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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

"La Tablette"

Gente do meu blogue! Ao fim de quatro dias, já tenho um tablet - ou, como se diz em francês, une tablette. (Ou, pensando melhor, como eu lhe chamo, com direitos de autor de sua excelência, o meu namorado - A Tablete.)

Mas, primeiro, deixem-me pôr-vos a par dos acontecimentos que culminaram na aquisição desta beleza.

 

 

No dia seguinte a ter comprado a primeira tablete e ela não ter apanhado nicles de wi-fi cá em casa por mais de meio segundo, fui trocá-la à Box (do Jumbo). A empregada que me atendeu lá deu baixa dela, porque realmente não conseguia apanhar Internet sem fios em lado nenhum, então levei outra igual para casa. Só que cheguei a casa e - vira o disco e toca o mesmo - continuava sem reconhecer o meu router, por alegados "problemas de autenticação". Então, tive de lá voltar menos de meia hora depois, com os meus sintomas de avaria. Contudo, quando a voltei a ligar, já reconhecia a rede do supermercado e de todas as lojas em volta. Blasfémia! Infelizmente, se não dava na minha casa, não me interessava e pedi o dinheiro de volta (69,90€), depois de muito pensar em poder trocá-la por outra mais cara da mesma loja. A partir daí, comecei a experimentar todas a tabletes com a rede de hotspot do meu dumbphone, e raras eram as vezes em que a aceitavam e só as de melhor marca o conseguiam (mais tarde, este critério revelou-se pouco de fiar).

Passou-se o resto do fim-de-semana e, sinceramente, desisti. Desisti de querer comprar uma coisa em conta para, no final, ela se estragar com facilidade. Mais valia investir uns 20€ ou 30€ inesperados do que ficar insatisfeita com algo que, supostamente, serve para durar.

Por isso, mal segunda-feira chegou - isto é, ontem - fui, em caminho para a faculdade, ao El Corte Inglés e ao Colombo, em busca da tablete que garantisse não me trazer desilusões. Pois a eleita foi, ironicamente, a primeira tablete para que eu tinha olhado, já há mais de uma semana: 99,90€, branca, Storex, nove polegadas, na Fnac. Ainda pensei em trazer uma Samsung de sete polegadas, com uma definição brilhante de ecrã, mil e uma características XPTO, por 149,90€, em preço de saldo todo maluco (custaria quase 300€ originalmente). Mas desci à terra e pensei "epá, 50€ são 50€" (na verdade, foi a minha avó que mo recomendou por telefone, mas vai dar tudo ao mesmo, é a minha voz da consciência). Se eu podia trazer uma tablete mais do que boazinha e de marca francesa por 100€, devia dar-me por contente e, depois, logo se via se ela se dava bem em casa.

 

No final, acabou tudo em bem, a dita cuja não desatou à chapada com a rede do router nem com a rede da faculdade e, daqui em diante, não hei-de sofrer de permanentes dores nas costas, por levar o meu Tó-Bicha de quase três quilos na mochila (é que, acrescido o peso dos livros e do almoço, não há coluna vertebral que aguente).

 

Conclusão: o tablet Storex eZee'Tab 904 não é o melhor do mercado, mas é de confiança. Para quem só precisa de um substituto casual para o computador, ele é mais do que suficiente. Tem um bom processador, uma boa memória RAM e sem ser RAM - se o vosso intuito não forem os jogos e as aplicações pesadas - é bonita, é grande, não é das mais pesadas e uma das melhores características que lhe posso apontar é ter um óptimo sistema de reconhecimento das pontas dos dedos quando estou a escrever. O sistema não é o suprassumo da rapidez, mas também não é nada lento. Aguenta com cartões de memória até 32gb, escusam de a encher de porcarias na memória interna. Dá para jogar Angry Birds, escrever em qualquer lado e ler montes de ebooks. Acho que é isto.

 

***

 

(Para que conste, o ciclo karmático não termina aqui. Sempre que compro um qualquer gadget, ele traz um problema qualquer. E, quando digo sempre, é SEMPRE. Fiquem atentos à próxima tecnologia que sair no mercado e que eu decida adoptar.)

It is called karma, darling.

O quê? Arranjas um novo emprego, vais a correr comprar um tablet e esperas um final feliz?

Nope, o karma é lixado. Vais experimentar o tablet em exposição na loja, vais compará-lo com todos os outros que lá encontraste ou que viste na Internet, vais gostar do preço de promoção, vais acabar por levar um tablet para casa... E ele vai ser perfeito, excepto a parte em que tem a captação de wi-fi avariada.

 

Ah, pois. Não nos esqueçamos que a loja diz que "não aceita devoluções nem trocas de certos equipamentos informáticos", nomeadamente de tablets. É que era só o que mais faltava, caríssimos! Amanhã vão levar comigo e com a minha neura de cliente ultrajada, que não aceita que o bicho vá para a garantia, que certa vez já tive de enviar um telemóvel para o arranjo da garantia TRÊS VEZES e ele voltou sempre com o mesmo problema. É bom que mo troquem, pela saudinha deles. Ai senhores, que me dão os calores...!

