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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Do amor inquantificável

Texto escrito a 4 de Abril de 2013, quinta-feira...

Hoje, surgiu-me uma questão: até que ponto é que sabemos quantificar o que sentimos pelos outros? Eu acho que isso é, simplesmente, impossível. Acho que os sentimentos (e, em geral, as emoções), sendo algo imaterial, são inquantificáveis. É impensável, numa relação interpessoal, dizer quem gosta mais de quem. Haverá sempre maneiras diferentes de expressar o mesmo sentimento. Não podemos afirmar que amamos alguém a nível 20 e saber se a outra parte nos ama a nível 18, 19 ou 21. Podemos - e devemos - somente tentar demonstrá-lo através das nossas acções e comportamentos. Afinal, ninguém é igual a ninguém. Uns são mais dados ao afecto e/ou à explicitação verbal dos seus sentimentos; outros retraem-se mais. Mas a personalidade mais ou menos extrovertida de cada um não interferirá, em princípio, na intensidade do que sente.

Aos procrastinadores

I find it hard to talk about myself. I’m always tripped up by the eternal who am I? paradox. Sure, no one knows as much pure data about me as me. But when I talk about myself, all sorts of other factors – values, standards, my own limitations as an observer – make me, the narrator, select and eliminate things about me, the narratee. I’ve always been disturbed by the thought that I’m not painting a very objective picture of myself.

Haruki Murakami, Sputnik Sweetheart



Sou, sem dúvida alguma, uma daquelas pessoas que gosta de falar sobre si própria. Espero que não me interpretem como egocêntrica, egoísta ou arrogante. Afinal, toda a gente que goste minimamente de uma pessoa também gosta de falar sobre ela. Pois, e eu gosto de falar sobre mim (ou de escrever sobre mim, neste caso). Por isso é que tenho um blogue: para escrever sobre mim, sobre o que me rodeia, sobre as pessoas de quem eu gosto, e para dar a minha opinião. É mais ou menos isso.
Deste modo, prossigamos.

Quem sou eu?
Acho que tenho uma profunda falta de tacto para me descrever, sarcasmos à parte. Poderei contar-vos, em primeiro lugar, que possuo uma mente extremamente curiosa e crítica. Sou uma perfeccionista maluca, quase paranóica, principalmente comigo própria. Isto costuma acontecer a muito boa gente, pelo que não há aqui nada de anormal. Nem os meus genes asiáticos (50%), de diversas origens geográficas, me doaram inteligência asiática suficiente para compensar os meus genes portugueses (os outros 50%) que me acabaram por me caracterizar com a preguiça portuguesa. Mas, esquecendo os ditos estereótipos, sou uma boa rapariga. Pelo menos, é o que a minha avó me diz e eu acredito, porque me convém – e começa o sarcasmo!

Já lá vão dezoito anos e meio desde que os meus pais me conceberam, meço 1,69 cm (riam-se lá do número, vá), peso 46,5kg e o meu Índice de Massa Corporal é 18 ou 19.

O meu sonho de criança é ser escritora. O meu sonho adulto é não deixar de ter o meu sonho de criança, mesmo que conjugado com um emprego de gente crescida (professora, editora, tradutora, jornalista, caixa num supermercado…).

Gosto de viver um dia de cada vez, a pensar num futuro a médio prazo, mas a aproveitar o presente e a tentar ter o maior número de experiências possível.

Se o meu país me deixar (que é como quem diz se me derem uma bolsa de estudo), vou para a universidade em Setembro!!!

Gosto de ler e de escrever, de ouvir música, de cantar e, quando calha, de tocar guitarra. Recentemente, descobri que gosto de cozinhar – coisas que vêm com o aproximar da idade adulta, enfim. Não sou diferente das outras pessoas ao ponto de preferir o Inverno ao Verão, mas escolho a Primavera e o Outono como minhas estações de eleição.
Literariamente falando, não tenho nenhum escritor favorito. Recentemente, descobri Bocage, Pessoa e Saramago e, até agora, temo-nos dado todos que nem uma maravilha.
Não tenho nenhum piercing, nem tatuagem, nem fetiche estranho com pés ou outras partes desagradáveis do corpo humano. Só pinto as unhas de cores berrantes. Quando tenho tempo e paciência, maquilho-me… fracamente.

Escrevo recorrentemente sobre as pessoas da minha vida: a minha família, os meus amigos e o meu namorado.

Prazer em conhecer-te. Já te disse que me chamo Beatriz? :)

Queridos, saí na revista!


