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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Ser professor é fácil

Quando digo que dou explicações, acompanho alunos, dou aulas aqui, ali e online, há quem diga "eu também poderia fazer isso". Fazem parecer que ensinar é fácil, que ser-se professor é fácil e que qualquer um o pode executar como quem dá aquela palha. Pega-se num livro, nuns exercícios dumas cópias que temos lá em casa, e já está. O que é, realmente, fácil é acreditar nesta falácia.

 

Sim, de facto, qualquer um pode ser professor, ou explicador, ou dar umas aulas. O mais difícil é, na minha opinião de quem anda a tentar ser bem-sucedida no que faz há cinco anos, fazê-lo bem. Deve ser como o que se diz sobre ter-se filhos: fazê-los é simples, o complicado é criá-los. Apoio algo semelhante no que toca a ensinar: todos podem tentar, mas muito menos pessoas conseguirão fazê-lo como deve ser ou atingindo os requisitos mínimos decentes (por exemplo, não matar os alunos de aborrecimento).

 

Além disso, vejo uma certa condescendência da parte de quem pensa que ensinar é uma tarefa quase intuitiva. Desvalorizam a vocação, a inclinação, a formação, o investimento pessoal, económico e profissional de quem se esforça verdadeiramente para o fazer melhor. 

 

Tive professores no ensino secundário e nas universidades onde estudei e trabalhei que, acredito, nunca abriram um livro sobre educação, psicologia, métodos ou abordagens de ensino na vida. Ensinam como quem atira postas de pescada. Muitos pertencem à geração dos professores "porque calhou", "porque as escolas e universidades precisavam" (por exemplo, depois do 25 de Abril). Quem mais sofre com este cenário desencorajador são sempre os alunos. Não é suficiente saber-se tudo sobre relações interculturais, engenharia bioquímica, ginástica ou filosofia antiga: há que saber passar a mensagem, comunicar e suscitar reacções [positivas/construtivas] na plateia... que são os alunos, seres humanos susceptíveis a estímulos que passam por muito mais do que receber e absorver informação de forma passiva.

 

Não digo que todos os professores sem formação em educação ou pedagogia são obrigatoriamente maus profissionais. Algumas pessoas têm uma veia especial e inata para o ensino, são empáticas e flexíveis, aprendem e apreendem com a experiência (também conheci pessoas assim). Infelizmente, muitos mais são os professores nestas condições que o são sem merecerem.

 

Não pretendo, com isto, atirar areia para os olhos de ninguém, muito menos maldizer seja quem for. Pretendo apenas chamar-vos a atenção para quando lerem barbaridades como "quem sabe fazer, tem a profissão; quem não sabe fazer, só ensina" ou "dás umas explicações? Hás-de me dizer como fazes!".

 

Estou a milhas de distância de ser a professora perfeita. Sou demasiado nova, ainda tenho muito a aprender, muito conhecimento a obter que meio mestrado e um par de cursos não conseguem juntar, ainda não lidei com todos os tipos de alunos possíveis (se bem que já colecciono uma boa variedade). No entanto, esta é uma daquelas profissões que gostaria de manter pela vida fora. Receber o incentivo dos meus alunos e colegas ajuda bastante. Vejo-me a fazer outras coisas, a ganhar experiência naquilo que quero partilhar com os meus alunos, mas ensinar traz-me uma alegria imensa. 

E traz-me trabalho que nunca mais acaba. Os tais investimentos multilaterais. 

 

Por isso, deixo-vos um apelo: não desvalorizem quem ensina (no mínimo, quem ensina como deve ser). Se tiverem filhos ou crianças pequenas nas vossas famílias, façam-lhes ver o quão importante e difícil o trabalho dum professor é, mesmo o dum "tutor" ou "explicador". Se não fossem os professores competentes, apaixonados, inspiradores, trabalhadores que foram encontrando pela vida fora, que seria de toda a gente deste mundo?

