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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

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Observações sobre os hábitos de leitura dos escoceses - ao sol

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Princes Street Gardens, Edimburgo

 

Durante a minha viagem à Escócia, que está prestes a terminar enquanto vos escrevo isto, fiquei maravilhada com o seguinte: os escoceses lêem imenso. Não posso falar pelo resto do Reino Unido, porque só estive no Norte de Inglaterra há quatro anos, mas tanto em Edimburgo quanto Glasgow  (e nos comboios entre as duas cidades) fui notando que há imensa gente com livros na mão, seja onde for: na fila para o autocarro, nos transportes públicos em geral, nos parques, nos cafés... Coisa linda de se ver. Até me senti mais inspirada para ler (e, ao contrário de todas as minhas auto-promessas, comprei cinco - CINCO! - livros nos últimos três dias de viagem, quando finalmente sucumbi à pressão da disponibilidade imediata de paperbacks com cheiro a papel reciclado intocado. Adoro paperbacks. Não há como não fazer todos os esforços humanamente possíveis para que caiba mais um, e mais outro, na mala de cabine. Ou na mochila. Ou em sacos extra.

 

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 Kelvingrove Park, Glasgow

 

Parece-me que este é um povo com hábitos de leitura - mais uma achega a contribuir para o meu amor por este país. Além de verde e cheia de história, a Escócia tem livros por todo o lado e gente que gosta deles.

 

Enterneceu-me especialmente o facto de também os escoceses adorarem livros e verde. Nos dias em que fiquei em Glasgow e Edimburgo, esteve quase sempre sol (apesar dum frio bem irritante, mas uma pessoa desculpa o Mar do Norte), por isso os parques públicos, os jardins e os jardins botânicos (mais especificamente, todos os bancos ou bocadinhos de relva disponíveis) estavam sempre cheios de pessoas a comer, a passar tempo com a família e os amigos, a jogar, a dormir a sesta... e a ler. Mal se via um raiozinho de sol... os relvados inundavam-se de pessoas de t-shirt (enquanto eu, friorenta do burgo, fazia frente à brisa cortante com uma camisola interior, uma sweat-shirt e um casaco de Inverno). 

 

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 Jardim Botânico de Glasgow

 

Fico mesmo com vontade de importar estes hábitos saudáveis para Lisboa. Já! Imediatamente! Mal eu aterre hoje à hora de jantar!

Porque é que subir o Arthur's Seat em Edimburgo é uma experiência de superação

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Vista panorâmica no cume do Arthur's Seat.

 

Embora esta seja uma actividade a que imensos turistas e locais se entregam às centenas por dia, subir o Arthur's Seat foi, para mim, uma experiência especial de superação. O facto de o ter feito sozinha, e tendo em conta a minha fraca adoração por alturas, só torna o meu dia de ontem ainda mais inesquecível. Sinto-me bastante orgulhosa por ter subido o Arthur's Seat, um dos três pontos mais altos da cidade de Edimburgo, na Escócia. Como o nome indica, também está ligado ao mito do rei Artur, por ser apontado como a localização provável do Castelo de Camelot. Assim mais a nível pessoal, é ainda um dos locais simbólicos para os protagonistas do meu romance favorito, One Day (escrito por David Nicholls), o ponto de encontro dos amantes, a celebração do início dum grande amor e amizade (alerta foleirada, não me julguem).

 

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Como podem confirmar pela minha expressão de felicidade ao chegar ao cume do Arthur's Seat, este foi um dos feitos do meu ano, até agora. Desde o primeiro dia na Escócia que andava a ganhar coragem para me pôr a andar lá para cima. Ontem, finalmente esgotei as desculpas e a pressão de o tempo da viagem se estar a esgotar ainda contribuiu mais um extra para investir nesta empreitada.

Antes de me ter decidido a subir o Arthur's Seat, ainda subi ao Calton Hill, outro dos três pontos mais altos de Edimburgo (o terceiro é Castle Hill, onde fica o castelo), e avaliei, a partir de lá, todo o percurso íngreme, irregular e pedregoso a que me iria comprometer.

