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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Os primeiros amores

Dois dos meninos do projecto em que trabalho como monitora, com onze ou doze anos, começaram a namorar depois de andarem a enviar recadinhos por mim, isto tudo entre a semana passada e a presente. São os dois estupidamente fofos, gorduchinhos e simpáticos, sempre com um sorriso pateta no rosto e um abraço para partilhar, mesmo não sendo eu a monitora do grupo deles. Ele até diz que vai oferecer uma toalha de praia com um tigre à sua nova namoradinha (e que não se pode esquecer de pedir 10€ à mãe!).

 

Hoje, o menino não foi e a menina ficou triste. Tentei consolá-la.

 

- Hoje ele não veio, mas foi só um dia. Se calhar está doente ou algo do género.

- Se calhar...

- Sabes, eu também não vejo o meu namorado desde segunda-feira, mas não deixo de gostar dele. Simplesmente não calhou estarmos juntos.

 

Nesse momento, a menina arregala-me os olhos e olha-me com aquele ar de "epá, esta tipa é louca, como é que ela fica três dias sem ver o namorado? como é que essa cena funciona?".

 

Enfim, os primeiros amores comovem-me.

Monitora X desorienta-se

Ok, a Monitora X é nova nestas andanças e tem muito que aprender. Péssimo hábito a largar: vício do telemóvel enquanto os miúdos estão a brincar "algures por aí". Parece que não há nada a fazer, mas há - supervisionar a toda a hora, sempre de olho aberto e atento! Ah e tal, a Monitora X achava que tinha sorte porque lhe tinham atribuído os meninos e meninas mais pacíficos? Tentem "demasiado pacíficos" ou "louca e permanentemente em guerra uns com os outros". Das duas uma: ou só querem é ficar na areia, a jogar ou a dormir debaixo do guarda-sol, em vez de aproveitarem a oportunidade de experimentar as actividades planeadas (surf, vela, canoagem, ir à água, entretenimentos vários) ou quase que se matam entre si, preferencialmente os colegas do sexo oposto (com alguns insultos pelo meio). Enfim, idades parvas. Só é uma pena que, deste modo, não haja lugar para a dinâmica de grupo, para uns minutos de paz e sossego, para um jogo em que torçam pela vitória comum, com trabalho de equipa, e que os façam destacar no meio da multidão de miúdos que, excepto todos os outros defeitos que possam ter, são uns queridos uns para os outros e entoam os cânticos que criaram em conjunto com orgulho e paixão! Ainda estou para descobrir se o problema é meu. Se calhar, a Monitora X precisa de uma nova abordagem.

 

Fora isso, adoro o que tenho andado a fazer.

Recomendar é melhor do que desperdiçar #2

Tardou, mas chegou. Esta rubrica está de volta com mais um produto de experimentar e chorar por mais. Por este, eu faria toda a publicidade possível, todos os dias, a toda a hora, se me oferecessem mais uns frasquinhos. Curiosas?

 

Para mim, tudo o que é Yves Rocher é bom. Pelo menos, é o que dita a minha experiência. Todos os produtos são concebidos à base de produtos naturais, neste caso plantas, e não me lembro de nenhum que tivesse parabenos ou outros químicos à mistura. Os aromas são uma delícia e há cremes, loções, champôs, perfumes, desodorizantes e o que quer que procurem para todos os gostos e tipos de pele. Por essas e por outras é que me tornei conselheira de beleza, isto é, revendedora da Yves Rocher.

 

Há muito tempo que procurava um hidratante para o corpo que não o deixasse oleoso. É muito difícil encontrar algo assim, porque a minha pele é como a da minha mãe e, sendo ela asiática, sou como que forjada para climas mais tropicais. Este clima temperado não é mesmo a onda da minha pele, que sempre foi muito seca e sensível. Não há depilação que não me deixe os poros inflamados, borbulha que não demore tempos e tempos a desaparecer, ferida que não precise de muito creme para cicatrizar sem deixar marca... É um drama de pele! Como se não bastasse, farto-me de a tentar hidratar com todo o tipo de loções e leites supostamente indicados para aquilo de que preciso, mas não há nenhum que não me deixe toda gordurosa e peganhenta - isto é, até ao dia em que descobri o verdadeiro milagre, que só podia ser da Yves Rocher: o óleo seco com Monoï do Tahiti! Tenho-o há cerca de duas semanas e já somos graaaandes amigos.

