Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Há dias

FB_IMG_1529707595890.jpg

 

Há dias que correm bem - com sol, metafórico e literal. Continuo a acreditar que é possível atrair boas energias, se assim o desejarmos. Nem sempre nos rodeamos de quem as tenha, mas fica a oportunidade de remarmos contra a maré, de também sermos nós a começar essa cadeia e partilha. Há dias em que quase tudo parece estar onde deve estar, pelo menos nesse momento, tudo encaixa. Há dias em que sentimos uma gratidão enorme pelo que nos foi reservado devido ao encontro de todos os efeitos-borboleta e circunstâncias que nos levaram até ao ponto actual. Há dias que, não sendo os mais felizes de sempre, nos alegram. Há dias em que a energia não falta, em que há motivação. É difícil alguma vez alcançar a perfeição e a paz total, também há sempre qualquer coisinha que poderia cair melhor nos eixos. No entanto, por que não parar e apreciar o que já temos à frente? Afinal, há ainda mais dias pela frente para tentar alcançar o que nos falta. Nunca estaremos absolutamente contentes, mas o melhor disso é viver para e pela experiência.

Amanhã, até podemos não nos lembrar do bem que nos soube o dia anterior, só que isso já é só problema do nosso "eu" futuro, ele que se amanhe. Mesmo assim, temos aquela sensação de que há-de correr tudo bem. Há-de fazer tudo sentido outra vez, tal como no dia em que estes pensamentos de invencibilidade nos ocorrem. 

 

Há dias assim. 

 

"Happiness can be found, even in the darkest of times, if one only remembers to turn on the light." - já dizia o maior feiticeiro de todos os tempos, Albus Dumbledore. 

Estar, apenas

Noto um certo desconforto, quase tabu, quanto ao facto de se fazer coisas sozinho, sem outras pessoas. É a ditadura da companhia. Vejo que muitas pessoas ainda não dominam a arte de se estar com os seus próprios pensamentos, a sua própria presença, de apenas se estar.

 

Atenção, que eu sou a primeira a reconhecer que não consigo meditar. Há sempre algum raciocínio a interromper o vazio, por muito que eu tente. Tenho uma mente hiperactiva. Digo que estou cansada, que tenho a cabeça em papa, mas continuo a magicar seja o que for.

 

Mas consigo fazê-lo sozinha. Aliás, talvez seja por isso que me sabe tão bem estar sozinha e fazer mil e uma actividades sozinha. Gosto de viajar sozinha, gosto de ir a museus, à praia, a cafés, andar a vaguear em ruas... sozinha (frequentemente com um livro, mas divago).

 

No Domingo, fui à praia depois dalgumas horas de trabalho. Levei dois livros (lá está, elementos omnipresentes) para terminar, um chapéu de sol, uma toalha, o telemóvel e uma coluna. Em primeiro lugar, adoro conduzir. Não sou de ir a grandes velocidades, mas, se houver alguma forma de meditação para mim, é pegar no carro e ir não sei onde, só estou concentrada em não meter o carro nalgum buraco ou espetar-me contra alguma árvore ou poste, e isso obriga-me a parar a hiperactividade cerebral. Segundo, ir à praia ou para uma esplanada, principalmente se estiver sol, seja Inverno ou Verão, deve estar no meu top 3 de actividades favoritas de todo o sempre (não há nada que me deixe com melhor humor).

 

E assim me fazem feliz, com uma tarde de silêncio e sol.

 

Aposto que ser filha, neta e sobrinha única, e a mais velha numa década de todos os primos em terceiro grau, tenha influência no assunto. E só ter ido para a escola aos cinco anos, #superantisocial. Sempre estive por minha conta. Por outro lado, passo o dia a dar aulas, a falar constantemente, em duas línguas, cinco a sete dias por semana, e de vez em quando só me apetece desligar da ficha e parar de me ouvir a mim mesma, nem é necessariamente aos outros.

