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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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os ignóbeis convencidos

   Sabem o que me irrita? Entre muitas outras coisas, rapazes que são uns ignóbeis convencidos que, mesmo não tendo nada, mas mesmo na-di-nha de especial, se acham umas grandes figuras. E, mais do que isso, odeio que, sendo rejeitados por uma rapariga, fiquem sem saber bem porquê. Porque será…?!

   Coitados. Não, a sério. Coitados! Tenho pena que existam desafortunados desses a caminhar pelo mundo fora. É que um pouco de humildade nunca fez mal a ninguém – nem um bom par de olhos na cara e um pedaço de bom senso. Se alguém já morreu de indigestão por causa deles, que se chegue à frente (ou que se levante da campa, neste caso). É que, da sua falta, derivam outras maleitas igualmente perigosas. Enumerando algumas: estupidez q.b., humilhação, parvoíce, humilhação, permanente ausência de relações amorosas, mais humilhação… tudo isto sendo uma causa/efeito de constantes rejeições, umas atrás das outras.

   Tamanhos egos intrigam-me. Estas criaturas até podiam ter uma qualquer característica que os fizesse sobressair de entre as restantes do sexo masculino, mas não. Além de serem rapazes absolutamente normais, ainda são uns panhonhas do caraças. São pouco apelativos para o sexo oposto, a dobrar ou ao quadrado, venha o diabo e escolha. Não há nada que os salve de si próprios, a menos que exista por aí uma miúda igualmente totó e, desse modo, como se costuma dizer, “cada techo tem a sua panela”.

   Eles tentam elogiar, eles tentam ser atenciosos, eles tentam ser homens (ai, minha nossa!) e só fazem porcaria. Não compreendem o sexo feminino, não reconhecem que não o compreendem e, consequentemente, nem fazem por compreendê-lo. Enquanto rapariga, isto poderia ofender-me, se eu me desse a tal importância. Não dando, apenas me faz comichão.

   Conheço pelo menos dois casos de “bichos” como estes que vos descrevo. Podia não vos dizer que já fui o “alvo” de um deles, mas a situação até tem a sua piada (apesar de, na altura, não ter tido nenhuma, agora sim, até tem). O segundo já levou não sei quantas tampas (atrevo-me a chamar-lhes TAMPÕES!) de uma amiga minha e continua sem chegar lá, ao cume da montanha da iluminação, ou seja… à primeira, persiste-se; à segunda, insiste-se; à terceira, desiste-se. Algumas pessoas, incluindo eu, já lhe esmiuçaram a ideia de todas as formas e feitios concretizáveis e… o resto já vocês imaginam. Das duas uma: ou o rapaz se encontra em negação há catrefadas de meses, ou é mesmo tapadinho.

   No que pensarão estas cabecinhas? Em que acreditarão elas?! Que são deuses em forma humana? Que são humanos com poderes divinos? Que são lindos, maravilhosos, desejáveis, irresistíveis? Mas não são. Será assim tão complicado chegar a uma conclusão de tamanha simplicidade? Será assim tão complicado olharem-se ao espelho, procederem a uma curtíssima introspecção e avaliarem-se como gente pensante? E até poderiam ser realmente criaturas fantásticas e deslumbrantes, estando conscientes disso, desde que conseguissem mentalizar-se de que, por muito perto da perfeição que alguém esteja, nem sempre poderá agradar a gregos e a troianos. Então, no amor, nem se fala!

   Não escolhemos de quem gostamos ou por quem nos sentimos atraídos, portanto, os ignóbeis convencidos que tomem juízo. Não será por passarem meia vida a tentar conquistar uma rapariga que ela se vergará perante os seus esforços, não será por lhe perguntarem mil vezes como está que serão mais agradáveis, não será por se lamentarem infindavelmente aos seus amigos que eles lhes satisfarão a necessidade eminente de dar uma queca.

   Porque, ao fim e ao cabo, tudo isto não passa de um assunto estritamente hormonal. Rapazes como os que retratei estão, como é evidente, desesperados. Não é que estejam realmente interessados em conquistar por razões amorosas. Na cabeça deles, o carinho e o desejo misturam-se. Não é de estranhar que anseiem por um relacionamento amoroso, dado o contacto físico ser uma das premissas incluídas no compromisso (supostamente).

   Os ignóbeis convencidos que se enganem a si mesmos! Estejam à vontade. Toda a gente já lhes adivinhou as intenções. Do que precisam não é de alguém para amar, mas sim de uma companhia casual. Se fossem minimamente inteligentes, sabê-lo-iam de antemão e estariam quietinhos e caladinhos.