 

Esta era a vista do Calton Hill para o Arthur's Seat, ali ao fundo:

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A acrescentar a todos os motivos já enumerados que me faziam hesitar, tenho contado com uma aparente tendinite no pé direito, que me tem infernizado a viagem com uma dor que, não sendo lancinante, é incómoda q.b.. Por isso, ao olhar para o horizonte, em direcção aos rochedos que me aprontava para subir, só pensava que completar esta aventura só me traria mais confiança ou, em última análise, ficaria presa nos penhascos e teriam de me ir buscar de helicóptero, o que é sempre um pensamento muito engraçado que se tornaria uma história para a vida.

 

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Enquanto subia o Arthur's Seat, como factor de motivação a adicionar, fui relatando a experiência nas stories do Instagram. Entretanto, pu-las em destaque, para ficarem como recordação, por isso podem lá ir vê-las. O tempo também ajudou: a subida começou com um céu escuro e terminou com sol (se bem que o vento se manteve do início até ao fim do dia). É poético, não é?

 

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O que acabou por me aterrorizar mais foi a descida. Enquanto subimos, raramente temos de olhar para trás. Ao descermos, somos obrigados a controlar o que nos aparece por baixo dos pés. Confesso que sou grande fã da técnica refinada de sku, sem a qual dificilmente teria sobrevivido ao Arthur's Seat. Crianças de dois e três anos corriam pelos pedregulhos abaixo... eu arrastava-me. 

 

Dito isto, subir o Arthur's Seat foi uma experiência de superação. Sinceramente, não estava sequer à espera de conseguir subi-lo até ao cume. Pensava que era quase certo eu ficar-me pelo caminho, dada a tendinite, as vertigens, o vento e temperatura agreste no início da caminhada, o cansaço do dia anterior e uma noite de sono interrompida por trabalho (sim, aqui a workaholic não conseguiu livrar-se do trabalho por mais de cinco dias), estar sozinha por minha conta. Mas consegui. Consegui não só subir tudo até ao fim, quanto também consegui descer - sem um arranhão, apenas com as calças ligeiramente sujas. Todas as dificuldades que se apresentavam inicialmente só me deixam ainda mais satisfeita com o que fiz. Não caibo em mim de orgulho. A sério. Tenho a auto-confiança em níveis máximos, pelo menos no que toca à superação de obstáculos aparentemente intransponíveis.

 

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Se eu consegui isto, consigo mais. Se os outros conseguem, eu também consigo. Se eu consegui, todos conseguem. Porque não? Porque não tentar? E, no final da descida, pode ser que haja um oásis como o que encontrei ontem, ou um paraíso com lagos, flores, relva e cisnes.

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As viagens também servem para arejar as ideias

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 Porta da Edinburgh Central Library, foto minha (não me querendo gabar, está catita)

 

Planeei esta viagem à Escócia, não só por ser um dos meus destinos de sonho, não só por ser uma terra verde que representaria um novo começo depois da Banguecoque caótica e cinzenta, mas também porque era uma viagem que eu precisava de fazer para arejar as ideias depois de quase dois anos incríveis, mas extenuantes e muito confusos.

 

Vir à Escócia e estar nesta cidade maravilhosa e mágica de Edimburgo, ir a sítios que não pensava visitar tão cedo (Loch Ness, por exemplo) tem-me permitido sair do meu ponto de vista habitual e tomar uma nova perspectiva, exterior, sobre o que me vai acontecendo.

 

Viajar permite-nos ganhar um novo olhar, porque deixamos o nosso "eu" de sempre em casa e, ao estar em sítios novos, passamos a vê-lo de fora, de maneira renovada. Ganhamos um olhar mais objectivo que nos ajuda a reflectir melhor sobre o que deixámos em Portugal.

 

Viajar sozinha pode parecer estranho a muita gente, mas a mim não me faz impressão, talvez porque já vivi assim antes durante algum tempo. Antes pelo contrário, aproveito estas oportunidades para estar só e apenas na minha própria onda, sincronia e vontade. Por vezes, gostaria de partilhar o que vivo com mais pessoas, mas haverá hipótese de o fazer no futuro, pelo que não me sinto pressionada a sentir a falta de ninguém neste momento. Há coisas que temos de fazer sozinhos. Ir à Escócia é a minha.

 

Este silêncio, que só se quebra com o ruído dos locais, dos turistas, dos guias e das colegas de quarto, é um descanso. Adoro estar assim, principalmente porque sei que tenho o oposto em Portugal. Só daria valor a um e a outro cenário, tendo os dois. É o caso.

