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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Doutores: a saga

Que vivemos num país flagelado pelos títulos... Isso já nós sabemos! Qualquer criatura com um bacharelatozito candidata-se a um "doutor" ou "senhor doutor" prefixado ao seu nome. É incrível a importância que atribuímos aos Drs. deste nosso Portugal, o país dos Drs.. Ironicamente, a minha experiência indica que quem menos se parece importar com essas cortesias são os Doutores (por extenso e tudo) legítimos. E já nem precisamos que nos relembrem dos Engenheiros, ou Engs. para poupar espaço.
No entanto, a geração de quem nasceu a partir dos anos 80 já não se importa tanto com a miscelânea titulária que a estrutura hierarquizada da sociedade portuguesa acarreta. Tornou-se relativamente comum tirar-se um curso superior, razão à qual atribuo a inversão do dito fenómeno.
Além disso, quem mais se vê a dispor do Dr. (isto é, sem contar com os médicos) são os políticos. Uma alegria!, saber que a governação se encontra entregue a indivíduos com estudos, especialistas nas respectivas áreas!!! Só que não; muitas das vezes, é só letras de vista.
Mas ainda não cheguei ao cerne da questão que desejo escrutinar. Calma...
Então e uma mulher? Pode ela ser Drª, à semelhança dos seus pares? Claro que sim: temos a Drª Maria de Belém, a Drª Maria Cavaco Silva e até a Drª Júlia Pinheiro (juro que este exemplo é verídico)!
Então e se for mulher E de esquerda? Bem, essa é outra realidade. A Mariana é tão novinha que nem os quase três graus académicos em Economia lhe valem. E a Catarina, cruzes credo, alguma vez se viu uma Drª como deve ser em Linguística?
Aiiiii, os paternalismos, senhoras e senhores! Ai, os debates da SIC Notícias e Companhias Ilimitadas, em que qualquer badameco é logo Senhor Doutor, Senhor Professor, Senhor e Deus do comentário semanal! Já a Marisa, coitada... É só marisa2016.net. Nem o doutoramento em Sociologia e a actividade de investigadora lhe valem.
Num país tão preocupado com os títulos, não será coincidência que a fome se junte à vontade de comer, e à gulodice também. Forte Tradição Hierárquica + Títulos + Paternalismo = BFF, citando um antigo jornalista da nossa praça.