisinhas miúdas que devemos ter em consideração, e uma delas é a seguinte: não vale a pena julgarem-me por UM TEXTO que eu tenha escrito NUM DIA aleatório de seis anos de Procrastinar Também é Viver. É como julgar um casamento feliz de cinquenta anos por uma discussão naquele dia em que alguém não pôs a loiça na máquina. Felizmente, tenho sido abençoada com oportunidades únicas na minha vida ainda curta, tenho tido uma vida com algumas contrariedades, mas bastante cheia, tenho conhecido gente maravilhosa... Aliás, quem lê o que escrevo no resto do tempo sabe disso. A Tailândia foi um dos maiores jackpots que me calhou, mas nem todos os dias são paisagens maravilhosas. A vida continua aqui, como em todo o lado; eu não estou propriamente de férias. Ser feliz longe de Portugal é, por isso, um desafio, por muito que gostemos do sítio onde estamos.

 

Seja como for, as vozes positivas prevalecem e, mais uma, e outra, e outra vez, muito obrigada por estarem desse lado. Adoro escrever neste blogue, adoro a vossa companhia. Têm sido seis anos de crescimento, já me viram adolescente, adulta, feliz, triste, apaixonada, desapaixonada... É assim a vida! 😘

 

1510306484770.jpg

Solidão no meio de dez milhões

IMG-20171027-WA0003.jpg

 

Foi em Bangkok que me senti só pela primeira vez. Custa muito admitir que nos sentimos sós, porque é mais fácil estarmos em negação. Quando cheguei ao ponto de o reconhecer, já tinha passado por muitas fases.

 

A primeira fase foi arranjar sempre algum bode expiatório para o descontentamento. No início, não podia ir a casa no Natal. Depois, arranjei uma forma e fui. Dois meses depois, mudei de apartamento, culpando as baratas debaixo da bancada da cozinha que me comiam o jantar, o lixo à saída do condomínio e a má gestão do edifício. No novo condomínio, sentia falta dum animal de estimação. À revelia das regras - ainda que à semelhança da prática de tantos outros vizinhos - arranjei um gato. Depois do gato, veio a minha avó. Por dois meses, senti-me acompanhada, mas sabendo que não iria durar para sempre.

 

Entretanto, a fase de estar triste sem saber porquê. Uma melancolia imensa, um vazio e muita inquietação.

 

Por fim, a consciência de que me sinto... de que me tenho sentido só. Do outro lado da linha, chegam-me palavras cheias de amor, mas essas só se ficam pela metade. É pela falta delas que me sinto assim, é por, como acontece com os fantasmas, as poder ouvir e ver, sem lhes tocar, que me sinto isolada neste mundo que é o mesmo, parecendo uma realidade paralela.

 

Não sei se é assim que todos se sentem quando se mudam para outro país. Espero que não. Talvez eu sinta, por acréscimo, todo o isolamento cultural, geográfico, visual como consequência de estar tão longe.

 

Bangkok é uma cidade com dez milhões de pessoas, mas nunca me senti tão sozinha antes, nem quando vivia num sítio com uns poucos milhares de pessoas.

 

Tenho amigos em Bangkok, mas cada um está na sua vida, cada um vive noutra ponta da cidade. Estar longe da família e daqueles que amamos tem disto. Não há ninguém à nossa espera em casa, raramente há quem se disponha, à última hora, a acompanhar-nos seja onde for. Não há certezas de nada. Não há ninguém que possamos alcançar à distância duma chamada.

 

Mas, se eu precisar dalguma coisa, é só ligar - dizem eles.

Do que eu preciso é de não ter de ligar.

Sim, o dinheiro traz felicidade

IMG_25601011_120109.jpg

 

Há poucas sensações tão boas quanto esta: entrar num restaurante, numa loja, ir de férias, com uma pessoa de quem gostamos e poder dizer "escolhe o que quiseres, não olhes para os preços, sou eu que pago".

Quem diz que o dinheiro não traz felicidade é hipócrita. Dinheiro que seja gasto em experiências, para mim, é dinheiro que me faz muito feliz.

