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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Estar Vivo Aleija, mas dói menos por causa de Ricardo Araújo Pereira

29.09.18 | BeatrizCM

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Não vos quero aborrecer com um texto muito longo. No entanto, sei que este é um dos livros mais esperados da rentrée: Estar Vivo Aleija, do humorista que dispensa apresentações, Ricardo Araújo Pereira. E eu digo: provavelmente acabei de o ler primeiro que vocês! Estava desejosa que chegasse o dia de ontem, o primeiro em que o livro esteve à venda sem ser através do site da editora Tinta da China. Por isso, cá vão os meus três tostões acerca desta leitura muito agradável - sem surpresa nenhuma.

 

Desta vez, o meu entusiasmo deve-se à curiosidade trazida por este tipo de crónicas escritas pelo RAP. Depois de ler a entrevista que deu ao Observador, percebi que Estar Vivo Aleija seria uma colectânea de textos sobre temas mais pessoais e descontraídos, e menos políticos (como as crónicas da série Boca do Inferno), num registo mais auto-biográfico e ao mesmo tempo universal, escolhido para agradar os leitores brasileiros da Folha de São Paulo, onde foram originalmente publicadas. São feitas várias referências terurentas à avó que o criou, às filhas e à mulher, sem retirar destaque às peças de teatro de Sófocles e Shakespeare, às singularidades da língua portuguesa, às moscas, ao amor, às batatas e ao chulé. É uma miscelânea de temas!

 

Mais ou menos político, o humor, perspicácia e inteligência permanecem como os conhecemos. Acho que as suas observações sobre as coisas mais banais da existência humana se podem comparar ao olhar sempre admirado e inquisitivo duma criança que está na idade de apontar para tudo e estabelecer ligações inesperadas entre elementos diferentes.

 

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Assim sendo, demorei menos de duas horas a devorar o livro. Li-o duma assentada. Cada crónica ocupa cerca de página e meia, o livro tem cerca de cento e cinquenta páginas... Foi um óptimo entretenimento para a minha hora de almoço! Esta é a leitura indicada para quem quer passar um bom bocadinho, mas também para quem quer ter o livro lá em casa e abri-lo de vez em quando para soltar uma gargalhada ou, pelo menos, arrancar-se um sorriso. Outra coisa não se esperava de RAP. Estar Vivo Aleija, mas dói menos por causa de autores como ele.

Alguns motivos pessoais e profissionais para tirar um mestrado em Portugal

28.09.18 | BeatrizCM

O mercado de trabalho tem-se tornado cada vez mais competitivo. Já o tenho referido por aqui: uma licenciatura já não é suficiente em 2018, muito menos uma licenciatura pós-Bolonha, sem experiência ou formação adicional, o que é normal para um recém-licenciado.

 

Por isso, talvez tirar um mestrado possa ser uma boa ideia, pelo menos em Portugal. Há ainda outras opções, como investir em cursos profissionais ou de extensão cultural e académica, adquirir competências que complementem o que estudámos ou que nos facilitem a entrada numa área profissional que nos agrade (mesmo sem certificado, de forma autónoma e autodidata) e - não menos importante - apostar em projectos pessoais, incluindo aqueles que nem apresentam benefícios óbvios à partida. Escrever um livro, aderir a um desafio semanal ou mensal, aprender algo totalmente novo, criar um blogue, ir viajar sozinho, trocar ideias com desconhecidos no LinkedIn - o mundo é a nossa ostra!

 

No entanto, deixo-vos um par de impressões sobre o que me leva a continuar os meus estudos, motivos pelos quais é importante investir num mestrado para mim, em Portugal, neste contexto pessoal, social, económico, académico, profissional... Esta é apenas a minha experiência, mas talvez mais alguém se reveja nestas necessidades e objectivos que são os meus.