 

Também nunca tinha viajado com esta disponibilidade de orçamento antes. É um alívio estar entregue aos meus planos e à minha carteira, mesmo com as suas limitações do costume. Adoro tomar decisões assim.

 

E viajar é ainda melhor quando se deixam amigos fantásticos em Portugal, uma família que só nos surpreende, um ambiente cheio de energias positivas, gente de bem com a vida... De facto, há sempre linhas por encarrilar, mas existirá tempo para o fazer.

 

Não querendo agoirar, esta viagem (e as suas condições de silêncio, aventura, desconhecido, desejado)  tem-me feito sentir ainda mais optimista e tem-me realmente ajudado a reflectir no que pode ser feito e continuar quando o bem bom das férias de Primavera improvisadas tiver um fim. A ser possível, até guardava um pedaço deste optimismo momentâneo, porque na volta ainda hei-de precisar de me lembrar dele.

 

Se eu tivesse que nomear apenas uma lição que vou tentar levar bem reflectida daqui, nomearia aquela ideia da serendipity, ou serendipidade (anglicismo feio, soa melhor no original). É deixar andar, não ceder às preocupações, fazer por liderar o que nos compete porque quase nada cai do céu, mas na volta aceitar também que há acasos, coincidências e simples acontecimentos sobre os quais não temos grande hipótese senão ceder, acontecem e pronto, até de forma feliz, mesmo que não andemos à procura deles (um bocado a forma como tenho planeado, ou deixado de planear, esta viagem). É desfrutar desses ares involuntários que sopram, dessa descontracção de quem não deve a mais ninguém, desse take it easylet it flow. Acho que já andei demasiado tempo a tentar controlar o incontrolável. 

 

Isto das viagens deixa uma pessoa ligeiramente filosófica, não deixa? Não liguem. 

Quando viajo

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Quando viajo para o estrangeiro, normalmente não quero saber. Viajo de cara lavada. Não me preocupo em arranjar o cabelo e visto roupa elástica. Umas calças de ganga e uma camisola ou uma t-shirt servem para o efeito. Muitas vezes, deixo as lentes de contacto na caixa, vou de óculos e acabou. Não me preocupo demasiado em parecer perfeita nas fotos, para as publicar nas redes sociais. Se me apetecer publicá-las, seguem sem acessórios ou filtros. Para mim, viajar e ser-se turista é adoptar a filosofia do pragmatismo, principalmente porque o costumo praticar sem quem faça questão de me ver linda e maravilhosa. É preciso poupar no espaço e peso da bagagem e no tempo gasto na casa-de-banho, que podem ser todos utilizados noutras coisas a que dou mais valor quando tenho oportunidade para as apreciar.

 

Por isso, não entendo quem se arranja como se fosse para o baile de debutantes, enquanto vai ali subir o Arthur's seat!

 

Talvez eu mude com o tempo e com as situações. Nem sempre sou, nem sempre viajo, assim como vos escrevo. Também sei fazê-lo, nomeadamente, com maquilhagem no nécessaire, vestidos e mais de dois pares de sapatos. No entanto, por agora, sinto-me muito "turista de fato-de-treino", less is more. Sinto-me turista acorda-e-sai. Já tenho as fotos do LinkedIn e do Tinder para provar que uma pessoa pode ser o que quiser, para quem quiser, de acordo com os contextos. Por agora, viajar é não querer saber de muito (excepto comida e paisagens) e procurar alguma sensação de libertação que possa surgir.

 

Aliás, é para isso que servem as sweat-shirts das nossas faculdades, certo? #teamfluldesde1911

O primeiro dia

Não eras o meu amor, eras o meu amigo. Não me davas só flores, davas-me abrigo. Agora, não sei quem és, já não sei com quem vivo. És só alguém que se parece contigo.

("Agora", Carolina Deslandes)

 

Acho que escrevo isto para quem está desse lado e que poderá estar a passar pelo mesmo. Ou que terá passado por alguma situação semelhante. Ou que poderá vir a passar. São só meia dúzia de pensamentos, umas quantas conclusões sobre quase nada.

 

Costuma a sabedoria popular avisar que ninguém é de ninguém, que não devemos tomar pessoa nenhuma como garantida, mas isso são tudo frases bonitas, que na realidade não se aplicam com tamanho grau ético. Se não descansássemos o coração, se não pensássemos que tudo há-de correr bem, que há estabilidade e que poderemos contar às cegas com os outros, o que seria feito de nós? Passaríamos a vida inteira com o coração nas mãos; morreríamos, novos e exaustos, de ansiedade.