 

Por exemplo, neste exacto momento estou sentada numa esplanada do Cais do Sodré, a ouvir a música do café e a olhar para o Tejo, enquanto acabo de escrever este texto (curiosamente, continuo a tentar comunicar com o resto do mundo, até quando estou sozinha, mas isso é porque sou tagarela, mesmo calada). É a minha hora de almoço, mas podia acontecer a qualquer altura. Para mim, acaba por ser tão bom estar sozinha quanto se estivesse com outra pessoa, mas ambas as opções são positivas, não vejo nenhuma como melhor ou pior, mais ou menos aceitável. Não vejo estar sozinha como significado de estar só.

 

IMG_25610619_125214.jpg

 

Não é óptimo estarmos como queremos, onde queremos, tão agradável quanto estar com outras pessoas? Na minha opinião, há momentos e tempo para tudo. Há dias em que só nos apetece estar na companhia doutras pessoas, e há dias em que nada é melhor do que estar individualmente, apenas. Estar.

O meu novo livro preferido: Essays in Love, de Alain de Botton

Alguma vez se depararam com um livro que tenha surgido no momento certo, mas por mero acaso? Fazia-vos falta um livro assim, vocês pensavam que seria impossível alguém contar uma história que vos fizesse sentir menos desamparados ou sozinhos no vosso mundo, na vossa causa, e esse mesmo livre caiu de pára-quedas nos vossos dias?

 

IMG_25610618_160736.jpg

 

Eu sei o que isso é. Passei tantos meses à procura dum livro que tivesse tudo na medida certa - introspecção, filosofia, reflexão, carisma, mas que viesse justificar e validar as minhas ideias, sem deixar de ter uma dose de lamechice, sem ser só teoria, acrescentando um enredo que servisse de exemplo às minhas inquietações actuais - e, depois de muitas visitas, a muitas livrarias, em Portugal e na Escócia, encontrei este, um exemplar único, sem destaque, enfiado numa estante a abarrotar duma Waterstones em Glasgow: Essays in Love, do autor multifacetado Alain de Botton.

 

O meu maior problema com os livros sobre a temática "amor" é que considero quase todos um desperdício de tempo, sou incapaz de ler tamanha treta, nunca os levo a sério, têm sempre imenso mel, ou drama, ou futilidade em doses que sou incapaz de digerir. A vida é pirosa, mas não tanto. A vida não é um romance de cordel, mesmo com a sua inevitável banalidade e aleatoriedade.

 

Então, ao encontrar este livro, senti que o autor conseguiu incluir quase todas as posições sobre o amor e relações em que acredito, ou pelas quais já passei. O início da história de amor dos dois protagonistas é um pouco irracional, mas o resto da narrativa faz todo o sentido.

 

Além disso, este livro não é só um romance. Não é só um livro de histórias. Como escreveu o autor, em 2015, num posfácio incluído na edição que tenho, o seu objectivo era ficar a meio, entre um romance e um ensaio sobre o que é o amor entre duas pessoas, como ele surge, acontece e - eventualmente - termina. E recomeça, acreditem ou não.

 

Senti, pela primeira vez na vida, que este é o livro que eu gostaria de ter escrito ou de vir a escrever. Sem tirar nem pôr. Não é "um livro deste género", é "precisamente este livro". Nele, o amor não é idealizado. É narrado um amor, num contexto próximo ao meu (protagonistas jovens em início de carreira, classe média, numa cidade europeia). Consigo identificar-me e encontrar aspectos em comum. É também para isto que serve a arte, para nos representar, e eu fiquei a sentir-me representada. A cada página, eu só pensava "mas isto já me aconteceu!" ou "isto poderia ter-me acontecido!".

 

Sim, este livro conta uma história de amor e desamor, mas fá-lo duma forma pensada, que nos obriga a usar o cérebro. Não é o típico "boy meets girl" dos best-sellers de supermercado. Senti que o Essays in Love me desafiou enquanto leitora, pôs-me a reflectir nas minhas experiências, conferiu ao assunto mais batido, piroso e repetitivo do mundo uma aura de intelectualidade, de assunto académico, didático, de relevância. Deixou de parte a superficialidade das relações, das borboletas na barriga e do vazio a que nos entregamos quando acabam. Fez com que tudo isso se tornasse um assunto de adultos, respeitável. 