 

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 Faculdade de Ciências Humanas, Universidade Católica Portuguesa, onde já comecei o mestrado em Estudos de Cultura - Gestão das Artes e da Cultura (fotografia tirada por mim após a entrevista de admissão, há uns meses)

 

Em primeiro lugar, eu nunca tive dúvidas de que tirar um mestrado depois da licenciatura seria não um objectivo, mas uma simples realidade inegociável. Diz a sociologia que isto se pode dever ao facto de já não ser a primeira na minha família a frequentar o ensino superior, pelo que uma licenciatura e estudos pós-graduados sempre foram um dado adquirido desde que me lembro, nem que tivesse de me esfolar a trabalhar para pagar as propinas.

 

Mas foram "um dado adquirido" por óptimos motivos: acreditamos que a procura pelo conhecimento deve ser parte da nossa vida e que estudar durante vários anos é um privilégio do qual não devemos abdicar, nem que seja porque o conhecimento e a experiência são fontes de felicidade. Portanto, é nisto que eu acredito. Enquanto a minha vida familiar e profissional o permitir, tentarei chegar a tantos cursos, mestrados, doutoramentos ou qualquer outro tipo de formação contínua quanto humanamente possível.

 

Além disso, tirar um mestrado permite-me sair da minha zona de conforto, continuar a desafiar-me, não só pelo conhecimento proporcionado, mas também pelas experiências (como a Summer School, intercâmbios e todos os seminários, visitas e convidados, pelos colegas que ganhei, pelos professores e pela troca de ideias. Durante pelo menos dois anos, todos os dias terei algo para fazer e no qual me devo concentrar. Terei algo que exigirá motivação e trabalho.

 

Finalmente, sem a desvalorizar, vem a tal lista de vantagens profissionais para o desenvolvimento duma potencial carreira. Eu quero voltar a ensinar numa universidade, tal como fiz em Banguecoque, seja em Portugal ou onde quer que a vida me leve, por isso é óbvio que preciso de, nomeadamente, acumular graus académicos, publicações e... contactos. No entanto, seja como for, tirar um mestrado em Portugal é um percurso comum para quem pretende especializar-se nalguma área ou expandir os seus conhecimentos num domínio diferente. Um mestrado ou uma pós-graduação constituem complementos à nossa formação de base e, enquanto complementos, não são absolutamente indispensáveis, mas poderão abrir-nos algumas portas adicionais.

 

Para mim, tirar este mestrado ou o que ficou a meio depois de ter regressado a Portugal (e que conto terminar algures no futuro a médio prazo) representam uma certa expansão dos meus horizontes a vários níveis. Em geral, é isso que quero partilhar convosco.

 

Sim, um mestrado pode ser um fardo nas finanças pessoais e na vida social. É um compromisso. É mais uma responsabilidade mais ou menos acessória, principalmente quando acumulada com outras já existentes. Ainda assim, é uma aventura. Num par de anos, aquelas três novas linhas no currículo não serão só essas linhas, serão mais um conjunto de histórias, memórias e conhecimentos ganhos a muito custo, mas que, digo eu, nos saberão a mel. 

 

O que acham? Por agora, estou bastante confiante. Sei que vai ser difícil, que vou perder muitas horas de lazer, estudar e trabalhar ao mesmo tempo, ter muitos dias de cão, longos e esgotantes, mas sei que não os trocarei por nada daqui a um tempo.

 

O denominador comum para todos deveria ser a seguinte premissa: façam-no com gozo, se estiverem suficientemente convictos dos benefícios que um projecto desta envergadura traz, e se conseguirem reconhecer tanto aquilo de que vão abdicar quanto lucrar. Em caso de dúvida, o melhor é sempre tentar,  não é? E o conhecimento não ocupa lugar.

Não tenho cá procrastinado

21.09.18 | BeatrizCM

Perdoem-me os dois ou três leitores habituais a falta de assiduidade na procrastinação blogosférica. Há fases assim. Felizmente! Nem blogue, nem Instagram, e Facebook reduzido. Ainda se escapa o Goodreads. Também já passei por algumas fases excessivas, mas, de facto, sinto falta de escrever aqui com mais regularidade. Na verdade, até tenho escrito alguns textos, mas ou os deixo a meio, ou serão publicados nos próximos dias (viva!).

