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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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O que eu não mudaria em 2017

Que ano turbulento. Costuma-se dizer que, quanto maior é a subida, maior é a queda, mas 2017 foi uma série de escadarias, e rampas, e trampolins, para cima e para baixo.

Felizmente, há muita coisa que eu não mudaria.

 

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Não mudaria ter ido viver para outro condomínio. Poupei imenso dinheiro nesta renda duma unidade mais pequena e nos subúrbios, onde consegui encontrar silêncio, risos de criança no jardim, espaço verde e de lazer com fartura. O condomínio no centro de Banguecoque era glamoroso, tinha uma vista de tirar o fôlego a qualquer um, mas as baratas e o barulho estavam a tirar-me do sério. Além disso, era demasiado grande para uma pessoa só.

 

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Não mudaria o quanto trabalhei este ano - tanto enquanto professora, como também enquanto estudante. Custou, mas teve frutos, deu-me experiência, fiquei com calo, testei-me, recebi palavras de reconhecimento e respeito dos meus alunos, dos meus colegas, da minha chefe, fiquei com uma média quase perfeita no mestrado (apesar de incompleto). Os meus alunos escreveram-me mensagens de carinho, ajudaram-me a melhorar, pediram-me para ficar nas minhas turmas até ao momento em que lhes disse que este foi o meu último semestre. Os meus colegas cumprimentam-me efusivamente nos corredores, raramente sinto más energias na minha direcção, fiz amigos (mais ou menos, vá). A minha chefe reconhece o que faço, incluiu-me até num projecto de extrema importância desde 2016 e que culminará em 2018, quando poderia ter pedido a outra pessoa qualquer com mais experiência para a ajudar. Tudo isto é gratificante.

 

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Não mudaria o que trabalhei em quantidade e intensidade, tendo em vista ganhar mais do que o meu salário base. Consegui rendimentos decentes no final de cada mês, que me permitiram proporcionar férias inesquecíveis à minha família, cada vez que me visitaram, principalmente a minha avó, que esteve cá quase dois meses - as primeiras férias em dezoito anos, desde que eu fui lá para casa para ela me criar! Também pude dar-me a pequenos luxos, como adoptar um gato e comer em bons restaurantes.

 

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Não mudaria nada do que tentei dar à minha família. Ao ajudá-los a ter estas experiências, senti que consegui arranjar uma bela desculpa para os arrancar do ciclo de muitos anos negativos e cheios de sacrifício. Sei que estas visitas à Tailândia, mesmo quando curtas, tiveram resultados muito positivos e lhes trouxeram uma forma renovada de ver a vida. Além disso, o orgulho que sentem por mim irradiou ainda mais quando me visitaram.

 

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Não mudaria o quanto protegi o meu namoro de energias negativas, o quão firmes fomos os dois com esta dinâmica de relação a longa distância, o facto de termos feito tudo encaixar e funcionar até este momento, depois de oito meses sem nos vermos e mais dum ano sem realmente convivermos no mesmo espaço sem interferências do jet lag ou agendas familiares apertadas. Não mudaria o facto de ter investido nesta relação como sendo a única aposta viável para uma vida feliz e como a imagino, e de ter insistido que teria de ser mesmo assim.

 

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Em suma, não mudaria o esforço que investi em continuar a ser optimista. Ser feliz nem sempre é fácil e facilmente nos esquecemos de como estar satisfeitos com o que temos. Estou feliz por ter tido a oportunidade de viver no estrangeiro, estou feliz por me ter desenrascado como pude e quase sempre com sentido de humor e uma certa alegria! Esforcei-me muito para acabar este ano com saldo positivo, estou mesmo feliz por estar a acabar, para que novos desafios possam aparecer.

 

Fica um agradecimento eterno no ar a todos os meus amigos, família, namorado, professores, conhecidos e toda, toda a gente que me trouxe sorrisos e com quem partilhei neuras nestes doze meses.

 

Sob sugestão duma ideia da Cláudia (já não me lembro em que post), penso que a minha palavra para 2017 tenha sido "trabalho", sem me ter apercebido. Para 2018, que palavra escolherei?

Feliz Natal!

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Longe, com calor húmido de 30ºC, calças de algodão e manga cava. Longe, com o coração apertado a pensar em quem está do outro lado do mundo à minha espera. Longe, com vontade de rever toda a gente e todos os sítios. 