Os filmes de amor que podem consumir-vos um fim-de-semana inteiro se seguirem o meu conselho

Não interessa se são bem amados, ou mal, se estão apaixonados, têm o coração partido, estão enamorados forever and ever, ou se andam em tratamento de purga - if you know what I mean - porque estes filmes de amor vão-vos aquecer o peito, talvez atiçar possíveis borboletas que andem a criar na boca do estômago... A minha lista de filmes de amor, sobre o amor, tem escolhas para todos os gostos e disposições, uns com finais felizes, outros com finais com pés na terra. Aqui vai.

 

1. One Day (2011)

Acho que já mencionei este filme e livro nos meus blogues. Li o livro muito antes de ver o filme, li-o primeiro em português, emprestado por uma amiga, e depois o original em inglês, uma edição ranhosa, mole e suja que comprei ao preço da chuva na minha livraria preferida em Banguecoque. Ainda a tenho. Dois melhores amigos passam décadas a andar para trás e para a frente numa relação platónica insatisfatória e, entre as peripécias dos 20 e dos 30 anos, uma pessoa só tem vontade de lhes espetar uma chapada, porque obviamente eles amam-se profundamente (diz o livro e o filme) e têm é de ficar juntos. Além disso, o filme tem a Anne Hathaway, uma das minhas actrizes favoritas desde Os Diários da Princesa.

 

 

2. About Time (2013)

Esta é a história dum rapaz chamado Tim e da sua vida maravilhosa desde o momento em que descobre que, como herança de família, lhe foi concedido o dom de viajar para o passado para o poder reviver, alterar ou melhorar. Claro que, sendo ele um jovem bastante descoordenado, desbocado e pouco popular entre o sexo feminino, o seu dom é utilizado para seduzir aquela que ele acha ser o amor da sua vida, a Mary. Além de "filme de amor", este filme é uma comédia romântica, mesmo com alguns momentos mais tensos à mistura. Aliás, acho este filme verdadeiramente hilariante. É preciso ter cuidado com o destino do futuro quando se altera o passado!

 

 

3. Love, Rosie (2014)

Mais um par de melhores amigos em desencontro com o amor por muitos anos, tanto em filme como em livro, mas com outras circunstâncias. É impressão minha ou os britânicos gostam muito deste tema? Já agora, acho que desenvolvi uma grande crush pelo actor, cujo nome nem me lembro, mas que também entra no Me Before You (que não entra nesta lista, porque é bonito e tal, mas demasiado lamechas, até tendo em conta os meus standards).

 

 

4. The Time Traveler's Wife (2009)

O conceito de tempo atrai-me sempre para livros e filmes. Quando se brinca com a ordem cronológica dos acontecimentos, é quase certo que me tornarei leitora ou audiência em menos de nada. Mais uma vez, li o livro e, passados uns meses, vi o filme. Principalmente o livro está muito bem pensado, mesmo não sendo a maior obra literária de sempre. O filme está fraquinho, quando comparado ao livro, mas entretém. No entanto, em livro ou filme, é interessante sabermos o futuro das personagens, mesmo sem saber o passado, e depois saber o passado sem saber o futuro, ou saber o futuro sem saber o presente... E por aí fora!

 

 

5. Celeste and Jesse Forever (2012)

Ao contrário de alguns dos filmes de amor já enlistados, este filme é mesmo um filme sobre o amor, tal como ele é, sem grandes truques cinematográficos. É daquelas histórias que poderiam acontecer a qualquer um de nós. A Celeste e o Jesse estão a divorciar-se, vivem mais ou menos separados, mas são o melhor amigo um do outro. Super querido, tirando o facto de eles não terem resolvido ou pensado muito no que implica uma separação, não terem falado o suficiente para resolverem, em primeiro lugar, os problemas mais profundos da relação e terem os dois alimentado esperança num reatamento por razões diferentes, tomando-se por garantidos (ai, que errado!, que comichão!). Dêem uma oportunidade à Celeste e ao Jesse, porque o filme deles encontra-se muito facilmente na Internet. E foi mostrado no Festival Sundance. Em suma, é dos meus filmes favoritos, pela simplicidade da história, mas profundidade da mensagem, pelos momentos ternurentos, que são quase todos, e pela crueldade das cenas de tensão.