 

Começo o meu mestrado na segunda-feira. Finalmente sinto alguma estabilidade pseudo-profissional - aliás, trabalho não me falta e já o começo a recusar quando aparece mais. Dum ponto de vista pessoal, têm-me acontecido coisas estupendas. À maioria dos meus amigos também. Tirando um ou outro desgosto ou imprevisto desagradável, não mudaria nada. Gente querida e feliz à minha volta. Livros. Desafios. E o tempo que vai voando quando estamos bem.

 

Piroseiras de quem está naquela altura do mês... Não me liguem, mas eu hei-de voltar melhor na próxima vez.

 

Bom fim-de-semana! 

Texto à caloira que eu fui

16.09.18 | BeatrizCM

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Minha cara, vou já adiantar que "está tudo bem". Dentro dos possíveis, irias ficar abismada com o que te aconteceu na última meia década. Não sei se to deveria ter dito, mas não quero que fiques a pensar na morte da bezerra, que não ficas, mas há de chegar o momento em que não vais saber para onde te virar e em que te questionarás acerca das opções que se te apresentam. Ainda por cima, nao é como se fosses realmente receber este texto, por isso não faz mal revelar uma ou outra profecia de meia-tigela.

 

Vejamos: está tudo bem. Escolheste bem, mais imprevisto, menos imprevisto. Do teu lado, tiveste quase sempre pessoas maravilhosas, que te deram uma mãozinha sempre que possível, que te proporcionaram aconchego, segurança, liberdade, espaço para cresceres. Tiveste que trabalhar imenso, fazer-te valer das tuas próprias competências, conhecimento, optimismo incurável e grandes doses de estupidez natural, tiveste que provar o teu mérito vezes sem conta, frequentemente sentiste que não andavas a viver a vida duma pessoa da tua idade, mas também tiveste alguma sorte e pudeste colher os frutos desse esforço contínuo.

 

Há sensivelmente cinco anos, comecei a minha licenciatura. Aí estás tu.
Não sei qual a origem da enorme admiração do pai quanto ao facto de ter ido para Letras. Com o ISCTE e a FDUL mesmo à frente, por que raio não queria eu ser uma jornalista com formação de base num qualquer eito ou logia, em vez duma jornalista com uma formação de base genérica e confusa?! Ciências da Cultura, o que é isso?

 

Cinco anos depois, continuo sem conseguir explicar mais do que "estudei línguas, cultura, literatura, história, linguística e comunicação social, tudo num".

 

No entanto, sei muito bem que foi o melhor que eu tinha a escolher na altura. Fizeste bem em escolher a licenciatura da qual mais gostavas e não a mais conveniente, listada em rankings, com o título mais sintético. Tu, bicho irrequieto, que ainda pretendes fazer mais do que "uma coisa" na vida profissional, que lês desordenada e desconcentradamente, com hábitos de trabalho e enriquecimento pessoal desgovernados, terias sido - e eu ter-me-ia tornado - muito menos feliz. E tu sabe-lo, também. Já te conheces de modo a estar consciente do quão irrequieta a tua mente é.

 

O que interessa é que aprendeste imenso, sem te sentires consumida. Tiveste professores que te inspiraram e moldaram - ou agitaram - o pensamento, as crenças, os gostos, alguns dos quais ainda na tua lista de contactos. Por causa do trabalho desenvolvido por eles, chegarás à conclusão de que o jornalismo pode não ser para ti e confirmarás que o ensino deve ser a tua maior vocação. E mais: terás acesso a uma biblioteca maravilhosa onde passarás momentos de satisfatória procrastinação, mas onde também darás por ti a pensar na vida e, surpreendentemente, a ser produtiva.

