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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

eu: leitora

   Quando leio um livro, apercebo-me de peculiaridades muito estranhas sobre mim enquanto leitora. Considero-me um bocado anormal, se me permitem. Anormal. Ainda não se habituaram a conhecer alguém que se ache ela própria uma anormal? ANORMAL. EU SOU ANORMAL.


   E porque é que sou anormal? Porque nunca vi ninguém agir como eu, a partir do momento em que pega num livro.


   A partir do momento em que pego num livro, não me coíbo de me rir às gargalhadas, se a narrativa assim o proporcionar. Mesmo que esteja num local público, se ler algo que me agrada particularmente, que me deixa bem-disposta e a que eu acho imensa piada, rio-me com vontade e ainda sou capaz de me virar para quem estiver por perto, ouve só isto. Depois, se essa pessoa tiver a mesma opinião que eu sobre o que lhe leio, fico feliz e volto ao que estava a fazer antes, em silêncio; se, por outro lado, me julgar louca e me fizer uma careta, não percebi a piada, volto simplesmente a ler. Igualmente em silêncio.


   Mas, de vez em quando, também choro. E, quando choro por motivos literários, choro que nem uma madalena. Quanto a essas passagens que me comovem, não as costumo partilhar. Evito-o. Prefiro anotá-las no meu bloco de notas, para poder recordá-las na posterioridade. Há pessoas que se emocionam com filmes; eu emociono-me com filmes e livros.


   Mas a lista não se fica por aqui. Outro dos aspectos que me torna uma leitora absolutamente hilariante (eufemismo para estranha) são as posições em que me coloco a ler. Até agora, a mais particular de que me lembro foi ter-me deitado na cama com os pés para a cabeceira, só que, não contente em os ter em cima da almofada, decidi que estaria bem mais confortável com eles a empurrar o tecto rebaixado (o meu quarto fica no sótão). E também já houve uma vez em que fiz exercícios para aumentar a flexibilidade, no chão, enquanto estudava, a sugestão da minha professora de Educação Física.


   No entanto, nada se iguala à minha capacidade de concentração (exagero que vocês, decerto, compreenderão). Certa vez, quando a minha turma foi obrigada a ler individual e silenciosamente A Cidade e as Serras durante uma aula de Português, ninguém estava muito motivado a fazê-lo e, claro, essa falta de vontade resultou numa galinácea barulheira. Admito que fui incapaz de ler sem parar durante hora e meia uma obra de que nem sequer gosto, mas orgulho-me de dizer que consegui ler os três primeiros parágrafos, a muito custo, abstraindo-me do ruído. Isso levou-me trinta minutos de aula. Nos restantes sessenta, como devem calcular, não fiz ponta de nada (quase. Li mais um capítulo, mas mais devagarinho).


   A última proeza de que me orgulho é conseguir comer enquanto leio, sem sujar as páginas com chocolate, gordura ou outro ingrediente qualquer. Não soube dela até há pouquíssimo tempo, quando decidi que, apesar de gelado e José Luís Peixoto não rimarem, havia alguma probabilidade de ambos conjugarem harmoniosamente um com o outro. (Pensando bem, talvez haja por aí muita gente que consegue fazê-lo melhor do que eu… Mas deixem-me vangloriar-me, vá lá!)


   Além das que já enumerei, também faço outras coisas ao mesmo tempo que leio, mas considero-as demasiado vulgares. Toda a gente consegue cantar ao mesmo tempo que lê; toda a gente consegue ir fazendo festinhas aos seus cães ao mesmo tempo que lê; toda a gente consegue ouvir música techno ao mesmo tempo que lê (menos eu). No fundo, eu sou só mais uma anormal que escreveu este texto, à espera que ninguém lhe venha dizer “ei, eu também consigo fazer isso!”


 


(Está bem, podem dizer…)

ligaram-me para o telemóvel

Estou sim, bom dia. Ligaram-me deste número há pouco, mas não pude atender e gostaria de saber quem fala.


Ah, sim. Bom dia. Como se chama mesmo?


Hum... Beatriz Canas Mendes.


Como?


Beatriz Mendes.


Ah, sim, Beatriz. Daqui é da Biblioteca Municipal. Era para lhe dizer que foi seleccionada como suplente para a Biblioteca de Jardim e Praia.


E que é que implica ser suplente? Quer dizer que fico com o emprego caso alguém desista do seu lugar?


Ora aí está! Portanto, talvez lhe ligue depois.


Certo, então. Obrigada e bom dia.


