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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

5 ideias científicas (e simples) para sermos mais felizes

29.08.18 | BeatrizCM

Recentemente, comecei a seguir um podcast que já recomendei no Instagram e que não me farto de impingir a quem não se importe de me ouvir por trinta segundos sobre ele. Chama-se The Science of Happiness (traduzido fica "A Ciência da Felicidade") e é promovido pelo Greater Good Science Center, da UC Berkeley (EUA). Ouço-o através do Spotify, mas também está disponível no iTunes e no site do centro. Dito isto, fica entendido que a procura da felicidade é elevada a ciência. Sermos mais felizes é uma coisa que se aprende e que vem nos livros - quem diria?

 

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No entanto, mais do que promover a sua procura, este podcast sugere que a felicidade pode ser praticada, tal como qualquer habilidade. Há formas de a exercitar para a tornar mais forte e constante, métodos sobre os quais ouvimos falar de vez em quando, por uma ou outra razão, mas que nem sabemos terem sido investigados com todo o rigor científico. Podemos ser felizes se, tal como estudamos para um exame ou treinamos no ginásio, nos aplicarmos nuns quantos exercícios frequentes, tendo em vista fortalecer a felicidade quotidiana. Em cada epsiódio, é apresentada "a practice designed to boost happiness, resilience, kindness, or connection", com um guinea pig, um entrevistado, que tenta aplicar essa prática no seu dia-a-dia.

 

 

Desta forma, aqui vos recomendo 5 ideias científicas (e simples) para sermos mais felizes - ou seja, 5 métodos explicados em 5 episódios do podcast The Science of Happiness:

 

1. Ouvir como se fosse o primeiro encontro

Neste episódio, o protagonismo é dado à "escuta activa" - isto é, uma técnica de comunicação que visa destacar a importância de ouvir como deve ser, ou escutar atentamente, mostrando-o claramente ao(s) outro(s) interveniente(s). Uma parte importante do processo é olhar as outras pessoas nos olhos enquanto conversamos, uma vez que esse pequeno gesto ajuda à libertação de oxitocina, uma substância química que tem o papel de estimular o sentimento de bem-estar e de ligação aos outros, também conhecida como "a hormona do amor", que obviamente contribui para sermos mais felizes.

 

2. Escrever uma carta de agradecimento a alguém que nos tenha marcado

O objectivo é escrever uma carta de agradecimento, mesmo que esta nunca seja lida ou recebida pela pessoa a quem se destina. O que interessa é quem escreve relembrar a sua importância, o quão feliz e abençoada a sua vida possa ter-se tornado por ter cruzado caminhos com o destinatário. É como pôr os pés na terra e valorizar a influência que outros possam ter tido no seu presente.

 

3. Caminhar regularmente no exterior (com um dos criadores do filme Inside Out, ou Divertida-Mente)

Quando caminhamos, não estamos apenas a fazer algum exercício físico. Desligados de conversas e dos nossos meios habituais, a nossa mente descansa e ganha tempo e espaço para reflectir, para sermos mais felizes com a nossa voz interior - uma óptima prática para bloqueios criativos! Principalmente se estivermos entre a natureza ou cenários agradáveis, o pensamento flui, o raciocínio liberta-se, a pressão sanguínea baixa e o stress também. O objectivo é saborear o momento. Podemos fazê-lo sozinhos ou, por exemplo, ao passear os nossos cães.

 

4. 36 perguntas para nos apaixonarmos por alguém

Esta é uma prática que muitos já devem conhecer desta TedTalk ou deste artigo. São 36 perguntas que, supostamente, nos fazem apaixonar pela pessoa com quem partilhamos o questionário. Contudo, além disso, podem ainda ser usadas para aprofundar uma relação, recuperar alguma intimidade perdida (que é o caso da participante entrevistada neste episódio) ou - veja-se! - quebrar barreiras culturais, sociais e religiosas. E, ao sentirmo-nos mais próximos de alguém, imaginem o que acontece... oxitocina, como sempre. Estabelecendo relações mais significativas e íntimas, sermos mais felizes torna-se uma consequência natural.