 

Portanto, quando surgem falhas, ou quando somos apanhados pela imprevisibilidade do que vai na cabeça - na vida - da outra parte, corremos o risco inevitável de levar um banho de água gelada, de nos sentirmos engolidos, incapacitados, consumidos e amputados duma parte do corpo que nem sabíamos que existia. O pior é começar de novo. Encharcados. A patinhar o chão. A salpicar todos por quem passamos. 

 

Metáforas à parte, o pior é começar de novo. Acordar num dia aleatório dessa fase da qual nem nos recordamos bem (porque é tudo tão igual, mas tão confuso), pensar que já chega e colocar todos os mecanismos de superação em trabalho reforçado. Este é só o primeiro dia, custa horrores e se calhar nem nos lembramos de quando ou como aconteceu. É um dia sobre o qual nem reza a história.

 

Ligamos aos amigos todos, aguentamos mais uns sermões sobre como o outro lado é que terá ficado a perder (até também acreditarmos nisso de forma veemente), experimentamos todos os argumentos que apoiam uma última mensagem (só mais uma!), os amigos levam-nos a jantar a ver se o mal é da fome, deixam-nos brincar com os filhos para despistar o relógio biológico, contam-nos as histórias deles (que, por norma, tendem a ser mais conflituosas, tortuosas e conturbadas do que as nossas), planeiam arranjinhos com outros amigos solteiros, distraem-nos com mais comida... 

 

Algum tempo depois, damos por nós a pensar cada vez menos nessa pessoa, a pensar que, de facto, a coisa não correu bem, mas que nem tudo foi mau e há que lembrar isso com carinho e respeito, que a hipótese de reconciliação nem a nós nos agradaria porque o que era já não é, mas que - surpresa - se calhar até há pessoas bestiais que andam por aí e que ainda nem conhecemos. E que todos merecemos encontrar a felicidade e que não nos devemos martirizar nem aos outros por tentarem também o melhor que podem, porque não é justo deixarem-se ficar como estão e serem infelizes.

 

Além disso, começamos também a acreditar no que andávamos a repetir como um mantra: temos saúde, trabalho, amigos que nos alimentam e nos emprestam os filhos, uma família que nos desculpa passarmos as noites inteiras fechados no quarto a ouvir discursos motivacionais, que há mais peixe no mar, etc.

 

O que fica definitivamente é um sentimento irremediável de incompreensão. Como é que é possível sermos, sentirmo-nos, tão próximos de alguém e, numa questão de dias, passarmos a habitar esferas que nem se tocam? "Porquê a mim, que fiz o melhor que pude e soube?" Por que é que nem há notícias, um cuidado, uma chamada? "Nunca mais vou encontrar alguém assim!" Enchemos esse vazio de respostas, primeiro com comida (um elemento omnipresente na minha recuperação, viva os mil-folhas e o ginásio), depois com gente positiva ou que faça por nos compreender, com novos hobbies, com novas rotinas, deixamos de achar piada a músicas de The Script (I am the woman who can't be moved, I'm still alive but I'm barely breathing, you're going through six degrees of separation, lá lá lá, pronto, já chega, Beatriz) e passamos a evitá-las, experimentamos redes sociais onde nunca tínhamos imaginado entrar... tentando sempre perceber até que ponto é possível separar o antes do depois. Testamos limites, possibilidades de recuperação. 

 

Mas tudo se vai fazendo, garanto-vos que o panorama vai melhorando a pouco e pouco, praticamente sem notarmos.

 

Para mim, a chave tem sido levar um dia de cada vez, sem elevar demasiado as expectativas, tentanto aceitar que não podemos controlar tudo. Podemos querer muito que aconteça qualquer coisa que talvez nunca venha a acontecer (ou vice-versa, podemos tentar impedir que aconteça sem o conseguirmos evitar). 

 

Por isso, cada dia é um primeiro dia. 

 

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As 16 piores opções para engate no Tinder

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Depois duma investigação académica muito profunda e cientificamente ética (neste caso, cerca de duas horas acumuladas a fazer swipe left e swipe right) apresento-vos as piores opções para engate no Tinder, num raio de 30 km a partir dos subúrbios de Lisboa. Este estudo baseia-se numa pesquisa de carácter meramente experimental, mas o catálogo já é extenso. No entanto, fica já a nota de que, no Tinder como no mundo, há homens para todos os gostos  (e mulheres, provavelmente, mas deixo essa investigação para um futuro próximo e para quem de respeito).