 

E sabem da melhor? O autor, Alain de Botton, escreveu este livro no verão dos seus vinte e um anos. 21. Como é possível que tanta sabedoria, ou tacto, tenha saído da cabeça e das mãos dum indivíduo tão jovem? O que é que a maioria de todos nós já tinha feito aos 21 anos? Olhem, eu tinha-me licenciado, tinha ido estagiar para Banguecoque e pouco mais, mas não, não tinha escrito o livro que inauguraria uma carreira brilhante e demonstraria todo o potencial da minha mente. Fica prometido que irei, com toda a certeza, ler mais livros do Alain De Botton, nem que seja o que comprei em simultâneo ao Essays in Love, que se chama The Course of Love (mais lamechice pseudo-intelectual, previsivelmente).

 

IMG_25610618_160947.jpg

 

 

E por aí, alguma sugestão de bons livros que me queiram deixar? Não tem de ser sobre este assunto, claramente, por isso estejam à vontade! Agora, ando também a ler Sapiens, De Animais a Deuses, e estou a gostar bastante. Encontrem-me no Goodreads e vamos falando. 

O resto dos primeiros dias

Já aqui escrevi que há sempre um primeiro dia em tudo, nomeadamente no que toca ao fim duma era, ao fim duma relação, ao fim dum amor. Por acaso, eu lembro-me mais ou menos desse dia que decidi tornar o meu primeiro, mas apenas porque conduziu a uma série de eventos que é possível localizar no tempo com precisão.

 

No entanto, cada vez mais me apercebo de que essa série de eventos constitui, sim, essa série de primeiros dias que tenho experimentado. Há um primeiro dia para quase tudo.

 

Estou a acabar de ler um livro (sobre o qual vos irei escrever, com toda a certeza) que me tem feito pensar no percurso que um amor calca, desde que deitamos os olhos em alguém interessante pela primeira vez, passando por uma relação épica, até que, por algum motivo, pela combinação duma infinidade de circunstâncias, cada um segue o seu caminho. Nesse livro, também se fala dos tais "primeiros dias", o que me tocou bastante.

 

IMG_25610617_225050.jpg

Essays in Love, Alain de Botton

 

Tocou-me, porque, pela primeira vez, li nas palavras de alguém, tão longe geográfica e temporalmente (o autor é suíço, residente em Londres, e o livro foi escrito antes de eu nascer) o que eu já defendia e que sinto que as pessoas que me rodeiam não compreendem: os primeiros dias são feitos do esforço para criar novas memórias e hábitos. Como numa cassete, gravam-se novas cenas por cima das antigas. Aquele restaurante onde só íamos com X? Há que voltar lá com outras pessoas, talvez os nossos amigos mais queridos, que deixarão uma marca eficiente nas nossas novas memórias. O sofá lá de casa, onde tantas vezes nos aninhávamos? É passar lá mais tempo a realizar um projecto pessoal significante, como ler o nosso novo livro favorito ou mesmo a escrever um - senão, convidar outra vez os amigos para lanchar e para maratonas de filmes. O local A, B, C? Fazer o mesmo, escrever memórias por cima, partilhar esses espaços com outras pessoas e em contextos renovados. O objectivo? Deixar de associar tudo o que possamos encontrar na nossa vida diária, necessariamente, à mesma pessoa, ao mesmo conjunto de emoções.

 