 

Este Natal é uma bênção, como todos os outros Natais o têm sido e serão, com as suas peculiaridades, acontecimentos inesperados, amor e carinho salteados a gosto. 

 

A melhor prenda que eu poderia receber é - na verdade - o amor, o carinho e a dedicação de todos aqueles de quem gosto. É ter saúde para ter saudades, é ter saudades porque sei que alguém me espera, é esperar porque há mais para vir. 

 

Desejo-vos, assim, um Natal tão abençoado quanto o meu. Não procrastinem as guloseimas nem as palavras com aroma aos doces da vida. Nem os abraços, nem os beijos. 

Sobre o que eu penso ser o choque cultural

Não houve qualquer hipótese da minha licenciatura em Ciências da Cultura, ou as experiências de intercâmbio em que participei, me prepararem para o que é o choque cultural sobre o qual vos venho escrever.

 

Quase no fim desta experiência a viver no estrangeiro, cheguei à conclusão de que há vários graus de choque cultural, que nalguns aspectos traz habituação, noutros traz frustração. 

 

Habituei-me à comida picante, ao trânsito louco, à falta de raciocínio rápido e pragmatismo, à ausência de pontualidade, à língua (que aprendi a falar, pelo menos de forma a desenrascar-me e a mostrar educação e gratidão), aos contrastes da população, à mistura de mundos, às casas de madeira à beira dos canais a conviverem ao lado dos condomínios modernos de 20+ andares, à hierarquização e aos alunos que se prostram aos meus pés para me falarem, aos tailandeses que estudaram no estrangeiro e dos quais não se sabe o que esperar, ao sotaque tailandês que esquarteja as outras línguas em arestas flácidas. 

 

Mas, depois de todo este processo de habituação e de tantas outras alterações a concessões a que submeti a minha forma de pensar, comportar e viver, também cabe aos tailandeses decidirem se querem acolher-me (ou a qualquer outro estrangeiro) na sua própria comunidade. Eles dizem que sim, e é verdade, eu sei que eles querem mesmo acolher os estrangeiros. 

 

O problema é que falar é mais fácil do que concretizar. Na minha opinião, as relações entre pessoas resultam de negociações bilaterais constantes. Dá-se e recebe-se. A maioria dos tailandeses dá o suficiente, não dá aquilo a que não é obrigado. Assim, as relações que fui estabelecendo ficam pela rama.

 

Não me queixo, apenas tento analisar. Fiz amigos, estou-lhes agradecida por me terem acolhido, dentro do que se conseguiu, mas o meu conceito de amizade quer ir mais longe, precisa de mais, quando o deles não. Trabalhar e viver num meio exclusivamente tailandês, trabalhar para o governo, viver nos subúrbios, leva-me a sentir que necessito de mais do que o que me querem dar e talvez seja isso o verdadeiro "choque cultural": a negociação mal sucedida ou insuficiente de conceitos tão abstractos quanto amizade, carinho, sentimentos, emoções, visões do mundo.

 

Para mim, todos estes conceitos estão no fim da linha da adaptação cultural, porque não são uma necessidade vital, mas sim o que sustém a vida a longo prazo, o que torna possível viver no estrangeiro ou longe do sítio onde crescemos.

 

Há vários níveis de choque cultural. Primeiro, não gostamos da comida. Depois, perdemos a paciência com a maneira diferente de fazer as coisas. Quando já nos resolvemos quanto aos primeiros choques ("é mesmo assim!"), mais desafios se apresentam. E mais. E mais. E mais complexos. E a exigirem mais de nós. E podemos vencê-los, moldando indefinidamente a forma como pensamos, comportamos e vivemos; ou chega a uma altura em que já não dá mais. É assim que eu me sinto.

 

Não me sentir parte de nenhum grupo ou comunidade é o derradeiro efeito do meu choque cultural, que é um choque do que se sente no coração e no fundo do estômago. É o resultado da procura de sentido na vida dos outros, quando só se encontram portas meio abertas. É o choque de se tentar aprofundar o superficial, de passar os colegas a amigos, que não funciona. O derradeiro desafio da transculturalidade.

 

Mas não faz mal! É mesmo assim. Faz tudo parte desta experiência que é a vida humana. A minha vida. Estou em paz com o que posso dar e receber. Já referi o quão agradecida me sinto por poder, sequer, escrever acerca de tudo isto? 