 

5. Imaginar que nunca teríamos conhecido a nossa cara-metade

A um grupo foi pedido que descrevessem a forma como tinham conhecido a sua cara-metade; ao outro foi pedido que imaginassem que nunca a tinham conhecido, por algum acaso (ou desacaso) do destino. Chegou-se à conclusão de que os participantes do segundo grupo se sentiram mais satisfeitos nas suas relações algum tempo depois do estudo do que os do primeiro grupo. Pensar como seria a sua vida sem aquela pessoa especial, investir no exercício de counting their blessings, fê-los valorizar as suas vidas em comum, ganhando alguma objectividade.

 

 ***

 

Terminada a lista, será que alguém vai tentar uma destas práticas para ser mais feliz? Ou será que vai ganhar curiosidade em ouvir o podcast? Por que não tentam ouvi-lo agora nas férias, no carro ou na praia?

 

Só tenho pena que ainda não haja nenhum podcast semelhante em português. Até agora, já ouvi todos os vinte episódios disponíveis, tentei três destas práticas que vos sugeri, mais outras quantas de The Science of Happiness, por isso dá para perceber o quanto admiro este projecto.

 

Fico à espera das vossas opiniões e relatos de possíveis experiências para serem mais felizes. 

Vergonha alheia

19.08.18 | BeatrizCM

Uma gargalhada tropeçada liberta-se. Cerramos os dentes num esgar sorrido que distende os lábios mecanicamente. Rebeldes, os olhos acompanham a sinfonia da agitação, desapegando-se das órbitas em movimentos circulares interrompidos quando se vêem obrigados a piscar, numa tentativa de limpar a incredulidade suspensa no ar, pastosa, áspera. A face cora. As bochechas incham e elevam-se. Mas a testa franze. Rugas miúdas afundam desconforto latente, causado por estímulos recentes na cavidade auditiva. Ou mesmo por actividade na córnea. Ou por ambos. (Eu sei lá, sou professora de português, não de anatomia...)

 

A vergonha alheia também nos flagela de tempos a tempos. Alguém que conhecemos ou de quem ouvimos falar atreve-se a feitos impressionantes... que, de facto, impressionam. E nós sofremos, não sabemos com clareza se com eles, se por eles, se pelos outros sobre os quais pesam as acções dos desditosos que nos envergonham por contágio. É um sacrifício.

Modern Romance: como a Internet mudou as nossas relações e vidas amorosas

15.08.18 | BeatrizCM

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Solteiros ou comprometidos, casados, divorciados ou até viúvos, quem é que no século XXI não se perguntou já como será isso do online dating - encontros proporcionados por sites e apps, maioritariamente desenvolvidos desde os anos 90?

 

A verdade é que vejo imensa gente à minha volta a alinhar nestas ferramentas usadas para conhecer pessoas novas, incluindo eu. Há umas semanas, por coincidência depois duma experiência mais ou menos desapontante neste domínio, decidi ir à Fnac (os livros animam logo uma pessoa, não é?). E descobri este livro, Modern Romance, escrito pelo comediante Aziz Ansari em parceria com o sociólogo Eric Klinenberg. Fiquei particularmente curiosa, porque também eu já passei por um par de situações sobre as quais gostaria de ler, dum ponto de vista mais científico e universal. É para isso que os livros servem, não é?

 

Em primeiro lugar, sei que este ainda é um assunto "engraçado" para muita gente. Sair com pessoas que se conhece pela Internet ainda parece ser relativamente novo ou pouco generalizado em Portugal. Mas é um fenómeno tão válido quanto qualquer outro a ser investigado e discutido na área das ciências sociais e humanas.

