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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar ainda é viver?

Sento-me ao computador, o que não é tão comum ultimamente. Se antes procrastinava muito ao computador, hoje faço-o no telemóvel; por isso, sento-me ao computador e trabalho. Se antes tinha medo da página em branco, esse medo persistiu. No entanto, escrever no blog sempre foi mais fácil: pela ausência de pressão; pelas expectativas de mero treino como objectivo primário; pela imediatez associada a este tipo de plataformas.

 

Criei este blog como mais uma procrastinação produtiva. Detesto sentir que não estou a fazer nada de jeito, então preciso de ver resultados, até das minhas distracções. Sou obstinada no que toca a não desperdiçar tempo, e uma forma de rentabilizar o tempo que, de qualquer forma seria de trabalho, é usar a procrastinação inevitável para criar novos projectos e para fazer surgir mais ideias. Dessa mesma forma nasceu o lema de que procrastinar também é viver - dependendo de que modo de procrastinação escolhemos. 

 

Oito anos volvidos, assim continua esse lema a crescer e a solidificar. Muito do que tenho feito a nível pessoal e profissional tem origem nesta prática. Sou muito criativa e descubro imensos interesses novos quando me abstraio da tarefa inicial, ganho um raciocínio divergente e mesmo disruptivo quando combino diversas actividades. Claro que é de evitar uma rotação constante de tarefas, mas na minha opinião a distracção ocasional também pode gerar dividendos.

 

Alguns exemplos:

Da procrastinação do estudo, criei o blog. Do blog, pratiquei a escrita e dois anos depois fiz algum trabalho como copywriter, a escrever para blogs de clientes de todos os tipos. Procrastinei esse part-time e o estudo para a licenciatura com formações paralelas. Nessas formações paralelas, aprendi competências e obtive ferramentas que se revelaram extremamente valiosas na prática e no currículo, quando aceitei dar aulas em Banguecoque, e mesmo até hoje. Depois, voltei para Portugal e continuei a escrever e a procrastinar. Procrastinei os mestrados anteriores a estudar tópicos sobre psicologia, que apliquei a bem ou a mal, sempre que possível, nesse âmbito. Comecei a olhar para outros cursos, e descobri o mestrado que frequento neste momento (em Psicologia). Desisti dum, inscrevi-me no outro. Procrastino os trabalhos do mestrado a escrever sobre os mesmos temas para o P3. E procrastino o trabalho com a criação de um clube de escrita. E procrastino projectos do trabalho com outros projectos do trabalho (felizmente, trabalho por conta própria e posso fazer basicamente o que me apetecer para ganhar dinheiro - pronto, com as devidas aspas).

 

É provável que este modus operandi pareça demasiado caótico para muitas pessoas, mas para mim é o ideal. Às vezes, é complicado gerir um horário em que tudo é trabalho e tudo é lazer, ambos com grande potencial, mas eu não conheço outra forma de viver. Por isso é que gosto de ser professora, formadora e eterna estudante. Por isso é que quero continuar sem um único chefe, ou é com vários ou sou eu a CEO do meu tempo (e olhem que posso ser a chefe mais bondosa, mas também a mais implacável de sempre, que já estive um ano e tal sem férias e calha com alguma frequência trabalhar duas ou três semanas seguidas sem folgas, mesmo que equilibre com uma disponibilidade mais flexível e com a procrastinação do costume).

 

Portanto, sim: procrastinar ainda é viver. Pode não ser a opção de gestão de tempo mais óbvia, mas por aqui vai resultando e prosperando.

Sento-me ao computador e escrevo. Escrever é procrastinação, escrever é procrastinado, escrever é omnipresente.

São só fotografias

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Uma das maiores pequenas alegrias que posso ter é entrar numa casa alheia cheia de fotos tiradas ao longo dos anos. É o meu guilty pleasure, derreto-me e amoleço com isto. Sou uma voyeuse de paredes, estantes e de tampos de móveis, gosto de imaginar as histórias por trás das imagens e de reconstruir narrativas familiares através do meu entendimento de visitante. Essas fotografias são a exibição da própria felicidade, das memórias que se querem preservar. Porque estão dentro de casa e não num mural de rede social, não são para os outros, são para quem lá vive - isto é, consistem numa selecção de lembranças preferidas, mesmo que não tenham sido curadas para os olhos dos outros, uma representação do que os habitantes da casa consideram ser o mais importante acerca de si mesmos e que gostam de rever diariamente.