Não pretendo ter um salário X para poder esbanjá-lo todo em coisas inúteis, mais porcarias e bugigangas, mas sim para poder mimar-me a mim e aos meus de vez em quando. No futuro a longo prazo, poder ter uma casa onde não falte nada, um carro que não me traga dissabores, férias fora do habitual todos os anos, ter um bom seguro de saúde para toda a minha família, dar à minha avó um resto de vida de papas e descanso, oferecer aos meus hipotéticos filhos uma educação que lhes abra os olhos e as portas para o futuro.

Por agora, é só isto: levar a minha avó e o meu pai ao melhor resort que há numa ilha tailandesa, mesmo que por apenas uma noite, entrar num restaurante e não olhar demasiado para os preços, viajar pelo país, proporcionar-lhes mudanças radicais De cenário, ser eu a pagar, poder partilhar o que tenho - basicamente, ter dinheiro suficiente para não ter de pensar... em dinheiro.

Há alguma receita para o amor?

Reposta curta:

Não, não há nenhuma receita para o amor.

Resposta longa: Há apenas possíveis ingredientes. Eu nunca fui boa cozinheira, por isso faço sempre misturas estranhas. Vai por tentativa e erro. Mais um ingrediente aqui, menos um ingrediente ali. Da próxima sai melhor. Se não é desta, será doutra.

Não há receitas para o amor, mas há cozinheiros que, ao trabalharem em equipa, conseguem criar pratos equilibrados a partir do desequilíbrio de sabores.

Eu sei que tive a sorte de conhecer o melhor chef do mundo há muitos anos. Há poucas aventuras que eu queira ter sem ele. Passo a vida a pensar "o Ricardo havia de gostar deste sítio, quem me dera que o Ricardo visse isto, o que é que o Ricardo diria daquilo?, o Ricardo ia adorar estar aqui". Mesmo quando vivia em Portugal, mesmo quando vivíamos a três quilómetros um do outro e nos víamos quase todos os dias antes e depois das aulas e do trabalho, eu já sabia que, como ele, há poucos.

O amor não tem receita, mas as relações humanas têm, todas elas. Quando começámos a namorar, quando ainda estava tudo muito fresco e eu contei ao meu pai que só namorávamos, oficialmente, há duas semanas, ele disse que o mais importante devia ser sempre o respeito mútuo. Foi o único conselho que recebi, mas devo dizer que há muito mais por trás desta única palavra.

O respeito não existe facilmente, é preciso muito mais. Tenho aprendido, a cada dia que passa, que, para haver respeito, tem de haver uma certa admiração pelo outro. Pelo que ele é capaz de fazer, pelas ambições, pelos feitos, pelo feitio, pela disposição, pela maneira como encara a vida. Só assim é que consigo respeitar alguém e só assim sou capaz de respeitar o Ricardo, não necessariamente apenas enquanto meu namorado, mas enquanto amigo, filho de alguém, irmão de alguém, futuro pai, cidadão deste mundo, profissional e membro desta e doutra comunidade ou equipa.

E, além do respeito, sempre achei necessário haver um compromisso. Falar de bebés e contas bancárias aos 17 e aos 19 anos pode parecer despropositado, mas funcionou, porque eram e são esses os nossos planos e ideias para o futuro. Partilhar expectativas em relação ao que se espera duma família e do seu funcionamento faz parte duma relação que não se deseja ser um desperdício de tempo. Quando se assume um compromisso, seja aos 15 ou aos 85 anos, tem de haver um contrato explícito. Aos 22 e 24 anos, falamos dos mesmos assuntos, uma e outra vez, à procura de consenso permanente, para verificar se continuamos na mesma página. Continuamos, mais do que nunca. Lemos livros diferentes, mas viramos as páginas em simultâneo. 

Provavelmente, tudo o que idealizamos ainda há de levar mais meia década a concretizar-se. Chegaremos sem grande esforço a perto de dez anos de negociações, preparações, projectos, ideias. Talvez por virmos de famílias e pais que teriam precisado bastante de viver este processo demorado antes de nos terem, somos uns gatos escaldados.