Olá, bom dia, caros procrastinadores por esse mundo fora!

Quero partilhar convosco a nova vitória deste blogue e, consequentemente, como não poderia deixar de ser, uma igual vitória para mim também. Hoje, figuro em destaque no artigo "Adolescentes sem papas na língua" da revista Domingo (suplemento do Correio da Manhã), tal como outros jovens que continuam a intervir e a dar a sua opinião na blogosfera e nas redes sociais. Este artigo foi escrito pela jornalista Marta Martins Silva, a quem não poderia deixar de agradecer, e as fotos são da autoria do Bruno Colaço.

Esta foi uma inegável oportunidade para a divulgação do blogue e, claro, de reconhecimento. Esta tornou-se mais um desses eventos pontuais na juventude de alguém que lhe permite sentir uma motivação inexplicável para as adversidades que se lhe poderão apresentar no futuro - falo por mim.

Todas as reproduções do que disse e escrevi estão fiéis ao original e, como nem é assim tão habitual nos meios de comunicação, os jovens são elevados a um estatuto digno de futuros cidadãos do seu país. Afinal, ainda existem alguns que se preocupam, que têm opinião e que, apesar das "futilidades" inerentes à sua faixa etária, estão conscientes do que se passa na comunidade a que pertencem, tentando marcar uma pequena diferença, a sua diferença.

Portanto, agradeço, como já referi, o reconhecimento e a oportunidade de mostrar o que valho, pelo menos enquanto autora deste blogue. No momento em que fui contactada para ser entrevistada, não esperei que a minha intervenção tomasse esta dimensão na revista - nem nesse momento nem até ver pelos meus próprios olhos!

Obrigada à Marta Martins Silva, ao Bruno Colaço, aos procrastinadores que não se importam de o ser e a todas as outras pessoas que me servem de inspiração e que me motivam - a minha família, aos meus amigos, ao Ricardo.

Bom fim-de-semana!


***

Aqui fica o índice e o artigo, que também poderão ver e descarregar na página de Facebook do blogue. Já agora... eu sou a miúda do cachecol verde: Beatriz, a procrastinadora.






NOTA: eu sei que, se calhar, estou a festejar de uma maneira muito efusiva, mas dêem-me um desconto, que isto já me passa! :)

Também tenho um amigo que demora duas vidas a arranjar-se, por isso não digam que são só as mulheres!


A propósito, nós não vamos à casa-de-banho juntas para ficarmos no mesmo cubículo a ver a outra fazer chichi; nós vamos à casa-de-banho juntas para podermos ir falando umas com as outras, cada uma de seu lado da porta, ok? E eu só tenho UM par de botins de salto alto que só usei uma vez, encontrando-se o resto dos meus sapatos em vias de irem para o lixo, tal é o uso, ou, pelo menos, em estado de contínua degradação. E nós, mulheres ou seres que ascenderão a tal num dia destes, precisamos de malas porque, ao contrário dos homens, usamos calças justas ou saias, ficando feio se se vir ali um telemóvel ou uma carteira a emergirem dos bolsos (ou a pedirem para serem "resgatados" por mãos alheias, além de que nos magoam as pernas); aproveitamos a fundura de algumas malas para despejar, por conveniência, aquilo que os homens não têm nos seus bolsos e hão-de precisar, eventualmente (lenços de papel, por exemplo). Quanto à demora e à picuinhice nas lojas, existem patologias e Patologias, sendo que, pessoalmente, tenho de argumentar que nem todos os seres humanos têm um corpo relativamente quadrado, tendo em vez disso curvas em tudo quanto é sítio, ou falta delas (factor pouco atractivo) pelo que é preciso saber escondê-las meticulosamente ou, pelo contrário, saber exagerá-las, daí os nossos dilemas no que toca a comprar nem que seja uma única peça de roupa. Quanto à síndrome da Primark, juntem o ponto anterior ao facto de nos encontrarmos numa das catedrais comerciais com preços mais baixos, não só em roupa, como igualmente em lingerie, malas, acessórios, maquilhagem, etc, etc.

Mais alguma coisa?