 

Preparadas, mulheres heterossexuais solteiras e/ou malandras deste país, principalmente da margem Sul de Lisboa? Querem saber as pérolas que vos esperam? Aqui vai a minha colectânea.

 

1. O que está a fumar ganza na foto de perfil
2. O que tem a mãe na foto de perfil
3. O que mostra as maminhas
4. O desfocado
5. O artista com barba de três meses e cabelo salteado em óleo Fula
6. O teu ex-namorado
7. O "🍺🍻"
9. O que tem os amigos todos na foto de perfil, não se percebendo de quem é a conta
10. O que tem a melhor amiga/namorada/ex-namorada na foto de perfil
11. O que tem uma criança na foto de perfil
12. O que mostra o carro
13. O que só tem selfies em close-up
14. O machão-mitra
15. O que avisa logo que só quer nudes
16. O amigo solteiro que tu mesma convenceste a ir para o Tinder e com quem fazes match só pela piada de enviarem piropos e piadas porcas um ao outro 

 

E, como nas cartas do Pokémon ou nos cromos do Lidl, se tiverem itens para troca, deixem registado na caixa de comentários. 

"Bird by Bird": 10 instruções sobre a escrita (e sobre a vida), segundo Anne Lamott

Há poucas semanas, li um livro que me pôs a rir duma forma como nenhum me tinha feito nos últimos tempos. Li e ri, mas também li e pensei que, realmente, a escrita e a vida são para ser vividas mesmo assim: pássaro por pássaro.

 

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Bird by Bird: Some Instructions on Writing and Life, assim se chama o livro miraculoso que me relembrou que, tal como joelhos esfolados em gravilha, também os assuntos do coração não se resolvem no momento em que tentamos tratar a ferida. Às vezes, tem mesmo de apanhar ar. Ou, pacientes, temos de ir recolhendo um e outro pássaro. O que interessa é irmos tentando. Como acontece na escrita...

 

A partir do momento em que comecei a ler este livro, passei a adoptar esta forma de viver os obstáculos que vão surgindo. Os imprevistos. As desilusões. Há que conquistá-los um por um. (Na verdade, essa filosofia bird by bird tem origem num trabalho da escola sobre pássaros que o irmão da autora procrastinou até ao último dia quando era criança, mas divago.)

 

Assim, Anne Lamott, esta senhora fantástica que muitos conhecem duma TED Talk, vai-nos apresentando imensas lições sobre a vida e sobre a vida dos escritores. No entanto, o que partilha connosco poder-se-ia aplicar a qualquer profissão ou pessoa, qualquer contexto.

 

Gostei muito das seguintes 10 instruções sobre a escrita (e sobre a vida) que Anne Lamott nos deixa por escrito. Não se encontram necessariamente pela ordem do livro, nem são apresentadas pela autora desta forma. Estas foram seleccionadas e destacadas por mim, nem que seja por serem as que fazem mais sentido para o meu caso pessoal e de escritora amadora a fazer um esforço por voltar a competir e/ou publicar.

 

1. Um escritor é alguém que tem de recuperar o poder de observação, o deslumbramento e a inocência da infância, para poder captar o que os outros podem não ver ou sentir explicitamente;

 

2. A melhor maneira de começar  escrever é em quantidade, mas não necessariamente em qualidade. A partir daí, do exercício de escrita livre, podem surgir pequenos pedaços de informação ou texto que sirvam para começar um rascunho. É ao escrever e a deitar fora que vamos descobrindo o que queremos escrever (um pouco como na vida, digo eu - se nos fecharmos em casa à menor contrariedade, nada nos irá acontecer; já o contrário...);

 

3. Os primeiros rascunhos vão ser sempre maus, por norma, pelo que nunca se deve ter as expectativas elevadas. Até se entregar uma versão final a quem de respeito, o trabalho de edição pode revelar-se o mais moroso;

 