 

(E, não tendo concluído o meu mestrado por cá, posso dizer que aprendi o suficiente para uma pós-graduação em gestão da interculturalidade! )

Fotos de dias felizes ♥

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A decoração natalícia antes da festa de ano novo da faculdade. Fofa!!! 

 

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Os amigos das aventuras e dos fatos coloridos (Vietnamita, palhaço internacional e tailandesa). 

 

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Um dos mil abraços da melhor chefe do mundo (posso levá-la para Portugal? Por favor?). 

 

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Todos a cantarem em honra do ano novo. 

 

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Em destaque como gueixa que faz playback de músicas marotas - na festa da universidade. Para o que os meus colegas me empurram... Mas valeu a pena, porque, seis horas depois, ainda estou a receber mensagens de gente que se divertiu a ver-me/nos.

 

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No final da performance. Muitos risos, ai ai. 

 

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A fatiota toda. 

 

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Alguns colegas que participaram.

 

Porque há dias maus, outros mais ou menos, outros bons e outros óptimos! Obviamente, dias seguidos com festas de Natal e ano novo têm um lugar especial na minha lista de preferências! 

O que eu mais quero este Natal

Estou numa altura da minha vida em que o único presente de Natal que quero que me dêem é dinheiro. Até pode ser os dois euros que iam pagar por aquele pechisbeque que enfiam num saco bonito para dar graça e toma lá qualquer coisita (ah ah ah, por acaso ninguém que conheça é assim tão forreta/está assim tão falido, mas há que pensar em todos os cenários).  Além disso, não tenho espaço para mais nada nas malas de viagem que vou ter de levar de volta! Então, dêem-me dinheiro. Estou prestes a ter de pagar uma viagem de avião caríssima, a ficar mais ou menos desempregada, o meu estatuto social no regresso a Portugal vai cair na lama e, apesar de voltar ao ninho de amor, felicidade, família e amigos, tudo o que eu possa amealhar neste momento pode vir a contribuir para eu sentir que falhei um bocadinho menos nesta missão tailandesa (que não falhei, mas digam-me isso daqui a uns tempos, ao deparar-me com a realidade de ter abdicado dos benefícios dum emprego relativamente estável e bem pago no estrangeiro, mesmo que, racionalmente, o tenha feito por motivos muito mais nobres e prioritários).

 

Então, é assim. Dinheiro. Vá, e livros, porque esses nunca estão a mais. E alegria. E voltar sã e salva a Portugal. E não sentir que desperdicei seja o que for. E poder voltar a sentir-me realizada e desafiada! São estes os "presentes" que eu mais quero este Natal.

E vocês? Que tipo de presentes esperam este ano? 

 

GUILTY!

Acreditem que já fui acusada de muita treta na minha vida. Tanta treta, umas vezes de forma justa, outras nem tanto. Já fui acusada de ser má amiga, má namorada, má filha, de ser demasiado ambiciosa, de não ter escrúpulos, de só pensar em mim, de só pensar nos outros, de fazer escolhas menos felizes na minha vida, de fazer escolhas exageradamente felizes, de me dar com as pessoas erradas, de só me querer dar com as pessoas certas... A lista poderia continuar.

No entanto, o que é a vida humana sem um pouco de novidade de vez em quando? Parece que o meu novo crime é, passo a citar, e vá de traduzir de inglês para português, "pensar nas coisas demasiado literalmente, pensar com as emoções".

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É, é crime agora, ter emoções, pensar com as emoções. Desabar em frente de pessoas em quem, inicialmente, confiamos. Deitar cá para fora o que nos vai na alma, antes que a tampa nos salte. Ter saudades da família e bufar com os problemas no trabalho. Celebrar efusivamente quando algo positivo acontece. Dizer aos outros o quanto gostamos deles. Partilhar as alegrias e as frustrações, partilhar um pouco acerca de quem somos e do que nos rodeia. Precisar de partilhar palavras de encorajamento aqui e ali, sobre isto e aquilo. Enfim, ser-se humano e não robótico. Acusa-me essa pessoa, que nem fala da profissão dos pais, porque "são coisas privadas" e que falar desses assuntos "é conversa de raparigas".