Bom dia, Beatriz.


Com licença.

e a crise, vende-se?


Queridos leitores, coloquei a minha guitarra clássica Ashton à venda por 50€ (preço negociável, incluindo o saco, a fita e duas palhetas, mas sem portes de envio). Tenho-a há exactamente um ano, quase não lhe dei uso e acho-a um excelente instrumento (só que eu já tenho uma dentro do mesmo estilo e queria comprar outra acústica, com cordas de aço). Se souberem de alguém que esteja interessado, avisem-me. Para mais informações, cliquem em qualquer um dos seguintes links:


* COISAS.COM *


* CUSTOJUSTO.PT *


* OLX.PT *


 

menos mal (Geografia A)

   Após muita dedicação aos livros, elaboração de quilos de resumos e rascunhos, numerosos ataques de pânico, anotação de ideias e esclarecimento de dúvidas constante, sobrevivi ao exame de Geografia A, como dizem os ingleses, with flying colours. A matéria abordada foi, no geral, aquela que eu estudei melhor e, apesar de terem colocado lá pelo meio um pouco de geografia física (localizar as ilhas dos Açores - tive essa questão errada -, localizar e nomear países do Norte da Europa - acertei -... tinha de me calhar logo a mim, que não gosto nada disso!), sinto-me inundada por uma onda de optimismo. Já fui conferir a minha resolução com os critérios colocados, há pouco, no site do GAVE, e parece-me que a coisa nem está feia. Era um exame relativamente acessível, até porque metade da cotação é distribuída por items de escolha múltipla e as restantes questões também não são nada por aí além. Acho que não é muito difícil chegar-se à positiva, apesar de ter sido ligeiramente mais difícil do que os dos anos anteriores. Quanto aos que almejam a notas superiores a 17 (humm... como eu), já considero que o panorama não tenha sido tão colorido. Mas não desanimem! Porque, para quem não precisa necessariamente de Geografia A como prova de ingresso, há sempre aquela última alternativa de se tentar a 2ª fase, caso não consigam alcançar a vossa meta nesta 1ª (que o Diabo seja cego, surdo e mudo um trilião de vezes!).


   Olhem, pronto, o pior já passou. Amanhã é o último dia da 1ª fase e também só me falta o de Inglês. Agora, resta-nos saciar o papinho de praia, livros, música, Facebook, 9gag e, enfim, muita procrastinação, até à segunda semana de Julho, quando os resultados forem divulgados. Aproveitem, antes que se acabe a boa vida!

ídolos 2012 - mulheres ao poder #4 [+ BÓNUS masculino que, de bónus, começa a não ter nada]

Como já é hábito, e sendo eu uma espectadora (não me considero uma fã) assídua e ferrenha do programa televisivo do momento, Ídolos, não poderia deixar de comentar o episódio da noite de ontem que, apesar de não ter tido tempo de ver em directo (vida de estudante, a que obrigas...), gravei e vi ainda agora, do princípio ao fim (e sempre tenho, deste modo, oportunidade de passar à frente a publicidade e os comentários despropositados da Sô Dona Babá que, apesar de ter o dom incontestável da palavra, não me achega muito o coração). Portanto, aqui ficam as críticas, boas, más e assim-assim.


 



[Diogo Piçarra]

Na semana passada, considerei o moço uma espécie de bónus inesperado e ele não me deixou ficar mal, não senhora. Para já, cantou uma música que eu AMO, AMO, AMO e que nunca pensei que chegasse a ser incluída num programa convencional da televisão pública. Nem sequer sabia que a Creed fazia parte de uma banda sonora e, mais logo, já irei investigar qual, a ver se conheço o filme e tudo isto me passou ao lado.

 



[Mariana Domingues]

Oh, vá lá, ela é sempre fantástica! Sempre afinadinha, domina a técnica vocal bastante bem e até eu, pirralha que entende o básico de música, me sinto na obrigação de vos pedir para se levantarem da vossa cadeira, cadeirão, sofá ou cama para lhe dedicarem uma salva de palmas... Mas não muito alto, para a vossa família não achar que são freaks como eu (não queiram). Sim, talvez ela tenha falhado nalguns aspectos, tal como o júri referiu, mas, como o mesmo fez questão de sublinhar, não foram maus o suficiente para ofuscarem todas as suas grandes qualidades e prestações praticamente imaculadas.

