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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

A saga do capuccino

Eu só queria um capuccino, daqueles da máquina da cave da faculdade, que custam quarenta cêntimos, têm muito leitinho e muita espuma, sem serem demasiado doces nem demasiado acafezados, quentinhos e acabadinhos de sair. São os melhores capuccinos que alguma vez provei, aqueles que se compram nas máquinas automáticas. Guardo-lhes um grande afecto e nunca me desiludiram, como poderão inferir pela quantidade de diminutivos utilizada e pela devoção implícita nas minhas solenes palavras.

 

A aventura começou à saída da biblioteca. Está lá plantado um café, mas eu sou forreta e sabia que a máquina jamais me iria deixar ficar mal. Cheguei à máquina e... só tinha uma nota de dez euros. E trinta cêntimos em moedas pretas. A sério. Por dez cêntimos (ou dez euros trocados)...! Mas eu estava determinada e já tinha metido na cabeça que não conseguiria sobreviver a mais quinze minutos de estudo intenso sem a porcaria dum capuccino barato. Por isso, uma vez que não me quiseram trocar a nota no bar, fui a todas a reprografias abertas que encontrei e mandei fazer fotocópias desnecessárias, só para me darem troco em moedas. O pior é que, como eu já desconfiava que seria o desfecho das minhas infrutíferas tentativas, as empregadas limitavam-se a olhar para a nota que eu lhes estendia e a dizer "pagas depois, 'miga". Enquanto isto, andava a minha amiga Cassandra atrelada a mim, coitadinha, a perder tempo útil de estudo, e eu a perder paciência, e eu a perder todas as esperanças de arranjar qualquer coisa que me arrebitasse o raciocínio pós-almoço, e ela muito passiva e a meter-me pena...

 

Posto isto, foi assim que, ao fim de quase meia-hora desperdiçada, regressei à biblioteca e paguei 1,10€ por um capuccino demasiado doce e nada forte num copo de papel reciclado. Passei o resto da tarde a penar em cima dos livros. Isto passou-se anteontem, mas só agora recuperei do esforço intelectual descafeinado daquela tarde.

 

***

 

Ironia da minha faculdade: a caixa multibanco só dá notas de 20€, mas os alunos sobrevivem a cafés de máquina, pagos em esmiuçalha do fundo da carteira.

Veronica Mars is back, bitches!

Ai, eu devorei todas os episódios, de todas as temporadas. Ai, aquele Logan, que, agora que penso no assunto, me faz suspeitar que foi o culpado por eu ter caído, mais tarde, no falso charme e inigualáveis patranhas de um bad boy, a pensar que ele se haveria de redimir dos seus erros, tal como aconteceu com esta personagem ficcional (nunca confiem na ficção, nunca). Ai, a astúcia da Veronica, que me fez acreditar, por outro lado, que uma mulher não precisa de nenhum homem para conquistar o valor que bem merece, porque a inteligência que tem já ninguém lha tira (mas que ter um homem na vida também não faz mal nenhum, muito pelo contrário). Ai, qual CSI, qual Investigação Criminal, qual carapuça! Esta Veronica Mars marcou os primeiros anos da minha adolescência e, agora, é bom que o filme faça jus à série que o precedeu!

Estreia em Março.

Quem é do tempo da Veronica Mars ponha a mão no ar! =)

 

AAAARGH! (recalcamentos quotidianos)

Quando me inscrevo num projecto de voluntariado na faculdade e me perguntam porque é que devo ser aceite para participar, só me dá vontade de escrever no formulário "PORQUE MAIS NINGUÉM QUER SABER DO VOLUNTARIADO PARA PORCARIA NENHUMA, ESTÃO TODOS DEMASIADO OCUPADOS NA BORGA!!!". Eventualmente, acabo por me acalmar e responder uma nhequice qualquer acerca do meu empenho. É mesmo difícil ser-se um bom samaritano em Portugal...

Ser-se má é que é bom?

Tive uma coleguinha muito irritante na primária. Eu sempre fui daquelas criancinhas boazinhas, que não fazem mal a uma mosca, que pensam que os adultos podem resolver-lhes todos os problemas e que o mundo é todo bonito por dentro e por fora, pelo que deixava o raio da miúda brincar com as minhas bonecas e com as roupas delas. Só que a grandessíssima filha da sua mãe roubava-me as coisas e depois jurava a pés juntos que não tinha ficado com nada e blá blá blá, sonsa, sonsa, sonsa. Por isso, no final, quem levava raspanetes quando chegava a casa, por ter perdido alguns dos pertences das bonecas era eu - que, não tendo aprendido a lição, ainda a deixava repetir a proeza no dia seguinte, parva, parva, parva. Eu bem fazia queixinhas aos adultos, mas ninguém acreditava em mim ou, se acreditavam, mandavam-me ser menos tapadinha e mandar a outra estúpida à fava.

Pois bem, o certo é que sua excelência, o raio da miúda, ladra de brinquedos desde pequenina, está agora a estudar em Southampton - Inglaterra, com o dinheiro dos papás, a exibir as suas grandes mamas e o seu piercing no umbigo, enquanto eu fiquei em Lisboa - Portugal, na universidade pública, a trabalhar ou a ganhar bolsas de mérito, porque não sou suficientemente pobre para ter uma dos serviços sociais. A sério, a ladra de brinquedos tem direito a ir para o estrangeiro com tudo pago, enquanto eu estou farta de enviar currículos para arranjar um part-time todo merdoso no supermercado e ainda não obtive resposta nenhuma. Eu acredito no karma, mas, desta vez, ele só pode estar avariado. (Ou, se calhar, o futuro ainda tem reservado um ajuste de contas, eh eh eh eh.)

"Carpe diem"

2013 foi um ano que passou num ápice, apesar das mil e uma coisas que aconteceram. Foi o ano em que, pela primeira vez, não quis crescer e quis parar o tempo nalgumas alturas. Fartei-me de snifar todas as pessoas de quem gosto e fui pseudo-pedida em casamento no supermercado, no corredor dos cereais. Fartei-me de escrever, sem dizer nada em concreto ou chegar a alguma conclusão. Continuo sem ter escrito um livro até ao fim, mas ganhei mais um prémio literário. Li 50 livros do princípio ao fim. Trabalhei no duro, não tive férias e entrei na faculdade. Arranquei a minha vida universitária com notas bombásticas, super motivada e feliz (ainda que cansada). Não tive pena de mudar de vida. Não tive pena de mudar de cenário. Não tive pena de dizer adeus às pessoas a quem já me habituara. Só tive pena de não me ter tornado na pessoa que fui em 2013 mais cedo, lá para 2010 ou 2011 – ambiciosa sem o ser em demasia, mais exigente com os outros e menos comigo mesma, despreocupada, mais concentrada nos meus objectivos e, por conseguinte, mais feliz. Fiz tantos planos para o futuro, que nem me lembro da maioria… Agarrei-me ao Ricardo, à minha avó e aos meus amigos como acho que nunca tinha agarrado. Também agarrei imensas oportunidades. Ganhei uma bolsa de mérito de uma fundação, para pagar as propinas. Mantive este blogue num bom caminho e, por causa dele, fui entrevistada para um artigo de destaque numa revista de um jornal conhecido. Isto é, só tive tempo para o que é importante, porque estive sempre muito ocupada a aproveitar a vida.

 

A continuar com este ânimo, 2014 só pode melhorar, não é verdade?

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