É assim, então, que encaro a criação de primeiros dias. São passos pequenos, quiçá minúsculos, em direcção a alguma paz, para que o coração não entre em sobressaltos constantes. Mal comparado, é como aquele dito popular, "a sarna dum cão cura-se com a sarna doutro". Não digo que precisemos dum "rebound" na forma doutra pessoa como alvo romântico, mas cada vez entendo com maior clareza que o "rebound" pode ter origem em várias pessoas, vários locais, várias razões, várias actividades. O dito "rebound" é multilateral. Não é a sarna dum só cão, é a sarna de vários cães, gatos, periquitos, lebres, roedores, até de tartarugas e peixinhos de aquário. É a minha avó sentada na minha cama até eu conseguir adormecer quando mais me custava, são os meus amigos a dizer-me para eu ter vergonha na cara cada vez que ameaço lamentos por mais de cinco minutos, é uma ou outra nova amizade ou as que se aprofundam, é a viagem à Escócia, é o meu trabalho, são os livros novos que compro e leio, novas músicas, séries e filmes, é a minha festa de aniversário, é a tarde de ontem sozinha na praia, são os almoços-surpresa com o meu pai, as conversas com a minha tia, é a minha sobrinha pequenina que me vê tão poucas vezes mas que parece já ter consciência de quem sou, é este blogue, é o ginásio, são os cursos livres que tirei, o mestrado que aí vem...

 

E, assim, vou coleccionando não só primeiros, como também segundos, terceiros e quartos dias. E por aí fora.

O choque, o drama, o horror: apaguei o Tinder

 

Venho por este meio terminar, oficialmente, a saga tinderesca levada a cabo por esta vossa cara amiga nas últimas semanas. Acabou, apaguei o Tinder ao fim de mês e meio. Já deu para procrastinar imenso, deu para conhecer outras facetas da raça humana, o estudo foi profícuo e agora já chega. Acabou a brincadeira. Muitos de vós previram este marco na minha vida, o fim da minha paciência nesta nobilíssima rede social, e eis que estavam todos certos (dah, óbvio que estavam).

 

Eu não fui talhada para o engate, sou uma moça - relativamente - séria. Não me deixo convencer facilmente. Sou um público difícil. Não me impressiono, sou picuinhas, não gosto de loiros, não gosto de chungas, não gosto de artistas, não gosto de quem escreve com erros ortográficos, não me vejo a sair com estrangeiros, não tenho queda para meninos; ainda por cima, também tenho uma certa mania de que sou esperta q.b. e mais ou menos fofinha, então... Ok, so you're Brad Pitt, como diz a Shania Twain. That don't impress me much. 

 

À semelhança do que já referi por aqui, quase, quase nenhuma das minhas histórias fizeram História. Não me irei alongar muito mais sobre o assunto, mas vou já tratar de vos apresentar sucintamente algumas das minhas conclusões.

 

Cá vai disto. A curto prazo, é quase impossível encontrar grandes matches. É preciso ter-se a aplicação activa e ir-se fazendo swipes durante algum tempo, senão deixa de haver perfis disponíveis à nossa volta. Eu devo ter tido sorte de principiante quando instalei a aplicação, mas quando a voltei a usar, umas semanas depois, já se tinha tornado mais difícil fazer match, ou mesmo encontrar perfis que me convencessem minimamente a dar um like. Por isso, tentem usar o Tinder duma forma desportiva, experimental, e logo se vê. 

 

Quanto às expectativas que possam ter... Há de tudo no Tinder. Falo do que me compete, volto a sublinhar - rapazes/homens dos 22 aos 29, à volta de Lisboa - por isso deixo as restantes faixas etárias, orientações sexuais e localizações para quem conseguir escrever sobre o assunto. Assim sendo, não me parece que toda esta gente no Tinder esteja à procura dum amigo da cama, não me parece que só exista esse tipo de engate, mas - surpresa! - não se admirem se não encontrarem o amor duma vida ao virar da foto. Em geral, parece-me que a maioria deve estar lá para o mesmo que eu estive: para ver, experimentar, não morrer ignorante e dar uma oportunidade a uma forma menos tradicional de travar novos conhecimentos, quando a vida profissional/académica não nos permite sair dos mesmos círculos sociais. Pelo menos, serve para dinamizarmos a nossa vida social. Ficar parados é que não!

 

Contudo, não digo que não haja surpresas, porque as há. Eu tive uma certa quota de surpresa e, graças a isso, já posso dizer que saio desta aventura com saldo positivo, que é tudo o que me interessava e interessa. Uma vitória!!! FESTA! Já ouvi muitas histórias negativas contadas por algumas amigas e posso considerar-me uma sortuda. 

