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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

3 anos sem Saramago

É verdade. Assim, num ápice, já contamos três anos desde a morte do nosso Nobel português, José Saramago, que nos deixou a 18 de Junho de 2010. Connosco, permaneceu a sua criatividade e o empenho que colocou em toda a sua obra, a sua devoção à língua portuguesa como poucos escritores ainda a têm. Jamais se publicará uma obra nova da autoria de José Saramago, jamais faremos fila na Feira do Livro para lhe pedirmos um autógrafo (eu fiz duas vezes... e, incredulamente, não era assim tão grande quanto a imaginaríamos). Jamais este "nosso" Saramago escreverá uma linha que nos ajude a entender o verdadeiro valor do património linguístico que temos e o seu alcance. Jamais Saramago escreverá uma linha que nos faça visitar outras épocas e realidades, do modo como só ele sabia contar histórias. E isso é que é triste.

 

Já lá vão três anos.

 

 

 

 

O rescaldo #2

Estou altamente desmoralizada com este exame de Português. A primeira impressão já não foi boa, então agora, que já saíram os critérios de correcção… Não melhorou.

Pessoalmente, preciso de uma prova de ingresso de Português ou História A com pelo menos 17,5 valores, uma vez que me decidi, recentemente, a seguir Ciências da Comunicação na FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Os últimos colocados neste curso costumam ter, no mínimo, 16,7 de média entre a prova de ingresso e a média final de secundário. Portanto, sendo a minha menor que 17 valores (ainda incerta, dado faltar-me fazer dois exames, um de equivalência à frequência de Inglês para substituir a Psicologia B que anulei, e outro nacional de Francês de 11º ano para substituir a maldita MACS), tenho muito que orar a tudo o que é santo, a ver se consigo nem que seja o dito cujo 17,5 que me dê segurança na candidatura ao ensino superior.

 

Passando à análise da prova e dos critérios, reafirmo a ideia que defendi na publicação anterior: este exame foi especialmente concebido para nos dar cabo da nota (e do juízo). A começar na matéria de poesia do Grupo I, convidando à ambiguidade de interpretação que caracteriza este estilo literário, até ao Grupo III, de cariz visivelmente político e provocativo (ah e tal, defendam lá o valor dos jovens na sociedade, o que é bastante irónico dada a situação das gerações mais novas neste próspero país que é Portugal), passando pelo Grupo II, alegadamente de “gramática”, cheio de rasteiras em que a maioria dos alunos deve ter andado aos tropeções, não vi, em nenhum dos exames nacionais de Português (639) dos anos anteriores tamanha atrapalhação... Já nem contando com o contexto em que este foi realizado pelos alunos, uma total confusão social em que o Governo tenta opo-los e os encarregados de educação aos professores, como se estes últimos fossem meras pedras nos sapatos que têm é de ser largadas no passeio!

 

Eu cá já nem sei nada, é assim que me sinto. A única certeza que tenho é a de que o meu Grupo II está totalmente correcto (e esta, Lobo Antunes?!), de que me esbarrei ao comprido em explicações desnecessárias e possivelmente erradas, segundo os critérios, no Grupo I (shit), e que o meu Grupo III é a incerteza materializada num exercício.

(Ah, e a de que tenho positiva, mas essa não conta.)

 

***

 

E vocês, colegas?

Fizeram exame de Português...? Não fizeram...?

Qual o vosso levantamento desta aventura estudantil, digna de uma epopeia camoniana ou pessoana (ai... o que eu as estudei)?

O rescaldo

E eis que me encontram aqui, após um exame que - sim - chegou a realizar-se na maior das normalidades na minha escola, ao contrário do que sempre pensei vir a acontecer.

Quando cheguei, já estavam todos nas respectivas salas, tanto professores como alunos, como se nunca tivesse havido polémica alguma em torno duma greve. Acho que a única professora de Português da escola que não vi hoje foi a minha, que fez assumidamente a sua parte neste protesto, conforme já nos tinha avisado na semana passada. 