 

E uma família feliz não tem só fotografias das crianças ou dos grandes eventos com pose pensada, tem fotos de tudo e mais alguma coisa: das férias de Verão, retratos da escola, aniversários, casamentos, Natais, momentos de convívio e olhares que saíram fotogénicos. O repertório não se cinge a uma só categoria ou a um grupo de pessoas, não é necessariamente o mesmo que se descarregaria no Facebook, e mais haverá nos álbuns que se imaginam através desta amostra.

 

Não são só fotografias, afinal.

Procrastinando em Público: Eu quero ser feliz, e tu? (P3)

https://www.publico.pt/2019/11/03/p3/cronica/quero-feliz-1891807

 

Dá para acreditar?! Tenho um texto publicado no P3, o suplemento online do Jornal Público. Estou muito contente, principalmente porque escrevi sobre um tema que adoro estudar, e sobre o qual estou mesmo a fazer uma pós-graduação/mestrado (Psicologia Positiva Aplicada, uma mudança que explicarei noutra altura), e porque os comentários têm sido muito simpáticos. Por isso, gostava muito de vos convidar a também ler esta pequena crónica. Obrigada, e estejam à vontade para partilhar, opinar, sugerir...!

 

(Fiquei com muita vontade de repetir, nem que seja para poder encher a minha página de autor)

A última romântica

Para o João, que de repente me pôs a pensar nestas coisas

 

Entristece-me que as pessoas se revelem cada vez mais cépticas quanto à existência dum "amor para sempre". Antes dos casamentos, prevêem já os divórcios. Começam relações com a boca pequenina, passinho a passinho. Não se deixam arrebatar. É tudo morno, não é? 

 

Infelizmente, também eu me sinto vítima deste contexto cuidadosamente contido, muito quadrado. Tento contrariá-lo, mas prevalece um receio constante de prematuridade, que ao não partir de mim há-de partir doutros lados. Não estou a declarar quem afinal terá razão nesta equação que nos melindra, mas sim que nos anexamos à partida a crenças de amor e dedicação forreta, com medo de merecer essa atenção, e com medo de magoar quem nos quer tanto bem. Às vezes, até parece que só não temos medo de quem nos quer um pouco menos, pela familiaridade da potencial rejeição. Desculpamo-nos com antecedência, não se dê isto e aquilo... Desconfiamos até de quem oferece largueza, porque simplesmente não estamos habituados.

 

E contagiamos quem nos rodeia, uns aos outros. Incubamos atitudes defensivas. Cultivamos mais medo do desconhecido, observando à distância os românticos, com uma curiosidade de antropólogo-comentador-de-bancada.

 

Mas eu quero ser romântica - não necessariamente a última, apenas uma em muitos. Quero apreciar a aproximação das pessoas que fazem por isso, quero acreditar que há quem conheçamos hoje para o resto da vida, que veremos envelhecer. Talvez nos faltem modelos, vivos e de pensamento, para nos assegurarem da exequibilidade do amor [e da amizade] que se descobre, constrói, insiste, desconstrói e sobrevive.

 

Onde vamos beber desse conhecimento de causa? Às artes? Aos media? Aos autores contemporâneos ou aos clássicos? Muitos de nós vimos de famílias desmanchadas e remontadas, aprendemos o que é um casamento mas não aquele em que nos pretendemos envolvidos, vivemos na sociedade líquida que só acredita no "até mais ver" e no "por agora é isto". Mas nós queremos fé, onde antes só havia condicionamento, convenção e comodismo. Nós, esta geração que agora procura uma ressignificação do que é o amor para sempre, queremos não só mais, mas melhor.