 

Em geral, gostaria de vos deixar uma última nota: talvez seja mesmo necessário gostar-se de conversa fiada para se ser bem sucedido no Tinder. Eu não tenho paciência para longas conversas de engate, mensagens que chegam por pombo-correio, tal é o tempo que esperamos por elas... Prefiro conhecer as pessoas como deve ser, quiçá pessoalmente, se começar a sentir que são boas conversadoras e interessantes, em vez de andar em círculos. Claro que a conversa de engate entretém, mantém uma chama acesa, mas a partir de certo ponto já não me apetece ser o velho esquentador cá de casa - ou se apaga, ou se deixa o lume ir por aí fora. Se gostarem de conversa fiada infinita, sou a primeira a confirmar que se vão divertir imenso. Se forem mais como eu, uma secazinha, acho que se devem dedicar aos jogos de tabuleiro (que, por acaso, já juntaram uma amiga minha ao namorado, por isso é capaz de ser boa ideia).

 

Então, ficamos assim. Estamos conversados? Ainda não?

Em poucas palavras: não há nada como tentar. Encarem o Tinder ou qualquer outra aplicação do género como uma experiência sociológica. Se tiverem um blogue, até podem escrever sobre ela. Se não tiverem, também podem entreter os vossos amigos com as vossas aventuras... ou desventuras (os meus acharam um piadão, vá-se lá saber porquê). Mas não levem o Tinder demasiado a sério. Vão em paz, para saírem em paz. 

 

E o Tinder pode ser o que vocês fizerem dele! Se forem para o regabofe, encontram-no. Se forem para o conto de fadas... não garanto que encontrem o príncipe encantado, mas com alguma sorte ainda sacam uma companhia para o lanche, e toda a gente gosta de comida. 

Fui à Feira do Livro 2018 e comprei... um livro (e uma fartura!)

IMG_25610612_210520.jpg

 

Lembram-se de 2014? Conseguem ver as diferenças em relação a 2018? 😂Nesse ano, em duas ou três idas à Feira do Livro de Lisboa, devo ter comprado mais de quinze livros. Em 2015, a última FLL a que fui, também não devo ter comprado tantos. Em 2018 - ontem - comprei um. A que se deve esta redução? Talvez já não ande a comprar livros às dúzias só porque sim. Prefiro comprar em qualidade do que em quantidade. Já não compro livros só porque custam 3€ e têm mais de 3,70 estrelas no Goodreads, compro porque os quero mesmo e me interesso pelo que lá espero encontrar. Além disso, já ultrapassei todos os orçamentos quando estive na Escócia e gastei £40 em paperbacks, pelo que também não me falta material de leitura para as próximas semanas. 

No entanto, estou contente com o livro que comprei, A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num Bar, do Ricardo Araújo Pereira. Ainda tive 3€ de desconto em comparação ao PVP normal. Até agora (já vou a meio), ainda não desiludiu. Já o queria desde que soube que ia ser lançado. Aliás, eu só não vou a correr tirar a pós-graduação em Artes da Escrita, da FCSH, onde ele dá aulas (entre tantos outros escritores que admiro), por conflito de horários. 

 

Quanto à FLL... só tenho pena que o tempo - tal como os meus horários malucos de trabalho - não tenha cooperado muito este ano, para lá ter ido mais vezes, nem que fosse comer uma fartura. Fui ontem, comi ontem, já não foi mau. Agora, fica para o ano. Até 2019!

Alguma vez estamos preparados para o próximo passo?

Passamos a vida a convencer-nos de que estamos preparados para o próximo passo.

 

Somos bebés, e já tentamos chegar onde não chegamos, caminhar sem ajuda, pôr um pé à frente do outro, mesmo que acabemos por cair.
Somos crianças e já achamos que conseguimos ir para a escola sozinhos. Perdemo-nos a meio do percurso, apanhamos o autocarro errado e vamos sair a 5km do destino.
Somos adultos e queremos aquele emprego, aquele carro, aquela relação, aquele núcleo forte de amigos, e nunca deixamos de tropeçar, de bater com a cabeça e de nos esfolar quando os tentamos alcançar.