 



[Inês Herédia]

Ela é sempre tão doce que quase me faz engordar - e isso é mais difícil do que encontrar um traço masculino no José Castelo Branco! Senhor Manuel Moura dos Santos, deixe-se lá de complicações, hein? Costumo ser apoiante das suas críticas, mas, desta vez, não concordei com o seu desagrado - nem com a sua atitude perante esta menina, nem perante o Diogo, que teve a sua melhor prestação ontem à noite!

 



[Margarida Carriço]

Na minha opinião, foi o momento baixo da noite. Estragou uma música linda com aquele toque arockalhado que não se adapta à toada original. Prefiro ouvi-la cantar num registo mais alternativo como, por exemplo, Led Zeppelin, a sua escolha no primeiro casting.

 


E pronto, meus caros. Digam de vossa justiça, se estou certa, errada ou nem por isso, coise e tal. Já agora, parem lá com essas tretas de meterem a Mariana Domingues e a Inês Herédia na lista dos menos preferidos, que isso de não votar em pessoas com talento deixa-me deprimida.

a identidade de blogger

   Ao contrário da maioria das pessoas que escrevem em blogues, eu não tenho nenhum problema em assumir a minha identidade na blogosfera. Qualquer um tem acesso ao meu nome e nem sequer é preciso serem muito espertos para me atribuírem uma idade aproximada, analisando os temas que costumo abordar. Além disso, tenho deixado por aí as ligações para o meu perfil pessoal do Facebook e já muita gente me tem adicionado à conta do Procrastinar (mas voltarei a falar disso mais tarde). Família, amigos e colegas, gente com quem me relaciono no dia-a-dia, também conhecem o blogue, até porque não tenho pudor em publicitá-lo nas redes sociais. Sim, eu faço questão de lhe fazer referência publicamente.


   E vocês perguntam: porquê? Já me têm dito que não compreendem a minha opção, por ser demasiado arriscado tratar de assuntos pessoais na Internet sem ser por meio de um pseudónimo. Afinal, eu escrevo sobre pessoas e acontecimentos que me são próximos.


   Pois digo-vos que não é bem assim como vocês pensam. Se repararem, a partir do momento em que comecei a mostrar o meu nome, o nível de privacidade das minhas publicações tornou-se maior. Não me refiro a colocá-las em modo privado, mas sim ao tipo de coisas que escrevo. Há quase um ano, quando criei este espaço, costumava desabafar sobre emoções, frustrações e desamores, apesar de nunca indicar nomes específicos. O meu nível de maturidade na blogosfera, na altura, ainda era reduzido e, mesmo neste momento, não é o mais elevado, mas já consigo distinguir o que não deve do que pode ser escrito. Prefiro escrever sobre episódios banais que aconteçam, eventualmente, com pessoas que dêem autorização para serem mencionadas, sobre livros, música e filmes, sobre a escola e, claro, uma vez por outra, sobre assuntos mais íntimos, sem transgredir a barreira do aceitável (nesta categoria, incluem-se as ditas lamechices, está dito). É raro pôr-me a divagar sobre o quão gosto de indivíduo A ou B, se estou chateada com alguém, se estou apaixonada ou de coração partido (só de vez em quando, pronto). Não exponho mais do que o que contaria numa conversa casual com um colega ou desconhecido. Também não dou a cara em fotografias que não sejam a do perfil nem digo onde vivo ou estudo, pelo que poucos são os leitores que sabem ao certo quem sou.


   A propósito, gostaria de informar, igualmente, que vou remover a ligação ao meu Facebook pessoal. A ideia do blogue é exactamente, como tenho dito ao longo desta publicação, não colocar em evidência a minha identidade, portanto, dado andar a receber demasiados pedidos de amizade de leitores, é o que farei, tal como uma triagem a fundo dos meus "amigos" nas redes sociais. (Têm razão, eu sou daquele tipo de pessoa que, lá bem no fundo, é uma anti-social e uma maníaca da privacidade, cof, cof.) Peço desculpa a quem talvez venha a ferir os sentimentos (pronto, não encaremos a situação de uma maneira tão drástica, mas não fiquem zangados!), mas eu tenho uma página somente dedicada ao Procrastinar Também É Viver, a qual poderão adicionar  à la vonté, essa sim, e onde poderão deixar-me as vossas mensagens e coisas que tais.


 


   Não poderia terminar sem agradecer, mais uma vez, o apoio que tenho recebido e todo o feedback que me têm deixado. Vocês dão sentido ao que escrevo, sem dúvida. Nada pode deixar um blogger mais satisfeito do que saber que tem leitores assíduos e que não se coíbem de opinar e trocar galhardetes comigo.