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Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Procrastinar Também é Viver

Blogue sobre trivialidades, actualidades e outras nulidades.

Por agora, detesto coffee breaks

28.10.18 | BeatrizCM

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Hoje descobri que detesto coffee breaks. Quem me conhece sabe que sou tagarela. Façam-me uma pergunta, eu respondo-vos a essa pergunta e ainda debito o equivalente a outras três. No entanto...

 

No entanto, ultimamente sei que tenho andado mais reservada nos primeiros contactos, tenho-me sentido mais cínica e céptica, com falta de confiança (em mim e nos outros). No passado, parecia ser mais fácil interagir com desconhecidos.

 

Então, ontem bloqueei. Fui a um evento sozinha e bloqueei. Não consegui aproveitar os coffee breaks para falar com os outros participantes. Foi assim que descobri que, por agora, detesto coffee breaks, porque me sinto incapaz de falar com estranhos sem ter a sensação de estar a mais, de os estar a fazer passar um frete, a menos que se dirijam a mim primeiro. Talvez isto me passe e que a lata, a destreza social, a estupidez natural, regresse. Afinal, eu sou capaz de destravar a língua quando me falam, só falta dar-lhe o que fazer quando a iniciativa parte de mim. Eu sei que hoje tentei, cheguei a conseguir algumas conversas, mas continuo a achar que não foi o suficiente.

 

Um factor que não ajuda nada a esta minha falta de jeito para iniciar conversas com pessoas que não conheço (supostamente temporária) é elas já se conhecerem previamente e juntarem-se - involuntariamente - em grupos. Fico logo a pensar que estou a mais. Os outros não têm culpa, eu faria o mesmo, mas o desconforto e uma certa timidez são mais fortes do que eu.

 

Sinto-me exposta e intimidada. Sinto-me estrangeira neste tipo de contexto. Não sei o que fazer às mãos, aos pés, aos olhos, ao cabelo. Vou buscar mais uma bolacha. Ok, e agora talvez me sente. Não, vou levantar-me e tirar mais um petisco da mesa. Mais um café. E um sumo, para o caminho. E sento-me de novo. Hummm, nem o telemóvel me safa, parece que sou anti-social, ou ainda mais do que já estou a ser. Bzzz, bzzz, bzzz, cala-te, cérebro. Então, e se eu fosse à casa-de-banho matar tempo até a sessão recomeçar? Foi nisto que pensei.

 

Portanto, a minha ideia neste momento é não me admoestar demasiado pela imobilidade de ontem. Na próxima vez, será melhor. Até já tenho um plano: ir falar com os outros introvertidos - porque os há, eu reparei que não era a única!

 

Enquanto a nova tentativa não se concretiza, é o que vos digo, detesto coffee breaks.

Follow Friday: O meu Caderno de Produtividade

26.10.18 | BeatrizCM

Servem as seguintes linhas para justificar por que ando a seguir um blogue recente, chamado O meu Caderno de Produtividade, da autoria doutra Beatriz (só pode ser boa pessoa!). A Beatriz fala dos métodos de gestão de tempo que tem adoptado, fala do seu trabalho e deixa aos leitores algumas sugestões. Ainda tem poucos textos por lá, mas vou continuar a acompanhar o desenvolvimento do blogue! Quem está comigo?! 

 

E por que gosto eu de blogues e pessoas que me inspirem a adoptar melhores métodos de produtividade? 

 

Cada vez tenho mais a sensação de que sou péssima a gerir o meu tempo e cada vez mais adoro ler e ouvir sobre como outras pessoas o fazem.

 

Eu sei que pode ser só, de facto, uma sensação. Na verdade, sempre consegui ir fazendo tudo e mais alguma coisa e, pelos vistos, bem. Mas a outra verdade é que, nos últimos tempos, tenho decidido não fazer dos meus dias meras repetições do padrão trabalho-casa-aulas-casa-trabalho-aulas e suas respectivas variações, o que pede alguma flexibilidade, disciplina e organização. Durante a licenciatura e o primeiro ano a trabalhar, reduzi imenso a parte social, de estar, de confraternizar, de conhecer pessoas novas, em prol duma vida académica e profissional muito intensas e simultâneas (isto sempre aconteceu, mas o segundo e terceiro ano do curso foram uma correria) e mesmo de parar para respirar e fazer nicles. Na altura, também ajudou o facto de confiar que as relações pessoais estavam asseguradas e a maioria dos meus amigos estava a passar pelo mesmo. Ninguém tinha realmente muito tempo disponível para gastar, ou estudávamos todos perto uns dos outros, tal como morávamos num raio de três quilómetros, excepto um ou outro caso. 