Receita para o amor não há, mas há comunicação e abertura numa parceria como qualquer outra. Precisamos de melhorar isto, aquilo não pode ser mudado, aqueloutro está bom. 

 

IMG_20121206_124722.jpg

 

E agora vocês, quais são os ingredientes da vossa história de amor e parceria? ♥ 

Tenho saudades de casa

Nos últimos dias, talvez semanas, tenho batido no fundo do poço, uma e outra vez, constantemente a subir um pouco e a cair, a subir e a cair, e cada queda parece sempre pior do que a anterior. Tenho saudades de casa, onde não chego nem perto desde Abril. Fez ontem cinco meses que regressei à Tailândia depois da Páscoa/ano novo tailandês e não há palavras que consigam descrever a sensação de não se estar no sítio onde deixámos o coração e de se ter quase a certeza de que não é suposto estarmos onde estamos.

Viver na Tailândia tem sido uma experiência e tanto. Tenho aprendido e vivido o que pensei não chegar a fazer parte da minha experiência de vida. Sou uma sortuda, foi-me entregue de bandeja o emprego que eu só esperava quase aos 30. O meu salário não é ideal para quem vive a praticamente 1000€ de distância do seu país e faz questão de lá ir duas vezes por ano e de "importar" os seus nos entretantos, mas é um salário bem superior ao que eu alguma vez esperaria ganhar em Portugal saída de fresco duma licenciatura (mesmo em euros, o meu salário médio - aulas base, aulas extra, tutorias privadas - ronda quatro dígitos muito confortáveis). Vivo sozinha, sou responsável pelas minhas contas, adoptei um gato, vivo numa cidade que eu nem sabia localizar no mapa, vou a sítios que ficam bem nas fotos do Instagram, de vez em quando posso esbanjar em roupa a condizer com a paisagem, não ando a contar trocos, blá blá blá.

 

Há três semanas que não tenho um dia inteiro para mim. De manhã, quando acordo, até â noite, quando adormeço. Tenho algumas manhãs e tardes livres, mas sempre com a sombra dos trabalhos do mestrado e das aulas para preparar a seguir-me para onde quer que vá (tentar) distrair-me. Quando acabo uma tarefa qualquer, já tenho outras na fila.

 

Não vejo o meu namorado em carne e osso desde que o deixei nas partidas do aeroporto de Lisboa e só o volto a ver em Dezembro ou Janeiro, daqui a 3 ou 4 meses. Entretanto, aturo perguntas que, apesar de inocentes, doem pela insistência e incredulidade: "mas o teu namorado não vem ter contigo? só o vais ver em X data?". Há poucas pessoas que percebam o sacrifício de trabalhar e estudar ao mesmo tempo (o meu caso e o dele) e de nem sequer compensar viajar meio mundo por dois dias para se lá estarem outros dois, não nos esquecendo do sempre terrível preço do bilhete.

 

Muitas vezes ao dia, muitas mais do que eu gostaria que acontecesse, desejo a calma de espírito daqueles que, mesmo vivendo em terras remotas, seja por opção ou porque teve de ser, não se importam de ir a casa a cada dois anos, estão confortáveis seja onde for, tomam banho em filosofias de carpe diem e são felizes sem um lar, ou que versatilmente constroem muitos lares. Que fantástico seria não andar a dançar em nós na garganta e a aperceber-me cada vez mais que sorrio mais por ansiedade e reflexo do que porque de facto me apetece! Mas não, ainda bem que estas emoções negativas existem, por serem a prova de outras bem positivas: amor, pertença, lealdade, aconchego.

 

Felizmente, eu sei que continuo aqui a prazo. O mundo é tão grande, há tanto a explorar, e agora é mais do que hora de voltar a lançar os dados e apostar em novos números. No meio do processo, aprendi a valorizar e a desvalorizar certas experiências e ambições. Umas eram tidas em alta consideração, mas foram repensadas. Outras nunca me teriam passado pela cabeça se eu cá não estivesse.