No seu conteúdo, este exame nacional de Português estava visivelmente feito, desculpem a expressão, para nos lixar a vida (ou, pelo menos, a quem estudasse um pouco menos). No que toca a conteúdos textuais, saiu Ricardo Reis (parte A do grupo I) e Alberto Caeiro (parte B), logo dois heterónimos de Fernando Pessoa, algo extremamente inesperado. O próprio exame era inesperado em toda a sua essência! Por seu turno, o grupo II, de gramática (ai era gramática???, mas tinha tanta pergunta de interpretação!) tinha uma data de rasteiras, em quantidade - mais uma vez - inesperada. Ainda por cima, achei aquele "textozinho" - citando o autor - do Lobo Antunes extremamente mal escolhido, de um tipo de escrita mesquinho e quase inimizante (digo eu, que nunca fui com a criatura a nível literário, quanto mais num exame que me servirá de prova de ingresso). Já a produção escrita era acessível, como sempre tem sido, apesar de eu me ter baralhado toda antes de a começar a escrever, graças à atrapalhação das palavras e à falta de inspiração momentânea. Pela primeira vez na vida, não excedi o limite de palavras na parte I-B (80-130), escrevendo umas míseras 86, mas plenas de conteúdo, se tudo correr bem.

 

Em suma, foi um exame mentalmente extenuante, de que ainda me estou a recompor. Mais tarde, se me lembrar de mais alguma coisa, aviso. Por agora, é comer e dormir, que uma pessoa não aguenta fazer anos num dia e ter logo uma manhã seguinte deste calibre.

Prendas que eu gostaria de receber no meu aniversário (mas que não receberei, porque... you know - crise)

Para os mais despistados (como se fosse possível, que eu não me calo com isto), amanhã faço anos. Faço os 18, ainda por cima. Já estou pelos cabelos com a minha avó e todas as pessoas que existirão por esse mundo fora que fazem questão de mo relembrar de dez em dez minutos: upa, upa, vou ser adulta e hoje é o meu último dia enquanto "criança". GRRRRRRRRR, enterrem-se, minha gente!

No entanto, dentro da temática do aniversário, apetece-me falar de prendas. Ou melhor, o meu lado materialista dita que me apetece falar de prendas.

 

Em primeiro lugar, eu sei que isto está difícil e sublinho o seguinte: sou a primeira a confirmar que me custa imenso ter de arranjar prendas de aniversário para os outros, uma vez que tenho sempre orçamento limitado. Já não se dão prendas de 10€! Nem de 7,50€! Muitas vezes, nem de 5€. Portanto, quando me dizem que, este ano, não há prendas para ninguém, eu só respondo "ok". Então e não me importo? Sinceramente, não. Nos meus dias de anos, só não dispenso estar com os meus amigos. O resto vem por acréscimo. Não há quem não goste de receber presentes, seja quando for, mas há que ter três dedos de testa e um pouco de bom senso. Eu tenho tudo o que uma miúda da minha idade poderia desejar (comida, saúde, família, amigos e um namorado "ao mais alto nível", uma casa cheia de livros, boas notas e até um blogue lido por algumas pessoas que não devem ter mais nada que fazer da vidinha delas, mas de quem eu tenho muito boa impressão), pelo que, a menos que tenham vontade de fazer um donativo para a minha conta bancária, onde estou a amealhar uns trocos para as propinas da faculdade, escusam de pensar sequer em dar-me o que quer que seja.

 

Assim, a lista que se segue trata-se, nem mais, nem menos que um devaneio de quem está a fazer uma pausa no estudo para os exames nacionais. Vou chamar-lhe...

 

AS PRENDAS DE ANVERSÁRIO QUE ME PODERIAM DAR, CASO TIVESSEM DINHEIRO:

 

1. LIVROS. Nunca são demais.

 

2. PRATELEIRAS. Dão sempre muito jeito por estas bandas.

 

3. CHOCOLATES. Oh, os chocolates! Como eu adoro as barrinhas do Continente... E os bombons da Milka... E os Toblerones.

 

4. GOMAS. Afinal, a minha avó diz que estou magra.

 

5. Um biquíni novo.

 

6. Já referi os livros?

 

7. MARCADORES PARA OS LIVROS. É que estou a ler cada vez mais, ao mesmo tempo.

 

TPM - eu tenho, e tu?! :D

"A tensão pré-menstrual (conhecida pela sigla TPM) é uma síndrome que atinge as mulheres e que ocorre, em maior ou menor grau, nos dias que antecedem a menstruação. É caracterizada por uma irritabilidade e ansiedade mais acentuadas (...)"


Como miúda, sempre achei a teoria da TPM uma grandessíssima porcaria, um mito. Pelo menos, no que tocava à minha pessoa, superior a problemas desses (pfff… problemas de meros mortais, então?!). Nunca sofri de coisa que se parecesse com oscilações de humor. Nunca! O meu ciclo menstrual sempre foi coroado de uma tranquilidade imensa, indiferente aos dias do mês, à semana fértil e às outras todas. À parte umas dorzinhas, absolutamente resolúveis com um Buscopan pela goela abaixo, sempre tive um santo período.

