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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades. E livros.

eram dois

   Eram dois - dois que se amavam, dois que não expressavam o que sentiam, dois que não eram felizes um com o outro. Entre eles existia algo que os separava, apesar do quão próximos se haviam tornado. Seria ciúme? Seria ódio? Seriam os outros?


   O orgulho inflamava o mais puro sentimento que os unia, enquanto essa sua união em chama lenta ardia. A culpa era dos outros. A culpa era dos outros!, porque nenhum dos dois se culparia. Ele achava-a demasiado... demasiado tudo - e ele não se deixaria prender. Ela quase desistia, pois faltava-lhe o fôlego para combater as chamas - sozinha, ou desse ele conta do que lhes ia acontecendo. Ambos precisavam de se confrontar urgentemente. 


o encontro

Olha para nós, tão perto e tão longe
a escassos passos de um aperto, um abraço,
mas cegos do que não vemos e não sentimos.

Dar-te-ia a mão, o pulso, até os medos,
fundindo os teus com os meus,
do jeito que a saudade criou.

Olha para nós, tão perto!
Como seria bom ouvir a tua voz mais alto que a do mundo,
enquanto o mundo de nós falaria!

Quase no pôr-do-sol, quem me dera não lhe ligar,
pois o meu horizonte em ti acabaria
e, o de amanhã, em nada seria igual.


 


Beatriz Canas Mendes

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