 

No entanto, não se acha romântica, a geração líquida, porque se acha a meio dum processo que não entende. E eu a querer ser romântica, e por vezes a não conseguir, porque também me encho de dúvidas. Sou uma céptica a tentar curar-se. Paciência a rodos é necessária, minha e de todo o lado. E, acima de tudo, é preciso encontrar e conhecer a pessoa certa, que amoleça e amenize o impacto das paredes que vão caindo, uma a uma. Há que partir as que fui erguendo nos últimos anos. Tenho de aprender a não me sentir permanentemente ansiosa, com medo que as pessoas, amigos, futuros-tudo, não queiram realmente desmanchar a bagagem e ficar por aqui. Habituei-me ao efémero, um conformismo pelo fim que me assustou quando as minhas relações passadas (românticas e de amizade) terminaram. Fica um vazio, muitas perguntas irreplicáveis, alguma nostalgia, mas pouco mais, porque o fim eminente nunca tinha deixado de figurar nos créditos.

 

E se deixar...? Por que haveria eu de perpetuar o sentimento de perda antecipada? E se eu já tiver acordado para um "para sempre" sem o saber?

Porque, no final do dia, eu sinto que até tenho o que é necessário para ser a última romântica dos nossos tempos. Uma romântica com os olhos bem abertos, mas - ainda assim - uma romântica. E das pirosas.

Uma entrevista "Sem Fronteiras" a Carlos Barros: emigração, famílias, bem-estar e muitos sonhos

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Uma das grandes alegrias de trabalhar por conta própria é poder fazer outras coisas que não... trabalhar. Os meus dias raramente são iguais, o que por vezes é assustador, e noutras é uma benção. Tenho tempo e, acima de tudo flexibilidade - tempo e flexibilidade para estudar e aprender, para planear projectos profissionais e outros não remunerados, para escrever no blog, para ler a meio do dia, para ir ter com amigos, para sonhar acordada, para levar a cabo o que ainda me dá mais prazer do que o meu trabalho (que, por acaso, é bastante agradável). Claro que há dias mais ocupados e caóticos do que outros, mas a possibilidade de outros dias de serendipidade deixa-me leve.

 


Então, na semana passada decidi entrevistar o Carlos Barros, um amigo-estrela-cronista-entrevistador-investigador (e excelente cozinheiro de lasanha vegetariana), a propósito do seu primeiro programa de televisão-Internet/projecto de voluntariado social. Fi-lo só porque sim, porque é tão bom elogiar os nossos, mostrar aos outros o que eles andam a fazer, porque idealmente seremos a média das pessoas que nos rodeiam, e eu ficaria satisfeita por ser só um bocadinho do que os meus amigos são. O produto não ficou perfeito, mas foi feito com boas intenções.

 

Já tenho divulgado alguns projectos do Carlos no blogue e nas redes sociais, nomeadamente como cronista no Jornal Económico e no P3, mas agora este programa, que se chama "Sem Fronteiras", acaba por ser uma extensão de tudo o que o Carlos estuda, aquilo que ele sente, aquilo que o emociona e que o move. Foi um projecto em que se envolveu durante as férias, em vez de estar a descansar das mil e uma tarefas que lhe enchem o dia-a-dia, e isso diz tudo.

 

O objectivo do programa "Sem Fronteiras" é dar voz a quem deixou Portugal à procura de melhores condições de vida, em busca doutros sonhos e doutros horizontes. Desta forma, no programa vamos assistir a entrevistas tocantes a emigrantes portugueses, sobre a sua vida lá fora, sobre as suas visitas a Portugal, sobre as suas famílias e, em geral, sobre as suas vidas. É de destacar que a investigação do doutoramento do Carlos se chama Famílias Pelo Mundo, concentrando-se na solidariedade intergeracional e relações familiares, pelo que não haverá ninguém melhor do que ele para este tipo de entrevista. 

 

Além disso, como bem sabem se já acompanham o blog há algum tempo, também eu vivi muito longe de Portugal durante quase dois anos, por isso temas relacionados com a emigração tocam-me de forma especial. Se eu vivi o que vivi e senti o que senti durante tão pouco tempo, nem consigo imaginar o que vive e sente quem se encontra indefinidamente num contexto tão desafiante quanto viver noutro país, cultura, realidade...

