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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Dos outros #16

"O ridículo humaniza. Essencialmente, somos ridículos. Reconhecemo-nos uns aos outros, simpatizamos uns com os outros e, sempre que um de nós tropeça na própria inépcia e cai com fragor no silêncio solene dos salões, rimo-nos todos com idêntica alarvidade e aflição."

"Neste jogo de comprar para vender amanhã, não há tempo para construir um escritor. Porque um escritor constrói-se, sim, livro a livro, um pouco como se constrói um edifício - quanto mais alto for, mais profundas terão de ser as suas fundações.
Não há igualmente tempo para encontrar os leitores que todo o livro honesto certamente há-de ter. O que se quer é o escritor pronto a vender, de preferência alguém que já possua um público vasto, ainda que não saiba escrever. Aliás, é preferível que nem sequer saiba escrever. Saber escrever atrapalha bastante."

José Eduardo Agualusa,  O Lugar do Morto

Cena familiar facebooquiana

O meu pai chega a casa. Começa o diálogo habitual.
- Então, o que fizeste hoje?
- Escrevi, li, vi televisão...
- E mandaste aquilo do Tolkien, hein?

Portanto, graças ao feed de notícias do Facebook, o meu pai passou a ler o meu blogue! Um final feliz para uma história feliz. Ahh, estas tecnologias...!

(Depois desta publicação, o que se vai seguir é o seguinte: amanhã à noite, a cena repete-se, mas com a frase "Sou um pai muito fixe, não sou? Até já escreves sobre mim no blogue!") 

Yap!

Pseudo-lamechices sobre o crescimento


Há pessoas que entram na nossa vida com o único propósito de nos ajudar a crescer. Aparecem numa determinada altura, sem nenhum pretexto específico, apenas por aparecer. Por vezes, nem elas sabem que papel desempenham no filme que se vai desenrolando e em que somos protagonistas. Depois, fazem com que nos afeiçoemos às suas melhores características e com que nos habituemos às piores. Tornam-se figuras familiares e começamos a desejar que nunca desapareçam da nossa vista. São amigos, amantes... enfim, pessoas por quem daríamos o couro e o cabelo. Já não nos imaginamos sem elas. Parece-nos sempre que o que nos dão é mais do que merecemos e que o que lhes retribuímos nunca é suficiente. Alimentam-nos o coração, em troca de um pedaço do nosso tempo e da nossa alma. Por mais prantos que causem, permanecem vivos na nossa memória até um próximo perdão, pois cada sorriso que conseguimos arrancar-lhes, cada gesto simpático, cada momento especial é um oásis para as anteriores mágoas causadas. Idolatramo-las, acima de tudo.
Porém, um dia acordamos e estamos diferentes. Crescemos. E aqueles que tão queridos nos eram vão dando indícios de já não serem quem nós julgávamos. Têm defeitos, defeitos graves, capazes de nos corromper a opinião que tivéramos sobre eles. São humanos, mas tal deixou de ser uma desculpa plausível que nos acalme a confusão gerada pelo facto de gostarmos tanto de alguém que, afinal, talvez não seja quem nos assemelhava ser. Aturdidos, ainda que confusos, ignoramos. Eles ainda têm tanto para nos mostrar...!
Continuamos a crescer. Conhecemos outras pessoas e outras realidades, atingindo um nivel de compreensão mais maduro sobre o que nos rodeia. Não permitimos que as aparências nos manipulem; discernimos autonomamente; as prioridades alteram-se. Então, por fim, conseguimos ser objectivos connosco próprios: é melhor prestar o luto do desnecessário, do que nos faz menos felizes. Agora, a perfeição, imperfeita há tempo suficiente, é um traiçoeiro ninho de ratos; o que nos transtornava é-nos indiferente; o que mais presávamos tornou-se relativo; as palavras a que nos agarrávamos, à procura de alento, vai levando-as a efemeridade.
Há pessoas que entram na nossa vida com o único objectivo de nos ajudar a crescer. São elas que nos forçam a deixar de acreditar em fantasias infantis e em crenças de gente miúda. Foram elas que, por diversas vezes, estiveram contra nós, sem nos apercebermos... sem elas se aperceberem. É sua a culpa de muitas infelicidades que escusávamos de ter enterrado, tal como também é sua a culpa de termos conhecido o mundo além dos nossos princípios. Nem tudo foi bom, mas nem tudo foi mau. Também nos trouxeram alegrias, testando os nossos limites e emoções.
Só nos iludimos porque o permitimos, tenho dito. Só nos iludimos porque todas as crianças se iludem. Felizmente, um dia, crescemos, colocando a nossa vida em perspectiva. É com as experiências, as boas e más, que aprendemos. Talvez ainda nos esperem mais lições pela frente, talvez, no fundo, continuemos a ser as mesmas crianças. A diferença é que já tivemos o gosto de conhecer o que nos era desconhecido.
A ironia é que quem nos ajudou a crescer ainda não cresceu.