 

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Sabiam que, à data de publicação do livro, um terço dos casamentos americanos tinha sido possível por o casal se ter conhecido pela Internet? E a tendência é estas estatísticas aumentarem ainda mais com o passar dos anos.

 

Como é referido em Modern Romance, há cinquenta ou sessenta anos os casais conheciam-se de forma diferente e tinham expectativas de vida quase opostas às nossas. O importante era casar com alguém minimamente decente, que vivesse perto, o homem trabalharia e a mulher seria quase sempre dona de casa, criariam uma família e morreriam felizes e contentes dessa forma - se tivessem sorte, senão estariam apenas reservados para uma vida comum medíocre.

 

Hoje em dia, a maioria dos jovens estuda até muito mais tarde, procura uma vida profissional satisfatória e estável, viaja e muda de cidade ou país com relativa facilidade, e, no que toca a casar e a ter filhos, procuramos fazê-lo com a nossa alma gémea, ou pelo menos com alguém que nos faça sentir não só confortáveis e amados, quanto também desafiados e atraídos de maneiras muito variadas. Chegamos a namorar muitos anos com a mesma pessoa, ou a gastar muitos anos de vida em busca dessa tal cara-metade.

 

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(Perdoem-me a falta de qualidade das imagens, nem sempre é possível ver bem os gráficos.)

 

Neste contexto académico e profissional tão intenso, em que os círculos sociais acabam por ser limitados, é compreensível que não tenhamos tanta disponibilidade para conhecer alguém realmente especial, pelo que o uso das tecnologias, não sendo um fim em si mesmo, é uma ferramenta que nos proporciona conhecer mais gente além do alcance das nossas vidas turbulentas, porventura encontrando alguém que nos encha as medidas.

 

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Contudo, paralelamente a esta parte mais teórica, o livro também expõe imensos dos problemas de quem utiliza as ferramentas de online dating. Eu já escrevi sobre algumas das minhas próprias experiências no blogue, mas foi sempre em tom de gozo, o que nem sempre espelha a minha atitude real perante o tema. Eu até levo o Tinder, a app que eu uso, mais ou menos a sério, mas, separadas as devidas excepções, poucas das pessoas com quem tenho chegado à fala encaram as interacções como seria esperado, quando comparamos a realidade do online dating em Portugal com a dos EUA, em destaque em Modern Romance. O livro menciona, por exemplo, o facto de haver pessoas que se envolvem pouco ou que deixam de responder de repente, após conversas extensas e aparentemente muito interessantes. Pensamos "olha que individuo tão agradável" e depois ele desaparece do mapa, após uma ou duas desculpas pouco convincentes. Ou mesmo silêncio.

 

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Por isso, já é a segunda vez que me inscrevo e já é a segunda vez que elimino a app, porque acaba por ser uma experiência que nem sempre traz à superfície o melhor de nós, e é preciso respirar fundo. Em suma, ler este livro trouxe-me algum consolo, por perceber que "pode acontecer a qualquer um de nós e são riscos que temos de correr".

 

Por outro lado, também sei de histórias fantásticas de quem se conheceu online e o livro conta outras tantas, que se apanharam nos grupos de indivíduos estudados pelos autores ou no trabalho doutros investigadores. Nem tudo é mau, nem tudo é bom, num catálogo tão vasto de possibilidades. O mesmo aconteceria, numa escala diferente, ao conhecer alguém pessoalmente desde o início. 

 

No entanto, os autores deixam claro: a chave para as coisas correrem bem é não nos esquecermos que, apesar de as pessoas com quem falamos por mensagens serem quase irreais até ao momento em que as vemos, todos continuamos a ser humanos do outro lado do ecrã. Temos sentimentos, preocupações, traumas, receios, experiências de vida únicas. Assim, devemos tentar ser tão decentes quanto possível, tal como seríamos se essas pessoas estivessem à nossa frente. E não nos devemos esquecer: as ferramentas online levam-nos a contactá-las, mas não substituem a parte do dating em si, conhecê-las ao vivo e a cores.

