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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Quanto custa um canudo?

Após quase três anos no ensino superior, descobri finalmente o que é que me aborrece tanto, o que me deixa sequiosa por acabar a licenciatura. A minha maior dificuldade foi aprender a nomeá-lo, mas agora já sei dar um nome ao que sinto: frustração.

Frustração perante a falta de interesse e empatia de certos professores em relação aos alunos e perante a sua falta de interesse em evoluírem eles próprios ao fim de décadas ou depois de terminarem os seus doutoramentozinhos numa qualquer matéria que não interessa nem ao menino Jesus.

Frustração por causa de colegas que, por algum motivo que me transcende, decidiram entrar no ensino superior sem demonstrarem qualquer interesse ou apetência para o estudo e para a reflexão.

Frustração por raramente me sentir compreendida. Frustração por raramente conhecer pessoas com quem me identifique.

De facto, tanto há professores sem vocação para executarem uma tarefa tão nobre quanto ensinar e contribuir para o semear iluminado de novas gerações, quanto também há alunos sem vocação para pisarem o chão sagrado de uma faculdade. Cada vez que uns ou outros abrem a boca, regurgitam maioritariamente lixo.

Chamem-me arrogante, chamem-me exigente sem causa, digam que estou errada e que o ensino superior é um mar de rosas (tal como a escola secundária, não é?). Esta é a minha experiência. Uma pessoa não se sente desmotivada só porque sim.

Compreendo que nem todos os alunos tenham de ser tão ambiciosos quanto eu reconheço que sou, compreendo que nem todos tenham de estar decididos, assertivos e conscientes dos seus objectivos de vida aos 20 anos. Reconheço que guardo insistentemente expectativas elevadas acerca de quem me tenta ensinar e que muitas das vezes eles são apenas investigadores mal subsidiados pela FCT.

Mas podiam esforçar-se, certo?

No que toca aos jovens, é verdade que a ausência de perspectivas de futuro profissional a curto ou a médio prazo demove muita gente acerca da urgência e da relevância em descobrir o que pode construir a longo prazo para si. Mas, caramba, se é para andarem a esbanjar o dinheiro dos papás, bem que podiam escolher um entretenimento mais barato para se ocuparem! Tenho colegas na Universidade Católica que andam a pagar quase 500€ de propinas mensais porque, no final, o que interessa é o canudo. Até aposto que muitos deles provêm de famílias cuja derradeira ambição é verem as criaturas trajadas e "senhoras doutoras".

Hoje em dia, em troca de alguns milhares de euros, qualquer abécula pode arranjar um título académico.

E nem me admiro que, a fazer pandã, qualquer intelectualóide possa igualmente dar umas aulas (que o confirmem, por um lado, os testes elaborados pelos professores de 3º ciclo dos meus explicandos e, por outro, a pedagogia de biblioteca adoptada pelos docentes do ensino superior).

 

Fico à espera do mestrado para a prova dos nove.