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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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"Dez coisas..." [post agendado]

30.06.12 | BeatrizCM

Adorei esta lista. Como tenho feito algumas ultimamente, o que acham de eu elaborar outra baseada na do artigo que vos apresento? O que vos parece - "Dez coisas estúpidas que os rapazes fazem para impressionar as raparigas"? Soa-vos bem? Quem tiver sugestões sobre pontos a indicar, publique nos comentários, pois ainda sairá daqui uma coisa fresca...! E eles que se amanhem!

modo de férias: não me chateiem

29.06.12 | BeatrizCM

Acho que já posso dizer que estou de férias. Têm sido dias muito quentes, tenho-me levantado depois das dez e meia da manhã, deitado à uma, o meu quarto está arrumado e arejado, voltei a ver televisão (mãezinha do céu!, a Bones está grávida do Booth e a Angela e o Hodgins têm um bebé!) e voltei a ter paciência para ler, escrever e levar os meus cães a passear. Sei que ainda tenho a segunda fase de exames nacionais daqui a umas semanas, mas, por agora, esta liberdade é para aproveitar. O único ponto negativo é que... , esqueçam, não há pontos negativos. Já me posso dar ao luxo de passar duas horas a olhar para as paredes (não que o faça, necessariamente) e penso que isso diz tudo.

eu: leitora

27.06.12 | BeatrizCM

   Quando leio um livro, apercebo-me de peculiaridades muito estranhas sobre mim enquanto leitora. Considero-me um bocado anormal, se me permitem. Anormal. Ainda não se habituaram a conhecer alguém que se ache ela própria uma anormal? ANORMAL. EU SOU ANORMAL.


   E porque é que sou anormal? Porque nunca vi ninguém agir como eu, a partir do momento em que pega num livro.


   A partir do momento em que pego num livro, não me coíbo de me rir às gargalhadas, se a narrativa assim o proporcionar. Mesmo que esteja num local público, se ler algo que me agrada particularmente, que me deixa bem-disposta e a que eu acho imensa piada, rio-me com vontade e ainda sou capaz de me virar para quem estiver por perto, ouve só isto. Depois, se essa pessoa tiver a mesma opinião que eu sobre o que lhe leio, fico feliz e volto ao que estava a fazer antes, em silêncio; se, por outro lado, me julgar louca e me fizer uma careta, não percebi a piada, volto simplesmente a ler. Igualmente em silêncio.


   Mas, de vez em quando, também choro. E, quando choro por motivos literários, choro que nem uma madalena. Quanto a essas passagens que me comovem, não as costumo partilhar. Evito-o. Prefiro anotá-las no meu bloco de notas, para poder recordá-las na posterioridade. Há pessoas que se emocionam com filmes; eu emociono-me com filmes e livros.


   Mas a lista não se fica por aqui. Outro dos aspectos que me torna uma leitora absolutamente hilariante (eufemismo para estranha) são as posições em que me coloco a ler. Até agora, a mais particular de que me lembro foi ter-me deitado na cama com os pés para a cabeceira, só que, não contente em os ter em cima da almofada, decidi que estaria bem mais confortável com eles a empurrar o tecto rebaixado (o meu quarto fica no sótão). E também já houve uma vez em que fiz exercícios para aumentar a flexibilidade, no chão, enquanto estudava, a sugestão da minha professora de Educação Física.


   No entanto, nada se iguala à minha capacidade de concentração (exagero que vocês, decerto, compreenderão). Certa vez, quando a minha turma foi obrigada a ler individual e silenciosamente A Cidade e as Serras durante uma aula de Português, ninguém estava muito motivado a fazê-lo e, claro, essa falta de vontade resultou numa galinácea barulheira. Admito que fui incapaz de ler sem parar durante hora e meia uma obra de que nem sequer gosto, mas orgulho-me de dizer que consegui ler os três primeiros parágrafos, a muito custo, abstraindo-me do ruído. Isso levou-me trinta minutos de aula. Nos restantes sessenta, como devem calcular, não fiz ponta de nada (quase. Li mais um capítulo, mas mais devagarinho).


   A última proeza de que me orgulho é conseguir comer enquanto leio, sem sujar as páginas com chocolate, gordura ou outro ingrediente qualquer. Não soube dela até há pouquíssimo tempo, quando decidi que, apesar de gelado e José Luís Peixoto não rimarem, havia alguma probabilidade de ambos conjugarem harmoniosamente um com o outro. (Pensando bem, talvez haja por aí muita gente que consegue fazê-lo melhor do que eu… Mas deixem-me vangloriar-me, vá lá!)


   Além das que já enumerei, também faço outras coisas ao mesmo tempo que leio, mas considero-as demasiado vulgares. Toda a gente consegue cantar ao mesmo tempo que lê; toda a gente consegue ir fazendo festinhas aos seus cães ao mesmo tempo que lê; toda a gente consegue ouvir música techno ao mesmo tempo que lê (menos eu). No fundo, eu sou só mais uma anormal que escreveu este texto, à espera que ninguém lhe venha dizer “ei, eu também consigo fazer isso!”


 


(Está bem, podem dizer…)

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