Aqui seguem alguns excertos que achei muito sucintos:

 

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Dito isto, adorei o livro Modern Romance. Apresenta um bom equilíbrio entre livro de ciência popular (quem gosta de antropologia, sociologia e psicologia como eu vai gostar desta leitura) e entretenimento. Tem apontamentos fora do comum, nomeadamente acerca da vida sexual dos japoneses, e os autores dão alguns testemunhos pessoais e dicas de como comunicar de forma mais eficiente. São estudados ainda outros temas, como a infidelidade e o fim das relações na era das mensagens instantâneas, as diferenças culturais no namoro à volta do mundo, o sexting e as redes sociais. Por vezes, há piadas desnecessárias, mas faz parte.

 

Excelente tentativa de desmistificar um assunto do qual tanta gente ri, mas que ainda nem toda a gente compreende!

O melhor que um amigo nos pode dizer

12.08.18 | BeatrizCM

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Não costumo pensar em mim como tendo resposta para seja qual for o menor problema à face do universo. Eu nem a cozinhar sou boa. Nunca fui popular. Não sei nadar. Sou terrível a matemática, sou daquelas que se perde em contas de subtrair. Sou a mais nova dos meus amigos. Por norma, tenho poucos filtros, falo do coração e com o coração na boca. Às vezes, acho que me acontece tudo sem argumento. Ultimamente, só tenho velejado as ondas da vida ao sabor do vento. Logo se vê. 

 

Mas alguma coisa devo andar a fazer bem. Ontem, uma amiga disse-me que gostaria de ser mais como eu, seguindo o que eu faço e a maneira como lido com diversas situações e pessoas. Isto é o melhor que um amigo nos pode dizer, principalmente se for uma pessoa que tenhamos sempre admirado de volta.

 

Podemos conquistar a admiração de qualquer pessoa, mas conquistar a admiração dum amigo é das melhores sensações possíveis. É preciso tocarmos a fasquia com o efeito em dobro - por vezes, não temos objectividade suficiente para avaliar um amigo em toda a sua plenitude, verdade seja dita; é difícil esquecermo-nos de que aquele indivíduo extremamente competente em tantos domínios é o mesmo a cujos piores momentos nós assistimos na primeira fila.

 

Claro que, inevitavelmente, os nossos amigos vêem algo de especial em nós, ou nem sequer o seriam. Mas chegar ao ponto de nos confirmarem, verbal e abertamente, que querem ser mais como nós... É qualquer coisa.

 

É ainda infinitamente mais saboroso um amigo dizer que quer ser como nós exactamente numa questão que pensávamos não dominar. A minha amiga não me disse "quero dar aulas com a mesma alegria que tu". Ela disse-me, literalmente, "vou adoptar a tua visão de vida" (logo a mim, que me considero cada vez mais míope em tanto assunto). Pelos olhos dos outros, é como se descobríssemos facetas nossas que desconhecíamos e às quais nunca demos importância. Pelos olhos dos outros, descobrimos o quão mais fortes e competentes somos na realidade.

 

O melhor que um amigo nos pode dizer é que somos uma referência, um exemplo a seguir. Não há palavras para descrever tamanha gratidão por esta partilha.

 

Finalmente, proponho: e que tal, para começar bem a semana, dedicarmos dois minutos do nosso dia a elogiar um amigo? 

Pedir desculpa não está na moda

07.08.18 | BeatrizCM

É triste, mas pedir desculpa não está na moda. Apercebo-me de que há cada vez menos gente a fazê-lo e só pode ser esse o motivo da sua escassez. Os influenciadores desta era não devem referir o conceito muitas vezes. 

 

À minha volta, pessoas que trabalham comigo, que privam comigo ou até com quem tento apenas estabelecer algum tipo de contacto evitam ter de me dedicar este gesto tão simples, mas tão importante na manutenção da nossa face e relações cordiais com os outros. Em vez disso, resta-nos o silêncio e uma sensação ácida a desconforto.