 

 

Aviso à navegação, como se costuma dizer

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Caros todos: leitores, seguidores, amigos, família, professores, conhecidos e quem mais por aqui andar...

 

O blogue tem estado parado, por falta de experiências a relatar que interessem ao grande público (ou, simplesmente, "falta de inspiração"). Ainda hei-de escrever sobre o meu regresso e consequente re-adaptação à vida no lar-pátria, lar-casa, lar-pessoas que amo - mas, por agora, há que viver essa mesma vida que acontece de rajada. Entre alegrias, tristezas, surpresas de elevar qualquer espírito, desapontamentos de enterrar mortos, amores, desamores, e, em geral, a inevitabilidade dos dias, ainda tenho muito a digerir antes de poder partilhá-lo convosco.

 

No entanto, mesmo à falta de experiências imediatas e extremamente profundas para relatar, a partir desta semana este blogue erguer-se-á das cinzas tailandesas e fará também a sua transição para o seu estado mais português e mais rotineiro. Prometem-se, pelo menos, tentativas de vos trazer um cheirinho do que de melhor existe nesta vida suburbana pouco glamorosa, mas em transformação e aperfeiçoamento.

 

Obrigada por continuarem desse lado!

 

(Aos meus amigos... sei que já prometi muitos almoços, jantares, lanches, cafés, encontros e por aí fora. Por isso, prometo outra vez que a partir desta semana "é que vai ser"! Vocês vão ver! Vai mesmo! 😂)

Os meus sítios favoritos na Tailândia #3: Bangkok Art and Culture Center (BACC)

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Tenho uma predilecção por galerias e museus bem iluminados, como é o caso do Bangkok Art and Culture Center (BACC). Não gosto daqueles com todas as entradas de luz vedadas, com tectos baixos e paredes escuras. Se não houver janelas, pelo menos que haja outras fontes de iluminação e tectos altos. Assim, gosto do BACC, por ser arejado, minimalista, arrumadinho, cheio de vida.

 

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O BACC é um centro cultural e de arte contemporânea enorme. Tem mais de sete andares (acho que oito ou nove, mas não tenho a certeza), intelrigados por escadas rolantes ou, a partir do sétimo andar, por uma rampa contínua. Há exposições permanentes, outras temporárias. Enquanto visitante, consigo perceber que o objectivo é juntar a tradição ao mais recente, entre fotografia, desenho, pintura, artesanato, escultura e tantos outros tipos de arte. Um dos motivos mais recorrentes é, obviamente, a figura do rei Rama IX, falecido em Outubro de 2016, mas ainda (provavelmente, para sempre) adorado pelo povo.

 

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Inclusivamente, uma das exposições que visitei é a das fotografias que o rei Bhumibol (o nome de Rama IX), um indivíduo versátil e com interesses artísticos variados, principalmente música e fotografia, tirou ao longo da sua vida. Curiosidades acerca desta exposição: uma secção inteiramente dedicada à sua cadela favorita, outra secção só com fotos da rainha (desde os 20 até aos 80 anos), outra com fotos dos filhos e alguns netos... O destaque dado a estas figuras na sua vida só demonstram o grande homem que, imagino, foi.

 

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Dito isto, resta-me recomendar que, caso passem por Banguecoque, possam também visitar o Bangkok Art and Culture Center (BAAC), com ligação ao sky train e com toda a luz, conforto, criatividade e ausência de hordas de gente de que todos precisamos para sermos felizes numa galeria de arte!

 

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