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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Direitos de autor

Quero imenso escrever um livro. Histórias não me faltam, só que não me vejo no direito de as usar. Todas essas histórias, sejam mais ou menos minhas, também pertencem a outras pessoas. Principalmente a elas. As minhas histórias, as que são mais minhas, nem sequer merecem tanto ser contadas, passadas para o papel. Só tenho dezoito anos. Mas as outras pessoas têm já imensa experiência, cheias de palavras e de acontecimentos para partilhar, e, em comparação a elas, eu sou só um pequeno bicho.

A minha avó e a minha professora de Francês são quem mais contribui para o meu imaginário real. São quem mais me conta histórias pessoais e de pessoas que foram conhecendo ao longo dos seus (mais de) setenta anos, mas essas histórias são delas, pertencem-lhes, e, na hora de escrever sobre o que me contam, sou incapaz de o transcrever pelas minhas mãos. É como se me fosse apropriar do que não é meu, do que não vivi. No entanto, estas são apenas duas mulheres, dois exemplos, num mundo enorme que absorvo todos os dias e com quem aprendo mais histórias a cada hora que passa. Imaginam quantas histórias cada um de nós tem para contar, ao fim de umas quantas décadas de vida? E eu nem sequer conheço muita gente, mas não é por causa disso que não deixo de me sentir, por vezes, a rebentar de ideias que quero anotar, pequenos acessos de vontade de escrever, de escrever...

Até ser travada.

Porque tais histórias não me pertecem e as minhas palavras nunca parecem ser suficientemente dignas para as revelarem. Assim, retraio-me e vou adiando o dia em que essas histórias também possam ser minhas, seja como for.