 

Saí um pouco do que tem sido o registo do blog, voltando a publicar um vídeo como cheguei a fazer há dois anos, mas espero apresentar-vos um projecto interessante - feito por uma pessoa interessante e de quem gosto muito, e por isso bastante especial. 

 

(Entrevista filmada n'A Sala, apenas um dos meus sítios favoritos em Lisboa!)

Quase rezei para gostar: Jesus Cristo Bebia Cerveja (Afonso Cruz)

Já vos contei da primeira experiência a ler Afonso Cruz: fiquei triste por pensar que iria ser a revelação do ano, e foi mais a desilusão do semestre. No entanto, decidi dar uma segunda oportunidade, porque outras pessoas confirmaram que, da bibliografia do autor, Flores não era o melhor.

 

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Assim sendo, avancei para o outro livro que já tinha comprado: Jesus Cristo Bebia Cerveja. Neste, Afonso Cruz conta a história duma neta - Rosa - e duma avó - Antónia - que vivem no cimo dum monte, perto duma aldeia caricata. Comecei logo por gostar da premissa, que já tinha conhecido quando ouvi Afonso Cruz numa feira cultural em Banguecoque, há um par de anos. Também eu sou neta única, também eu tenho uma avó que substitui e compensa por qualquer mãe biológica que tenha tido outras ambições na vida, e também eu tenho medo que a minha avó adoeça e perca qualidade de vida, mas certa de que, se fosse necessário, também eu montaria uma Jerusalém no meio do Alentejo.

 

Apesar de achar que não é o melhor livro dum autor português contemporâneo que leio, gostei bastante de Jesus Cristo Bebia Cerveja. Todas as personagens têm uma faceta de loucura que só a literatura poderia catalogar tão bem, e que não me surpreenderiam se existissem na vida real. Na sua falta de sentido, fazem sentido. É um elenco que, senti, enriqueceu o meu imaginário, que me obrigou a pôr-me na pele de Rosa e a alegrar-me e a incomodar-me com a narrativa dos seus dias.

 

A aparente temática religiosa - Jesus Cristo Bebia Cerveja - é só um chavão, mas outras discussões são deixadas no ar para as apanharmos: o papel da mulher como cuidadora primária da família, o papel do homem possivelmente dependente das mulheres na família e na sociedade, o significado do amor romântico, o cosmopolitanismo e as viagens, as relações entre empregados e empregadores, a importância da educação moral e emocional vs. instrução - tudo isto misturando um cenário que não cheira a passado, nem a presente, nem a futuro, mas que me cheirou definitavamente a uma imagem mental do interior de Portugal.

 

Além disso, apesar de o final ser triste q.b., promete um renascimento de igual forma. Quando gosto de uma personagem, prefiro acreditar que outras vidas lhe restarão para outros livros hipotéticos. Depois de decisões difíceis, algo virá, bom ou mau.

 

Jesus Cristo Bebia Cerveja, porque, afinal, todas as histórias podem ser contestadas e reimaginadas.

 

📚 Entretanto, instalou-se na minha casa uma febre de Afonso Cruz, pelo que já tenho Os Livros que Devoraram o Meu Pai O Macaco Bêbedo Foi à Ópera recomendados e preparados para descolarem da estante. Por onde começo - alguma sugestão?

As férias

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Ainda está por explicar o fenómeno psico-meteorológico que me tem afligido a carteira pelo menos uma vez por ano: em época de introspecção, a criatura Beatriz, presidente do clube de fãs do calor e luz lisboetas, ruma a Norte em modo "one woman show" para uns dias de excepcional clarividência e clareza interiores, convenientemente patrocinadas por nuvens baixas, vento agreste e temperatura/precipitação racha-dente. No destino, põe-se a admirar estantes de paperbacks, toda e cada uma das livrarias que lhe aparecem no diretório, os cenários dos seus romances preferidos ao vivo e a cores, descendentes de vikings a beber café aguado, e a sonhar acordada nos espaços verdes extensos e densos, na sombra de cidades industriais. Gosta de beber chocolate quente, de dormir a sesta nos autocarros das tours, de ligar à família a queixar-se da humidade nos ossos e da quantidade obscena de chineses nas atracções turísticas, e de comprar Toblerone a metade do preço. Diz sempre que vai para descansar, e raramente consegue dormir mais de duas horas seguidas à noite no hostel. Diz que vai para ler, e nunca termina um único livro. Diz que vai para escrever, e não escreve mais de três parágrafos. Enfim, por fim, as férias do espécimen. ✈️