Beatriz ♥ Saramago

Memorial do ConventoDas pessoas que conheço, sou uma das excepções que adorou ler o Memorial do Convento. Para mim, foi a oportunidade de conhecer, finalmente, a escrita de Saramago, que tanto via defendida na minha família, mas que eu teimava em adiar para quando tivesse mais maturidade. Tenho dois livros autografados (As Pequenas Memórias, que já estou a terminar, e ainda outro, de que não recordo o nome, sendo o meu pai que o tem), mais uns quantos que fui adquirindo, esperando, um dia, ser capaz de valorizar tais obras. Portanto, foi a partir do Memorial que descobri Saramago e passei a adorá-lo. Desde a construção frásica, tão sui generis, até à narrativa das peripécias das personagens, passando pela caracterização destas últimas, o simbolismo inerente a tudo e a nada, a forma de criticar, tão subtilmente, a sociedade do século XVIII, fizeram-me render totalmente. Apesar de nenhum leitor, em princípio, se conseguir relacionar directamente com os protagonistas, Blimunda e Baltasar, é quase impossível não nos sentirmos atraídos pelo seu bom coração e pelo amor que nutrem um pelo outro. É impossível não nos rirmos de D. João V e da sua corte, não torcermos pelo padre Bartolomeu Lourenço, não simpatizarmos com o "Escarlate" e não termos pena da Infanta Maria Bárbara. Sumariamente, foi impossível não me crescer intensa e abruptamente uma vontade incontrolável de continuar a desbravar a bibliografia de Saramago.

A emancipação dos Jonas Brothers


"Baby, put your pom poms down for me"? Quem canta este refrão são os mesmos três irmãos que, ainda há um par de anos, exibiam os seus anéis da castidade, virgens que só eles (com alguma sorte, virgens do nariz!), que defendiam a espera pelo casamento até deixarem de o ser. Bem... aqui fica mais uma prova da emancipação sexual dos Jonas Brothers, a seguir, por exemplo, ao penúltimo videoclipe do Joe. É que já não era sem tempo! E, deixemo-nos de tretas, agora sim, eles atingiram o sex appeal desejável. Reapareceram com muito mais carisma e confiança, uma imagem mais adulta e... eu gosto. Gosto sim! A música fica no ouvido, não é a minha preferida mas, mantendo-se na mesma onda musical que a de sempre, torna-se muito mais interessante com uma letra cujo significado vem quebrar o gelo da "ingenuidade" presente nos álbuns anteriores.

Acaba-se a vinculação à Disney, surge a oportunidade de crescerem enquanto artistas. O caminho que foi percorrido pela Britney, pela Miley Cyrus e tantos outros artistas é, agora, iniciado pelos Jonas Brothers. Mantendo a "decência" que lhes é característica, revelam, por fim, o seu amadurecimento. Previsivelmente, libertaram-se da ideia de "sonsos", o que viria a acontecer, mais cedo ou mais tarde. Já nem as fãs são miudinhas pré-púberes facilmente iludidas por músicas sobre amor eterno e verdadeiro, sobre rapazes perfeitos. Elas cresceram e querem mas é ouvir e ver qualquer coisa comercial e cativante, que dê no olho (ei, e porque não haveria eu de estar a falar a partir de uma perspectiva pessoal?).

3 de Abril é o Dia da Inês

No dia 3 de Abril de 2001 almocei esparguete. Não me perguntem o que comi mais, porque não me lembro de mais nada, apenas desse pormenor. Eu estava nervosa, de um modo infantil, mas estava, sentia aqueles tão aclichézados apertos no estômago e dividia-me entre querer ficar e querer ir - querer ficar em casa ou ir para a escola.
Eu nunca tinha ido para a escola. A maioria das crianças passa pela creche ou pelo jardim-de-infância, mas eu só o tinha experimentado uma vez, aos três anos, e não correra nada bem (miúdos mais velhos barulhentos, babados, sujos, irritantes, aqueles demónios que me encurralavam dentro de uma lagarta de plástico que lá havia, educadoras desatentas, bichos que me morderam toda), pelo que, aos cinco, não sabia bem o que esperar. Felizmente, foi sofrimento de pouca dura.
Mas, como ia eu contando, foi nesse dia, 3 de Abril de 2001, que eu comecei a conhecer o mundo além da casa da minha avó. Foi um dia duro, emocionalmente, e recordo-me de bastantes detalhes, como se os tivesse vivido ontem. Fui obrigada a perceber os outros miúdos, a entender as suas brincadeiras e conversas e, como havia de acontecer regularmente durante os anos que se seguiram, a ser rejeitada dessas mesmas brincadeiras e conversas que eu não percebia totalmente.
Entretanto, já passaram doze anos. Doze anos! Uma década vírgula dois. E, desse dia 3 de Abril, ficou-me algo ainda mais simbólico do que o primeiro dia no colégio que frequentei durante mais de metade da minha vida: conheci a Inês.