 

 

(A minha embalagem.)

 

BENEFÍCIOS

 

Este é o primeiro óleo que experimento e já me deixou fanática, desde a primeira aplicação (antes da qual pensei algo como "well, well, here we go again, com mais um mono lá para a gaveta"). O preço de venda ao público ronda os 7,50€, mas eu tenho desconto por ser conselheira de beleza, de modo que o investimento não poderia ter sido melhor.

O óleo seco de Monoï do Tahiti da Yves Rocher é uma pechincha, mesmo tendo em conta o preço de venda ao público! São 125ml de pura hidratação que se absorve em menos de nada. Costumo colocá-lo depois do banho, nos braços, nas pernas, na barriga, no peito ou nas costas e, depois de acabar de borrifar e pentear o cabelo com o condicionador da Gliss, posso vestir-me de imediato. As pernas costumavam ser a zona que menos absorvia, mas isso era coisa do passado! Deixa a pele super confortável. Estou extasiada. E o cheiro do óleo seco? Haverá aroma que mais lembre o Verão do que este? Normalmente, nem sequer é preciso perfume, basta o óleo e o desodorizante para ficar pronta.

Também já tentei aplicar o óleo no cabelo, para que é igualmente indicado, mas não vale a pena dar-lhe essa utilidade quando se tem, em alternativa, um condicionador em spray. No entanto, para quem é tão obcecado com as pontas secas como eu, o meu conselho é que não perdem nada em usá-lo no cabelo de vez em quando.

 

ÚNICA DESVANTAGEM

 

Este óleo seco de Monoï do Tahiti é uma maravilha, só que as verdades têm de ser ditas: gasta-se demasiado depressa! Ok, este é realmente o único ponto negativo a apontar, pelo menos que me lembre. Para quem o usar todos os dias, em muitas partes do corpo, deve durar 1 mês e meio no máximo. Ainda assim, é não sei quantas vezes mais barato do que muitos dos outros óleos secos que se encontram por aí. Dito isto, não temos nada do que nos queixar!

 

PRÓXIMA COMPRA... PROVAVELMENTE

 

Já encomendei umas amostras do perfume de Monoï, da mesma gama que o óleo seco. Sou louca por perfumes e, quem sabe, este seja o próximo produto a experimentar. Na verdade, eu gostaria era de ter dinheiro para encomendar a gama inteira!

 

Monitora X

Daqui vos fala a Monitora X, agora com nome e rosto, cujo grupo de meninos foi seleccionado de modo à Monitora X, ainda desconhecida, ficar com os mais calminhos, mais queridinhos, menos traquinas, menos barulhentos, que fazem do meu trabalho ir só passear com eles, como se eu fosse mesmo da malta, até porque ontem não tinham mais t-shirts cor-de-laranja do staff e tive que levar uma vermelha, como a dos participantes. Depois, calharam-me os estagiários mais simpáticos de todo o sempre, que até tomaram conta dos meus meninos enquanto a "Monitora X" não aparecia, anteontem, porque a primeira monitora deles conseguiu arranjar um emprego com maior validade do que este mês de Julho. Calharam-me duas Inêses, porque a minha vida não é nada sem umas quantas Inêses, por regra boas pessoas, e todos os outros que me calharam, todos os outros 10 que já conheci ontem (mais os 3 que faltaram, espero) são miúdos que não dão problemas e que, desde o primeiro minuto, me fizeram sentir muito agradecida aos meus colegas por terem tido o cuidado de prevenir, em vez de remediar.