4. Mesmo que não nos sintamos "inspirados" ou com vontade de escrever, é importante que tiremos tempo suficiente para apenas nos sentarmos com disponibilidade para escrever. Pode acontecer que, nesse entretanto, as personagens comecem a querer falar-nos ou que nos occorra uma ideia que complete o texto/enredo e que lhe dê sentido. É como dançar, diz a escritora, parando a mente racional. Quando dançamos, não olhamos para os pés para confirmar se o estamos a fazer bem, apenas dançamos (e, na vida, é não olhar demasiado também);

 

5. Quando não houver motivação para escrever, podemos tentar escrever um livro para alguém, como um filho, um pai ou um amigo. Podemos escrever para lhes dar como presente. No meu caso, mesmo quando não consigo continuar o livro que estou a tentar escrever, escrevo-vos aqui;

 

6. É importante anotar tudo o que for possível. Tudo pode tornar-se material para escrita, detalhes da vida quotidiana. Fazer listas ou ter sempre post-its à mão pode ser útil para anotar ideias súbitas. É provável que a maioria desses itens seja absurdo e que não venha a ser utilizado, mas alguns podem tornar-se centrais para encontrar o sentido do que tentemos criar;

7. Obter diálogos verosímeis pode revelar-se uma tarefa hercúlea, mas resulta da investigação sobre como as pessoas falam na realidade, através da mera atenção que prestamos a quem nos rodeia, por notas ou gravações.

 

8. Escrever em grupo ou encontrar alguém com quem se possa ir trocando ideias é construtivo. Muitas vezes, a crítica da outra pessoa, seja amigo ou colega na criação, pode ser feroz, mas é melhor do que se viesse dum editor. O mesmo pode ser retribuído, para que haja sempre motivação de se escrever qualquer coisa. Idealmente, devem ser estabelecidas datas para esses encontros em que se trocam textos;

 

9. Mesmo que um escritor não seja publicado, o presente da escrita vale por si, por ter sido algo a que se pôde entregar de coração, que importa por causa do espírito e da dedicação. Além disso, escrever diminui a sensação de isolamento, porque, quando escrevemos, fazêmo-lo sempre tendo em conta algum leitor ou grupo;

 

10. Devemos escrever pelo prazer que é. Claro que o objectivo de um escritor é, por norma, chegar aos seus leitores. No entanto, tal como um farol não vai atrás de barcos para salvar, um escritor também deve escrever os seus livros para que existam, mas sem esperar a fama.

 

***

 

E assim ficou a minha lista de lições sobre a escrita e, já agora, sobre a vida. Na minha opinião, é impossível não gostar da Anne Lamott. Tem sentido de humor, aparentemente teve uma vida cheia de peripécias, escreve como quem conversa, fala aos corações. Depois, digam-me o que acharam da lista de lições e do que poderão ter ouvido sobre a autora e a sua obra!

Por que é que passei a ouvir TED Talks diariamente (e por que é que os podcasts são melhores do que a televisão para mim)

Conheço muitas pessoas que chegam a casa e ligam a televisão "para fazer barulho". Eu ouço TED Talks e tenho-me tornado fã de podcasts exactamente pelo mesmo motivo.

 

Antes, fazia-o com a música, mas comecei a aperceber-me de que não sou assim tão produtiva, porque as canções, as letras, os ritmos me distraem. Então, passei a tentar vídeos do YouTube. No entanto, muitas das vezes os meus youtubers favoritos usam efeitos visuais que pedem a minha atenção, ou introduzem imagens ilustrativas que fazem falta à narrativa áudio. 

 

Foi assim que cheguei à conclusão de que teria de encontrar um qualquer barulho de fundo para me distrair, mas que, ao mesmo tempo, também não fosse um desperdício de tempo. Cheguei aos podcasts e às TED Talks dessa forma. Por vezes, nem estou a prestar atenção, mas uma ou outra coisa ficam. O Spotify é uma base excelente para procurarmos aquilo de que mais gostamos. Além disso, a aplicação TED encontra-se dividida em várias categorias, temas e listas de reprodução, que facilitam a navegação.

 

Há temas para todos os gostos, tanto no Spotify quanto na TED. Eu gosto de literatura, educação, cultura, psicologia/desenvolvimento pessoal, estilo de vida saudável, artes e entretenimento. Depois, ainda há desporto, música, humor, notícias, política, jogos, histórias... Porque não tentar um ou outro? Pode ser que gostem. E podem estar a fazer o que quiserem ao mesmo tempo, sem publicidade pelo meio!