 

Beatriz, continuas sem perceber claramente como é que a cultura, as línguas e os livros se vão tornar o teu ganha-pão para o resto dos teus dias, mas tens dado a volta ao assunto uma e outra vez. Por agora, tens conseguido. À tua volta, alguns amigos começam igualmente a fazê-lo, o que prova que aquelas conversas aborrecidas sobre a falta de oportunidades, sustento e dignidade nas ciências sociais e humanas, em que muitos te engoliram a paciência durante muitos anos, foram apenas inúteis e desagradáveis.

 

E não nos esqueçamos dessas pessoas que vais conhecer nos próximos dois ou três anos, graças a esse finca-pé de teres insistido em estudar Letras! Apesar de a tua vida social futura ser reduzida, vais fazer grandes amigos. Poucos, mas bons. Provavelmente, conhecerias outros amigos, noutras circunstâncias, mas... não seriam estes, que tanto adoras.

 

Está tudo bem, e vais gostar bastante dos próximos três anos - caóticos, trabalhosos, enriquecedores. Boa sorte!

 

P.S.: daqui a duas semanas vais ser despedida do call-center. Ups.
P.S. 2: não vais gostar da praxe.

Quando um livro nos desilude

11.09.18 | BeatrizCM

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Recentemente, li um livro que me desiludiu. Não é, de longe, um mau livro. Muitos poderão defender que não só é um bom livro, como é um óptimo livro, na verdade. 

 

O problema talvez tenha sido esse. Eu queria que o livro fosse maravilhoso, à semelhança do que toda a gente à minha volta parecia dizer. Tanto me foi recomendado. Não tirei a pulga da orelha enquanto não o li. Também eu queria sentir o que os outros sentiram. Espero que não seja ganância literária, este desejo. 

 

Neste momento, o dito romance está classificado com uma média de 4,21 estrelas (o que acontece a muito poucas obras) no Goodreads, essa ferramenta que promete ilusões e que por vezes semeia desilusões, como a que me estava reservada sem eu saber. Comprei-o, o romance, comecei a lê-lo de imediato e gostei. Gostei, apenas.

 

De facto, é uma narrativa cativante, não se prolonga por demasiadas páginas, não enfada, dá-nos a conhecer um momento muito relevante da História nacional a partir dum ponto de vista curioso, emprestando voz a um protagonista por quem a maioria dos leitores consegue nutrir um certo carinho. Terminei-o em poucos dias, sem me sentir esgotada ou entediada.

 

A minha desilusão é nada disso ser suficiente. Mas eu queria adorar o raio do livro, queria mesmo! Infelizmente, encontrei-lhe algumas falhas e carências que destruíram qualquer possibilidade de o achar fora de série. Sim, é um bom livro. Um livro bom. Não deixo de o recomendar, mas não sinto que farei campanha ferrenha pela sua posição nas minhas preferências. Mas eu queria que ele fosse logo parar à minha lista de favoritos. Mas, mas, mas...

 

Alguma vez vos aconteceu tal desfeita? Alguma vez sentiram indiferença por um livro que pensavam inicialmente estar destinado a vôos mais altos? Alguma vez um livro vos desiludiu?

 

Quando um livro nos desilude, encolhemos os ombros e partimos para a próxima leitura. Ainda assim, fica um desconforto inexplicável no ar. Nem sequer há, como na cena dum crime, alguém a quem apontar o dedo. Nem há crime, criminoso ou vítima. Há, somente, um livro que nos passou ao lado.

Planos e (muitos) livros para Setembro

08.09.18 | BeatrizCM

Por aqui, parece que este ano tem sido feito de começos e recomeços. Sucedem-se uns aos outros, por diferentes causas e motivações, formais ou ocasionais, e este blogue vai relatando-os ou, pelo menos, assinalando-os o melhor que consegue.

 

Chegada a Setembro, sei que este mês será um marco inicial para novos ciclos. Ainda agora estamos a terminar a primeira semana, e já é possível prever que Setembro vai ser um mês cheio, e em cheio - para mim e para os que me rodeiam. Aliás, tem tudo acontecido, a toda a gente, ao mesmo tempo. Agosto foi prenúncio, Setembro é o início.