 

No entanto, em 2018, as coisas mudaram. Agora, os meus amigos e o meu namorado moram quase todos na outra margem, em zonas tão distantes quanto Oeiras ou a Alameda. E, sim, eu também trabalho e estudo na outra margem, mas tenho inevitavelmente de regressar à minha, a menos que haja a possibilidade de pernoitar na casa de alguém. Tudo isto, de ir e vir diariamente, ou ficar longe de casa até tarde, acaba por me consumir imenso tempo e energia. 

 

Além disso, eu tenho um problema: nunca estou completamente satisfeita com os meus resultados, a mediocridade não é suficiente, tento sempre puxar o elástico mais um bocadinho, meter uma formação pelo meio, mais um cliente ou aluno, mais um projecto pessoal, mais um plano... O que, mais uma vez, pede de mim disciplina que me falta, nem que seja para dizer não a mais sarna para me coçar. 

 

Portanto, nos próximos meses quero trabalhar a gestão do meu tempo: fazer mais em menos tempo e estar disponível para estar com toda a gente, sem me cansar tanto quanto ultimamente. Como já referi aqui, sigo ainda mais uns podcasts sobre ser feliz e procurar um certo equilíbrio psicológico. Se tiverem mais sugestões, adorava conhecê-las! A ver se melhoro o meu próprio caderno de produtividade... A ver se domino o caos. 

Ser adulto é...

18.10.18 | BeatrizCM

Fazer fila na bomba de gasolina às onze da noite dum sábado antes que o preço aumente na segunda-feira. Ter sentimentos de culpa por comer fast food, pela dieta. Ter sentimentos de culpa por comer num restaurante, pela carteira. Ouvir falar cada vez mais em filhos, casamentos, rendas, contas-poupança, contratos vários. Pensar em comprar a prestações (tudo, desde máquinas de sumo a habitação permanente). Sentir uma profunda irritação por quem não faz piscas nas rotundas. Levar sempre "um casaquinho, porque pode fazer frio mais logo". Ter enxaquecas, insónias, tomar aspirinas e café. O café é sem açúcar, para não arruinar a linha. Pedir saladas e sopas no McDonald's. Ir às Finanças, ouvir más notícias e não desatar a ligar à família para pedir colo. Levar o carro à inspecção e pagar o selo. Pagar multas de estacionamento. Procurar compulsivamente sinais de presença da EMEL, uma obsessão. Preferir ir ao supermercado a ir ao ginásio. Seguir páginas de Facebook sobre receitas fáceis e saudáveis. Reflectir "eu preciso mesmo disto agora?!" antes de gastar tempo ou dinheiro seja no que for. Ouvir notícias acerca da idade da reforma e pensar com seriedade "ai, e quando for eu?".

 

Ser adulto é um pouco isto, não é?

Para ir actualizando, com certeza.

 

(Nota: Avó, se estiveres a ler isto, obrigada por me levares o carro à inspecção. Prometo que o levo em 2019. E, afinal, não és tu quem diz que serei a tua bebé para sempre? 😂)

Li um guia de escrita de ficção: Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão (Mário de Carvalho)

14.10.18 | BeatrizCM

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Se estão à procura de mais um guia de escrita criativa, não leiam Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão, de Mário de Carvalho. Este livro não é, sequer, apenas mais um "guia de escrita de ficção". É isso tudo e ainda um ensaio que varia entre o domínio das preferências e opiniões do próprio autor, a referência académica, catálogo de obras e autores, e o entretenimento ligeiro. Já o tinha na minha "to read list" há dois anos e finalmente me convenci (e fui convencida) a arranjá-lo. Valeu a pena!


A escrita criativa parece ser uma actividade com cada vez mais adeptos, seguidores ou meros curiosos. Talvez por causa do aumento da literacia das últimas gerações, escrever acabou por se disseminar como um passatempo respeitado, de exercício intelectual, incitado ainda mais pela Internet, pela popularização de blogues e mesmo pela vaidade em ver e ter obra. Assim, é normal que se publique regularmente sobre o assunto.


No entanto, Mário de Carvalho é considerado um dos melhores escritores vivos em Portugal, pelo que não se esperaria da sua autoria muito menos do que aquilo que se lê nas 276 páginas de Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão. (É verdade que só li A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho há muitos anos, mas a reputação dum autor precede-o.)


Apesar de ser anunciado na capa que se trata dum "guia prático de escrita de ficção", arrisco dizer que até o considero um "guia de leitura". Acho que este livro me demonstrou, além de como poderei tentar escrever, o que posso esperar duma obra com qualidade literária e a repensar muitos dos meus livros favoritos (como a Odisseia e a obra de Eça de Queirós).


Os capítulos tratam de nos aconselhar obras e autores de referência, o que poderá ser a escrita, como começar a escrever, quais os cuidados gerais a ter em conta, a relação do escritor com o leitor, como planear a estrutura e o enredo, como criar títulos, nomes de personagens e as próprias personagens... entre outros assuntos que não me cabe a mim enumerar aqui, mas sim aos interessados descobrir na sua incursão pelo guia.