O Natal e o Tolkien

Ora, muito boas noites! Que tal foi o vosso Natal? O meu passou-se benzinho, obrigada pela preocupação!
E as prendas? Quantas e quais facturaram este ano? Já que perguntam, eu recebi, além do que já vos contei, um BabyLiss (um ferro que serve para encaracolar ou esticar o cabelo, que eu já tinha catrapiscado há um tempo atrás), um par de luvas, um lenço acachecolado (daqueles grossos que combatem mesmo o frio) e três livros. (Pois é, que felicidade! Nem eu esperava tanto!)
E um desses livros foi uma biografia do autor d'O Hobbit e d'O Senhor dos Anéis, J. R. R. Tolkien. Desta vez, uma salva de palmas para o meu pai, que conseguiu acertar em cheio no material que eu andava a precisar de ler - sobre a vida de um autor conhecido mas, acima de tudo, de um homem que viveu ao extremo a paixão que nutria, não só pela literatura, como também pela sua família e amigos! Afinal, eu sou daquele tipo de pessoa que necessita de referências e inspiração para a escrita, senão a coisa da criatividade corre menos razoavelmente. Preciso de uma mãozinha de incentivo... Então, acabei por passar o dia de hoje, desde manhã à noite, a ler The Man Who Created The Lord Of The Rings. Achei absolutamente interessante! Foi uma leitura leve (127 páginas em inglês, com algumas fotografias pelo meio) e consegui ganhar fôlego suficiente para recomeçar a escrever textos mais substanciais, para os quais me tem faltado paciência ultimamente. Apesar de ainda não ter lido nenhum dos livros escritos por Tolkien, fiquei com uma excelente impressão sobre o seu trabalho. Prova disso é que não me sentia tão entusiasmada com um livro, como me senti com este, há já alguns meses! Só parei de ler para almoçar e ver um filme à tarde...!
Bem... Adoro biografias! Adoro ficar a saber mais sobre as vidas de figuras relevantes porque gosto de perceber quem eram e como conquistaram o que conquistaram. Penso que é isso que me fascina nelas. Se mais alguém partilhar este interesse, que se chegue à frente!

MENSAGEM NATALÍCIA GERAL

Ao contrário da maioria das pessoas, a minha mensagem de Natal só se escreve no Natal propriamente dito e não será enviada por outra via. Portanto, aqui vai:

Desejo um felicíssimo Natal a todos os meus familiares, amigos e leitores, e que o passem da melhor maneira, independentemente do número de prendas que receberem (mas, se pertencerem a uma elite de sortudos, good for you!), porque o que mais interessa é conviver, partilhar e tirar a barriga de misérias dos doces! Aproveitem! Feliz Natal!

"High in the clouds"

Ontem, depois de jantar, faltou-me a paciência para escrever, o que não é habitual acontecer quando as férias já vão a meio. Achei estranho, mas não liguei. A seguir, comecei a sentir imenso sono. Ainda assim, continuei a falar com o meu namorado na Internet. Só que bem me parecia que algo estava errado! A memória faltava-me, sentia os reflexos de resposta demasiado retardados e nada do que eu dizia fazia muito sentido de acordo com a minha personalidade. Passei imenso tempo a queixar-me de passar o Natal com a minha família pequena, de quatro pessoas, enquanto eu já tinha ultrapassado isso. Que se danasse, eu não ter uma família grande e animada! Mas, ontem à noite, eu continuava a bater no ceguinho, inconscientemente sem saber bem a razão.
Entretanto, inexplicavelmente cansada ao limite, decidi ir dormir de vez. Então, naquele estado de dorme-não-dorme, no espaço daqueles trinta segundos antes de adormecer, lembrei-me: tinha tomado um Brufen de 400mg para as dores nos dentes, uma autêntica bomba no meu organismo.
Eu estava pedrada com analgésicos anti-inflamatórios... dêem-me um desconto.

Agora, encontro-me no dilema de passar o Natal com dores nos dentes ou de passar o Natal num estado meio azombiezado.

Habemus cremalheira!

Após anos de luta argumentativa, tentando convencer a subsidiária família a mandar-me ao serralheiro da boca, foi hoje, no santo dia 22 de Dezembro de 2012, que finalmente me puseram uma cremalheira. Diga-se, um aparelho! Aquela coisa que nos colam aos dentes durante quase dois anos com a finalidade de lhes dar uma orientação de jeito... Como a minha avó diz, um pára-choques! Estão a ver?! Ai não, que não estão!
E assim se passaram doze belas horas desde o mencionado acontecimento. A minha guerra com as batatas fritas foi menos turbulenta do que a imaginara, ao passo que o peixinho, as batatas e a couve já não me deram tréguas ao jantar (o que poderá ser, por outro lado, meramente psicológico). As dores...? As dores que se lixem! Bem... tirando a parte em que me custa comer chocolate ou qualquer outra guloseima que implique mastigar com alguma força; o que me aborrece mais é a comida enfiar-se toda entre os arames! Ca porcaria!

Eu também via os desenhos animados do "Sorriso Metálico", problem?!