 

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Começo por vos apresentar os livros que quero ler em Setembro. Que quero ler, sublinho, não significando que o consiga fazer. Já estou a meio de alguns, pelo que espero riscar pelo menos três ou quatro desta lista ambiciosa antes do final do mês. Irei dando notícias. 

 

É melhor manter as expectativas muito baixas no que toca ao tempo reservado para leituras recreativas, uma vez que os meus alunos já regressaram todos de férias, o ritmo normal de aulas voltará a ser bastante intenso e, ainda por cima, o meu mestrado está quase, quase a começar.

 

Pois é, só faltam duas semanas para voltar a estudar, ao fim de quase um ano fora dessas lides. Desta vez, do menú consta um programa em Estudos de Cultura, especialização em Gestão das Artes e da Cultura (FCH - UCP). Num misto de alegria, ansiedade e inquietação, esta vai ser uma das grandes aventuras dos próximos dois anos. Em breve, talvez escreva sobre ela.

 

Setembro também costuma ser um mês propício a novas rotinas. De facto, já sinto necessidade de as criar. Diminuir o tempo que dedico às redes sociais, ler mais e com maior qualidade (por lazer, fora o resto), melhorar o equilíbrio corpo-mente e abandonar parcialmente o modo insistente de couch potato, escrever com regularidade e ritmo, arranjar disponibilidade horária e mental para projectos que me apeteça ir concretizando... São planos para Setembro muito semelhantes aos planos para Setembro de tantas outras pessoas, mas parecem, a cada um de nós, únicos e intransmissiveis. Estamos todos no mesmo barco!

 

Ora, e aqui ficam os meus mais sinceros desejos de que a vossa rentrée se apresente com força, motivação e concentração! Mãos e cabeça ao trabalho! 

Follow Friday apressada

07.09.18 | BeatrizCM

Na tentativa de me redimir de muitos dias de ausência irremediavelmente justificada pelos termos recém-inventados "férias blogosféricas", deixo-vos uma lista de textos de blogues que sigo, e dos quais gosto bastante, acumulados durante alguns meses mentalmente e/ou nos meus Favoritos. É isto a Follow Friday, não é? :)

 

A verdade é que não tenho um blogue favorito - nem sou dona dum limiar de atenção (vulgo attention span) que me permita tal feito - e, por essa razão, saltito dum para outro como quem faz zapping. Não vejo televisão (só ouço programas de informação por fazerem parte do menú diário do jantar cá em casa), mas há sempre outros entretenimentos intermitentes por onde escolher. A Internet é o meu buraco negro, claro.

 

Sem mais demoras, aqui segue a dita lista. Só ao organizá-la é que me apercebi que partilham os mesmos temas - livros, ler, escrever, ser feliz - o que obviamente não é de admirar.

 

  1. Ler e escrever (Plano Nacional de Leitura)
  2. Aspas
  3. Anti-biblioteca
  4. Doar literatura
  5. Porquê escrever um blog?
  6. O meu horóscopo é melhor que o teu
  7. Life is what happens to you while you're busy making other plans + Como é a experiência de viajar sozinha?
  8. O que eu acho da felicidade
  9. Querida Lisboa,
  10. O consultor...

 

Boas leituras!

36 perguntas que levam ao amor - a minha experiência pessoal

04.09.18 | BeatrizCM

(contém alguns spoilers)

 

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Decidi deixar-vos um texto de opinião sincera acerca da minha experiência pessoal com as 36 perguntas que levam ao amor, desenvolvidas por uma equipa de investigadores e (viralmente) testadas por uma escritora - dado que é uma prática que podemos levar a cabo para sermos mais felizes, e que até já vos recomendei há poucos dias.

 

De facto, confirmo que, mais do que levar ao amor, as ditas 36 questões constituem um exercício que ajuda a criar intimidade em geral (até podem ser respondidas com um amigo ou um relativo desconhecido), mas, mais do que isso, acabo por considerá-las um desbloqueador de conversa. Até podemos pensar que sabemos tudo acerca de alguém, mas estas 36 perguntas provam que há sempre uma preferência, sonho, memória ou curiosidade sobre o nosso "parceiro de questionário" que nos faltava perguntar-lhe mais directamente.

