Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

A Universidade #1 - 10 Razões para não se ir para a universidade

Aqui me apresento, quase ao fim do meu primeiro ano de faculdade. Alguns leitores começam a questionar-me acerca da minha experiência e, ainda por cima, já tendo pensado em escrever sobre o assunto, quero esclarecer quaisquer dúvidas que vão aparecendo a quem interessa saber mais sobre o ensino superior e, em particular, a coisa vista a partir da minha perspectiva. Se tiverem sugestões, partilhem-nas!

 

As primeiras perguntas a que vou responder, ainda que indirectamente, são:

a) vale ou não vale a pena ir para a universidade?

b) vou ou não vou?

 

Em suma, aqui vão 10 RAZÕES PARA NÃO SE IR PARA A UNIVERSIDADE.

 

1. A partir do que eu e do que aqueles que me rodeiam e com quem me relaciono todos os dias temos vivido nos últimos meses, a universidade não parece mais ser uma peça fundamental por que todas as pessoas têm de passar, em prol de não serem vistos como “inferiores”, dum ponto de vista pessoal ou profissional. Talvez há uma ou duas gerações houvesse essa diferenciação, mas seria demasiado estúpido esse continuar a ser um pensamento geral em vigor. Já não se aplica. Ou uma pessoa quer MESMO, MESMO ir para a faculdade, e até já sabe o que vai fazer do curso (ou, pelo menos, sabe que está no sítio certo para partir para outros projectos no futuro) ou, então, mais vale desistir.

 

2. Fazer uma licenciatura de 3 ou 5 anos só porque sim é simplesmente estúpido. Inútil. Uma perda de tempo. Fazem o primeiro ou o segundo ano e, no fim de contas, acabam por desistir. Na melhor das hipóteses, vão arrastando as cadeiras até alguma contingência do destino vos obrigar a tomar uma decisão. Não faltam casos em que isso acontece. Os 3 anos podem passar num instante, mas também podem representar imenso tempo – tudo depende do como os decidirmos aproveitar.

 

3. Acho que é preciso muita força de vontade para se ser um aluno decente na faculdade, isto é, para se ter notas que façam a diferença num CV. É extremamente tentador faltar às aulas em que a assiduidade não conta para a nota final. É extremamente tentador não passar uma tarde a estudar. É extremamente tentador ir àquelas festas da Associação de Estudantes, é extremamente tentador fazer tudo, menos aquilo que tem de ser feito. Pensando bem, passar à rasquinha a uma cadeira é um mal mínimo. Chumbar é um perigo eminente.

 

4. Há demasiados alunos na universidade que não sabem o que lá estão a fazer ou qual a ideia que pretendem perseguir, porque é muito fácil entrar em imensos cursos, mesmo com notas vergonhosas de candidatura. Porém, é difícil sobreviver à pressão de novos métodos, avaliações mais do que rigorosas, professores cuja acção é – muitas das vezes - impessoal, incompetente, insuficiente e distante, à nova autonomia que pode ser levada ao desleixo… E, claro, também é imprescindível gostar do que se estuda. Tenho muitos colegas que só estão no curso “porque sim” ou porque não entraram nas primeiras opções, e que se perdem e desistem a meio do percurso.

 

5. Ah! – e, se vão para a universidade, seja a de Letras ou outra, preparem-se para ler muito, quer em formato de livro, quer na Internet, quer no tablet… Onde for necessário. Os resumos da Wikipedia deixam de ser suficientes; as obras integrais/originais é que estão a dar.

 

6. Com a oferta de cursos profissionais de nível 3, 4 e 5 (uma licenciatura corresponde ao nível 6) a aumentar a cada ano, já não há desculpas para não se ter uma formação como deve ser, em qualquer área, sem se ir para a universidade. Principalmente numa época de crise, em que ir o ensino superior é, frequentemente, um luxo, há que ponderar se esse será ou não um investimento que valha a pena. O esforço é enorme, principalmente quando se estuda e se trabalha ao mesmo tempo, ou quando se sabe que há toda uma ginástica das finanças familiares envolvida. Além disso, os cursos profissionais estão a tornar-se cada vez mais valorizados pelos empregadores, que procuram quem tenha uma formação específica e prática.

 

7. Concluindo o ponto 6, salvo alguns dos cursos dos institutos politécnicos, os cursos ao nível da universidade costumam ser teóricos as fuck.

 

8. Os nomes das cadeiras são todos muito lindos no papel, mas podem ser o terror na vida real. Por experiência própria, aquelas com que me dei melhor foram as que me aterrorizavam mais pelo modo como lhes haviam chamado. Não se deixem iludir por designações atraentes e "uuuh, que interessantes", ou acabarão a ter uma aula com o professor mais chato do campus. Ou, ainda pior, a irem para a faculdade sem terem a vocação necessária,

 

9. Relacionado com os dois pontos anteriores… quem acaba uma licenciatura não sabe realmente exercer uma profissão concreta. Sabe coisas. Só coisas, muitas coisas que veio a empilhar e a vomitar nos testes ao longo do curso. Por isso, antevê-se mais um investimento: uma pós-graduação ou, pelo menos, mais formação complementar.

 

10. Provavelmente, um licenciado acaba a trabalhar no mesmo sítio que aqueles que só têm o 12º ano: numa caixa de supermercado (sem colocar em hipótese o desemprego no que toca aos licenciados que, já agora, era de 32,1% em 2013). Há fé que isso não aconteça, mas ninguém sabe o que o futuro nos reserva, ninguém sabe…

 

 

Esta publicação presta-se exactamente a testar a vossa determinação, pelo que aconselho a que não a entendam como um desencorajamento para quem quer seguir para o ensino superior, consistindo apenas no tipo de reflexão que se espera de jovens que estão prestes a realizar uma das maiores escolhas antes dos 20 anos. Pretende-se que se pesem todos os riscos.

Mais tarde, talvez também escreva uma publicação sobre as razões pelas quais se deve ir para a universidade, mas só depois de terem assimilado toda esta informação negativa. Só para prevenir. Pensem bem, é o conselho que vos deixo, meus caros.