Bem… Conheci a Inês e conheci o Miguel, os meus mais fiéis compinchas de infância. Brincávamos com as Barbies, eles concertavam as minhas quando eu as descabeçava ou desmembrava (acontecia mais vezes do que o desejável), brincávamos aos Pokemons, às mães e aos pais, eu gritava com eles porque não os via seguir a minha story line da brincadeira (já nessa altura eu era um bocadinho mandona e tinha a mania de fazer histórias só minhas), eram a Inês e o Miguel que eu nomeava primeiro se me calhava fazer a chamada para o almoço e para a casa-de-banho…
Só que crescemos os três, o Miguel mudou de escola, e só fiquei eu e a Inês. E, acreditemos ou não, já lá vão doze anos desde que me convidou para brincar com ela (e o Miguel, claro), já que os outros meninos não gostavam de mim - nem do pobre Miguel, porque éramos ambos muito gorduchinhos e aluados nas nossas brincadeiras. A Inês também era gorducha, tinha uns olhos muito grandes e claros e, acima de tudo, aceitou-me como eu era, assim meia totó. Ainda que outros gostassem dela, a Inês gostava mais de nós.
Assim, quero falar-vos da Inês, de todas a melhor amiga que alguém poderia pedir. Não se importa que eu fale sobre mim, que me queixe, que me lamente, que lhe filosofe sobre a minha vidinha, que festeje, atire os foguetes e apanhe as canas, que lhe mande uma mensagem – ou até mil, se for necessário -  porque ela há-de me responder, mais cedo ou mais tarde, nada disto interessando quando, onde ou com que estado de espírito nos encontramos.
Ela é a parte altruísta da nossa amizade, enquanto eu sou a mais egocêntrica. Ela gosta mais de ouvir, eu gosto mais de divagar. Ela é mais ou menos tímida, eu sou mais ou menos amalucada. Ela tem paciência, eu sou impaciente.
A Inês e eu nunca discutimos. Só estivemos mal uma vez, e com toda a razão (mas isso é história, não valendo a pena remexer na caquinha). Durante o período escolar, vemo-nos, com alguma sorte, uma vez a cada dois meses (chegando a ficar juntas quase uma semana seguida nas férias), não falamos todos os santos dias, mas sabemos que estamos à distância de um telefonema, de uma mensagem ou de uma estação de comboio. Frequentarmos escolas diferentes desde o 7º ano e relacionarmo-nos com pessoas diferentes só nos ajudou, julgo eu, a confirmar o quão inseparáveis somos, não fisicamente, “apenas” de espírito.
Inevitavelmente, a Inês faz parte do meu quotidiano. Está presente nas minhas acções e nas decisões que tomo (como é que a Inês reagiria/pensaria/faria?), nos meus hobbies (se não fosse a Inês a incentivar-me, talvez eu já tivesse largado a guitarra e teria deixado de cantar; se a Inês não tivesse dito, certa vez, “leio  teu blogue sempre que posso”, eu não o teria chegado a levar a sério) e, principalmente, na minha personalidade (se a Inês não me tivesse incentivado a libertar-me e a mostrar, ao pé dela, quem realmente eu queria ser para o resto do mundo, talvez eu ainda não conhecesse a sensação do que é orgulhar-me de mim mesma e de ser aceite por outras pessoas sem desatar a voltar para a minha conchinha, cheia de medo da rejeição).

A Inês é a irmã que os meus pais não me quiseram dar, a voz da razão quando ela me falta, os conselhos sensatos que me livraram, livram e livrarão de caminhos menos aconselháveis, a amiga que quase ninguém chega a encontrar para si (coitadinhos), a que se cala e dá um passo atrás para que eu tenha os meus momentos, o exemplo de como as unhas roídas são horríveis nos dedos de uma rapariga (pronto, isto tinha de descambar!)... a Inês é uma data de pessoas e coisas sem nome! A Inês é a Inês e só a Inês poderá ser a minha Inês enquanto ambas formos vivas.
Se, aos cinco anos, a Inês não fosse da Sala Amarela, se não gostasse de Barbies ou não me tivesse perguntado se eu queria brincar, esta Beatriz não seria eu; existiria somente uma outra Beatriz que, para mim e para todos, permanecerá eternamente incógnita… felizmente!



Espero que, quem quer que nos tornemos no futuro, a nossa amizade dure e perdure, rija que só ela, bonita que só ela, tão ela que só ela.

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