 

Uma vez que fiz as 36 perguntas que levam ao amor com alguém de quem gosto muito e de quem me tenho tornado bastante próxima (em grande parte por já termos partilhado muita informação pessoal semelhante à pretendida pelo presente questionário e por termos muito em comum), sentimos que as nossas respostas choviam no molhado, ou que já sabíamos/prevíamos algumas sobre um e sobre outro, ou que eram frequentemente "eu também". Segundo o estudo, as questões deveriam ser feitas entre dois relativos estranhos - o que provavelmente corresponde ao propósito de muitas, só que em outras não faz sentido. Mas já lá iremos...

 

Em termos de duração do questionário, penso que depende muito do vosso perfil: são indivíduos muito faladores? Sentem-se acanhados? Já terão partilhado recentemente algumas das respostas a estas perguntas ou perguntas semelhantes? Em média, recomendo cerca de uma a uma hora e meia para responder à totalidade do questionário. Hão-de encontrar perguntas fáceis de responder e outras que vos farão reflectir ou discutir por algum tempo, uma vez que o exercício se divide em três partes, sendo a primeira composta por perguntas mais banais e a segunda e terceira por perguntas cada vez mais delicadas.

 

Ainda assim, tenho algumas falhas a apontar, falhas essas que me surpreenderam, talvez por causa das expectativas elevadas que tantos artigos, talks e divulgação me fizeram construir.

 

Como já referi, as 36 perguntas que levam ao amor são mais úteis quando não somos muito íntimos do nosso parceiro de questionário, caso contrário, o desenrolar da actividade revela-se previsível e repetitivo.

 

Contudo, as minhas maiores reservas partem do facto de algumas perguntas parecerem ter sido desenvolvidas para quem já tem alguma relação, por exemplo, quando temos que nomear 5 factos positivos sobre o nosso parceiro (pergunta 22) ou temos que referir aquilo de que honestamente gostamos nele (pergunta 28). Então, e se o tivermos acabado de conhecer? Só se respondermos "bom cabelo, boas pernas, bom traseiro, sorriso simpático, voz clara", que podem ser apenas banalidades insignificantes (passe-se o pleonasmo).

 

Finalmente, impõe-se a derradeira questão: mas estas 36 perguntas levam mesmo ao amor?

 

Não, não levam. Acho que esse título que lhe atribuíram funciona na qualidade de "golpe de marketing", mas o amor deveria ser, obviamente, mais do que responder a perguntas. Estas 36 perguntas levam, sim, à sensação de maior proximidade, ao estabelecer-se uma espécie de compromisso quanto à aceitação mútua das vulnerabilidades de cada participante. Criam uma oportunidade para sinceridade, generosidade e abertura que se querem recíprocas. Deste modo, no final resta a gratidão pela partilha.

 

(E compreende-se por que motivo podem ser usadas para aproximar indivíduos de comunidades, religiões, etnias, crenças distintas; ou para reaproximar casais cuja relação não esteja a passar pelos melhores dias.)

 

No final do exercício, é-nos proposto que nos olhemos nos olhos por quatro minutos, um tipo de jogo do sério. Eu e o meu parceiro conseguimos aguentar mais ou menos... quatro segundos (demos o nosso melhor, juro). Seja como for, claro que os quatro minutos podem ser determinantes para se criar intimidade com alguém que não se conheça bem. Sinceramente, não entendi que fizesse uma grande diferença no nosso caso, mas cada caso é um caso - não é o que se costuma dizer? 

 

Agora, desafio-vos a tentar estas 36 perguntas que levam ao amor com alguém igualmente disposto a ser uma cobaia para a ciência contemporânea. Quais serão as vossas conclusões? O que virão a sentir? Se o fizerem, partilhem os resultados connosco. Boa sorte! 💪