 

Outro aspecto que distingue este guia de escrita doutros que se encontram nas livrarias portuguesas é o gabarito do cânone seguido por Mário de Carvalho. Como ele mesmo refere, o escritor é que escolhe o tipo de leitor ao qual gostaria de chamar a atenção. Por sua vez, não me parece que os leitores deste livro pretendam escrever (ou aprender a ler, na minha opinião) o próximo bestseller de supermercado. Mesmo que não aspirem ao Nobel da Literatura, talvez possam pelo menos sonhar remotamente com um prémio Leya ou um concurso literário municipal.

 

Antes de terminar, aviso ainda que se devem preparar para a tal quantidade significativa de autores e obras de referência que pelo menos a mim me deu vontade de comprar por inteiro em atacado. Preparem os vossos orçamentos! As recomendações deixadas não sentirão piedade das vossas carteiras!


O resto é convosco. Espero ter-vos entusiasmado tanto para o Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão quanto este livro merece... digo eu!


Boas leituras... E escrita!

Blogue, baú de memórias, caixinha de recordações

12.10.18 | BeatrizCM

Ter um blogue por muitos anos tem destas situações: partilham-se muitas histórias e estórias, passando várias pessoas pela vida de quem escreve, ainda por cima numa fase de transição e de formação pessoal, académica e profissional intensas.

 

Por isso, há uma pergunta que me tem ocupado algum tempo mental doutra forma vago. Será possível que já não faça sentido manter alguns conteúdos online, por terem deixado de pertencer à vida actual, às minhas crenças, sentimentos e forma de pensar?

 

Por um lado, um blogue não deixa de ser um baú de memórias. Não podemos apagar acontecimentos passados com um clique - a Internet vale o que vale. Eles continuam a fazer parte da nossa vida, principalmente se tiverem sido positivos no seu enquadramento temporal. Se formos uma trança, não devemos desfazer os nós - os tais episódios - que a começaram. Se formos uma casa em permanente construção, eles continuam a ser as paredes que nos completam. Se formos uma árvore, até as folhas antigas passam a fazer parte das raízes que nos sustentam.

 

Por outro lado, há a consciência de que o presente precisa de encontrar a sua individualidade e o seu protagonismo. Precisa dum pedaço de terra só seu para sobreviver. Precisa de germinar longe da sombra. Não precisa de tropeçar continuamente em portas para dimensões alheias.

 

Daí estas reflexões a que me dedico de vez em quando. Há um certo diálogo, quiçá confronto, entre o passado e o presente público. Metáforas à parte, nem sempre houve um cuidado especial em filtrar o que era escrito por aqui - porque o presente não costuma ter filtros, excepto quando colocado em cheque - e choque - por outros "presentes" (em toda a sua extensão semântica). Porque já não é minha aquela voz com a qual leio o que escrevi antes. Porque parecem indagações doutra vida. Porque não há espaço para todas as caixinhas de recordações algum dia empacotadas.

 

E assim se vão repensando os pretéritos já conjugados neste blogue.

Coisas boas atraem coisas boas, uma explicação científica

07.10.18 | BeatrizCM

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Costumo dizer que não há nada que não possa ser resolvido com bom humor, boa disposição e optimismo. Na minha opinião, pensamentos positivos puxam resultados positivos. Coisas boas atraem coisas boas. 

 

Pelo menos, sempre tive a impressão, em grande parte devido às minhas próprias experiências, de que se verifica uma certa correlação entre esse tipo de atitude e acontecimentos favoráveis que se sucedem - mesmo correndo o risco de estar a simplificar uma míriade de coincidências e golpes aleatórios de sorte a um dogma pessoal e intransmissível.

 

(Afinal, esse espírito já me tinha sido incutido, desde que me lembro, pela minha avó, que eu considero uma das pessoas com mais para ensinar sobre o que significa viver bem, tendo feito face a circunstâncias adversas ao longo da vida, mas sem nunca se deixar abater até alcançar os objectivos a que se foi propondo. Não consigo evitar o pensamento automático, e típico de alguém que se considera relativamente privilegiada, de que o optimismo é a chave para as grandes dúvidas e desafios existenciais.)

 

No entanto...

 

Há uns dias, o meu namorado emprestou-me um livro do qual tenho gostado bastante. Apresenta-se em toda a imponência do seu volume e peso exigentes à primeira vista, mas lê-se muito bem: Pensar, Depressa e Devagar, do Nobel da Economia (2002) Daniel Kahneman. O tema do livro é o processo de tomada de decisão dos seres humanos, e, sumariamente, como o nosso cérebro percepciona a informação que recebe e como reage a esses estímulos.