Ontem, andámos a subir e a descer a Serra da Arrábida, para o Castelo de Sesimbra e depois para a praia. Na altura de ultrapassar descidas íngremes (vertiginosas), safaram-se melhor eles do que eu, mas tentei dar sempre o máximo, para não mostrar parte fraca e continuar a ser vista como alguém a quem recorrer em momentos de aflição. Apesar de tudo, o meu papel é tomar conta dos mais pequenos. Dito isto, o meu primeiro dia como monitora não poderia ter sido melhor, mais animado, mais tudo o que há de bom, menos tudo o que há de mau.

 

Cheguei a casa, tomei banho, comi e adormeci - de rajada.

E, durante a noite, sonhei que o Ricardo decidia que eu era uma pessoa demasiado ocupada, sem tempo livre senão para cair à cama de cansaço, e que acabava comigo por eu já não gostar assim tanto dele. Acho que o cansaço me deixa paranóica.

Tumbas!

E, agora, só para quem ontem pensou que eu não fazia nada da vida, tenho uma notícia a dar-vos: HOJE contactaram-me para ir trabalhar AMANHÃ. Às 8h30. Como monitora de férias. Com criançada. Sem hora de saída. Estava como suplente e até fiz a formação. Parece que alguém desistiu e que me deixou o lugar livre (yupi!).

Pelo menos, vou ser paga.

Enquanto isso, continuo a trabalhar no copywriting, mesmo que a meio-gás.

 

Se sobreviver, aviso.

Procrastinar também é ir à SIC!

 

Procrastinar também é viver? Procrastinar... TAMBÉM É VIVER? Pelos vistos, não. Foi isso que eu senti durante o programa "Boa Tarde" de ontem, ao participar na conversa com a apresentadora Conceição Lino, com a Alexandra (ou Pantapuff da blogosfera) e com a psicóloga convidada, a Dr.ª Andrea Oliveira. E não fui a única - também a Alexandra se sentiu desconfortável. Passo a explicar porquê...

Fomos contactadas há cerca de semana e meia por um jornalista - que até penso que seja o que apareceu na peça introdutória, a fazer o vox pop, muito simpático e acessível. Alguns dias depois, cada uma de nós passou algum tempo com ele ao telefone - no meu caso, cerca de meia-hora e, no caso da Alexandra, foi mesmo uma hora. Fizeram-nos imensas perguntas, por isso pensámos que se trataria de uma espécie de preparação para o programa e imaginámos, ao sabermos que seria "uma conversa" ou "um debate" acerca "da procrastinação e dos portugueses", que a nossa intervenção seria muito maior. Mas já lá vamos...

 

Comecei a perceber falhas logo de início. A Alexandra foi e veio de motorista/táxi. Eu vim de carro próprio desde o rabinho de Judas onde vivo na Margem Sul até aos estúdios da SIC, em Carnaxide, e nem se ofereceram para me pagar a gasolina. Claro que não guardo ressentimentos por terem tido o cuidado de darem boleia à Alexandra e não a mim, mas logo a partir daí demonstraram falta de organização (não, estou a brincar, eu detesto a Alexandra e já estou a preparar a minha vingança).

No entanto, ignorei. Por favor, ninguém é perfeito e não havia razões para me armar em diva - eu, uma mera convidada que, ainda por cima, iria ter a oportunidade de divulgar o seu blogue e de comunicar para milhares de espectadores em todo o país, e que tão lisonjeada fiquei pelo convite. Pentearam-me como gente importante, maquilharam-me até não se notar uma única marca dos últimos 10 anos de acne, foram porreiros. Fiquei irreconhecível, pronta a entrar no ar. 

Cerca de 15 ou 20 minutos depois, eu e a Alexandra saímos da sala de cabeleireiro e maquilhagem. Sabem que mais? Os meus três acompanhantes continuavam sentados no corredor, em frente dum ecrã pequeníssimo cujo som e imagem eram quase imperceptíveis. Fiz questão de perguntar se não haveria a hipótese de os colocarem realmente na audiência (como me tinham informado por telefone) e garantiram-me que, quando fosse a minha vez de entrar, todos se poderiam sentar no estúdio. Sim, sim...