 

Há quem diga que é o choque cultural. Há quem diga que é choque de personalidades. Ou o choque dos sexos. Eu acho que é parvoíce e desculpas. Desculpas...! E gente reprimida com quem eu me decido relacionar, declaro-me culpada! 😂

Andar de táxi em Banguecoque

Raramente ou quase nunca ando de táxi em Portugal. É caro, a nossa rede de transportes públicos é bastante decente - tanto na zona onde vivo e estudava, quanto a nível nacional - e tive sempre quem me desse boleia antes e depois de tirar a carta de condução.

No entanto, andar de táxi em Banguecoque é relativamente barato. Para um percurso de 5km, pago à volta de 2€, ou mesmo 5€ para 20km, se não ficar demasiado tempo presa no trânsito. Além disso, agora tenho o meu salário e os meus maiores luxos são comida internacional e... táxis. E táxis-mota. 

Ando mesmo muito de táxi, carro, em Banguecoque. É, realmente, muito barato, e é uma óptima maneira de evitar os transportes público daqui, que são ligeiramente ineficientes em certos percursos, tendo em conta os milhões de pessoas que os usam. Então, se for possível evitar esse cansaço físico e mental, apanho um táxi.

O problema são os senhores taxistas, obviamente. Eles podem ser o maior benefício em apanhar um táxi, ou podem ser a nossa maior dor de cabeça.

Muitas das vezes (tipo, na maioria), os senhores taxistas tailandeses não sabem bem onde estão ou para onde devem ir. Em sua defesa, posso confirmar que as ruas e o trânsito desta cidade são caóticos, mas nada que um GPS não resolva. 

Ah, mas...

GPS? Google Maps? Que é isso? Mais uma vez, a maioria dos senhores taxistas deve pensar "o que raio pode um telemóvel dizer-me que eu não saiba?", assim numa demonstração intro/extropectiva de orgulho-macho. É pena, porque quando se recusam a usar o GPS a coisa corre mal e, por norma, eu fico bastante doente da alma por saber que um percurso de quinze minutos se pode tornar, na maior das facilidades, numa novela duma hora (nota: não subestimem as estradas de Banguecoque!!!), porque o senhor taxista decidiu virar uma ruazinha antes do tempo, e planeamento urbano é coisa que nem sempre assiste nesta megalópole, portanto voltar para trás não é sempre a melhor ideia.

Pelo sim, pelo não, eu uso constantemente o meu GPS em toda a santa viagem. O Google Maps, milagre dos céus, não só me ajuda a confirmar o caminho, como também o trânsito e qual a melhor alternativa de percurso. Além disso, sabe-se lá como, tenho-me apercebido de que conheço bem melhor imensas partes de Banguecoque que os próprios senhores taxistas!

Mas calma, os problemas duma pessoa não se ficam por aqui: os senhores taxistas tailandeses nem sempre aceitam as sugestões que se lhes dá. Perdi já conta das vezes em que isto aconteceu. Até já aconteceu o senhor taxista perder-se mesmo, ver que aquela via não era, de facto (!) possível, e ter de admitir a sua derrota. Enfim, é amargo para as duas partes, não deixando de ter a sua piada.

 

Conclusão: se vierem a Banguecoque ou à Tailândia e quiserem apanhar um táxi, usem o Google Maps como se a vossa vida dependesse disso e, se quiserem ficar ainda mais descansados, chamem um GrabCar (apenas um GrabTaxi em última análise!) ou um Uber. Ou uma GrabBike (mas deixarei as aventuras dos táxis-mota para outra altura).

 

A vida é bela em Banguecoque, mas tem tanto de doce quanto certas nuances que nos tiram do sério.

Porque é que escrevo em português e inglês no Instagram?

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Na maioria das publicações no meu Instagram, escrevo em português e inglês. Às vezes, só escrevo em inglês. Às vezes, só em português. Tal como vai o meu Instagram, também vai a minha cabeça. É difícil escolher qual a melhor língua, para quem estou a escrever, o que quero expressar. A verdade é que os portugueses percebem inglês mais facilmente do que os meus amigos estrangeiros/tailandeses percebem português. No entanto, os portugueses são-me mais queridos, por isso custa-me deixar de escrever na nossa língua.

Em suma, escrevo em português e inglês nas minhas redes sociais, às vezes até em francês no Facebook, porque quero incluir todas as pessoas com quem me encontro em contacto, quero abarcar toda essa diversidade linguística que compõe a minha vida, quero encontrar um equilíbrio, um compromisso entre vários mundos. Será possível?