 

Uma coisa é certa: não é possível ser-se feliz para sempre com os pés num sítio e com o coração acolá. Sair do país deu-me a mim e às pessoas que me rodeavam diariamente uma nova perspectiva sobre a realidade. Acho que estamos todos diferentes. Há laços que se estreitaram, outros que sumiram para debaixo do tapete. Contudo, não me arrependo, até porque isso não serve de nada.

 

As melodias que o meu humor tocaria (e escreveria, em grande parte) neste momento:

 

O que eu penso sobre viver na Tailândia 🏡

Há tanto de diferente e tanto de igual na Tailândia, quando me lembro de Portugal. No entanto, voltaria já a Portugal sem olhar para trás, caso houvesse essa oportunidade, neste preciso minuto. Ainda assim, vamos lá continuar este semestre e logo se verá. Viver na Tailândia tem muito de bom, mas aprendi que não há nada como estar em casa, no nosso lar, com as pessoas de quem mais gostamos. 

Entretanto, deixo aqui estes apontamentos. Decidi que o melhor a fazer é mesmo gravar em português, dadas as estatísticas da audiência que segue estes vídeos, por isso espero que sejam minimamente interessantes e que constituam uma fuga aos textos loooongos que eu costumo escrever. 

 

 

Nota à blogosfera

Ando a adiar esta publicação há demasiado tempo. Há muito a ser dito, mas poucas palavras para o expressar, por isso aqui vão as melhores que tenho.

 

Desde que vim morar para Bangkok, a minha vida tem sido uma constante de desconforto, descobertas e avalanches várias. No semestre passado, trabalhei, literalmente, até às lágrimas. Sete dias por semana. Nos dias supostamente livres, tinha de planear aulas. Ao fim de semana, era eu a estudante.

 

Assim, sei que muita coisa na minha vida mudou. Foi tudo um bocado de repente, atabalhoado, daí o choque ter sido maior. Tenho batido muito com a cabeça em paredes de vidro esse aço, tenho-me esfolado toda nesta aventura. Há dias mesmo muito maus, e outros muito bons. Os meus alunos fazem-me sorrir, dando-me segurança acerca da qualidade do meu trabalho. Nem tudo são rosas: há mesmo, mesmo dias em que só me apetece ir embora JÁ.

 

No entanto, no meio de toda esta comoção, da falta de tempo ou de paciência ou de tema para escrever no blogue, vocês continuam desse lado. Alguns já vêm de tempos anteriores e mais pacíficos, outros terão chegado agora ou há pouco tempo, mas cada "favorito", cada ligação, cada comentário e cada e-mail valem mil dias de praia!

 

Obrigada.
Obrigada, tantas vezes.

img1503505057641.jpg

 

Viver num país exótico não tem de ser necessariamente uma experiência exótica todos os dias, areais paradisíacos, rooftops privilegiados e massagens. Desde que cá cheguei, tenho-me sentido a andar com uma nuvem à frente do nariz. Tenho tanta mensagem por responder, tanto comentário a que não dei seguimento. Estou agora a sair desta nuvem, pouco a pouco, porque sei que dia se melhores virão. Estou optimista. A vida só me tem dado chocolates nos últimos anos e uma das provas disso até é este blogue. Esta nuvem vai desaparecer! Vai-me deixar ser positiva e voltar ao estado alerta.

 

Obrigada, outra vez. Obrigada por continuarem a ler o que eu escrevo, ainda que seja tão escasso. Obrigada por me fazerem querer produzir conteúdo cada vez melhor e explorar temas diferentes.

 

Este blogue é muito especial para mim, porque é o meu projecto pessoal há SEIS ANOS! Eu sei, não parece muito, mas isso é para aí metade da minha vida, se não contarmos com as fraldas e a escola primária. Tenho muito orgulho no que faço aqui, porque não é pago nem patrocinado por nada (se bem que um dinheirinho extra vem sempre dar um jeitão), mas mesmo assim eu continuo a voltar e a tentar melhorá-lo. O que eu escrevia quando o criei não tem, claramente, nenhuma semelhança com o que para aqui vai agora, mas olhem... É bestial poder ver essa evolução, na escrita, na pessoa, nos interesses, nas transições...