[O Primeiro Capítulo] Quero escrever-lhes a agradecer, mas já esgotámos todas as palavras boas

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Ontem, tivemos "A Primeira Vez" d'O Primeiro Capítulo, com o convidado-cobaia-amigo Nelson Nunes, e eu ia dizer que foi ideia minha e da Elisa, mas não: já todos os presentes a tinham tido, e finalmente encontrámos a companhia que nos faltava. Confesso que, quando decidimos levar o projecto avante, não me ocorreu que suscitasse tanto interesse. Eu sabia que haveríamos de juntar algumas pessoas curiosas, mas... Mais do que isso: ontem demos as boas-vindas a um grupo como eu nunca tinha visto. Da quantidade de cursos de escrita criativa que já frequentei, dos eventos a que já fui, da licenciatura em Letras e das centenas de alunos que já ensinei nos últimos cinco anos, nunca me tinha deparado com tantos ditos escritores amadores numa só sala (dez!) que escrevessem, tão despretensiosos, de forma tão responsável, sensível.

 

Neste primeiro encontro d'O Primeiro Capítulo, tivemos participantes com formações académicas muito distintas, e quase nunca relacionadas com a literatura ou a escrita criativa (engenharia, arquitectura, finanças, enfermagem, ciência política, sociologia, biologia...). No entanto, todos cultivam um enorme amor e prazer pelas letras, provando que não temos de nos definir exclusivamente pelos empregos que nos pagam as contas, e que os nossos interesses podem divergir imenso, enriquecendo-nos tanto. Somos seres com potenciais tão complexos!

 

No final, restou-me uma sensação particular: fiquei cheia. Não sei bem de quê, porque é um tipo de satisfação indescritível. Devo ter deixado todas as palavras com quem as apanhou. Queria agradecer, e nem sei bem por onde começar.

 

O grupo teve muita química, demonstrámos o interesse comum pela elaboração de textos desafiantes, "com qualidade", e mostrámos vulnerabilidade suficiente para ouvirmos a nossa escrita pela voz doutra pessoa, sem por vezes nunca termos tido uma experiência semelhante. Ouvimos, recolhemos e distribuímos opiniões. Acho que fomos generosos. Queríamos, acima de tudo, ajudar e sermos ajudados, dar e receber, mostrando-nos disponíveis durante algumas horas para integramos um colectivo improvisado. Poucas ou nenhumas eram as pessoas que conhecíamos previamente, mas toda a conversa foi harmoniosa e fluiu pelo dobro do tempo previsto (na verdade, até os vizinhos terem afugentado os últimos resistentes, que doutra forma teriam ficado a conversar noite fora, e não só sobre escrita).

 

Em Novembro há mais! Com os mesmos ou outros participantes, contaremos dar as boas-vindas a mais interessados em partilhar os seus primeiros, segundos ou milésimos capítulos (graças ao apoio d'A Sala, um dos melhores espaços para simplesmente se estar e conviver, em Lisboa).

 

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Há uma frase que a Elisa tem dito nos últimos dias e que eu já referi antes: somos a média das cinco pessoas com quem passamos mais tempo. Elas inspiram-nos, mostram-nos caminhos alternativos e partilham o seu conhecimento connosco. Por isso, obrigada à própria Elisa (que é uma máquina de fazer coisas giras acontecerem), ao Nelson (que deve ser das pessoas mais organizadas que conheço, a julgar pela quantidade de livros que lê e pelos projectos em que se envolve) e a esta dezena de escritores de segunda-feira... por fazerem parte dessa equação maravilhosa, promissora. Estes últimos meses foram uma montanha-russa, e agora que a poeira está a assentar sei que é de pessoas assim que tenho de me rodear.

 

✍️ Em breve, divulgaremos a data e o tema para Novembro, tal como todas as outras informações úteis para quem se quiser juntar a nós! E, além disso, também começaremos a gravar o respectivo podcast O Primeiro Capítulo!