Conheço quem passe a vida a ser atropelado pelas circunstâncias em mais do que um desses domínios e que continua a investir contra as probabilidades. Não é fantástico, admirável, nobre?

 

E é com isto que concluo que, mesmo quando não estamos preparados, o melhor é ir em frente e logo se vê. Mais cedo ou mais tarde, havemos de tirar proveito desse espírito. Os bebés não deixam de trepar ao sofá e pontapear o chão, as crianças lá percebem onde se apanha o autocarro e os adultos vão igualmente tacteando o desconhecido, em direcção ao seu desenvolvimento, a dias melhores. Enquanto adultos, continuamos a trabalhar de modo a progredir e a ultrapassar os nossos obstáculos individuais e a testar os nossos limites - cada um com os seus. Alguma vez estaremos preparados? Dificilmente. Mais vale seguirmos em frente, fazermos figas e lançarmo-nos. Em tudo. Meia dose de inconsciência (deliberada, até), outra meia de coragem. Por isso é que tenho tentado tomar decisões sem pensar demasiado, ou deixar-me levar pelo que vem à rede. O passo pode ser maior do que a perna, mas só o poderemos confirmar quando o dermos. 

 

Serendipity (diria uma amiga minha, a quem dou razão). Mas misturo sempre uma pitada de estupidez natural.

 

De resto... Só ainda não conseguimos fazer por melhorar este tempo de Dezembro em Junho. O resto, vai-se tentando.

As maiores falhas dos jovens portugueses no engate do Tinder

img1528217588255.jpg

 

Cá estou eu de volta para mais desenvolvimentos na minha investigação estritamente académica sobre o assunto "Tinder"! Contudo, temo que este seja um dos últimos capítulos, por isso aproveitem enquanto dura.

 

Eu não sei o que é que anda na cabeça de certas pessoas, mas alguns dos jovens portugueses presentes no engate do Tinder devem ter lá dentro... cocó. Só pode. Bem, não digo cocó, mas por vezes é difícil acreditar que será um cérebro o conteúdo em destaque. Lembram-se do que eu escrevi aqui, sobre os "As 16 piores opções para engate no Tinder"? Este é o capítulo seguinte.

Vejamos... Aqui seguem os erros mais comuns dos jovens portugueses (homens) no Tinder, mais ou menos entre os 22 e os 30 anos.

 

1. Põem uma foto. Uma. 

Caríssimas meninas, alguma vez sonharam encontrar o príncipe encantado recorrendo à estratégia do "amor à primeira vista"? Neste caso, apresento-vos a estratégia "amor à primeira (e única) foto". Sem mais nada. Com sorte, o nome e a idade. E, ainda por cima, vão ter de decidir se vale a pena apostar no João, 25, julgando apenas uma cara igual a todas as outras por trás duns óculos escuros do chinês.

 

2. Não escrevem nada na descrição

Palavras para quê? O João, 25, que até é bem giro de óculos escuros e tem bons dentes, decidiu que aquela segunda foto ao lado duma prancha de surf diria tudo o que é necessário para que o mulherio se passasse da cabeça e o contemplasse com uns swipes gostosos. Para boa entendedora, duas fotos pixelizadas bastam. 

Aliás, este é um excelente indicador do esforço que o moço poderá vir a empreender num futuro conhecimento pessoal.

 

3. Escrevem apenas a altura na descrição

"1,83m 😉" Parece piada, mas não. O João, 25, além de ficar bem de óculos escuros, ter bons dentes e ter feito uma aula trial de surf na Costa da Caparica, é assim a atirar para o alto. Dá jeito saber, caso nos apeteça comprar-lhe uma pecinha de roupa a tempo do primeiro encontro.

Como é óbvio, estou ciente de que o Tinder é uma plataforma de engate de todos os tipos e que nem toda a gente anda à procura do próximo Mr. Husband. No entanto, a ter de ir para a cama com alguém, não magoava saber se prefere sushi ou pizza. A altura pode ser um indicador eficiente para outras medidas (se a regra da proporcionalidade existir, if you know what I mean), mas... calma.