 

Então pronto, era só isso: obrigada!

Será fácil arranjar trabalho em Portugal depois da licenciatura?

Em Junho, fez um ano que terminei a licenciatura. Depois dum estágio, comecei a trabalhar em Outubro. Como sabem, calhou-me na rifa um emprego longínquo, mas aqui fica a minha opinião acerca das oportunidades de trabalho em Portugal depois da licenciatura.

 

20883836_10209642937339156_292246020_o.jpg

 

 

O grande panorama

Em primeiro lugar, todos sabemos que o mercado de trabalho em Portugal se encontra saturado, não só de licenciados, desta ou doutra área, mas de todos os domínios profissionais ou diferentes níveis de qualificação e educação. Ainda assim, eu acho que o panorama não é assim tão negro para recém-licenciados que procuram o seu primeiro trabalho.


Estudei Letras. Línguas, literatura, cultura, artes, política, filosofia. Estudei de tudo um pouco na minha licenciatura, tive a sorte de aprender imenso, mas a verdade é que as licenciaturas abrangentes costumam ser vistas como "aquelas que não dão para nada". No entanto, sei que muitos dos meus colegas conseguiram arranjar emprego em Portugal nos meses seguintes ao fim do curso. Aposto que não terão sido os seus empregos de sonho, mas conseguiram.

20930178_10209643011341006_1567368080_o.jpg


A importância dos estágios (curriculares e extra-curriculares)

Existe este mito de que "os empregadores não olham para as notas", por isso aqui vai alguma desmistificação.
Hoje em dia, em Portugal, é indispensável participar num estágio ou numa experiência extra-académica. Um estágio permite-nos obter o conhecimento e prática que, na maioria das vezes, não obtemos pela via escolar. Quanto mais cedo o fizermos, melhor. Sempre que quis arranjar trabalho, mesmo que temporário, enquanto estudava, os estágios permitiram-me, no mínimo, mostrar que era responsável e que me encontrava motivada para trabalhar, pôr as mãos na massa. Além disso, ajudam-nos a decidir se gostamos de trabalhar em determinada área profissional. 

Quão relevantes são as médias finais de curso?

E lá está: as notas. Frequentemente, estes estágios de que vos falava, incluindo o estágio que me trouxe à Tailândia, são promovidos ou organizados pelas instituições onde estudamos. Adivinhem para onde é que vão olhar, a que aspecto vão dar importância imediata? É isso, a nota. Sem experiência profissional anterior, a média da licenciatura acaba por ser determinante para certos recrutadores.

 

Uma licenciatura é suficiente?

 Obviamente que, na hora de sermos contratados, a nota média final de curso não é suficiente. Arranjar trabalho em Portugal depois da licenciatura parece-me ter em conta outros aspectos. A nota é uma grande parte do bolo, a que devemos acrescentar formação profissional paralela, workshops, conferências, os estágios, programas de intercâmbio, trabalho voluntário, portfólio, prémios, cartas de recomendação, diplomas e certificados vários... Eu sei que esta lista pode parecer assustadoramente extensa, mas os três anos de licenciatura servem para muito mais do que estudar, ir às reuniões com os professores, ir à praxe, às festas, aos convívios... E muitas destas experiências duram menos dum dia de trabalho! Se tentarmos explorar duas por ano, teremos mais seis motivos para apresentar a um potencial empregador, convencendo-o de que somos as escolha certa.

 

Está bem, mas afinal o que é que mais importa para encontrar emprego depois da licenciatura?

Diferenciarmo-nos. Mostrarmos que não somos apenas um número.
Costumam ser admitidos cerca de 60 alunos à licenciatura em Ciências da Cultura na FLUL (agora com o título de Estudos de Cultura e Comunicação). Talvez 50 cheguem a terminar a licenciatura.
Foi desses 50 colegas que eu sempre me tentei diferenciar, porque eles seriam mais 50 pessoas, fora os licenciados doutros anos, com quem eu teria de competir no mercado de trabalho, se ninguém fizesse mais nada senão o próprio curso.
E há licenciaturas em que entram 200 candidatos anualmente!