Mas qual quê, eu sou uma “mulher” ou sou um borrego?!

Caneco, pá, se eu queria chegar aos 18 na paz de Nosso Senhor das Menstruações? Claro, quem não quereria? (E quem diz chegar aos 18, diz chegar aos 81…) Infelizmente, existe a “puberdade” e as “h-o-r-m-o-n-a-s” (nem me atrevo a escrever a palavra por inteiro! *benze-se três vezes, vade retro, vade retro, vade retro*). Não, não sou mal-agradecida, porque, apesar de todo o desconforto que elas me têm trazido, finalmente começo a ver resultados, principalmente na zona das ancas, mas há muito que se poderia evitar.

Como por exemplo:

- dores de cabeça abruptas no segundo ou terceiro dia após o aparecimento do dito cujo;

- tardes “emo”, surgidas sem eu dar por elas, no dia antes do aparecimento do dito cujo.

Enfim, é deste modo que se proporcionam momentos como o presente, em que vos escrevo sobre a TPM, já não me lembro bem por que motivo…

 

AH.

Já me lembro.

(Caminhando para a conclusão…)

 

Ao fim de precisamente 79 ciclos menstruais, ao longo dos últimos (quase) sete anos, EU SOFRO DE TPM. Tão simples quanto isso. E isto revolta-me! Uma rapariga habitua-se a ser e a agir em conformidade com as suas crenças e a ter a mesma personalidade durante toda a sua vida e, um belo dia, apercebe-se de que, em certos dias do mês, se torna uma criatura anómala, sensível e egoísta, praticamente pluripolar! Não se faz, meus caros, não se faz! E não se deseja maleita semelhante nem ao nosso pior inimigo crónico (inimiga, neste caso)!

 

Entretanto, fui jantar e já me sinto menos anti-social. Não digam que a comida não tem propriedades terapêuticas.


Dos outros #30

"Os segredos estão dentro de nós. Como tudo o que sabemos, também os segredos nos constituem. Também os segredos são aquilo que somos. Quando os seguramos, quando somos mais fortes e os contemos, alastram-se em nós. Desde dentro, chegam à nossa pele. Depois, avançam até sermos capazes de os reconhecer. Então, nesse momento, já não são apenas segredos que estão dentro de nós, somos também nós que estamos dentro dos segredos."

 

José Luís Peixoto, Dentro do Segredo

Sim, eu cheguei a ir à Feira do Livro!

Escusado será dizer que anteontem fui à Feira do Livro e cometi a "pequena" loucura de comprar quatro (dois deles para oferecer), pagos com o meu dinheirinho, já que ganhei recentemente mais um prémio literário. Foi essa a minha maneira de festejar o dia de Portugal, valorizando a literatura nacional. Ainda pedi um autógrafo à Sô-dona Pipoca (que é mesmo doce!, mais simpática do que pensava) no seu primeiro livro, que já tinha há um tempo, e ao Rui Zink, n'O Suplente, que comprei propositadamente no momento. O outro livro que adquiri não podia deixar de ser um do José Luís Peixoto, mais especificamente o Dentro do Segredo, pelo qual nutria uma enorme curiosidade e que não encontrava em nenhum site de vendas em segunda mão. 

 

 

 

Entoai o hino, compatriotas!

Dada a conjuntura social, económica e financeira deste nosso amado país, hoje, 10 de Junho de 2013, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, o hino que faço questão de relembrar é aquele que se cantava na escola primária e que nos valia uns quantos raspanetes sobre "respeito à pátria". Não me interpretem mal, eu não tenho nada contra a nação (ou mesmo contra o autor da letra d'A Portuguesa, Henrique Lopes Mendonça), muito pelo contrário, mas acho que não vale a pena estar para aqui com sentimentalismos, exactamente no dia em que, no meio de tanta decadência, o que o presidente da república nos recomenda é que pratiquemos mais desporto.

 

Deste modo, eis a minha mensagem:

 

Rissóis do mar, nozes podres,

Maçãs renetas no meu quintal,

Levantai hoje de novo as cuecas do general!

Entre as bruxas da memória,

Ó pai, tira-me daqui

Que as bruxas vêm aí!

 

Socorro, socorro,

Que a escola está a arder!

Socorro, socorro,

Que a escola está a arder!

Contra os canhões, batatas e feijões, marchar!

 

 

(Existem diversas versões desta letra alternativa, mas foi assim que eu o aprendi por volta dos meus sete ou oito anos.)