 

4. Açacinam a língua portuguesa 

Mas nem tudo está perdido, porque, pelo menos, ficamos a saber que o João, 25, é impilhador de caixas no Continente da Quinta do Conde, e que gosta de sair para comer fêberas.

 

5. Falta de criatividade

Bem, bem, felizmente ainda temos o Manuel, 26, para nos consolar. Tem quatro fotos (duas de corpo inteiro e duas com o palminho de cara visível), diz que quer conhecer pessoas novas, gosta de festivais de música e até aguenta serões de comédias românticas.
Então, o Manuel decide encetar conversa connosco.
"Olá, td bem? 😋"
É isto.

(Esta publicação foi escrita de manhã; à tarde, já tinha recebido um "Olá" - sim, ainda há quem consiga mostrar menos criatividade, entusiasmo, interese...)

 

6. Morrem para a conversa

Mas nós damos uma chance ao Manuel, porque ele não foi mau de todo e disse olá. Trocamos umas linhas de conversa promissora, uns "ahaha" e uns emoji pelo meio, nós pensamos que não deve estar a correr muito mal e, do nada, o Manuel deixa de responder. Puft, gone with the wind, mas sem fazer unmatch.

 

7. Não correspondem, falta-lhes uma dose de bom senso

Vamos a ver, ainda temos o Filipe, 28, com quem conseguimos trocar mais de seis frases. Ele até demonstra que leu a nossa descrição, estudou o caso. Contudo, sem aviso prévio, o Filipe pergunta "então, e o que é fazes mais, sem ser ligar a essas coisas chatas dos livros?" Perante este cenário, uma pessoa dá a entender que não vai dar. Ele desculpa-se, que é um rapaz mais prático, das engenharias, estão a ver?

 

Vade retro.

 

8. Fazem match e não comunicam

Na última semana e meia, fiz match com mais ou menos 14 itens (ahahaha, itens): um deles o amor anterior (eu avisei que isto poderia acontecer, o pessoal bate mal da mioleira e depois anda a picar-se), com dois comecei eu a conversa, outros quatro começaram eles, e os restantes... Zero. Fizemos match e agora está tudo às moscas. Assim não vamos a lado nenhum, amigos! Nem um olá, como disse o outro? A probabilidade não deveria ser que, no mínimo, 50% da iniciativa devesse partir do outro lado?

 

Desta forma, dou por encerrada este lavar de roupa suja tinderesca... por hoje. Provavelmente, para sempre, porque estou a um saltinho de eliminar esta pouca vergonha - não pelos princípios da rede social, mas sim por causa de quem lá encontramos... ou não encontramos, nem que seja porque, quem vale a pena conhecer, já não deve precisar de andar em redes sociais deste género.

 

Nota: tudo o que deixei aqui registado aconteceu-me mesmo, verdade-verdadinha, mas as personagens são compósitas e os meus comentários, frequentemente, ácidos.


Além disso, calma, garanto que já houve uma estatística positiva. Uma, que não foi infeliz, por isso continuo a acreditar que vale a pena tentar por um bocadinho (mas não por demasiado tempo, depois concluímos que o mercado está saturado, ponto final). Quem não arrisca não petisca, não se perde nada, gente solteira que está a pousar os olhinhos nestas palavras! Toca a andar, tudo a instalar o Tinder para proceder a estudos académicos da mais elevada seriedade! 

Não consigo parar de ouvir a música "A Miúda Gosta" (Carolina Deslandes)

Tenho um problema musical em mãos (neste caso, em ouvidos): não consigo deixar de ouvir a música "A Miúda Gosta".

 

 

Claro que, por essas blogosfera e redes sociais fora, o álbum Casa, da Carolina Deslandes, tem-se revelado uma espécie de livro de hinos ao que é lindo, maravilhoso, romântico, sentido, catártico, representativo do que é mais puro e inocente nos nossos corações empedernidos, que se vão tornando moles a cada nova música.