 

Então, voltemos ao que me surpreendeu quanto às conclusões de Kahneman e da sua equipa, no domínio muito específico da influência da boa disposição. Parece que fizeram vários participantes dum estudo ter pensamentos alegres e que a exatidão das suas respostas intuitivas, ou palpites, aumentou. Isto é, a sua capacidade de análise e conexão cria menos erros lógicos. "A facilidade cognitiva é ao mesmo tempo causa e efeito de uma sensação agradável."

 

Quando temos pensamentos alegres e estamos bem-dispostos, tomamos decisões mais lógicas, logo acontecem-nos coisas melhores, mesmo que por mera intuição. Se formos negativos, o nosso poder de decisão fica fragilizado e acabamos a fazer más escolhas.

 

Quem diria que as ditas "boas energias" seriam mesmo reais no seu efeito? Quem diria que os resultados do optimismo são reais e estão comprovados cientificamente? 

 

Portanto, da próxima vez que tiverem uma decisão importante a tomar, assegurem-se de que se sentem bem, felizes. Evoquem e invoquem pensamentos que vos tragam felicidade para conseguirem escolher melhor - aliás, à maneira clássica de um Patronus (fãs de Harry Potter hão-de entender).

 

Optimismo atrai optimismo. Coisas boas atraem coisas boas, sem ser necessário abrir livros de auto-ajuda ou páginas motivacionais. É só (tentar) ver sempre tudo com um filtro positivo. Façamos essa escolha de sermos mais felizes, para gerar mais felicidade. O resto... deixemos com essa máquina incrível que é o nosso cérebro.

 

Mais alguém se revê nisto?

Livros: bilhetes de ida e volta para o resto do mundo

05.10.18 | BeatrizCM

Não consigo imaginar um mundo sem livros. Aliás, literalmente, é-me impossível imaginar o mundo sem ter livros, nos quais posso ler acerca doutras pessoas, terras, momentos históricos, hábitos, tradições, formas de estar e pensar, cânones, situações e sentimentos.

 

Nunca me considerei uma criança ou uma adolescente particularmente sociável. Passei os meus primeiros cinco anos de vida em casa, sem irmãos, primos, pares da mesma idade. Sempre senti uma certa tendência a ser mais individualista, na medida em que me habituei a estar sozinha e a fazer muita coisa sozinha. Mesmo depois de entrar na escola, nunca causei furor entre colegas, gostava mais da companhia de adultos e continuei a preservar o meu espaço. Os livros, silenciosos e disponíveis, foram uma grande companhia e ensinaram-me, desde que aprendi a lê-los, a entender melhor as outras pessoas. Não viajei fisicamente até aos dezanove, mas já tinha viajado doutras formas. Além disso, os livros permitem-nos entrar no mundo mental, nas memórias de quem já desapareceu, doutros tempos. Acho que a vez em que melhor me apercebi deste alcance foi quando li a Brevíssima Relação da Destruição das Índias Ocidentais, de Bartolomeu de las Casas, provavelmente o primeiro relato do que realmente se passava no dito Novo Mundo, escrito na era dos Descobrimentos, no século XVI. Por conta dos livros, também viajamos no tempo.

 

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É assim que me sinto quando leio livros como The Thing Around Your Neck, de Chimamanda Ngozi Adichie - que posso viajar e conhecer outras pessoas sem sair do mesmo sítio. Graças a umas quantas páginas e histórias doutro lado do mundo, posso lá ir. Nunca estive na Nigéria nem nunca tinha tido interesse em saber mais sobre este país. Contudo, já li três ou quatro livros da mesma autora, o que me permitiu conhecer bastante do seu passado e compreender as circunstâncias presentes (nomeadamente, políticas). Nos últimos dias, o projecto Humans of New York tem contado histórias de nigerianos na capital, Lagos, e muitos dos entrevistados poderiam ser personagens dos livros da CNA, tal é a mestria com que ela relata as pessoas do seu país de origem; só que são indivíduos reais que, através da ficção, eu pude conhecer muito antes de a realidade se me ter apresentado. A ficção também tem o condão de nos abrir portas para o mundo verídico.

 

Em The Thing Around Your Neck, uma série de contos vai-nos apresentando histórias diversas sobre personagens inspiradas em nigerianos contemporâneos, com destaque para experiências de emigração para os EUA. Não gostei de todos os contos, mas a maioria não só foi capaz de me entreter, quanto ainda de gerar mais interesse sobre temas que até são da minha área de estudos, e de me fazer reflectir, sentir empatia, imaginar, sair da minha zona de conforto cultural, emocional, eurocêntrica. A escrita da autora pode parecer demasiado simples, sem floreados, desinteressante, mas é possível ir descobrindo o que realmente constitui o seu estilo e o que a torna especial. Consegue dar voz àquelas personagens que vivem entre a ficção e a realidade. Por isso, recomendo que leiam os seus livros na língua original, inglês, sempre que possível.