[Nota intermédia: Não sei se tomaram atenção ao caso do primeiro convidado, a viver numa casa a cair de podre, com dois filhos menores, desempregado, sem condições ou perspectivas de vida... Fiquem sabendo que tinha um smartphone dos mais caros e que não parecia nada infeliz.]

Após o fim da primeira parte do "Boa Tarde", por fim chamaram-nos ao estúdio. Não havia cadeiras para ninguém, não sentaram nenhum dos meus acompanhantes (nem a minha avó, que acabou por puxar uma cadeira que por ali andava e desenrascar-se sozinha), tive de andar a pedir a não sei quantas pessoas que me dessem água a mim e à Alexandra (só nos deram quando estávamos já à frente das câmaras, quase a aparecer em directo) e nem um lanchinho ofereceram. Contudo, estas coisas acontecem, ninguém estava à espera de tratamento VIP!

Entrámos em directo e a Conceição Lino não corrigiu uma gralha do teleponto: postegar não existe - é postergar. Seria de esperar que uma jornalista com tantos anos de experiência a apresentar directos conseguisse identificar um erro de vocabulário destes, que pelo menos fizesse o trabalho de casa. Gastou-se imenso tempo com explicações etimológicas e de sinónimos de "procrastinar", tempo esse que poderia ser utilizado para deixarem as convidadas falar e explicar elas mesmas o que significa. Sei lá, convidaram-nos por algum motivo, não?

Quem viu o programa deve ter reparado que quase não interviemos. Com alguma sorte, eu e a Alexandra falámos, cada uma, dois minutos (entretanto, fui confirmar e falei cerca de 2 minutos e 10 segundos). Não dissemos quase nada, não adiantámos o que não pudessem adiantar sem nós. Ok, referimos alguns exemplos práticos acerca da procrastinação a nível pessoal, mas ambas concordamos em que isso só contribuiu para que ficassem com a impressão de que não fazemos puto da vida, que somos umas preguiçosas. A Drª Andrea deu-me razão nalgumas coisas que eu disse, explorou bastante bem em que consiste procrastinar, foi rigorosa do ponto de vista científico. Mas, ainda assim, ninguém se deu ao trabalho de nos perguntar ou de explicar ao público que nós procrastinamos E vivemos: ambas estudamos e trabalhamos, temos algumas responsabilidades e ainda arranjamos tempo para nos divertirmos q.b.. Não somos umas zés-ninguém - está a ler, Conceição Lino e respectivo tom de condescendência?

 

De qualquer maneira, nem tudo foi mau. Adorei a experiência e fez-me bem ao ego. Tive o meu tempo de antena, pude dar a minha opinião num programa em directo num dos canais mais vistos em Portugal acerca de algo que faz parte do meu dia-a-dia, a procrastinação, e de desmistificar tudo o que lhe atribuem de negativo. Sei que fiz o melhor que pude, falei claramente e sem me engasgar, achei que foi uma ocasião engraçada e em que recebi o apoio de muitas pessoas. O que mais poderia pedir? Mesmo tendo em conta o acumular de acontecimentos negativos com que me/nos foram presenteando ao longo da tarde de ontem, devido a uma notável falha de organização, já ninguém me tira o facto de ter estado na televisão (sim, sim, não me venham com falsos moralismos, porque aparecer na televisão é giro e há muita gente que gostaria de o fazer!). Foi uma maneira diferente de celebrar o 3º aniversário do blogue.

 

Deixo-vos com algumas fotografias...

 

 

Selfie pós-embelezamento.

 

 

Em directo.

 

 

Já percebi porque é que as famosas querem ser tão magras: a televisão engorda-nos e não é pouco. Só não nos dá mais mamas, o que é uma pena.

 

 

Querido, mudei a cara! - antes e depois de tirar quilo e meio de maquilhagem.

 

 

E vocês, acompanharam o programa de 30 de Junho de 2014? Digam de vossa justiça! :)

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