Somando tudo, acabei por elaborar um perfil pessoal e profissional durante os três anos da licenciatura, com o objectivo de me demarcar doutras pessoas. Licenciatura + nota + proficiência em línguas + certificados + formação + estágios + intercâmbios + competências consequentemente adquiridas = combinação única. Não quer dizer que o meu perfil é melhor ou pior do que o doutro colega meu, mas, pelo menos, é diferente.

 

20904492_10209642997420658_1202218685_o.jpg

 


Resumindo e concluindo
Encontrar trabalho em Portugal, depois da licenciatura ou de qualquer outro nível de estudos, não tem de ser sempre uma tarefa titânica. Pode ser, sim, o resultado dum esforço contínuo para encontrarmos interesses apenas nossos, criarmos o nosso "eu" pós-universidade continuamente e perseguirmos novas ideias e projectos para o futuro, mais ou menos longínquo, em Portugal ou no estrangeiro. Claro que tudo isto parece mais fácil assim escrito do que feito, mas espero, pelo menos, convencer-vos a serem um pouco mais optimistas acerca do vosso (possível) percurso universitário.

PERIGO: relações à distância são nocivas à saúde

IMG_25600810_161622.JPG

No outro dia, durante o almoço, a estagiária (de Hong Kong) que está a trabalhar na minha faculdade (em Bangkok) declarou que estava tentada a experimentar uma relação à distância com um rapaz indiano (outro antigo estagiário que já foi para casa). Parece que já se conheciam antes de virem e, enquanto cá estiveram os dois, o "clique" foi óbvio. Ainda assim, não iniciaram nenhuma relação, nem deu tempo para isso.

 

Segundo a minha experiência, provavelmente ela estava à espera que eu lhe dissesse qualquer coisa como "Força nisso! Tu consegues! Vai doer, mas vai valer a pena!".

 

Pois... NÃO!

 

Se puderem evitar relações a distância, evitem. Aliás, fujam delas como o diabo da cruz! Não se metam em aventuras! As relações à distância dão trabalho, dão que pensar, exigem os nossos melhores dias todos os dias e são um grande sacrifício. Estar longe das pessoas de quem gostamos não é a ideia romântica que vemos nos filmes. Na minha opinião, a de quem está deste lado, não é uma coisa "que se tente", desde início, só porque se sente ali um friozinho na barriga.

Se querem arriscar ter uma relação à distância ou encorajar alguém a tentar uma, avaliem a situação. É uma relação à distância desde início (o caso da minha colega estagiária) ou um acaso na vida de duas pessoas que já eram um casal antes? Há um plano ou nem por isso? Como vão ser os encontros? Com que frequência? Onde? Quem vai ter com quem? E a médio prazo, já imaginaram o que vai acontecer? Que sacrifícios estão em cima da mesa? Para quem? Há forma de negociar? E partilham-se as mesmas ideias, objectivos e visões acerca da vida em geral? Há entendimento, não só agora, mas também até daqui a uns tempos?

 

Estas são apenas algumas das questões que coloquei à minha colega e que decidi deixar à vossa consideração. São o mero resultado desta experiência que estou a viver. Só desejo uma relação à distância a quem tiver respostas suficientes. Não pretendo desencorajar ninguém, porque cada caso é um caso, mas não quero que sejam a minha colega, que não tem resposta para nada, não sabe nada, só sabe que "gostaria de tentar, para depois não se arrepender" (palavras dela). Se querem tentar, assegurem as perguntas e as respostas necessárias.

 

E, quando refiro "relações à distância", refiro desde o semestre Erasmus à oportunidade de emprego de sonho sem termo, a milhares de quilómetros. Repito: nada é um filme romântico, no qual é quase certo os protagonistas acabarem num beijo em grande plano.

Seja como for, há que dar graças a todos os santinhos pelas vídeo-chamadas gratuitas.