 

Até lá, sigam-nos por aqui:

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Gosto tanto de viajar sozinha!

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Falta uma semana para me pôr daqui para fora... Que é como quem diz... Vou dar uma volta, arejar as ideias. Gosto muito de viajar, e gosto muito de viajar sozinha. De vez em quando, faz-me falta estar só, só porque me apetece. Além disso, para mim, uma viagem marca quase sempre um reinício, porque são mais ou menos férias, mas porque é mais um sítio que se conhece, que dá a conhecer outras sensações e emoções, onde tenho de pôr em prática competências e características que são redescobertas.

 

Desta vez, também é uma cidade nublada. Era suposto voltar à Escócia, mas os vôos estavam muito caros, não tenho muita vontade de ir ao Reino Unido durante a trapalhada que deveria ser o período oficial do Brexit, e assim sempre conheço um país onde nunca estive, mas sobre o qual tenho curiosidade. Há uma aura mística, escura, fria e húmida que me atrai nos países mais a Norte, que anuncia renovação, rejuvenescimento, isolamento necessário para pôr as ideias em ordem e realinhar ambições e crenças, que convida à introspecção, conversas com a própria da minha pessoa, austeridade nos pensamentos, libertação sem pressão... Este tipo de clima é absolutamente contrário ao que me atrai no resto dos meus dias (que eu sou mais do sol e do céu limpo), por isso deve ser o contraste a convidar uma mudança temporária de paradigma, desejada.


Provavelmente, se tivesse companhia, faria esta viagem acompanhada. No entanto, adoro planear viagens sem mais ninguém. Se viajasse acompanhada desta vez, iria quase de certeza planear outra aventura em breve, só pelo prazer de ser deixada em paz por alguns dias. Talvez por ser filha única, e ter sido uma criança solitária, talvez porque simplesmente adoro a minha independência e o meu espaço (mais uma vez, contrastando com a procura de quem me acompanhe na vida a longo prazo), estou tão entusiasmada por, um ano e meio depois de Edimburgo, poder explorar mais uma ou duas cidades, paisagens tão diferentes.


Em suma, gosto de me sentir estrangeira de vez em quando, como uma espectadora do mundo e de quem sou durante o resto do ano. Assim, recomendo a todas as pessoas que dêem um pulinho a um sítio onde se sintam assim, estrangeiros, quando precisam de ganhar objectividade sobre si mesmos e a vida rotineira que levam em solo-casa (desejável e desejada, desde que com peso e medida). Não há nada como sentirmo-nos deslocados para repensarmos no que andamos a ser e a fazer. Curiosamente, as minhas últimas viagens, até dentro do país, sozinha ou com outras pessoas, dão a impressão de separarem diferentes fases que ora terminam, ora começam. É poético q.b., mas também a vida deve ter a sua dose de poesia, como a métrica dum soneto. Há pausas que nos devolvem o fôlego, e eu preciso duma com certa urgência.

 

Let there be light, diz a fachada da Biblioteca de Edimburgo, uma frase que me acompanha desde que lhe pus os olhos em cima. A luz são os livros, as viagens reflectidas, as pessoas que vamos conhecendo, as ambições e o conhecimento que promovemos e criamos. A luz até pode existir no Inverno ou numa cidade na penumbra. Nunca sei muito bem do que vou à procura, mas alguma coisa hei-de encontrar. Tem sido sempre assim, um bocado às claras e às escuras.

 

E agora... Onde vou, onde vou? Para um sítio onde o chocolate quente deve saber ainda melhor, pois claro. ☕

O Primeiro Capítulo dum projecto e podcast muito, muito bons!

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Já que não posso começar a rentrée psicológica com o primeiro dia de aulas, venho por este meio lançá-la com um novo projecto para o qual fui arrastada: O Primeiro Capítulo, um encontro por pessoas que gostam de escrever, para pessoas que também gostam de escrever.