 

Pedir desculpa fica tão bem, e sabe tão bem receber estas palavras de vez em quando. Demonstram cuidado, respeito e consideração. Não é preciso sermos melhores amigos ou família para as trocarmos. Basta esbarrarmos num desconhecido na rua.

 

Vou ter de trocar a reunião X para outro dia. Desculpa.
Não estou com disposição para jantar hoje. Desculpa.
Vou chegar atrasada. Desculpa.
Esqueci-me do que me tinhas pedido. Desculpa.
Vou ter de te interromper. Desculpa.
Um qualquer erro/inconveniente/situação inesperada/factor de desilusão/contexto de embaraço. Desculpa.

 

Claramente, não tenho em mente que seja necessário andarmos todos de cabeça baixa a pedir desculpa uns aos outros de forma constante. No entanto, reconhecer as nossas falhas, por mínimas ou acessórias que sejam, mostra uma vulnerabilidade e humildade, ou mera humanidade, muito atraentes.

 

"Ah, mas a intenção estava lá."

 

Como é que eu hei-de saber, se ela não se materializou? As palavras, tal como os gestos, servem para serem utilizadas. Para comunicarmos e cooperarmos - digo eu, que me interesso académica e pessoalmente pela comunicação humana, em estudar e criar significado.

 

Digo eu, que tento ser sempre a primeira a dar o braço a torcer quando fico em falha para com alguém e que me sinto tão aliviada por haver maneira de me expressar nesse sentido. E que, de igual modo, sou a primeira a tentar compreender, aceitar e valorizar um pedido sincero de desculpas. Errar, falhar, desiludir, magoar, não corresponder às expectativas acontece a todos. Pedir desculpa não resolve tudo, mas é uma gentileza. 

 

Peço desculpa por este desabafo sentido e pesaroso.

 

E obrigada (que também é outra palavra a cair em desuso, sobre a qual poderemos discutir noutro dia).

Ler mais autores portugueses e lusófonos tem sido o meu objectivo literário para 2018

06.08.18 | BeatrizCM

Há muitas pessoas que não conseguem viver sem filmes, outras que não passam sem séries, ou que sentem necessidade de ir ao ginásio todos os dias. Eu preciso de ler, se não todos os dias, muito regularmente. Por isso, tenho tentado ler em maior quantidade e qualidade, porque sei que me faz sentir melhor e mais feliz. Neste caso, decidi investir em ler mais autores portugueses e lusófonos como objectivo literário para 2018.

 

 

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 (O meu desafio anual no Goodreads até agora.)

 

Ler mais autores portugueses e lusófonos tem sido o meu objectivo literário para 2018 por várias razões.

 

Em primeiro lugar, acho que apoiar o que é nacional é uma mais-valia. Não entrando em sentimentos nacionalistas nem "o que é nacional é que é bom", acredito que nos fica bem valorizar o que é feito por portugueses e em língua portuguesa, porque é muito fácil entusiasmarmo-nos mais com o que vem do estrangeiro e tendemos a esquecer-nos das nossas origens e um pouco da nossa identidade. Consumimos imensa cultura inglesa e americana, por exemplo, nem que seja por serem tão "vendidas" pelos meios de comunicação. É-lhes dada imensa visibilidade, o que nem sempre acontece em semelhante proporção quando se trata de criações ou produtos portugueses.

 

Este é o meu caso. Estudei literatura inglesa e americana, tive professores ingleses e americanos, cresci a ver séries da Fox e do AXN (e reality shows do TLC), a ver os Simpsons e comédias românticas de Hollywood, a ler Harry Potter e Crónicas de Nárnia, falo inglês todo o dia, todos os dias, há mais de dois anos, por causa do meu trabalho, refugio-me nessa língua que já considero um pouco minha... por isso sei o quão fácil (e cómodo) é pegar num paperback em inglês (que, ainda por cima, é mais barato) em vez de investir num autor português publicado em capa dura. A certa altura, até os temas são mais familiares. 