 

Quanto a mim, costumo dizer que embirro com modas, só consigo ver as séries e os filmes, ouvir os artistas, ler os livros quando eles deixam de ser o centro das atenções das massas, mas tive de abrir uma excepção para este álbum Casa, nem que seja porque fui uma das milhares de pessoas que se derreteu com A Vida Toda há mais dum ano e que ganhou uma curiosidade miudinha acerca do que sairia da mesma origem.

 

É neste contexto que, primeiro, me apaixonei pela música "Agora", a qual encaixou que nem uma luva em circunstâncias que já vão passando, e também por esta, "A Miúda Gosta". Digo que tenho um problema, porque passo a vida a ouvi-la, de vez em quando farto-me, mas horas depois já estou com saudades de voltar ao mesmo. Nem sequer penso que seja uma música a ser transformada em hit, passa despercebida. Então, porquê esta insistência em encher a cabeça sempre com a mesma toada?

 

Eu não percebo nada de música (ter tido uma banda por seis meses e ter feito covers ranhosos para o YouTube não conta, pois não?). Mas acho que percebo uma coisa ou outra de palavras. Ou simplesmente de intuição e lamechice. Assim sendo, decidi vir aqui partilhar convosco que a miúda gosta d' "A Miúda Gosta", e fica bem disposta...

 

Gosto que esta música trate o amor como uma coisinha tontinha, porque é, "pura insensatez". O pessoal fica mesmo apanhado, não fica? É mesmo uma droga, não é? Ficamos a flutuar, como inspira a batida da canção, a delicadeza dos instrumentos. Não é?

 

Além disso, acho que aquilo de que eu mais sou fã é que esta canção também venha relembrar-nos de que não é realmente verdade quando dizemos que não podemos mudar os outros. Parece-me que sim, não necessariamente a sua identidade ou os traços que mais os caracterizam, mas talvez os seus hábitos ou opiniões sobre alguns assuntos: "eu nem gosto de cartas nem postais, mas a miúda adora, diz que até cora"; "eu nem gosto de falar de sentimentos, mas a miúda pede, ri sozinha e pede, então lá vou eu"; "sabe que eu não danço, mas eu não descanso sem a ver feliz". Apanha-se um sentimentozinho e troca-se as voltas à malta. 

 

E, depois, toda esta "miudez" dos sentimentos, todo este aparvalhamento, tontice... Ela é a miúda, ela quer, e o adulto sério faz "o que ela quiser, pura insensatez", "e ela, sem medo, dá-[lhe] um abraço", uma parvoeira. Não faz sentido, mas é mesmo assim, pelo que me lembro. 

 

Não procedendo a grandes psicanálises, conclui-se, então, que esta miúda gosta e fica bem disposta ao lembrar-se de como esta tolice pegada é engraçada, bem foleira, mesmo que não lhe ande a tocar a ela. Já tocou, pelo menos, e já foi bem bom. Já não morro ignorante! 😂

Semeamos o que colhemos, recebemos na medida do que damos

Não sendo isto uma fórmula matemática, tenho vindo a acreditar cada vez mais que tenho recebido tudo na mesma quantidade e intensidade em que dou. Às vezes, dar um pouco mais até não faz mal, mais vale por excesso de que por defeito.

 

Realmente, é difícil não me pôr a pensar que esta coisa das energias positivas deve ser verdade. Ter-me rodeado de pessoas optimistas outra vez tem dado frutos. Pessoas que, pelo menos, não sabem sofrer sem contar uma anedota ou duas sobre as suas vidas. Pessoas que não bebem por copos meio cheios ou copos meio vazios, mas sim por copos que se podem voltar sempre a encher. Toda a gente sofre, mas há quem escolha dar menos tréguas às circunstâncias da vida. Vão à luta, nem que seja à chapada ou à canelada.

 

(Ter bebés pelo meio da equação deste optimismo também ajuda, vá.)

 

Acho que vou continuar neste registo. Também eu posso fazer a diferença na vida dessas pessoas - não é maravilhoso? Dou, recebo, fico com ainda mais vontade de dar novamente. Não é preciso muito. É tão bom sentir que há quem nos deseje ver bem e que contribua para isso, não é?

 

Pessoas boas fazem coisas boas acontecer na vida dos outros.