 

Desde o início do ano que comecei a ir aos pequenos-almoços mensais das Creative Mornings Lisbon (das quais já vos falei imensas vezes), onde conheci a Elisa Baltazar, a host actual. Parece que a Elisa é uma máquina de fazer coisas acontecer, por isso não foi com grande surpresa que, já não me lembro bem como, decidimos fazer... isto que estamos a fazer! Queríamos escrever, queríamos conhecer mais pessoas que também queiram escrever, e temos vontade de criar uma oportunidade para todos esses escritores de gaveta se encontrarem, trocarem umas quantas ideias e partilharem alguns textos. Acreditamos que esta é uma forma de enriquecimento e crescimento.

 

Sem mais demoras, este é o texto de apresentação do encontro e podcast O Primeiro Capítulo!

 

𝐏𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐠𝐨𝐬𝐭𝐚𝐦 𝐝𝐞 𝐞𝐬𝐜𝐫𝐞𝐯𝐞𝐫 𝐩𝐫𝐨𝐜𝐮𝐫𝐚𝐦 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐠𝐨𝐬𝐭𝐚𝐦 𝐝𝐞 𝐞𝐬𝐜𝐫𝐞𝐯𝐞𝐫

Dizem que para bem escrever são necessárias duas coisas, ler e escrever.
Concordamos, mas achamos, também , que é necessário optimizar a forma como se lê e a forma como se escreve.
Não é à toa que escritores tão importantes como Bocage, Alexandre Herculano, Almada Negreiros, Fernando Pessoa ou Mário de Sá Carneiro se juntavam em tertúlias onde, entre outros temas politicos e intelectuais, falavam de literatura.
Acreditamos que a interação também inspira, também ensina e também motiva.
Assim, o Primeiro Capítulo é um ciclo de encontros mensais de partilha entre pessoas que escrevem ou querem escrever.

Nestes encontros o objetivo passa, principalmente, por escrever. Escrever todos os meses ou, pelo menos, uma vez por mês. Não mais que 500 palavras sobre um tema que se mostre desafiante.
Uma vez escrito o texto, juntamo-nos e passamos esse texto a alguém para ler em voz alta. Este exercício permite-nos ver como outra pessoa entoa o nosso texto. Ouvir as nossas palavras pela boca de outro pode dar-nos toda uma nova perspetiva sobre a forma como escrevemos. Durante essa leitura não haverá lugar a comentários ou correções. O objetivo é que esta leitura nos dê espaço para repensar a forma como escrevemos.
Depois desta leitura, haverá espaço para comentários. Todos, exceto aquele que o escreveu, terão a oportunidade de comentar aquilo que sentiram falta no texto ou que possa ter ficado menos claro. Finalmente, serão feitas questões ao autor.
Em nenhum destes momentos, o autor terá a palavra. O objetivo aceitar a crítica como construtiva e ter tempo para refletir sobre a mesma.

Finalmente, contaremos também com a presença de um profissional da indústria para partilhar dicas, ideias comentários e, claro, inspirar-nos.

 

Mais concretamente, o objectivo destes encontros é discutir em conjunto textos que tenhamos produzido, sobre o tema lançado cada mês. Também contaremos com convidados especiais em todos esses encontros, que poderão oferecer críticas mais construtivas e algumas dicas relacionadas com o seu trabalho e possíveis obras.

 

Toda a informação pode ser encontrada online, no Instagram e no Facebook d'O Primeiro Capítulo, assim como no site Meetup.

 

Para Outubro, já temos tudo tratado e combinado, e estamos mesmo a aceitar inscrições! O nosso primeiro convidado no dia 7 (segunda-feira) será o Nelson Nunes, um autor de quem já vos falei por aqui, e conhecendo-o há quase uma década e tendo acompanhado a carreira (e a riqueza da estante) dele durante estes anos todos, tenho a certeza de que vamos ter conversas muito interessantes sobre escrita e livros. Para participarem, enviem-me/enviem-nos uma mensagem pelas plataformas e redes sociais sugeridas, ou um e-mail para podcastprimeirocapitulo@gmail.com.

 

Além do encontro, também faremos um podcast d'O Primeiro Capítulo... Mas falarei de tudo a seu tempo! Por agora, gostava muito que acompanhassem este projecto do meu coração, que  hão-de sair daqui belíssimas ideias. E espero ver alguém dos blogs nos nossos encontros! Conto convosco? 💚