Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

"Apaixonei-me pelo meu melhor amigo"

"Apaixonei-me pelo meu melhor amigo." Esta é uma frase que contextualiza muitos livros, séries, filmes e imagens partilhadas nas redes sociais, porque todos querem apaixonar-se pelos seus melhores amigos, pelo que tal ideia supostamente utópica acaba por ser partilhada de modo viral, com muitos likes. Porque toda a gente tem uma vaga impressão do que gostaria que fosse a sua relação romântica, muito apaixonada, mas também com algum companheirismo.

No entanto, é praticamente impossível apaixonarmo-nos pelo nosso melhor amigo, até porque, quando nos apaixonamos, não vemos completamente a pessoa que está à nossa frente, porque estamos assim um bocadinho turvados pelas hormonas e pela novidade. E, a menos que já conhecêssemos muuuuito bem essa pessoa, ela não será realmente a nossa melhor amiga de sempre nessa altura.

Eu não me apaixonei pelo meu melhor amigo. Apaixonei-me pela ideia que o Ricardo me dava, com as camisas de flanela aos quadrados dele, as t-shirts das bandas, o ar desleixado, a maneira como era a alma da festa fazendo com que todos se rissem até lhes doer a barriga e os abraços que me dava sem que fosse preciso pedir-lhe. Foi com esta ideia muito geral (agora vejo) que me apaixonei por uma pessoa que não, não era o meu melhor amigo.

Mas estamos juntos há tempo suficiente para o conhecer melhor do que há dois anos atrás - cumpridos hoje, 14 de Setembro, a data não-oficial. Por isso, agora, já tenho uma ideia muito mais clara de quem é esta pessoa por quem me fui apaixonando. Só ainda não tenho a ideia perfeitamente delineada porque estamos a falar de dois anos, não duas décadas, não três ou quatro, mas decerto haverá tempo suficiente para lhe conhecer as manhas todas. E sabem porquê? Porque, como sempre deveria acontecer em todas as relações com pés para andar, sabemos que temos de continuar a ser os melhores amigos possível um para o outro.

Como é suposto uma relação durar sem companheirismo? Sem se ter em conta a pele do outro? Sem consideração, sem o colocar nas nossas prioridades, sem lhe dar o nosso tempo? Sem partilha? Uma relação amorosa é como uma relação de amizade, mas com contornos suficientemente fortes para durar uma vida. Bem... e com marmelanço à mistura. E, eventualmente, filhos em comum. 

Acho que há demasiadas complicações na cabeça de quem pensa na utopia de se "apaixonar pelo seu melhor amigo" ou "estar numa relação com o seu melhor amigo". Se a relação prestar para alguma coisa, sim, hão-de se tornar os melhores amigos do mundo, porque o objectivo será um dia viverem sob o mesmo tecto, dormindo na mesma cama, partilhando a mesma família, dividindo as mesmas refeições todos os dias, pagando as mesmas contas do supermercado, da água, do gás e da electricidade... Há pouco de utopia nisso e uma dose bem grande de realidade e pragmtismo, digo eu.

 

Além de que é preciso sermos muito amigos de alguém para lhe aturarmos as teimas sem que elas nos pareçam teimas, mas sim meros traços de personalidade que fazem parte dessa pessoa de que nós muito gostamos. Como nestas situações:

 

Não sou nenhuma autoridade em assuntos do coração, mas acho que estes dois últimos anos já me ensinaram qualquer coisinha de útil...