Dream inception - o triste desfecho

Depois de lhe contar acerca das minhas aventuras nocturnas, a minha avó (a real, não a do sonho) disse-me que, com tanta especulação inconsciente acerca das raspadinhas, era melhor eu passar pela papelaria com que tinha sonhado, a da estação de comboios, e jogar uma depois de vir da faculdade - só por descarga de consciência, não fosse o sonho consistir nalgum palpite camuflado de uma entidade superior com a estranha vontade de me endinheirar (c'mon, eu mereço e vocês bem sabem, cof cof). Infelizmente, não tinham raspadinhas de 2€, como as do sonho. Só havia um único tipo, das de 1€.

 

Óbvio que não ganhei nada. Continuo euzinha: universitária, sem dinheiro e com azar ao jogo - porém, com muita sorte ao amor, à amizade e à quantidade de ligações nervosas. Sou uma espécie de Floribela, sem a parte das flores e das músicas foleiras: rica em sonhos, mas pobre em ouro.

Estou tanto para o futebol quanto o meu cabelo está para o loiro

Como já se devem ter apercebido, neste blogue deixou-se passar tudo o que foi o Eusébio a quinar (só por esta expressão, já vou ser excomungada da blogosfera - e de Portugal) e Cristiano Ronaldo a tropeçar nas palavras comovidas quando recebeu a sua bolinha dourada. Vocês já sabem como é que eu sou: não falo do que não sei, do que não conheço, e detesto futebol com todo o meu ser. Os únicos momentos da minha vida em que estive mais perto de não o odiar foi quando o joguei, marquei golos e defendi golos, tudo isto sem levar com nenhuma bola em cima, um autêntico feito. 

Portanto, não, a Beatriz abstem-se de tecer comentários à la Sócrates. Não percebo nada do assunto nem quero ter nada que ver com ele. Eu sei, sou uma portuguesa terrível, uma tuga ainda mais vergonhosa e devia ser vaiada em toda a minha condição e esplendor de ignorante do desporto rei, ou lá o que lhe chamam. Porque pior do que não gostar de futebol é não entender quem gosta de futebol ou quem dá pontapé na bola e desencanta uns milhões de euros por ano.

 

Dream inception

Esta noite foi para sonhar. Neste caso, sonhei demasiado.

Sonhei que tinha ido às raspadinhas de 2€. Raspei uma e saiu-me um prémio de 120 000€. Mas, depois, sonhei que acordei e que era só um sonho: ainda estava à porta da papelaria. Então, viro-me para a minha avó e digo-lhe "tenho um pressentimento de que vou ganhar um grande prémio se raspar aquela raspadinha que está ali". E raspei. E lá consegui o prémio de 120 000€. Já estava eu a pensar que ia conseguir pagar todos os meus estudos (e mais alguns) e acabar de liquidar o empréstimo da casa, a contar à minha avó o sonho de onde tinha vindo o tal pressentimento, quando acordo. E tive, OUTRA VEZ, exactamente o mesmo sonho. Pronto, esse foi o último sonho, dentro do sonho que estava dentro do sonho, mas acho que ainda voltei a adormecer a acreditar que a minha conta bancária tinha ganho mais uns zeros.

 

O mais estranho foi, em todos os sonhos, estarem a pagar-me o prémio das raspadinhas em boletins limpos do Euromilhões. Sonhos...

Das capacidades cognitivas

Sou uma grande lesma, é o que eu sou. Deixo tudo para a última da hora e raramente me sinto feliz quando essa hora chega. Eu gostava de ser daquelas pessoas que estudam apenas três dias antes dos grandes testes e vivem felizes para sempre. Normalmente, eu também vivo feliz para sempre, é certo, mas só depois de saber a nota (parece que este método até me tem safado durante os últimos doze anos). Antes do teste, no decorrer desses três temíveis dias que o antecedem, encontro-me persistentemente em pânico. Oh minha nossa, como é que eu vou estudar para duas cadeiras em 60 horas? Oh minha nossa, tenho três quilos de fotocópias para ler, mais uma dúzia de livros. Oh minha nossa, porque é que eu não comecei ontem? Oh minha nossa, estou desgraçada. E depois tenho vontade de chorar, e de mandar tudo com os porcos, e de gritar blasfémias - o que, atenção, ACONTECE. Ou deixem-me pensar que sim, isto é tudo muito psicológico.

Está visto que sofro por antecipação e, principalmente, por sentimentos de culpa inerentes ao facto de saber que é errado só começar a estudar num sábado, quando tenho duas avaliações numa segunda. O meu problema é a sua própria origem: sei que acaba tudo por correr bem, quer comece a estudar três meses, três semanas ou três dias antes, por isso nem me dou ao trabalho de seguir os meus conselhos pessoais, nunca iniciando as jornadas do marranço antes de me sentir pressionada pela evidente urgência da data decisiva que se aproxima. Sou assim, uma lesma, e procrastino muito. Em contrapartida, tenho o cérebro fresquinho de uma criança de dois anos.