 

Por outro lado, eu quero lembrar-me e estar em contacto com todas as minhas tais "identidades" ou "origens". Quero saber tanto quanto possível sobre um povo e sobre o outro (e outro, e outro, e outro). Esse é outro motivo pelo qual quero ler mais autores portugueses. Quando os leio, também me sinto em casa, a beber da nossa língua, pessoas, culturas e mentalidades. É a língua portuguesa que me fascina, até mais do que a inglesa, ou a francesa e a espanhola. Para mim, é um desafio, ainda por cima por achar que os nossos escritores adoptam frequentemente um tom muito nostálgico, triste e insatisfeito através da sua escrita (sei que pode ser cultural, mas...). Assim, tenho tentado encontrar autores que contrariem ou equilibrem essa tendência. Também quero ler sobre gente feliz.

 

Finalmente, leio imenso porque quero aprender a escrever com quem percebe do assunto. Só grandes leitores podem dar, no mínimo, escritores medíocres. Respeito quem o faz bem e sei que têm muito a ensinar-me. O que escreveram os clássicos? O que escreveram autores X e Y? O que andam a escrever os contemporâneos? O que os torna não interessantes? O que os faz ganhar prémios? O que os faz serem tão aclamados pela crítica e pelo próprio público?

 

Até agora, em 2018 ainda só li cerca de oito livros escritos em língua portuguesa. No entanto, tenho feito um esforço por comprar mais e interessar-me pela literatura nacional e lusófona recente e das últimas décadas, tentanto intercalar um livro em português a cada leitura noutra língua (inglês, quase sempre). O mais difícil é explorar novos temas, a que a literatura estrangeira não me habituou. Mas, cada passo a seu tempo, há que começar por algum lado.

 

Também aceito dicas e sugestões de quem esteja a tentar fazer o mesmo que eu, dando uma oportunidade aos autores de língua portuguesa! O que andam a ler? Ou quem? E como são os vossos hábitos de leitura?

Uma Follow Friday diferente

03.08.18 | BeatrizCM

Eu sei que é suposto o Follow Friday ser realizado entre os blogues da plataforma do Sapo, mas, desta vez, vou usá-lo para partilhar convosco a escrita duma pessoa que eu admiro imenso. Pela sua inteligência, sensibilidade e generosidade em tudo o que faz (incluindo o seu trabalho como investigador na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, mas também nos gestos quotidianos que dedica aos que lhe são próximos), hoje decidi destacar o meu amigo Carlos, que, além dos seus deveres académicos e profissionais, escreve para o P3 e, veja-se, é um autor publicado! (Ahahaha.) Ainda por cima, escreve sobre tópicos realmente importantes para a humanidade.

 

O Carlos é licenciado em História, mestre em Psicologia e tem agora em mãos o seu projecto de doutoramento em Psicologia, especializando-se em Migrações, o que revela bastante acerca do quão multifacetado é. Como é óbvio, enquanto amigos só falamos praticamente de porcarias e trivialidades, de fofocas e de tontices. No entanto, o Carlos é uma das pessoas mais cultas que conheço, além de ter uma inteligência emocional superior ao normal. Consegue ler os outros. Sabe consolar, sabe o que dizer. Mas, às vezes, falta-lhe confiança nas suas próprias capacidades.

 

Por isso, deixo aqui o meu manifesto: Carlos, cria um blogue. Precisas de o fazer. O mundo precisa de ler o que tu escreves, precisa que partilhes o que guardas para ti, para os amigos ou para a investigação. Senão, já sabes, resta-te criar um canal de culinária "a nu" no YouTube.

 

Nesta Follow Friday, já "seguiram" os vossos amigos? Deixo-vos a sugestão de os recomendarem! 😅😁